Kawai Shihan em Natal/RN – 10 anos de Aikidô em Natal – Exames de Dan

9 Novembro 2009

No final de semana dos dias 31/10/2009 a 02/11/2009, ocorreu na cidade Natal, estado do Rio Grande do Norte, as comemorações pelos 10 anos de Aikidô Kawai Shihan naquela capital. O evento deu-se na Academia Central de Aikidô de Natal com a presença do Sr. Reishin Kawai, 8º Dan de Aikidô e introdutor da arte no Brasil.

Dentre os convidados, além do Kawai Shihan e de sua filha Cristina Kawai, o evento contou com a presença de Rodrigo Martins Sensei, responsável pela Academia Central de Aikidô de Natal e pela introdução do Aikidô da linhagem do fundador Morihei Ueshiba na cidade do Natal e dos demais Sensei(s) da Academia de Natal (Marco Antonio, James Carlos, Sérgio Pellissari e Gabriel Lopes).

De outros estados vieram: Rogério Sensei, representando o estado da Paraíba; Henrique Sensei, representando Pernambuco e Daniel Sensei, representando a Bahia e colegas da Academia de Natal em outras cidades (São Paulo/SP, Parnamirim/RN, Mossoró/RN). Além dos ilustres convidados, alunos dos respectivos mestres compareceram ao evento.

O evento teve início no dia 31/10/2009 com um treino de abertura ministrado por Rodrigo Sensei. Após o treino, os participantes saíram em comitiva ao aeroporto da cidade do Natal (em Parnamirim) para fazer as boas vindas ao Mestre Reishin Kawai e sua filha Cristina.

No dia 01/11/2009, domingo, logo às 07:00h da manhã, os candidatos a aquisição de grau e mudança de grau já estavam perfilados no tatame da Academia Central de Aikidô de Natal para receber o avaliador Kawai Shihan. O exame se deu, como de costume, em uma atmosfera de confiança, alegria e descontração.

Após os exames, aqueles que participavam, foram prestigiar a presença do Mestre Kawai em um almoço no restaurante Sal e Brasa e depois, outra comitiva o levou ao aeroporto para seu retorno a São Paulo.

No final da tarde do mesmo dia, às 16:00h, os alunos da Academia Central de Aikidô de Natal e seus convidados participaram em peso do último treino do dia ministrado por Rodrigo Sensei.

Na noite do referido dia, por volta das 19:30h, deu-se a festa do evento comemorativo aos 10 anos de Aikidô em Natal com a participação no palco da Academia Central de Aikidô da violonista e aluna da Academia, a Srta. Mariana; apresentação da cantora e também aluna da Academia Central, Srta. Themis; da apresentação de Rodrigo Sensei, Leonardo (Ex Tricor), e Aleksej também alunos da Academia Central e Marco Antonio Sensei e seu filho Yuri.

Por fim, em 02/11/2009, segunda-feira, ocorreu às 08:00h da manhã, o treino de encerramento do evento com a presença dos alunos e dos convidados dos vários estados para encerrar as festividades dos 10 anos de Aikidô Kawai Shihan em Natal/RN.

Em breve será publicada a lista com os novos graduados da Academia Central de Aikidô de Natal.

 

Conheça o aikidô

Aikidô Kawai Shihan – União Sul Americana: www.aikidokawai.com.br

Aikidô em Natal: www.aikidorn.com.br

Aikidô em Pernambuco: www.aikidope.com.br

Aikidô na Paraíba: www.aikidopb.com

Aikidô na Bahia: www.aikidobahia.com.br

 

Colaboração: www.impressione.wordpress.com


Aikidô: luta japonesa desenvolve habilidades profissionais – Uol Economia

5 Outubro 2009

O maior motivo para a tensão dos profissionais de TI (tecnologia da informação) é a instabilidade, típica da profissão. Para combater este mal, que leva ao estresse, os executivos da área apostam em atividades diferenciadas.

O Aikidô, arte marcial criada no Japão em 1942 e que ensina o espírito japonês de amor às forças da natureza, é um exemplo destas atividades. Além de promover o bem-estar, ela ainda capacita o profissional para o ambiente corporativo.

Vantagens da prática

Para o diretor comercial da CSF Storage – empresa de tecnologia – Moacir Ladeira, é uma luta essencialmente defensiva, baseada em movimentos fluidos e circulares que ajudam a desenvolver a disciplina e organização, por meio de técnicas que podem incluir armas como espadas, facas de madeira e bastão.

Para ele, é um verdadeiro exercício de autocontrole. “Aprendemos com paciência e com concentração a controlar os atos e avaliar os caminhos que queremos seguir e onde devemos chegar“, explicou.

Colaboração: http://economia.uol.com.br


Aprender com o Espírito – Por Makoto Nishida Sensei

30 Setembro 2009

Existem vários estilos no Aikidô. Nos dojôs e em demonstrações, podemos ver que cada praticante possui um estilo diferente: movimentos lentos, movimentos rápidos, movimentos vigorosos, movimentos que parecem uma dança e muitos outros.

Mas, por quê? Isto porque o Aikidô é uma arte de grande amplitude. O objetivo do Aikidô não é impressionar os outros com a força física, mas sim expressar os movimentos do espírito através do corpo. Além do que os movimentos do Aikidô são relativos ao parceiro, ficando mais lento se o parceiro for lento ou mais rápido se o parceiro for mais rápido, e mais, os movimentos dependem das características físicas e dos pensamentos de cada um.

O fundador Morihei Ueshiba pregava severamente sobre a importância do espírito, mas parece que ele não enquadrava detalhadamente os movimentos. Entre as palavras do fundador existe uma que diz: “No Aikidô não existem formas. Não existindo formas, é tudo um aprendizado do espírito. Não se pode apegar às formas. Isto porque impossibilita a execução de movimentos delicados. A partir do corpo, tudo o que possui uma forma é chamado de “HAKU”. O espírito de tudo o que existe é chamado de “KON”, e nosso objetivo é aprender o aperfeiçoamento do “KON”. Hoje tudo é centralizado no “HAKU”, mas “KON” e “HAKU” sempre devem estar juntos. O “KON” é que deve controlar o “HAKU” “. Isto nos mostra que o ideal do Aikidô é de que o espírito é o principal, devendo o corpo se movimentar de acordo com o movimento do espírito.

Assim, todo o movimento oriundo do espírito do “Aiki” seria Aikidô. O problema é que sem uma forma determinada, é impossível aprender. Sendo assim, foram criadas técnicas básicas (KIHON), por exemplo: dai-itikyo, dai-nikyo, shiho-nague, etc. para que se possa treinar metodicamente. A partir do KIHON, devemos aprender os movimentos esféricos e por meio deste, sentir o Ki, para atingirmos a essência do Aiki. Este é o caminho indicado pelo fundador.

Vendo as demonstrações dos alto-graduados, apesar dos estilos diferentes, sempre existem movimentos circulares, o que nos impressiona. Os movimentos circulares são a manifestação do espírito do Aiki, sendo isto o princípio do Aikidô.

Existem vários dojôs de Aikidô, mas o importante é que o instrutor consiga ensinar os movimentos circulares através dos treinos básicos. O mais importante é aprender os movimentos circulares através do treino persistente do KIHON. O fundador disse “Eu sou o que sou hoje, pelos 60 anos que treinei o KIHON“. São palavras que advertem os que, sem saber o KIHON, tentar apenas imitar superficialmente as técnicas.

*Makoto Nishida – 6o. Dan de Aikidô – Representante de FEPAI

 

Colaboração: www.linseidojo.com.br  


A BUSCA – Por Frederico Dantas Ramalho Cavalcanti

22 Setembro 2009

Ouso pensar que estamos sempre em busca de algo ou alguém. Esta procura pode ser um acontecimento construído com nossa consciência ativa, ou sem que tenhamos a noção do caminho sob nossos pés e do destino para o qual nos dirigimos.

Antoine de Saint-Exupéry uma vez escreveu: “Só se vê com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. Acho que podemos dizer que todas as verdades mais autênticas, isto é, aquelas que estão muito além de jogos de consoantes e vogais difíceis de se contradizer, enfim, essas genuínas verdades, só podem ser compreendidas e absorvidas pelo Amor que nos permitimos sentir  e manifestar.

Eu acrescentaria que: só se vê, realmente, com a alma de nossa alma… e o essencial é intocável pelas palavras…

As nossas buscas, se possuírem um quê de universal, incluem, necessariamente, o Amor e, conseqüentemente, a Verdade, mas, acima de tudo, os Relacionamentos em Harmonia.

Uma pessoa muito amada pelo meu coração me trouxe a mensagem de que eu encontraria (ou deveria encontrar) o Aikidô e eu logo senti que me reencontraria comigo mesmo, enquanto estivesse também me encontrando com muitas das pessoas mais doces que eu viria a conhecer. A minha busca, então, deveria ganhar um novo sentido e um palco mais verdadeiro na minha vida.

Penso que, no fundo, não há nome para o que buscamos. Não há nome para quem somos. Não há nome para o que pensamos ou sentimos. Tudo em nós é tão infinito e grandioso que as palavras são, meramente, uma roupa que vestimos em nós mesmos ou nas coisas do mundo. Quando muito, e se bem utilizadas, as palavras podem vir a ser um simples pretexto para as revelações que dormem dentro de nós.

Olhei nos olhos de muitas pessoas. Senti muitas vezes encontrar e reencontrar muito daquilo que não tem um nome. Mas deverei continuar a minha busca, pois a própria busca já faz parte do que buscamos.

O Aikidô, portanto, na minha concepção, não tem realmente um nome. Chamamos de Arte, de Terapia, de Caminho da Harmonia, mas a Academia Central de Aikidô de Natal, as pessoas que fazem aquele mundo que apresenta o Aikidô e o desperta em Nós, realiza e ensina algo que não poderia jamais ser contido em uma palavra, ou em todas elas.

Meus Professores: Sensei James, Sensei Sérgio, Sensei Vinicius, Sensei Marco, Sensei Gabriel e Sensei Rodrigo trouxeram para minha vida um imenso brilho que não faz parte de mim ainda, mas que venho tentando compreender e abraçar o máximo que posso. Eles ensinam imagens, sentimentos, saberes, filosofia e tudo que é inominável, e não tão-somente técnica. Me ensinaram como fazer a minha parte para construir melhor meus relacionamentos com o mundo e, principalmente, com as pessoas.

Para quem é sensível a sua própria busca, o Aikidô é uma Verdadeira Busca. E a Academia Central de Aikidô de Natal é um jardim cheio de pessoas maravilhosas capazes de ajudar em nossa busca, ou ser a própria busca.

Pelo menos para mim, se surge um problema, isto não é um problema, é uma chance para alimentar e fortalecer a harmonia dentro de nós. Não resistiremos, mas sim, concordaremos. Com compaixão e sinceridade, sentiremos o nosso lugar no mundo, agiremos da maneira mais correta e condizente com a harmonia que desejamos para Nós mesmos, e compartilharemos o melhor que existe em nosso Ser. Desse modo, tudo se resolve, tudo é um caminho em direção a um destino que é um recomeço e um novo caminho.

Sempre que as coisas dão certo para mim, alguém me elogia, eu sinto gratidão e tranqüilidade, sou feliz e o bem acontece em minha vida e nos meus relacionamentos, sempre que sirvo a algo de bom, percebo que estou praticando Aikidô.

Tenho que agradecer, com todas as minhas forças, a meus Mestres, a todos os Mestres do Aikidô e a todos que foram e são a Academia Central de Aikidô de Natal, pois eles me ajudaram e ajudam na minha tentativa de ser alguém cada vez melhor e na minha procura por tudo aquilo de belo, que não se acha nos nomes, mas sim na alma de cada um de nós.

FREDERICO DANTAS RAMALHO CAVALCANTI – Advogado – Faixa verde de Aikidô – Aluno da Academia Central de Aikidô de Natal – www.aikidorn.com.br

 

Colaboração: www.impressione.wordpress.com


ERRADO OU INCOMPLETO? – Por Marcos José do Nascimento

21 Setembro 2009

Num seminário promovido pela Associação Higashi de Judô, no seu aniversário, em 2009, Shihan Sadao, 7º Dan de Judô, entre tantas afirmações, deixou registrado que os movimentos realizados numa arte marcial não são naturais, mas criados, sendo naturais os movimentos que os seres humanos vão desenvolvendo, espontaneamente, desde o seu nascimento.

Judô e Aikidô são herdeiros de traços do Jujutsu do século XIX, este, já naquela época, adaptado às situações da vida civil, posto que se tratava de uma prática samurai remota usada em campos de batalha, quando do desarme do guerreiro em combate.

Cada ser humano possui um determinado grau de inteligência cinestésico-corporal, oriundo de múltiplos fatores, fatores esses que vão sendo determinados ao longo da vida e do desenvolvimento do ser humano, e esse grau de inteligência cinestésico-corporal determina certas limitações ou facilidades nas movimentações que a criatura faz por alguma necessidade sua, podendo mesmo esta necessidade originar-se de uma prática de ordem física desenvolvida pela pessoa.

No treino das artes marciais japonesas existem técnicas que vão sendo aprendidas, e estas técnicas possuem um tipo de movimentação básica, que lhe serve de fundamento, a partir da qual podem ser criadas variações (kuzure).

A noção de fundamento, desta forma, é uma necessidade do praticante, desde o mais iniciante ao mais avançado, não dentro de um padrão criado como referência de movimentação, a partir do que uma ou outra pessoa faça no âmbito do Dojô, mas dentro do que permite a natureza pessoal de cada praticante, visto possuir, cada um, um grau de inteligência cinestésico-corporal, que, lógico, pode ser desenvolvida e aperfeiçoada, mas não parametrizado em relação a quem quer que seja.

Como dito anteriormente, inúmeros fatores determinam o grau de inteligência cinestésico-corporal de uma pessoa para um determinado tipo de prática, e a arte marcial não está fora desse âmbito de análise, e esse grau pode mesmo constituir-se em um empecilho para a pessoa em relação a um tipo de atividade física, a depender do que lhe será exigido, fazendo com que ela descarte a hipótese de uma determinada atividade. Tal situação pode acontecer a qualquer ser humano.

Outro fator limitante é a idade, em termos dos movimentos de uma pessoa e da amplitude desses movimentos. Ela poderá realizar movimentação, diferentemente de uma pessoa mais nova cronologicamente, não estando mesmo impedida de uma prática, contudo, terá limitações, mas não se poderá exigir-lhe que realize os seus movimentos dentro dos padrões de pessoas mais novas que ela, até mesmo porque as articulações de quem possui uma idade um pouco mais avançada sofrem com os impactos do esforço exigido.

Um bom exemplo dessa situação, no âmbito do Aikidô, é a movimentação em swari-waza e hanmi-handachi para os mais velhos que guardem interesse na prática ou já estejam praticando. Mesmo os mais graduados, antigos na arte, sentem o impacto dessa limitação oriunda do envelhecimento natural que o ser humano pode enfrentar.

Observando os praticantes que iniciam os treinos de Aikidô, creio que todos, senão a maioria, passaram pela situação de ansiedade em relação às técnicas que vão sendo mostradas. Essa ansiedade está presente na preocupação de postura, de movimentação, de destreza, quando aquele que inicia ainda não sabe, por inexperiência ou falta de orientação, que ele não deve procurar realizar suas movimentações iniciais da mesma forma e destreza que o Sensei ou Senpai demonstra, que ele deve ir, aos poucos, adaptando-se aos movimentos básicos, que serão repetidos e aperfeiçoados ao longo do tempo.

Diz um ditado que aquilo que não sabemos fazer, devemos fazer devagar. Nada mais lógico e acertado.

O praticante novato costuma conduzir uma angústia por realizar, com perfeição (que não existe, posto que não há um parâmetro a ser seguido, em termos pessoais) suas movimentações, e uma vez que é comum qualquer um, independente de graduação, deixar passar despercebido algum detalhe, um ponto a ser ressaltado dentro da movimentação da pessoa pode ser realçado pelo instrutor na ocasião, que pode ser o Sensei do treino ou o Senpai com quem o menos graduado esteja treinando.

Daí surge, talvez, um problema: o movimento realizado, que precisa ser aperfeiçoado, estaria errado ou incompleto?

A melhor didática recomendaria a segunda opção, posto que não causaria mais stress no aluno novato, cujas características de personalidade ainda são desconhecidas no âmbito do Dojô, podendo desestimulá-lo à continuidade dos treinos, além do que, de certa forma, todo o ser humano continua sempre em aprendizagem, desde quem começa as primeiras lições de qualquer ramo de conhecimento ou até mesmo quem conduz alguma forma de aprendizagem a um determinado grupo.

Assim, conclui-se que, na verdade, ao realizar uma determinada técnica, em especial o iniciante, ao faltar algum detalhe dentro do fundamento dessa técnica, esse detalhe que falta não é um erro, mas uma lacuna temporária.

MARCOS JOSÉ DO NASCIMENTO – Servidor Público Federal – Faixa-Preta em Judô e Marrom em Aikidô – Aluno da Academia Central de Aikidô de Natal – www.aikidorn.com.br

 

Referências:

01 – Judo Formal Techiniques: A complete guide to Kodokan Randori no Kata – Tuttle Publishing  – Tadao Okati e Don F. Draeger.

02 – Kodokan Judo – Jigoro Kano – Kodansha.

03 – Origins of Judo – Allen Gordon – http://www.judoinfo.com/jhist3.htm.

 

Colaboração: www.impressione.wordpress.com


Jojutsu – Rekishi no Jo – História do Bastão

3 Setembro 2009

Acredita-se que a arte do bastão mais curto foi desenvolvida pelo grande espadachim Muso Gonosuke, há aproximadamente quatro séculos atrás, após uma derrota em combate pelo famoso Myamoto Musashi, que utilizava espadas de madeira (boken, bokutô) para seus combates.

De acordo com a histórica tradição, Gonosuke se retirou para um templo Shinto e, após longo período de treinamento árduo, de muita purificação e meditação na arte do bastão, desenvolveu um notável domínio sobre o Jo. Seu estilo foi denominado de Shindo Muso Ryu, foi então que desafiou Musashi para um novo confronto. O método criado por Gonosuke possibilitou penetrar na forte postura do estilo de Musashi.

Gonosuke Sensei praticou firme e continuamente até desenvolver os golpes básicos que resultaram em 20 técnicas, que mais tarde foram combinados e aperfeiçoados, sendo criadas as formas básicas (Kata).

Os Katas básicos do Jojutsu, que posteriormente vieram a fazer parte do Jodô (nome adotado por algumas escolas), incluem a utilização de sequências com outras armas, como Bo (bastão longo), Boken e Tanto (faca).

Colaboração: www.bugei.com.br


Projeto Aikidô – Escola São Francisco de Assis – Natal/RN – Filmagem do Projeto Escola Brasil

19 Agosto 2009

Hoje, 19/08/2009, compareceu na Escola São Francisco de Assis – local onde se desenvolve o Projeto Aikidô – a equipe do Projeto Escola Brasil – PEB. O PEB patrocina a Escola São Francisco e apóia seus voluntários em várias atividades: Aikidô, Basquete, Tênis de Mesa, bem como o laboratório de informática com a estrutura e equipamentos.

A Equipe do PEB veio na intenção de fazer uma filmagem para divulgar aos seus colaboradores os trabalhos que está desenvolvendo.

Projeto Aikidô – Filmagem

O treino de Aikidô começou as 8h:30m da manhã. Por volta das 9h:45m a equipe de filmagem, já a postos, começou a fazer a produção das imagens. Alongamentos, rolamentos, técnicas e entrevistas foram feitas para preparar o material que será encaminhado para edição e posteriormente ser apresentado aos colaboradores do PEB – Banco Real, Aymoré Financiamento, Santander.

Ao Treino/Filmagem compareceu Sensei Vinicius Brasil (2° Dan – Aikikai), voluntário do Projeto Aikidô e 25 (vinte e cinco) crianças, com idades de 08 a 13 anos, integrantes do Projeto Aikidô.

Em seu depoimento o Sensei Vinicius Brasil falou das mudanças de atitude e comportamento dos integrantes do Projeto Aikidô. A indisciplina e a desordem anteriormente reinante deu lugar à disciplina e ao bom comportamento.

O Treino/Filmagem correu bem, as imagens foram feitas e o objetivo alcançado. A equipe do Projeto Aikidô aguarda o retorno do material editado para fazer mais uma festa.

Conheça o Projeto Escola Brasil: www.projetoescolabrasil.org.br

Conheça a Aikikai: www.aikikai.or.jp

Conheça o Aikidô de Natal/RN: www.aikidorn.com.br

 

Colaboração: www.impressione.wordpress.com


O Aikijujutsu

17 Agosto 2009

Aikijujutsu, arte marcial praticada antigamente pelos nobres japoneses, por sua riqueza de conhecimento e dificuldade. Perde-se na história a época ou período do surgimento da arte, já que o Japão antigo não exercitava a prática da escrita, restringindo o conhecimento passado apenas entre os familiares das aldeias. Diz-se que sua origem vem da arte da espada, o Kenjutsu, quando nas batalhas não havia outras soluções para a defesa que não o conceito do Sukima (vazio).

O Sukima representa um fundamento básico do Aikijujutsu, e simboliza fazer com que um adversário (inicialmente portando a espada Katana) não consiga atingir seu objetivo, apenas usando os conceitos dos quatro elementos, água, fogo, ar e terra. A partir deste princípio surgiu o primeiro movimento que hoje constituí o Aikijujutsu.

Arte muito antiga, baseada na harmonia e na utilização da energia  interior, conhecida  como Ki. O Ki é o princípio que rege o universo do Aikijujutsu, focalizando os estudos em sua condução e direcionamento. Bastante usada por velhos e mulheres, por sua riqueza e eficácia da utilização da não-força; alguns a consideram como a arte de lutar sem lutar. É baseada na utilização de chaves, torções e imobilizações, de modo a invalidar o inimigo buscando a harmonia do corpo.

O nome da arte pode ser traduzida para o português da seguinte forma:

 Ai: harmonia,amor 

 Ki: energia, força vital

 Ju: flexibilidade

 Jutsu: arte

O AikiJuJutsu, desde a organização por Minamoto no Yoshimitsu, e até mesmo antes, teve muitos caminhos distintos, que resultaram em diferentes estilos, como o Daito Ryu Aiki JuJutsu, fundado por Sokaku Takeda, e também o Aiki JuJutsu estudado no Kaze no Ryu, que se difere daquele em muito pela influência das artes de guerra nos povos antigos, os Ainos, que originaram o povo Shizen.

O Aikijujutsu de Takeda veio da linhagem dos Minamoto, que organizaram as técnicas Aiki e o fundaram, aproximadamente no séc.XV. A arte se desenvolve através da circularidade, tal como no universo, pois o praticante é um “sol”, que mantém seus inimigos em sua órbita, sem jamais deixar de iluminá-los. Porém, sempre após o dia, vem a noite, que esconde as práticas mais fortes e rígidas voltadas à guerra, onde se encontra o que chamamos Hidoi.

A complexidade de seu sistema a consagrou como uma arte de nobres costumes. Sua dificuldade se encontra exatamente na harmonia interior do praticante, não se deixando levar por qualquer sentimento ou emoção que afetasse a sua técnica.

Colaboração: www.bugei.com.br


O Hara no Hinduísmo

4 Agosto 2009

Na índia, o Hara é conhecido como o Swadhistana (Morada do Prazer), em sânscrito, ou Chakra Sexual (sacro), no Brasil. Na verdade, a função desse chakra ultrapassa em muito a função genital. Ele também controla as vias urinárias e as gônadas (glândulas endócrinas: testículos no homem; ovários na mulher) e é responsável pela vitalização do feto em formação (função essa que divide com o chakra básico). Aliás, a ligação desses dois chakras é estreita demais. Isso se deve ao fato de que parte da energia Kundalini é veiculada do básico para dentro do chakra sacro. É por esse fator que alguns tibetanos consideram esses dois chakras como um único centro.

Devido à sua intensa atuação energética na área genital, o chakra sacro normalmente é suprimido por várias doutrinas espiritualistas ocidentais, muito presas à condicionamentos antigos sobre sexualidade. Muitas delas colocam o chakra esplênico (que fica na altura do baço) em seu lugar. O motivo disso é simplesmente o tabu em relação à questão sexual. Já os orientais não sofreram a repressão sexual imposta aqui no Ocidente pelo Cristianismo, daí não hesitaram em classificar o chakra sexual como um dos principais centros de força do campo energético, enquanto consideram o chakra do baço apenas como um centro de força secundário.

Osho, no livro The Golden Future, fala sobre a prática de reter o Ki ao “fechar o Hara”:

“O Hara é o centro por onde a vida deixa o corpo. É o centro da morte. A palavra Hara é Japonesa; eis porque no Japão, suicídio é chamado de Harakiri. O centro localiza-se a duas polegadas abaixo do umbigo. Isso é muito importante, e quase todo mundo já o sentiu. Porém, só no Japão eles se aprofundaram em suas implicações. 

O Hara está muito próximo do centro sexual. Se você não se elevar em direção aos centros mais altos, em direção ao sétimo centro que está na sua cabeça, se você permanecer por toda sua vida no centro sexual, bem ao lado do centro do sexo está o Hara, e quando sua vida acabar, o Hara será o centro por onde sua energia da vida sairá do corpo.

Energia transbordando no centro do sexo é perigoso, porque ela pode começar a ser liberada pelo Hara. E se ela começar a sair pelo Hara, ficará mais difícil conduzi-la para cima. Então eu tinha lhe dito para manter sua energia dentro e não para ser tão expressivo: Segure-a dentro! Eu só queria que o centro do Hara, que estava se abrindo e que poderia ser muito perigoso, ficasse completamente fechado.

Você seguiu isso, e você se tornou uma pessoa totalmente diferente. Agora quando lhe vejo, não posso acreditar na expressividade que tinha visto antes. Agora você está centrado e sua energia está se movendo na direção correta para os centros mais elevados. Está quase no quarto centro, que é o centro do amor e que é um centro muito equilibrado. Três centros estão abaixo e três centros estão acima dele.

Por causa desses sete centros, a Índia nunca deu importância ao Hara. O Hara não está na linha; está apenas ao lado do centro do sexo. O centro sexual é o centro da vida e o Hara é o centro da morte. Excitação demais, muito descentramento, lançar demasiada energia por todo o lugar é perigoso porque isso leva sua energia em direção ao Hara. E uma vez que a rota é criada, fica mais difícil mover-se para cima. O Hara situa-se paralelo ao centro sexual, assim a energia pode se mover muito facilmente. O Hara deve ser mantido fechado. Eis porque eu lhe disse para ficar mais centrado, para segurar seus sentimentos dentro, e para trazer a energia para seu Hara. Se você puder manter seu Hara controlando conscientemente suas energias, este não as permite sair. Você começa a sentir uma tremenda gravidade, uma estabilidade, um centramento, o que é uma necessidade básica para que a energia se eleve.

Seu centro do Hara tem tanta energia que, se ela for corretamente direcionada, a iluminação não é um lugar distante.

Portanto, essas são minhas duas sugestões: mantenha-se tão centrado quanto possível. Não se perturbe com coisas pequenas: alguém está zangado, alguém lhe insulta e você fica pensando nisso por horas. Toda sua noite fica perturbada porque alguém disse alguma coisa… Se o Hara puder segurar mais energia, assim, naturalmente essa imensa energia começa a subir. Há somente uma certa capacidade no Hara, e toda energia que se move para cima move-se através do Hara; mas o Hara deve estar bem fechado.

Então uma coisa é que o Hara deve permanecer fechado.

A segunda coisa é que você deve trabalhar sempre pelos centros mais elevados. Por exemplo, se você fica zangado com muita freqüência você deve meditar mais sobre a raiva, para que essa raiva desapareça e essa energia se transforme em compaixão. Se você é um homem que a tudo odeia, então você deve se concentrar no ódio; medite sobre o ódio, e essa mesma energia se transforma em amor. Prossiga movendo-se para cima, pense sempre nos degraus mais altos, para que você possa alcançar o ponto mais elevado de seu ser. E não deve haver nenhum vazamento no centro do Hara.

Não deve ser permitido que a energia se mova através do Hara. Uma pessoa cuja energia começa através do Hara, você pode detectar muito facilmente. Por exemplo, existem pessoas com quem você irá se sentir sufocado, com quem você irá sentir como se elas estivessem sugando sua energia. Você descobrirá isso, depois que elas vão embora, você relaxa e fica à vontade, embora essas pessoas não estivessem fazendo nada de errado a você.

Você também encontrará o tipo oposto de pessoas, cujo encontro lhe torna alegre, mais saudável. Se você estiver triste, sua tristeza desaparece; se você estiver zangado, sua raiva desaparece. Essas são as pessoas cujas energias estão se movendo para os centros mais elevados. A energia delas afeta a sua energia. Estamos continuamente afetando uns aos outros. E o homem cônscio, escolhe amigos e companhias que elevam sua energia.

Um ponto está bem claro. Existem pessoas que lhe sugam, evite-as! É melhor ser claro quanto a isso, diga adeus a elas. Não há necessidade de sofrer, porque são perigosas; elas também podem abrir o seu Hara. O Hara delas está aberto, eis a razão de criarem tal sentimento de sugação em você.

A psicologia ainda não percebeu isso, mas é muito importante que pessoas psicologicamente doentes não deviam ficar juntas. E isso é o que está ocorrendo por todo o mundo. Pessoas psicologicamente doentes são colocadas juntas em instituições psiquiátricas. Elas já são psicologicamente doentes e vocês as estão colocando numa companhia que irá arrastar a energia delas mais para baixo ainda.

Mesmo os médicos que trabalham com doentes mentais já deram indicações suficientes disso. Mais psicanalistas cometem suicídio do que qualquer outra profissão, mais psicanalistas enlouquecem do que qualquer outra profissão. E todo psicanalista de vez em quando precisa ser tratado por algum outro psicanalista. O que acontece com esses coitados? Cercado de pessoas psicologicamente doentes, eles são continuamente sugados, e eles não têm a menor idéia de como fechar o Hara delas.

Existem métodos, técnicas para fechar o Hara, assim como há métodos para a meditação, para mover a energia para cima. O melhor e mais simples método é: tente permanecer tão centrado em sua vida quanto possível. As pessoas não podem sequer sentar em silêncio, elas ficam mudando de posição. Elas não podem deitar silenciosamente, por toda à noite elas ficam agitadas e revirando-se.

Você fez bem. Basta continuar o que você está fazendo, acumulando sua energia dentro de você mesmo. A acumulação de energia automaticamente a faz subir. E quando ela ficar mais elevada você irá se sentir em paz, mais amoroso, mais alegre, compartilhando, mais compassivo, mais criativo. Não está muito longe o dia quando você irá se sentir repleto de luz, e com o sentimento de ter chegado de volta em casa.”

Referências nos links abaixo:

O conceito de Chi;

Qi e Energia: Tradução, Tradição, Traição;

Confusão do chakra esplênico com o sacro;

A Importância do Musubi

Colaboração: www.saindodamatrix.com.br


O Hara na Medicina Chinesa

31 Julho 2009

O Tan t’ien está no centro do corpo. Os taoístas acreditavam que no útero o feto humano recebe um tipo especial de Ki pelo cordão umbilical. Era o chamado “Ki pré-natal“, que circulava livremente em sua órbita bem como em todos os 32 meridianos de energia. Depois do nascimento e com o passar do tempo este Ki perde seu controle sobre o corpo, não circula mais livremente, os meridianos ficam bloqueados e resultam em desequilíbrios emocionais, doenças físicas e fragilidade, na velhice.

Por outro lado, Tan t’ien é o nome dado aos três principais centros de energia localizados no eixo interno de nosso corpo:

1º) Tan t’ien Superior – Localizado atrás do ponto médio entre as sobrancelhas – Hipófise.

2º) Tan t’ien Médio – Localizado na região do Plexo – Coração.

3º) Tan t’ien Inferior – Localizado três dedos abaixo do umbigo. 

É esse último ao qual nos referimos aqui, também chamado “Mar de Energia“. Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, estando cheio o reservatório, ele transborda para os oito vasos energéticos (“vasos maravilhosos“) e posteriormente flui para os doze canais (meridianos), cada um dos quais associados a órgãos específicos. Dessa forma o Ki circula por todo o corpo ao longo de canais (muitas vezes seguindo um percurso paralelo ao sistema cardiovascular), animando toda a matéria viva de nosso ser.

O Tan t’ien, portanto, é claramente a base de todo o sistema energético. Mas os órgãos de vital importância para o corpo, na medicina chinesa, são os rins (Shen), pois eles que regulam o armazenamento e distribuição de Ki para o corpo.

Sabedor disso (de alguma forma), os sacerdotes das diversas religiões usam uma cinta, faixa ou corda exatamente nesta altura (notem que não é uma questão estética, já que ela fica um pouco acima da cintura). Lutadores de artes marciais também costumam amarrar uma larga faixa bem apertada nesse local, para ativar e evitar dispersão da energia. A importância parece estar no judaísmo, também, pois no velho testamento os Salmos fazem várias referências ao coração e rins.

No ritual de iniciação ao Zoroastrismo o sacerdote pega três cordões, que simbolizam a essência filosófica dessa religião: boas palavras, bons pensamentos e boas ações. O iniciado beija as cordas, que são então levadas à altura da fronte (ou terceiro olho) e é então amarrado na cintura do iniciado, na altura dos rins, simbolizando um comprometimento com essas três bases Zoroástricas de uma forma muito parecida com o judaísmo, que usa um Tefilin no braço e na cabeça para simbolizar que se está intimamente “atado” a Deus.

Referências nos links abaixo:

O conceito de Chi;

Qi e Energia: Tradução, Tradição, Traição;

Confusão do chakra esplênico com o sacro;

A Importância do Musubi

Colaboração: www.saindodamatrix.com.br


O Hara

30 Julho 2009

Hara (腹) significa literalmente “barriga“. É na região abdominal onde o Ki se acumula, mas o ponto central de onde esta energia flui para todo o corpo é conhecido por Tanden (em japonês) ou Tan t’ien (丹田 em chinês), que significa literalmente “área vermelha“, um ponto 6 cm (três dedos) atrás e abaixo do umbigo. É nesse ponto que os praticantes de Kempô, Karatê ou do Tai Chi Chuan se concentram quando fazem as suas técnicas. É fechando o períneo e contraindo o cóccix que se fecha um circuito de energia (para não deixá-la escapar, nas meditações Taoístas) e assim unir os canais ímpares Jen Mu e Tu Mu, fazendo assim a órbita Microcósmica no interior do corpo. Sendo estes dois canais intensificados (energizados) os demais meridianos são também intensificados (os dois canais ímpares influem nos outros canais pares, na acupuntura).

Com a prática dessa técnica de retenção do Ki, pode-se fazer uma brincadeira que é usada em demonstrações de artes marciais, quando uma pessoa normalmente magra é levantada facilmente por outra mais forte, mas quando essa mesma pessoa se concentra e direciona seu Ki para baixo, “enraíza” no chão e aparentemente dobra de peso, só sendo levantada novamente com grande esforço físico.

Na verdade o que ocorre é o seguinte: quando alguém tenta nos levantar e concentramos no Tanden, nós dirigimos – mentalmente – o nosso Ki para baixo, para os pés e para a terra.

Assim, a força do nosso adversário é direcionada para baixo pela força do nosso fluxo – da nossa energia indo para baixo – então o nosso adversário está nos “empurrando” para baixo e não para cima, como ele pensa que está. Para ele superar este fluxo terá que desprender bem mais energia do que o necessário para nos levantar do solo. É um redirecionamento da força do oponente (a base do Aikidô).

Uma outra técnica que todos podem fazer diariamente para aumentar gradativamente o Ki é o Resshu Gamae, uma técnica de centralização de energia. Você assume essa postura ereta, com os joelhos levemente flexionados, como se estivesse abraçando o tronco de uma grande árvore. As palmas das mãos espalmadas, viradas para dentro, e cujos dedos apontam um para o outro, sem se tocar.

Comece fazendo isso por 5 minutos ao dia, por 15 dias. Depois passe para 10 min. ao dia por mais 15 dias, e depois 20 min. por mais 15 dias. Depois disso você já pode sair por aí soltando Hadouken, Leigan, etc.

No Japão, diz-se que os mestres em caligrafia, espada, cerimônia do chá ou artes marciais “atuam a partir do Hara“, ou seja, não precisam de esforço para fazê-lo (algo próximo ao nosso “saber de cor“). Professores budistas orientam seus estudantes a centrar suas mentes no Tanden, que ajuda a manter sob controle os pensamentos e as emoções. “Atuar a partir do Tanden” no budismo é o equivalente ao estado de Samadhi.

Referências nos links abaixo:

O conceito de Chi;

Qi e Energia: Tradução, Tradição, Traição;

Confusão do chakra esplênico com o sacro;

A Importância do Musubi

Colaboração: www.saindodamatrix.com.br


Ukemi e a função do medo – Por Rubens Caruso Jr.

17 Julho 2009

Normalmente enxergamos a função do Uke como sendo simplesmente ser imobilizado, arremessado ou ferido. Nada poderia estar mais distante de sua verdadeira função durante o treinamento. Aprender a receber corretamente uma determinada técnica, proporcionando ao parceiro a possibilidade de estudá-la corretamente é algo realmente difícil.

Geralmente cedemos com relutância nosso corpo ao parceiro, esperando somente nossa vez de executar a técnica. Agindo dessa forma impedimos o crescimento de nosso parceiro e o nosso próprio, e pior ainda, acabamos por cultivar os sentimentos mais baixos como o ódio, o rancor e a vingança. . . Acabando por passá-los também ao parceiro, criando assim um círculo vicioso que somente terá fim com a destruição de ambos.

Muitas vezes durante o treinamento colocamos o fardo de nossa própria segurança excessivamente sobre os ombros do Nague, culpando-o por nossa falta de naturalidade e capacidade que muitas vezes vem de uma total falta de vontade em doar-se.

Aprender a receber um Ukemi leva muito tempo, mas certamente levará uma eternidade se o Uke não aprender a doar-se completa e construtivamente à sua função. Quando digo doar-se, quero dizer que você deve ir além do conceito que tenha sobre suas próprias limitações, e somente conseguirá isso cultivando a modéstia e a sinceridade além de uma atitude de cooperação.

O medo faz parte de nosso dia a dia, o Ukemi ensina não como extingui-lo, mas sim visualizá-lo como realmente é, nos possibilitando usá-lo de uma forma construtiva em nossa vida. Normalmente o receio de nos ferir faz com que acabemos por agir de uma maneira destrutiva para com os outros, utilizando como ferramentas os sentimentos como o ódio, rancor, repulsa e inveja. O verdadeiro estudo do Ukemi cultiva valores mais elevados, que nos conduzem à uma compreensão da verdadeira função do medo em nossa vida.

Abaixo coloco algumas indicações que consegui nos últimos anos, que podem ajudar à aprimorar sua arte do Ukemi e conseqüentemente seu Aikidô:

1) Enquanto iniciante esforce-se para aprimorar as qualidades físicas de seu Ukemi. É através dele que você alcançará uma compreensão melhor do coração do Aikidô.

2) Logicamente existem barreiras físicas e psicológicas difíceis de serem superadas mas não impossíveis, confie em seu instrutor, aprender a doar-se também significa aprender a confiar.

3) Quando mais experiente, aprimore-se a ponto de não opor uma resistência negativa ao Nague, mesmo que ele tente ferir-lhe aprenda a envolver-lhe no calor de seu coração transformando sua atitude de destruição em uma atitude de crescimento mútuo.

4) Cultive a entrega de si mesmo ao aprimoramento não seu, mas de seu parceiro. Isso lhe abrirá portas que jamais sonhou existirem.

* Rubens Caruso Júnior – 4° Dan de Aikidô – Aikidô Nova Era

Colaboração: www.aikidonovaera.com.br


Ouyouwaza e Henkawaza – Por Hiroshi Ikeda

16 Julho 2009

“Isso realmente funciona?” O ideal de qualquer budoka é ser capaz de executar técnicas eficientes.

Na desafiante busca pela técnica eficiente, há duas palavras japonesas – ouyouwaza e henkawaza – que descrevem conceitos essenciais para que “a técnica realmente funcione”.

Em termos simples, ouyouwaza é o estudo de como tornar uma técnica efetiva, ou como conseguir realizar o trabalho. É parecido a usar um copo de bebida para guardar uma flor, quando não há um vaso disponível; ou como temperar um prato com molho de soja, quando o saleiro está vazio. O aspecto de adaptação e/ou mudança está inerente à definição de ouyouwaza, e uma certa intenção está implícita. 

Henkawaza é de certa forma mais claro e refere-se ao estudo de como uma técnica muda para outra – ikkio em nikyo, por exemplo, ou ikkio em shihonague. Henkawaza entra em nosso treinamento quando começamos a aprender como mudar espontaneamente de uma técnica para outra, quando percebemos que a primeira técnica não é efetiva em certa situação. Por exemplo, podemos começar uma técnica, porém percebemos que nosso parceiro está resistindo – assim mudamos nossa técnica para usar esta resistência para transformar a técnica em outra.

Embora não possamos claramente recorrer à um destes dois conceitos durante nosso treinamento no budô, as chances são que todos os estudantes têm deparado-se tanto com o henkawaza como com o ouyouwaza durante a prática diária.

Pode-se dizer que ouyouwaza é a próxima fase depois do kihonwaza (técnica básica). É necessário anos para estabelecer nosso repertório básico, aprendendo a executar com confiança o passo a passo, movimentos básicos do kihonwaza – e no final alterar livremente estes e engajar-se na fascinante pesquisa de como “fazer o budô funcionar em uma situação real”.

Todos nós sabemos que em uma seção típica de treinamento, nosso parceiro está, na maior parte do tempo, cooperando e recebendo ukemi de nós. Porém, quando nosso parceiro ou oponente decide experimentar resistindo com força muscular ou o “centro,” aprendemos uma dura lição – “Isto não funciona.” Nesta situação, temos de ser capazes de extrair algo de tudo que aprendemos até então, a fim de tornar nossas técnicas eficientes com parceiros não cooperativos.

Ouyouwaza e henkawaza se misturam um pouco no significado, ambos significam técnicas que cultivam a habilidade de pensar livremente e mover-se sem restrição/força. Em nosso escolhido Budô, treinamos para conseguir esta abertura, fluida intenção/tendência através do treinamento de randori (estilo livre), kumite (disputa) e o treinamento de shiai (competição). O mérito destas práticas é que elas todas exigem e reforçam a consciência flexível, enquanto demonstram a ilusão das técnicas especificas pré-concebidas. 

Tradução: Rubens Caruso Jr. – Aikidô Nova Era – www.aikidonovaera.com.br

Colaboração: www.bujindesign.com


Fontes Ideológicas das Artes Marciais Japonesas

10 Julho 2009

O Japão sempre foi fiel aluno e profundo admirador da cultura da China e da Coréia. Importou da China o budismo, o confucionismo, as artes, a escrita, o sistema político, instrumentos musicais, usos e costumes.

Os coreanos ensinaram a arte da fundição, da arquitetura, da carpintaria e incentivados pelo príncipe Shotoku, a escrita chinesa kanji foi ensinada pelo mestre coreano Wang-I aos iletrados japoneses do século VI, como instrumento necessário para o aprendizado do budismo.

Discípulo aplicado, o japonês entendeu a natureza da sua alma e o conforto espiritual que lhe proporcionava a doutrina que falava da salvação pela iluminação, ou seja, pelo conhecimento. Mais ainda, moldou sua personalidade, sua cultura, seu modo de falar, de se relacionar com as pessoas pelos cânones budistas. Não há no budismo nenhum mandamento. Nada obrigatório, nada mandatário, nada no imperativo. Não há nem mesmo Deus ou deuses. Há apenas caminhos apontados. Buda, que significa apenas “O Iluminado”, dizia que o caminho natural de todo ser humano é atingir o estado de Buda. E para isso, apontava caminhos, mas nunca obrigou ninguém a trilhá-los, nunca sequer disse que o que pregava era uma religião. Dizia apenas que a salvação do homem só se dá pela compreensão das quatro nobres verdades, segundo a tradição Theravada.

“A vida é cheia de sofrimento”;

“O sofrimento provém da ânsia”;

“O sofrimento pode terminar se eliminar a ânsia”;

“O meio de atingir a paz interior (nirvana) é através das oito vias sagradas”.

“As oito vias sagradas são ditas a senda óctupla dos três treinamentos superiores: Sabedoria, Ética e Meditação”.

Derivada do budismo, a tônica do zen-budismo é a integração com o todo pelo fazer e pela meditação. A ação existe como recurso para esvaziamento da mente. Não se fala, não se pensa, faz-se o mais perfeito porque o corpo é apenas expressão da alma. Ao falar e ao pensar, estamos conscientes, ocupando, portanto, parcela muito pequena das nossas mentes grandemente mergulhadas no insondável inconsciente. No gesto e na ação perfeitas, fora do consciente, revela-se a perfeição do inconsciente, a perfeição da alma. 

O xintoísmo é a religião primitiva do Japão. Nasceu da relação do homem com a Natureza, seus sentimentos, crenças e superstições, por isso, é animista e panteísta. Tudo é dotado de alma, há divindades para tudo: florestas, águas, rios, mares, árvores, pedras, entes falecidos etc. Assim, o nipônico primitivo tornou sagrados os elementos que amava e respeitava.

Dentre todos os elementos da Natureza, o ser humano é o único ser passível de veneração, porque nasce de deuses celestiais. Nos lares, o japonês venera seus ancestrais num pequeno santuário de madeira, oferecendo-lhes água e a primeira porção da comida. Contrariamente ao budismo, não há ensinamentos no xintoísmo, apenas uma mitologia escrita em 712 no Kojiki (Relato de coisas antigas) e em 720 no Nihonshoki (Crônicas do Japão). Há inúmeras divindades, mas nenhuma necessidade de igreja ou templo.

Antigamente os japoneses cercavam um pedaço do terreno com a corda de palha trançada (shimenawa) e ali celebravam suas cerimônias xintoístas. O visitante que quisesse reverenciar a divindade máxima no altar de um santuário xintoísta, seria levado pelo sacerdote ao altar onde há apenas um espelho. “Tipifica o coração humano que quando perfeitamente plácido e claro reflete a própria imagem da Divindade”, explica Inazo Nitobe. Não se pode ensinar o xintoísmo porque não há o que ensinar: nem doutrina, nem mandamento, apenas a mitologia narrando a origem do arquipélago e do povo japonês. Só se aprende o xintoísmo pela convivência e pelo exemplo, afirma Yunagita Kunio, um dos maiores estudiosos da cultura japonesa.

Do sábio chinês Confúcio (Kung Fon Tzeu) o japonês aprendeu a ética social, o respeito à hierarquia familiar e à da sociedade. Confúcio ocupava-se unicamente do presente; nada ensinava da vida além-morte. Em comum com o budismo, o confucionismo prega a sabedoria e a benevolência, além da justiça, honestidade e sentido da propriedade. 

Toda arte japonesa ao harmonizar corpo, mente e espírito, reflete os princípios religiosos expostos. Não há a perfeição como objetivo a ser atingido. A concepção de perfeição é zen-budista: está no buscar, no caminhar, por isso, grande parte das artes japonesas, têm a finalização (caminho). Shodô é o caminho da escrita, kadô, o caminho das flores ou dos arranjos florais também conhecido como ikebana, kadô, com outro kanji para “ka” significando poesia, é o caminho da poesia ou a arte do poeta, butsudô, o caminho dos ensinamentos budistas, sadô ou chadô, o caminho do chá ou a arte da cerimônia do chá, kendô, o caminho da espada, aikidô, o caminho para harmonia do espírito, judô, caminho suave ou caminho da luta suave, karatê-dô, caminho da arte marcial de mãos vazias. Mesmo que se repute perfeita a arte, o mestre se considera apenas no caminho porque cada execução é única, irrepetível, irretocável, produto do estado de alma naquele exato instante. E executa-se porque o enlevo da alma é também único para cada instante.

A cultura japonesa considera natural trilhar o caminho do aprimoramento da alma. A arte é apenas um dos meios para isso. O xintoísmo moldou as artes ensinando o respeito e a necessidade de convivência com o próximo para nosso aperfeiçoamento como homens. Para os praticantes das artes marciais japonesas, o local de treinamento, é como no xintoísmo, terreno sagrado, merecedor de respeito e reverência. É local de aprendizado e elevação espiritual, para o que as lutas são meros instrumentos, por isso, é muito natural que lutadores de aikidô, judô, sumô, kendô ou outra arte marcial reverenciem o local da prática e o adversário, antes e depois da luta. Natural também que as regras éticas tenham moldado as regras esportivas, surgidas depois.

Produto cultural dessa ideologia, tudo ligado ao conhecimento e àquilo que nos aprimora, é respeitado e venerado: as escolas, os livros, os professores, os santuários, os templos, a prática de qualquer arte que eleve, instigue nossa sensibilidade estética, como na poesia ou pintura, ou dê paz espiritual ao homem, como na arte do bonsai ou da cerimônia do chá. Os professores ou aqueles que ensinam gozam de alta reputação social. Sensei (professor), além de ser pronome de tratamento para quem ensina, é pronome altamente respeitoso, equivalente a doutor para nós brasileiros.

Referências Bibliográficas:

Michiko Yusa – Religiões do Japão – pag 31 – ed 2002 – Edições 70 – Lisboa – Portugal

Inazo Nitobe – Bushidô – a alma de samurai – ed pag 16 apud in Benedito Ferri de Barros – Japão – harmonia dos contrários – ed 1988 – página129

Para saber mais: D. T. Suzuki e Erich Fromm – Zen-budismo e Psicanálise

Para saber mais: op cit Michiko Yusa e Xintoismo e Edmond Rochedieu – Editorial Verbo ed 1982 Lisboa/Portugal.

Colaboração: www.aikikaizen.com.br


Aikidô é Saúde – Pelo Kleber Soares de Araújo

9 Julho 2009

O Aikidô ajuda a alcançar a harmonia do corpo e do espírito. Assim, como outras disciplinas com origem no Oriente, o Aikidô tem por base e objetivo a unidade do homem.

Quais as vantagens do Aikidô?

A prática de esportes de modo geral trás benefícios tanto, físicos como psíquicos. Assim, também o Aikidô auxilia nestes campos, porém vai mais além. O desenvolvimento de virtudes muitas vezes esquecidas em nossa sociedade também é estimulado com a prática do Aikidô, estamos falando não apenas de ganhos físicos, mas de ganhos morais e de disciplina e de melhor interação com o ambiente que nos cerca. A verdadeira competição na prática do Aikidô é a competição com você mesmo, para que você passe a se conhecer melhor e possa optar por quebrar seus limites respeitando o seu próprio tempo.

O que diferencia o Aikidô?

O Aikidô também é conhecido como a arte da não violência. Os movimentos do Aikidô buscam a não resistência, utilizando os movimentos e a intenção do agressor para conduzi-lo de forma não traumática até um estado em que ele possa refletir melhor sobre a situação e que o equilíbrio volte a ser encontrado. A preocupação em não lesar ou traumatizar o agressor é base para uma boa prática.

Quem pode praticar Aikidô?

O Aikidô pode ser praticado por quase todo mundo. É praticado tanto por crianças, como por idosos e tanto por homens, como por mulheres. A única consideração de deve ser feita é em relação ao fato de que você deve procurar um dojô (local de prática) que tenha credibilidade em sua cidade e sempre conversar com o Sensei (instrutor) sobre as suas expectativas antes de iniciar a prática. Devendo sempre se lembrar de que deve realizar uma consulta ao seu médico antes de iniciar qualquer atividade física regular para que este possa autorizar e orientar sobre quaisquer limitações que você deva comunicar ao seu instrutor.

Qual a relação do Aikidô com a minha saúde?

O Aikidô auxilia na saúde do praticante não apenas no que concerne ao condicionamento físico e cardiovascular, e aumento da flexibilidade, mas melhora a saúde do praticante num sentido mais amplo permitindo uma sensação de bem-estar e equilíbrio com o ambiente que o cerca. Permite uma compreensão mais ampla do indivíduo e sua interação com o universo. O praticante de Aikidô apresenta uma postura mais ativa, prioriza naturalmente valores morais e através da disciplina atua em seu microcosmo trazendo mudanças e benefícios não só para si, mas também para os que o cercam. O praticante de Aikidô sente-se mais saudável e mais equilibrado.

* Kleber Soares de Araújo – Médico em Piracicaba/SP – CRM 11852.

 Referências bibliográficas:

Georges Stobbaerts – Aikidô – Harmonia do Corpo e do Espírito.

A.Westbrook, O.Ratti – Aikidô and the Dynamic Sphere.

Kishomaru Ueshiba – O Espírito do Aikidô.

 

Colaboração: www.aikikaizen.com.br


I M P R E S S Õ E S – 1° ANO DE SUCESSO

2 Julho 2009

O Blog I M P R E S S Õ E S está em festa. Na data de hoje, 02/07/2009, o Blog completa seu primeiro ano de sucesso.

Em 02/07/2008 o Blog foi ao ar com o objetivo de ser mais uma opção para debates acerca de assuntos da Atualidade, Aikidô, Artes Marciais, Cultura,  Direito, Espiritismo, Notícias e Trabalho Voluntário.

Depois do seu 1° ano de vida O Blog confirma que o objetivo foi alcançado e agradece aos mais de 20.885 acessos. Reforça ainda que, em continuidade ao trabalho apresentado, continuará divulgando os melhores textos para os melhores leitores.

I M P R E S S Õ E S agradece a sua visita.

By IMPRESSÕES – www.impressione.wordpress.com


Shomenuchi Ikkyo – Contrário aos princípios do Aikidô? – Por Stanley Pranin

2 Julho 2009

Shomenuchi ikkyo é provavelmente a técnica mais praticada do Aikidô. Muitos instrutores vêem essa técnica como o pilar do Aikidô básico e frequentemente começam a prática em suas aulas com shomenuchi ikkyo omote. Além disso, é dito que o fundador ensinou muito essa técnica tanto antes como depois da guerra.

Como essa técnica é tipicamente praticada hoje em dia nos dojô(s) de Aikidô? O ukê inicia o ataque com um golpe shomenuchi contra o tori. O tori recebe o golpe, empurra o braço do atacante para trás ou para o lado enquanto dá um passo com o pé de trás para desequilibrar o atacante, e finalmente aplica o ikkyo. Esta é, claro, uma maneira muito simplificada de descrever o que é de fato um complexo processo físico, mas qualquer aikidoka reconhecerá o padrão de movimento que descrevi.

Eu tenho praticado esta técnica por anos, como está descrita acima, em aulas com diversos professores. Eu sempre considerei shomenuchi ikkyo omote difícil de ser executado com perfeição porque a coordenação do momento de se encontrar com o ataque shomenuchi é o ponto crítico. Se o praticante estiver um segundo atrasado ao responder o golpe de ataque, a técnica pode se tornar um choque de forças opostas que termina com uma batalha para se determinar quem tem o movimento de quadril mais estável ou maior força nos braços e ombros. Ela contrasta com outras técnicas básicas do Aikidô como yokomenuchi shihonage, munetsuki kotegaeshi, e várias outras, em que o objetivo é se retirar da linha de ataque, se unir à energia que se aproxima, e então aplicar uma técnica apropriada e depois uma imobilização. Nestas a força não é o mais importante porque a técnica não envolve confrontação direta. Estas técnicas são claramente do “tipo aiki” em suas manifestações físicas. 

Por muito tempo eu atribuí minha dificuldade em executar o shomenuchi ikkyo à minha inabilidade de compreender o conceito fundamental ou à minha técnica ainda fraca. Então, em 1973, 11 anos após começar no Aikidô, eu entrei em contato com um método diferente de prática. Passei um mês em Shingu, na prefeitura de Wakayama, treinando com Michio Hikitsuchi Sensei. A forma que o Sensei Hikitsuchi adotava se dava com o tori realmente iniciando a técnica, executando um atemi contra a cabeça do ukê. O ukê, apesar de ser quem seria arremessado, era forçado a proteger sua cabeça bloqueando o atemi, e então, estando desequilibrado, ele seria facilmente arremessado. Praticar dessa maneira era novidade para mim, e não gostei disso. O ritmo do treino era muito rápido, e, no papel de ukê, assim que me levantava de uma queda, a mão do meu parceiro já estava novamente no meu rosto. Eu pensei “como isso pode ser Aikidô, se eu, o atacante, estou sendo atacado”?

Alguns anos depois, em 1977, eu me mudei de vez para o Japão, e treinei no Dojô de Iwama com Morihiro Saito Sensei. Lá o shomenuchi ikkyo era praticado de maneira semelhante. O tori iniciava a técnica com um atemi, o ukê bloqueava e era então arremessado e imobilizado. Saito Sensei declarou que era assim que a técnica era ensinada pelo fundador Morihei Ueshiba nos anos que se seguiram a segunda Guerra Mundial. Finalmente eu me acostumei a praticar o shomenuchi ikkyo desta forma e não mais tive dificuldade em executar a técnica.

Mais tarde, em 1981, enquanto entrevistava um dos ushideshi de Morihei Ueshiba Sensei de antes da guerra, eu vi pela primeira vez o manual técnico Budô ao qual sempre nos referimos nas páginas do Aiki News. O Fundador descreve a execução correta do shomenuchi ikkyo com as seguintes palavras: “1) avance com a perna direita e ataque o rosto do parceiro com a mão direita. Seu parceiro bloqueia com a mão direita. 2) Segure o pulso direito do parceiro com sua mão direita e seu cotovelo firmemente com sua mão esquerda. 3) Movendo o quadril, traga o braço do parceiro de forma espiral para baixo na sua frente, então dê um passo largo com sua perna esquerda. 4) Puxe a sua perna direita em frente. 5) Pressione seu joelho esquerdo contra a área da axila direita do parceiro e com a mão direta segurando seu pulso, estenda o braço do ukê e faça a imobilização.” (AN#48, pp. 8-9).

É claro que o fundador praticava esta importante técnica básica em 1938 quando Budô foi publicado. Alguns dizem que as técnicas publicadas neste manual representam o aiki budô de antes da guerra, e que as técnicas do fundador mudaram após a guerra. Eles estão certos, mas só até certo ponto. Existem claras evidências de que Ô-Sensei ensinava muitas técnicas básicas de Aikidô de uma maneira muito semelhante ao seu estilo anterior à guerra mesmo depois, durante o período de Iwama e ao menos até meados de 1950. Nos filmes do fundador durante seus últimos anos, ele executa o shomenuchi ikkyo omote sem mover muito os pés, mas ele nunca espera muito pelo atacante para desferir um poderoso ataque sobre a cabeça. Ele está sempre à frente do ataque e nunca se choca com o ukê. Eu atribuo a falta de um claro trabalho de pés e de taisabaki neste ultimo estágio de sua vida à sua idade avançada e dificuldade de se mover livremente como antes.

Pessoalmente, eu considero as explicações do fundador sobre as técnicas básicas contidas nas páginas do Budô e como ensinadas no período de Iwama como sendo a “gramática” do Aikidô. O Aikidô pode agora ser raramente ensinado desta forma, mas nossa compreensão histórica da arte avançou a um ponto em que a técnica e a metodologia pedagógica de Morihei Ueshiba estão bem documentadas. E fica evidente que estes métodos ainda são considerados importantes, visto a recente autorização do Doshu Kisshomaru Ueshiba para a publicação de uma tradução para o inglês do Budô, pela prestigiosa editora Kodansha. Além disso, espera-se para breve uma reedição do livro em japonês.

O Aikidô, devido às suas características próprias como uma arte marcial ética, parece destinado a atrair muitas pessoas pelo mundo. Como tal, seu conteúdo técnico passará por uma análise detalhada e a arte será comparada às outras artes marciais. Se técnicas feitas como se fossem uma dança e praticadas de maneira descuidada, que contrariam as bases marciais fundamentais do Aikidô de Morihei Ueshiba, forem usadas como exemplo para tais comparações, temo que o Aikidô será considerado despido de um sentido técnico. Praticantes avançados de Aikidô, e particularmente quem tem um dojô sob sua responsabilidade, tem o dever para com eles mesmos e para com a arte de reavaliar o conteúdo de seu treinamento constantemente. Os ataques durante a prática são sinceros e fortes? O equilíbrio do atacante é quebrado antes que se aplique pressão ou antes da execução de uma queda? A queda é bem executada e seguida de um movimento de imobilização eficiente que impede qualquer fuga? Essas coisas devem sempre ser lembradas. E, finalmente, apesar de não podermos aprender diretamente do fundador, seu legado permanece para todos os que buscam explorar a genialidade de suas teorias e técnicas.

Tradução: Jaqueline Sá Freire – Hikari Dojo – RJ

Colaboração: www.aikidojournal.com


O valor do silêncio – Por Charles Richet

22 Junho 2009

 “Eu não tenho espada, faço da minha calma e silêncio espiritual minha espada.” - Tradição oral Samurai 

Silêncio… o que é silêncio? Qual é sua natureza, aplicação e repercussão? O silêncio é uma constante japonesa, não uma prática, é algo já arraigado, é o normal, não o almejado nos meios tradicionais. É de muito mau gosto ou ignorância interromper uma ação ou um estado natural de quietude com algum comentário desnecessário e/ou fora de contexto. Mas vamos com calma, parcimônia e sabedoria, afinal, somos brasileiros, fora deste contexto oriental.

Silêncio, do latim silentiu, do dicionário Michaelis: “3 Abstenção voluntária de falar, de pronunciar qualquer palavra ou som, de escrever, de manifestar os seus pensamentos”. Sileo- silentium, que significa: estar em repouso, tranqüilidade, descanso, ausência de qualquer estorvo.  Etimologicamente, a palavra silêncio remete a silentium, silere, cujo significado encontra-se em sileo, cujo sentido é calar, omitir-se. 

O silêncio é um meio de aprendizado comum ao budô. A partir do silêncio interior o aluno coloca-se pronto a receber o conhecimento oferecido pelo mestre. Ao postar-se em silêncio e perceber com consciência o que é demonstrado, o deshi tem uma condição melhor de internalizar o que é ministrado. Assim sua percepção sobre a natureza da prática amplia e amadurece. 

No dojô de Aikidô, assim como em Nihon no Dojô, silêncio é algo essencial. O aluno não deve manifestar-se se não foi requerido ao mesmo. Aqueles que chegam ao dojô no meio de uma aula já em curso não devem comunicar-se com os que já estão praticando e o mesmo vale aos que estão no tatame, não devem dar boas vindas e outras expressões.

Durante a prática o sensei e os alunos mais graduados devem ser respeitados em suas orientações, não precisando contar com uma segunda voz ao guiar uma instrução. Se seu sensei chegou perto de você durante uma orientação que você possa estar passando a um companheiro, silencie-se e deixe que o sensei, que atenho certeza é o mais qualificado, observe e oriente as dúvidas de seu parceiro, e as suas TAMBÉM. Não chame o sensei, não use o imperativo, ex. “repita isso para mim sensei; sensei faça isso”.

Sempre que for necessário tirar uma dúvida durante a prática espero o sensei chegar, e se nesse tempo ele demorar vá praticando o seu melhor e não se preocupe com a prática de seu companheiro, não interfira, não oriente, principalmente e muito principalmente se você não é instrutor qualificado. Particularmente, em nosso dojô o aluno que tem permissão de orientar superficialmente seus colegas tem desígnio público meu, sendo vedada essa prática a outros alunos, iniciantes, alunos graduados e alunos visitantes. Enfim, se você acha que pode orientar seu colega é porque ou você tem permissão do sensei ou é porque já tem conhecimento suficiente das regras do dojô e portanto deve esperar em silêncio e quietude. Lembre-se: não interrompa o sensei, seus kohai e senpai, não converse, treine, treine e treine mais. 

Charles RichetFukoshidoin, instrutor auxiliar e faixa-preta 2° grau,  com ambas certificações conferidas pelo Hobu Dojô – Aikikai

Colaboração: www.portalaikido.com.br


Quem foi KISHOMARU UESHIBA ?

18 Junho 2009

Kishomaru Ueshiba foi o filho caçula de Morihei Ueshiba, fundador do Aikidô. Nasceu na cidade de Ayabe no dia 27 de Junho de 1921.

Kishomaru começou a treinar seriamente enquanto era adolescente no ano de 1937 e, em 1938, já aparecia recebendo ukemi de seu pai no livro BUDÔ. Ele se tornou o diretor do Kobukan Dojô enquanto ainda estudava na universidade em 1942, logo após a retirada de seu pai para Iwama. Em 1946, se formou pela universidade de Waseda em Economia.

Depois da guerra, no começo de 1948, Kishomaru supervisionou o desenvolvimento do novo Aikikai Hombu Dojô. Ficou empregado por alguns anos em uma empresa de seguros até largar este emprego definitivamente em 1955 e dedicar-se totalmente ao crescimento da Aikikai. Em 1957, Kishomaru publicou seu primeiro livro sobre Aikidô que tornou-se um sucesso sendo editado diversas vezes. Desde então, ele foi autor de mais de 20 volumes sobre a arte.

Em 1963, Kishomaru fez sua primeira viagem internacional para os Estados Unidos e, subsequentemente, viajou em diversas ocasiões para a América do Norte, do Sul e Europa. Kishomaru Ueshiba teve papel fundamental na expansão e divulgação da organização Aikikai em torno do mundo. Sua influência técnica também foi muito grande.

Kishomaru gradualmente modificou o currículo técnico da Aikikai reduzindo o número de técnicas ensinadas e padronizando a nomenclatura. O seu estilo de movimentos fluídos ainda é utilizado em diversos dojôs.

Após a morte de seu pai em 1969, Kisshomaru herdou o título de Doshu que significa “O Guardião do Caminho.”

Kishomaru esteve em visita ao Brasil nos anos de 1978 e 1990.

No dia 04 de Janeiro de 1999, Kishomaru faleceu aos 77 anos.

Colaboração: www.aikidobr.com.br


Não é para todos… mas todos podem! – Por Charles Richet

3 Junho 2009

Seja grato mesmo diante de todos os sofrimentos, recuos e más pessoas. Lidar com tais obstáculos é uma parte essencial do treinamento da Arte da Paz“. Morihei Ueshiba – Fundador do Aikidô.

Escolher fazer algo, gozar dos benefícios e assumir com as cargas e responsabilidades é uma atitude coerente. Por exemplo: querer tomar sorvete sem a baixa temperatura do gelo é incoerente. Apaixonar-se sem querer se machucar é ilusão. Estar no mundo já é um processo com riscos, os riscos inerentes a existência humana. Treinar uma arte marcial não é diferente. As pessoas hoje não querem assumir riscos e responsabilidades, não querem plantar para colher, não querem se sujar, não querem esperar, não querem sentir dor… dor… dor faz parte do treinamento sério.

Há muita confusão em torno da afirmação “Arte da Paz”. “Arte da Paz” é algo complexo e simples, um paradoxo, porém essa afirmação pode ser entendida por todos aqueles que se entregarem ao afinco do treino e estudo sérios, tradicionais.

Escrevo esse relato para dar noção dos dois dias de treino que tive em São Paulo, dias 17 e 18 de março, com Leonardo Sodré Sensei. Leonardo Sensei, 3º Dan, é aluno de Ono Shihan, 7º Dan. Leonardo Sensei é destacado por ter em seu currículo cinco estágios no Hombu Dojo Aikikai de Tóquio, e mais estágios no Summer Camp de Nova York e na academia de Shibata Sensei em Berkeley. Ele treina e ensina Aikidô profissionalmente.

Fui a São Paulo pela amizade e pelo profissionalismo, “treinar com outro profissional”. Quatro horas de treino na terça e três horas na quarta, sendo uma delas uma aula particular em suwari waza por uma hora. Nestes treinos eu tive contato com muitas limitações físicas e técnicas, mas também pude ver o tanto que estou disposto a me entregar aos meus objetivos, os ônus e conseqüências de um treinamento sério. Acumulei ácido láctico como nunca havia feito em toda a minha vida. Porém é em momentos de exaustão física que muitas habilidades extras físicas ficam evidentes e se fazem necessárias. Mas todas essas técnicas só são internalizadas através do treino, mais treino e muito treino. Treinar, treinar e treinar.

As coisas verdadeiras, reais não são compradas, negociadas ou impostas. São reveladas, concluídas, intuídas, nascem da percepção interna. Em termos de Aikidô o treinamento é o caminho, não tem “cadeira do matrix” nem fórmula mágica. O treinamento em Budô/Aikidô serve a esses propósitos: desidentificação do ego, reconhecimento dos limites, expansão dos limites, cultivo de virtudes, autoconhecimento e burilamento do caráter. Não tem caminho fácil nem curto.

Treinar artes marciais é conviver com seu lado negro, conhecê-lo e a partir daí saber agir a partir do seu centro e não de seus instintos egóicos.  Para isso é preciso haver entrega, receber tanto o que é agradável como o não agradável. Mas claro: não estamos no Japão feudal, ninguém tem que cometer harakiri se desagradar seu mestre e nem aceitar os excessos dos instrutores. Hoje podemos escolher nossos mestres, e até mudar de mestre, porém devemos lembrar: o mundo exterior é em parte um reflexo do nosso ser interno e que para ser bom precisamos pagar um preço, o preço da entrega.

O treino sério em artes marciais não é para todos… mas todos podem praticar uma arte marcial.

Charles Richet – Fukushidoin, instrutor auxiliar, e faixa preta 2º grau, com ambas as certificações conferidas pelo Hombu Dojo Aikikai.

Colaboração: www.portalaikido.com.br


Eu, o Zen e o Aikidô – Por José Ribamar Lopes

1 Junho 2009

Tive uma experiência interessante na minha volta aos treinos de Aikidô, por estes dias. Embora meio fora de prática, tive um prazer imenso em treinar, como nunca tive em todo o tempo treinado. Lembro-me de antes, que quando estava no tatame, muitas das vezes estava com a mente distante; e ao contrário, quando estava distante, estava com pensamento no tatame, de modo que não vivenciava realmente a maravilhosa experiência do treino. Após os últimos 11 (onze) meses de estudo do Zen, da tradição do Thay, praticando a meditação, compreendi melhor o que o fundador do Aikidô – Ô-Sensei Morihei Ueshiba pretendia com união mente, corpo, espírito.

Após iniciado o meus estudos de meditação, foi uma experiência formidável treinar Aikidô, envolto em Plena Consciência. Já em casa, afastado dos treinos, busquei fazer os movimentos da arte marcial, atento a respiração, e já havia obtido uma excelente experiência. A verdade é que descobri o Zen no Aikidô.

Já tinha ouvido falar que o Aikidô era o Zen em movimento, mas não tinha ainda vivenciado a experiência. Até o famoso Ki, pude perceber real. O que para mim antes não passava de metafísica, passei a senti-lo no treino, embora não tenha ainda domínio sobre ele. Atento aos movimentos e a respiração, repetindo mentalmente “momento presente, momento maravilhoso“, torno-me mais atento as sensações do corpo e mente, não deixando me perder em pensamentos, e tornando mais presente ao treino e concentrado aos movimentos. Observo o relaxamento do corpo, cuidando-me para não permitir tensões no corpo, buscando a leveza natural do ser, indispensável à meditação e ao Aikidô. O objetivo é seguir no treino atento à forma correta. A perfeição marcial é a preocupação instrumental imediata, sendo a harmonização espirito/corpo/mente o objetivo final. E nesse momento o Aikidô e o Zen se confundem.

JOSÉ RIBAMAR LOPES – Servidor Público Estadual – 2º Kyu (Faixa-Azul) – Aluno da Academia Central de Aikidô de Natal.

Colaboração: http://umditoeumponto.blogspot.com/


O Ego e o Aikidô – Por José Ribamar Lopes

22 Maio 2009

Não cabe manifestação de ego no Aikidô. É seu pré-requisito a intenção de desprendimento ao sentimento egóico. Aikidô é, acima de tudo, arte de iluminação, e a iluminação nunca se dá em benefício de um único ser. Lembremo-nos que Ô-Sensei era extremamente religioso, e este sentimento foi fundamental na formação do Aikidô.

Não há harmonia com a natureza, preso há uma vontade individual. A natureza não tem vontade…ela é. Assim devemos ser no Aikidô, livres e fluidos. Se há vontade não há fluidez, não há harmonia, não há Aikidô, que é o caminho da harmonia pela energia vital.

Levados por sentimentos adquiridos nas atividades esportivas, bem como no nosso meio social competitivo, preocupamo-nos em demonstrar destreza, conquistar graduações, obter destaque… Trabalha contra nossa prática a comparação com os outros, o objetivo de sermos os melhores. A busca da superação deve ser sobre nós mesmos. A melhora obtém-se no aperfeiçoamento, que requer desprendimento e entrega à prática. Portanto, não há entrega se há apego, que são opostos entre si.

No Aikidô há reverências, submissões a regras e posturas, a conduções; há humildade. Se nossa preocupação ainda é com a obtenção da graduação, a exibição da já conquistada, o aprendizado de uma técnica que nos faça bom de briga, talvez devamos tornar a buscar informações sobre a história do fundador, que migrou seus estudos da marcialidade para a espiritualidade, do Jutsu para o Dô. Assim procedendo, talvez compreendamos o significado da arte por você escolhida, e sejamos praticantes mais tranquilos e felizes, entregue as rotações naturais.

Nesse sentido, a lição do fundador:

A Arte da Paz é o remédio para o mundo doente. Há maldade e desordem no mundo porque as pessoas se esqueceram que todas as coisas vieram de uma única força. Voltemos para essa fonte, deixando para trás todo pensamento egoísta, desejos mesquinhos e raiva. Aqueles que não possuem nada possuem tudo“.

Se você não tem nada que o ligue ao verdadeiro desprendimento. Você nunca entenderá A Arte da Paz“.

José Ribamar Lopes – Servidor Público – 2º Kyu (Faixa-Azul) – Aluno da Academia Central de Aikidô de Natal.

Colaboração: http://umditoeumponto.blogspot.com/


Sobre a Arte da Paz – Por Morihei Ueshiba

15 Maio 2009

A Arte da Paz começa em você. Trabalhe consigo mesmo e com a tarefa que lhe foi consignada na Arte da Paz. Todos temos um espírito que pode ser refinado, um corpo que pode ser treinado de certa maneira, uma senda conveniente a ser seguida. Estás aqui com um único propósito de dares conta de tua divindade interior e manifestar a tua iluminação inata. Alimente a paz em tua própria vida e aplique logo a arte a tudo o que encontrares.”

Ô-Sensei Morihei Ueshiba – Fundador do Aikidô

 

Colaboração: www.impressione.wordpress.com  


O Praticante Sincero – Por Roque Vargas Sensei

14 Maio 2009

Entre os grandes legados que o Aikidô desenvolve nos seus praticantes “sinceros” estão a proatividade e a autodeterminação, chamo de praticante sincero, àquele que pratica o Aikidô com o coração, com a cabeça e com o corpo, quando há uma entrega total ao aprendizado. 

Num dia destes recebi uma mensagem pela internet, uma das poucas que recebemos com um cunho positivo e proveitoso, ela falava sobre a quantidade de pessoas que tem neste mundo que ficam só criticando e esperando que alguém faça o que ela acha que deve ser feito, o texto fala que: “Há muito, mas muito mais gente para comer o bolo do que gente para fazer o bolo. E às vezes aqueles que só comem o bolo ainda reclamam do gosto, mas continuam comendo e não ajudando. Sempre há mais gente para almoçar e menos gente para lavar a louça. Mais gente para assistir e reclamar do espetáculo, do que gente para montar a sala, carregar as cadeiras, varrer, limpar, organizar etc”. 

Porém o que tenho observado nestes 20 e poucos anos de ensino e prática do Aikidô, é que esta proporção é justamente o inverso no Aikidô, principalmente, entre os praticantes que chegam à graduação de 1º kyu em diante, posso dizer que, neste grupo, apenas uma pequena minoria se encaixaria naquela frase. 

Entre os novatos e os intermediários, acredito que a maioria seja como no texto citado, e isto vai aparecer muito fácil no movimento destas pessoas, na prática delas dentro do tatame, nas suas dificuldades de ter uma pronta resposta aos estímulos e a tomar decisões rápidas. Mas no grupo mais antigo, mais graduado, isto se inverte. Por isto tenho certeza, que tudo que alcançamos até hoje em termos de organização, foi pelo somatório dos esforços dos praticantes sinceros, e o número destes felizmente vem crescendo nos últimos tempos. 

Se hoje, este despertar de consciência tem o seu maior número a partir das graduações altas, sonho em ver o dia em que isto venha a ocorrer, já a partir das graduações intermediarias 3º e 2º (Kyu), vale frisar que não ignoro o fato de que algumas pessoas já chegam ao Aikidô, com uma conduta dentro destes valores. 

Só para refrescar as idéias e reforçar a criação de um “memo” positivo, coloco mais um pedaço do texto que citei anteriormente.  “Se hoje há sombra e fruto é porque alguém plantou uma árvore e o ato de plantar implica um ato de fé, acreditar que vai, nascer, que vai crescer e que vai dar frutos. Alguém precisa cavar a terra, plantar, enfim dá trabalho. Hoje temos a sombra. Mas há sempre mais gente para sentar e usufruir da sombra e dos frutos do que gente para plantar. Precisamos de gente para plantar, gente para ajudar a fazer a bolo, gente para lavar a louça e para montar o espetáculo. Veja bem: SE VOCÊ QUER PARTICIPAR DOS RESULTADOS, ENTÃO AJUDE A PENSAR, AJUDE A MELHORAR AS COISAS. Como podemos melhorar o atendimento, como podemos diminuir os custos, como podemos aumentar a produtividade. Sentir-se parte é pensar, é fazer o que esta precisando ser feito, sem esperar que alguém venha lhe pedir, é comprometer-se.” 

As pessoas que adotam esta atitude, e este comportamento, além de estarem contribuindo para uma família melhor, para uma rua melhor, para um bairro melhor, para uma cidade melhor, para um país melhor, com certeza estão contribuindo para um mundo melhor. E, sem dúvida, ela e os seus estarão entre os beneficiados. 

E você meu amigo, que tipo de pessoa quer ser? Aquela que ajuda, colabora, pensa e dá o melhor de si? Aquela que ajuda a fazer o bolo? Ou quer ser daquelas pessoas que se sentam à mesa e ficam esperando alguém lhe servir uma fatia? 

* Roque Vargas Sensei – 5º Dan em Aikidô – Responsável pelo Aikidô no Rio Grande do Sul por designação do Shihan Kawai (Confederação Sul-Americana de Aikido) e Hombu Dojo – Japão. 

Colaboração: http://vargasaikido.blogspot.com/


Aikidô… ou quase Aikidô – Por Dennis Hooker

7 Maio 2009

As vezes me espanto com o que vejo ou leio sobre Aikidô. Muitas pessoas desejando dizer o que é e o que não é Aikidô. Ou que isso parece ser Aikidô “mágico”, que aquilo é um Aikidô eficiente para as ruas, ou que é um Aikidô de combate, ou que é um Aikidô para um pequeno grupo, ou que o professor é isso ou aquilo. Isso parece acontecer com quase tudo na comunidade do Aikidô. Mesmo dentro de um dojô freqüentemente existem várias opiniões diferentes sobre o que constitui o Aikidô. Eu tenho minha opinião baseada em meus treinos e minha experiência de vida assim como cada um de vocês.

O que torna a atividade em que estamos engajados Aikidô e não outra coisa? Seria o fato de que há apenas um pequeno número de técnicas no vocabulário? Seria nossa habilidade de arremessar o parceiro ou de causar dor e/ou ferimento em outras pessoas que torna isso Aikidô? Deixe-me oferecer uma observação de meu ponto de vista. Eu vou de dojô em dojô e encontro pessoas envolvidas com violência controlada que chamam o que fazem de “Aikidô”. Eu vejo faz-de-conta, graduados de “vida-ou-morte”, pretensos vencedores e pretensos perdedores. Tori usando apenas a força suficiente para causar dor ao uke ou para arremessar o uke, e o uke oferecendo apenas resistência suficiente para receber a dor ou para ser arremessado. Eu acho que isso é “quase Aikidô” ou “Aikidô razoavelmente bom” porque as pessoas fazem isso há anos e parecem felizes em continuar assim. O nage nunca usa toda a sua força por medo de causar ferimento ou morte ao uke. Assim a técnica do nage nunca é realmente verdadeira e o uke normalmente segue o nage sem oferecer muita resistência, ajudando o nage a se sentir poderoso e com domínio da técnica e o ukemi do uke nunca é verdadeiro.

Isso pode ser bom para o iniciante do Aikidô, quando o estudante está em estado reacionário, reagindo ao estímulo físico do ataque do nage. Neste estágio, uke e nage estão criando a forma. Isso é tudo em que eles deveriam se concentrar. Postura correta, distância apropriada e uma interação física forte resultando em uma técnica corretamente formada e executada. Isso deveria ser feito por tantos anos quantos fossem necessários para serem capazes de aplicar a forma da técnica sem ter que pensar (no desenvolvimento de um aluno de Aikidô, este estágio é “shu“.

Shu é o estágio em que o estudante continua repetindo o ato físico da técnica ou kata pelo tempo necessário para que o ato se torne inato, que dependendo do estudante pode levar anos. Entretanto deveríamos seguir para o próximo estágio do desenvolvimento, que é a “interação”. Neste estágio começamos a entender a função das formas e como elas se relacionam conosco e nossos parceiros. Uke e nage deveriam estar em condição de interagir espontaneamente e naturalmente implementando a forma suprema com a função. É nesse ponto que realmente começamos a fazer Aikidô, ao invés de fazer técnicas com as pessoas.

A função será uma coisa no início dos anos de treinamento, e será outra coisa ao final. Infelizmente, pelo que vejo, as pessoas ficam presas ao final da primeira parte desse processo de aprendizado porque ele tem poder sobre os outros com a forma técnica e domínio com a função técnica. Alguns atingem altas graduações, mas nunca deixam essa área porque é isso o que eles consideram como Aikidô, e isso se ajusta às suas necessidades. Não estou dizendo que eles não estão praticando Aikidô. Estou dizendo é que o que eles estão fazendo não é o que eu considero como sendo Aikidô, o que é muito diferente. Acredito que o Aikidô é suficientemente grande para incorporar muitos pontos de vista. Acredito que se deve continuar com o treino e trabalhar com a função da interação até que isso tenha um significado pessoal maior que a vitória sobre os outros. Com algum grau de maestria sobre as formas e função do Aikidô, a pessoa deve começar a sentir compaixão pelos outros. O desejo de domínio físico sobre outras pessoas deve começar a desaparecer. A habilidade permanecerá, é claro.

 Durante os anos de interação a função do Aikidô transforma um poderoso praticante de artes marciais em um ser humano hábil, confiante e compassivo. Neste momento temos maestria sobre a forma e internalizamos as funções até que se tornam como andar e respirar, e não são mais compartimentalizadas como marciais. No treinamento, esta seria a fase “ha“. Ha é o trabalho da análise das formas e funções (neste caso) do Aikidô.

Então é o momento de começar a “separar” forma e função para revelar o conteúdo da atividade e seu efeito sobre minha vida e avaliar o significado para mim e como isso se integra ao que eu sou. Aikidô se torna verdadeiramente meu quando passo do Aikidô reacionário ao Aikidô de interação, e agora estou pronto para o Aikidô proativo. Muitos chamariam este estágio do desenvolvimento do Aikido de “ri,” então vou chamá-lo assim também. 

Ri é o estágio de tornar o Aikidô “nosso”. Neste estágio, devemos estar prontos para explorar além das fronteiras do que aprendemos. Ri é o momento de abrir as asas e voar. Com o Aikidô proativo tanto o uke quanto o nage podem praticar com 100% de honestidade. Com confiança nas habilidades de cada um, o verdadeiro Aikidô pode acontecer. Não fazendo Aikidô “ao outro”, mas juntos, um com o outro, a maior parte do elemento perigo é muito reduzido. O Uke pode se propor a fazer um ataque honesto com 100% de força e não oferecer nenhuma ajuda ao nage, e o nage pode redirecionar toda a força sem se conter e sem ajudar o uke. Com o uke sendo sensível à intenção do nage e o nage sensível à intenção do uke (a intenção mudará para ambos durante a ação), o Aikidô pode acontecer.

As vezes as pessoas levam isso a extremos, não chegando nem remotamente perto do contato físico. Mas se o uke está sendo 100% uke e o nage está sendo 100% nage, e ambos usam suprema forma e função, então quem pode dizer que o conteúdo não é Aikidô? Apesar de não ser meu estilo, eu posso ver a verdade nesse treinamento. Ir ao dojô diariamente para receber dor também não é a minha idéia de treinamento de Aikidô. 

Meu lado durão que não levava desaforo para casa se quebrou há muito tempo. Eu sigo em frente, usando o que acredito ser Aikidô como maneira de prosseguir. O que quero dizer com isso? Digamos que meu parceiro dê um soco não muito convincente em minha direção. Eu redireciono a energia do soco para o chão usando qualquer forma que esteja à mão. Não há energia suficiente no soco para levar meu parceiro para o chão e a função da forma foi atingida ao ser dispersada a energia, então apenas deixo estar assim. A função da forma restabeleceu a harmonia e o conteúdo do ato é Aikidô. Então, se acho necessário continuar a forma para arremessar meu parceiro ou levá-lo ao chão, eu não mais estou fazendo Aikidô com meu parceiro, estou praticando a técnica com ele. Para mim há uma enorme e significativa diferença nisso.

Tradução: Instituto Takemusso, São Paulo

* Dennis Hooker Sensei – Aikido 6º Dan, Schools of Ueshiba, Muso Jikiden Eishin-Ryu Iaijutsu 4º Dan, Shindai Dojo, Orlando – Flórida

Colaboração: www.portalaikido.com.br


Morihei Ueshiba (1883-1969) – 40 anos do falecimento do Fundador do Aikidô

24 Abril 2009

Domingo, 26/04/2009, faz exatos 40 anos da morte de um indivíduo impar, o Fundador do Aikidô, Morihei Ueshiba, conhecido pelos Aikidocas ao redor do mundo como Ô –Sensei – Grande Mestre.

 

Os últimos anos de Morihei Ueshiba foram passados principalmente em Tóquio à medida que a sua saúde se tornava gradualmente mais frágil em virtude de sua idade já avançada, 86 anos. Não obstante, continuou ensinando até março de 1969, altura em que adoeceu, devido a complicações no fígado, e foi internado no hospital da Universidade de Keio. Na ocasião Morihei disse a seu filho Kisshomaru: “Deus está me chamando”.

 

Uma das últimas aparições do Ô-Sensei deu-se no dia 15 de abril de 1969, Morihei participou das comemorações do ano novo no Hombu Dojô. Mesmo parecendo estar com a saúde impecável, sua condição física deteriorava-se rapidamente e devido a tal quadro seus numerosos discípulos e amigos fizeram suas últimas visitas e homenagens. Mesmo já no final de sua existência neste plano Ô-Sensei propagava os ideais do Aikidô, e dizia aos presentes: “O Aikidô é para todos…” dizia o Mestre, “não treinem por razões egoístas, mas para todas as pessoas em todos os lugares”.

 

No dia 26 de abril de 1969, Morihei Ueshiba, aos 86 anos de idade, tomou a mão de seu filho Kisshomaru, riu e disse: “Tome conta de tudo”, e desencarnou.

 

Uma vigília foi realizada no Hombu Dojô no dia 1º de maio de 1969, a partir das 19h e, no mesmo dia, foi consagrada ao Fundador do Aikidô uma condecoração póstuma pelo Imperador Hirohito. Suas cinzas foram depositadas no cemitério de Tannabe, no templo da família Ueshiba, e mechas de seu cabelo foram guardadas em relicários no Santuário Aiki, em Iwama; no cemitério da família Ueshiba, em Ayabe; e no Grande Santuário de Kumano. Kisshomaru Ueshiba foi eleito para suceder seu pai como Aiki Doshu, por decisão unânime da Aikikai, em 14 de junho de 1970.

 

O Budô não é um meio de se derrotar um oponente pela força ou com armas letais. Também não é seu propósito levar o mundo à destruição pelas armas ou por outros meios ilegítimos.
O verdadeiro Budô busca ordenar a energia intrínseca do Universo, protegendo a paz mundial, moldando e também preservando tudo na natureza em sua forma correta. Praticar o Budô é essencial para fortalecer, em meu corpo e em minha alma, o amor do kami, a divindade que gera, preserva e nutre todas as coisas na natureza
” – Morihei Ueshiba.

 

Conheça o Aikidô

 

Local: Academia Central de Aikidô de Natal – ACAN

Endereço: Rua Professor João Ferreira de Melo – Capim Macio – Fundos do CCAB Sul

Telefone: (84) 3217-9182

Site: www.aikidorn.com.br

 

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Budô e o Ciclo da Repetitividade – Por Paulo de Carvalho Junior

20 Abril 2009

Quando começamos no Budô  tudo é festa, nos encantamos com a beleza das técnicas funcionando e com a magia disso acontecendo através de nossas mãos. Cada novo ensinamento abre as cortinas de um mundo novo de realizações e possibilidades e, então, nos sentimos fortes. Descobrimos que temos potencialidades que antes não éramos capazes de reconhecer e isso nos excita.


Com o tempo, conforme o treinamento começa a representar algo rotineiro em nossas vidas, o “brinquedo novo” vai perdendo o brilho e logo parece que estamos nos dispondo a mais um ato de automatismo, como ir à escola ou freqüentar a missa. É costumeiro, só isso. Quando isto acontece, parece que o Budô já não tem mais aquilo tudo que enxergávamos anteriormente e a tendência natural é deixarmos o empenho nos treinamentos de lado. É justamente aí que aparece o maior contraste entre o raciocínio oriental e o ocidental.

 

No ocidente, os fatores aparecem como “ondas“, as quais têm de início um grande impacto, mas logo perdem a força e o efeito parece recuar. Talvez seja por isso que tantos se iniciam na prática de alguma arte marcial e logo acabam parando, na maioria das vezes logo nas primeiras faixas. O fato é que tão logo isso aconteça aparece uma nova onda, que pode se manifestar na forma do intuito de aprender a tocar algum instrumento musical ou dançar, compromissos estes que também logo serão abandonados, a menos que a pessoa se disponha a compreender o que há do lado de lá da cortina. Que cortina? – poderia você se questionar. A esta pergunta um oriental normalmente responderia: a cortina da ilusão. Isso porque é justamente o que vai embora quando os primeiros ajustes de excitação de dispersam – a ilusão. O que está se desfazendo, na verdade, é a nossa visão premeditada da coisa; aquilo que imaginávamos que era depois de nosso primeiro contato. E o que resta então? Bem, o que resta é o verdadeiro valor da arte: o , ou caminho. E como todo caminho que vale à pena é longo, o que aparece diante de nossos olhos quando a ilusão se dissipa é uma grande obra a se realizar, porém, PASSO POR PASSO. É justamente aí que muita gente desiste e o irônico é que isto acontece a despeito do que de fato deveria estar sendo enxergado, isto é, “um caminho que de fato vale à pena provavelmente não tem um destino visível a olhos nus“.

 

É preciso enxergar com os olhos da alma… Quando vemos grandes mestres manifestando seu Aikidô, ficamos logo maravilhados com a beleza de seus movimentos. Porém, para o praticamente mais avançado a curiosidade certamente vai além: como será que este mestre come? Como se porta diante dos imprevistos? O que faz ele em suas horas vagas? Em outras palavras, a curiosidade que fica para os “iniciados” é a seguinte: o que o Aikidô trouxe de realmente valioso para a vida deste homem? Sim, porque uma arte jamais poderia se deter nos valores efêmeros da beleza plástica de movimentos bem executados. Se assim fosse, Balett poderia ser considerado uma via espiritual. Tem que haver um algo mais, uma chama que mova a intenção de praticar, MESMO DIANTE DE TREINAMENTOS EM QUE AS REPETIÇÕES SE DÊEM DE FORMA PRATICAMENTE INFINITA.

 

Quando praticamos uma técnica milhares de vezes, o fazemos para enxergar além dela. Interiorizando-a, podemos desocupar nossas mentes do movimento para então dar espaço para um outro nível de compreensão. É então que a verdade suprema das artes marciais se manifesta, provando que o trabalho todo está em sentir e não em simplesmente racionalizar o que está sendo feito. De fato, quando nos tornamos capazes de “sentir” um movimento ao invés de simplesmente executá-lo, que movimento é este já não importa mais. Repetir uma, cem ou mil vezes já não faz mais diferença, justamente porque o prazer da prática passa a se concentrar no durante, no ato de fazer em si, e não mais no que fazer aquilo possa representar.  

 

Moral da história: competência (técnica, espiritual, etc.) é algo que se desenvolve de dentro para fora – nunca ao contrário.

 

Colaboração: www.aikikai.com.br


Aikidô Natal – Academia Central – Exame de Faixa – Abril/2009

13 Abril 2009

Sábado, 18/04/2009, 16h, na Academia Central de Aikidô de Natal, acontecerá mais um evento de troca de faixas. O evento, além de exame de faixa serve como confraternização entre os alunos dos diversos horários, seus familiares e amigos. Compareça você também. Leve um prato de doce ou salgado, sua bebida (não alcoólica) e comemore a harmonia, energia e as realizações.

 

Local: Academia Central de Aikidô de Natal – ACAN

Dia e Hora: Sábado – 18/04/2009 – 16h

Endereço: Rua Professor João Ferreira de Melo – Capim Macio – Fundos do CCAB Sul

Telefone: (84) 3217-9182

Site: www.aikidorn.com.br

 

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Sobre o aprendizado – Por Rubens Caruso Jr.

8 Abril 2009

O aprendizado de cada um no Aikidô é único, o que aprenderá está vinculado a sua personalidade e empenho em aperfeiçoar-se.

 

O treinamento do Aikidô pode apenas colocar o praticante em contato direto com sua vontade interior de “evoluir”, melhorando sua relação com outras pessoas e com ele próprio. Mas, até que nível chegará depende exclusivamente dele próprio. O instrutor em si pode apenas oferecer, através de seu exemplo, as indicações sobre qual caminho tomar e as conseqüências de cada, segundo sua própria experiência. A decisão de caminhar por um ou outro caminho deve ser do próprio aluno, já que ninguém pode tomar essa decisão por ele.

 

Em minha experiência dentro do Budô pude notar que a maioria das artes marciais que possuem um embasamento não só na técnica em si, mas também no desenvolvimento espiritual, tendem curiosamente a trazer à tona durante a prática o lado ruim de cada um quase sempre disfarçado em sentimentos como ódio, vingança, inveja, entre muitos outros.

 

Surgem também sentimentos de extremismo, como receio de machucar-se ou ao parceiro, e o empenho inconseqüente à prática física bruta, estes e tantos outros sentimentos e ações levados ao extremo só prejudicam o aluno.

 

Não quero dizer com isso que somente a parte ruim emerge durante a prática, mas que é ela que fica mais evidente conforme o tempo passa, especialmente se o aluno não aprender a lidar com isso de forma a transformar estes sentimentos e ações nocivos em algo positivo. Esse é o perigo das artes marciais… acabar intensificando o lado destrutivo do aluno, tornando-o apenas um lutador e um péssimo reconciliador.

 

Acredito que seja exatamente por isso que muitos Mestres não aceitam que determinadas pessoas iniciem a prática, ou a restringem desde o início… pois percebem através de sua experiência que o aluno não possui ainda maturidade para evoluir positivamente, e que a prática naquela momento seria mais prejudicial do que sadia.

 

Uma das idéias, ou melhor, objetivos do treinamento em dupla no Aikidô é tentarmos visualizar nas atitudes do parceiro nossa cota de influência. Nós o influenciamos, assim como ele nos influencia. O propósito de estudarmos esta interação não é somente despertarmos um sentimento de empatia para com o parceiro e com isso obter uma prática física menos “rançosa” entre nós, existe muito mais oculto por detrás da prática bem direcionada.

 

Temos que tentar de todo o coração compreender, aceitar e transformar os sentimentos que surgem durante a prática.

 

Tudo no Aikidô converge para um único e simples ponto: Compreensão da realidade, ou seja, nos tornar conscientes de que fazemos parte do processo de evolução do parceiro e que ele irremediavelmente faz parte do nosso!

 

O que isso significa? Que você é uma parte ativa na evolução do outro, e ele o é da sua… Quando o parceiro não evolui, nós também não evoluímos.

 

Praticar para transformar as técnicas marciais destrutivas em técnicas de “cura” e “reconciliação” do Aikidô, deve ser o principal objetivo do praticante sério desta arte. Se não for assim, do que adianta estudarmos um sistema tão rico e completo como o Aikidô? Melhor seria se praticássemos um sistema que ensinasse pura e simplesmente defesa pessoal.

 

RUBENS CARUSO JR.4° Dan – Aikikai – Aikidô Nova Era – São Paulo

 

Colaboração: www.aikidonovaera.com.br


Primeira Turma de Aikidô de Rodrigo Sensei em Natal – Por Aleksej Nobre Marques – 10 Anos da Academia Central de Aikidô de Natal

3 Abril 2009

Comecei a treinar na primeira turma de Aikidô de Rodrigo Sensei em Natal. Tudo começou no final de julho para o início de agosto do ano de 1999, na Academia Higashi no CONACAN, Bairro de Candelária.

 

Me lembro de Marco, Cláudio, James, Marcinha, Elvira, Verinha, Fernanda Coe e Carol Coe, Nísia, o Ministro da Igreja de Elvira (não me recordo o nome dele), Leilton,  Alfredo. Alguns dias depois, chegou Igor e Serginho, este último, havia me telefonado e pedido informações sobre os treinos. Logo o Sérgio começou a treinar e nunca parou, até hoje, sendo atualmente um dos instrutores e dirigentes da ACAN. Tinha mais gente, mas não lembro agora. Foi lá que tudo começou.

 

Em outubro do mesmo ano, nos mudamos pra nossa primeira sede no Cidade Jardim em cima da Drogaria Amadeus e por lá ficamos por mais de 3 anos. Lá fizemos nosso primeiro exame de faixa com a presença de Rogério Sensei e Federico Sensei e lá eu me graduei até a chegar a 1º Kyu (faixa-marrom). Com pouco tempo que chegamos lá, começaram a treinar o Gabriel, Marcos e Cláudia, Cristina, Paloma e Patrick, Gil e Maíra, Sol, Pedras, Maroni, Miquéias, Gutemberg e Rodrigo. Ficamos lá até 2002, nesse ano mudamos para o local em que a ACAN funciona até Hoje.

 

Nesse mesmo ano a 1ª turma de faixas-prestas (Shodan) foi formada em São Paulo com Kawai Shihan na banca examinadora: Marco, James, Sérgio, Gabriel, Carol, Cláudio, Miquéias, Maroni, Alfredo e Leilton e Marcos são sagrados Shodan(s).

 

Fico feliz por ter participado de toda essa história e continuar participando. Saudades desse tempo? Tenho e acho que todos têm, mas uma saudade gostosa que sempre é atenuada com os treinos na ACAN e o convívio dos que estão treinando atualmente. Beijo no coração de todos. Domo Arigatô Gozaimas.

 

ALEKSEJ ALEKSANDRO NOBRE MARQUES – Técnico Judiciário do TJRN – 1º kyu  (Faixa-Marrom) de Aikidô da Academia Central de Aikidô de Natal


História de Aikidô – Por Israel Félix de Lima Júnior – 10 Anos da Academia Central de Aikidô de Natal

31 Março 2009

Minha história começou numa conversa com alguns amigos no ano de 1998, destes, um tinha visto algo sobre o Aikidô e de tão impressionado que ficou começou a nos falar sobre aquela nova arte. O mesmo praticava Karatê Dô, aliás, todos naquele grupo já tinham ou estavam praticando alguma arte marcial.  A curiosidade foi tamanha entre nós naquela noite que, depois de algum tempo, começamos a procurar pelo Aikidô aqui em Natal, mas não tínhamos nenhuma informação de onde achar e as respostas eram que não havia tal coisa na cidade.

 

No ano seguinte ao passar com a namorada pelo Shopping Cidade Jardim vi um cartaz na porta da loja Esporte Master, onde trazia informações sobre aquela arte que eu buscava a quase um ano. A partir desse momento a busca foi intensa e ao achar, na parte superior de uma farmácia, convido meu amigo a me acompanhar na primeira visita. Ao chegarmos lá nos deparamos com um ambiente extremamente limpo, calmo, e harmonioso, e lá, um treino estava acontecendo. Ficamos impressionados com o quanto era técnico o Aikidô, então começamos a analisar um possível confronto entre as duas artes (Karatê e Aikidô), e observamos que eram coisas diferentes.

 

Logo me apaixono pela arte e procuro uma turma para me encaixar, tão logo me encho de felicidade fico triste, pois não havia horário na qual eu pudesse freqüentar devido minhas obrigações, mas prontamente o Sensei Rodrigo anota meu telefone e me informa que há outras pessoas na mesma situação em que me encontrava. Ele estava estudando a possibilidade de abrir uma nova turma no período da tarde. Fiquei ansioso pra que isso acontece logo.

 

Passando-se uns 15 dias, mais ou menos, recebo uma ligação do Sensei Rodrigo informando da nova turma que iria iniciar-se às 15h, e se havia interesse de minha parte. Prontamente afirmo que sim, então ele me convida para compor a turma que, no primeiro momento, seria experimental. Mais uma vez vou da glória à decepção. Eu nem sonhava que a partir daquele momento essas oscilações de sentimentos seriam constantes no “”. Estava acostumado ao Karatê onde tínhamos que ser fortes; determinados; firmes; corajosos, essas habilidades eram habituais, e a partir daquele momento iriam ser acrescentadas mais algumas, necessitando assim desenvolver a sensibilidade para conduzi-las da melhora forma, pois os conflitos eram eminentes, não com os colegas, mas comigo mesmo.

 

O tempo passa e os treinos acontecem. Mais gente vai chegando e a turma logo se mostra viável. Em pouco tempo nossa turma passa a ter os treinos mais vigorosos.  Quase todos os graduados de hoje em dia do dojô passaram pela turma da tarde, dentre eles temos, além de mim: Sensei James; Sensei Marcos; Vinicius Brasil; Aleksej Marques; Tilla Samson; Carol Coe; dentre outros.

 

O caminho vai sendo trilhado, novas pessoas chegam e outras se vão, nesse momento só tínhamos o Sensei Rodrigo como referência e isso nos fazia ficar sempre depois do treino para estudar uns com os outros, e a cada treino, a cada chá, a cada novo amigo, surgiam novos aprendizados. A busca pelo ”” é eterna e estamos a buscá-la. Muitas transformações ocorreram durante esses dez anos, mas isso também é Aikidô.

 

Disse Morihei Ueshiba, o Fundador do Aikidô:

 

Em teu treinamento, não sejas apressado, pois são necessários no mínimo dez anos para dominares o que é básico e avançares para o primeiro degrau. Nunca penses que és perfeito como mestre e que a tudo conheces; tens que continuar treinando diariamente com teus amigos e discípulos para progredirem juntos na Arte da paz.”

 

A Arte da paz pode ser resumida assim: a verdadeira vitória é a auto-vitória; que aquele dia chegue rapidamente! A  verdadeira vitória  significa uma indomável coragem; a  auto-vitória” simboliza um infatigável esforço; e “ que aquele dia chegue rapidamente” representa o glorioso momento do triunfo aqui e agora”.

 

ISRAEL FÉLIX DE LIMA JÚNIOR – Nidan (Faixa-Preta Segundo Grau) de Aikidô – Iniciou o Aikidô em fevereiro de 2000 na Academia Central de Aikidô de Natal.


Aikidô: diversidades – Por André Fettermann de Andrade

24 Março 2009

Cada um tem seu motivo para começar a prática do Aikidô. E ao longo do tempo cada um também desenvolve seus próprios motivos para continuar treinando. E ainda mais, cada um desenvolve seu próprio tipo de treinamento.

 

Comecei no Aikidô há mais de 10 anos. Ao contrário da grande maioria eu não tinha nenhum motivo específico para começar a treinar. Apenas queria fazer alguma atividade física. Na época ainda não havia internet como hoje, e por isso foi difícil achar uma academia. Durante muito tempo foi exclusivamente por essa razão que treinava, mexer o corpo, suar um pouco. Mas depois que o meu professor deixou de dar aulas, nos deixando sem pai nem mãe, e tendo assumido um aluno dele mais graduado, comecei a mudar a minha perspectiva em relação à arte.

 

Foi nesta época que comecei a ler mais sobre o Aikidô. Passei a participar mais de seminários, encontros, treinos especiais. Foi também quando comecei a aplicar mais diretamente o que aprendia em aula, na minha vida. E também quando comecei a observar melhor os acontecimentos dentro do tatame. Para mim, aquela área delimitada pelas quatro linhas é um micro cosmo, um pequeno universo que representa toda a sociedade. Ali você encontra pessoas dos mais diversos tipos. Elas diferem não só em características básicas como altura, sexo, peso, aparência, mas principalmente na personalidade. Há os marrentos, os orgulhosos, os inseguros, os preguiçosos, os violentos, os desequilibrados, os animados, os bonzinhos, os malvados e maldosos.

 

Quantos não foram, não são e ainda serão aqueles que caem diante da mínima menção sua de fazer um determinado movimento e que apesar de avisados continuam com a mesma atitude. Por outro lado há aqueles que parecem feitos do metal mais pesado possível, que para serem movidos é necessário um guindaste. Existem aqueles que treinam de forma muito leve, basicamente uma dança. Por vezes alegando que assim o fazem por estarem em busca de um contato com o universo, porque querem desenvolver seu “ki”. Da mesma forma temos aqueles que treinam extremamente pesado, que estão “pouco se lixando” para essa baboseira de “ki”, de harmonia.

 

Não há problema nenhum nessas diferenças. O problema acontece quando esses mundos se encontram. Na verdade eles colidem. Vão acontecer reclamações dos dois lados quando isso acontece. “Pô, cara grosso, quase quebrou meu braço!”. “Não vou mais treinar com aquele pessoal não, eles atacam sem energia nenhuma!”. “Você está travando, têm que ficar mais solto.”. Quantas vezes já não ouvi isso. Quantas vezes já não falei isso.

 

Mas esta colisão só ocorre por falta de habilidade nossa em lidar com a diversidade. E se você já tiver uma certa graduação ou experiência na arte, mostra que você aprendeu pouquíssimo. E se você simplesmente não toma nenhuma atitude para reverter essa situação, mostra que você é um péssimo aikidoca. É necessário aprender a lidar e respeitar os limites de cada um.

 

Essas diferenças não podem ser encaradas como algo ruim. Pelo contrário, é justamente essa diversidade que torna a prática tão interessante, tão desafiadora, tão difícil. É isso que torna o Aikidô aplicável ao seu dia-a-dia.

 

Cada um tem o direito de escolher a sua forma de treinamento. Isso só não pode significar que o praticante deva ficar estacionado nesta forma. A medida que for crescendo dentro da arte ele deve buscar uma melhora, uma mudança dentro da sua prática. Se você cai por qualquer motivo, procure estudar a razão disso e na próxima vez já não “caia” tão fácil. Em algum momento você vai chegar ao ponto de saber que não dá mais para evitar e a queda é inevitável. Isso poupará muitas contusões. Se você é extremamente forte e gosta sempre de enfiar a cara do uke no chão, reconsidere, veja se isso é realmente necessário, será que apenas desequilibrá-lo e imobilizá-lo não é o bastante?

 

Alegar que é sempre necessário treinar para arrebentar de forma a se preparar para uma “situação real” não convence. Pelo simples motivo que no treino não é uma situação real. “Treino é treino, jogo é jogo”, já disseram. Quebrar o braço de alguém toda aula não se justifica como preparação para uma situação violenta que você possa vir a se deparar.

 

A busca da união com o universo e do desenvolvimento do “ki” também não devem ser usadas como justificativas para um treino “ballet”. Se assim você o fizer estará apenas se enganando achando que está adquirindo uma habilidade na arte além de atrapalhar os outros.

 

Há ainda um grupo mais que ainda não citei. São aqueles que tratam o Aikidô como religião. Uma busca espiritual não deve ser feita em cima do tatame. Ela deve ser feita em um templo, uma igreja, através de uma religião qualquer. O Aikidô não vai te dar respostas para questões existenciais. O Aikidô não possui uma filosofia, como tanto as pessoas gostam de dizer. Filosofia é o questionamento diante de valores e interpretações comumente aceitas, é a reflexão de idéias, análise, discussão. O que há no Aikidô é o reflexo das idéias de um homem, este sim muito religioso. O Aikidô é a parte física, por assim dizer, que junto com a religiosidade de cada um, seja esta qual for, pode conduzir à iluminação.

 

A harmonia do Aikidô vem de saber lidar com tudo e todos, saber transitar achando um ponto de equilíbrio. É saber usar a sua energia de forma adequada. Esse é o caminho proposto. É o de criar indivíduos capazes de agir adequadamente diante de qualquer situação, tornando-os assim capazes de viver e criar uma sociedade melhor.

 

Acredito que nada disso seja novidade. São coisas óbvias, mas que por isso mesmo é sempre bom sermos lembrados delas.

 

André Fettermann de Andrade – EMA – Escola Meirelles de Aikidô - http://www.escoladeaikido.com.br

 

Colaboração: http://mastruz.multiply.com/journal


Sobre Treinar – Por Hiroshi Ikeda

20 Março 2009

Entrevista concedida por Hiroshi Ikeda a Stanley Pranin.

 

Por favor, nos conte qual é a sua abordagem sobre treinar.

 

A primeira questão é que devemos treinar com o corpo e não com a cabeça. É bom recebermos muito ukemi para sentir na pele o que é treinar. Se você usar demais a cabeça, seu aikidô ficará muito intelectualizado e isso afetará de forma negativa seus movimentos corporais. Minha filosofia é aprender e entender o aikidô com o corpo.

 

Normalmente começamos a nossa pratica com irimi-tenkan. Em vez de entrar logo nos movimentos de arremesso, creio que é mais produtivo trabalhar o corpo de forma gradativa, começando com irimi-tenkan para aquecer, depois praticando ushiro ukemi, e só depois os outros movimentos.

 

Melhor do que apenas ensinar ou treinar, é importante que eu também encontre oportunidades para aprender, crescer e cultivar meu próprio aikidô, então procuro sempre novas abordagens. A prática consistindo apenas em agarrar ou ser agarrado tem a sua utilidade num estágio inicial, mas acho que você deve ir mudando e experimentar com outras coisas quando estiver num nível mais avançado, como por exemplo, treinar como ser agarrado ou como permitir que seja agarrado de forma correta. A prática de quebra de equilibro também é outra possibilidade.

 

Recentemente tenho trabalhado o conceito do “centro” (chushin), especificamente como manter o meu centro enquanto quebro o equilíbrio do meu parceiro.

 

A Qualidade do Treinamento – O senhor se sente muito influenciado pelo Saotome Sensei?

 

Sim, com certeza. Observando o que o Saotome Sensei tem feito ao longo dos anos, vejo que o aikidô não pode ser apenas aikidô; como budô, tem que ser completamente capaz de responder a tudo. Em outras palavras, tem que valer fora dos seus confinamentos. Saotome Sensei defende isto há anos.

 

Saotome Sensei manifesta um caráter incomum nas suas demonstrações, pois elas sempre possuem uma intensidade explosiva e muita seriedade. As demonstrações de Saotome Sensei não só mostram que existe fluidez, mas também apontam claramente para uma proposta de treinamento que viabiliza a habilidade de responder a qualquer situação. Isto é algo que prezo como parte importante do meu próprio treinamento. Minha busca no aikidô é de um budô que vá além dos confinamentos do aikidô, aperfeiçoando uma forma de movimento como Saotome Sensei que parta do centro. A maneira do corpo se mover é de grande importância.

 

Faz uso do atemi em seu aikidô?

 

Muito pouco, especialmente nenhum golpe em áreas como o rosto. Podemos dar uma encostada em alguém se eles se posicionam de forma perigosa ao agarrarem o parceiro, apenas para que eles se conscientizem que não devem se posicionar de forma vulnerável para um contra-ataque. Mas está mais para o peteleco do que para um golpe. Apenas o necessário para que eles percebam que devem se posicionar mais para o lado, ou para onde for. Dar este tipo de sinal para o parceiro o ajuda a prestar atenção à forma de agarrar corretamente. Desta maneira, tanto a pessoa que arremessa quanto a pessoa que agarra podem se beneficiar do treinamento. Em outras palavras, ambos devem considerar como se posicionam. Defendo um sistema de treinamento onde tanto o nage quanto o uke possam aprender de forma ativa.

 

Como se sente em relação ao intercâmbio entre artes marciais como treinamento?

 

Durante meus dias na universidade nós costumávamos dividir as dependências do departamento de educação física com praticantes de outras artes marciais como Shorinji kempo, judô e sumô. Lembro-me de algumas brincadeiras com eles; tentando sentir como um aikidoista responderia a esta ou aquela técnica. Fora isso, fazíamos com freqüência treinos de intercambio com outras universidades.

 

A minha universidade era em Shibuya, então treinávamos com grupos de outras universidades na região – Aoyama Gakuin e a Universidade Kokushikan, por exemplo. Tinha um rapaz na Kokushikan que fazia belíssimos movimentos de esquiva corporal (tai sabaki) contra ataques com faca. Observar e treinar com ele era muito instrutivo.

 

Acho importante estudar com vários professores. Provavelmente a melhor proposta de aprendizado é de pegar elementos que você considere práticos de vários professores e usá-los para criar algo que se adapte ao seu corpo.

 

Se o treinamento com armas é ou não é essencial aos treinos de aikidô é um assunto controvertido hoje em dia. Em sua opinião, a essência do aikidô está apenas no taijutsu, ou deve se incluir o treinamento com armas?

 

Ambos, eu acho. Porém, tornar-se habilidoso com um boken ou é algo para ficar em segundo plano. O importante é permanecer com as mãos na sua frente quando for treinar com estas armas.

 

Como já mencionei, tenho treinado com o conceito de “centro” sempre em mente. Os meus alunos treinam movimentos com o boken porque evitam que suas mãos se afastem dos seus respectivos centros. Se as mãos forem desviadas pros lados fica difícil conseguir algum poder executando as técnicas. Então considero o uso de treinamento com armas proveitoso no sentido de ajudar os alunos a firmarem e manterem seus próprios centros dentro dos movimentos no aikidô.

 

Tradução: Christian Oyens

Texto Origem: http://www.aikidojournal.com/article?articleID=86&lang=br

 

Colaboração: www.aikidojournal.com


Aikidô – Por Alberto Luciano Brito Lessa – 10 Anos da Academia Central de Aikidô de Natal

13 Março 2009

Há muito tempo atrás em uma terra distante… brincadeira. Foi a aproximadamente uns 6 anos que conheci o Aikidô por intermédio do Daniel Dantas, hoje casado com Daniele que ele havia conhecido no dojô (o casal Dan Dan para quem lembrar). E lembro que depois de muita insistência, muitos filmes e histórias sobre o Aikidô, resolvi ir conferir essa arte marcial de que tanto tinha ouvido falar. Ao chegar no dojô, lembro como se fosse hoje, senti uma ótima sensação no lugar, para dizer a verdade eu me senti em paz, estranho admito, mas foi o que senti. Quando entrei achei esquisito a reverência feita pelo meu amigo a uma foto na parede e vi que todos que entravam e saiam do lugar faziam o mesmo, então perguntei: “Bicho que esquema é esse de reverência? É uma religião isso?” Foi me explicado que a reverência era uma forma de demonstrar respeito para com o fundador da arte, achei bem legal esse lance de mostrar respeito para com as raízes do Aikidô. Na ocasião estava ocorrendo aula de Sensei Marco e ao me aproximar do tatame Daniel foi falando nomes estranhos: “Olha, esse rolamento é chamado Mae Kaiten Ukemi e esse é  Ushiro Hanten Ukemi…” dentre outros nomes que na época achei estranhíssimo e perguntei se tínhamos que ficar decorando tais nomes, ele explicou que os nomes são a descrição dos movimentos e que com o tempo aprenderia os seus significados.

 

Daniel levou-me para conhecer os Sensei(s) que estavam conversando no escritório do dojô, Sensei James e Sensei Sérgio, eles chegaram e foram dando logo um abraço, achei isso muito esquisito, mas todos no dojô se cumprimentavam com grandes abraços, não tinha, até então, o costume de abraçar as pessoas, mudei isto depois de começar a treinar, pois o abraço é uma ótima forma de transmitir energia ao próximo e equilibrá-la. Os Sensei(s) me explicaram um pouco sobre a arte e sobre o funcionamento do dojô e fui logo convidado a treinar. Quando respondi de não tinha uma roupa para participar, Daniel logo tirou uma roupa e disse: “Usa o meu dôgi, tenho três!.” Pensei “ Dôgi? Que danado é dôgi??, lembro. Então vesti o dôgi e fui para o tatame participar da aula de Sensei James.

 

Para mim, foi muito engraçado a primeira aula, pois não acertava os rolamentos nem os movimentos, no entanto, Daniel e Sensei James se mostraram bem atenciosos em passar as técnicas. Lembro que logo nos primeiros alongamentos percebi o quanto estava sedentário e o quanto eles me seriam úteis.

 

No fim do treinamento estava acabado, mas muito motivado com as possibilidades que o treino me oferecia. Lembro também que achei muito estranho as pessoas se abraçarem no final de cada treino, como disse anteriormente, não tinha este costume, mas achei bem legal esta troca de energias. No caminho de volta indaguei meu amigo: “Cara eu estou precisando de uma atividade física para perder peso e acho que esse tal de Aikidô deve servir, mas eu não dei nem um chute! Que arte marcial é esta que não tem nem um chute!? Como vou exercitar minhas pernas?” Ele riu e disse “Espere amanhã e me diga como estão suas pernas. E enquanto ao chute, não se preocupe, pois você não vai precisar dele. O praticante de Aikidô trabalha em cima da energia recebida por ele de seu parceiro, então quanto mais energia melhor a técnica, então imagine o que poderia ser feito a alguém que chutasse uma Sensei de Aikidô?”. Como não tinha conhecimento sobre as técnicas, na minha mente não veio nada, foi um branco total!!! .Na manhã seguinte minhas pernas pareciam de chumbo, morava, na ocasião no quarto andar de um prédio sem elevador, foi um verdadeiro martírio descer e subir as escadas naquele dia. Mas estava decidido a continuar a praticar uma atividade que tinha se mostrado muito prazerosa…

 

O tempo foi passando e continuei praticando até atingir a faixa azul e dos vários momentos vividos no treino vou destacar alguns:

 

- Primeiro exame de faixa:

 

Na época era puro nervosismo, lembro que minha mão tremia muito, principalmente na hora dos Shomen-Uti e companhia… Era todo duro e para realizar cada movimento parecia que estava arrastando uma montanha de tão tenso.

 

- Último exame de faixa:

 

Na época Sensei Rodrigo estava no dojô e eram somente 3 faixas verdes, contando comigo, para realizar o exame para faixa azul. Quando chegou nossa vez, depois de muito tempo esperando, diga-se de passagem, eram muitos alunos na troca de faixa. Sensei Rodrigo olhou, viu que nosso exame iria demorar muito, pois teríamos que nos revezar para apresentar as várias técnicas necessárias e propôs que os Sensei(s) fossem os uke, nesta hora quase tive um infarto, e o mesmo se prontificou para ser um dos uke dizendo: “Alguém que fazer o exame comigo?”, com estava na sua frente e logo o chamei para ser meu uke, o que aceitou com o sorriso de sempre. E de repente apareceu um monte de câmeras e filmadoras apontadas para nós, pois Sensei Rodrigo é o fundador da Academia na cidade, pense como fiquei nervoso nesse momento!!. Mas o exame transcorreu normalmente, apesar de umas escorregas aqui e acolá.

 

- “Caída de ficha”, sabe aquele momento que após uma dica as coisas parecem mais claras? Estes foram alguns deles.

 

Redondo…” – Sensei Gabriel ao ver minha dificuldade em realizar os rolamentos, parecia um paralelepípedo “rolando”. Depois desse toque senti que meus rolamentos ficaram mais “redondos” mesmo.

 

 Feche os olhos e pense que está andando em pé...” – Sensei Marcos ao ver minha dificuldade em realizar o Shikko. Depois desse toque não tive mais dificuldades em realizar o movimento.

 

Vazio” – O Sensei Sérgio estava demonstrando uma técnica em Suwari Waza onde eu, como seu uke, precisava aplicar força em uma pegada no punho e o Sensei com um rápido movimento me projetou para longe caindo em rolamento a uma boa distância atrás dele. Nesse movimento senti realmente um vazio, vazio este que traga a pessoa e neste momento somos completamente conduzidos para onde o Sensei desejar. Foi um momento muito importante, pois percebi a “esfera dinâmica” em pleno funcionamento.

 

ALBERTO LUCIANO BRITO LESSA – 2º Kyu (Faixa-Azul) de Aikidô – a mais de 2 anos afastado… sei que vou voltar.


Minha História de Aikidô – Por José Ribamar Lopes – 10 Anos da Academia Central de Aikidô de Natal

11 Março 2009

Lembro-me da primeira vez que tive contato com o pessoal da Academia Central de Aikidô de Natal. Passava eu em frente daquela farmácia, próximo a atual Academia, e vi umas pessoas usando uns kimonos meio que “boca de sino”, e achei muito interessante. Vi que treinavam ali um tal de Aikidô. Eu que já vinha procurando uma arte marcial que melhor me identificasse, procurei na lista telefônica e liguei para lá buscando algumas informações (se usava muitos chutes, socos, etc…), mas disseram: – amigo…melhor vir aqui…. Eu não fui. Afinal, não era mais nenhum adolescente, já era adulto, já era “pai de família”, e temia ser ridículo chegar “zerado” atrás de “coisas de menino”.

 

Acho que cerca de um ano depois navegando na internet, em sites sobre artes marciais (na hora do trabalho), entrei em contato, pela primeira vez, com a filosofia do Aikidô. Li uma entrevista com o fundador (de nome difícil) e seu filho, contando episódios fantásticos que ficaram marcados na minha memória. Era um velhinho com cara de mestre filme de artes marciais que lutava contra muitos, escapou de tiros e segurou outro só com um dedo. Meus colegas de trabalho viram o relato e riram das estórias.

 

Li sobre a filosofia, e então não havia mais como adiar…procurei a Academia Central que me envolveu, logo na chegada, com o seu ambiente harmônico…senti a paz ali. Desvencilhei-me da idéia de qualquer outra arte marcial, posto que havia, por esses dias, visitado uma academia de Kung fu, ao qual pensava que iria ser aluno. Era inclusive mais barata a contribuição… mas aquilo que eu senti no dojô não me permitiu titubear…era ali que eu iria treinar.

 

Cheguei para assistir um treino e fui recebido por um jovem professor… o Sensei Gabriel, receptivo e de voz tranqüila que me convidou a treinar experimentalmente por uma semana. Tentei mostrar algum conhecimento da teoria que eu havia ensaiado, mas…. Voltei dois dias depois para a aula às vinte horas.

 

Eu não tinha kimono, fui com uma calça de sarja caque que eu tinha, que envelheceu esperando o kimono que relutava em chegar, e segundo um professor, também de voz tranqüila, de sorriso fácil, chamado James, tinha havido um problema na remessa da fábrica, pois todos viriam agora com o bordado da academia. O fato era que estava muito envergonhado daquela calça que achava que me denunciava… mas o pior era o meu treinar desajeitado. E quando perguntavam: é o seu primeiro treino? Eu já enchia o peito e dizia, não, já é o quinto. Mas ainda sofria pra saber quando e como dizer Onegaishimassu ou Domo Arigato Gozaimashita.

 

Sentia-me no maior “mico” quando o Sensei mandava girar tenkan, tenkai ashi, e o pior o tal de irimi tenkan… No segundo giro, já era eu sozinho na direção oposta.

 

E os rolamentos… nunca me senti tão atrapalhado.

 

Chegava em casa e minha esposa ansiosa perguntava….e então???!!! E eu, com os ombros caídos, só dizia: É muito difícil.

 

Fiz amizade com um grande parceiro, o Adler San (meu primeiro uke), que como eu estava começando, tinha acho que a mesma idade, também “pai de família”, tão perdido quanto eu…

 

Caramba! Passados três meses Sensei Gabriel disse que eu estava “pronto” pra trocar de faixa (poucos dias depois de receber meu kimono, pois até então estava com a calça caque). Deixaram claro que era concedida somente pra estimular os novatos, o que me deu um certo alívio, pois sabia que continuava um bobo rodando e não entendia como iria ser “promovido”.

 

Então veio a troca de faixa. Robocop perdia. Ensaiei uma cara feia de lutador, e o movimento robótico era natural, pois não sabia fazer de outro jeito. Foram assistir minha esposa e minha filha. Nem acreditei… descolei e finalmente deixei de ser faixa branca. Pra mim três meses que foram uma eternidade.

 

As contingências fizeram mudar de horário e treinei com o Sensei Sérgio. Período excelente.

 

Devido ao trabalho, intercalei as aulas com o Sensei Sérgio e Sensei Gabriel que passou a dar aula às seis da manhã, quando então houve a segunda troca de faixa.

 

A experiência já era diferente. Já estava menos desengonçado. AGORA EU ERA ROXA CARA!

 

Mudei depois para verde, Sensei Gabriel foi para o Japão e Sensei Sérgio, pra minha surpresa foi pra São Paulo, sem que pudesse desejar boa sorte ao bom professor.

 

Então passamos a treinar de manhã com o Sensei James. O Sensei de sorriso fácil, mas que chegava de início, na aula das seis da manhã, com cara de quem caiu da cama, até que, finalmente se acostumar com o novo horário. Se acostumou de um jeito que aquela turma aumentou o laço de amizade. A turma criou um laço profícuo, continuado na volta do Sensei Gabriel do Japão, que chegou cheio de técnicas apuradas, e comprometido em burilar-nos para uma “técnica limpa’.

 

Neste ínterim, veio o Sensei Rodrigo, que cheio de novas idéias, veio com espadas e bastões para treinos e sugeriu o uso de faixa branca.

 

No exame para faixa azul, combinado todo mundo ir de faixa branca, no dia, tava lá só eu e Cris B, em mais um dos meus micos na academia.

 

Até que então tive de morar no interior. Eu nunca me importei em ser faixa preta pela faixa em si. Mas alguma coisa me dizia que um dia eu teria de me afastar e nesse dia a faixa seria útil, pois poderia ensinar onde eu estivesse. Mas não foi assim, eu ainda era faixa azul e tive de ficar longe dos treinos.

 

Nesta hora me vali da filosofia do Aikidô, para não me deixar prender pelas circunstâncias, deixar passar…como um rio. Continuei a ler… baixei vídeos, adquiri outros…e tentei fazer os movimentos sozinho, lá no interior. Uma coisa interessante aconteceu… como não tinha com quem me preocupar se estava atrapalhando alguém, percebi melhor a sutileza dos movimentos do Aikidô. Acho que finalmente vislumbrei a experiência do centro no Aikidô. Passei a treinar como se treina o Tai Chi Chuan, conforme vi a idéia de um vídeo chamado Taichi Aiki. Percebi o Aikidô mais profundamente nesses dias. Estava eu estudando, por essa época, o Zen de uma tradição apresentada pelo Sensei Gabriel. Por esse período fui a um Yudanshakai e foi muito bom. Consegui acompanhar… mas, parei de treinar… Mas já havia formado uma nova visão do Aikidô.

 

Mantive contato ainda com Vinicius Brasil, o “embaixador” da Academia Central via MSN, que me era solidário nesse período. Ah, alguém conhecido seu já recebeu alguns “spams” da Academia Central de Aikidô de Natal enviados por ele? Ah, tá.

 

Agora voltei, pela segunda vez, recepcionado pelo Sensei James. Nesta aula de volta, conduzida pelo Sensei Marcos para uma filmagem, Sensei este que possui uma grande carga filosófica, e nos remete ao Aikidô como inicialmente concebido, uma arte de harmonização, pude desfrutar da beleza de Aikidô, o Aikidô de centro forte, do Ki, da harmonização, conforme eu buscava no primeiro dia em que pisei na academia.

 

Assim, estou voltando à minha jornada. O Aikidô faz parte da minha vida, assim como os colegas e Sensei(s) que me ajudam nesse caminho.

 

Há uma coisa que descobri nesse período de experiência… o Aikidô é arte de harmonização, em benefício da paz individual e coletiva… Aikidô não é luta… pra quem quer lutar melhor procurar outra arte… não o Aikidô, a qual já foi chamada de o Zen em movimento. Não é fácil, embora inspire-se no simples. A faixa preta é o começo. A humildade é forte, e arrogância enfraquece, porque sai-se do seu círculo de controle.

 

Ah, aproveitando a oportunidade, não custa nada lembrar que tem um regrinha nas etiquetas do dojô, que pouca gente observa…se você não é faixa preta NÃO ENSINE AO SEU COLEGA, pois você ainda está aprendendo também e pode estar transmitindo sua concepção errada. Ademais, o Aikidô é experimento e adaptação, o que dá certo pra você, talvez não se aperfeiçoe no outro. Por fim, você pode estar desestimulando atrapalhando o processo de experimentação de alguém.

 

Pra essas orientações temos os professores e faixas pretas.

 

Domo Arigatô Gozaimashita.

 

JOSÉ RIBAMAR LOPES – Servidor Público Estadual – 2º Kyu (Faixa-Azul) – Aluno da Academia Central de Aikidô de Natal desde março de 2004.


Minha Chegada ao Aikidô – Por Maria Luiza Silva da Costa

9 Março 2009

Antes de entrar no Aikidô eu sempre falava:

 

- Eu queria participar de algum projeto daqui da escola…

 

Quando aparecia algum eu não gostava, mas quando apareceu o Aikidô eu falei: – É este aí. Estranhei o nome, mas tudo bem, me acostumei. Quando entrei foi uma maravilha, conheci todo mundo.

 

No início treinávamos no chão e com um tempo o professor Vinicius chegou e depois a escola deu o tatame e daí chegaram os kimonos e começamos a treinar… e até hoje treino o Aikidô. É muito interessante.

 

Eu entrei no Aikidô em 2007 quando estudava na Escola Municipal São Francisco de Assis.

 

* Maria Luiza Silva da Costa - 11 Anos – Aluna da Escola Municipal Prof. Zuza – 6° Ano – Natal/RN. Componente do Projeto do Aikidô da Escola Municipal São Francisco de Assis – Bairro de Nazaré – Natal/RN. Participa todos os sábados das 07:30h às 11:30h. É exemplo de assiduidade, interesse e disciplina. (Texto escrito março de 2009).

 

Sobre o Projeto do Aikidô, leia também:

 

1 - http://impressione.wordpress.com/2008/07/02/trabalho-voluntario-responsabilidade-social

 

2 - http://impressione.wordpress.com/2008/08/05/tv-real-faz-filmagem-do-projeto-aikido-na-e-m-sao-francisco-de-assis

 

3 - http://impressione.wordpress.com/2008/08/15/dias-dos-pais-na-escola-municipal-sao-francisco-de-assis  

 

4 – http://impressione.wordpress.com/2008/12/15/projeto-do-aikido-da-escola-municipal-sao-francisco-de-assis-%e2%80%93-natalrn-confraternizacao-de-final-de-ano

 

 

Colaboração: www.impressione.wordpress.com  


MISOGI – Por Hiroshi Ikeda

6 Março 2009

Hoje eu e minha esposa saímos cedo do trabalho e fomos para a escola de nosso filho antes do final da aula. Era nossa semana de fazer a limpeza da sala de aula da 4ª e 5ª série. Nesta escola cada família participa pelo menos uma vez no ano da limpeza da sala de aula de seus filhos, fazendo a limpeza (o que é muito encorajado), ou pagando $40 para que a escola contrate alguém para fazer isso (o único zelador da escola). A maioria das famílias escolhe ir fazer a limpeza.

 

Nós temos feito isso desde o jardim de infância, e se tornou um ritual do qual gostamos muito. Acho que estar no meio da ação nos faz sentir que fazemos parte da escola, isso nos dá um sentimento de conexão com o lugar em que nosso filho passa várias horas de seu dia. Nós fazemos isso por ele, pelo professor, por seus colegas, fazendo uma pequena contribuição para manter o mundo deles limpo, em ordem e agradável. De uma maneira simbólica, estamos recompensando seu professor, a quem ele adora (e nós também) por ter uma influência tão positiva em sua vida.

 

Então dizemos “olá” para os outros pais e vamos ao armário do zelador, pegamos um aspirador de pó e uns sacos de limpeza e vamos para a sala de aula de Jill. É claro que nosso filho preferiria passar o tempo no laboratório de computação enquanto nós limpamos as mesas e tiramos manchas dos teclados, mas ele se junta a nós por tempo suficiente para limpar o quadro negro guardar o aspirador de pó. Além disso, ele nos lembra que “faz seu trabalho” todos os dias. Isto é, as tarefas que as crianças fazem em turnos antes de ir para casa, pequenas coisas como alimentar o porquinho da índia, limpar em baixo das mesas, guardar as cadeiras e suprimentos.

 

Eu descobri que esta escola é uma exceção neste caso. Isso me surpreende, porque em todas as escolas que freqüentei no Japão, as crianças não limpavam apenas suas salas de aula, mas também os corredores e áreas comunitárias. Nós limpávamos e lavávamos as janelas. Isso não era uma punição, de forma alguma; era o que tínhamos que fazer, e tínhamos orgulho de trabalharmos juntos para cuidar de nosso espaço. Acho que não pensávamos nisso, mas estávamos aprendendo sobre responsabilidade, respeito, realizações e cooperação.

 

Como a sala de aula, o dojô é um lugar importante – muitos diriam que talvez seja ainda mais importante que uma sala de aula, porque no dojô nosso trabalho é refinar habilidades que podem nos colocar no limite entre a vida e a morte.

 

Acredito que muitas pessoas hoje em dia confundem o dojô com algum tipo de centro de recreação. Mas diferentemente de um centro esportivo para levantamento de peso ou um ginásio para a prática de esportes, um dojô de artes marciais abriga o kami (deus) do budô. Isso quer dizer que em um dojô, o espírito do bushidô, ou uma lei de conduta, permeia o treinamento. Quando um dojô perde isso, sofre as conseqüências. Acredito que isso é o espírito do budô – este refinado sentimento de respeito – o que distingue um dojô, e é o que levamos em nós para nosso comportamento perante a sociedade.

 

O próprio ato de cuidar do dojô nos permite manifestar fisicamente o processo de purificação de nossos espíritos. Da mesma forma, as pessoas entram no dojô e deixam suas preocupações lá fora, o próprio dojô deve refletir a postura mental pura de seus ocupantes, para que os alunos possam se mover com segurança e liberdade no futuro pelo caminho do budô.

 

Infelizmente, às vezes vejo que alguns alunos consideram que o treinamento não tem nada a ver com este simples ato de cuidado. O espírito do dojô reflete a forma com que cada individuo encara seu treinamento, e isto inclui a forma como ele ou ela trata o próprio dojô. Acredito que uma pessoa que treina em um dojô deveria considerar que este espaço é, de alguma maneira, uma manifestação deles próprios, e deveriam encarar sua purificação da mesma forma que fariam a purificação e a renovação de seus próprios espíritos.

 

Através da história e das culturas, o ato de limpeza e purificação tem sido um gesto tanto prático quanto simbólico de grande significado. No Japão, este tipo de purificação ritual ou “misogi” é uma parte integral e muito importante da vida diária. Por exemplo, no final de dezembro, quase todas as pessoas em toda a nação cooperam dentro de suas famílias, escolas, companhias e dojô para limpar os lugares em que se reúnem. Ao fazerem isso, são capazes de receber o novo ano com seus ambientes purificados, bem como com suas almas purificadas. Outros rituais de misogi podem incluir a purificação do local da construção de um edifício antes que a obra comece. Antes de cada luta de sumô, o esporte nacional Japonês, os lutadores purificam o ringue aonde irão competir jogando sal sobre ele.

 

Parece um paradoxo que atos simples e mundanos possam ter o poder de transformar, mas este fato tem ressurgido repetidamente através dos tempos. Se polirmos o espírito, talvez um dia o espelho esteja imaculado, e então veremos nosso verdadeiro reflexo.

 

* Hiroshi Ikeda – 7° Dan de Aikidô

 

Tradução para o Inglês: Jun Akiyama, editado por Ginger Ikeda

Tradução: Jaqueline Sá Freire – Brazil Aikikai – Hikari Dojo – Rio de Janeiro

 

Colaboração: http://hikari1.multiply.com/


Sobre Aikidô – Por Marcos José do Nascimento – 10 Anos da Academia Central de Aikidô de Natal

4 Março 2009

Eu treinei Judô desde a adolescência, de forma intermitente, com algumas grandes lacunas de período sem treino algum. Havia tido alguma notícia do Aikidô no Rio de Janeiro, nos anos 70, quando vi uma reportagem na extinta revista Manchete, foi o primeiro contato com o assunto. Achei interessantes as movimentações.

 

Meu primeiro professor de Judô, no Rio de Janeiro, Ceny Peres Barga, foi aluno de Masino Ogino, e costumava, Sensei Peres, ensinar-nos técnicas de defesa pessoal, e em meio a algumas dessas técnicas, vim a perceber traços de movimentação do Aikidô, rememorando essas lembranças após iniciado os treinos na arte de Ô-Sensei, e, posteriormente, ao pesquisar sobre a história do Aikidô, descobri que a academia em que iniciei meus primeiros treinos de Judô, Ginásio Portuário, recebera, nos anos 60, um japonês, Yudansha de Aikidô, que ministrou aulas na minha primeira academia de Judô.

 

Em 1999, nasceu o meu interesse pelo treino de Aikidô, no segundo semestre, mas não poderia iniciar os treinos, senão a partir de janeiro do ano seguinte, 2000, em virtude de não dispor de horário algum livre e em função de compromissos assumidos. Essa procura deu-se como forma de preserva a saúde, através de algum tipo de prática que envolvesse o físico. Eu queria, desta forma, uma atividade física que se realizasse sobre o tatame, mas sem competição e um pouco mais suave, por não querer mais o combate, em razão da idade e dos riscos envolvidos para quem já havia passado dos trinta anos de idade, um pouco.

 

Fui, inicialmente, informado de uma academia que funcionaria no bairro do Alecrim, da qual a pessoa que nos indicou forneceu-me um número de telefone, mas que não atendia as chamadas feitas. Assim, deixei para iniciar a procura somente em janeiro de 2000. Na ocasião, um colega de trabalho informou-me da existência de uma academia próxima à Churrascaria A Carreta, em cima da Drogaria Amadeus, o que, de início atraiu mais ainda a nossa atenção, por situar-se no caminho entre a nossa residência e vários locais, trabalho, centro de Natal, e muitos outros pontos.

 

Antes de tomar a decisão por inscrever-me, decidir assistir a um treino, observar o ambiente e como se processava tudo. Fui, durante a semana, numa tarde, por volta das 15h, as aulas duravam até às 16h. Sensei Rodrigo ministrava a aula, era janeiro de 2000, não me recordo bem de quem participava e nem das graduações, mas acredito que havia, no máximo faixas roxas, os Kyus mais avançados de alunos.

 

Percebi a seriedade do ambiente e a seriedade com que se tratava o Aikidô, e, ao final do treino, falei com Sensei Rodrigo, fazendo a minha inscrição, e iniciando os meus treinos em janeiro de 2000, sendo graduado faixa marrom, 1° kyu, em dezembro de 2002.

 

Os primeiros treinos foram um tanto quanto difíceis para mim, por não conseguir, inicialmente, desvincular-me da idéia de que já havia praticado o Judô, não que isso prejudicasse, mas a minha indisciplina mental prejudicava-me no início.

 

Nos primeiros exames, fui estimulado por Sensei Rodrigo, pois eu não pretendia realizar mudanças de faixas. A minha idéia era de permanecer um ano na faixa branca para então, somente depois realizar o primeiro exame. O Sensei demoveu-me dessa idéia. E eu comecei a fazer os exames, que muito me estressava, como me estressaria até hoje, pois é uma situação na qual se fica muito exposto. Dos exames que realizei, um me preocupou muito, foi quando da presença de Shihan Kawai, uma vez que eu guardava receio do rigor que presumia vir dele na cobrança de apuro na execução das técnicas, mas, nesse exame, fui convidado a ser examinado por uma banca da qual participava Sensei Rodrigo. Acredito que, em todos os meus exames, inclusive o para a promoção a 1° Kyu, Sensei Rodrigo estava na banca em que fui examinado.

 

Do que venho aprendendo sobre o Aikidô, percebo, entre outros tantos benefícios a respiração, a postura e a filosofia sobre a vida, sendo este aspecto o mais difícil de ser entendido na prática creio por muitos praticantes, não me excluindo deste rol, porque, na verdade, a proposta filosófica é entrar na técnica para sair dela, e, à semelhança do criador do Judô, Jigoro Kano, O O-Sensei propõe o Aikidô, como filosofia transformadora da criatura humana, praticado fora do Dojô. Mas acredito que o primeiro passo, sem o qual não é possível chegar ao seguinte, é buscar praticá-lo dentro do próprio Dojô do Aikidoísta.

 

MARCOS JOSÉ DO NASCIMENTO – Servidor Público Federal, 1° Kyu de Aikidô e Yudansha de Judô.


Os Cinco Espíritos do Budô – Por Dan Penrod

27 Fevereiro 2009

Shoshin: (初心) Mente de principiante;

Zanshin: (残心) Mente que permanece;

Mushin: (無心) Não Mente ;

Fudoshin: (不動心) Mente Imóvel;

Senshin: () Espírito Purificado, atitude iluminada.

 

Existem 5 mentes fundamentais ou espíritos do Budô; shoshin, zanshin, mushin, fudoshin, e senshin.  Estes conceitos muito antigos são geralmente ignorados nos dojô(s) modernos de Aikidô.  O budoka que se esforça para compreender as lições destes 5 espíritos em seu coração amadurecerá para se tornar um artista marcial e um ser humano forte e competente. O aluno que não se esforça para conhecer e receber estes espíritos sempre terá uma falha em seu treinamento.

 

Shoshin

 

O estado de shoshin é aquele da mente de principiante. É um estado de atenção que permanece sempre completamente consciente, atento e preparado para ver coisas pela primeira vez. A atitude de shoshin é essencial para continuar o aprendizado.  O-Sensei uma vez disse, “Não espere que eu lhe ensine. Você deve roubar as técnicas sozinho”. O aluno deve ter um papel ativo em cada aula, observando com a mente shoshin, para conseguir roubar a lição de cada dia.

 

Zanshin

 

O espírito de zanshin é o estado do espírito que permanece, que continua. É freqüentemente descrito como um estado continuado de atenção aumentada e de decisão. Mas o verdadeiro zanshin é um estado de foco ou concentração antes, durante e depois da execução de uma técnica, em que uma ligação ou conexão entre o uke e o nage é mantida.  Zanshin é o estado da mente que nos permite permanecer espiritualmente conectados, não apenas a um único atacante, mas a múltiplos atacantes e mesmo a um contexto completo; um espaço, um tempo, um evento.

 

Mushin

 

O manual da ASU define mushin como a “Não mente, uma mente sem ego. Uma mente como um espelho que reflete e não julga”.  O termo original era “mushin no shin”, que significa “mente da não mente.”  É um estado mental sem medo, raiva ou ansiedade.  Mushin é freqüentemente descrito pela frase, “mizu no kokoro”, que significa “mente como a água”.  Esta frase é uma metáfora que descreve o lago que reflete claramente o que o cerca quando suas águas estão calmas, mas as imagens são obscurecidas quando uma pedra é jogada em suas águas.

 

Fudoshin

 

Uma mente que não é abalada e um espírito que não se move é o estado de fudoshin. É a coragem e a estabilidade demonstradas mentalmente e fisicamente. Mas ao invés de indicar rigidez e inflexibilidade, fudoshin descreve uma condição que não é facilmente transtornada por pensamentos internos ou por forças externas.  É capaz de receber um ataque forte e manter a postura e o equilíbrio.  Recebe e devolve com leveza, está firmemente aterrado, e reflete a agressão de volta à sua fonte. 

 

Senshin

 

Senshin é o espírito que transcende os primeiros quatro estados da mente.  É um espírito que protege e se harmoniza com o universo.  Senshin é um espírito de compaixão que abraça e serve a toda a humanidade e cuja função é reconciliar e dissipar a discórdia no mundo. Ele considera que todos os tipos de vida são sagrados.  É e mente de Buda e é a percepção de O-Sensei da função do Aikidô.

 

Aceitar completamente o senshin é essencialmente a mesma coisa que se tornar iluminado, e pode ir muito além da abrangência do treinamento diário do Aikidô. Entretanto, os primeiros 4 espíritos são provavelmente atingíveis por qualquer aluno sério através de atenção concentrada e treinamento firme. Abraçar estes estados da mente pode ser recompensador de diversas formas.

 

Shoshin pode libertar um aluno do “vale” frustrante do aprendizado, dando-lhe a visão para enxergar o que ele não poderia ver antes.  Zanshin pode aumentar a atenção total, melhorando o treinamento de randori e de estilo livre.  Mushin pode liberar a ansiedade do aluno quando está sob pressão, capacitando-o para uma performance melhor durante um exame.  Fudoshin, pode lhe dar a confiança para proteger seu território em face de ataques físicos esmagadores.  O Aikidoka sério deve encontrar formas de incorporar estes espíritos do Budô em seu treinamento diário

 

Tradução: Jaqueline Sá Freire – Brazil Aikikai – Hikari Dojo – Rio de Janeiro

 

Colaboração: http://hikari1.multiply.com/