A prática do SEIZA

30 Janeiro 2009

SEIZA é um modo de sentar sobre os joelhos e é usado extensivamente na arte marcial do Iaidô, bem como no Aikidô. A prática de SEIZA pode envolver estas artes, ou pode ser feita simplesmente como um “exercício sentado”.

 

“Sentar calmamente” usando a postura de SEIZA é uma maneira de superar os temores generalizados da vida e o medo subjacente da morte. É um excelente meio de regular as funções do corpo. Pode trazer a mente mais perto do mundo “como ele é“, numa atitude mais apropriada que seu foco habitual em “como ele deveria ser“. Em outras palavras, SEIZA é um método de passar através das ilusões da vida diária. Quando sentado, os círculos sem fim de pensamento, tão danosos à saúde mental, são rompidos e o claro frescor do simples viver no mundo é por fim liberado para aflorar.

 

Sente-se em SEIZA dobrando suas pernas e apoiando seu joelho esquerdo no chão. Coloque o joelho direito a uma distância de cerca de dois punhos do esquerdo. Em seguida estique os dedos do pé e posicione-os sobre o chão de modo que os dedões apenas toquem um no outro. Abaixe as nádegas de modo que elas repousem sobre ou entre os calcanhares.

 

Deixe a coluna ereta e a parte inferior das costas para frente de modo que se forme uma curva em S na espinha dorsal. Arredondar a parte inferior das costas ou tentar inclinar-se causará fadiga muscular. O peso do corpo deve ser centrado num ponto ente o topo dos pés e os joelhos, mais na direção dos pés.

 

A cabeça deve repousar solta no topo da espinha. As orelhas devem estar em linha com os ombros e o nariz em linha com o umbigo. Note que pondo o nariz nessa posição você move suas costas levemente para fora da posição vertical. No Iaidô é importante porque encoraja a pressão para a fronte. Empurre o queixo levemente e estique a base do pescoço. Isto resulta como se alguém o puxasse pelo cabelo para alongar sua espinha. Para encontrar essa linha central você pode balançar em círculos sobre as costas, parando suavemente até atingir uma posição de equilíbrio. Este centro é importante para prevenir cãibras ou fadiga enquanto está sentado.

 

Outra maneira de checar sua postura é imaginar uma corda atada ao topo de sua cabeça pelo lado de dentro. A corda desce por dentro do seu pescoço e tronco e é amarrada a um peso na altura do seu Tanden (cerca de 4 ou 5 cm abaixo do umbigo). Se você inclinar sua cabeça para frente ou curvar demais seu tronco a corda tocará a parte externa de seu corpo. Se você inclinar-se demais para frente ou para trás o peso baterá na linha do quadril. Ponha o peso diante do hara.

 

Relaxe os ombros e deixe seus braços caírem para baixo naturalmente. A mão direita é posta com a palma para cima sobre o colo, com o dedo mínimo levemente tocando a parte inferior do abdome. A mão esquerda é colocada sobre a direita, também com a mão espalmada para cima. Os dedos devem estar juntos, sem tensão alguma. Coloque as pontas dos polegares juntas de modo que elas se toquem sem pressão. Os polegares e demais dedos devem assumir uma forma ovalada em volta de um ponto cerca de 4 a 5 centímetros abaixo do umbigo. Este ponto é chamado de Tanden ou Saika Tanden e corresponde rigorosamente ao centro de gravidade. A mão esquerda sobre a direita representa o aspecto da quietude (“Sei” ou “In” em japonês) cobrindo o aspecto ativo (“Do” ou “Yo“). Os polegares unificam os dois princípios. O Tanden é visto como o centro do ser, em torno do qual o hara ou cordão da cintura é organizado. Este centro é o ponto a partir do qual sua vida é gerada. Variações desta forma são algumas vezes usadas, mas este é o método mais equilibrado e relaxado.

 

Sem inclinar a cabeça para frente, baixe os olhos e mire um ponto centrado cerca de um metro à frente dos seus joelhos. O nariz deve estar no campo de visão ou a cabeça está caída para frente. Isto serve para entrecerrar os olhos, excluindo a maior parte do campo visual sem permitir que a pessoa adormeça.

 

Ponha a língua no céu da boca, mantendo os dentes levemente juntos. Deixe sem ar o espaço entre a língua e o palato. Isto inibe a produção de saliva e a necessidade de engolir. A respiração é feita de modo bastante específico, e é o aspecto mais importante da prática. Os antigos taoístas acreditavam que respiração era vida e que cada pessoa foi unicamente aquinhoada com esse dom. A respiração lenta e profunda era vista como prolongadora da vida.

 

Inale fácil e profundamente através do nariz usando o diafragma. O abdome deve expandir-se para frente enquanto o peito expande-se sem nenhuma assistência muscular. Mantenha toda a tensão e esforço muscular fora da parte superior do corpo. Os ombros não devem mover-se para cima de modo algum, mas também não os pressione para baixo, apenas deixe a gravidade agir. Inspire até os pulmões ficarem cheios e nada, além disso, deixe o fôlego ditar a mudança para a expiração. Não retenha o ar ou faça nada de especial, simplesmente comece a exalar. A expiração é sempre mais suave que a inalação. Não deve haver nenhum ruído ou agitação, simplesmente sopre suavemente, deixando a barriga murchar. Expire até precisar inspirar novamente, e então reinicie o ciclo. Quando exalando não deixe a barriga flácida, mas mantenha-a viva e com uma certa tensão ou tônus, sem realmente enrijecer os músculos.

 

Nunca force a respiração em nenhuma etapa. Com a prática continuada o ritmo diminuirá até talvez dois ciclos por minuto, mas não tente atingir nenhum objetivo, apenas respire calmamente.

 

Seguindo seu fôlego, conte ambas a inalação e a exalação ou, mais adiante, apenas as expirações. Conte de 1 até 10 e então reinicie. Se perder a contagem, recomece de 1, não tente lembrar o último número, isso não é importante, Chegar a 10 não deve ser uma disputa ou desafio, apenas conte. Quaisquer pensamentos que surjam devem ser notados, mas ignorados. Apenas olhe para eles e deixe-os ir, não os persiga ou siga qualquer linha de raciocínio. Volte para a contagem. Todos os pensamentos devem ter o mesmo valor, nada, quando sentado. Quando sentado… Sente. Volte à contagem. O mesmo vale para qualquer luz brilhante, alucinações, pânico, medo ou outras ilusões. Simplesmente, sentando…Sente.

 

Quando os pensamentos não afloram tão rápidos e furiosos, você pode abandonar a contagem e simplesmente sentar. Se os pensamentos tornam a dispersa-lo conte novamente. Preferencialmente, tente sentar em Seiza por cerca de 30 minutos pela manhã cedo e outra vez à noite. Quando iniciando a prática são sugeridos períodos curtos até que as pernas estejam flexíveis e a circulação ajustada.

 

Se as pernas começam a adormecer, levante-se sobre os joelhos para reativar a circulação. Outra opção é por uma almofada entre a parte inferior das pernas para erguer o quadril acima dos calcanhares. Um pouco de dor é inevitável mas não faça disso um teste de força de vontade para sentar pelo maior tempo possível.

 

A prática deve ser feita em um local sossegado com iluminação suave e poucos elementos que possam causar distração, visual ou de qualquer natureza. Música é inadequada, já que a idéia é não ser distraído, o que pode acontecer. Eventualmente, a prática poderá ser feita em qualquer lugar onde haja um pouco de atividade em volta. Quando a prática terminar ou as pernas precisarem ser esticadas, curve-se para frente a partir da cintura e ponha a testa no chão mantendo o quadril sobre os calcanhares. Ponha as mãos espalmadas sobre o chão ao lado da cabeça, deslocando-as para diante alguns centímetros. Isto simboliza sua abertura (e aceitação) a tudo que o mundo tenha a lhe oferecer. Respirar nesta posição por um curto tempo antes de sentar novamente permitirá longos períodos de prática.

 

Existe uma vasta literatura de auto-ajuda e meditação e há muitos que desejam ensinar métodos secretos de cura da alma cobrando algum preço. Tudo que é realmente necessário é um local para estar só e umas poucas respirações. Se algum suporte é considerado de valia então o Seiza pode ser praticado em grupo, mas isso não é necessário.

 

Colaboração: www.aikidope.com.br


Se quer punição mais rigorosa, sociedade deve pedir

28 Janeiro 2009

Todas as vezes em que um criminoso é colocado em liberdade muito antes de cumprir sua condenação, ou quando nem mesmo chega a ser preso, paira sobre a sociedade brasileira a sensação de impunidade. Logo vem o sentimento comum de que não há Justiça no país e a culpa recai sempre sobre o Poder Judiciário. O ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, ressalta que a lei é a ferramenta de trabalho do magistrado. “Se a sociedade quer punições mais rigorosas, ela tem que, por meio de seus representantes no Parlamento, fazer com que mudem os princípios, mude o tipo de prisão, mude o procedimento, mude a lei”, afirmou o ministro, em entrevista feita pela assessoria de imprensa do STJ e publicada no site do tribunal.

 

A Lei de Execução Penal brasileira, por exemplo, estabelece que uma pessoa condenada por qualquer tipo de crime tem direito à progressão do regime prisional (passando do regime fechado ao semi-aberto, ou do semi-aberto para o aberto) se preencher apenas dois requisitos: cumprir um sexto da pena e ter bom comportamento no período em que permanecer na prisão. É um direito do preso garantido por lei, que deve ser observado pelo magistrado. Somente o Poder Legislativo pode mudar isso, avalia Benedito Gonçalves.

 

A demora na conclusão dos processos judiciais, outra grande crítica da sociedade ao Poder Judiciário, é alvo de constantes debates no universo jurídico. O combate à morosidade também é um desafio que esbarra na legislação brasileira, que disponibiliza uma série de instrumentos processuais que protelam o efetivo cumprimento de decisões judiciais. Portanto, soluções mais efetivas também dependem do Legislativo. Exemplo disso é a Lei dos Recursos Repetitivos, observa Benedito Gonçalves. Em vigor desde agosto de 2008, a lei gerou uma redução de 38% no número de recursos especiais ajuizados no STJ no último quadrimestre de 2008, comparado ao mesmo período de 2007.

 

Para o ministro Benedito Gonçalves, a Lei dos Recursos Repetitivos é hoje o grande ponto de desobstrução do STJ. “A melhor estatística, na minha opinião, é aquela que nós não conseguimos medir, que é o número de demandas que deixam de ser ajuizadas devido à decisão da corte superior”, avalia o ministro.

 

De acordo com ele, o combate à morosidade no Judiciário também depende da sociedade. “A grande causa da morosidade é, para mim, a judicialização das relações sociais em que toda demanda, todo litígio, toda desavença acaba numa ação judicial”, entende o ministro. Por isso, ele espera uma mudança cultural da sociedade de forma que o cidadão passe a buscar meios de arbitragem e conciliação para resolver pequenos conflitos. “Assim, muitos litígios serão resolvidos mais rapidamente e os magistrados poderão se aprofundar em temas que exigem maior reflexão”, acredita Benedito Gonçalves.

 

Colaboração: www.conjur.com.br


Publicação de Fotos Pornográficas – Filha e mãe devem ser indenizadas por editor

27 Janeiro 2009

Menor não é responsável pelos próprios atos. Com esse entendimento, a 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais condenou um editor de vídeo de São João Del Rei a indenizar uma garota de 14 anos e sua mãe por danos morais no valor de R$ 30 mil. Ele foi acusado de ter divulgado fotos pornográficas da menina em um site.

 

Mãe e filha entraram com uma ação em março de 2006 para pedir reparação por danos morais. O argumento foi o de que o editor, à época com 22 anos, havia convencido a menor a posar seminua para algumas fotos pornográficas e, posteriormente, fez a divulgação em um site. A veiculação das imagens provocou constrangimento para mãe e filha, alegam. E mais: que o editor manteve relações sexuais com a garota durante um período.

 

Em sua defesa, o editor disse que as fotos foram tiradas com o consentimento da menor e que não tentou enganá-la em nenhum momento.

 

O juiz da 3ª Vara Cível de São João Del Rei condenou o editor a indenizar a garota no valor de R$ 10 mil e sua mãe no valor de R$ 8 mil.

 

A 9ª Câmara do TJ-MG decidiu elevar o valor da indenização para R$ 30 mil – R$ 20 mil para a menor e R$ 10 mil para sua mãe. O relator ressaltou que o valor fixado em primeira instância foi insuficiente para recompor os “visíveis prejuízos experimentados pela filha e sua mãe“, considerando que “a imagem da menor, em cena pornográfica e degradante, foi amplamente divulgada para terceiros“.

 

O relator destacou ainda que “o apontado consentimento da menor que, diga-se de passagem, era incapaz de consentir e responder pelos próprios atos, não afasta a responsabilidade civil do requerido, tampouco a criminal, como bem salientado pelo Ministério Público, já que a conduta praticada constitui delito previsto no art. 241 do Estatuto do Menor e do Adolescente (…). Com efeito, tais danos são inúmeras vezes irreparáveis, servindo a indenização apenas como uma forma de minorar a dor sofrida“.

 

Colaboração: www.conjur.com.br


Gato recebe Bolsa Família

26 Janeiro 2009

Billy, um gato com 4 anos de idade, foi cadastrado no Bolsa-Família como Billy da Silva Rosa, e recebeu durante sete meses o benefício do governo, R$ 20 por mês. A descoberta ocorreu quando o agente de saúde Almiro dos Reis Pereira foi até a casa do bichano convocá-lo para a pesagem no posto de saúde, conforme exige o programa no caso de crianças: “Mas o Billy é meu gato”, disse a dona da casa ao agente.

 

Ela não sabia que o marido, Eurico Siqueira da Rosa, coordenador do programa no município de Antônio João (MS), recebia o benefício do gato e de mais dois filhos que o casal não tem. Os filhos fantasmas faziam jus a R$ 62 cada, desde o início de 2008, quando Eurico assumiu o cargo.

 

O golpe foi identificado em setembro e o benefício foi suspenso. Eurico ainda tentou retirar Billy do cadastro e pôr o sobrinho Brendo Flores da Silva no lugar. Mas já era tarde. No início desta semana o “pai” do gato Billy acabou exonerado a bem do serviço público e está sendo denunciado à Justiça. O promotor Douglas Oldegardo Cavalheiro disse que o servidor terá de devolver o que recebeu ilegalmente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Colaboração: www.g1.com.br  


A Reverência no Aikidô

23 Janeiro 2009

A reverência é parte integral da etiqueta oriental substituindo o aperto de mão das sociedades Ocidentais em quase todas as situações passíveis de comparação. No Japão, as crianças, tradicionalmente, aprendiam a reverenciar antes mesmo que pudessem ficar de pé. Isso, porque as mães tinham por hábito carregar seus bebês nas costas fazendo com que os bebês, ainda que involuntariamente, reverenciassem todas as vezes que suas mães o faziam. Esta maneira de carregar um bebê não é mais tão usual no Japão de hoje, mas a reverência continua sendo o modo mais usado para se cumprimentar um ao outro.

 

Visto que não moramos no Japão e reverenciar não faz parte da nossa cultura, seria razoável perguntar por que devemos reverenciar quando estamos praticando o Aikidô na Nova Zelândia? A minha resposta para esta pergunta (resposta que pode estar condicionada por vários anos vividos no Japão) é, primeiramente, que o Aikidô é uma atividade cultural Japonesa não existindo razão especifica para descaracterizá-la e, segundo, a reverência é uma ótima maneira de demonstrar respeito, tão importante no Aikidô quanto na vida. Quanto mais praticamos o Aikidô naturalmente mais respeito sentimos pelos outros, e reverenciar é uma maneira de expressar isso mantendo a estética da arte. No seu aspecto marcial o Aikidô demanda respeito mútuo entre os companheiros como reconhecimento da natureza de “vida ou morte” das técnicas que estão sendo estudadas, mesmo que praticado dentro do ambiente seguro do dojô.

 

Do ponto de vista mental ou espiritual, naturalmente mantém-se o respeito pelos companheiros discípulos do Caminho (Dô) por seus esforços em realizar todo o potencial como seres humanos. A reverência ajuda criar um ambiente para este trabalho interior. O sentimento ao se reverenciar é importante e não há nada de humilhante ou degradante neste gesto aonde todo nosso corpo e mente estão envolvidos em expressar gratidão e respeito. De fato, treinar um pouquinho de reverência é algo do qual nós ocidentais poderíamos nos beneficiar.

 

No Budô o reigisaho[1] tem uma importância fundamental. Para o praticante ocidental, com tradições culturais diferentes das orientais, as exigências da reverência nas artes marciais japonesas, como o Aikidô,  entre outras, são comportamentos que lhe são estranhos e que por vezes adquirem um caráter tão só de obrigatoriedade. Todavia, “qualquer arte marcial pressupõe a existência de uma severa disciplina na sua execução  e aprendizagem; uma arte oriental não se pode conceber sem etiqueta. Diz-se que a arte marcial japonesa começa e termina pela delicadeza e respeito mútuo, indispensáveis à elevação da personalidade.” [2]

 

O dojô [3] deve ser um local onde se desenvolve uma personalidade forte, com qualidades como a humildade, a lealdade, a cortesia, onde o caminho deve ser o de um conhecimento cada vez mais profundo de si mesmo, onde é importante Ter presente o significado da reverência, da cortesia, da etiqueta. Portanto o dojô é um lugar sagrado onde se procura “unidade do corpo e mente através do coração, centralizar a energia, na sua autêntica compreensão…»[4]. É também, no dizer de Herrigel, “desde os tempos mais remotos: Lugar da Iluminação.”[5]

 

Podem encontrar-se duas atitudes básicas nos praticantes perante a reverência. Uma consiste na execução da reverência como se de uma mera obrigação se tratasse; a outra na execução da reverência de modo rígido e formal sem que seja acompanhada da consciência profunda do sentido do ritual, sem a consciência de que o dojô é “Templo privilegiado que celebra uma espécie de liturgia”.[6]

 

A compreensão da importância do cerimonial é fundamental. A reverência é uma introdução à aula que permitirá ao praticante afastar a mente das preocupações e stress cotidianos, permitindo-lhe a concentração que a prática das artes marciais exige.

 

Por outro lado as artes marciais tradicionais desenvolvem, através da sua prática, a agressividade de cada indivíduo (não confundir com violência). A reverência evita a degeneração de comportamentos agressivos, impedindo a falta de respeito pelo parceiro de treino.

 

Em todas as artes marciais tradicionais, podemos encontrar o reigisaho, concretizado de modo diferente de arte para arte, mas mantendo, quase sempre, o mesmo espírito e função.

 

No ocidente, a aceitação ou rejeição do ritual da reverência, correlaciona-se com a atitude, mais ou menos tradicional que os praticantes têm para com o budô. Nas escolas tradicionais, havendo um processo mais profundo de aceitação da cultura oriental, a forma de estar destes adeptos, dentro e fora do dojô, na prática marcial e na vida, traduz, em regra uma maior compreensão da etiqueta tradicional.

Tradicionalmente, no budô a etiqueta deve ser uma constante da vida. Os gestos devem ser belos, precisos, lentos, mesmo os mais cotidianos, como sentar, ou levantar, caminhar, ou dar algo a alguém. Pois “Cada gesto era para ser executado de modo que ele permita, na  seqüência de uma cisão seguindo o ataque surpresa, a partir da resposta eficaz.” [7] É entendido, tradicionalmente, que a forma de reverenciar, só por si, revela o nível de compreensão da arte.

 

A função psicológica da prática marcial é influenciada pela reverência. A forma de fazer poderá dar-nos indicações sobre a personalidade de um praticante, se ele é tímido, agressivo, reservado, etc..

A reverência interfere não só com as funções psicológicas, mas também com as funções fisiológicas.

 

A reverência, considerada num plano prático, é uma tomada de consciência do corpo e do controle respiratório através de um movimento bem simples. E isto é tão verdade, que a estabilidade e segurança de um mestre, na reverência, são evidentes. De tal modo que o contrário também é verdadeiro. O valor marcial de um indivíduo revela-se na reverência. Não é acreditável que alguém que não consiga manter-se sentado de modo estável para saudar, consiga executar com eficiência um outro movimento. Os verdadeiros Mestres saúdam profundamente, de forma majestosa, porque toda sua experiência, seu conhecimento, sua humildade estão presentes em sua reverência. [8]

 

O controle da respiração pode ser exemplificado com a reverência em pé, com os pés em musubi: Os calcanhares devem estar unidos, a frente dos pés afastados cerca de 45.º, pernas direitas, coluna vertebral ereta, ombros naturalmente colocados na sua posição anatômica, mãos abertas e dedos esticados, colocadas lateralmente nas coxas. No instante anterior ao da reverência inspira-se. Quando o tronco faz uma certa flexão em frente, expira-se. No momento em que o tronco retorna à vertical inspira-se novamente, podendo a expiração seguinte servir para a execução imediata de uma técnica, seja de ataque ou de defesa. A descrição respiratória é válida para  a reverência feita a partir da posição de sentado – seiza.

 

Num dojô podemos encontrar vários tipos de reverências.

 

A prática marcial começa com uma reverência interna, a reverência a si mesmo, dirigida ao íntimo de cada um, com a qual se pretende alcançar o Mestre Interno [9].

 

Ao entrar no local de prática há uma primeira reverência exterior, aquela que é feita ao dojô, com a qual se demonstra respeito ao lugar da prática.

 

Com o início da aula todos os praticantes executam, ao mesmo tempo, uma reverência à tradição passiva. Esta reverência feita em direção ao kamiza, (local dos deuses), onde simbolicamente a tradição passiva se condensa, é o kamiza ni rei, ou shomen ni rei. Representa o respeito pelos mestres que nos antecederam, pela cadeia de transmissão do saber. Exprime o respeito pelas gerações anteriores, que nos legaram a arte com sofrimento e por vezes com o custo da própria vida. É não só uma humilde e sincera homenagem à tradição passiva, mas também uma forma de inspiração no seu exemplo.

 

Segue-se a reverência à tradição ativa. O Mestre volta as costas ao kamiza e é saudado – é o sensei ni rei. Traduz o respeito devido ao Mestre, como representante, através da atividade de ensino e de aprendizagem do budô, da tradição ativa.

 

Se estiverem perante a classe vários mestres há, neste momento, lugar ao yudansha ni rei, a reverência entre os mestres.

 

Segue-se, durante toda a prática, no início de cada exercício, de cada técnica, de cada combate, a reverência ao companheiro, o otogai ni rei. Representa o respeito profundo pela integridade física e psicológica do outro. Significa que, através do nosso esforço e empenho na prática, lhe vamos proporcionar a possibilidade de progredir.

 

No fim de cada aula repete-se o percurso acima referido, com pequenas alterações na ordem das saudações.

 

Algumas escolas tradicionais, ainda cultivam o sempai ni rei, reverência entre os alunos mais adiantados e os mais novos – o Mestre já não faz a reverência. Representa o respeito que é devido pelos mais novos aos anciãos – sempai.

            

Durante a reverência, o estado de alerta, zanshin, e de antecipação deve ser permanente para evitar um ataque de surpresa. Este estado tem a ver com a percepção paranormal desenvolvida pelas artes marciais tradicionais, pelo maior ou menor potencial de ki do praticante. Mas neste trabalho não desenvolveremos estes temas, pois são questões que agora não nos ocuparão.

            

Deve ter-se presente que as noções de sensei, sempai, ou principiante são relativas. Como regra deve reter-se que um praticante novo deve inclinar-se profundamente, ao que o sensei responderá com uma ligeira inclinação. Assim numa aula um shodan pode ser sensei e na aula seguinte, ministrada por um 5.º dan, em que todos os outros alunos têm graduações entre 2.º e 4.º dan, não passa e um principiante.

            

 A maneira de efetuar a reverência tem vários entendimentos: um marcial, outro energético e outro simbólico.

            

 Ilustremos o que se afirma com  reverência praticada em seiza. A primeira mão a ser colocada no solo em frente do corpo é a mão esquerda. No plano marcial, em caso de ataque do adversário, a mão direita pode desembainhar uma arma ou executar um movimento defensivo, se não houver armas. Se baixasse as duas mãos ao mesmo tempo isso não aconteceria.

            

No plano energético, a mão esquerda está associada à energia negativa (ura) e a mão direita à energia positiva (omote). Aquela tem um efeito destrutivo, esta tem um efeito construtivo.

            

O descer da mão esquerda à terra é um gesto simbólico da recusa de fazer mal, em relação àquele que é saudado. Em simultâneo, o contacto da mão com o chão neutraliza a potencialidade energética desta mão destruidora.

            

Com a colocação das duas mãos no chão, estas formam um triângulo eqüilátero. No plano marcial a finalidade é a de evitar um ferimento grave no nariz. Em caso de ataque à cabeça por parte de um adversário, o nariz está protegido e não será esmagado no chão.

            

Em nível energético permite a circulação de energia em circuito fechado, possibilitando a concentração mental. Este gesto simboliza a reunião de três lados: o homem, o céu e a terra. Também simboliza a junção entre  tradição passiva e a tradição ativa, em que o Mestre desempenha um papel fundamental: é ele que transmite o conhecimento que já anteriormente lhe tinha sido transmitido. É um circuito de transmissão do conhecimento.

            

O triângulo simboliza também a capacidade de defender, assim como também a de atacar. A consciência do elevado valor energético e marcial da etiqueta e da cortesia deve estar sempre presente naqueles que seguem o budô.

 

Referências

 [1] A etiqueta e a cortesia.

 [3] O local de estudo da via, do caminho.

 [4] Vide pg. 14, DELORME, Pierre, Dōjō. Le temple du sabre. Éditions Budostore, col. La Budothèque, 1994: Paris, pgs. 248.

 [5] Vide pg. 81, ZEN e a arte do tiro com arco, Ed. Assírio & Alvim, col. sete estrelo, Março de 1997: Lisboa, pgs. 85.

 [6] Vide pg. 11, DURIX, Claude, apud DELORME, Pierre, op. cit.

 [7] – Vide p. 57, HABERSETZER, Roland, Le guide Marabout du Karaté, col. bibliotheque marabout service, éditions Gerárd & C.ª, 1969: Verviers (Belgique), pgs. 415.  

 [8] Vide pg. 198, Jazarin, El Espíritu del JUDO. Charlas com mi maestro. Ed. Eyras, col. cinturon negro, 1996: Madrid, pgs. 256. 

 [9] A prática implica sempre uma orientação segura, ministrada por um sensei, palavra pode ser entendida como «aquele que indica luz». Ora há sempre na relação Mestre-Discípulo uma transmissão para a luz. Contudo a relação com o Mestre possibilita que, cada um, no seu caminho, se projecte sobre si próprio descobrindo no seu interior o seu próprio mestre – o Eu. Ou seja «cada um tem em si o seu Mestre, cada um é guru de si próprio».

 

Colaboração: http://bukaru.zevallos.com.br


Pessoas calmas têm menos risco de demência, diz estudo.

22 Janeiro 2009

Pessoas mais relaxadas e sem propensão a se estressar podem ter menor probabilidade de desenvolver demência, de acordo com estudo divulgado na revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia.

 

A pesquisa envolveu 506 idosos que não sofriam de demência ao serem examinados inicialmente. O grupo recebeu questionários para apurar detalhes sobre sua personalidade e estilo de vida. O estudo concluiu que pessoas mais calmas e relaxadas têm 50% menor risco de desenvolver demência em comparação às pessoas com tendência a se estressar. Os participantes foram acompanhados por seis anos e, durante esse período, 144 deles desenvolveram demência.

 

Personalidade

 

Nos questionários entregues às pessoas que participaram da pesquisa, as questões relativas à personalidade identificaram pessoas com diferentes graus de estresse. Também foi avaliado o nível de extroversão no diálogo com outras pessoas. Através de análises das respostas, os cientistas constataram que as pessoas que não se estressavam com facilidade eram calmas e satisfeitas, enquanto que as que se estressavam facilmente eram emocionalmente instáveis, negativas e ansiosas.

 

Os extrovertidos receberam uma pontuação mais alta no questionário e eram socialmente ativos e otimistas, em comparação a pessoas com pontuação mais baixa, geralmente reservadas e introspectivas.

 

O questionário sobre estilo de vida determinou como cada pessoa participava regularmente em atividades de lazer e sociais. “No passado, estudos mostraram que estresse crônico pode afetar partes do cérebro, tais como o hipocampo, possivelmente levando à demência, mas outros resultados sugeriram que ter uma personalidade calma e extrovertida combinado com um estilo de vida socialmente ativo pode reduzir ainda mais o risco de se desenvolver demência“, disse o autor do estudo, Hui-Xin Wang, do Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia.  A boa notícia é que fatores ligados ao estilo de vida podem ser modificados, ao contrário de fatores genéticos, que não podem ser controlados. Mas estes são resultados preliminares então ainda não está claro como exatamente a atitude influencia o risco de demência“, disse Wang.

 

Colaboração: www.bbcbrasil.com


Aikidô e a Cadeira de Rodas – Por Ron Bundrun

21 Janeiro 2009

Uma noite, logo depois de entrar no dojô, meu Sensei me disse que queria que eu escrevesse o que o Aikidô tinha feito por mim. Eu sorri e disse a ele que para escrever sobre como o Aikidô havia mudado minha vida, eu necessitaria de compartilhar um pouco do meu passado:

 

Em 1974, fui diagnosticado como possuindo uma distrofia muscular. Uma doença misteriosa tinha tirado o ki de minhas pernas e esta era a única resposta lógica que os médicos podiam me dar. Mas vários meses mais tarde, o que parecia ser distrofia mudou para um câncer na coluna.

 

Em Setembro de 1974, um tumor do tamanho de uma grande laranja foi parcialmente retirado do meio de minha coluna. O que se seguiu nos próximos 20 anos foi uma parte do inferno: tratamentos de radiação, 13 operações corretivas e vários testes e exames de raio-X. Em uma ocasião em 1983, uma infecção hospitalar severa, com febres altas, me deu 5% de chances de continuar vivendo após aquela noite.

 

Como podem perceber eu sobrevivi, mas a minha vida havia mudado para sempre. Não somente a dor de quase ter morrido, mas fui confinado a viver em uma cadeira de rodas.

 

Em junho de 1993, entrei em um dojô de Aikidô enquanto visitava meu tio. Sendo sempre fascinado por artes marciais, decidi dar ao Aikidô uma chance, mesmo estando em uma cadeira de rodas.

 

A princípio, o Sensei ficou me olhando e a minha cadeira de rodas. Mas ele disse que se eu estava querendo treinar, ele queria me ensinar. O Sensei me disse que o Aikidô ensina que devemos nos misturar com pessoas e que todos devem ter uma chance. Então comecei a treinar.

 

Eu percebi mudanças em meu corpo desde o primeiro dia. A circulação de minhas pernas aumentou. A dor em minhas costas parece diminuir durante os treinamentos. E estou feliz, pois eventualmente alguns movimentos retornaram as minhas extremidades inferiores.

 

Com a ajuda de meu Sensei e meus amigos estudantes eu aprendi a mudar meu mundo físico. Aprendi que posso defender-me apesar de minha deficiência, que posso controlar minha dor expandindo meu ki e que o Aikidô pode ser praticado por qualquer um e estas são simplesmente as lições físicas. As lições emocionais que se seguiram foram mais surpreendentes.

 

A principal coisa que percebo quando treino com uma deficiência é que não estou realmente em desvantagem. Ô-Sensei desenvolveu o Aikidô para ser praticado em pé, sentado, e eventualmente deitado. (Eu já executei técnicas muito eficientes deitado).

 

Pessoas com deficiência enxergam a si mesmo como vulneráveis quando são atacados e este sentimento de vulnerabilidade tende a produzir pânico. Então, gasto uma grande parte do meu treino aprendendo a estar calmo durante um ataque. Eu tenho treinado a expandir meu ki e pensar, não em desvantagens, mas nas vantagens e qual técnica é mais eficiente para mim.

 

Claro que tive que fazer algumas alterações nas técnicas. Deste modo, shihonage é muito interessante. Eu faço o que chamo de “Pinole shihonage“, que eu nomeei em homenagem ao meu dojô, Pinole Aikidô. Ao invés de girar em volta de meu uke, eu agarro a mão do uke e rolo no chão. Fazendo isto, pareço um cão rolando, ou como dizem alguns alunos como um crocodilo tentando se alimentar. Se você pode imaginar sua mão na boca de um cachorro ou de um crocodilo enquanto está rolando, você pode entender o poder desta técnica.

 

Jo kata é outro aspecto do Aikidô que eu modifiquei. Eu o executo tanto em minha cadeira quanto no chão. Com a ajuda de meu Sensei e um estudante avançado. Eu planejei um kata que assemelha-se à canoagem. Aprendi, indo para baixo e forçando os agressores a abaixar ou pular sobre a minha cadeira, eu posso expor seus joelhos e tornozelos. O jo kata que faço é difícil de explicar, mas é muito eficiente para pessoas com ou sem deficiências.

 

Meditação (Zazen) foi um presente de Deus para mim. Eu tive 14 operações e a dor permanente é parte de minha vida. Mas, usando exercícios e técnicas de meditação Zen, eu aprendi a controlar muito da minha dor. Eu acredito no que o meu Sensei fala – que a dor é um estado mental e que controlando a mente podemos controlar a dor.

 

Minha filosofia no alongamento é a seguinte: faço todos os alongamentos no chão exceto os que necessitam realmente ficar de pé.

 

Eu vi a morte cara a cara. Mas lendo os textos de Ô-Sensei e ouvindo meu Sensei, aprendi que a morte é parte da vida. Nascemos, crescemos e então morremos. Treinando Aikidô aprendi que, enquanto estamos vivos, podemos tocar os outros com nossos corações, podemos nos misturar com os outros, ajudar e amar os outros. Também aprendi a viver cada dia como se fosse meu último, parando para ver a beleza de uma flor, o calor do sol e a companhia de amigos e da família.

 

O Aikidô me ensinou o respeito a mim mesmo e por todas as coisas vivas. Mesmo sabendo que eu nunca irei caminhar de novo, o Aikidô me mostrou que a medida de uma pessoa é seu coração e alma, não suas pernas.

 

Gostaria de terminar dizendo a todos que leram este artigo, que treinam Aikidô ou não, que continuem a acreditar em si próprios e que continuem a tentar.

 

Tradução: Antonino Barreto

 

Colaboração: www.aikikai.org.br


Direito do Consumidor – Empresa de telefonia é condenada ao pagamento de dano moral – TELEMAR

20 Janeiro 2009

A Telemar Norte Leste S.A foi condenada ao pagamento de 5 mil reais, a título de indenização por danos morais, por ter incluído, indevidamente, o nome de um homem nos cadastros de restrição ao crédito SPC/SERASA. A sentença em primeiro grau foi dada pela 2ª Vara Cível da Comarca de Mossoró.

 

Na ação inicial, o autor afirmou que, ao tentar realizar um negócio jurídico, foi surpreendido com a negação de crédito, sob a alegação de que o nome estava negativado e esclareceu que a restrição teve origem em suposto débito, no valor de R$ 231,51, referente ao mês de novembro de 2000, onde constava a descrição “cheque irregular”.

 

A Telemar, por sua vez, contestou a ação e também moveu Apelação Cível (n° 2008.009641-4), junto ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, sob o argumento, entre outros pontos, de que houve um erro de digitação do número telefônico, dizendo que o “cheque irregular” foi passado por outra pessoa e que tal fato só foi verificado com a reclamação do autor da ação, fazendo com que fosse solicitada a exclusão dos cadastros de restrição.

 

O relator do processo no TJRN, desembargador Vivaldo Pinheiro, no entanto, destacou que é fato público e notório que empresas como a Telemar são possuidoras de modernos sistemas de informática visando o gerenciamento das contas dos clientes, não sendo aceitável querer lançar a culpa pelo cheque irregular a terceiros.

 

O que restou configurado é que o erro ocorreu por parte da empresa, restando caracterizado o dano moral, assim como evidenciada a culpa e o nexo de causalidade, imperativo é o dever de indenizar, com respaldo no Artigo 186 do Código Civil e no Art. 5.º, inciso X, da Constituição Federal de 1988”, ressalta o desembargador.

 

Colaboração: www.tjrn.gov.br


Direito do Consumidor – Supermercado indeniza cliente por abordagem indevida – Bompreço

19 Janeiro 2009

O Bompreço Supermercados do Nordeste LTDA. foi condenado ao pagamento de indenização por danos morais, por ter abordado indevidamente, através de um segurança do estabelecimento, um então cliente, em 2 de dezembro de 2005.

 

Segundo o autor da ação, a abordagem ocorreu de forma violenta e que foi confundido com um criminoso, sendo, posteriormente, informado que se tratava de um engano. Acrescentou, também, que a conduta do empregado do local lhe causou danos morais, ante a exposição que sofreu diante de várias pessoas que perceberam o acontecido.

 

No entanto, o Bompreço Supermercados contestou a ação, sob o argumento de que o segurança esbarrou “levemente no carrinho de compras do então cliente, pedindo-lhe desculpas imediatamente”. Acrescentou que foi alterada a verdade dos fatos, pois o autor não “foi confundido com um meliante”. Para tanto, a empresa também moveu Apelação Cível (nº 20080094207), junto ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte.

 

Contudo, o relator do processo no TJRN, juiz Nilson Cavalcanti (convocado), levou em consideração, entre outros elementos do processo, o depoimento de testemunhas, segundo o qual, em um deles, se registra que uma testemunha vinha atrás do autor da ação, passou pelo mesmo caixa dele, atrás dele, e, quando ambos se dirigiam pelo corredor em direção ao estacionamento, diante de uma loja de perfumes, um dos seguranças segurou o cliente pelo braço e o conduziu em direção aos caixas. “Veja-se que há uma seqüência de atos relatados, de modo que se conclui pela relevância e pertinência das declarações prestadas”, define no voto o magistrado.

 

A decisão da 2ª Câmara Cível levou em conta o que reza o Código de Defesa do Consumidor, mas definiu que a fixação da indenização, no patamar de R$ 10 mil se mostrou excessiva, levando-se em considerações precedentes do próprio TJRN, o que resultou no acolhimento parcial da Apelação Cível, apenas para definir o montante indenizatório no valor de 5 mil reais.

 

Colaboração: www.tjrn.jus.br


Para ser um Bom Instrutor – Por Yoshimitsu Yamada – 8° Dan de Aikidô

16 Janeiro 2009

Sobre este tema, eu gostaria de discutir no que se requer para ser um bom instrutor, assim como a mentalidade necessária para ser efetivo como professor. Não é necessário dizer, que meu ponto de vista está puramente baseado na minha experiência como instrutor de Aikidô. Tenho visto também alguns dos meus próprios alunos chegarem a ser professores e é através deles e de meus próprios anos como Sensei que realizo algumas observações.

 

Um dos fatos mais importantes é que tem aspectos mais importantes que simplesmente habilidade técnica para chegar a ter sucesso na arte de ensinar. Tenho me dado conta que não necessariamente é sempre o mais talentoso aikidoca que pode compartilhar o que ele ou ela conhece sobre a arte. Por exemplo, um excelente jogador de baseball não é necessariamente um coach efetivo. Esta idéia nos demonstra que geralmente se requer algo mais que habilidade física.

 

Um professor necessita ser respeitado e querido por seus alunos. Falando de respeito, freqüentemente escuto professores queixando-se de que seus alunos não lhes oferecem o devido respeito. Na minha opinião o respeito não é algo que pertence, não se pode forçar a nada tê-lo. Deve ser ganho, na maioria das vezes através da experiência, confiança em si mesmo e respeito pelos demais.

 

Para ser um bom instrutor, seus alunos devem sentir seus anos de experiência comprometida e sua confiança no que estás fazendo. Infelizmente, no meu caso, sempre lamentei ter me transformado em professor de Aikidô sendo tão jovem, imaturo e relativamente inexperiente nos caminhos do mundo. Os chefes do Aikidô não tiveram outra opção, já que o Aikidô era uma nova arte e não tinham tantos praticantes dedicados a difundir o Aikidô nesse momento. Eu era sincero, mas sem as habilidades necessárias para ser tão eficaz como podia ter sido. Enquanto um é jovem, suas técnicas podem ser fortes em razão de suas proezas físicas. No entanto, um poderia precisar de outros fatores, que o ajudam a transforma-se em um líder. Por exemplo, a experiência social, como tratar as pessoas ou como atuar como um ser humano com qualidades que alguém aprende através do tempo.

 

Uma coisa que sempre tenho em minha mente quando ensino é que, entre os corpos dos alunos, há diferentes tipos de gente de diferentes campos, e que já estão estabelecidos e maduros em suas próprias profissões. Eles não são diferentes de mim. É bastante interessante, que eu realmente comecei a me sentir satisfeito como professor quando me aproximei dos meus cinqüenta anos. Como disse anteriormente além do tempo e da experiência, é também crucial ter confiança, para chegar a ser um bom instrutor.

 

Freqüentemente, tenho conhecido instrutores que não permitem a seus alunos nenhuma liberdade e os proíbem de ir a outros seminários dados por outros instrutores. Eles poderiam chegar tão longe como para dizer que ficar com eles é suficiente e que os alunos não necessitam se expor a outras influências. Para mim, isso demonstra falta de confiança por parte do instrutor. Deixar seus alunos ver outros mundos, os mantém livres para utilizar seu próprio juízo. Essa classe de segurança em si mesmo é uma maneira importante de chegar a ser um líder.

 

Lembro claramente uma vez, quando em um grande seminário de diferentes Shihans de Aikidô, havia um grupo de um dojô em particular, que ao invés de treinar com o resto dos participantes, que é a essência da “experiência do seminário”, somente treinavam entre eles mesmos. Seu professor, que não era um dos Shihan, que também assistiu ao seminário, os proibiu de interagir, para não comprometer seu Aikidô.

 

Adicionalmente, em lugar de tratar de fazer o que estava sendo demonstrado, continuaram treinando como sempre faziam. Que triste é isso, tanto para os alunos, que poderia se beneficiar sentindo diferentes estilos, como para o professor que não tinha confiança suficiente em que seus alunos poderiam desenvolver seu próprio estilo através de outras influências e todavia ser dedicado a ele. Finalmente, eles não adquiriram a vantagem completa das possibilidades de crescimento.

 

É necessário dizer, que os bons instrutores não necessitam se sentir com se precisassem provar de si mesmo para seus alunos. Nem ter que demonstrar quão fortes são. Presumivelmente, os alunos já sabem. Não é bom para os professores ver que as habilidades físicas de seus alunos são do mesmo nível que as suas. Em outras palavras, para evitar a comparação de si mesmos com seus alunos, os professores precisam se dar conta de que dez pessoas diferentes têm dez aptidões e condicionamentos físicos diferentes. Um Sensei  valioso demonstra carinho, generosidade e paciência enquanto trata com cada aluno apropriado e individualmente.

 

Um último conselho é não fazer seus alunos o verem como um ser superior. Se te rodeias de gente que vão lhe colocar em um pedestal, estás se programando para a ilusão de que és superior às outras pessoas. A pessoa deve entender, que fora do tatami és o mesmo ser humano que eles são. Não obstante, uma vez que estás no tatami, podes demonstrar-lhes “quem é o chefe”.

 

Quando lidero uma aula, sinto que sou o diretor de uma orquestra, cada um dos meus alunos está tocando um instrumento diferente, onde minha responsabilidade é criar uma boa harmonia entre eles. Algumas vezes, sinto que sou um chef de um grande restaurante que através de minhas receitas levo variedade e sabor aos meus alunos, e assim eles não se sentem cansados ou aborrecidos, sempre buscando dar-lhes inspiração.

 

Como Sensei de Aikidô, sempre estou buscando a maneira de ser um melhor professor. É um processo de evolução que me ajuda a expressar minha humanidade e a aprender a ser um melhor ser humano. Depois de tudo, é o êxito de seus alunos que lhe faz um bom professor, no tanto que um bom professor cria fortes futuros praticantes. Ensinar é uma relação de respeito mútuo e entendimento. Dessa forma, seus alunos sempre terão alguém para admirar e vice versa. Para mim, isso é respeito ganho.

 

Colaboração:  www.aikikai.org.br


Coração do Aikidô – Por Shirata Rinjiro e John Stevens

15 Janeiro 2009

Milhares de horas são gastas no desenvolvimento das técnicas porém muitas mais são gastas lutando com os grandes tópicos da existência humana, portanto considerar o Aikidô como uma arte marcial que envolve somente arremessos e imobilizações – Habilidades que podem ser adquiridas em qualquer sistema de defesa pessoal – é um insulto à incansável busca espiritual do fundador.

 

A mensagem do fundador, no entanto, não pode ser assimilada rapidamente. Ele usou livremente idéias para expressar sua própria visão, sendo que suas conversas eram uma mistura de frases do Budismo esotérico, obscuros mitos Xintoístas e enigmáticas doutrinas da Omoto-Kyu. Nenhuma pessoa incluindo o próprio fundador jamais alegou compreendê-las por completo, e em uma ocasião ele afirmou :

 

“Palavras e letras nunca poderão adequadamente descrever o Aikidô – seu significado é revelado somente para aqueles que através de um intensivo treinamento obtém o esclarecimento”

Shirata Sensei contou-me que embora estivesse no início totalmente confundido pelas explicações de Ô-Sensei, gradualmente com o passar dos anos elas começaram a fazer sentido.

 

A seguir está um resumo dos pontos chave da filosofia religiosa do fundador, feito por Shirata Sensei.

 

O Aikidô possui sua própria cosmologia. As palavras Aiki, Kami e Takemussu são termos antigos, porém o fundador as reinterpretou sob a luz de seu profundo despertar. Ki é a energia primária que surgiu do vazio. Através do Aiki, a combinação do Ki positivo com o Ki negativo (Yin e Yang), As infinitas formas dos fenômenos foram e são manifestadas. Aiki a fonte e amparo da vida é Kami “O Divino”, originalmente essa palavra consiste dos caracteres Ka (fogo) que simboliza o espírito e Mi (água) simbolizando a matéria. A confluência desses dois elementos resulta no surgimento do mundo material. A partir das funções do Kami, como o Iki (Kokyu, a vivificante respiração da vida), surge os Kotodama (vibrações divinas). A essas duas forças procriadoras o fundador acrescentou uma terceira o Takemussu (o valor da atividade do ser), Take (ardor marcial) também pronunciado Bu como em Budô é o empenho incansável; Mussu é Mussubi, o poder de transformação.

 

A grande percepção do fundador sobre o universo é Takemussu Aiki. Em seu mais alto nível Takemussu Aiki pode ser interpretado dessa forma: “Bu nasceu do Aiki; Bu dá a luz ao Aiki.” Dentro da perspectiva humana, poderia ser descrito assim: “Eu nasci dos meus pais; Eu dei a luz aos meus pais.” Isso é o mesmo que dizer, “Eu sou Aiki; Eu sou o universo!” Em termos mais concretos Aiki é primeiramente aplicado para harmonizar as três funções: Corpo, Mente e Ki.

 

 

Depois de realizada essa harmonização usamos o Aiki para fundir nossos movimentos com os do parceiro quando executamos uma técnica, nesse caso Aiki é A-i-Ki representado por um triângulo, um círculo e um quadrado que juntos formam os modelos básicos da criação. Os movimentos do Aikidô surgem a partir desses modelos: postura triangular, entrada circular e controle quadrado (Devemos lembrar que as técnicas não são Aiki; Aiki trabalha através das técnicas).

 

Uma vez que essas harmonizações são alcançadas – não com muita facilidade – é necessário nos colocarmos em sintonia com a natureza, naturalmente nos ajustando à suas mudanças (é por isso que os Dojôs no Japão nunca estão frios ou quentes demais para se treinar). Eventualmente nós imperceptivelmente nos fundimos com o universo, incorporando seu dinamismo ao nosso próprio, esse processo completo é Kimusubi (unificar os Ki para promover a vida). O Aiki unifica o corpo e a mente, nosso Eu com os demais, matéria e espírito, o homem e o universo. Em seus últimos anos o fundador sugeriu que Ai (harmonia) deveria ser vista como Ai (amor), já que o amor é a forma mais elevada da harmonia que nutri todas as coisas e as conduz para a realização.

 

“O amor é a divindade guardiã de todos os seres; sem o amor nada pode florescer. O caminho do Aiki é uma expressão do amor. . . o amor não odeia, ao amor não existe nada para se opor. O amor é a essência de Deus.”

 

Kami Sama (Deus) foi a frase que o fundador usava para representar o mais elevado nível, o absoluto, o espírito universal de amor e harmonia. Hito, palavra japonesa para ser humano, é composta do símbolo Hi (centelha divina) parada temporariamente nesse vaso ao qual chamamos nosso corpo. O Ka de Kami, e Hi de Hito são o mesmo símbolo – Se não há Kami não há Hito e vice-versa. É por isso que o fundador insistia que “O ser humano é filho de Deus e um santuário vivo do divino.”

Aiki O Kami (O grande espírito do Aiki) é o símbolo supremo dos ideais que o fundador mais estimava. Através da prática devota das técnicas do Aikidô – funções do divino – é possível avançarmos para esse elevado estado. De fato podemos nos tornar um Kami, um ser humano perfeito. Um Kami não é uma criatura sobrenatural, mas sim alguém que descobriu sua verdadeira natureza – nada mais que o universo em si – através de seu constante esforço. “O Aikidô é o caminho de Deus estabelecendo a força do Aiki e edificando a força da atividade divina.”

 

A força da atividade divina é nenhuma outra senão Takemussu Aiki. Antigamente Take significava “lei da selva”: “Se eu não o matar, ele provavelmente o fará”. Tal atitude é contrária à sobrevivência da humanidade, o fundador compreendeu que Take não significava destruição e morte, mas sim vida e luz. A força e determinação do guerreiro devem ser canalizadas para um propósito elevado: O restabelecimento da harmonia, a preservação da paz e a proteção de todos os seres. Shirata Sensei acredita que o fundador foi uma espécie de mensageiro divino, que esteve aqui para prevenir a nós imprudentes seres humanos da inutilidade do empreendimento da guerra e da matança uns dos outros. “Aiki não é uma arte para derrotar os outros, mas sim para a unificação do mundo e para reunir todas as raças em uma grande família.”

 

Sobretudo o Aikidô é Misogi, o grande caminho de purificação. Já que estamos dotados de vida somos divinos, porém devido a pensamentos inferiores e imperfeições nossa verdadeira natureza está obscurecida. Em vez de utilizarmos a água para purificar nossas impurezas nós utilizamos as incorruptas técnicas do Aikidô, sendo que cada corte de espada, cada estocada do bastão e cada movimento do corpo é um ato de expulsar o mal limpando o coração.

 

Misogi é o processo de conduzir para fora do corpo a maldade, livrando-o de corrupções e polindo o espírito. Conforme as camadas de sujeira e corrupção são retiradas, nossa imaculada luz interior brilha com maior intensidade.

 

O legado espiritual do fundador – como viver em harmonia divina com o mundo e todos os seus habitantes, cheio de uma força indomável e de um criativo amor – deve ser buscado através do sincero treinamento do Aikidô.

 

Shirata Rinjiro e John Stevens – Extraído do livro “Aikido the Way of Harmony

Tradução: Rubens Caruso Júnior Instrutor de Aiidô 4° Dan – Aikikai – Aikidô Nova Era – São Paulo/SP

 

Colaboração: www.aikidonovaera.com.br


Divaldo Franco – Palestra e Workshop em Natal/RN

14 Janeiro 2009

Nos próximos dias, 24 e 25 de janeiro, Natal contará com a presença do orador e médium Espírita Divaldo Pereira Franco. Haverá palestra pública no Palácio dos Esportes e Workshop no auditório do CEFET/RN.

 

Veja programação: 

 

24.01.2009 – Sábado

 

ATIVIDADE: Palestra Pública

LOCAL: Palácio dos Esportes

HORA: 20h

REALIZAÇÃO: Federação Espírita do Rio Grande do Norte – FERN

Haverá no local exposição e venda de livros, CDs e DVDs de Divaldo Franco

ENTRADA FRANCA

 

25.01.2009 – Domingo

 

ATIVIDADE: Workshop - VAGAS LIMITADAS

TEMA CENTRAL: Libertação do Sofrimento

LOCAL: CEFET/RN – Av. Senador Salgado Filho, 1559 - Auditório

HORÁRIO: 08h às 13h30m

REALIZAÇÃO: Federação Espírita do Rio Grande do Norte – FERN

SOCIALIZAÇÃO DOS CUSTOS: R$ 30,00 (incluso o livro Libertação do Sofrimento de Joanna de Ângelis)

 

INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES: Livraria da FERN (84) 3211-8518

 

Colaboração: www.fern.org.br


Reflexões sobre o Título de Yudansha – Por Mitsugi Saotome

13 Janeiro 2009

O título de Yudansha (Faixa-Preta e seus Dans) é concedido por várias razões, não apenas por habilidades técnicas. Só porque uma pessoa recebe um certo ranking de Yudansha, não significa que ele ou ela conseguiram o respectivo nível de habilidade naquele momento. Significa que eu sinto que a pessoa está no limiar e crescerá naquele nível com a pressão da responsabilidade que adquiriu.

 

É óbvio que, receber promoção a qualquer nível de Yudansha, pressupõe-se a existência de certa competência técnica. Mas somente isso não é o suficiente. Meus olhos enxergam de modo diferente quando vejo um aluno praticando. Eu vejo a personalidade e o crescimento dessa ou desse aluno. Eu freqüentemente sei qual é o tipo de dificuldade que o aluno tem que superar. Tenho uma boa noção do quanto essa pessoa tem feito por seu grupo, quanta responsabilidade ele é capaz de suportar e o quanto ele ou ela fez para ajudar aos outros. Eu conheço o crescimento espiritual e social dessa pessoa e suas habilidades no que diz respeito à liderança.

 

Foi me perguntado várias vezes como um aluno deve treinar e com que tipo de meta em mente para cada exame de Yudansha. A maioria disso não pode ser colocada em palavras e devem vir do coração individual de cada aluno com seu crescimento na compreensão; mas eu posso lhe dar alguns conselhos.

 

Para treinar para Shodan (Faixa-Preta 1° Dan):

 

Você está treinando para se tornar um iniciante, e não mais um convidado no dojô, mas um aluno com reais responsabilidades. Deve-se estudar a forma básica de técnica e o princípio básico, até que o movimento correto se torne automático e seja natural.

 

Para treinar para Nidan: (Faixa-Preta 2° Dan):

 

A potência do movimento deve ser enfatizada e desenvolvida. A realidade funcional da técnica deve ser explorada e uma compreensão do que realmente funciona e porque deve ser desenvolvida.

 

Para treinar para Sandan: (Faixa-Preta 3° Dan):

 

O aluno deve desenvolver um entendimento do princípio de Aiki e começar desprender-se da técnica.

 

Para treinar para Yondan: (Faixa-Preta 4° Dan):

 

O aluno deve descobrir a filosofia do princípio de Aiki e seu relacionamento com a técnica. A forma técnica deve estar profundamente refinada de acordo com sua compreensão, e o estudante deve começar a desenvolver seriamente a arte de treinar a outros. O treinamento pessoal já não é o suficiente. O aluno deve entender a responsabilidade social.

 

Para treinar para Godan: (Faixa-Preta 5° Dan):

 

Deve-se fazer do princípio de Aiki uma parte direta em sua vida, desenvolvendo assim um espírito incrível, qualidades de liderança e a aplicação espiritual e social do princípio de Aiki. Uma completa espontaneidade de técnica deve ser desenvolvida, a qual não é mais técnica, mas o princípio que suporta a base da técnica. Deve haver, quando se atingir esse ponto, uma dedicação completa à arte, e um grande crescimento espiritual. Um crescimento que produz não uma preocupação com um dojô ou uma área, mas uma preocupação ativa por todos os alunos e todas as pessoas do mundo. Por todos esses anos de treinamento, sua compreensão física, mental, social e espiritual e força devem uniformemente sempre estar progredindo. A aplicação espontânea de Aiki deve progredir. Se você para de treinar em qualquer desses níveis, seu Aikidô não crescerá mais.

 

Apenas gastar seu tempo treinando não faz sentido. A qualidade e intensidade de seu treinamento, as descobertas que você faz a cada dia, essas coisas são significativas. Você deve treinar duramente e descobrir a resposta por si mesmo.

 

Tradução:

Paulo C. G. Proença – Dojô Kokoro – Sorocaba – www.aikido.sorocaba.nom.br

 

Colaboração: www.aikikai.org.br


Casal ganha 12 mil reais por atraso na entrega de imóvel – Porto Milano

12 Janeiro 2009

Um casal que adquiriu um apartamento no empreendimento Porto Millano vai ser ressarcido pelas despesas que tiveram com o atraso na entrega do imóvel. A empresa R.Rocha terá que pagar os valores gastos com aluguel e ainda 12 mil reais por danos morais.

 

O contrato de compra e venda foi assinado em dezembro de 2004 e a entrega do apartamento programada para dezembro de 2006, data em que o casal celebraria seu casamento, momento em que tinham a expectativa de receber o imóvel. O contrato previa um prazo extra de 120 dias para entrega do imóvel que também foi extrapolado.

 

A empresa recorreu sob a alegação que o atraso foi provocado pelas fortes chuvas do período. Entretanto, os desembargadores da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte destacaram que essa alegação não pode ser aceita, pois o número de meses em atraso (9 meses) superou em muito os dias chuvosos (em média um mês).

 

“A ocorrência de chuvas excessivas, não é fato bastante a autorizar a modificação no prazo de entrega do imóvel, uma vez que as precipitações pluviométricas não constituem força maior. O atraso do réu alcançou mais de nove meses, contados da data do final do prazo ‘extra’ até a data da apresentação das alegações finais por parte do autor (24/03/2008), ou seja, um número de meses muito superior à quantidade de dias chuvosos, não se demonstrando plausível que este tenha sido o fator preponderante que, por si só, ocasionou o inadimplemento do contrato”. Trecho do relatório do desembargador Aderson Silvino.

 

De acordo com o entendimento dos desembargadores, as chuvas excessivas não constituem fator suficiente para modificar o prazo de entrega do imóvel, pois as precipitações pluviométricas não constituem força maior. Além do fato de que o atraso durou 9 meses, contados da data do prazo “extra”, ou seja um período muito maior do que a quantidade de dias chuvosos. Ficou constatado através de depoimentos de funcionários da empresa que o atraso ocorreu por falta de mão-de-obra terceirizada. “O atraso na entrega da obra restou confirmado, por ingerência da empresa demandada, e não por alterações climáticas ocorridas num determinado mês, como cita a demandada na sua defesa”.

 

O dano moral ficou comprovado devido a frustração que o casal sofreu em não receber o apartamento prometido e estipulado contratualmente, não podendo considerar mero aborrecimento do cotidiano

 

Colaboração: www.tjrn.jus.br


O Significado de “Onegai shimasu” – Por J. Akiyama

9 Janeiro 2009

“Onegai shimasu” é uma frase difícil de traduzir diretamente para o português.

 

A segunda parte, “shimasu”, é basicamente o verbo “suru”, que significa “fazer”, conjugado no tempo presente. “Onegai” vem do verbo “negau”, que significa literalmente “orar por (algo)” ou “desejar (algo)”. O “O” no início é o “honroso O” que torna a frase mais “honorífica”. É claro, nós nunca devemos dizer a frase sem esse “O”, (Não confunda esse “O” com o “O” em O-Sensei. O “O” em O-Sensei é realmente “Oo”, significando “Grande” ou “Grandioso”.)

 

Na cultura japonesa, usamos “onegai shimasu” em várias situações. A conotação básica da expressão é o sentimento de expressar “boa vontade” em relação ao futuro de um encontro entre duas partes. De fato, é muitas vezes como dizer “Espero que nosso relacionamento traga boas coisas no futuro”.


Costuma-se usá-la durante a celebração do ano novo dizendo “kotoshi mo yoroshiku onegai shimasu”, que significa “também este ano desejo boas novidades”. Capte a essência. Outra conotação é “por favor” como em “por favor, permita-me treinar com você”. É uma solicitação freqüentemente usada para pedir a outra pessoa que lhe ensine algo, expressando que você está pronto para aceitar o ensinamento da outra pessoa. Se você está se sentindo realmente modesto, pode dizer “onegai itashimasu”, que usa “kenjyougo”, a forma “humilde” do verbo. Isto o põe numa posição mais abaixo hierarquicamente do que a pessoa com a qual está falando (a menos que ela use a mesma forma).

 

A pronúncia correta seria: o ne gai shi ma su. (Falando tecnicamente, o último “su” é uma sílaba pausada-fricativa, sendo pronunciada como o “s” final em “gás”, e não como um “su” longo – tal como em “sul”).

 

Texto original em inglês: http://www.aikiweb.com/language/onegai.html

 

Tradução e Colaboração: http://www.aikidobahia.com.br


Crianças e as artes marciais – Por Rubens Caruso Junior

8 Janeiro 2009

Dentro do contexto social as artes marciais têm seu papel mais importante, como apoio ao crescimento psicológico de uma criança.

 

As Artes Marciais colocam a criança frente a frente com seus maiores problemas, medos e anseios, por exemplo: uma criança tímida será colocada frente à diversas situações que a ajudarão a vencer esta timidez, que certamente a atrapalharia futuramente; por outro lado, uma criança indisciplinada se verá estimulada a respeitar e seguir as regras e normas que regem uma aula de Aikidô, aprendendo a conviver harmoniosamente em grupo, recebendo e compartilhando experiências com outras crianças. Isto tudo não porque seja obrigada, mas sim porque sua compreensão de certo e errado é favorecida por essas experiências em grupo.

 

Torna-se, portanto, facilmente reconhecido, que o treinamento do Aikidô estimula o crescimento de sua maturidade psicológica.

 

Podemos então concluir que o Aikidô exerce forte influência no amadurecimento de urna criança; mas seus efeitos não são mágicos, sendo necessários: tempo, treino assíduo e força de vontade (tanto da criança quanto dos pais)… que somados podem exercer uma positiva e forte influência. Damos maior atenção em nossas aulas à este desenvolvimento psicológico mais que o físico, já que seus efeitos vão ser muito mais benéficos e duradouros para a criança.

 

A parte técnica do Aikidô se diferencia da maioria das artes marciais por não haver o treinamento isolado de técnicas de ataque, como acontece na maioria das artes marciais. A criança não aprende chutes devastadores nem a dar socos potentes, muitos menos a ter uma atitude ofensiva com relação aos colegas de treino. Falando mais claramente no Aikidô não existe adversário, mas sim parceiros de treino. Havendo durante as aulas uma ajuda mútua entre os alunos, já que sem um parceiro não há como treinar o Aikidô, uma vez que as técnicas são executadas em duplas. Este conjunto de fatores leva a criança a encarar o colega não como um oponente, mas sim como um amigo. Portanto, o desenvolvimento técnico da criança dentro do Aikidô acontece de maneira harmoniosa e natural. Este desenvolvimento natural é o que chamamos de AIKI, ou seja: harmonia das relações, ou união de energias.

 

Rubens Caruso Júnior – Instrutor de Aikidô 4° Dan Aikikai – Aikidô Nova Era (São Paulo/SP)

 

Colaboração: www.aikidonovaera.com.br


Deficiente físico preterida em convocação será nomeada

7 Janeiro 2009

Uma portadora de necessidades especiais, que foi aprovada em concurso público, será nomeada, após ingressar com uma ação na Justiça. O processo seletivo foi promovido pela Prefeitura Municipal de Natal, para o cargo de Contador. Segundo a autora da ação, a despeito da colocação no certame – 1º lugar, foram nomeados oito candidatos da relação geral de aprovados, não tendo ela, contudo, sido convocada pela Administração, situação que ia de encontro à previsão contida no edital e aos ditames constitucionais.

 

Na lista destinada a portadores de necessidades especiais, foram reservadas cinco vagas iniciais. Após concessão de liminar beneficiando a candidata, a prefeitura afirmou que o edital do concurso cumpriu a regra estabelecida no art. 1º da Lei nº 104/91, a qual dispõe que o Executivo Municipal é obrigado a reservar 5% das vagas oferecidas em certame aos portadores de necessidades especiais, desde que compatíveis com a atividade a ser exercida.

 

Salientou que o pedido formulado nos autos revelava a equivocada compreensão de que o percentual de 5% previsto no diploma legal incidia sobre as vagas de cada um dos cargos, e não sobre a totalidade das vagas abertas pelo concurso. Pediu para que o pedido da autora fosse negado.

 

A segurança pleiteada foi concedida pela juíza da 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal, a qual determinou à prefeitura que procedesse à candidata, confirmando-se a liminar deferida.

 

Reexame no Tribunal de Justiça

 

Ao reexaminar o caso, o relator, o juiz convocado Nilson Cavalcanti, lembrou que a Constituição Federal, em obséquio ao princípio fundamental da isonomia, expressamente prescreve que “a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão”.

 

Lembrou também que a Lei Federal nº 7.853/89, por sua vez, veio a dispor sobre o apoio e a integração social das pessoas portadoras de necessidades especiais, recebendo regulamentação pelo Decreto nº 3.298/99. No caso dos autos, tem-se que, de acordo com o edital do concurso (Edital nº 3/2006-SEMAD, de 04 de agosto de 2006), foram oferecidas cinco vagas para o cargo almejado pela candidata (Contador).

 

Seguindo a regra contida na Lei Federal nº 7.853/89, tem-se que pelo menos uma vaga deveria, obrigatoriamente, ser destinada aos portadores de necessidades especiais. Mas pelo que ficou demonstrado, pelo que se observa da prova documental anexada aos autos, a candidata, apesar de haver logrado êxito no certame, alcançando a 1ª colocação na lista destinada aos portadores de deficiência, teve sua nomeação preterida, na medida em que a Administração, ao invés de proceder às nomeações de maneira alternada, nomeou oito candidatos (até a data de propositura da ação) aprovados na lista geral, conforme atestam as portarias acostadas ao pedido inicial do processo.

 

Para o relator, a conduta levada a efeito pela Administração fere, de forma inequívoca, o direito líquido e certo da parte postulante de ser nomeada para o cargo em relação ao qual foi aprovada em 1º lugar (Contador), já que foram privilegiados, na ordem de nomeação, os candidatos aprovados na lista geral, em flagrante prejuízo ao escopo maior da legislação de regência, que é justamente o de salvaguardar o efetivo cumprimento do princípio isonômico em situações como a ora veiculada nos autos (concurso público). Assim, a decisão de primeiro grau foi mantida e a prefeitura deve convocar a candidata aprovada.

 

Colaboração: www.tjrn.jus.br


Curso de Escalada em Rocha – Por Sérgio Pellissari – Crux Sup

5 Janeiro 2009

Para começar a prática da Escalada em Rocha é necessário conhecer e dominar procedimentos básicos indispensáveis, os quais deverão ser assimilados através de pessoal qualificado.

 

O Campo Escola sediará o início das atividades do curso. As vias de escalada, relativamente fáceis, possibilitam o desenvolvimento dos procedimentos básicos exigidos, que são o foco principal do curso.

 

Nós, auto-resgate em vão livre, encordoamentos, ancoragens e segurança do escalador guia e do segundo, são alguns dos procedimentos realizados no Campo Escola nesta primeira etapa.

 

O setor da “Pedra da Pinguruta” dispõe de vias com graduações que vão do 3º grau ao 7ºb, possibilitando ao escalador testar suas habilidades. É conhecido também como o setor das fendas, que são preferência entre a maioria dos escaladores.

 

Escalada em fendas, ancoragem em ponto natural, auto-resgate em parede e rapel em corda dupla, serão desenvolvidos neste setor.

 

Logística e experiência fazem o escalador. O desenvolvimento vem com a prática e com o acompanhamento adequado. A Escalada é um esporte que exige interação entre os participantes, troca de conhecimento, informação e acima de tudo, respeito à natureza e às culturas locais.

 

Ao nos tornarmos escaladores tornamo-nos também pessoas mais seguras. Passamos a entender melhor nossa natureza e a que está a nossa volta.

 

Sobre o Curso:

 

Prepara e forma escaladores conscientes e aptos para a prática da escalada em rocha, com a certeza de ter o domínio dos procedimentos fundamentais exigidos. Cria uma consciência de cunho ecológico evidenciando a importância não só da preservação ambiental, mas também cultural das localidades.

 

Aspectos abordados:

·                      História do esporte

·                      Modalidades de escalada

·                      Apresentação do equipamento

·                      Cuidados necessários com o equipamento

·                      Código de Ética Brasileiro / Ecologia

·                      Encordoamentos: características e funções

·                      Nós: características e aplicações

·                      Auto-resgate

·                      Técnicas de escalada

·                      Segurança do escalador 1° e 2°

·                      Escalada guiada

·                      Sistema de parada e equalizações

·                      Técnicas de abandono pós-escalada

·                      Importância nutricional no esporte

·                      Batismo. 

 

O aluno receberá um guia teórico no ato da inscrição e contará com todo material necessário durante as aulas. 

 

O Curso Básico de Escalada em rocha, ministrado pela Crux Sup Ecomontanhismo e reconhecido pela Associação de Escaladores do Rio Grande do Norte (AERN), é realizado no Parque Estadual da Pedra da Boca e tem duração de um fim de semana (16h aula). As saídas geralmente são nas sextas ao fim do dia para que se possa aproveitar ao máximo a carga horária do sábado e domingo.

 

Não é necessário fechar grupo para as instruções, o curso pode ser realizado com uma pessoa. Em caso de formação de grupo o número máximo de alunos é de 04 (quatro) pessoas.

 

O valor do curso abrange a instrução, o direito ao uso de todo o material necessário durante o curso, um guia teórico para posterior acompanhamento e estudo e ainda a taxa de camping. Não inclui alimentação e transporte ficando estes por conta do aluno.

 

Roteiro do Curso

 

1º Dia de Curso – Sábado

Manhã – Horário de saída: 8h

1.     Campo Escola – Demonstração dos nós pescador duplo e nó auto-blocante Prussik para procedimento de auto-resgate.

2.     Campo Escola – Demonstração de nó Oito e Oito Guiado e suas aplicações

3.     Campo Escola – Escalada e segurança em Top Rope (posicionamento e ascensão).

4.     Campo Escola – Segurança do Guia e aplicação das costuras.

5.     Campo Escola – Demonstração de nó Fiel e suas aplicações.

6.     Campo Escola – Parada dupla e equalização.

7.     Campo Escola – Segurança do Segundo.

8.     Campo Escola – Procedimento de Rapel em corda dupla e Prusik.

9.     Campo Escola – Resgate do equipamento.

 

Tarde – Horário de saída: 14h

10.  Pedra do Carneiro – Via Casa Mãe Nazaré D1 3º IV E1 55m. Revisão dos procedimentos de escalada. Escalada ao cume com retorno por trilha.

 

2º Dia de Curso – Domingo

Manhã – Horário de saída: 8h

11.  Setor Pinguruta – Via Essa é Minha IVºsup. Escalada em Fenda, Aancoragem em ponto natural, auto resgate em parede.

12.   Setor Pinguruta – Via Cumpadi Sussurro IVº. Escalada em fenda.

13.  Pedra do Carneiro – Via das Brita D1 3º IV E1 75m. Revisão dos procedimentos de escalada. Escalada ao cume com retorno por trilha.

 

Horário de encerramento: 18h

 

Datas do Curso Básico de Escalada em Rocha de Janeiro a Março de 2009:

- 10 e 11 de janeiro de 2009

- 7 e 8 de fevereiro de 2009

- 7 e 8 de março de 2009

 

Saídas no dia anterior (sexta-feira) após 18h ou de acordo com disponibilidade do cliente.

Outras informações:

- Refeições no local ao custo de R$ 5,00 (cinco reais) cada (café, almoço e jantar).

- Taxa de Camping R$ 5,00 (cinco reais) – já inserida no valor do curso.

- O número mínimo de participantes nas datas citadas é de 02 (dois) e máximo de 04 (quatro).

- O custo de R$ 170,00 (Cento e setenta reais).

 

E-mail: cruxsup@hotmail.com

Telefones: (84) 8856-6783 / (84) 8894-3239

Comunidade no Orkut:

http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=4853737826694675265

 

Colaboração: www.impressione.wordpress.com


Por que treinar Aikidô? Por Stanley Pranin – Aikidô Journal

2 Janeiro 2009

Todo principiante de Aikidô aparece motivado por alguma razão em particular e um conjunto de objetivos. Entre os mais comuns estão os de auto defesa, desenvolver a forma física, ou travar relacionamentos. Com o passar do tempo os objetivos vão mudando e a pessoa vai percebendo que o Aikidô está provocando transformações em sua vida. Considerando que o Aikidô, assim como outras artes marciais de um modo geral ensinam técnicas capazes de machucar e mesmo matar um adversário, todas têm que ser praticadas com seriedade e atenção a detalhes por força dos riscos naturais, inerentes à atividade.

 

Treinar assim, respeitando a concentração, vai-se alcançando passo a passo o aperfeiçoamento do que pode ser descrito como um “espírito de marcialidade”. O termo marcial é aqui empregado no mesmo sentido que o Fundador do Aikidô usava a palavra japonesa “bu“, normalmente traduzida por “arte marcial” (de guerra).

 

Bu“comporta duas interpretações distintas: primeiro,serve para distinguir um sistema que engloba técnicas de lutas de origem clássica dirigidas originariamente para o ensino de auto defesa.  E “Bu” acaba abrangendo o conceito de uma atividade ou prática destinada a conduzir o indivíduo através de um caminho de crescimento espiritual.

 

Quando o treinamento objetiva a luta em si.

 

O elemento marcial – ou “bu” é um componente tão vital do treinamento de Aikidô que removê-lo totalmente significaria reduzir a arte a um conjunto de meros exercícios visando a saúde física. Acaba ficando implícita uma consciência de existência de perigos inerentes que acaba produzindo uma ultra-sensibilidade ao pensamento.  Eis a seguir alguns comportamentos que auxiliam no desenvolvimento desse espírito de marcialidade.

 

A etiqueta

 

A etiqueta é um dos pilares do comportamento adequado a um dojô. É comum menosprezarem a importância das formalidades adotadas em um dojô. Os padrões observados antes, durante e após os treinos têm o objetivo de gerar um ambiente em que técnicas perigosas possam ser praticadas com segurança.


A etiqueta também possui grande significado fora do dojô, servindo como um lubrificante nas relações interpessoais. Pessoas bem educadas raramente fazem inimigos e desenvolvem um caráter adequado à prática de artes marciais.

 

O papel do Uke

 

O Uke é aquele que simula o ataque e vai sofrer o movimento do Aikidô. O treino de Aikidô consiste no revezamento entre os parceiros: enquanto um simula o ataque (Uke) o outro (o Nague, ou ToriHitori) aplica a técnica de Aikidô.

 
No Aikidô a técnica a ser aplicada é sempre de prévio conhecimento de ambos, o que garante um treino seguro. De forma que também é importante que o Uke esboce o ataque de forma clara, sincera e segura, sem antecipar a reação do Nague baseados nesse conhecimento prévio. O Nague precisa de um ataque sincero a fim de absorver os conhecimentos de equilíbrio, coordenação motora e o fluxo da energia.


A atitude marcial adotada pelo Uke vai protegê-lo de ferimentos e promover seu próprio progresso e o do companheiro. O Uke será também recompensado por seus esforços adquirindo flexibilidade e condicionamento físico através das quedas – uma experiência perturbadora quando não perigosa para a maioria das pessoas.

 

O papel do Nague.

 

Conforme descrito acima, conhecendo a natureza do ataque, o Nague pode se concentrar em sua postura, no distanciamento e no desequilíbrio a que irá submeter o Uke. O stress emocional, que normalmente existe em confrontos da vida real, passa a estar ausente do contexto básico do treino.

O movimento inicial do Nague deve ser no sentido de desequilibrar o Uke, que não oferecerá resistência aos efeitos da força da gravidade, pois estará sem centro. Os benefícios da prática contínua, para o Nague, é que as técnicas do Aikidô vão se tornar uma sua segunda natureza. Seus instintos serão reestruturados para evitar ataques iminentes de forma a adotar as posturas harmoniosas que caracterizam as técnicas do Aikidô. Ele aprende a manter o equilíbrio físico e mental diante de ataques que normalmente seriam desorientadores para pessoas sem treino.

 

Enquanto o processo de aprendizado se desenvolve (conscientemente ou não) o Nague amplia seu nível de sensibilidade ao mover-se em seu ambiente.Torna-se capaz de perceber o que possa ser ou não algum tipo de ameaça. Essa atitude de alerta constante é um componente fundamental da arte marcial e destaca as pessoas com esse conhecimento.

 

Identificando objetivos do treino.

 

Praticantes de Aikidô devem regularmente passar em revista suas atividades normais e as circunstâncias a fim de estar sempre identificando e dando atenção situações de perigo ou fraqueza. Um exemplo: aikidocas costumam ver pontos fracos em sua arte, quando a comparam com outras artes marciais. Conseqüentemente ele passa a se sentir tentado a discutir situações hipotéticas com relação às técnicas de Aikidô do tipo “e se….?”

 

Na verdade não se treina Aikidô para se descobrir capaz de enfrentar o campeão mundial de karatê, ou de boxe ou de luta – livre. A partir do momento em que eu canalizo minhas energias para esse tipo de pensamento, como se esse fosse o meu objetivo em treinar Aikidô, como poderei eu estar preparado para todo e qualquer outro tipo de ameaça ou ataque a que a gente se sente exposto o tempo todo durante o dia-a-dia, durante a vida? Pensar assim só é bom para discussões acadêmicas. Não há como hierarquizar as artes em termos de eficácia nem como ficar especulando sobre a relatividade de seus métodos. Quem pensa assim é melhor que nem comece a treinar Aikidô.  A abordagem do Aikidô não é por esse lado.

 

O objetivo do Aikidô é proteger a vida, a saúde, a integridade física, a liberdade, a propriedade, e não para derrotar o semelhante como num torneio. Vamos supor que a gente se depare com algum ataque aleatório. A gente pode ser surpreendido caminhando pela rua, dirigindo o carro, e mesmo dentro de casa. No mundo real assaltantes geralmente portam armas de fogo, facas e vêm acompanhados de comparsas. O elemento surpresa geralmente é o que dá sucesso a esse tipo de ataque aleatório. Não se trata de avaliar a qualidade, a sofisticação do ataque, mas sim o fato de que a vítima quase sempre é apanhada desprevenida, com a guarda baixa, no que vai resultar em sua derrota, ou morte. Aqui é quando se deve dar ênfase muito mais ao preparo psicológico do que ao conhecimento de qualquer técnica específica de defesa.  

 

Temos que desenvolver um constante estado de alerta a fim de responder imediata e instintivamente a ameaças inesperadas. Temos que nos tornar saudáveis, flexíveis e indivíduos bem preparados para nos adaptar rapidamente a qualquer mudança de situação.

 

Por que AIKIDÔ?

 

Essa pergunta traz à mente uma dúvida razoável. Por que estudar Aikidô e não qualquer outra coisa que traga um resultado mais imediato em caso de violência urbana, como treinamento com armas e técnicas de brigas de rua?


Dependendo de cada um, talvez seja mesmo o caso de se praticar outras disciplinas. Nesse sentido há fortes argumentos quanto aos benefícios de se saber várias coisas ao mesmo tempo. Aqui é que entra o segundo componente da proposta inicial, mencionada no início, relativamente ao “bu“. Acontece que o Aikidô é também, e mais ainda, um caminho para o desenvolvimento espiritual da pessoa. Ele contém um imperativo moral de cultivo e respeito por todo ser vivo. O Aikidô propõe uma visão idealista de um mundo vivendo em harmonia e as técnicas da arte tornam essa visão abstrata em algo físico, concreto, tangível. Mais que qualquer outro princípio, as técnicas de Aikidô se baseiam no princípio da não resistência, conforme o ensinamento do fundador, Morihei Ueshiba, o que deve estar sempre presente na mente de todo praticante de Aikidô. O que não deixa de consistir em uma excelente fórmula de viver bem a vida em meio a esse mundo atemorizado pelo perigo e pela discórdia.

Epílogo: tomando decisões em tempos difíceis.

A maioria dos desafios que enfrentamos no dia-a-dia não são os de embates físicos. A maioria dessas batalhas são de origem interior, são travadas num plano psicológico, posto que nossa vida consiste em uma luta constante e interminável contra problemas e incertezas. O espírito marcial cultivado durante anos de treinamento de Aikidô acaba se transformando em um acervo precioso, de valor incalculável nessas horas.

 

Tradução: Nereu Peplow – Fudoshin Dojo – Curitiba – www.aikidofudoshindojo.pro.br

 

Colaboração: www.aikidobahia.com.br