26 Novembro 2009
Em minha adolescência, quando iniciei os meus treinos de Judô com Sensei Ceny Peres Barga, no Ginásio Portuário, no Rio de Janeiro, eram enfatizados os aspectos dos ensinamentos filosóficos de Jigoro Kano, e um deles passado para nós era o seguinte: “O Judô, quando empregado, é tão perigoso quanto uma espada desembainhada, o melhor modo de usá-lo é não o empregar. Ceder para vencer”.
Ceder é uma prática pouco difundida em sociedade, pois, em geral, o ser humano é ensinado, e não educado, a conquistar seus espaços a qualquer custo, de qualquer maneira, qualquer seja esse espaço, e em o conquistando, nele permanecer de igual maneira, da mesma forma que o conquistou, quando não descobrindo novas formas de manutenção no posto, sejam quais forem essas formas.
O Jujutsu marca, pode-se especular, de certa maneira, uma nova maneira de prática de arte marcial, posto que o seu princípio guarda relação com a suavidade, com a flexibilidade, e acredito que no momento anterior à sua existência o modo de praticar-se a arte marcial desarmada fosse talvez mais rígido, menos suave, menos flexível.
Jigoro Kano afirma em seus escritos que o termo Jujutsu talvez se tenha originado da expressão: “Ju yoku go o seisu”, significando, “Flexibilidade Controla a Rigidez”. Na flexibilidade está implícita a idéia de ceder.
Judô e Aikidô são duas artes marciais que empregam a idéia de ceder, embora no primeiro nas competições alguns atletas não se utilizem desse princípio, enquanto outros o utilizam como forma de condução do oponente para uma posição que facilite a aplicação de sua técnica.
Fora os aspectos competitivos do Judô, nas suas demais práticas, ceder é uma constante, no treino técnico, nos seus diversos katas, enquanto no Aikidô essa constante é sempre presente, posto que neste não há alguma forma de combate, no qual um dos praticantes tenha que ser considerado vencedor, inexistindo a figura do oponente na outra pessoa.
Nos treinos de Aikidô, o uke cede o seu corpo para que o tori (ou nage) aplique uma técnica, de igual maneira acontece no Judô, existindo neste apenas uma hipótese em que tal não ocorre, é o chamado “tendoku geiko” (treinamento solitário) no qual o judoca realiza as movimentações de igual forma como se contasse com uke, que na verdade não está presente.
Tanto Jigoro Kano quanto Morihei Ueshiba, respectivamente, criadores do Judô e do Aikidô enfatizavam o uso das artes que criaram fora do ambiente do Dojô, no que se refere a transferir os comportamentos levados a efeito dentro dos treinos para a sociedade, colaborando com ela. E um desses aspectos é o hábito de ceder, entre outros tantos ganhos que vão sendo conquistados ao longo de uma prática continuada.
A imagem do atleta que, na propaganda televisiva, quando chega o elevador, cede a vez para outra pessoa, é um aspecto de gentileza e educação repetido no ambiente do Dojô, e a oportunidade de ceder, pelo exercício da flexibilidade mental, vai-se estendendo aos poucos, para outras posturas mentais e sociais, tornando o praticante, paulatinamente, menos rígido com os outros e consigo mesmo, salientando que todo trabalho de transformação do ser humano, incutindo-lhe novos hábitos mentais e sociais é uma tarefa demorada que tem de contar com a boa vontade do próprio ser, uma vez que na sociedade nem sempre se pode contar com a boa vontade alheia, e transformação que precisa operar-se é em cada ser, em lugar de primeiro dar-se com o outro para que cada um transforme-se.
É uma ação que reclama internalizar os conceitos aprendidos, transformando-os em práticas ao longo do tempo, dentro e fora do Dojô, mesmo que, aparentemente, pequenas, sem grande destaque, sem grande realce social, mesmo sem ser percebida pelos demais, pois, de outra maneira, o discurso não passará de uma bela retórica, o que não falta nos mais variados ramos da atividade humana.
Quando Jigoro Kano afirmava “ceder para vencer”, este vencer reporta-se a vencer a si mesmo, e não o oponente, posto que, em última instância, mesmo na competição em que se busca uma vitória sobre o outro, vence-se a si mesmo, superando-se a si mesmo numa limitação, conquanto essa vitória seja sempre efêmera, mui passageira, como também enfatizava o criador do Judô, quando afirmava que num combate, tanto quem vence, quanto quem perde, encontram-se ambos no mesmo patamar, no mesmo nível.
A arte de ceder, presente no Judô e no Aikidô, herdada do Jujutusu, reclama comportamentos de cooperação, dentro e fora do Dojô, ajudando na construção de uma sociedade melhor, por meio da melhoria dos seus integrantes, e, neste aspecto, tanto o Aikidô quanto o Judô, em suas essências, buscam colaborar na mudança para melhor do ser humano, colaborando com a sociedade como um todo, melhorando-a pela transformação de seus integrantes.
Referências
- MIND OVER MUSCLE – JIGORO KANO – 2005 – KODANSHA.
*MARCOS JOSÉ DO NASCIMENTO – Servido Público Federal – Faixa-Preta de Judô e Aikidô – Aluno da Academia Central de Aikidô de Natal.
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30 Setembro 2009
Existem vários estilos no Aikidô. Nos dojôs e em demonstrações, podemos ver que cada praticante possui um estilo diferente: movimentos lentos, movimentos rápidos, movimentos vigorosos, movimentos que parecem uma dança e muitos outros.
Mas, por quê? Isto porque o Aikidô é uma arte de grande amplitude. O objetivo do Aikidô não é impressionar os outros com a força física, mas sim expressar os movimentos do espírito através do corpo. Além do que os movimentos do Aikidô são relativos ao parceiro, ficando mais lento se o parceiro for lento ou mais rápido se o parceiro for mais rápido, e mais, os movimentos dependem das características físicas e dos pensamentos de cada um.
O fundador Morihei Ueshiba pregava severamente sobre a importância do espírito, mas parece que ele não enquadrava detalhadamente os movimentos. Entre as palavras do fundador existe uma que diz: “No Aikidô não existem formas. Não existindo formas, é tudo um aprendizado do espírito. Não se pode apegar às formas. Isto porque impossibilita a execução de movimentos delicados. A partir do corpo, tudo o que possui uma forma é chamado de “HAKU”. O espírito de tudo o que existe é chamado de “KON”, e nosso objetivo é aprender o aperfeiçoamento do “KON”. Hoje tudo é centralizado no “HAKU”, mas “KON” e “HAKU” sempre devem estar juntos. O “KON” é que deve controlar o “HAKU” “. Isto nos mostra que o ideal do Aikidô é de que o espírito é o principal, devendo o corpo se movimentar de acordo com o movimento do espírito.
Assim, todo o movimento oriundo do espírito do “Aiki” seria Aikidô. O problema é que sem uma forma determinada, é impossível aprender. Sendo assim, foram criadas técnicas básicas (KIHON), por exemplo: dai-itikyo, dai-nikyo, shiho-nague, etc. para que se possa treinar metodicamente. A partir do KIHON, devemos aprender os movimentos esféricos e por meio deste, sentir o Ki, para atingirmos a essência do Aiki. Este é o caminho indicado pelo fundador.
Vendo as demonstrações dos alto-graduados, apesar dos estilos diferentes, sempre existem movimentos circulares, o que nos impressiona. Os movimentos circulares são a manifestação do espírito do Aiki, sendo isto o princípio do Aikidô.
Existem vários dojôs de Aikidô, mas o importante é que o instrutor consiga ensinar os movimentos circulares através dos treinos básicos. O mais importante é aprender os movimentos circulares através do treino persistente do KIHON. O fundador disse “Eu sou o que sou hoje, pelos 60 anos que treinei o KIHON“. São palavras que advertem os que, sem saber o KIHON, tentar apenas imitar superficialmente as técnicas.
*Makoto Nishida – 6o. Dan de Aikidô – Representante de FEPAI
Colaboração: www.linseidojo.com.br
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22 Setembro 2009
Ouso pensar que estamos sempre em busca de algo ou alguém. Esta procura pode ser um acontecimento construído com nossa consciência ativa, ou sem que tenhamos a noção do caminho sob nossos pés e do destino para o qual nos dirigimos.
Antoine de Saint-Exupéry uma vez escreveu: “Só se vê com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. Acho que podemos dizer que todas as verdades mais autênticas, isto é, aquelas que estão muito além de jogos de consoantes e vogais difíceis de se contradizer, enfim, essas genuínas verdades, só podem ser compreendidas e absorvidas pelo Amor que nos permitimos sentir e manifestar.
Eu acrescentaria que: só se vê, realmente, com a alma de nossa alma… e o essencial é intocável pelas palavras…
As nossas buscas, se possuírem um quê de universal, incluem, necessariamente, o Amor e, conseqüentemente, a Verdade, mas, acima de tudo, os Relacionamentos em Harmonia.
Uma pessoa muito amada pelo meu coração me trouxe a mensagem de que eu encontraria (ou deveria encontrar) o Aikidô e eu logo senti que me reencontraria comigo mesmo, enquanto estivesse também me encontrando com muitas das pessoas mais doces que eu viria a conhecer. A minha busca, então, deveria ganhar um novo sentido e um palco mais verdadeiro na minha vida.
Penso que, no fundo, não há nome para o que buscamos. Não há nome para quem somos. Não há nome para o que pensamos ou sentimos. Tudo em nós é tão infinito e grandioso que as palavras são, meramente, uma roupa que vestimos em nós mesmos ou nas coisas do mundo. Quando muito, e se bem utilizadas, as palavras podem vir a ser um simples pretexto para as revelações que dormem dentro de nós.
Olhei nos olhos de muitas pessoas. Senti muitas vezes encontrar e reencontrar muito daquilo que não tem um nome. Mas deverei continuar a minha busca, pois a própria busca já faz parte do que buscamos.
O Aikidô, portanto, na minha concepção, não tem realmente um nome. Chamamos de Arte, de Terapia, de Caminho da Harmonia, mas a Academia Central de Aikidô de Natal, as pessoas que fazem aquele mundo que apresenta o Aikidô e o desperta em Nós, realiza e ensina algo que não poderia jamais ser contido em uma palavra, ou em todas elas.
Meus Professores: Sensei James, Sensei Sérgio, Sensei Vinicius, Sensei Marco, Sensei Gabriel e Sensei Rodrigo trouxeram para minha vida um imenso brilho que não faz parte de mim ainda, mas que venho tentando compreender e abraçar o máximo que posso. Eles ensinam imagens, sentimentos, saberes, filosofia e tudo que é inominável, e não tão-somente técnica. Me ensinaram como fazer a minha parte para construir melhor meus relacionamentos com o mundo e, principalmente, com as pessoas.
Para quem é sensível a sua própria busca, o Aikidô é uma Verdadeira Busca. E a Academia Central de Aikidô de Natal é um jardim cheio de pessoas maravilhosas capazes de ajudar em nossa busca, ou ser a própria busca.
Pelo menos para mim, se surge um problema, isto não é um problema, é uma chance para alimentar e fortalecer a harmonia dentro de nós. Não resistiremos, mas sim, concordaremos. Com compaixão e sinceridade, sentiremos o nosso lugar no mundo, agiremos da maneira mais correta e condizente com a harmonia que desejamos para Nós mesmos, e compartilharemos o melhor que existe em nosso Ser. Desse modo, tudo se resolve, tudo é um caminho em direção a um destino que é um recomeço e um novo caminho.
Sempre que as coisas dão certo para mim, alguém me elogia, eu sinto gratidão e tranqüilidade, sou feliz e o bem acontece em minha vida e nos meus relacionamentos, sempre que sirvo a algo de bom, percebo que estou praticando Aikidô.
Tenho que agradecer, com todas as minhas forças, a meus Mestres, a todos os Mestres do Aikidô e a todos que foram e são a Academia Central de Aikidô de Natal, pois eles me ajudaram e ajudam na minha tentativa de ser alguém cada vez melhor e na minha procura por tudo aquilo de belo, que não se acha nos nomes, mas sim na alma de cada um de nós.
FREDERICO DANTAS RAMALHO CAVALCANTI – Advogado – Faixa verde de Aikidô – Aluno da Academia Central de Aikidô de Natal – www.aikidorn.com.br
Colaboração: www.impressione.wordpress.com
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21 Setembro 2009
Num seminário promovido pela Associação Higashi de Judô, no seu aniversário, em 2009, Shihan Sadao, 7º Dan de Judô, entre tantas afirmações, deixou registrado que os movimentos realizados numa arte marcial não são naturais, mas criados, sendo naturais os movimentos que os seres humanos vão desenvolvendo, espontaneamente, desde o seu nascimento.
Judô e Aikidô são herdeiros de traços do Jujutsu do século XIX, este, já naquela época, adaptado às situações da vida civil, posto que se tratava de uma prática samurai remota usada em campos de batalha, quando do desarme do guerreiro em combate.
Cada ser humano possui um determinado grau de inteligência cinestésico-corporal, oriundo de múltiplos fatores, fatores esses que vão sendo determinados ao longo da vida e do desenvolvimento do ser humano, e esse grau de inteligência cinestésico-corporal determina certas limitações ou facilidades nas movimentações que a criatura faz por alguma necessidade sua, podendo mesmo esta necessidade originar-se de uma prática de ordem física desenvolvida pela pessoa.
No treino das artes marciais japonesas existem técnicas que vão sendo aprendidas, e estas técnicas possuem um tipo de movimentação básica, que lhe serve de fundamento, a partir da qual podem ser criadas variações (kuzure).
A noção de fundamento, desta forma, é uma necessidade do praticante, desde o mais iniciante ao mais avançado, não dentro de um padrão criado como referência de movimentação, a partir do que uma ou outra pessoa faça no âmbito do Dojô, mas dentro do que permite a natureza pessoal de cada praticante, visto possuir, cada um, um grau de inteligência cinestésico-corporal, que, lógico, pode ser desenvolvida e aperfeiçoada, mas não parametrizado em relação a quem quer que seja.
Como dito anteriormente, inúmeros fatores determinam o grau de inteligência cinestésico-corporal de uma pessoa para um determinado tipo de prática, e a arte marcial não está fora desse âmbito de análise, e esse grau pode mesmo constituir-se em um empecilho para a pessoa em relação a um tipo de atividade física, a depender do que lhe será exigido, fazendo com que ela descarte a hipótese de uma determinada atividade. Tal situação pode acontecer a qualquer ser humano.
Outro fator limitante é a idade, em termos dos movimentos de uma pessoa e da amplitude desses movimentos. Ela poderá realizar movimentação, diferentemente de uma pessoa mais nova cronologicamente, não estando mesmo impedida de uma prática, contudo, terá limitações, mas não se poderá exigir-lhe que realize os seus movimentos dentro dos padrões de pessoas mais novas que ela, até mesmo porque as articulações de quem possui uma idade um pouco mais avançada sofrem com os impactos do esforço exigido.
Um bom exemplo dessa situação, no âmbito do Aikidô, é a movimentação em swari-waza e hanmi-handachi para os mais velhos que guardem interesse na prática ou já estejam praticando. Mesmo os mais graduados, antigos na arte, sentem o impacto dessa limitação oriunda do envelhecimento natural que o ser humano pode enfrentar.
Observando os praticantes que iniciam os treinos de Aikidô, creio que todos, senão a maioria, passaram pela situação de ansiedade em relação às técnicas que vão sendo mostradas. Essa ansiedade está presente na preocupação de postura, de movimentação, de destreza, quando aquele que inicia ainda não sabe, por inexperiência ou falta de orientação, que ele não deve procurar realizar suas movimentações iniciais da mesma forma e destreza que o Sensei ou Senpai demonstra, que ele deve ir, aos poucos, adaptando-se aos movimentos básicos, que serão repetidos e aperfeiçoados ao longo do tempo.
Diz um ditado que aquilo que não sabemos fazer, devemos fazer devagar. Nada mais lógico e acertado.
O praticante novato costuma conduzir uma angústia por realizar, com perfeição (que não existe, posto que não há um parâmetro a ser seguido, em termos pessoais) suas movimentações, e uma vez que é comum qualquer um, independente de graduação, deixar passar despercebido algum detalhe, um ponto a ser ressaltado dentro da movimentação da pessoa pode ser realçado pelo instrutor na ocasião, que pode ser o Sensei do treino ou o Senpai com quem o menos graduado esteja treinando.
Daí surge, talvez, um problema: o movimento realizado, que precisa ser aperfeiçoado, estaria errado ou incompleto?
A melhor didática recomendaria a segunda opção, posto que não causaria mais stress no aluno novato, cujas características de personalidade ainda são desconhecidas no âmbito do Dojô, podendo desestimulá-lo à continuidade dos treinos, além do que, de certa forma, todo o ser humano continua sempre em aprendizagem, desde quem começa as primeiras lições de qualquer ramo de conhecimento ou até mesmo quem conduz alguma forma de aprendizagem a um determinado grupo.
Assim, conclui-se que, na verdade, ao realizar uma determinada técnica, em especial o iniciante, ao faltar algum detalhe dentro do fundamento dessa técnica, esse detalhe que falta não é um erro, mas uma lacuna temporária.
MARCOS JOSÉ DO NASCIMENTO – Servidor Público Federal – Faixa-Preta em Judô e Marrom em Aikidô – Aluno da Academia Central de Aikidô de Natal – www.aikidorn.com.br
Referências:
01 – Judo Formal Techiniques: A complete guide to Kodokan Randori no Kata – Tuttle Publishing – Tadao Okati e Don F. Draeger.
02 – Kodokan Judo – Jigoro Kano – Kodansha.
03 – Origins of Judo – Allen Gordon – http://www.judoinfo.com/jhist3.htm.
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15 Setembro 2009
Durante do período Jokoto (800 dC), as espadas usadas eram retas, com fio simples ou duplo e pobremente temperadas. Não havia um desenho padrão, e eram atadas à cintura por meio de cordas. Evidências históricas sugerem que elas eram feitas por artesãos chineses e coreanos que trabalhavam no Japão. As primeiras espadas que se tornaram a arma padrão do samurai foram feitas pelo ferreiro Amakuni, em meados do século VIII.
A adoção do eficiente fio curvado foi um grande passo tecnológico para a época, que coincidiu com as melhorias nas técnicas de temperamento. A era de ouro da manufatura de espadas deu-se sete séculos mais tarde, entre 1394 e 1427. De qualquer modo, quando se estabeleceu a infantaria de massa em substituição à cavalaria das épocas anteriores, a pesada espada do tipo “tachi”, que servia ao cavaleiro montado, foi substituída pela leve kataná, mais curta. Antes, o cavaleiro portava a espada com a lâmina para baixo e a desembainhava em um movimento para cima, de modo que não ferisse o cavalo. Já a kataná passou a ser portada com a lâmina voltada para cima.
Tal mudança na forma de porte da espada significou o início de um método de combate completamente novo, que teria um efeito dramático no modo como o samurai encarava a guerra.
Com a espada segura firmemente na cintura, o samurai a sacava e cortava rapidamente num só movimento, defendendo-se sem precisar sacar primeiro e só então adotar uma postura defensiva. Desde então, o Kenjutsu (uso da espada já sacada) e o Battojutsu (saque e corte imediato) tornaram-se disciplinas separadas, porém paralelas. Várias escolas e sistemas se estabeleceram, então, para o ensino de ambas.
Durante o Sengoku Jidai, a falta de um governo central forte encorajou os daimyo a lutar entre si para expandir territórios. Cresceu a demanda por armas, e os ferreiros iniciaram uma produção em massa de espadas de baixa qualidade. Antes, o aço era cuidadosamente elaborado, forjado e temperado num processo artesanal. Depois, passou a ser importado de forma já pronta, para facilitar a forja rápida. A espada resultante, embora bela, era menos durável e imprecisa. A verdadeira beleza da espada está em sua precisão, durabilidade e aparência. Só quando esses três elementos estão combinados, a arma terá boa performance nas mãos do espadachim.
Espadas que avariam em contato com um objeto duro, ou que revelam uma parte interna de baixa qualidade, não podem ser consideradas legítimas “Nippon To” (espadas japonesas). Não merecem compartilhar da reputação estabelecida pelas lâminas dos grandes mestres ferreiros, que produziam com métodos tradicionais. Hoje, apenas as escolas de Toyama e Nakamura fazem o teste de corte (Tameshigiri). No final da batalha de Sekigahara, em 1600, venceu o general Tokugawa Ieyasu, e seguiram-se trezentos anos de paz.
Nesse período, não havia outro modo de testar uma espada senão pelo corte de corpos de criminosos mortos. Portar espada era proibido, segundo a lei de 1876. Desde que surgiu um interesse no Ocidente pelas artes marciais do Japão, estipulou-se que a verdadeira arte da espada morreu com a restauração Meiji, ou logo após o uso de espadas pelos samurais ter sido esquecido. Alguns historiadores afirmam que a arte da espada começou a declinar após a batalha de Sekigahara, no período Tokugawa, e nunca mais foi recuperada. A conclusão é que a arte da espada morreu no final do século XIX.
Felizmente, nada disso é verdade. Em 1875, no começo da era Meiji, o Japão vislumbrava seu moderno futuro industrial e a Toyama Gakko, sob nova direção, provou ser o veículo a carregar a tradição da espada rumo ao século XX. Fundada para treinar guerreiros militares, além de outras disciplinas, sua base era o “Gunto Soho”, ou “método da espada militar”. Essa combinação de técnicas de antigas escolas famosas, principalmente a Omori Ryu, e sua adoção pelo exército, levou mais tarde à fundação da escola Toyama de espada, em 1925.
Outras escolas, entretanto, não obtiveram o mesmo sucesso. Escolas que antes ensinavam os antigos métodos de samurai agora voltavam-se ao mercado de massa. Em 1870, muitos dojôs na área de Tóquio ensinavam técnicas menos vigorosas. Quando o Kenjutsu dos samurais tornou-se o Kendo do praticante comum, muito da tradição foi perdido.
Porém, as artes tradicionais ainda sobreviviam em algumas escolas militares. Até hoje, o Battojutsu permanece pouco conhecido fora dos círculos militares. A beleza dessa arte consiste em sua simplicidade e eficiência mortal, sem posturas artificiais ou teatrais. Ela é simplesmente uma maneira eficiente, prática e rápida de cortar um oponente num decisivo ato de auto-defesa. Seu poder destrutivo é devastador. O Battojutsu pode apenas ser aprendido em uma escola tradicional onde os métodos antigos, baseados numa experiência de combate real, ainda são seguidos. Então, o método do corte pode ser compreendido em sua plenitude.
Colaboração: www.bugei.com.br
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Cultura, Textos Interessantes | Etiquetado: Auto-Defesa, Battojutsu, Cavalaria, China, Combate, Coréia, Daymio, Dojo, Espada, Espada Militar, Espadachim, Exército, Ferreiro, Fio Curvado, Fio Duplo, Fio Simples, Guerra, Gunto Soho, Infantaria, Japão, Katana, Kendô, Kenjutso, Meiji, Militar, Nakamura, Nippon To, Ocidente, Omori Ryu, Oriente, Período Jokoto, Samurai Amakuni, Sekigahara, Sengoku Jidai, Tachi, Tameshigiri, Têmpera, Tóquio, Tecnologia, Tokugawa, Tokugawa Ieyasu, Toyama, Toyama Gakko |
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3 Setembro 2009
Acredita-se que a arte do bastão mais curto foi desenvolvida pelo grande espadachim Muso Gonosuke, há aproximadamente quatro séculos atrás, após uma derrota em combate pelo famoso Myamoto Musashi, que utilizava espadas de madeira (boken, bokutô) para seus combates.
De acordo com a histórica tradição, Gonosuke se retirou para um templo Shinto e, após longo período de treinamento árduo, de muita purificação e meditação na arte do bastão, desenvolveu um notável domínio sobre o Jo. Seu estilo foi denominado de Shindo Muso Ryu, foi então que desafiou Musashi para um novo confronto. O método criado por Gonosuke possibilitou penetrar na forte postura do estilo de Musashi.
Gonosuke Sensei praticou firme e continuamente até desenvolver os golpes básicos que resultaram em 20 técnicas, que mais tarde foram combinados e aperfeiçoados, sendo criadas as formas básicas (Kata).
Os Katas básicos do Jojutsu, que posteriormente vieram a fazer parte do Jodô (nome adotado por algumas escolas), incluem a utilização de sequências com outras armas, como Bo (bastão longo), Boken e Tanto (faca).
Colaboração: www.bugei.com.br
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Aikidô, Cultura, Textos Interessantes | Etiquetado: Aikidô, Arte do Bastão, Bastão, BO, Boken, Bokutô, Espada de Madeira, Espadacim, Faca, Jô, jojutsu, Kata, Meditação, Muso Gonosuke, Myamoto Musashi, Prática, Purificação, Sensei, Shindo Muso Ryu, Tantô, Templo Shinto, Treinamento |
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17 Agosto 2009
Aikijujutsu, arte marcial praticada antigamente pelos nobres japoneses, por sua riqueza de conhecimento e dificuldade. Perde-se na história a época ou período do surgimento da arte, já que o Japão antigo não exercitava a prática da escrita, restringindo o conhecimento passado apenas entre os familiares das aldeias. Diz-se que sua origem vem da arte da espada, o Kenjutsu, quando nas batalhas não havia outras soluções para a defesa que não o conceito do Sukima (vazio).
O Sukima representa um fundamento básico do Aikijujutsu, e simboliza fazer com que um adversário (inicialmente portando a espada Katana) não consiga atingir seu objetivo, apenas usando os conceitos dos quatro elementos, água, fogo, ar e terra. A partir deste princípio surgiu o primeiro movimento que hoje constituí o Aikijujutsu.
Arte muito antiga, baseada na harmonia e na utilização da energia interior, conhecida como Ki. O Ki é o princípio que rege o universo do Aikijujutsu, focalizando os estudos em sua condução e direcionamento. Bastante usada por velhos e mulheres, por sua riqueza e eficácia da utilização da não-força; alguns a consideram como a arte de lutar sem lutar. É baseada na utilização de chaves, torções e imobilizações, de modo a invalidar o inimigo buscando a harmonia do corpo.
O nome da arte pode ser traduzida para o português da seguinte forma:
Ai: harmonia,amor
Ki: energia, força vital
Ju: flexibilidade
Jutsu: arte
O AikiJuJutsu, desde a organização por Minamoto no Yoshimitsu, e até mesmo antes, teve muitos caminhos distintos, que resultaram em diferentes estilos, como o Daito Ryu Aiki JuJutsu, fundado por Sokaku Takeda, e também o Aiki JuJutsu estudado no Kaze no Ryu, que se difere daquele em muito pela influência das artes de guerra nos povos antigos, os Ainos, que originaram o povo Shizen.
O Aikijujutsu de Takeda veio da linhagem dos Minamoto, que organizaram as técnicas Aiki e o fundaram, aproximadamente no séc.XV. A arte se desenvolve através da circularidade, tal como no universo, pois o praticante é um “sol”, que mantém seus inimigos em sua órbita, sem jamais deixar de iluminá-los. Porém, sempre após o dia, vem a noite, que esconde as práticas mais fortes e rígidas voltadas à guerra, onde se encontra o que chamamos Hidoi.
A complexidade de seu sistema a consagrou como uma arte de nobres costumes. Sua dificuldade se encontra exatamente na harmonia interior do praticante, não se deixando levar por qualquer sentimento ou emoção que afetasse a sua técnica.
Colaboração: www.bugei.com.br
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4 Agosto 2009
Na índia, o Hara é conhecido como o Swadhistana (Morada do Prazer), em sânscrito, ou Chakra Sexual (sacro), no Brasil. Na verdade, a função desse chakra ultrapassa em muito a função genital. Ele também controla as vias urinárias e as gônadas (glândulas endócrinas: testículos no homem; ovários na mulher) e é responsável pela vitalização do feto em formação (função essa que divide com o chakra básico). Aliás, a ligação desses dois chakras é estreita demais. Isso se deve ao fato de que parte da energia Kundalini é veiculada do básico para dentro do chakra sacro. É por esse fator que alguns tibetanos consideram esses dois chakras como um único centro.
Devido à sua intensa atuação energética na área genital, o chakra sacro normalmente é suprimido por várias doutrinas espiritualistas ocidentais, muito presas à condicionamentos antigos sobre sexualidade. Muitas delas colocam o chakra esplênico (que fica na altura do baço) em seu lugar. O motivo disso é simplesmente o tabu em relação à questão sexual. Já os orientais não sofreram a repressão sexual imposta aqui no Ocidente pelo Cristianismo, daí não hesitaram em classificar o chakra sexual como um dos principais centros de força do campo energético, enquanto consideram o chakra do baço apenas como um centro de força secundário.
Osho, no livro The Golden Future, fala sobre a prática de reter o Ki ao “fechar o Hara”:
“O Hara é o centro por onde a vida deixa o corpo. É o centro da morte. A palavra Hara é Japonesa; eis porque no Japão, suicídio é chamado de Harakiri. O centro localiza-se a duas polegadas abaixo do umbigo. Isso é muito importante, e quase todo mundo já o sentiu. Porém, só no Japão eles se aprofundaram em suas implicações.
O Hara está muito próximo do centro sexual. Se você não se elevar em direção aos centros mais altos, em direção ao sétimo centro que está na sua cabeça, se você permanecer por toda sua vida no centro sexual, bem ao lado do centro do sexo está o Hara, e quando sua vida acabar, o Hara será o centro por onde sua energia da vida sairá do corpo.
Energia transbordando no centro do sexo é perigoso, porque ela pode começar a ser liberada pelo Hara. E se ela começar a sair pelo Hara, ficará mais difícil conduzi-la para cima. Então eu tinha lhe dito para manter sua energia dentro e não para ser tão expressivo: Segure-a dentro! Eu só queria que o centro do Hara, que estava se abrindo e que poderia ser muito perigoso, ficasse completamente fechado.
Você seguiu isso, e você se tornou uma pessoa totalmente diferente. Agora quando lhe vejo, não posso acreditar na expressividade que tinha visto antes. Agora você está centrado e sua energia está se movendo na direção correta para os centros mais elevados. Está quase no quarto centro, que é o centro do amor e que é um centro muito equilibrado. Três centros estão abaixo e três centros estão acima dele.
Por causa desses sete centros, a Índia nunca deu importância ao Hara. O Hara não está na linha; está apenas ao lado do centro do sexo. O centro sexual é o centro da vida e o Hara é o centro da morte. Excitação demais, muito descentramento, lançar demasiada energia por todo o lugar é perigoso porque isso leva sua energia em direção ao Hara. E uma vez que a rota é criada, fica mais difícil mover-se para cima. O Hara situa-se paralelo ao centro sexual, assim a energia pode se mover muito facilmente. O Hara deve ser mantido fechado. Eis porque eu lhe disse para ficar mais centrado, para segurar seus sentimentos dentro, e para trazer a energia para seu Hara. Se você puder manter seu Hara controlando conscientemente suas energias, este não as permite sair. Você começa a sentir uma tremenda gravidade, uma estabilidade, um centramento, o que é uma necessidade básica para que a energia se eleve.
Seu centro do Hara tem tanta energia que, se ela for corretamente direcionada, a iluminação não é um lugar distante.
Portanto, essas são minhas duas sugestões: mantenha-se tão centrado quanto possível. Não se perturbe com coisas pequenas: alguém está zangado, alguém lhe insulta e você fica pensando nisso por horas. Toda sua noite fica perturbada porque alguém disse alguma coisa… Se o Hara puder segurar mais energia, assim, naturalmente essa imensa energia começa a subir. Há somente uma certa capacidade no Hara, e toda energia que se move para cima move-se através do Hara; mas o Hara deve estar bem fechado.
Então uma coisa é que o Hara deve permanecer fechado.
A segunda coisa é que você deve trabalhar sempre pelos centros mais elevados. Por exemplo, se você fica zangado com muita freqüência você deve meditar mais sobre a raiva, para que essa raiva desapareça e essa energia se transforme em compaixão. Se você é um homem que a tudo odeia, então você deve se concentrar no ódio; medite sobre o ódio, e essa mesma energia se transforma em amor. Prossiga movendo-se para cima, pense sempre nos degraus mais altos, para que você possa alcançar o ponto mais elevado de seu ser. E não deve haver nenhum vazamento no centro do Hara.
Não deve ser permitido que a energia se mova através do Hara. Uma pessoa cuja energia começa através do Hara, você pode detectar muito facilmente. Por exemplo, existem pessoas com quem você irá se sentir sufocado, com quem você irá sentir como se elas estivessem sugando sua energia. Você descobrirá isso, depois que elas vão embora, você relaxa e fica à vontade, embora essas pessoas não estivessem fazendo nada de errado a você.
Você também encontrará o tipo oposto de pessoas, cujo encontro lhe torna alegre, mais saudável. Se você estiver triste, sua tristeza desaparece; se você estiver zangado, sua raiva desaparece. Essas são as pessoas cujas energias estão se movendo para os centros mais elevados. A energia delas afeta a sua energia. Estamos continuamente afetando uns aos outros. E o homem cônscio, escolhe amigos e companhias que elevam sua energia.
Um ponto está bem claro. Existem pessoas que lhe sugam, evite-as! É melhor ser claro quanto a isso, diga adeus a elas. Não há necessidade de sofrer, porque são perigosas; elas também podem abrir o seu Hara. O Hara delas está aberto, eis a razão de criarem tal sentimento de sugação em você.
A psicologia ainda não percebeu isso, mas é muito importante que pessoas psicologicamente doentes não deviam ficar juntas. E isso é o que está ocorrendo por todo o mundo. Pessoas psicologicamente doentes são colocadas juntas em instituições psiquiátricas. Elas já são psicologicamente doentes e vocês as estão colocando numa companhia que irá arrastar a energia delas mais para baixo ainda.
Mesmo os médicos que trabalham com doentes mentais já deram indicações suficientes disso. Mais psicanalistas cometem suicídio do que qualquer outra profissão, mais psicanalistas enlouquecem do que qualquer outra profissão. E todo psicanalista de vez em quando precisa ser tratado por algum outro psicanalista. O que acontece com esses coitados? Cercado de pessoas psicologicamente doentes, eles são continuamente sugados, e eles não têm a menor idéia de como fechar o Hara delas.
Existem métodos, técnicas para fechar o Hara, assim como há métodos para a meditação, para mover a energia para cima. O melhor e mais simples método é: tente permanecer tão centrado em sua vida quanto possível. As pessoas não podem sequer sentar em silêncio, elas ficam mudando de posição. Elas não podem deitar silenciosamente, por toda à noite elas ficam agitadas e revirando-se.
Você fez bem. Basta continuar o que você está fazendo, acumulando sua energia dentro de você mesmo. A acumulação de energia automaticamente a faz subir. E quando ela ficar mais elevada você irá se sentir em paz, mais amoroso, mais alegre, compartilhando, mais compassivo, mais criativo. Não está muito longe o dia quando você irá se sentir repleto de luz, e com o sentimento de ter chegado de volta em casa.”
Referências nos links abaixo:
• O conceito de Chi;
• Qi e Energia: Tradução, Tradição, Traição;
• Confusão do chakra esplênico com o sacro;
• A Importância do Musubi
Colaboração: www.saindodamatrix.com.br
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31 Julho 2009
O Tan t’ien está no centro do corpo. Os taoístas acreditavam que no útero o feto humano recebe um tipo especial de Ki pelo cordão umbilical. Era o chamado “Ki pré-natal“, que circulava livremente em sua órbita bem como em todos os 32 meridianos de energia. Depois do nascimento e com o passar do tempo este Ki perde seu controle sobre o corpo, não circula mais livremente, os meridianos ficam bloqueados e resultam em desequilíbrios emocionais, doenças físicas e fragilidade, na velhice.
Por outro lado, Tan t’ien é o nome dado aos três principais centros de energia localizados no eixo interno de nosso corpo:
1º) Tan t’ien Superior – Localizado atrás do ponto médio entre as sobrancelhas – Hipófise.
2º) Tan t’ien Médio – Localizado na região do Plexo – Coração.
3º) Tan t’ien Inferior – Localizado três dedos abaixo do umbigo.
É esse último ao qual nos referimos aqui, também chamado “Mar de Energia“. Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, estando cheio o reservatório, ele transborda para os oito vasos energéticos (“vasos maravilhosos“) e posteriormente flui para os doze canais (meridianos), cada um dos quais associados a órgãos específicos. Dessa forma o Ki circula por todo o corpo ao longo de canais (muitas vezes seguindo um percurso paralelo ao sistema cardiovascular), animando toda a matéria viva de nosso ser.
O Tan t’ien, portanto, é claramente a base de todo o sistema energético. Mas os órgãos de vital importância para o corpo, na medicina chinesa, são os rins (Shen), pois eles que regulam o armazenamento e distribuição de Ki para o corpo.
Sabedor disso (de alguma forma), os sacerdotes das diversas religiões usam uma cinta, faixa ou corda exatamente nesta altura (notem que não é uma questão estética, já que ela fica um pouco acima da cintura). Lutadores de artes marciais também costumam amarrar uma larga faixa bem apertada nesse local, para ativar e evitar dispersão da energia. A importância parece estar no judaísmo, também, pois no velho testamento os Salmos fazem várias referências ao coração e rins.
No ritual de iniciação ao Zoroastrismo o sacerdote pega três cordões, que simbolizam a essência filosófica dessa religião: boas palavras, bons pensamentos e boas ações. O iniciado beija as cordas, que são então levadas à altura da fronte (ou terceiro olho) e é então amarrado na cintura do iniciado, na altura dos rins, simbolizando um comprometimento com essas três bases Zoroástricas de uma forma muito parecida com o judaísmo, que usa um Tefilin no braço e na cabeça para simbolizar que se está intimamente “atado” a Deus.
Referências nos links abaixo:
• O conceito de Chi;
• Qi e Energia: Tradução, Tradição, Traição;
• Confusão do chakra esplênico com o sacro;
• A Importância do Musubi
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30 Julho 2009
Hara (腹) significa literalmente “barriga“. É na região abdominal onde o Ki se acumula, mas o ponto central de onde esta energia flui para todo o corpo é conhecido por Tanden (em japonês) ou Tan t’ien (丹田 em chinês), que significa literalmente “área vermelha“, um ponto 6 cm (três dedos) atrás e abaixo do umbigo. É nesse ponto que os praticantes de Kempô, Karatê ou do Tai Chi Chuan se concentram quando fazem as suas técnicas. É fechando o períneo e contraindo o cóccix que se fecha um circuito de energia (para não deixá-la escapar, nas meditações Taoístas) e assim unir os canais ímpares Jen Mu e Tu Mu, fazendo assim a órbita Microcósmica no interior do corpo. Sendo estes dois canais intensificados (energizados) os demais meridianos são também intensificados (os dois canais ímpares influem nos outros canais pares, na acupuntura).
Com a prática dessa técnica de retenção do Ki, pode-se fazer uma brincadeira que é usada em demonstrações de artes marciais, quando uma pessoa normalmente magra é levantada facilmente por outra mais forte, mas quando essa mesma pessoa se concentra e direciona seu Ki para baixo, “enraíza” no chão e aparentemente dobra de peso, só sendo levantada novamente com grande esforço físico.
Na verdade o que ocorre é o seguinte: quando alguém tenta nos levantar e concentramos no Tanden, nós dirigimos – mentalmente – o nosso Ki para baixo, para os pés e para a terra.
Assim, a força do nosso adversário é direcionada para baixo pela força do nosso fluxo – da nossa energia indo para baixo – então o nosso adversário está nos “empurrando” para baixo e não para cima, como ele pensa que está. Para ele superar este fluxo terá que desprender bem mais energia do que o necessário para nos levantar do solo. É um redirecionamento da força do oponente (a base do Aikidô).
Uma outra técnica que todos podem fazer diariamente para aumentar gradativamente o Ki é o Resshu Gamae, uma técnica de centralização de energia. Você assume essa postura ereta, com os joelhos levemente flexionados, como se estivesse abraçando o tronco de uma grande árvore. As palmas das mãos espalmadas, viradas para dentro, e cujos dedos apontam um para o outro, sem se tocar.
Comece fazendo isso por 5 minutos ao dia, por 15 dias. Depois passe para 10 min. ao dia por mais 15 dias, e depois 20 min. por mais 15 dias. Depois disso você já pode sair por aí soltando Hadouken, Leigan, etc.
No Japão, diz-se que os mestres em caligrafia, espada, cerimônia do chá ou artes marciais “atuam a partir do Hara“, ou seja, não precisam de esforço para fazê-lo (algo próximo ao nosso “saber de cor“). Professores budistas orientam seus estudantes a centrar suas mentes no Tanden, que ajuda a manter sob controle os pensamentos e as emoções. “Atuar a partir do Tanden” no budismo é o equivalente ao estado de Samadhi.
Referências nos links abaixo:
• O conceito de Chi;
• Qi e Energia: Tradução, Tradição, Traição;
• Confusão do chakra esplênico com o sacro;
• A Importância do Musubi
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24 Julho 2009
Na China é chamado Chi ou Qi. No Japão é chamado Ki. Podemos definir o Ki como Força Vital, ou Essência vital da pessoa, que também está presente em animais, plantas, e todos os seres vivos.
Na filosofia chinesa, originalmente, Chi era aquilo que diferenciava as coisas com vida das coisas sem vida. Com o desenvolvimento dessa filosofia, o conceito de Chi foi ampliando, cada vez mais, sua gama de significados e aplicações. Por isso desenvolveu-se o trio Jing, Chi, Shen: Essência, substância, e energia espiritual. Assim, pode-se dizer que o corpo físico (Jing) contém o Chi (que poderia ser um campo elétrico ligando o físico ao espiritual) e que o Chi contém o espírito, que é sem forma e intangível.
Note que o Chi é a ponte entre matéria e espírito, mais ou menos como o conceito de perispírito no Espiritismo. Outro conceito é que o Chi seria o “material” básico do qual todas as coisas são feitas. As diferenças não seriam que algumas coisas tinham Chi e outras não, mas sim um princípio (Li; em japonês, Ri) que determinava como o Chi estava organizado e funcionava (similar à metafísica grega de forma/matéria).
Pode-se detalhar ainda mais o Ki (Chi) em quatro tipos:
1 – Yuan Chi – Chi original, verdadeiro. É o mais importante para o corpo, pois é formado pelo Chi essencial, inato, produzido a partir dos alimentos pelo Estômago e pelo Baço/Pâncreas, e também pela inalação do ar límpido (ver Prana). É a força motriz para as atividades vitais do corpo.
2 – Zhong Chi – Chi principal. Constitui a força motora que promove a respiração do Pulmão e circulação do sangue e do coração. A voz e a respiração, a temperatura e a capacidade de movimento do corpo estão relacionadas com esse Chi, que se obtém principalmente do ar.
3 – Yong Chi – Chi da nutrição. Produzido a partir da água e dos alimentos, está distribuído nos vasos sanguíneos, realizando o papel de nutrição.
4 – Wei Chi – Chi defensivo ou protetor. Produzido principalmente pelo estômago e pelo baço/pâncreas, esse Chi é a parte mais forte convertida a partir de alimentos, e possui a característica de ser ágil e rápido nos movimentos. Ele está livre do controle da corrente sanguínea, circulando livremente por todo o corpo, até mesmo exteriormente pela pele. As funções de Wei Chi são defender a superfície corpórea contra fatores patogênicos exógenos, controlar o abrir e fechar dos poros cutâneos, regular a temperatura, umedecer e dar brilho à pele e aos pêlos. A insuficiência de Chi no estômago, baço e pâncreas pode levar o paciente a sentir frio e facilidade em apresentar secreção pulmonar.
A origem etimológica do ideograma (Kanji) Ki (気) é o Chi tradicional chinês (氣), que representa o arroz (米) emanando de si o vapor (气) enquanto cozinha. É interessante, porque a energia vital da pessoa pode ser vista por um sensitivo como a aura (em diferentes cores) que rodeia seu corpo.
Também é interessante notar que no dicionário há 31 significados associados ao ideograma, os mais comumente usados sendo ar, sopro, essência, espírito, coração, éter, atmosfera, temperamento, sabor, etc, enquanto “energia“, tão comumente associado a Ki no ocidente, tem outro ideograma e nome: “Seiryoku“.
O Ki na atividade Imunológica
A atuação do Ki e seu efeito na atividade imunológica recentemente começou a ser estudado em laboratório, quando o Dr. Tsuyoshi Ohnishi, do Philadelphia Biomedical Research Institute, procurou obter evidências científicas objetivas da existência ou não do “Efeito Ki” inibindo o crescimento de células cancerígenas.
Foram usadas células cultivadas de fígado humano com câncer, HepG2, separada em três grupos com a mesma contagem de células. Um especialista japonês em Ki emitiu sua energia através dos dedos sobre as vasilhas de um grupo por 5 minutos e 10 minutos em outro, deixando um grupo sem exposição alguma. Após 24 horas, foram feitas novas contagem de células e estudo de proteínas. Foi percebido que o número de células cancerígenas nos grupos expostos ao Ki era muito menor do que o do grupo não-exposto, na faixa de 30.3% e 40.6% (com 5 a 10 minutos de exposição ao Ki, respectivamente). E a quantidade de proteína por célula era muito maior nos grupos expostos ao Ki, na faixa de 38.8% e 62.9% (5 e 10 min., respectivamente).
Como todos os grupos tinham o mesmo número de células no início do experimento, a diferença entre os dois se deu por conta do “Efeito Ki“. Os resultados foram significantes estatisticamente.
Referências nos links abaixo:
• O conceito de Chi;
• Qi e Energia: Tradução, Tradição, Traição;
• Confusão do chakra esplênico com o sacro;
• A Importância do Musubi
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14 Julho 2009
O que é mais importante em uma jornada, o ponto de chegada, a finalização da caminhada, a consolidação do sacrifício ou a própria jornada em si?
Quando se faz um curso, uma faculdade, uma arte marcial, é comum estabelecermos metas e, mais comum ainda, focarmos na conclusão desta empreitada como meta principal. Mas onde se esconde esta conclusão, num diploma universitário, num certificado de conclusão de curso, numa faixa preta?
Quando estamos para nos formar, seja em que área ou nível, é comum pensarmos que chegamos ao topo do que esperávamos. Estudamos, graduamos todas as etapas do curso e chagamos ao final. Sentimo-nos realizados e os deslizes que cometemos durante essa caminhada são esquecidos, assim como os sucessos. Tudo deixa de ser importante face ao júbilo da formatura, da última prova, da entrega do último trabalho acadêmico. Quando seguramos o certificado de conclusão, a euforia consome todo o esforço da caminhada. Pouco tempo depois, nos deparamos com um novo dilema, estamos no mercado de trabalho, sem experiência, estagiando. Deixamos o topo para ocupar nossos acentos na trajetória profissional, no fim do ônibus. Passado mais algum tempo, quando avançamos em nossas carreiras, nos damos conta de que não aproveitamos tudo o que aquele curso, professores ou instituições tinham a nos oferecer. Quem, ao elogiar a competência de um professor não concluiu ou apenas pensou: se tivesse perguntado mais, me dedicado mais…. .Isso porque visamos “passar de ano” e o estritamente necessário para isso passa a ser o bastante.
Se considerarmos que a conclusão de um curso é apenas uma das etapas deste, passamos a valorizar cada uma dessas etapas. Se dividirmos cada etapa dessas em outras e essas em outras mais, passaremos a nos dedicar a cada dia como se fosse o último, a cada exercício como se fosse à prova final, a cada nova informação como se fosse o conteúdo do nosso curso. Com isso, a meu ver, não criaríamos alunos bitolados e estressados, mas alunos apaixonados, alunos interessados todos os dias. A arrogância do veterano não existiria e sim a consciência de que este está apenas a alguns passos à frente de seu companheiro, mas também, a quilômetros atrás de seu professor. Teríamos profissionais conscientes da situação de sua profissão, da importância dela na sociedade e da necessidade de torná-la mais completa e digna, não importando qual fosse. Seriamos mestres e aprendizes com a responsabilidade de auxiliar a que sabe menos e com a humildade, a reverência e o respeito para com os que sabem mais.
Um monge, certa vez, convidou dois discípulos para uma jornada. Cada um a faria sozinho, a seu tempo e no final dela se revelaria o maior tesouro do mundo. O caminho não era definido, mas o ponto final era o topo de uma montanha. Quando o primeiro discípulo chegou ao final da jornada, três meses haviam se passado desde a sua partida e o monge estava a sua espera.
- Pronto mestre, cheguei o mais rápido que pude, onde está o meu prêmio? – Temos que aguardar o segundo discípulo chegar para concluirmos o teste, afirmou o monge. – Mas mestre, eu fui o mais rápido passei por todas as dificuldades que o terreno apresentou, lutei com sentinelas das cidades por onde passei, persuadi e subornei exércitos de fronteira para chegar o mais cedo possível aqui, e tenho que esperar pelo meu adversário? Mas o monge foi irredutível e os dois passaram a esperar pelo segundo discípulo.
Ao final do terceiro ano eis que chega o segundo discípulo, calmo com semblante cansado, mas infinitamente mais feliz, abraçou o seu igual, fez reverência a seu mestre e sentou-se sem pedir ou exigir nada. O primeiro discípulo então esbravejou: – Eu exijo receber o meu prêmio, fui o mais rápido, o mais esperto, o mais forte e cheguei aqui muito antes que meu adversário, desde então estou aqui sem fazer nada, impaciente, sem nem o aprendizado diário das tarefas do templo que deixamos antes desta competição. O monge levantou-se, calmamente, foi até uma tina d’água, encheu dois copos com água e se pôs em frente a seus dois discípulos. Encarou o primeiro discípulo, e perguntou: O que você deseja receber? O discípulo, impaciente se viu sem resposta, concentrou-se tanto no tesouro que não fazia idéia do que esperar deste. Diante da inatividade do primeiro discípulo o monge voltou-se para o discípulo que acabara de chegar e perguntou. O que você deseja receber? O discípulo abriu um sorriso e falou: – Não desejo nada, mestre, nada que não tenha conquistado nesses três anos de jornada. Consegui ajudar famílias inteiras com os conhecimentos médicos aprendidos no tempo de reclusão, fiz amigos em todas as cidades por onde passei, uni, com conselhos, povos que punham seus exércitos nas fronteiras de seus territórios a fim de intimidar seu vizinho, evolui fisicamente, pelas dificuldades dos caminhos trilhados e cataloguei recursos e terras até então desconhecidas. Toda a minha caminhada foi o crescimento que nunca poderia imaginar. Sou-lhe muito grato por essa oportunidade.
O Monge entregou o copo d’água ao primeiro discípulo e disse: – Seu tesouro já lhe foi entregue segue seu caminho e seja feliz. E entregando o copo d’água ao segundo discípulo disse: – Já não tenho mais nada a te ensinar, volta ao templo e assume sua função como mestre, com toda honra e mérito.
Colaboração: www.aikikaizen.com.br
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10 Julho 2009
O Japão sempre foi fiel aluno e profundo admirador da cultura da China e da Coréia. Importou da China o budismo, o confucionismo, as artes, a escrita, o sistema político, instrumentos musicais, usos e costumes.
Os coreanos ensinaram a arte da fundição, da arquitetura, da carpintaria e incentivados pelo príncipe Shotoku, a escrita chinesa kanji foi ensinada pelo mestre coreano Wang-I aos iletrados japoneses do século VI, como instrumento necessário para o aprendizado do budismo.
Discípulo aplicado, o japonês entendeu a natureza da sua alma e o conforto espiritual que lhe proporcionava a doutrina que falava da salvação pela iluminação, ou seja, pelo conhecimento. Mais ainda, moldou sua personalidade, sua cultura, seu modo de falar, de se relacionar com as pessoas pelos cânones budistas. Não há no budismo nenhum mandamento. Nada obrigatório, nada mandatário, nada no imperativo. Não há nem mesmo Deus ou deuses. Há apenas caminhos apontados. Buda, que significa apenas “O Iluminado”, dizia que o caminho natural de todo ser humano é atingir o estado de Buda. E para isso, apontava caminhos, mas nunca obrigou ninguém a trilhá-los, nunca sequer disse que o que pregava era uma religião. Dizia apenas que a salvação do homem só se dá pela compreensão das quatro nobres verdades, segundo a tradição Theravada.
“A vida é cheia de sofrimento”;
“O sofrimento provém da ânsia”;
“O sofrimento pode terminar se eliminar a ânsia”;
“O meio de atingir a paz interior (nirvana) é através das oito vias sagradas”.
“As oito vias sagradas são ditas a senda óctupla dos três treinamentos superiores: Sabedoria, Ética e Meditação”.
Derivada do budismo, a tônica do zen-budismo é a integração com o todo pelo fazer e pela meditação. A ação existe como recurso para esvaziamento da mente. Não se fala, não se pensa, faz-se o mais perfeito porque o corpo é apenas expressão da alma. Ao falar e ao pensar, estamos conscientes, ocupando, portanto, parcela muito pequena das nossas mentes grandemente mergulhadas no insondável inconsciente. No gesto e na ação perfeitas, fora do consciente, revela-se a perfeição do inconsciente, a perfeição da alma.
O xintoísmo é a religião primitiva do Japão. Nasceu da relação do homem com a Natureza, seus sentimentos, crenças e superstições, por isso, é animista e panteísta. Tudo é dotado de alma, há divindades para tudo: florestas, águas, rios, mares, árvores, pedras, entes falecidos etc. Assim, o nipônico primitivo tornou sagrados os elementos que amava e respeitava.
Dentre todos os elementos da Natureza, o ser humano é o único ser passível de veneração, porque nasce de deuses celestiais. Nos lares, o japonês venera seus ancestrais num pequeno santuário de madeira, oferecendo-lhes água e a primeira porção da comida. Contrariamente ao budismo, não há ensinamentos no xintoísmo, apenas uma mitologia escrita em 712 no Kojiki (Relato de coisas antigas) e em 720 no Nihonshoki (Crônicas do Japão). Há inúmeras divindades, mas nenhuma necessidade de igreja ou templo.
Antigamente os japoneses cercavam um pedaço do terreno com a corda de palha trançada (shimenawa) e ali celebravam suas cerimônias xintoístas. O visitante que quisesse reverenciar a divindade máxima no altar de um santuário xintoísta, seria levado pelo sacerdote ao altar onde há apenas um espelho. “Tipifica o coração humano que quando perfeitamente plácido e claro reflete a própria imagem da Divindade”, explica Inazo Nitobe. Não se pode ensinar o xintoísmo porque não há o que ensinar: nem doutrina, nem mandamento, apenas a mitologia narrando a origem do arquipélago e do povo japonês. Só se aprende o xintoísmo pela convivência e pelo exemplo, afirma Yunagita Kunio, um dos maiores estudiosos da cultura japonesa.
Do sábio chinês Confúcio (Kung Fon Tzeu) o japonês aprendeu a ética social, o respeito à hierarquia familiar e à da sociedade. Confúcio ocupava-se unicamente do presente; nada ensinava da vida além-morte. Em comum com o budismo, o confucionismo prega a sabedoria e a benevolência, além da justiça, honestidade e sentido da propriedade.
Toda arte japonesa ao harmonizar corpo, mente e espírito, reflete os princípios religiosos expostos. Não há a perfeição como objetivo a ser atingido. A concepção de perfeição é zen-budista: está no buscar, no caminhar, por isso, grande parte das artes japonesas, têm a finalização dô (caminho). Shodô é o caminho da escrita, kadô, o caminho das flores ou dos arranjos florais também conhecido como ikebana, kadô, com outro kanji para “ka” significando poesia, é o caminho da poesia ou a arte do poeta, butsudô, o caminho dos ensinamentos budistas, sadô ou chadô, o caminho do chá ou a arte da cerimônia do chá, kendô, o caminho da espada, aikidô, o caminho para harmonia do espírito, judô, caminho suave ou caminho da luta suave, karatê-dô, caminho da arte marcial de mãos vazias. Mesmo que se repute perfeita a arte, o mestre se considera apenas no caminho porque cada execução é única, irrepetível, irretocável, produto do estado de alma naquele exato instante. E executa-se porque o enlevo da alma é também único para cada instante.
A cultura japonesa considera natural trilhar o caminho do aprimoramento da alma. A arte é apenas um dos meios para isso. O xintoísmo moldou as artes ensinando o respeito e a necessidade de convivência com o próximo para nosso aperfeiçoamento como homens. Para os praticantes das artes marciais japonesas, o local de treinamento, é como no xintoísmo, terreno sagrado, merecedor de respeito e reverência. É local de aprendizado e elevação espiritual, para o que as lutas são meros instrumentos, por isso, é muito natural que lutadores de aikidô, judô, sumô, kendô ou outra arte marcial reverenciem o local da prática e o adversário, antes e depois da luta. Natural também que as regras éticas tenham moldado as regras esportivas, surgidas depois.
Produto cultural dessa ideologia, tudo ligado ao conhecimento e àquilo que nos aprimora, é respeitado e venerado: as escolas, os livros, os professores, os santuários, os templos, a prática de qualquer arte que eleve, instigue nossa sensibilidade estética, como na poesia ou pintura, ou dê paz espiritual ao homem, como na arte do bonsai ou da cerimônia do chá. Os professores ou aqueles que ensinam gozam de alta reputação social. Sensei (professor), além de ser pronome de tratamento para quem ensina, é pronome altamente respeitoso, equivalente a doutor para nós brasileiros.
Referências Bibliográficas:
Michiko Yusa – Religiões do Japão – pag 31 – ed 2002 – Edições 70 – Lisboa – Portugal
Inazo Nitobe – Bushidô – a alma de samurai – ed pag 16 apud in Benedito Ferri de Barros – Japão – harmonia dos contrários – ed 1988 – página129
Para saber mais: D. T. Suzuki e Erich Fromm – Zen-budismo e Psicanálise
Para saber mais: op cit Michiko Yusa e Xintoismo e Edmond Rochedieu – Editorial Verbo ed 1982 Lisboa/Portugal.
Colaboração: www.aikikaizen.com.br
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7 Julho 2009
01 – Seja ético.
A vitória que vale a pena é a que aumenta sua dignidade e reafirma valores profundos. Pisar nos outros para subir desperta o desejo de vingança.
02 – Estude sempre e muito.
A glória pertence àqueles que têm um trabalho especial para oferecer.
03 – Acredite sempre no amor.
Não fomos feitos para a solidão. Se você está sofrendo por amor, está com a pessoa errada ou amando de uma forma ruim para você. Caso tenha se separado, curta a dor, mas se abra para outro amor.
04 – Seja grato(a) a quem participa de suas conquistas.
O verdadeiro campeão sabe que as vitórias são alimentadas pelo trabalho em equipe. Agradecer é a melhor maneira de deixar os outros motivados.
05 – Eleve suas expectativas.
Pessoas com sonhos grandes obtêm energia para crescer. Os perdedores dizem: “isso não é para nós“. Os vencedores pensam em como realizar seu objetivo.
06 – Curta muito a sua companhia.
Casamento dá certo para quem não é dependente.
07 – Tenha metas claras.
A História da Humanidade é cheia de vidas desperdiçadas: amores que não geram relações enriquecedoras, talentos que não levam carreiras o sucesso, etc. Ter objetivos evita desperdícios de tempo, energia e dinheiro.
08 – Cuide bem do seu corpo.
Alimentação, sono e exercício são fundamentais para uma vida saudável. Seu corpo é seu templo. Gostar da gente deixa as portas abertas para os outros gostarem também.
09 – Declare o seu amor.
Cada vez mais devemos exercer o nosso direito de buscar o que queremos (sobretudo no amor). Mas atenção: elegância e bom senso são fundamentais.
10 – Amplie os seus relacionamentos profissionais.
Os amigos são a melhor referência em crises e a melhor fonte de oportunidades na expansão. Ter bons contatos é essencial em momentos decisivos.
11 – Seja simples.
Retire da sua vida tudo o que lhe dá trabalho e preocupação desnecessários.
12 – Não imite o modelo masculino do sucesso.
Os homens fizeram sucesso a custa de solidão e da restrição aos sentimentos. O preço tem sido alto: infartos e suicídios. Sem dúvida, temos mais a aprender com as mulheres do que elas conosco. Preserve a sensibilidade feminina – é mais natural e mais criativa
13 – Tenha um orientador
Viver sem é decidir na neblina, sabendo que o resultado só será conhecido, quando pouco resta a fazer. Procure alguém de confiança, de preferência mais experiente e mais bem sucedido, para lhe orientar nas decisões, caso precise.
14 – Jogue fora o vício da preocupação.
Viver tenso e estressado está virando moda. Parece que ser competente e estar de bem com a vida são coisas incompatíveis. Bobagem … Defina suas metas, conquiste-as e deixe as neuras para quem gosta delas.
15 – O amor é um jogo cooperativo.
Se vocês estão juntos é para jogar no mesmo time.
16 – Tenha amigos vencedores.
Aproxime-se de pessoas com alegria de viver.
17 – Diga adeus a quem não o(a) merece.
Alimentar relacionamentos, que só trazem sofrimento é masoquismo, é atrapalhar sua vida. Não gaste vela com mau defunto. Se você estiver com um marido/mulher que não esteja compartilhando, empreste, venda, alugue, doe… e deixe o espaço livre para um novo amor.
18 – Resolva!
A mulher/homem do milênio vai limpar de sua vida as situações e os problemas desnecessários
19 – Aceite o ritmo do amor.
Assim como ninguém vai empolgadíssimo todos os dias para o trabalho, ninguém está sempre no auge da paixão. Cobrar de si e do outro viver nas nuvens é o começo de muita frustração.
20 – Celebre as vitórias.
Compartilhe o sucesso, mesmo as pequenas conquistas, com pessoas queridas. Grite, chore, encha-se de energia para os desafios seguintes.
21 – Perdoe!
Se você quer continuar com uma pessoa, enterre o passado para viver feliz. Todo mundo erra, a gente também.
22 – Arrisque!
O amor não é para covardes. Quem fica a noite em casa sozinho, só terá que decidir que pizza pedir. E o único risco será o de engordar.
23 – Tenha uma vida espiritual.
Conversar com Deus é o máximo, especialmente para agradecer. Reze antes de dormir. Faz bem ao sono e a alma. Oração e meditação são fontes de inspiração.
24 – Muita Paz, Harmonia e Amor.
sempre!
* Roberto Shinyashiki é Psiquiatra, palestrante e autor de 14 títulos.
Colaboração: www.pensador.info
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Textos Interessantes | Etiquetado: Agradecer, Alimentação, Amigos, Amor, ética, Bom Senso, Campeão, Carreira, Celebrar, Confiança, Conquistas, Contatos, Crescimento, Criatividade, Dignidade, Elegância, Energia, Estudo, Exercício, Expectativa, Experiência, Felicidade, Feliz, Glória, Gratidão, Harmonia, Homem, Luz, Meditar, Motivação, Mulher, Natural, Orar, Paz, Prazer, Relações, Relacionamentos, Rezar, Roberto Shinyashiki, Sensibilidade Feminina, Separação, Ser Feliz, Sofrimento, Solidão, Sonho, Sono, Sucesso, Talento, Trabalho, Trabalho em Equipe, Valores, Vingança, Vitória |
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2 Julho 2009
O Blog I M P R E S S Õ E S está em festa. Na data de hoje, 02/07/2009, o Blog completa seu primeiro ano de sucesso.
Em 02/07/2008 o Blog foi ao ar com o objetivo de ser mais uma opção para debates acerca de assuntos da Atualidade, Aikidô, Artes Marciais, Cultura, Direito, Espiritismo, Notícias e Trabalho Voluntário.
Depois do seu 1° ano de vida O Blog confirma que o objetivo foi alcançado e agradece aos mais de 20.885 acessos. Reforça ainda que, em continuidade ao trabalho apresentado, continuará divulgando os melhores textos para os melhores leitores.
I M P R E S S Õ E S agradece a sua visita.
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Aikidô, Cultura, Direito, Espiritismo, Notícias, Textos Interessantes, Voluntariado | Etiquetado: Acessos, Aikidô, Artes Marciais, Atualidade, Blog, Blog Impressões, Blog Impressione, Debates, Direito, Espírita, Espiritismo, Estudo, Impressões, Impressione, Leitores, Leitura, Textos, Trabalho Voluntário, Voluntariado, www.impressione.wordpress.com |
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30 Junho 2009
Os sufi são uma das centenas de castas da Índia. São um povo pobre, temente a Deus e que se especializaram em contar histórias que transmitissem aos mais jovens os ensinamentos filosóficos de seus ancestrais. Segue um conto:
Mulla Nasrudin sonhou que estava no céu e que tudo à sua volta era muito bonito e fácil. Só encontrava beleza e não precisava fazer esforço para nada, bastava desejar alguma coisa – qualquer coisa – e ela aparecia.
Nasrudin tinha tudo que queria e estava super satisfeito, os milagres aconteciam sempre que desejava. Foi bom demais por algum tempo, até que ele começou a se entediar, deixou de achar graça naquela vida. Aí resolveu procurar algum problema, qualquer situação que lhe aborrecesse ou até lhe fizesse ficar deprimido, porque já não suportava mais tanta maravilha. Não encontrou nada que lhe perturbasse. Passou a procurar um trabalho para fazer, uma responsabilidade qualquer e não havia nada, porque era perfeito.
No seu sonho Mulla Nasrudin gritou:
- Não agüento mais! Estou cheio de não fazer nada e de ter tudo! Preferiria estar no Inferno!
E uma voz lhe respondeu:
- E onde é que você pensa que está?
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22 Junho 2009
“Eu não tenho espada, faço da minha calma e silêncio espiritual minha espada.” - Tradição oral Samurai
Silêncio… o que é silêncio? Qual é sua natureza, aplicação e repercussão? O silêncio é uma constante japonesa, não uma prática, é algo já arraigado, é o normal, não o almejado nos meios tradicionais. É de muito mau gosto ou ignorância interromper uma ação ou um estado natural de quietude com algum comentário desnecessário e/ou fora de contexto. Mas vamos com calma, parcimônia e sabedoria, afinal, somos brasileiros, fora deste contexto oriental.
Silêncio, do latim silentiu, do dicionário Michaelis: “3 Abstenção voluntária de falar, de pronunciar qualquer palavra ou som, de escrever, de manifestar os seus pensamentos”. Sileo- silentium, que significa: estar em repouso, tranqüilidade, descanso, ausência de qualquer estorvo. Etimologicamente, a palavra silêncio remete a silentium, silere, cujo significado encontra-se em sileo, cujo sentido é calar, omitir-se.
O silêncio é um meio de aprendizado comum ao budô. A partir do silêncio interior o aluno coloca-se pronto a receber o conhecimento oferecido pelo mestre. Ao postar-se em silêncio e perceber com consciência o que é demonstrado, o deshi tem uma condição melhor de internalizar o que é ministrado. Assim sua percepção sobre a natureza da prática amplia e amadurece.
No dojô de Aikidô, assim como em Nihon no Dojô, silêncio é algo essencial. O aluno não deve manifestar-se se não foi requerido ao mesmo. Aqueles que chegam ao dojô no meio de uma aula já em curso não devem comunicar-se com os que já estão praticando e o mesmo vale aos que estão no tatame, não devem dar boas vindas e outras expressões.
Durante a prática o sensei e os alunos mais graduados devem ser respeitados em suas orientações, não precisando contar com uma segunda voz ao guiar uma instrução. Se seu sensei chegou perto de você durante uma orientação que você possa estar passando a um companheiro, silencie-se e deixe que o sensei, que atenho certeza é o mais qualificado, observe e oriente as dúvidas de seu parceiro, e as suas TAMBÉM. Não chame o sensei, não use o imperativo, ex. “repita isso para mim sensei; sensei faça isso”.
Sempre que for necessário tirar uma dúvida durante a prática espero o sensei chegar, e se nesse tempo ele demorar vá praticando o seu melhor e não se preocupe com a prática de seu companheiro, não interfira, não oriente, principalmente e muito principalmente se você não é instrutor qualificado. Particularmente, em nosso dojô o aluno que tem permissão de orientar superficialmente seus colegas tem desígnio público meu, sendo vedada essa prática a outros alunos, iniciantes, alunos graduados e alunos visitantes. Enfim, se você acha que pode orientar seu colega é porque ou você tem permissão do sensei ou é porque já tem conhecimento suficiente das regras do dojô e portanto deve esperar em silêncio e quietude. Lembre-se: não interrompa o sensei, seus kohai e senpai, não converse, treine, treine e treine mais.
Charles Richet – Fukoshidoin, instrutor auxiliar e faixa-preta 2° grau, com ambas certificações conferidas pelo Hobu Dojô – Aikikai
Colaboração: www.portalaikido.com.br
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15 Junho 2009
Não importa qual direção você quer dar à sua vida. Seja o que for que decidir fazer, acima de tudo são necessárias a consistência e a regularidade para que possa chegar a seu objetivo.
Meu professor de tênis, Rodrigo Barbosa, sempre diz: o segredo do tênis é a regularidade. Regularidade nos treinos. Regularidade durante os jogos. Regularidade nos saques. Tudo é regularidade! Ele tem razão. Não adianta treinar oito horas por dia durante cinco semanas e depois ficar alguns meses sem ver a raquete. É melhor treinar duas vezes por semana, regularmente, porque o seu jogo ficará consistente. Não adianta você acertar um saque sensacional e errar um monte deles. É melhor dar um saque bem colocado e errar pouco.
A preocupação com a forma física tem levado muitas pessoas às academias, quadras e aos parques. O problema é que muita gente acha que pode ficar a semana inteira parada e, no sábado de manhã, correr para uma quadra de futebol, começar a jogar às 7 horas e só parar às 20 horas. Os resultados disso você já sabe: dores pelo corpo, lesões musculares e, até mesmo, um infarto.
Os cardiologistas são unânimes em afirmar que exercício físico bom é aquele feito com consistência e regularidade. Esse conselho vale para tudo. Na nossa jornada em busca do crescimento pessoal, as grandes vitórias vêm após ações consistentes e muito regulares. Nos estudos é a mesma coisa. Não importa se você estuda Direito, Literatura ou Marketing, se você reservar vinte minutos do seu tempo para estudar todos os dias, depois de um ano ficará impressionado com a sua evolução. Se você conseguir estudar uma hora por dia, então, vai ser sensacional. Pessoas que somente estudam para as provas podem até ser aprovadas, mas raramente aprendem.
Com a sua carreira profissional acontece a mesma coisa. Constância e regularidade são fundamentais. Se você pensa em ser engenheiro, presta vestibular, começa o curso e, no meio do segundo ano, decide que quer ser veterinário, tudo bem. É preciso entender que você mudou de idéia. Se você pensa em ter uma empresa de informática, prepara tudo, faz os empréstimos e os investimentos, mas depois de seis meses trabalhando decide que vai ser cabeleireiro, tudo certo. É preciso entender que você mudou de opinião.
Se você e sua namorada resolvem se casar, preparam a festa, arrumam uma casa para morar e cuidam de mobiliá-la, fazem planos para os filhos, e pouco antes da data do casamento você decide que vai ser padre, o que se pode fazer? Antes agora do que depois de casado, certo? Mas há algo muito errado nessas histórias todas. Como é que você consegue não terminar nada do que começa?
Tudo bem que exagerei um pouco nos exemplos. Mas a grande verdade é que é mais ou menos assim que muitos jovens se comportam. Mudam de idéia a toda hora, muitas vezes para direções que nada têm que ver com suas decisões anteriores. Dessa maneira, sua dedicação não constrói coisa alguma.
Lógico que não devemos ser rígidos como uma montanha, mas precisamos ter em mente que os resultados aparecem depois de algum tempo de dedicação. Infelizmente, muitas pessoas abandonam um projeto no momento em que ele iria começar a dar resultados. Peter Drucker, o grande professor de administração, dizia que a maioria dos projetos dá errado, não porque foi construída e administrada erradamente, mas porque as pessoas desistem deles antes mesmo de os resultados aparecerem.
Se as nossas decisões e os nossos atos não apresentarem consistência e regularidade, haverá um grande desperdício de nosso potencial humano, de dinheiro, de sonhos, de entusiasmo, de crenças. Significa perda de tempo, pois ficamos andando em círculos, podendo afundar cada vez mais no lodo. Não importa qual direção você quer dar à sua vida. Seja o que for que decidir fazer, acima de tudo são necessárias a consistência e a regularidade para que possa chegar a seu objetivo.
* Roberto Shinyashiki é psiquiatra, palestrante e autor de 13 títulos.
Colaboração: http://shinyashiki.uol.com.br
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8 Junho 2009
De vez em quando escutamos o seguinte comentário:
“Vivo acreditando em sonhos, muitas vezes procuro combater a injustiça, mas sempre termino me decepcionando”.
Um guerreiro da luz sabe que certas batalhas impossíveis merecem ser lutadas, e por isso não tem medo de decepções – já que conhece o poder de sua espada, e a força do seu amor. Ele rejeita com veemência aqueles que são incapazes de tomar decisões, e estão sempre procurando transferir para os outros a responsabilidade de tudo de ruim que acontece no mundo.
Se ele não luta contra o que está errado – mesmo que pareça acima de suas forças - jamais encontrará o caminho certo.
Meu editor iraniano, Arash Hejasi, me enviou uma vez um texto que dizia:
“Hoje uma grande chuva me pegou de surpresa, enquanto eu caminhava pela rua… graças a Deus eu tinha meu guarda-chuva e minha capa. No entanto, ambos estavam na mala de meu carro, estacionado bem longe. Enquanto eu corria para pegá-los, pensava que estranho sinal estava recebendo de Deus: temos sempre os recursos necessários para enfrentar as tempestades que a vida nos prepara, mas na maior parte das vezes estes recursos estão trancados no fundo de nosso coração, e isso nos faz perder um tempo enorme tentando achá-los. Quando os encontramos, já fomos derrotados pela adversidade”.
Estejamos, portanto, sempre preparados: caso contrário, ou perdemos a chance, ou perdemos a batalha.
Colaboração: http://colunas.g1.com.br/paulocoelho/
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4 Junho 2009
Ficar em silêncio ajuda muito a escutar a voz da sua alma.
Você já ouviu a opinião de muitos autores a respeito da importância de seguir o seu coração. Eles têm razão: um caminho que não fale ao seu coração não alimentará a sua alma; e uma pessoa sem alma é um ser perdido no oceano da vida.
A exploração do nosso mundo interior ajuda a nos conhecer melhor e, portanto, a construir uma vida que tenha sentido. Fico muito triste quando converso com pessoas ricas e importantes que me confessam, quase chorando: é horrível ver que batalhei e consegui tantas coisas que queria, mas não sou feliz. O meu sacrifício não me deu felicidade.
É importante escutar a nós mesmos o tempo todo, para saber se estamos realizando objetivos que nascem do nosso coração. Só assim teremos certeza de que, no final da vida, não iremos nos martirizar com o arrependimento.
- Mas, Roberto, como conhecer a minha alma? Como escutar o meu coração?
Bem, a primeira dica é: faça a pergunta certa. Quando você faz a pergunta errada, o seu coração vai para muito longe. Quer um exemplo de pergunta errada? Suponha que o seu chefe foi duro com você e apontou vários problemas de desempenho no seu trabalho. Se você perguntar a si mesmo: “Por que meu chefe está me sacaneando?”, não vai encontrar uma resposta que lhe ajude a crescer.
Sentir-se vítima do seu chefe, em vez de analisar o próprio trabalho, vai deixar você distante da resposta que lhe interessa. Nesse momento o melhor é olhar para dentro de si, verificar em quais pontos o seu chefe tem razão, analisar suas atitudes e tentar melhorar o seu desempenho. Seu namorado terminou o relacionamento com você. Em vez de perguntar por que ele a sacaneou, seria mais interessante entrar em sintonia com os próprios sentimentos. Se a tristeza aparecer, o melhor é chorar em paz, e só depois analisar seu comportamento.
Talvez você se dê conta de que estava sendo muito crítica com seu namorado e, a partir daí, aprenda a admirar mais a pessoa que você ama, percebendo com isso o que pode melhorar em sua maneira de demonstrar amor. Se você fizer as perguntas certas, conseguirá aprender muito sobre si mesmo. Faça suas perguntas, mesmo que elas fiquem muito tempo sem resposta:
• O que é essencial para você?
• Qual é a sua meta profissional?
• Como gostaria de estar daqui a dez anos?
• O que você precisa fazer para realizar seus projetos?
• A sua vida está do melhor jeito que poderia estar neste momento?
A capacidade de explorar nosso mundo interior nos ajuda a tomar melhores decisões e a evitar problemas decorrentes da nossa maneira de ser. Quando tinha aproximadamente 20 anos eu era o rei das decisões impulsivas. Decidia comprar alguma coisa sem pensar e alguns dias depois tomava consciência de que tinha feito besteira.
Depois de algum tempo decidindo errado, prometi a mim mesmo que sempre me daria um prazo de uma semana para pensar antes de comprar qualquer coisa mais cara. Isso evitou que eu fizesse muitas bobagens. Conhecer-se melhor pode ajudá-lo a tomar decisões que lhe façam realmente crescer.
Certa vez um deputado que gostava muito do meu trabalho telefonou-me e convidou-me a assumir um cargo de diretor de um importante hospital público. Consegui pedir a ele um prazo de um dia antes de lhe dar a resposta, o que foi um grande sacrifício, pois a minha vontade era dizer sim na hora. Fiquei pensando sobre o assunto e me dei conta de que aceitar o convite para cuidar de um hospital não tinha o menor sentido, considerando a minha vocação de psiquiatra. O que eu gostava mesmo era de escutar as pessoas e ajudá-las a se realizar. Foi um alívio quando, no dia seguinte, liguei para dizer “não, obrigado!”. Minha alma celebrou a minha decisão.
Algumas vezes, sua rota precisa ser reajustada e você só descobrirá isso se souber conversar consigo mesmo. Ficar em silêncio ajuda muito a escutar a voz da sua alma.
Sabe quando rastreamos todos os arquivos e pastas do computador em busca de alguns vírus que possam ter invadido o sistema? Sabe quando navegamos pela internet e mantemos o antivírus acionado para impedir a entrada de elementos suspeitos? Na vida real, o autoconhecimento é nosso melhor antivírus. Para que você não perca todos os seus documentos nem tenha de configurar novamente sua máquina, pergunte-se sempre o que realmente importa em cada momento de sua vida.
* Roberto Shinyashiki é psiquiatra, palestrante e autor de 13 títulos.
Colaboração: http://shinyashiki.uol.com.br
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1 Junho 2009
Tive uma experiência interessante na minha volta aos treinos de Aikidô, por estes dias. Embora meio fora de prática, tive um prazer imenso em treinar, como nunca tive em todo o tempo treinado. Lembro-me de antes, que quando estava no tatame, muitas das vezes estava com a mente distante; e ao contrário, quando estava distante, estava com pensamento no tatame, de modo que não vivenciava realmente a maravilhosa experiência do treino. Após os últimos 11 (onze) meses de estudo do Zen, da tradição do Thay, praticando a meditação, compreendi melhor o que o fundador do Aikidô – Ô-Sensei Morihei Ueshiba pretendia com união mente, corpo, espírito.
Após iniciado o meus estudos de meditação, foi uma experiência formidável treinar Aikidô, envolto em Plena Consciência. Já em casa, afastado dos treinos, busquei fazer os movimentos da arte marcial, atento a respiração, e já havia obtido uma excelente experiência. A verdade é que descobri o Zen no Aikidô.
Já tinha ouvido falar que o Aikidô era o Zen em movimento, mas não tinha ainda vivenciado a experiência. Até o famoso Ki, pude perceber real. O que para mim antes não passava de metafísica, passei a senti-lo no treino, embora não tenha ainda domínio sobre ele. Atento aos movimentos e a respiração, repetindo mentalmente “momento presente, momento maravilhoso“, torno-me mais atento as sensações do corpo e mente, não deixando me perder em pensamentos, e tornando mais presente ao treino e concentrado aos movimentos. Observo o relaxamento do corpo, cuidando-me para não permitir tensões no corpo, buscando a leveza natural do ser, indispensável à meditação e ao Aikidô. O objetivo é seguir no treino atento à forma correta. A perfeição marcial é a preocupação instrumental imediata, sendo a harmonização espirito/corpo/mente o objetivo final. E nesse momento o Aikidô e o Zen se confundem.
JOSÉ RIBAMAR LOPES – Servidor Público Estadual – 2º Kyu (Faixa-Azul) – Aluno da Academia Central de Aikidô de Natal.
Colaboração: http://umditoeumponto.blogspot.com/
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29 Maio 2009
Chico acreditava que a solução da delinqüência estava dentro do lar, da família e que o ato de fazer um aborto é imoral.
Com as crianças Chico tinha um magnetismo incomum. Elas adoravam o mineiro, que sempre tinha os braços abertos para abraçá-las, com carinho e atenção.
Muito se fala sobre delinqüência juvenil, mas este problema não é de hoje. Chico Xavier psicografou livro com texto do espírito Emmanuel em “À Sombra do Abacateiro”, de Carlos A. Baccelli.
“Depois da luta da criança considerada em penúria, apareceu para nós a luta da criança demasiadamente livre nos primeiros anos da existência…Há muitos desequilíbrios, embora sejam descendentes de lares muito abastados. Essas outras crianças crescem revoltadas pela ausência de carinho; às vezes, sofrem o abandono, mesmo dos avós que não se interessam pelos netos… De um lado, as crianças em penúria; de outro lado, as que estão mais ou menos atendidas, ou às vezes altamente atendidas em suas necessidades…Hoje ouvimos falar de muitos crimes efetuados por meninos de 10, 14 anos… Deveríamos tratar de códigos que dessem a maioridade aos 14 anos. A criança é chamada a memorizar as suas vidas passadas muito depressa, motivada pela televisão, etc. Precisávamos da criação de leis que ajudem a criança a não se fazer delinqüente nem viciada. O governo não pode ser responsável por todas as nossas modalidades de penúria; não podemos exigir que os ministros venham a fazer intervenções em nossas vidas familiares. O problema da penúria é nosso. (…) Não temos uma disposição muito ativa em torno da criança considerada desvalida; nós fazemos distribuições anuais, mas nos esquecemos que criança, tal qual nos acontece, almoça todo dia, estuda todo dia, toma banho todo dia… De um lado, a criança em penúria; de outro, a criança abandonada pelos pais…”, escreveu ele.
Chico contou certa vez que no Japão existia, há algum tempo, um surto muito grande de delinqüência. O próprio governo sentia-se incapaz de conter aquela expansão infeliz… Foi quando um grupo de senhoras sugeriu que, nas cidades, as famílias se reunissem, em grupos de cinco a dez famílias, para debaterem o problema. A idéia tomou vulto. Quase que o Japão inteiro começou a reunir-se, semanalmente, discutindo o que se poderia fazer pela criança, pelos reeducandos, para que a idéia do crime diminuísse. Em dois anos, o índice de delinqüência juvenil diminuiu em 80%.
Colaboração: www.diariodonordeste.com.br
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Espiritismo, Textos Interessantes | Etiquetado: Abandono, Aborto, Atenção, À Sombra do Abacateiro, Carinho, Carlos Baccelli, Códigos, Chico Xavier, Crianças, Crime, Delinquência, Emmanuel, Espírita, Espiritismo, Família, Governo, Imoral, Japão, Juventude, Lar, Leis, Luta, Magnetismo, Médium, Ministros, Penúria, Psicografia, Surto, Vício |
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28 Maio 2009
O Blog IMPRESSÕES está passando pelas primeiras reestruturações desde sua criação em Julho de 2008. As mudanças estão se dando de forma paulatina, mas já podem ser notadas.
A mudança de lay-out é a mais visível. Apresenta-se um lay-out mais moderno e interativo. Além do visual mais agradável, com o passar do tempo, alguns links serão inseridos para melhorar a interação com outros Blogs e Sites.
Um outro ponto a ser modificado será referente aos posts das categorias Direito e Notícias (Notícias de Direito ou da Área Jurídica); tais posts não farão mais parte do acervo do Blog IMPRESSÕES. Os referidos posts migrarão progressivamente a outro Blog; um Blog exclusivo para tratar de assuntos de Direito, da Área Jurídica e suas notícias, o Blog da Advocacia MVABrasil.
Assim, os leitores dos posts de Direito e Notícias (da Área Jurídica) e aqueles que se interessarem, podem acessar o seguinte endereço www.advocaciamvabrasil.wordpress.com e, além de continuarem a acompanhar as decisões do Judiciário Nacional, as notícias de Direito, podem também tirar dúvidas acerca de direitos, ações, serviços advocatícios ou entrar em contato com um Advogado.
Proteja seu direito - www.advocaciamvabrasil.wordpress.com
By IMPRESSÕES – www.impressione.wordpress.com
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27 Maio 2009
O respeito a sua vocação tem de ser total, e então todas as bênçãos virão em seguida.
A felicidade profissional vem quando trabalhamos em algo que verdadeiramente tem a ver com nossa vocação. Quando não trabalhamos de acordo com nossa missão pessoal, ficamos irritados, de mau humor, entediados e, por conseqüência, não conseguimos servir a ninguém.
Um artista pode trabalhar como bancário, mas terá de ser “um bancário artístico” para não perder o amor à vida e ao trabalho. Se lutar contra sua essência e apagar sua sensibilidade, fará um grande mal a si próprio e, provavelmente, não conseguirá economizar dinheiro para se tornar artista 24 horas por dia.
Talvez você esteja com vontade de dizer que se sente frustrado porque precisa trabalhar com algo que não tem nada a ver com você, mas garante o seu salário. Se isso não tem nada a ver com você, daqui a pouco vai acabar sendo demitido por falta de competência. Sabe por quê? Porque está trabalhando sem paixão, não sente desejo de estudar para se aprimorar e o seu resultado vai acabar comprometido. O amor tem de vir em primeiro lugar mesmo que você esteja interessado em dinheiro. O respeito a sua vocação tem de ser total, e então todas as bênçãos virão em seguida.
Existe uma pesquisa realizada pelo professor Mark Albion, divulgada no livro Making a Life, Making a Living (Warner Business Books, 2000), que ilustra claramente a importância do respeito à vocação e aos valores nas escolhas que uma pessoa faz ao longo da carreira. Nela, 1.500 profissionais que haviam concluído o Master in Business Administration (MBA), vinte anos antes, nas melhores escolas americanas, relataram as prioridades em suas escolhas profissionais: 83 % optaram pelo emprego em função do salário. Os 17% restantes optaram por aquilo que mais lhes dava prazer, independentemente da vida financeira.
Vinte anos depois, Albion foi verificar como estava a carreira desses profissionais. Dos 1.500 entrevistados, 101 tornaram-se milionários. Desses, apenas 1 pertencia ao grupo que fez sua escolha orientada pelo dinheiro, todos os demais viraram milionários trabalhando no que gostavam.
Se você está frustrado com sua profissão, é chegada a hora de uma revisão de vida. Aproveite esse momento para analisar qual é sua verdadeira vocação, seus talentos, e vá atrás de seu sonho. Talvez você precise de algum tempo para essa transição, mas não se abandone atrás de uma mesa, fazendo algo que não tem nada a ver com você, até chegar o “glorioso” dia da aposentadoria.
A maior parte das pessoas escolhe uma profissão por motivos que nada têm a ver com sua alma, com sua vocação. Alguns a escolhem pelo glamour que supõem existir em algum tipo de trabalho. Ser sociólogo, por exemplo, era o máximo na década de 1960. Já nos anos 1980, a moda era ser psicólogo. Nos anos 1990, o que dava status era ser publicitário. Uma pessoa deve escolher uma profissão não pelo prestígio social que possa haver nessa atividade, mas por ser a preferência de sua alma.
A frustração chega quando a pessoa descobre que, com o glamour, vêm junto inúmeras tarefas aborrecedoras que somente aqueles com uma verdadeira vocação para essa profissão fariam com prazer. Por mais que escolha a profissão de acordo com sua vocação, haverá inúmeras tarefas difíceis de cumprir, mas que você realizará por amor e respeito à sua missão e às pessoas que dependem de sua competência.
Em qualquer profissão que escolhermos, a banana virá sempre com casca, e teremos de tirá-la. Ou seja, temos de aprender a curtir também o que há de desagradável naquela profissão. Se escolhermos bem, de acordo com nossa vocação, descascar a banana será tão gostoso quanto comê-la.
Há quem escolha determinada carreira para realizar os sonhos da família. Pode ser que o pai, na juventude, tenha tentado ser médico, mas, como não conseguiu realizar seu desejo, quer agora que o filho ou a filha siga essa carreira, custe o que custar. Pode acontecer também que o pai seja um poderoso empresário e queira que o filho perpetue seu negócio, mesmo que o garoto não tenha a mínima vocação ou habilidade para tocar a empresa!
Existem milhares de casos semelhantes, e é aí que começam os conflitos, sem que ninguém perceba o que está acontecendo de fato. O pai começa a achar que o filho é preguiçoso, e o filho, depois de tantas cobranças, acaba se convencendo de que sua vocação é trabalhar naquilo que o pai quer. Buscando a felicidade do pai, esse filho corre em alta velocidade para a frustração como profissional e, no fundo, como pessoa.
Quantos casos existem de filhos que eram irresponsáveis enquanto trabalhavam com os pais e que, ao irem para outra empresa, mudaram radicalmente de comportamento? Há também jovens que trocam de curso na faculdade e só então começam a se envolver de verdade com os estudos.
É muito melhor, nesses casos, uma conversa franca entre pai e filho. As vocações não são transferíveis. Cada caminhante tem o seu caminho. Mas só conseguiremos respeitar a vocação dos outros quando soubermos respeitar nossa própria vocação.
Há também aquelas pessoas que, por causa da crise econômica, escolhem uma carreira pensando em seu retorno financeiro. O que dá dinheiro? Informática, telecomunicações, tecnologia da informação? Poucas percebem que optar por uma profissão sem paixão é como se casar sem amor com alguém muito rico. Se já é trabalhoso ser fiel a uma vocação autêntica, a coisa fica muito pior quando não há vocação!
Por fim, existem aqueles que escolhem a carreira para evitar problemas. São os novos empresários, que pretendem montar um negócio porque não querem ter chefes. Logo descobrem que possuir um negócio próprio é transformar cada cliente num chefe. E, se não tinham capacidade para entender um, como poderão servir a cinqüenta?
Qualquer que seja sua idade, é sempre importante dar uma pausa na correria do trabalho para analisar se você está realizando sua vocação. Muitas pessoas fogem dessa reflexão com medo de descobrir que estão no caminho errado. Fazer uma mudança radical requer esforço, mas é melhor se esforçar para girar o barco no rumo do seu coração do que ter de se arrastar todos os dias para um trabalho que não tem nada a ver com você.
* Roberto Shinyashiki é psiquiatra, palestrante e autor de 13 títulos.
Colaboração: http://shinyashiki.uol.com.br
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26 Maio 2009
No Presídio
O assunto girava em torno de uma visita a um presídio na cidade de São Paulo, que um grupo de amigos havia realizado, juntamente com o Chico. Estávamos, sábado à tarde, no Grupo Espírita da Prece, em Uberaba (MG), e era lembrado o ocorrido…
Dizia-nos o Chico, muito feliz, que recebera calorosos abraços de aproximadamente quatro mil internos daquela casa de correção. – Imagine – começou a sorrir – que, depois de receber tantos tapinhas, eu tinha as costas doloridas…
Um moço que havia participado daquele trabalho indaga: – Chico, você viu muitos espíritos obsessores lá no presídio? – Não! – respondeu ele. Não vi obsessores. Vi, sim, muitos benfeitores amigos, muitas mães. Já não há obsessores, não! Eles já fizeram o que queriam!…
Nós, que ouvimos aquela resposta, quedamos, surpreendidos pela lógica convincente.
Na Pescaria
Com a vida totalmente dedicada à divulgação doutrinária e à caridade, alguns amigos, pensando em distraí-lo, resolveram convidá-lo para uma pescaria. O convite, a princípio, foi educadamente rejeitado, mas devido à insistência, não podendo mais sustentar a recusa por não querer magoá-los, acabou por aceitá-lo.
Era uma bela manhã, lá foi o Chico demonstrar suas ocultas qualidades de grande pescador. Acocorado no barranco do rio, ao lado dos amigos que já faziam grande sucesso pelo número de peixes fisgados, depois de muitas horas sem ter pego um lambarí sequer, o fato começou a despertar curiosidade, pois os peixes passavam rente à sua linha e nenhum mordia a isca: era um fenômeno estranho! Os amigos, não suportando mais aquela esquisita situação, resolveram interpelá-lo. Ele, por sua vez, satisfazendo a curiosidade geral, disse-lhes que aceitara o convite e, por isso, ali estava, mas não tinha colocado isca no anzol porque não pretendia incomodar os peixinhos…
Aceitação
Já era madrugada quando a sessão terminou e a multidão continuava cercando o Chico, enquanto ele caminhava com dificuldade em direção ao carro. Uns perguntavam sobre parentes desencarnados, outros pediam-lhe autógrafos, outros beijavam-lhe as mãos, outros o rosto, muitos entregavam-lhe cartas, mães traziam-lhes os filhinhos para que ele os tocasse. Quando conseguimos colocá-lo no carro, perguntei-lhe: -Chico, como é possível ter tanta paz em meio a tanto tumulto? – Aceitação.
Colaboração: www.diariodonordeste.com.br
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22 Maio 2009
Não cabe manifestação de ego no Aikidô. É seu pré-requisito a intenção de desprendimento ao sentimento egóico. Aikidô é, acima de tudo, arte de iluminação, e a iluminação nunca se dá em benefício de um único ser. Lembremo-nos que Ô-Sensei era extremamente religioso, e este sentimento foi fundamental na formação do Aikidô.
Não há harmonia com a natureza, preso há uma vontade individual. A natureza não tem vontade…ela é. Assim devemos ser no Aikidô, livres e fluidos. Se há vontade não há fluidez, não há harmonia, não há Aikidô, que é o caminho da harmonia pela energia vital.
Levados por sentimentos adquiridos nas atividades esportivas, bem como no nosso meio social competitivo, preocupamo-nos em demonstrar destreza, conquistar graduações, obter destaque… Trabalha contra nossa prática a comparação com os outros, o objetivo de sermos os melhores. A busca da superação deve ser sobre nós mesmos. A melhora obtém-se no aperfeiçoamento, que requer desprendimento e entrega à prática. Portanto, não há entrega se há apego, que são opostos entre si.
No Aikidô há reverências, submissões a regras e posturas, a conduções; há humildade. Se nossa preocupação ainda é com a obtenção da graduação, a exibição da já conquistada, o aprendizado de uma técnica que nos faça bom de briga, talvez devamos tornar a buscar informações sobre a história do fundador, que migrou seus estudos da marcialidade para a espiritualidade, do Jutsu para o Dô. Assim procedendo, talvez compreendamos o significado da arte por você escolhida, e sejamos praticantes mais tranquilos e felizes, entregue as rotações naturais.
Nesse sentido, a lição do fundador:
“A Arte da Paz é o remédio para o mundo doente. Há maldade e desordem no mundo porque as pessoas se esqueceram que todas as coisas vieram de uma única força. Voltemos para essa fonte, deixando para trás todo pensamento egoísta, desejos mesquinhos e raiva. Aqueles que não possuem nada possuem tudo“.
“Se você não tem nada que o ligue ao verdadeiro desprendimento. Você nunca entenderá A Arte da Paz“.
José Ribamar Lopes – Servidor Público – 2º Kyu (Faixa-Azul) – Aluno da Academia Central de Aikidô de Natal.
Colaboração: http://umditoeumponto.blogspot.com/
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Aikidô, Textos Interessantes | Etiquetado: Academia Central de Aikidô de Natal, Aikidô, Aikidô Natal, Aperfeiçoamento, Arte, Arte da Paz, Arte Macial, Ô-Sensei, Circular, Competição, Condução, Conquista, Dô, Destreza, Ego, Energia, Energia Vital, Esporte, Exibição, Fuidez, Fundador do Aikidô, Graduação, Graduado, Harmonia, Iluminação, Iniciante, José Ribamar Lopes, Jutsu, Liberdade, Morihei Ueshiba, Natureza, Postura, Regra, Relegioso, Reverência, Rotação, Sentimento, Sociedade, Submissão, Superação, Ueshiba, Vontade |
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15 Maio 2009
“A Arte da Paz começa em você. Trabalhe consigo mesmo e com a tarefa que lhe foi consignada na Arte da Paz. Todos temos um espírito que pode ser refinado, um corpo que pode ser treinado de certa maneira, uma senda conveniente a ser seguida. Estás aqui com um único propósito de dares conta de tua divindade interior e manifestar a tua iluminação inata. Alimente a paz em tua própria vida e aplique logo a arte a tudo o que encontrares.”
Ô-Sensei Morihei Ueshiba – Fundador do Aikidô
Colaboração: www.impressione.wordpress.com
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14 Maio 2009
Entre os grandes legados que o Aikidô desenvolve nos seus praticantes “sinceros” estão a proatividade e a autodeterminação, chamo de praticante sincero, àquele que pratica o Aikidô com o coração, com a cabeça e com o corpo, quando há uma entrega total ao aprendizado.
Num dia destes recebi uma mensagem pela internet, uma das poucas que recebemos com um cunho positivo e proveitoso, ela falava sobre a quantidade de pessoas que tem neste mundo que ficam só criticando e esperando que alguém faça o que ela acha que deve ser feito, o texto fala que: “Há muito, mas muito mais gente para comer o bolo do que gente para fazer o bolo. E às vezes aqueles que só comem o bolo ainda reclamam do gosto, mas continuam comendo e não ajudando. Sempre há mais gente para almoçar e menos gente para lavar a louça. Mais gente para assistir e reclamar do espetáculo, do que gente para montar a sala, carregar as cadeiras, varrer, limpar, organizar etc”.
Porém o que tenho observado nestes 20 e poucos anos de ensino e prática do Aikidô, é que esta proporção é justamente o inverso no Aikidô, principalmente, entre os praticantes que chegam à graduação de 1º kyu em diante, posso dizer que, neste grupo, apenas uma pequena minoria se encaixaria naquela frase.
Entre os novatos e os intermediários, acredito que a maioria seja como no texto citado, e isto vai aparecer muito fácil no movimento destas pessoas, na prática delas dentro do tatame, nas suas dificuldades de ter uma pronta resposta aos estímulos e a tomar decisões rápidas. Mas no grupo mais antigo, mais graduado, isto se inverte. Por isto tenho certeza, que tudo que alcançamos até hoje em termos de organização, foi pelo somatório dos esforços dos praticantes sinceros, e o número destes felizmente vem crescendo nos últimos tempos.
Se hoje, este despertar de consciência tem o seu maior número a partir das graduações altas, sonho em ver o dia em que isto venha a ocorrer, já a partir das graduações intermediarias 3º e 2º (Kyu), vale frisar que não ignoro o fato de que algumas pessoas já chegam ao Aikidô, com uma conduta dentro destes valores.
Só para refrescar as idéias e reforçar a criação de um “memo” positivo, coloco mais um pedaço do texto que citei anteriormente. “Se hoje há sombra e fruto é porque alguém plantou uma árvore e o ato de plantar implica um ato de fé, acreditar que vai, nascer, que vai crescer e que vai dar frutos. Alguém precisa cavar a terra, plantar, enfim dá trabalho. Hoje temos a sombra. Mas há sempre mais gente para sentar e usufruir da sombra e dos frutos do que gente para plantar. Precisamos de gente para plantar, gente para ajudar a fazer a bolo, gente para lavar a louça e para montar o espetáculo. Veja bem: SE VOCÊ QUER PARTICIPAR DOS RESULTADOS, ENTÃO AJUDE A PENSAR, AJUDE A MELHORAR AS COISAS. Como podemos melhorar o atendimento, como podemos diminuir os custos, como podemos aumentar a produtividade. Sentir-se parte é pensar, é fazer o que esta precisando ser feito, sem esperar que alguém venha lhe pedir, é comprometer-se.”
As pessoas que adotam esta atitude, e este comportamento, além de estarem contribuindo para uma família melhor, para uma rua melhor, para um bairro melhor, para uma cidade melhor, para um país melhor, com certeza estão contribuindo para um mundo melhor. E, sem dúvida, ela e os seus estarão entre os beneficiados.
E você meu amigo, que tipo de pessoa quer ser? Aquela que ajuda, colabora, pensa e dá o melhor de si? Aquela que ajuda a fazer o bolo? Ou quer ser daquelas pessoas que se sentam à mesa e ficam esperando alguém lhe servir uma fatia?
* Roque Vargas Sensei – 5º Dan em Aikidô – Responsável pelo Aikidô no Rio Grande do Sul por designação do Shihan Kawai (Confederação Sul-Americana de Aikido) e Hombu Dojo – Japão.
Colaboração: http://vargasaikido.blogspot.com/
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Aikidô, Textos Interessantes | Etiquetado: Aikidô, Aikidoísta, Aikidoca, Aprendizado, Atitude, Graduados, Hombu Dojo, Iniciantes, Japão, Kawai Sensei, Kohai, Kyu, Morihei Ueshiba, Rio Grande do Sul, Roque Vargas, Senpai, Sensei, Sensei Vargas, Shihan Kawai, Sinceridade, Tatame, União Sul-Americana de Aikidô, Yudansha |
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8 Maio 2009
O médium falava com os mortos, psicografava mensagens e ouvia suas vozes, mas nunca esqueceu dos vivos. Chico tinha uma capacidade energética de transmitir paz e sensações de alívio. Sempre frequentava hospitais e centros de reabilitação, levando auxílio material, alimentos e principalmente fraternidade.
Com os portadores de hanseníase, fazia visitas constantes, distribuindo fartura em abraços, apertos de mão e sorrisos. Para os angustiados e desesperados, com idéias de suicídio, Chico sempre tinha palavras de afeto e de esperança.
Fato ocorrido com o espiríto de Hellen Keller, americana cega, surda e muda – famosa pela pregação em torno do otimismo, da alegria de viver e da fé em Deus – que falou através de Chico Xavier, ilustra isso. Quando da visita do médium a uma Colônia em Goiânia, consolou moça que havia tentado por duas vezes o suicídio. Foi aí que o espírito da americana falou: – Toda pessoa neste mundo deveria sofrer privações das faculdades pelo menos uma vez por semana e passar pelos maiores constrangimentos orgânicos, a fim de aprender a valorizar a vida.
Era o que Chico fazia, mesmo tendo ficado órfão de mãe aos cinco anos, com um olho cego, tendo enfartado duas vezes, e nunca reclamando do trabalho por fazer, mesmo na velhice.
Colaboração: www.diariodonordeste.com.br
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Espiritismo, Textos Interessantes | Etiquetado: Afeto, Alívio, Auxílio, Caridade, Chico Xavier, Espírita, Esperança, Espiritismo, Médium, Mediunidade, Morte, Paz, Privação, Psicografia, Vida |
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7 Maio 2009
As vezes me espanto com o que vejo ou leio sobre Aikidô. Muitas pessoas desejando dizer o que é e o que não é Aikidô. Ou que isso parece ser Aikidô “mágico”, que aquilo é um Aikidô eficiente para as ruas, ou que é um Aikidô de combate, ou que é um Aikidô para um pequeno grupo, ou que o professor é isso ou aquilo. Isso parece acontecer com quase tudo na comunidade do Aikidô. Mesmo dentro de um dojô freqüentemente existem várias opiniões diferentes sobre o que constitui o Aikidô. Eu tenho minha opinião baseada em meus treinos e minha experiência de vida assim como cada um de vocês.
O que torna a atividade em que estamos engajados Aikidô e não outra coisa? Seria o fato de que há apenas um pequeno número de técnicas no vocabulário? Seria nossa habilidade de arremessar o parceiro ou de causar dor e/ou ferimento em outras pessoas que torna isso Aikidô? Deixe-me oferecer uma observação de meu ponto de vista. Eu vou de dojô em dojô e encontro pessoas envolvidas com violência controlada que chamam o que fazem de “Aikidô”. Eu vejo faz-de-conta, graduados de “vida-ou-morte”, pretensos vencedores e pretensos perdedores. Tori usando apenas a força suficiente para causar dor ao uke ou para arremessar o uke, e o uke oferecendo apenas resistência suficiente para receber a dor ou para ser arremessado. Eu acho que isso é “quase Aikidô” ou “Aikidô razoavelmente bom” porque as pessoas fazem isso há anos e parecem felizes em continuar assim. O nage nunca usa toda a sua força por medo de causar ferimento ou morte ao uke. Assim a técnica do nage nunca é realmente verdadeira e o uke normalmente segue o nage sem oferecer muita resistência, ajudando o nage a se sentir poderoso e com domínio da técnica e o ukemi do uke nunca é verdadeiro.
Isso pode ser bom para o iniciante do Aikidô, quando o estudante está em estado reacionário, reagindo ao estímulo físico do ataque do nage. Neste estágio, uke e nage estão criando a forma. Isso é tudo em que eles deveriam se concentrar. Postura correta, distância apropriada e uma interação física forte resultando em uma técnica corretamente formada e executada. Isso deveria ser feito por tantos anos quantos fossem necessários para serem capazes de aplicar a forma da técnica sem ter que pensar (no desenvolvimento de um aluno de Aikidô, este estágio é “shu“.
Shu é o estágio em que o estudante continua repetindo o ato físico da técnica ou kata pelo tempo necessário para que o ato se torne inato, que dependendo do estudante pode levar anos. Entretanto deveríamos seguir para o próximo estágio do desenvolvimento, que é a “interação”. Neste estágio começamos a entender a função das formas e como elas se relacionam conosco e nossos parceiros. Uke e nage deveriam estar em condição de interagir espontaneamente e naturalmente implementando a forma suprema com a função. É nesse ponto que realmente começamos a fazer Aikidô, ao invés de fazer técnicas com as pessoas.
A função será uma coisa no início dos anos de treinamento, e será outra coisa ao final. Infelizmente, pelo que vejo, as pessoas ficam presas ao final da primeira parte desse processo de aprendizado porque ele tem poder sobre os outros com a forma técnica e domínio com a função técnica. Alguns atingem altas graduações, mas nunca deixam essa área porque é isso o que eles consideram como Aikidô, e isso se ajusta às suas necessidades. Não estou dizendo que eles não estão praticando Aikidô. Estou dizendo é que o que eles estão fazendo não é o que eu considero como sendo Aikidô, o que é muito diferente. Acredito que o Aikidô é suficientemente grande para incorporar muitos pontos de vista. Acredito que se deve continuar com o treino e trabalhar com a função da interação até que isso tenha um significado pessoal maior que a vitória sobre os outros. Com algum grau de maestria sobre as formas e função do Aikidô, a pessoa deve começar a sentir compaixão pelos outros. O desejo de domínio físico sobre outras pessoas deve começar a desaparecer. A habilidade permanecerá, é claro.
Durante os anos de interação a função do Aikidô transforma um poderoso praticante de artes marciais em um ser humano hábil, confiante e compassivo. Neste momento temos maestria sobre a forma e internalizamos as funções até que se tornam como andar e respirar, e não são mais compartimentalizadas como marciais. No treinamento, esta seria a fase “ha“. Ha é o trabalho da análise das formas e funções (neste caso) do Aikidô.
Então é o momento de começar a “separar” forma e função para revelar o conteúdo da atividade e seu efeito sobre minha vida e avaliar o significado para mim e como isso se integra ao que eu sou. Aikidô se torna verdadeiramente meu quando passo do Aikidô reacionário ao Aikidô de interação, e agora estou pronto para o Aikidô proativo. Muitos chamariam este estágio do desenvolvimento do Aikido de “ri,” então vou chamá-lo assim também.
Ri é o estágio de tornar o Aikidô “nosso”. Neste estágio, devemos estar prontos para explorar além das fronteiras do que aprendemos. Ri é o momento de abrir as asas e voar. Com o Aikidô proativo tanto o uke quanto o nage podem praticar com 100% de honestidade. Com confiança nas habilidades de cada um, o verdadeiro Aikidô pode acontecer. Não fazendo Aikidô “ao outro”, mas juntos, um com o outro, a maior parte do elemento perigo é muito reduzido. O Uke pode se propor a fazer um ataque honesto com 100% de força e não oferecer nenhuma ajuda ao nage, e o nage pode redirecionar toda a força sem se conter e sem ajudar o uke. Com o uke sendo sensível à intenção do nage e o nage sensível à intenção do uke (a intenção mudará para ambos durante a ação), o Aikidô pode acontecer.
As vezes as pessoas levam isso a extremos, não chegando nem remotamente perto do contato físico. Mas se o uke está sendo 100% uke e o nage está sendo 100% nage, e ambos usam suprema forma e função, então quem pode dizer que o conteúdo não é Aikidô? Apesar de não ser meu estilo, eu posso ver a verdade nesse treinamento. Ir ao dojô diariamente para receber dor também não é a minha idéia de treinamento de Aikidô.
Meu lado durão que não levava desaforo para casa se quebrou há muito tempo. Eu sigo em frente, usando o que acredito ser Aikidô como maneira de prosseguir. O que quero dizer com isso? Digamos que meu parceiro dê um soco não muito convincente em minha direção. Eu redireciono a energia do soco para o chão usando qualquer forma que esteja à mão. Não há energia suficiente no soco para levar meu parceiro para o chão e a função da forma foi atingida ao ser dispersada a energia, então apenas deixo estar assim. A função da forma restabeleceu a harmonia e o conteúdo do ato é Aikidô. Então, se acho necessário continuar a forma para arremessar meu parceiro ou levá-lo ao chão, eu não mais estou fazendo Aikidô com meu parceiro, estou praticando a técnica com ele. Para mim há uma enorme e significativa diferença nisso.
Tradução: Instituto Takemusso, São Paulo
* Dennis Hooker Sensei – Aikido 6º Dan, Schools of Ueshiba, Muso Jikiden Eishin-Ryu Iaijutsu 4º Dan, Shindai Dojo, Orlando – Flórida
Colaboração: www.portalaikido.com.br
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Aikidô, Textos Interessantes | Etiquetado: Academia Central de Aikidô de Natal, Aikidô, Aikidô Flórida, Aikidô Natal, Aikikai, Combate, Dan, Dennis Hooker, Distância, Dojo, Eficiência, Físico, Força, Forma, Função Habilidade, Graduados, Ha, Iniciantes, Instituto Takemusso, Interação, Kata, Mágica, Morihei Ueshiba, Nage, Poder, Postura, Racional, Ri, Schools of Ueshiba, Sentimento, Shu, Técnica, Tori, Uke, Verdade |
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24 Abril 2009
Domingo, 26/04/2009, faz exatos 40 anos da morte de um indivíduo impar, o Fundador do Aikidô, Morihei Ueshiba, conhecido pelos Aikidocas ao redor do mundo como Ô –Sensei – Grande Mestre.
Os últimos anos de Morihei Ueshiba foram passados principalmente em Tóquio à medida que a sua saúde se tornava gradualmente mais frágil em virtude de sua idade já avançada, 86 anos. Não obstante, continuou ensinando até março de 1969, altura em que adoeceu, devido a complicações no fígado, e foi internado no hospital da Universidade de Keio. Na ocasião Morihei disse a seu filho Kisshomaru: “Deus está me chamando”.
Uma das últimas aparições do Ô-Sensei deu-se no dia 15 de abril de 1969, Morihei participou das comemorações do ano novo no Hombu Dojô. Mesmo parecendo estar com a saúde impecável, sua condição física deteriorava-se rapidamente e devido a tal quadro seus numerosos discípulos e amigos fizeram suas últimas visitas e homenagens. Mesmo já no final de sua existência neste plano Ô-Sensei propagava os ideais do Aikidô, e dizia aos presentes: “O Aikidô é para todos…” dizia o Mestre, “não treinem por razões egoístas, mas para todas as pessoas em todos os lugares”.
No dia 26 de abril de 1969, Morihei Ueshiba, aos 86 anos de idade, tomou a mão de seu filho Kisshomaru, riu e disse: “Tome conta de tudo”, e desencarnou.
Uma vigília foi realizada no Hombu Dojô no dia 1º de maio de 1969, a partir das 19h e, no mesmo dia, foi consagrada ao Fundador do Aikidô uma condecoração póstuma pelo Imperador Hirohito. Suas cinzas foram depositadas no cemitério de Tannabe, no templo da família Ueshiba, e mechas de seu cabelo foram guardadas em relicários no Santuário Aiki, em Iwama; no cemitério da família Ueshiba, em Ayabe; e no Grande Santuário de Kumano. Kisshomaru Ueshiba foi eleito para suceder seu pai como Aiki Doshu, por decisão unânime da Aikikai, em 14 de junho de 1970.
“O Budô não é um meio de se derrotar um oponente pela força ou com armas letais. Também não é seu propósito levar o mundo à destruição pelas armas ou por outros meios ilegítimos.
O verdadeiro Budô busca ordenar a energia intrínseca do Universo, protegendo a paz mundial, moldando e também preservando tudo na natureza em sua forma correta. Praticar o Budô é essencial para fortalecer, em meu corpo e em minha alma, o amor do kami, a divindade que gera, preserva e nutre todas as coisas na natureza” – Morihei Ueshiba.
Conheça o Aikidô
Local: Academia Central de Aikidô de Natal – ACAN
Endereço: Rua Professor João Ferreira de Melo – Capim Macio – Fundos do CCAB Sul
Telefone: (84) 3217-9182
Site: www.aikidorn.com.br
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Aikidô, Textos Interessantes | Etiquetado: Academia Central de Aikidô de Natal, Aikidô, Aikidô Natal, Aikidoísta, Aikidoca, Aikikai, Arte Marcial, Ayabe, Ô-Sensei, Caminho, Corpo, Dô, Defesa Pessoal, Dojo, Energia, Harmonia, Hobu Dojô, Imperador Hirohito, Iwama, Japão, Kami, Kisshomaru Ueshiba, Kumano Aiki Doshu, Mente, Morihei Ueshiba, Saúde, Santuário Aiki, Tannabe, Técnica, Tóquio, Treinamento, Ueshiba, Universidade de Keio |
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20 Abril 2009
Quando começamos no Budô tudo é festa, nos encantamos com a beleza das técnicas funcionando e com a magia disso acontecendo através de nossas mãos. Cada novo ensinamento abre as cortinas de um mundo novo de realizações e possibilidades e, então, nos sentimos fortes. Descobrimos que temos potencialidades que antes não éramos capazes de reconhecer e isso nos excita.
Com o tempo, conforme o treinamento começa a representar algo rotineiro em nossas vidas, o “brinquedo novo” vai perdendo o brilho e logo parece que estamos nos dispondo a mais um ato de automatismo, como ir à escola ou freqüentar a missa. É costumeiro, só isso. Quando isto acontece, parece que o Budô já não tem mais aquilo tudo que enxergávamos anteriormente e a tendência natural é deixarmos o empenho nos treinamentos de lado. É justamente aí que aparece o maior contraste entre o raciocínio oriental e o ocidental.
No ocidente, os fatores aparecem como “ondas“, as quais têm de início um grande impacto, mas logo perdem a força e o efeito parece recuar. Talvez seja por isso que tantos se iniciam na prática de alguma arte marcial e logo acabam parando, na maioria das vezes logo nas primeiras faixas. O fato é que tão logo isso aconteça aparece uma nova onda, que pode se manifestar na forma do intuito de aprender a tocar algum instrumento musical ou dançar, compromissos estes que também logo serão abandonados, a menos que a pessoa se disponha a compreender o que há do lado de lá da cortina. Que cortina? – poderia você se questionar. A esta pergunta um oriental normalmente responderia: a cortina da ilusão. Isso porque é justamente o que vai embora quando os primeiros ajustes de excitação de dispersam – a ilusão. O que está se desfazendo, na verdade, é a nossa visão premeditada da coisa; aquilo que imaginávamos que era depois de nosso primeiro contato. E o que resta então? Bem, o que resta é o verdadeiro valor da arte: o DÔ, ou caminho. E como todo caminho que vale à pena é longo, o que aparece diante de nossos olhos quando a ilusão se dissipa é uma grande obra a se realizar, porém, PASSO POR PASSO. É justamente aí que muita gente desiste e o irônico é que isto acontece a despeito do que de fato deveria estar sendo enxergado, isto é, “um caminho que de fato vale à pena provavelmente não tem um destino visível a olhos nus“.
É preciso enxergar com os olhos da alma… Quando vemos grandes mestres manifestando seu Aikidô, ficamos logo maravilhados com a beleza de seus movimentos. Porém, para o praticamente mais avançado a curiosidade certamente vai além: como será que este mestre come? Como se porta diante dos imprevistos? O que faz ele em suas horas vagas? Em outras palavras, a curiosidade que fica para os “iniciados” é a seguinte: o que o Aikidô trouxe de realmente valioso para a vida deste homem? Sim, porque uma arte DÔ jamais poderia se deter nos valores efêmeros da beleza plástica de movimentos bem executados. Se assim fosse, Balett poderia ser considerado uma via espiritual. Tem que haver um algo mais, uma chama que mova a intenção de praticar, MESMO DIANTE DE TREINAMENTOS EM QUE AS REPETIÇÕES SE DÊEM DE FORMA PRATICAMENTE INFINITA.
Quando praticamos uma técnica milhares de vezes, o fazemos para enxergar além dela. Interiorizando-a, podemos desocupar nossas mentes do movimento para então dar espaço para um outro nível de compreensão. É então que a verdade suprema das artes marciais se manifesta, provando que o trabalho todo está em sentir e não em simplesmente racionalizar o que está sendo feito. De fato, quando nos tornamos capazes de “sentir” um movimento ao invés de simplesmente executá-lo, que movimento é este já não importa mais. Repetir uma, cem ou mil vezes já não faz mais diferença, justamente porque o prazer da prática passa a se concentrar no durante, no ato de fazer em si, e não mais no que fazer aquilo possa representar.
Moral da história: competência (técnica, espiritual, etc.) é algo que se desenvolve de dentro para fora – nunca ao contrário.
Colaboração: www.aikikai.com.br
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Aikidô, Textos Interessantes | Etiquetado: Academia Central de Aikidô de Natal, ACAN, Agilidade, Aiki, Aikidô Natal, Aikikai, Alma, Arte Marcial, Atenção, Auto-Defesa, Ô-Sensei, Beleza, Calma, Caminho, Ciclos, Competência, Compreensão, Compromisso, Confiança, Coragem, Dô, Disciplina, Dojo, Energia, Equilíbrio, Espírito, Flexibilidade, Gabriel Lopes Sensei, Harmonia, Ilusão, James Carlos Sensei, Japão, Kawai Sensei, Ki, kishomaru Ueshiba, Leveza, Magia, Marco Antonio Sensei, Morihei Ueshiba, Moriteru Ueshiba, Novidade, Ocidente, Oriente, Paulo de Carvalho Júnior, Postura, Repetição, Repetitividade, Respeito, Rodrigo Martins Sensei, Rotina, Satisfação, Sérgio Pelissari Sensei, Sentir, Técnica, Treinamento |
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17 Abril 2009
Agradeço todas as dificuldades que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar. As facilidades nos impedem de caminhar. Mesmo as críticas nos auxiliam muito. – Chico Xavier
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Espiritismo, Textos Interessantes | Etiquetado: Auxílio, Chico Xavier, Críticas, Dificuldades, Espírita, Espiritismo, Facilidades, Sucesso |
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15 Abril 2009
Há muito tempo as pessoas estão voltadas para as cidades, esquecendo de observar a natureza ao seu redor. As novas tecnologias surgem em demasia, séculos após séculos, ultrapassando muitas vezes até os limites suportáveis. Tais tecnologias invadem o lar e trabalho tirando inconscientemente a privacidade e trazendo um “conforto” que pode ser prejudicial.
Muitas pessoas hoje em dia, porém, têm a sensibilidade de perceber o que ocorre no mundo e a partir daí tomam providências decidindo-se pelas práticas naturais, buscando o bem estar do corpo e da mente.
Pode-se dizer que, quando as pessoas têm folga nas atividades corriqueiras, trabalho ou estudo, normalmente a primeira coisa que vem em mente são tranqüilidade e a possibilidade de usufruir algo prazeroso e que traga distração junto a amigos e familiares, diferentemente da rotina que se está acostumado a enfrentar diariamente.
Fica claro que com a chegada dos finais de semana ou férias, a busca por lugares diferentes onde se possam trabalhar todos os itens de uma vida de alegria e sabedoria é eminente. Convém observar que as pessoas não vão a um lugar com o propósito de não fazer nada, para qualquer lugar que se direciona estar sempre em busca de algo que pode ter sido planejado anteriormente ou não.
A escalada surge do montanhismo e é considerado um esporte de aventura o qual muitas vezes está ligado ao turismo ecológico. Tanto a escalada indoor como a em rocha trazem benefícios interior e exterior às pessoas. Ideal para deixar braços, pernas e bumbum tonificados, a escalada ainda fortalece os ossos e as articulações. Tanto a escalada como o rapel e o trekking estimulam a concentração e a coordenação motora. A sensação de superação ao chegar ao destino com sucesso rende pontos extras à auto-estima.
A Crux Sup deseja mostrar novos caminhos para pessoas que buscam tranqüilidade, estudantes e profissionais, esportistas, naturalistas, religiosos, e por fim todos os que estejam dispostos a difundir e reforçar os valores ecológicos e sociais através do tal. É a união do montanhismo e meio ambiente com pessoas ativas para que através da prática do montanhismo difundam-se e reforçam-se os valores ecológicos e sociais.
Conheça o Espaço Indoor Crux Sup
Local: Rua João Ferreira de Melo, 2978, Capim Macio, Fundos do CCAB Sul – Natal/RN
Telefones: (84) 8856-6783 e (84) 8894-3239
Horários: segunda à sexta das 9h30 às 16h30 e de 21h30 às 23h
Colaboração: www.impressione.wordpress.com
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Notícias, Textos Interessantes | Etiquetado: ancoragens, Associação de escaladores do RN, auto-resgate em vão livre, Benefícios, Coordenação Motora, Crux Sup, Curso de Escalada, Curso de Escalada Indoor, Ecomontanhismo, encordoamentos, Equalização, Equipamentos de Escalada, Escalada, Escalada em Rocha, Escalada Indoor, Escola de Escalada, Espaço Crux Sup, Espaço Indoor Crux Sup, Espaço Indoor de Escalada, Esporte de Aventura, Esportes de Aventura, Férias, Fendas, Fim de Semana, Modalidades de Escaladas, Montanhismo, Natureza, Nós, Oito Guiado, Parada Dupla, Parede de Escalada, Parede de Escalada no RN, PB, Pedra de Boca, Prussik, Rapel, Rapel com corda dupla, RN, Sérgio Pellissari, Segurança do Escalador, Sensibilidade, Tecnologia, Top Rope, Treinamento de Escalada, Trekking |
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8 Abril 2009
O aprendizado de cada um no Aikidô é único, o que aprenderá está vinculado a sua personalidade e empenho em aperfeiçoar-se.
O treinamento do Aikidô pode apenas colocar o praticante em contato direto com sua vontade interior de “evoluir”, melhorando sua relação com outras pessoas e com ele próprio. Mas, até que nível chegará depende exclusivamente dele próprio. O instrutor em si pode apenas oferecer, através de seu exemplo, as indicações sobre qual caminho tomar e as conseqüências de cada, segundo sua própria experiência. A decisão de caminhar por um ou outro caminho deve ser do próprio aluno, já que ninguém pode tomar essa decisão por ele.
Em minha experiência dentro do Budô pude notar que a maioria das artes marciais que possuem um embasamento não só na técnica em si, mas também no desenvolvimento espiritual, tendem curiosamente a trazer à tona durante a prática o lado ruim de cada um quase sempre disfarçado em sentimentos como ódio, vingança, inveja, entre muitos outros.
Surgem também sentimentos de extremismo, como receio de machucar-se ou ao parceiro, e o empenho inconseqüente à prática física bruta, estes e tantos outros sentimentos e ações levados ao extremo só prejudicam o aluno.
Não quero dizer com isso que somente a parte ruim emerge durante a prática, mas que é ela que fica mais evidente conforme o tempo passa, especialmente se o aluno não aprender a lidar com isso de forma a transformar estes sentimentos e ações nocivos em algo positivo. Esse é o perigo das artes marciais… acabar intensificando o lado destrutivo do aluno, tornando-o apenas um lutador e um péssimo reconciliador.
Acredito que seja exatamente por isso que muitos Mestres não aceitam que determinadas pessoas iniciem a prática, ou a restringem desde o início… pois percebem através de sua experiência que o aluno não possui ainda maturidade para evoluir positivamente, e que a prática naquela momento seria mais prejudicial do que sadia.
Uma das idéias, ou melhor, objetivos do treinamento em dupla no Aikidô é tentarmos visualizar nas atitudes do parceiro nossa cota de influência. Nós o influenciamos, assim como ele nos influencia. O propósito de estudarmos esta interação não é somente despertarmos um sentimento de empatia para com o parceiro e com isso obter uma prática física menos “rançosa” entre nós, existe muito mais oculto por detrás da prática bem direcionada.
Temos que tentar de todo o coração compreender, aceitar e transformar os sentimentos que surgem durante a prática.
Tudo no Aikidô converge para um único e simples ponto: Compreensão da realidade, ou seja, nos tornar conscientes de que fazemos parte do processo de evolução do parceiro e que ele irremediavelmente faz parte do nosso!
O que isso significa? Que você é uma parte ativa na evolução do outro, e ele o é da sua… Quando o parceiro não evolui, nós também não evoluímos.
Praticar para transformar as técnicas marciais destrutivas em técnicas de “cura” e “reconciliação” do Aikidô, deve ser o principal objetivo do praticante sério desta arte. Se não for assim, do que adianta estudarmos um sistema tão rico e completo como o Aikidô? Melhor seria se praticássemos um sistema que ensinasse pura e simplesmente defesa pessoal.
RUBENS CARUSO JR. – 4° Dan – Aikikai – Aikidô Nova Era – São Paulo
Colaboração: www.aikidonovaera.com.br
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Aikidô, Textos Interessantes | Etiquetado: Aikidô, Aikidô Nova Era, Aikidoísta, Aikidoca, Aikikai, Amizade, Aprendizado, Aprendizagem, Arte Marcial, Autoconhecimento, Ô-Sensei, Budô, Caminho, Compreensão, Cortesia, Cura, Dô, Defesa Pessoal, Determinação, Dojo, Energia, Espírito Marcial, Evolução, Evoluir, Experiência, Flexibilidade, Forças, Harmonia, humildade, Impressões sobre o Aikidô, Kawai Sensei, Kawai Shihan, Lealdade, Morihei Ueshiba, Personalidade Empenho, Reconciliação, Reishin Kawai, Respeito, Rubens Caruso Jr., Sensei, Técnica, Treinamento, Treino, Vontade |
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3 Abril 2009
Comecei a treinar na primeira turma de Aikidô de Rodrigo Sensei em Natal. Tudo começou no final de julho para o início de agosto do ano de 1999, na Academia Higashi no CONACAN, Bairro de Candelária.
Me lembro de Marco, Cláudio, James, Marcinha, Elvira, Verinha, Fernanda Coe e Carol Coe, Nísia, o Ministro da Igreja de Elvira (não me recordo o nome dele), Leilton, Alfredo. Alguns dias depois, chegou Igor e Serginho, este último, havia me telefonado e pedido informações sobre os treinos. Logo o Sérgio começou a treinar e nunca parou, até hoje, sendo atualmente um dos instrutores e dirigentes da ACAN. Tinha mais gente, mas não lembro agora. Foi lá que tudo começou.
Em outubro do mesmo ano, nos mudamos pra nossa primeira sede no Cidade Jardim em cima da Drogaria Amadeus e por lá ficamos por mais de 3 anos. Lá fizemos nosso primeiro exame de faixa com a presença de Rogério Sensei e Federico Sensei e lá eu me graduei até a chegar a 1º Kyu (faixa-marrom). Com pouco tempo que chegamos lá, começaram a treinar o Gabriel, Marcos e Cláudia, Cristina, Paloma e Patrick, Gil e Maíra, Sol, Pedras, Maroni, Miquéias, Gutemberg e Rodrigo. Ficamos lá até 2002, nesse ano mudamos para o local em que a ACAN funciona até Hoje.
Nesse mesmo ano a 1ª turma de faixas-prestas (Shodan) foi formada em São Paulo com Kawai Shihan na banca examinadora: Marco, James, Sérgio, Gabriel, Carol, Cláudio, Miquéias, Maroni, Alfredo e Leilton e Marcos são sagrados Shodan(s).
Fico feliz por ter participado de toda essa história e continuar participando. Saudades desse tempo? Tenho e acho que todos têm, mas uma saudade gostosa que sempre é atenuada com os treinos na ACAN e o convívio dos que estão treinando atualmente. Beijo no coração de todos. Domo Arigatô Gozaimas.
ALEKSEJ ALEKSANDRO NOBRE MARQUES – Técnico Judiciário do TJRN – 1º kyu (Faixa-Marrom) de Aikidô da Academia Central de Aikidô de Natal
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Aikidô, Textos Interessantes | Etiquetado: 10 anos Academia Central de Aikidô de Natal, Academia Central de Aikidô de Natal, Academia Higashi, ACAN, Aikidô, Aikidô Natal, Aikidoísta, Aikidoca, Aleksej Aleksandro Nobre Marques, Amizade, Aprendizagem, Arte Marcial, Autoconhecimento, Ô-Sensei, Caminho, Carol Coe, Cláudio Bulhões, CONACAN Candelária, Cortesia, Cristina Cuono, Dô, Defesa Pessoal, Determinação, Dojo, Energia, Espírito Marcial, Faixa-Preta, Fernanda Coe, Flexibilidade, Forças, Harmonia, humildade, Impressões sobre o Aikidô, Kawai Sensei, Kawai Shihan, Lealdade, Maroni, Morihei Ueshiba, Reishin Kawai, Respeito, Rodrigo Calandra Martins, Sensei, Sensei Gabriel Lopes, Sensei James Carlos, Sensei Marco Antonio, Sensei Rodrigo, Sensei Sergio Pellissari, Técnica, Treinamento, Treino |
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2 Abril 2009
Quando o Judô, como nós conhecemos hoje, era ainda primitivo e comumente se referia a ele como Jujutsu, o principal propósito do treino era aprender um método pelo qual se aparava um ataque. Os praticantes assim faziam com o objetivo de colocar as habilidades que eles haviam aprendido para o uso da nação ou para defenderem-se. Mas mesmo se eles tivessem um propósito no treino, era sem muitas dificuldades, e muitos praticantes particularmente que exploravam como colocar as habilidades que eles haviam aprendido, ficaram, em vez disso, principalmente interessados no desenvolvimento da força.
Desde o estabelecimento da Kodokan, o Judô tem-se tornado algo que deveria ser estudado não apenas como um método de defesa pessoal, mas também como uma maneira de treinar o corpo e cultivar a mente. Naturalmente, esse treino físico e cultivo mental têm de possuir seu próprio propósito, e desde o começo eu tenho enfatizado que o corpo treinado e a mente cultivada têm de ser colocados para bons usos. Entretanto, no passado havia uma energia adquirida através desse cultivo que era relativamente negligenciada. No futuro, eu gostaria de defender todos os três aspectos igualmente.
É difícil ponderar a relativa importância dessas três coisas, mas tomá-las com o objetivo do completo estudo da defesa contra o ataque é base e habilidade para treinar o corpo e cultivar a mente que vem desse estudo. Com um corpo bem treinado e uma mente cultivada, você pode aplicar o seu treino a benefício da sociedade. Assim, tomando esses processos em uma ordem lógica, colocando a sua energia em uso na sociedade é o último fator a ser considerado. Entretanto, se nós olhamos para ele de uma outra direção, colocando a sua energia para o melhor uso, tem de ser o propósito final do estudo da atividade humana. Treino e cultivo do corpo e da mente são caminhos para alcançar esse propósito. E porque esse treino e cultivo naturalmente evoluem do treino da defesa contra ataque, podemos entender o treino da defesa contra ataque como um meio para um fim.
O verdadeiro valor de uma pessoa é determinado pelo quanto ela contribui para sociedade durante a sua vida. Isso se aplica às pessoas comuns também, mas em particular àquelas que se especializam no Judô que têm de agir de um modo consistente com os propósitos do Judô. Quando você pratica Judô, tem de tentar aperfeiçoar-se e contribuir para a sociedade através dessa prática, você tem de enfatizar a importância disso durante os seus ensinamentos aos outros.
Ao mesmo tempo, você tem de escolher métodos que permitam você o melhor alcance dos objetivos do Judô na sua vida diária. Por exemplo, com respeito às exigências básicas da vida tais como comida, roupa e abrigo, e também na sua interação social, você tem de seriamente considerar se está conduzindo a sua vida ao mesmo tempo em que faz a sua máxima contribuição para a sociedade. Algo que parece bom porque está à mão pode ser imprestável no futuro, enquanto alguns em alguns casos um pouco de paciência é altamente efetiva para favorecer a sua sorte no futuro. Todos esses aspectos têm de ser considerados e planejar cuidadosamente é necessário, a fim de alcançar um bom resultado global.
Isso não é de modo algum uma tarefa, o sucesso de alguém ou o fracasso dependem principalmente da preparação (ou carecer daquilo) nessas áreas, então isso tem de ser considerado seriamente. A base da felicidade na vida é encontrada não em perseguir o ganho material ou o prazer temporário, e a verdadeira bondade voltada para os amigos significa dar conselhos sérios quando precisam, de forma abnegada, sem receito de ofendê-los.
Até aqui eu realcei nessas páginas que o propósito do Judô é aperfeiçoar a si mesmo, para colaborar com a sociedade, e adaptar-se à época em que se vive. As pessoas podem razoavelmente se perguntarem como o propósito do Judô difere dos propósitos das pessoas comuns e podem indagar a necessidade de prosseguir no Judô. O propósito do Judô, claro, não difere do das pessoas comuns – nesse aspecto repousa o valor do Judô.
Porque o propósito do Judô é o mesmo que os das pessoas comuns, não há necessidade em hesitar em fazer um esforço para cumprir esse propósito. A razão do Judô é necessária para preencher o propósito de alguém é que a prática do Judô capacita-nos a encontrar o meio mais apropriado e a desenvolver a habilidade para assim proceder. Não há dúvida que o sucesso depende dos meios. E, além disso, para ser a melhor maneira de aprender como fazer o uso mais efetivo da sua força física e mental, pode ser dito que o Judô é “estudo dos meios”, e a sua prática é o estudo dos melhores meios para alcançar todos os tipos de sucesso.
Tradução: MARCOS JOSÉ DO NASCIMENTO – Servidor Público Federal, 1° Kyu de Aikidô pela Academia Central de Aikidô de Natal e Yudansha de Judô pela Academia Higashi, em Natal/RN
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Cultura, Textos Interessantes | Etiquetado: Academia Central de Aikidô de Natal, Academia Higashi, Aikidô, Artes Marciais, Ataque, Dô, Defesa Pessoal, Dojo, Energia, Estudo, Japão, Jigoro Kano, Judô, Jujutsu, Kata, Kodokan, Marcos José do Nascimento, Mente e Corpo, Prática, Técnica, Treino |
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31 Março 2009
Minha história começou numa conversa com alguns amigos no ano de 1998, destes, um tinha visto algo sobre o Aikidô e de tão impressionado que ficou começou a nos falar sobre aquela nova arte. O mesmo praticava Karatê Dô, aliás, todos naquele grupo já tinham ou estavam praticando alguma arte marcial. A curiosidade foi tamanha entre nós naquela noite que, depois de algum tempo, começamos a procurar pelo Aikidô aqui em Natal, mas não tínhamos nenhuma informação de onde achar e as respostas eram que não havia tal coisa na cidade.
No ano seguinte ao passar com a namorada pelo Shopping Cidade Jardim vi um cartaz na porta da loja Esporte Master, onde trazia informações sobre aquela arte que eu buscava a quase um ano. A partir desse momento a busca foi intensa e ao achar, na parte superior de uma farmácia, convido meu amigo a me acompanhar na primeira visita. Ao chegarmos lá nos deparamos com um ambiente extremamente limpo, calmo, e harmonioso, e lá, um treino estava acontecendo. Ficamos impressionados com o quanto era técnico o Aikidô, então começamos a analisar um possível confronto entre as duas artes (Karatê e Aikidô), e observamos que eram coisas diferentes.
Logo me apaixono pela arte e procuro uma turma para me encaixar, tão logo me encho de felicidade fico triste, pois não havia horário na qual eu pudesse freqüentar devido minhas obrigações, mas prontamente o Sensei Rodrigo anota meu telefone e me informa que há outras pessoas na mesma situação em que me encontrava. Ele estava estudando a possibilidade de abrir uma nova turma no período da tarde. Fiquei ansioso pra que isso acontece logo.
Passando-se uns 15 dias, mais ou menos, recebo uma ligação do Sensei Rodrigo informando da nova turma que iria iniciar-se às 15h, e se havia interesse de minha parte. Prontamente afirmo que sim, então ele me convida para compor a turma que, no primeiro momento, seria experimental. Mais uma vez vou da glória à decepção. Eu nem sonhava que a partir daquele momento essas oscilações de sentimentos seriam constantes no “Dô”. Estava acostumado ao Karatê onde tínhamos que ser fortes; determinados; firmes; corajosos, essas habilidades eram habituais, e a partir daquele momento iriam ser acrescentadas mais algumas, necessitando assim desenvolver a sensibilidade para conduzi-las da melhora forma, pois os conflitos eram eminentes, não com os colegas, mas comigo mesmo.
O tempo passa e os treinos acontecem. Mais gente vai chegando e a turma logo se mostra viável. Em pouco tempo nossa turma passa a ter os treinos mais vigorosos. Quase todos os graduados de hoje em dia do dojô passaram pela turma da tarde, dentre eles temos, além de mim: Sensei James; Sensei Marcos; Vinicius Brasil; Aleksej Marques; Tilla Samson; Carol Coe; dentre outros.
O caminho vai sendo trilhado, novas pessoas chegam e outras se vão, nesse momento só tínhamos o Sensei Rodrigo como referência e isso nos fazia ficar sempre depois do treino para estudar uns com os outros, e a cada treino, a cada chá, a cada novo amigo, surgiam novos aprendizados. A busca pelo ”Dô” é eterna e estamos a buscá-la. Muitas transformações ocorreram durante esses dez anos, mas isso também é Aikidô.
Disse Morihei Ueshiba, o Fundador do Aikidô:
“Em teu treinamento, não sejas apressado, pois são necessários no mínimo dez anos para dominares o que é básico e avançares para o primeiro degrau. Nunca penses que és perfeito como mestre e que a tudo conheces; tens que continuar treinando diariamente com teus amigos e discípulos para progredirem juntos na Arte da paz.”
“A Arte da paz pode ser resumida assim: a verdadeira vitória é a auto-vitória; que aquele dia chegue rapidamente! A “ verdadeira vitória” significa uma indomável coragem; a “auto-vitória” simboliza um infatigável esforço; e “ que aquele dia chegue rapidamente” representa o glorioso momento do triunfo aqui e agora”.
ISRAEL FÉLIX DE LIMA JÚNIOR – Nidan (Faixa-Preta Segundo Grau) de Aikidô – Iniciou o Aikidô em fevereiro de 2000 na Academia Central de Aikidô de Natal.
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24 Março 2009
Cada um tem seu motivo para começar a prática do Aikidô. E ao longo do tempo cada um também desenvolve seus próprios motivos para continuar treinando. E ainda mais, cada um desenvolve seu próprio tipo de treinamento.
Comecei no Aikidô há mais de 10 anos. Ao contrário da grande maioria eu não tinha nenhum motivo específico para começar a treinar. Apenas queria fazer alguma atividade física. Na época ainda não havia internet como hoje, e por isso foi difícil achar uma academia. Durante muito tempo foi exclusivamente por essa razão que treinava, mexer o corpo, suar um pouco. Mas depois que o meu professor deixou de dar aulas, nos deixando sem pai nem mãe, e tendo assumido um aluno dele mais graduado, comecei a mudar a minha perspectiva em relação à arte.
Foi nesta época que comecei a ler mais sobre o Aikidô. Passei a participar mais de seminários, encontros, treinos especiais. Foi também quando comecei a aplicar mais diretamente o que aprendia em aula, na minha vida. E também quando comecei a observar melhor os acontecimentos dentro do tatame. Para mim, aquela área delimitada pelas quatro linhas é um micro cosmo, um pequeno universo que representa toda a sociedade. Ali você encontra pessoas dos mais diversos tipos. Elas diferem não só em características básicas como altura, sexo, peso, aparência, mas principalmente na personalidade. Há os marrentos, os orgulhosos, os inseguros, os preguiçosos, os violentos, os desequilibrados, os animados, os bonzinhos, os malvados e maldosos.
Quantos não foram, não são e ainda serão aqueles que caem diante da mínima menção sua de fazer um determinado movimento e que apesar de avisados continuam com a mesma atitude. Por outro lado há aqueles que parecem feitos do metal mais pesado possível, que para serem movidos é necessário um guindaste. Existem aqueles que treinam de forma muito leve, basicamente uma dança. Por vezes alegando que assim o fazem por estarem em busca de um contato com o universo, porque querem desenvolver seu “ki”. Da mesma forma temos aqueles que treinam extremamente pesado, que estão “pouco se lixando” para essa baboseira de “ki”, de harmonia.
Não há problema nenhum nessas diferenças. O problema acontece quando esses mundos se encontram. Na verdade eles colidem. Vão acontecer reclamações dos dois lados quando isso acontece. “Pô, cara grosso, quase quebrou meu braço!”. “Não vou mais treinar com aquele pessoal não, eles atacam sem energia nenhuma!”. “Você está travando, têm que ficar mais solto.”. Quantas vezes já não ouvi isso. Quantas vezes já não falei isso.
Mas esta colisão só ocorre por falta de habilidade nossa em lidar com a diversidade. E se você já tiver uma certa graduação ou experiência na arte, mostra que você aprendeu pouquíssimo. E se você simplesmente não toma nenhuma atitude para reverter essa situação, mostra que você é um péssimo aikidoca. É necessário aprender a lidar e respeitar os limites de cada um.
Essas diferenças não podem ser encaradas como algo ruim. Pelo contrário, é justamente essa diversidade que torna a prática tão interessante, tão desafiadora, tão difícil. É isso que torna o Aikidô aplicável ao seu dia-a-dia.
Cada um tem o direito de escolher a sua forma de treinamento. Isso só não pode significar que o praticante deva ficar estacionado nesta forma. A medida que for crescendo dentro da arte ele deve buscar uma melhora, uma mudança dentro da sua prática. Se você cai por qualquer motivo, procure estudar a razão disso e na próxima vez já não “caia” tão fácil. Em algum momento você vai chegar ao ponto de saber que não dá mais para evitar e a queda é inevitável. Isso poupará muitas contusões. Se você é extremamente forte e gosta sempre de enfiar a cara do uke no chão, reconsidere, veja se isso é realmente necessário, será que apenas desequilibrá-lo e imobilizá-lo não é o bastante?
Alegar que é sempre necessário treinar para arrebentar de forma a se preparar para uma “situação real” não convence. Pelo simples motivo que no treino não é uma situação real. “Treino é treino, jogo é jogo”, já disseram. Quebrar o braço de alguém toda aula não se justifica como preparação para uma situação violenta que você possa vir a se deparar.
A busca da união com o universo e do desenvolvimento do “ki” também não devem ser usadas como justificativas para um treino “ballet”. Se assim você o fizer estará apenas se enganando achando que está adquirindo uma habilidade na arte além de atrapalhar os outros.
Há ainda um grupo mais que ainda não citei. São aqueles que tratam o Aikidô como religião. Uma busca espiritual não deve ser feita em cima do tatame. Ela deve ser feita em um templo, uma igreja, através de uma religião qualquer. O Aikidô não vai te dar respostas para questões existenciais. O Aikidô não possui uma filosofia, como tanto as pessoas gostam de dizer. Filosofia é o questionamento diante de valores e interpretações comumente aceitas, é a reflexão de idéias, análise, discussão. O que há no Aikidô é o reflexo das idéias de um homem, este sim muito religioso. O Aikidô é a parte física, por assim dizer, que junto com a religiosidade de cada um, seja esta qual for, pode conduzir à iluminação.
A harmonia do Aikidô vem de saber lidar com tudo e todos, saber transitar achando um ponto de equilíbrio. É saber usar a sua energia de forma adequada. Esse é o caminho proposto. É o de criar indivíduos capazes de agir adequadamente diante de qualquer situação, tornando-os assim capazes de viver e criar uma sociedade melhor.
Acredito que nada disso seja novidade. São coisas óbvias, mas que por isso mesmo é sempre bom sermos lembrados delas.
André Fettermann de Andrade – EMA – Escola Meirelles de Aikidô - http://www.escoladeaikido.com.br
Colaboração: http://mastruz.multiply.com/journal
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20 Março 2009
Entrevista concedida por Hiroshi Ikeda a Stanley Pranin.
Por favor, nos conte qual é a sua abordagem sobre treinar.
A primeira questão é que devemos treinar com o corpo e não com a cabeça. É bom recebermos muito ukemi para sentir na pele o que é treinar. Se você usar demais a cabeça, seu aikidô ficará muito intelectualizado e isso afetará de forma negativa seus movimentos corporais. Minha filosofia é aprender e entender o aikidô com o corpo.
Normalmente começamos a nossa pratica com irimi-tenkan. Em vez de entrar logo nos movimentos de arremesso, creio que é mais produtivo trabalhar o corpo de forma gradativa, começando com irimi-tenkan para aquecer, depois praticando ushiro ukemi, e só depois os outros movimentos.
Melhor do que apenas ensinar ou treinar, é importante que eu também encontre oportunidades para aprender, crescer e cultivar meu próprio aikidô, então procuro sempre novas abordagens. A prática consistindo apenas em agarrar ou ser agarrado tem a sua utilidade num estágio inicial, mas acho que você deve ir mudando e experimentar com outras coisas quando estiver num nível mais avançado, como por exemplo, treinar como ser agarrado ou como permitir que seja agarrado de forma correta. A prática de quebra de equilibro também é outra possibilidade.
Recentemente tenho trabalhado o conceito do “centro” (chushin), especificamente como manter o meu centro enquanto quebro o equilíbrio do meu parceiro.
A Qualidade do Treinamento – O senhor se sente muito influenciado pelo Saotome Sensei?
Sim, com certeza. Observando o que o Saotome Sensei tem feito ao longo dos anos, vejo que o aikidô não pode ser apenas aikidô; como budô, tem que ser completamente capaz de responder a tudo. Em outras palavras, tem que valer fora dos seus confinamentos. Saotome Sensei defende isto há anos.
Saotome Sensei manifesta um caráter incomum nas suas demonstrações, pois elas sempre possuem uma intensidade explosiva e muita seriedade. As demonstrações de Saotome Sensei não só mostram que existe fluidez, mas também apontam claramente para uma proposta de treinamento que viabiliza a habilidade de responder a qualquer situação. Isto é algo que prezo como parte importante do meu próprio treinamento. Minha busca no aikidô é de um budô que vá além dos confinamentos do aikidô, aperfeiçoando uma forma de movimento como Saotome Sensei que parta do centro. A maneira do corpo se mover é de grande importância.
Faz uso do atemi em seu aikidô?
Muito pouco, especialmente nenhum golpe em áreas como o rosto. Podemos dar uma encostada em alguém se eles se posicionam de forma perigosa ao agarrarem o parceiro, apenas para que eles se conscientizem que não devem se posicionar de forma vulnerável para um contra-ataque. Mas está mais para o peteleco do que para um golpe. Apenas o necessário para que eles percebam que devem se posicionar mais para o lado, ou para onde for. Dar este tipo de sinal para o parceiro o ajuda a prestar atenção à forma de agarrar corretamente. Desta maneira, tanto a pessoa que arremessa quanto a pessoa que agarra podem se beneficiar do treinamento. Em outras palavras, ambos devem considerar como se posicionam. Defendo um sistema de treinamento onde tanto o nage quanto o uke possam aprender de forma ativa.
Como se sente em relação ao intercâmbio entre artes marciais como treinamento?
Durante meus dias na universidade nós costumávamos dividir as dependências do departamento de educação física com praticantes de outras artes marciais como Shorinji kempo, judô e sumô. Lembro-me de algumas brincadeiras com eles; tentando sentir como um aikidoista responderia a esta ou aquela técnica. Fora isso, fazíamos com freqüência treinos de intercambio com outras universidades.
A minha universidade era em Shibuya, então treinávamos com grupos de outras universidades na região – Aoyama Gakuin e a Universidade Kokushikan, por exemplo. Tinha um rapaz na Kokushikan que fazia belíssimos movimentos de esquiva corporal (tai sabaki) contra ataques com faca. Observar e treinar com ele era muito instrutivo.
Acho importante estudar com vários professores. Provavelmente a melhor proposta de aprendizado é de pegar elementos que você considere práticos de vários professores e usá-los para criar algo que se adapte ao seu corpo.
Se o treinamento com armas é ou não é essencial aos treinos de aikidô é um assunto controvertido hoje em dia. Em sua opinião, a essência do aikidô está apenas no taijutsu, ou deve se incluir o treinamento com armas?
Ambos, eu acho. Porém, tornar-se habilidoso com um boken ou jô é algo para ficar em segundo plano. O importante é permanecer com as mãos na sua frente quando for treinar com estas armas.
Como já mencionei, tenho treinado com o conceito de “centro” sempre em mente. Os meus alunos treinam movimentos com o boken porque evitam que suas mãos se afastem dos seus respectivos centros. Se as mãos forem desviadas pros lados fica difícil conseguir algum poder executando as técnicas. Então considero o uso de treinamento com armas proveitoso no sentido de ajudar os alunos a firmarem e manterem seus próprios centros dentro dos movimentos no aikidô.
Tradução: Christian Oyens
Texto Origem: http://www.aikidojournal.com/article?articleID=86&lang=br
Colaboração: www.aikidojournal.com
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13 Março 2009
Há muito tempo atrás em uma terra distante… brincadeira. Foi a aproximadamente uns 6 anos que conheci o Aikidô por intermédio do Daniel Dantas, hoje casado com Daniele que ele havia conhecido no dojô (o casal Dan Dan para quem lembrar). E lembro que depois de muita insistência, muitos filmes e histórias sobre o Aikidô, resolvi ir conferir essa arte marcial de que tanto tinha ouvido falar. Ao chegar no dojô, lembro como se fosse hoje, senti uma ótima sensação no lugar, para dizer a verdade eu me senti em paz, estranho admito, mas foi o que senti. Quando entrei achei esquisito a reverência feita pelo meu amigo a uma foto na parede e vi que todos que entravam e saiam do lugar faziam o mesmo, então perguntei: “Bicho que esquema é esse de reverência? É uma religião isso?” Foi me explicado que a reverência era uma forma de demonstrar respeito para com o fundador da arte, achei bem legal esse lance de mostrar respeito para com as raízes do Aikidô. Na ocasião estava ocorrendo aula de Sensei Marco e ao me aproximar do tatame Daniel foi falando nomes estranhos: “Olha, esse rolamento é chamado Mae Kaiten Ukemi e esse é Ushiro Hanten Ukemi…” dentre outros nomes que na época achei estranhíssimo e perguntei se tínhamos que ficar decorando tais nomes, ele explicou que os nomes são a descrição dos movimentos e que com o tempo aprenderia os seus significados.
Daniel levou-me para conhecer os Sensei(s) que estavam conversando no escritório do dojô, Sensei James e Sensei Sérgio, eles chegaram e foram dando logo um abraço, achei isso muito esquisito, mas todos no dojô se cumprimentavam com grandes abraços, não tinha, até então, o costume de abraçar as pessoas, mudei isto depois de começar a treinar, pois o abraço é uma ótima forma de transmitir energia ao próximo e equilibrá-la. Os Sensei(s) me explicaram um pouco sobre a arte e sobre o funcionamento do dojô e fui logo convidado a treinar. Quando respondi de não tinha uma roupa para participar, Daniel logo tirou uma roupa e disse: “Usa o meu dôgi, tenho três!.” Pensei “ Dôgi? Que danado é dôgi??, lembro. Então vesti o dôgi e fui para o tatame participar da aula de Sensei James.
Para mim, foi muito engraçado a primeira aula, pois não acertava os rolamentos nem os movimentos, no entanto, Daniel e Sensei James se mostraram bem atenciosos em passar as técnicas. Lembro que logo nos primeiros alongamentos percebi o quanto estava sedentário e o quanto eles me seriam úteis.
No fim do treinamento estava acabado, mas muito motivado com as possibilidades que o treino me oferecia. Lembro também que achei muito estranho as pessoas se abraçarem no final de cada treino, como disse anteriormente, não tinha este costume, mas achei bem legal esta troca de energias. No caminho de volta indaguei meu amigo: “Cara eu estou precisando de uma atividade física para perder peso e acho que esse tal de Aikidô deve servir, mas eu não dei nem um chute! Que arte marcial é esta que não tem nem um chute!? Como vou exercitar minhas pernas?” Ele riu e disse “Espere amanhã e me diga como estão suas pernas. E enquanto ao chute, não se preocupe, pois você não vai precisar dele. O praticante de Aikidô trabalha em cima da energia recebida por ele de seu parceiro, então quanto mais energia melhor a técnica, então imagine o que poderia ser feito a alguém que chutasse uma Sensei de Aikidô?”. Como não tinha conhecimento sobre as técnicas, na minha mente não veio nada, foi um branco total!!! .Na manhã seguinte minhas pernas pareciam de chumbo, morava, na ocasião no quarto andar de um prédio sem elevador, foi um verdadeiro martírio descer e subir as escadas naquele dia. Mas estava decidido a continuar a praticar uma atividade que tinha se mostrado muito prazerosa…
O tempo foi passando e continuei praticando até atingir a faixa azul e dos vários momentos vividos no treino vou destacar alguns:
- Primeiro exame de faixa:
Na época era puro nervosismo, lembro que minha mão tremia muito, principalmente na hora dos Shomen-Uti e companhia… Era todo duro e para realizar cada movimento parecia que estava arrastando uma montanha de tão tenso.
- Último exame de faixa:
Na época Sensei Rodrigo estava no dojô e eram somente 3 faixas verdes, contando comigo, para realizar o exame para faixa azul. Quando chegou nossa vez, depois de muito tempo esperando, diga-se de passagem, eram muitos alunos na troca de faixa. Sensei Rodrigo olhou, viu que nosso exame iria demorar muito, pois teríamos que nos revezar para apresentar as várias técnicas necessárias e propôs que os Sensei(s) fossem os uke, nesta hora quase tive um infarto, e o mesmo se prontificou para ser um dos uke dizendo: “Alguém que fazer o exame comigo?”, com estava na sua frente e logo o chamei para ser meu uke, o que aceitou com o sorriso de sempre. E de repente apareceu um monte de câmeras e filmadoras apontadas para nós, pois Sensei Rodrigo é o fundador da Academia na cidade, pense como fiquei nervoso nesse momento!!. Mas o exame transcorreu normalmente, apesar de umas escorregas aqui e acolá.
- “Caída de ficha”, sabe aquele momento que após uma dica as coisas parecem mais claras? Estes foram alguns deles.
“Redondo…” – Sensei Gabriel ao ver minha dificuldade em realizar os rolamentos, parecia um paralelepípedo “rolando”. Depois desse toque senti que meus rolamentos ficaram mais “redondos” mesmo.
“Feche os olhos e pense que está andando em pé...” – Sensei Marcos ao ver minha dificuldade em realizar o Shikko. Depois desse toque não tive mais dificuldades em realizar o movimento.
“Vazio” – O Sensei Sérgio estava demonstrando uma técnica em Suwari Waza onde eu, como seu uke, precisava aplicar força em uma pegada no punho e o Sensei com um rápido movimento me projetou para longe caindo em rolamento a uma boa distância atrás dele. Nesse movimento senti realmente um vazio, vazio este que traga a pessoa e neste momento somos completamente conduzidos para onde o Sensei desejar. Foi um momento muito importante, pois percebi a “esfera dinâmica” em pleno funcionamento.
ALBERTO LUCIANO BRITO LESSA – 2º Kyu (Faixa-Azul) de Aikidô – a mais de 2 anos afastado… sei que vou voltar.
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11 Março 2009
Lembro-me da primeira vez que tive contato com o pessoal da Academia Central de Aikidô de Natal. Passava eu em frente daquela farmácia, próximo a atual Academia, e vi umas pessoas usando uns kimonos meio que “boca de sino”, e achei muito interessante. Vi que treinavam ali um tal de Aikidô. Eu que já vinha procurando uma arte marcial que melhor me identificasse, procurei na lista telefônica e liguei para lá buscando algumas informações (se usava muitos chutes, socos, etc…), mas disseram: – amigo…melhor vir aqui…. Eu não fui. Afinal, não era mais nenhum adolescente, já era adulto, já era “pai de família”, e temia ser ridículo chegar “zerado” atrás de “coisas de menino”.
Acho que cerca de um ano depois navegando na internet, em sites sobre artes marciais (na hora do trabalho), entrei em contato, pela primeira vez, com a filosofia do Aikidô. Li uma entrevista com o fundador (de nome difícil) e seu filho, contando episódios fantásticos que ficaram marcados na minha memória. Era um velhinho com cara de mestre filme de artes marciais que lutava contra muitos, escapou de tiros e segurou outro só com um dedo. Meus colegas de trabalho viram o relato e riram das estórias.
Li sobre a filosofia, e então não havia mais como adiar…procurei a Academia Central que me envolveu, logo na chegada, com o seu ambiente harmônico…senti a paz ali. Desvencilhei-me da idéia de qualquer outra arte marcial, posto que havia, por esses dias, visitado uma academia de Kung fu, ao qual pensava que iria ser aluno. Era inclusive mais barata a contribuição… mas aquilo que eu senti no dojô não me permitiu titubear…era ali que eu iria treinar.
Cheguei para assistir um treino e fui recebido por um jovem professor… o Sensei Gabriel, receptivo e de voz tranqüila que me convidou a treinar experimentalmente por uma semana. Tentei mostrar algum conhecimento da teoria que eu havia ensaiado, mas…. Voltei dois dias depois para a aula às vinte horas.
Eu não tinha kimono, fui com uma calça de sarja caque que eu tinha, que envelheceu esperando o kimono que relutava em chegar, e segundo um professor, também de voz tranqüila, de sorriso fácil, chamado James, tinha havido um problema na remessa da fábrica, pois todos viriam agora com o bordado da academia. O fato era que estava muito envergonhado daquela calça que achava que me denunciava… mas o pior era o meu treinar desajeitado. E quando perguntavam: é o seu primeiro treino? Eu já enchia o peito e dizia, não, já é o quinto. Mas ainda sofria pra saber quando e como dizer Onegaishimassu ou Domo Arigato Gozaimashita.
Sentia-me no maior “mico” quando o Sensei mandava girar tenkan, tenkai ashi, e o pior o tal de irimi tenkan… No segundo giro, já era eu sozinho na direção oposta.
E os rolamentos… nunca me senti tão atrapalhado.
Chegava em casa e minha esposa ansiosa perguntava….e então???!!! E eu, com os ombros caídos, só dizia: É muito difícil.
Fiz amizade com um grande parceiro, o Adler San (meu primeiro uke), que como eu estava começando, tinha acho que a mesma idade, também “pai de família”, tão perdido quanto eu…
Caramba! Passados três meses Sensei Gabriel disse que eu estava “pronto” pra trocar de faixa (poucos dias depois de receber meu kimono, pois até então estava com a calça caque). Deixaram claro que era concedida somente pra estimular os novatos, o que me deu um certo alívio, pois sabia que continuava um bobo rodando e não entendia como iria ser “promovido”.
Então veio a troca de faixa. Robocop perdia. Ensaiei uma cara feia de lutador, e o movimento robótico era natural, pois não sabia fazer de outro jeito. Foram assistir minha esposa e minha filha. Nem acreditei… descolei e finalmente deixei de ser faixa branca. Pra mim três meses que foram uma eternidade.
As contingências fizeram mudar de horário e treinei com o Sensei Sérgio. Período excelente.
Devido ao trabalho, intercalei as aulas com o Sensei Sérgio e Sensei Gabriel que passou a dar aula às seis da manhã, quando então houve a segunda troca de faixa.
A experiência já era diferente. Já estava menos desengonçado. AGORA EU ERA ROXA CARA!
Mudei depois para verde, Sensei Gabriel foi para o Japão e Sensei Sérgio, pra minha surpresa foi pra São Paulo, sem que pudesse desejar boa sorte ao bom professor.
Então passamos a treinar de manhã com o Sensei James. O Sensei de sorriso fácil, mas que chegava de início, na aula das seis da manhã, com cara de quem caiu da cama, até que, finalmente se acostumar com o novo horário. Se acostumou de um jeito que aquela turma aumentou o laço de amizade. A turma criou um laço profícuo, continuado na volta do Sensei Gabriel do Japão, que chegou cheio de técnicas apuradas, e comprometido em burilar-nos para uma “técnica limpa’.
Neste ínterim, veio o Sensei Rodrigo, que cheio de novas idéias, veio com espadas e bastões para treinos e sugeriu o uso de faixa branca.
No exame para faixa azul, combinado todo mundo ir de faixa branca, no dia, tava lá só eu e Cris B, em mais um dos meus micos na academia.
Até que então tive de morar no interior. Eu nunca me importei em ser faixa preta pela faixa em si. Mas alguma coisa me dizia que um dia eu teria de me afastar e nesse dia a faixa seria útil, pois poderia ensinar onde eu estivesse. Mas não foi assim, eu ainda era faixa azul e tive de ficar longe dos treinos.
Nesta hora me vali da filosofia do Aikidô, para não me deixar prender pelas circunstâncias, deixar passar…como um rio. Continuei a ler… baixei vídeos, adquiri outros…e tentei fazer os movimentos sozinho, lá no interior. Uma coisa interessante aconteceu… como não tinha com quem me preocupar se estava atrapalhando alguém, percebi melhor a sutileza dos movimentos do Aikidô. Acho que finalmente vislumbrei a experiência do centro no Aikidô. Passei a treinar como se treina o Tai Chi Chuan, conforme vi a idéia de um vídeo chamado Taichi Aiki. Percebi o Aikidô mais profundamente nesses dias. Estava eu estudando, por essa época, o Zen de uma tradição apresentada pelo Sensei Gabriel. Por esse período fui a um Yudanshakai e foi muito bom. Consegui acompanhar… mas, parei de treinar… Mas já havia formado uma nova visão do Aikidô.
Mantive contato ainda com Vinicius Brasil, o “embaixador” da Academia Central via MSN, que me era solidário nesse período. Ah, alguém conhecido seu já recebeu alguns “spams” da Academia Central de Aikidô de Natal enviados por ele? Ah, tá.
Agora voltei, pela segunda vez, recepcionado pelo Sensei James. Nesta aula de volta, conduzida pelo Sensei Marcos para uma filmagem, Sensei este que possui uma grande carga filosófica, e nos remete ao Aikidô como inicialmente concebido, uma arte de harmonização, pude desfrutar da beleza de Aikidô, o Aikidô de centro forte, do Ki, da harmonização, conforme eu buscava no primeiro dia em que pisei na academia.
Assim, estou voltando à minha jornada. O Aikidô faz parte da minha vida, assim como os colegas e Sensei(s) que me ajudam nesse caminho.
Há uma coisa que descobri nesse período de experiência… o Aikidô é arte de harmonização, em benefício da paz individual e coletiva… Aikidô não é luta… pra quem quer lutar melhor procurar outra arte… não o Aikidô, a qual já foi chamada de o Zen em movimento. Não é fácil, embora inspire-se no simples. A faixa preta é o começo. A humildade é forte, e arrogância enfraquece, porque sai-se do seu círculo de controle.
Ah, aproveitando a oportunidade, não custa nada lembrar que tem um regrinha nas etiquetas do dojô, que pouca gente observa…se você não é faixa preta NÃO ENSINE AO SEU COLEGA, pois você ainda está aprendendo também e pode estar transmitindo sua concepção errada. Ademais, o Aikidô é experimento e adaptação, o que dá certo pra você, talvez não se aperfeiçoe no outro. Por fim, você pode estar desestimulando atrapalhando o processo de experimentação de alguém.
Pra essas orientações temos os professores e faixas pretas.
Domo Arigatô Gozaimashita.
JOSÉ RIBAMAR LOPES – Servidor Público Estadual – 2º Kyu (Faixa-Azul) – Aluno da Academia Central de Aikidô de Natal desde março de 2004.
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Aikidô, Textos Interessantes | Etiquetado: 10 anos Academia Central de Aikidô de Natal, Academia Central de Aikidô de Natal, Agilidade, Aikidô, Aikidô Natal, Aikidoísta, Aikidoca, Aprendizagem, Arte Marcial, Atenção, Autoconhecimento, Autodefesa, Ô-Sensei, Budô, Calma, Caminho, Confiança, Coragem, Corpo, Cortesia, Dô, Defesa Pessoal, Disciplina, Dojo, Energia, Equilíbrio, Espírito Marcial, Flexibilidade, Harmonia, humildade, Impressões sobre o Aikidô, Internet, José Ribamar Lopes, Kawai Sensei, Kimono, Kung Fu, Lealdade, Leveza, Mente, Minha História de Aikidô, Morihei Ueshiba, Postura, Respeito, Respiração, Reverência, Rodrigo Calandra Martina, Saúde, Satisfação, Sensei, Sensei Gabriel Lopes, Sensei James Carlos, Sensei Rodrigo, Sensei Sergio Pellissari, Site sobre Aikidô, Tatame, Treinamento, Vinicius Brasil, Yudansha |
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9 Março 2009
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5 Março 2009
Toda mudança importante é precedida por uma situação de crise. As coisas que você valorizava já não o satisfazem, mas você hesita em se desfazer delas com medo de sentir falta um dia. Isso é natural, agora, você quer outras coisas da vida.
Um dia você acorda e percebe que muitas coisas que achava normal começam a deixá-lo chateado, como escutar reclamações dos seus colegas de empresa porque não fez o combinado, ou tomar uma dura do chefe porque seu trabalho está ruim.
Você fica sem jeito de pedir um dinheiro extra a seus pais. Esperar pelo namorado que você ama, mas que nem lhe dá satisfação pelo atraso, começa a incomodar demais. Você liga para sua amiga, convida-a para sair, e ela diz que não pode, pois foi promovida no emprego e está muito ocupada estudando para o novo cargo. O seu amigo de infância liga e convida-o para tomar um chope, porque quer comemorar a compra do apartamento novo, e você se sente inferiorizado.
É, parece que alguma coisa não está indo muito bem! Você fica sem graça ao ver seus amigos falando sobre suas vitórias, por não ter as suas histórias para contar. Você ainda tenta justificar para si mesmo que é só uma questão de tempo para suas vitórias acontecerem, mas começa a ouvir a voz da sua consciência lhe dizendo que alguma coisa está errada, que não deveria ser assim.
O mais forte é a sensação de que você nasceu para uma felicidade que ainda não encontrou. É a impressão de que existe algo melhor à sua espera, que precisa ser alcançado com urgência. Sente que, de alguma forma, você está ficando para trás e desperdiçando as oportunidades da sua vida. Ao mesmo tempo em que o desconforto aumenta, a voz do medo começa a martelar a sua consciência: “Para que largar as minhas coisas?”, “Para que me matar no trabalho se eles não valorizam ninguém?”, “Quando for promovido, vou mostrar a minha competência.”, “Para que me preocupar com minha namorada se tem tanta gente querendo sair comigo?”.
A cabeça da gente começa a ficar confusa escutando duas vozes ao mesmo tempo. Uma diz para avançar e pagar o preço: “Vá em frente!”. A outra diz: “Você não precisa disso! Relaxe que ainda não chegou a hora. Deixe as coisas como estão!”. Essas vozes vão se repetindo em nossa cabeça, exatamente como aquela cena em que a gente perde um pênalti no final do campeonato da escola — você lembra? A gente fecha os olhos e a cena aparece. Liga a TV e a cena aparece de novo. Isso começa a gerar uma angústia tão grande que as pessoas que não têm coragem de avançar de verdade na vida começam a tentar calar essas vozes. E fazem isso, muitas vezes, apelando para o álcool, o exagero na comida e até mesmo passando a usar drogas mais pesadas.
Tudo isso são coisas que só calam as vozes por alguns momentos. No dia seguinte, elas voltam com mais cobranças: por que você bebeu desse jeito? Você não vê que está gordo de dar dó? Meteu-se com drogas de novo, não é? Como você pensa que vai sair dessa?
Você percebe que nada acalma a sua ansiedade. Nada disso é solução. O único caminho é escutar a voz do coração e seguir em frente. Toda mudança importante é precedida por uma situação de crise. As coisas que você valorizava já não o satisfazem, mas você hesita em se desfazer delas com medo de sentir falta um dia. Isso é natural, agora, você quer outras coisas da vida. Quer vencer na vida, ser importante, ser feliz. Seus anseios aumentaram, mas ao mesmo tempo as chances de conseguir um lugar ao sol são restritas, a competição é intensa e os desafios são imensos.
A travessia de um mangue, por sua vez, não é lá coisa muito simples. Há momentos repletos de contradições e dúvidas. Essa situação lembra até certos filmes de aventura, como Matrix, Indiana Jones, O Senhor dos Anéis, nos quais o personagem principal vive uma rotina vazia até receber um chamado que o faz arrumar as malas e partir com uma importante missão a cumprir. Então, o protagonista é submetido a uma série de provações, que o mitólogo Joseph Campbell chama de jornada do herói.
No final, para quem batalha o prêmio é sempre uma grande descoberta pessoal, com a elevação de sua vida para um patamar de maior satisfação e realização.
Se você está recebendo um chamado da sua consciência para ser tudo o que tem potencial de ser, a única solução é fazer as malas, como um Indiana Jones de verdade, e embarcar na aventura da sua vida.
Roberto Shinyashiki – psiquiatra, palestrante e autor de 14 títulos.
Colaboração: http://shinyashiki.uol.com.br
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4 Março 2009
Eu treinei Judô desde a adolescência, de forma intermitente, com algumas grandes lacunas de período sem treino algum. Havia tido alguma notícia do Aikidô no Rio de Janeiro, nos anos 70, quando vi uma reportagem na extinta revista Manchete, foi o primeiro contato com o assunto. Achei interessantes as movimentações.
Meu primeiro professor de Judô, no Rio de Janeiro, Ceny Peres Barga, foi aluno de Masino Ogino, e costumava, Sensei Peres, ensinar-nos técnicas de defesa pessoal, e em meio a algumas dessas técnicas, vim a perceber traços de movimentação do Aikidô, rememorando essas lembranças após iniciado os treinos na arte de Ô-Sensei, e, posteriormente, ao pesquisar sobre a história do Aikidô, descobri que a academia em que iniciei meus primeiros treinos de Judô, Ginásio Portuário, recebera, nos anos 60, um japonês, Yudansha de Aikidô, que ministrou aulas na minha primeira academia de Judô.
Em 1999, nasceu o meu interesse pelo treino de Aikidô, no segundo semestre, mas não poderia iniciar os treinos, senão a partir de janeiro do ano seguinte, 2000, em virtude de não dispor de horário algum livre e em função de compromissos assumidos. Essa procura deu-se como forma de preserva a saúde, através de algum tipo de prática que envolvesse o físico. Eu queria, desta forma, uma atividade física que se realizasse sobre o tatame, mas sem competição e um pouco mais suave, por não querer mais o combate, em razão da idade e dos riscos envolvidos para quem já havia passado dos trinta anos de idade, um pouco.
Fui, inicialmente, informado de uma academia que funcionaria no bairro do Alecrim, da qual a pessoa que nos indicou forneceu-me um número de telefone, mas que não atendia as chamadas feitas. Assim, deixei para iniciar a procura somente em janeiro de 2000. Na ocasião, um colega de trabalho informou-me da existência de uma academia próxima à Churrascaria A Carreta, em cima da Drogaria Amadeus, o que, de início atraiu mais ainda a nossa atenção, por situar-se no caminho entre a nossa residência e vários locais, trabalho, centro de Natal, e muitos outros pontos.
Antes de tomar a decisão por inscrever-me, decidir assistir a um treino, observar o ambiente e como se processava tudo. Fui, durante a semana, numa tarde, por volta das 15h, as aulas duravam até às 16h. Sensei Rodrigo ministrava a aula, era janeiro de 2000, não me recordo bem de quem participava e nem das graduações, mas acredito que havia, no máximo faixas roxas, os Kyus mais avançados de alunos.
Percebi a seriedade do ambiente e a seriedade com que se tratava o Aikidô, e, ao final do treino, falei com Sensei Rodrigo, fazendo a minha inscrição, e iniciando os meus treinos em janeiro de 2000, sendo graduado faixa marrom, 1° kyu, em dezembro de 2002.
Os primeiros treinos foram um tanto quanto difíceis para mim, por não conseguir, inicialmente, desvincular-me da idéia de que já havia praticado o Judô, não que isso prejudicasse, mas a minha indisciplina mental prejudicava-me no início.
Nos primeiros exames, fui estimulado por Sensei Rodrigo, pois eu não pretendia realizar mudanças de faixas. A minha idéia era de permanecer um ano na faixa branca para então, somente depois realizar o primeiro exame. O Sensei demoveu-me dessa idéia. E eu comecei a fazer os exames, que muito me estressava, como me estressaria até hoje, pois é uma situação na qual se fica muito exposto. Dos exames que realizei, um me preocupou muito, foi quando da presença de Shihan Kawai, uma vez que eu guardava receio do rigor que presumia vir dele na cobrança de apuro na execução das técnicas, mas, nesse exame, fui convidado a ser examinado por uma banca da qual participava Sensei Rodrigo. Acredito que, em todos os meus exames, inclusive o para a promoção a 1° Kyu, Sensei Rodrigo estava na banca em que fui examinado.
Do que venho aprendendo sobre o Aikidô, percebo, entre outros tantos benefícios a respiração, a postura e a filosofia sobre a vida, sendo este aspecto o mais difícil de ser entendido na prática creio por muitos praticantes, não me excluindo deste rol, porque, na verdade, a proposta filosófica é entrar na técnica para sair dela, e, à semelhança do criador do Judô, Jigoro Kano, O O-Sensei propõe o Aikidô, como filosofia transformadora da criatura humana, praticado fora do Dojô. Mas acredito que o primeiro passo, sem o qual não é possível chegar ao seguinte, é buscar praticá-lo dentro do próprio Dojô do Aikidoísta.
MARCOS JOSÉ DO NASCIMENTO – Servidor Público Federal, 1° Kyu de Aikidô e Yudansha de Judô.
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16 Fevereiro 2009
A implantação maciça das Artes Marciais Orientais nas sociedades ocidentais tem conduzido a Psico-Sociologia a colocar, nestes últimos anos, a questão do status destas práticas dentro da dinâmica atual. Qual o motivo das Artes Marciais? Em resposta, artigos e teses que analisaram o fenômeno salientam, em geral, os seguintes aspectos:
1. Respondendo a violência das sociedades industrializadas, as Artes Marciais, otimizando a descarga agressiva, têm um papel de derivativo, de válvula de escape individual e coletiva. Dentro da dinâmica social, as Artes Marciais são então reguladoras de tensão: nos locais onde se pratica, as cargas agressivas adquiridas em outros lugares se exprimem e se desarmam em favor do treinamento. Sendo assim, elas inibem as forças atuantes no terreno das lutas políticas e sociais.
2. Hoje em dia onde os perigos sociais são menos de agressão corpo a corpo que de agressões psicológicas (assédio do universo sonoro, pressões do trabalho, insegurança existencial em época de crise, etc.), o papel primeiro das Artes Marciais cai em desuso. Em outras palavras, aquele que treina para combater se engana de inimigo: ele adia sua resposta às agressões sociais para um outro tempo (o tempo do treinamento) e a desloca para um outro terreno. O combatente de Artes Marciais se esgota então num duelo metafórico; ele combate, através do seu adversário, inimigos ausentes.
3. Examinando com mais precisão o aspecto relacional nas Artes Marciais, os psicólogos se fixam nas motivações dos praticantes. “Eu treino para o combate porque eu me sinto inseguro“, é em geral a motivação inicial, vista por alguns como um reflexo paranóico (esta hipótese situa-se no lado direito da análise sociológica).
A um nível mais profundo e utilizando-se conceitos da psicanálise, as Artes Marciais podem ser vistas como ritualizações Sado-Masoquistas. Neste jogo, onde somos na verdade os dois, o “tome essa” se alterna com o “faça-me mal“.
Apesar do interesse desses esclarecimentos que tentam mostrar que na sociedade, como de resto, nada se perde, nada se cria e que um fato social tem sempre uma razão de ser dentro de uma dinâmica de funções, vários aspectos dessas análises me parecem criticáveis.
Na realidade, a análise psicossocial tem a tendência de tomar as Artes Marciais “ao pé da letra“, de só ver a marcialidade (a representação dos combatentes, enfrentamento corpo-a-corpo) e a adotar, finalmente, a perspectiva superficial do iniciante. A meu ver, portanto, as Artes Marciais, se vistas como sendo nada mais do que esportes, não podem ser isoladas do fenômeno esportivo em geral. Um exame aprofundado dos esportes que não se declaram “marciais” (futebol, rugby, tênis,…) revela um conteúdo pleno de simbolismos guerreiros nos quais encontramos desordenadamente: luta, dominação, vencedor/vencido, vitória/derrota, etc. A atitude dos praticantes é altamente agressiva, competitiva, mesmo se a disputa é mediada por uma bola ou por um alvo.
O Avanço do Projeto
Em princípio, as Artes Marciais orientais (japonesas, chinesas) se distinguem dos esportes, se bem que algumas dentre elas (judô, karatê) invadiram este campo de atividade. Não havia no espírito dos criadores dessas disciplinas o objetivo explícito de brilhar nas competições internacionais, mas sim o deseja de criar métodos de treinamento físico, psíquico e moral. Na base do projeto marcial dos criadores contemporâneos encontra-se a renúncia à marcialidade, a seu uso. É a idéia do avanço do projeto através de sua própria negação, através de sua perversão. Quer isto dizer que as Artes Marciais (notadamente as japonesas) foram divulgadas com um veículo ideológico preciso. Resultante, por um lado, do contexto sócio-histórico, e mesmo político, dos países de origem, e por outro lado, do contexto religioso (o xintoísmo principalmente, o budismo), a ideologia das Artes Marciais se articula ao redor de um projeto pacifista. Não agressão, domínio de si mesmo, respeito aos outros, as coisas permaneceriam neste nível não fossem as exigências do esporte de competição modificando essa orientação.
O Aikidô, a tradição e o prazer
A título de exemplo, eu gostaria de distinguir o Aikidô das outras Artes Marciais. É, na realidade, a única prática que existe até hoje afastada dos esportes de competição e que conserva uma ligação real com a tradição japonesa.
Para se avaliar a importância das proposições do Aikidô, o ponto de vista Psico-Sociológico é inadequado. Na verdade, respondendo mal a idéia que se faz dos esportes de combate, não se engajando em competições, riscando de seus objetivos a idéia da supremacia sobre o adversário, o Aikidô exige do praticante a vitória contra si mesmo. O Aikidô é, antes de mais nada, um somatório de proposições em ruptura com o universo cultural ocidental e, de uma certa forma, com o universo cultural japonês de hoje em dia.
O Aikidô é sem dúvida, acima de tudo, um método de re-centralização Psicossomática (perto talvez das Iogas do corpo, com menos rigidez e hierarquia), no qual o treino visa o aperfeiçoamento da expansão e da disponibilidade física, psicológica e moral. Sendo assim, a atitude exigida durante o treino é menos de esforço do que de abandono. Segundo os entendidos, trata-se menos de acumular forças do que de redescobrir uma disponibilidade de ação.
No discurso do Aikidô está contida uma idéia de que aquele que pratica participa de um ritual místico, um mito das origens. Esta idéia se organiza ao redor dos seguintes pontos: “centralize-se – pela primeira vez – com todo o seu coração“. Que isto dizer que a prática propõe então refazer, através do exercício físico, o trajeto do ato criador. Ritual de renovação, de recomeço, presente a todas as problemáticas tradicionais. O Aikidô é, portanto, uma arte no sentido pleno do termo, visto que ele propõe uma modificação do indivíduo através da aprendizagem de movimentos (o alfabeto) dentro de uma intenção dinâmica individual (a escritura). A repetição de mesmos movimentos é uma marca registrada da vida social japonesa, onde até no bilhar eletrônico, o Pachinko, o mesmo movimento de pulso é reiniciado milhões de vezes. No Aikidô, esta repetição não tem somente uma visão perfeccionista: poder refazer é dar uma chance àquele que pratica de fazer de uma maneira nova, de se situar a cada vez diferentemente fisicamente, psiquicamente, moralmente e emocionalmente sobre a base de um mesmo movimento.
Se dentro da ética esportiva a satisfação é mediada pelo acesso à vitória, no Aikidô busca-se o prazer imediato. Esta noção de prazer, estranha às análises Psico-Sociológicas das Artes Marciais, longe de ser um prazer perverso, é uma constante do treino de Aikidô. Aí está porque a minha pergunta: “qual o objetivo da prática?“, um mestre japonês respondeu com humor: “o objetivo da prática é a prática“. Prazer sensual da relação, de um certo diálogo com o parceiro, prazer sensual do próprio movimento, o que um outro mestre caracterizou como tendo talvez “um bom odor“.
A importação de símbolos, o Aikidô e nós
O dojô é um lugar de símbolos, um “mundo” dentro do mundo onde o “sentido” está sempre presente. O Aikidô mantém ainda no essencial a atmosfera e a ideologia das velhas escolas japonesas de Artes Marciais. A idéia de vida em sociedade, do homem em relação ao seu semelhante, em relação ao Cosmos, está presente durante a prática. Desta tradição, eficaz em sua época, o que podemos aprender hoje em dia? Mesmo no Japão, estas práticas e sua filosofia resistem mal às mudanças sociais. A maioria das noções Psico-Filosóficas do Aikidô são ininteligíveis para o japonês médio, simplesmente porque o seu cotidiano vive de outras necessidades. E quanto a nós? Há algum tempo, Alan Watts colocou estas mesmas questões a respeito do Ioga: “ é possível importar para o mundo ocidental do século 20 as idéias e as práticas elaboradas na alta idade média da Índia, como se estivéssemos importando saquinhos de chá” ?
O mundo ocidental está em crise e seus valores iniciam um retorno radical. Um meio de renovação consiste em procurar nos modos de vida tradicionais modelos para a sociedade de amanhã. Ao mesmo tempo, o corpo é redescoberto e os intelectuais flertam com as velhas filosofias orientais … impõe-se um reencontro com o Aikidô.
* Patrick Delam: Filósofo, professor da Universidade de Villetaneuse – Especialista em Tradições Orientais.
Fonte: Livro Aikidô Fundamental – Christian Tissier, Ed. Sirep.
Tradução: Bento F. Guimarães
Colaboração: www.aikidoriodejaneiro.com.br
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10 Fevereiro 2009
Se você pensa que apenas pessoas que, por ventura, deixaram de pagar algum débito são incluídas em cadastros de inadimplentes, não se engane. Segundo a advogada sócia do escritório R. Silva e Advogados, Fernanda Figueiredo Malaguti, não são raros os casos de pessoas que tiveram seu nome cadastrado equivocadamente neste tipo de lista.
De acordo com dados do Cadastro Nacional de Reclamações Fundamentadas 2008, divulgado pelo Sindec (Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor), do Ministério da Justiça, um dos principais motivos de queixas dos brasileiros em órgãos de defesa do consumidor referem-se a problemas relacionados com assuntos financeiros. Dentre estes, ter o nome incluído indevidamente em cadastros de proteção ao crédito corresponde a 2,4% das reclamações.
Para Malagutti, quem, por acaso, se encontrar nesta situação, primeiramente, deve tentar uma solução amigável da questão. A primeira providência é procurar o credor, explicar com educação a situação e, assim, pedir a exclusão da pendência. Outra alternativa é encaminhar uma notificação extrajudicial, expondo que não contraiu a dívida, solicitando o cancelamento da inserção e o envio de cópia da documentação que a motivou.
E se não der certo?
Entretanto, se, mesmo agindo de forma cordial, não houver acordo, a advogada aconselha ao consumidor que ingresse com ação na Justiça Comum ou no Juizado Especial Cível, a fim de pedir a exclusão de seu nome deste tipo de cadastro, além de ressarcimento por eventuais prejuízos materiais, bem como reparação pelos danos morais.
“O valor da indenização por danos morais varia muito e depende essencialmente do valor da dívida, do consumidor possuir ou não histórico de inadimplência, do porte econômico do fornecedor e da condição material do consumidor lesado“, explica a advogada.
Quem precisar se valer deste tipo de recurso deve juntar no processo prova da inscrição indevida e dos prejuízos experimentados. Lembrando que o pedido de indenização por dano material deve ser comprovado por meio de documentos e/ou testemunhas.
As indenizações costumam variar entre R$ 500 e 60 salários mínimos, o que hoje equivale a R$ 27.900. Por outro lado, pessoas que já constarem de listas de proteção ao crédito podem ter dificuldades para obter algum ressarcimento. “Os tribunais têm entendido que, se o nome do consumidor já estava “negativado” antes da inscrição indevida, o apontamento posterior não tem força para causar-lhe prejuízos e nenhuma indenização é devida.”
Colaboração: www.yahoo.com.br
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9 Fevereiro 2009
Como ai (harmonia) é comum com ai (amor), eu decidi nomear meu budô único (no sentido de diferenciado) de “Aikidô“, embora a palavra “aiki” seja uma palavra antiga. A palavra como foi usada pelos guerreiros no passado é fundamentalmente diferente da minha. Aiki não é uma técnica para lutar com ou derrotar o inimigo. É o caminho para reconciliar o mundo e fazer dos seres humanos uma só família.
O segredo do Aikidô é nos harmonizar com o movimento do Universo e trazer-nos em unidade com o próprio Universo. Aquele que obteve o segredo do Aikidô tem o Universo em si mesmo e pode dizer: “Eu sou o Universo.”
Eu nunca sou derrotado, por mais rápido que o inimigo possa atacar. Não é porque minha técnica é mais rápida do que a do inimigo. Não é uma questão de velocidade. A luta é finalizada antes mesmo de já ter começado.
Quando o inimigo tentar lutar contra mim, o próprio Universo, ele precisa quebrar a harmonia do Universo. Por isso, no momento em que sua mente está focada em lutar comigo, ele já está derrotado. Não existe nenhuma medida de tempo – rápido ou devagar.
Aikidô é não-resistência. Como é não-resistente, é sempre vitorioso.
Aqueles que têm uma mente conturbada, uma mente de discórdia, já foram derrotados desde o começo. Então, como você pode endireitar uma mente conturbada, purificar seu coração, e ser harmônico com as atividades de todas as coisas da Natureza ? Você deveria primeiro fazer do coração de Deus o seu coração. É um Grande Amor, Onipresente em todos os cantos e em todos os tempos do Universo. “Não há desacordo no Amor. Não há inimigos do Amor.” Uma mente conturbada (em desacordo), pensando na existência do inimigo, não é mais consistente com o desejo de Deus.
Aqueles que não concordam com isso não podem estar em harmonia com o Universo. O budô deles é de destruição. Não é um budô construtivo.
Portanto, competir nas técnicas, ganhar ou perder, não é o verdadeiro budô. Verdadeiro budô não conhece derrota. “Nunca derrotado” significa “nunca lutando.”
Ganhar significa ganhar sobre a mente de discórdia dentro de você. Isso é conseguir realizar a missão a qual lhe foi conferida. Isso não é mera teoria. Você pratica isso. Então você aceitará o grande poder da unidade com a Natureza.
Não olhe nos olhos do oponente, ou sua mente será direcionada para os olhos dele. Não olhe para espada de seu oponente, ou você será morto pela espada dele. Não olhe para ele, ou seu espírito será distraído. Verdadeiro budô é o cultivo da atração pela qual você direciona o oponente por inteiro para você. Tudo que tenho de fazer é continuar a ficar nesse caminho.
Até mesmo ficando de costas para o oponente é suficiente. Quando ele ataca, batendo, ele vai se machucar com a própria intenção de bater. Eu sou um com o Universo e nada mais. Quando eu me posiciono, ele será direcionado para mim. Não existe tempo e espaço perante Ueshiba do Aikidô‚ apenas o Universo como é.
Não existe inimigo para Ueshiba do Aikidô. Você está equivocado se você pensa que budô significa ter oponentes e inimigos, e ser mais forte e derrubá-los. Não existe nem oponentes nem inimigos para o verdadeiro budô. Verdadeiro budô é ser uno com o Universo; isto é, estar unido com o Centro do Universo.
Uma mente para servir a paz de todos seres humanos no mundo é necessária no Aikidô, e não uma mente daquele que deseja ser forte ou que pratica apenas para derrubar o oponente. Quando alguém pergunta se meu princípios Aiki budô são tirados da religião, eu digo: “Não.” Meus verdadeiros princípios do budô iluminam as religiões e as lideram para a plenitude.
Eu sou calmo em qualquer momento ou maneira que eu for atacado. Eu não tenho nenhum apego com a vida ou a morte. Eu deixo tudo como é para Deus. Seja desapegado da ligação com a vida e a morte, e tenha uma mente que deixa tudo para Deus, não apenas quando estiver sendo atacado, mas também em sua vida diária.
Verdadeiro budô é um trabalho de Amor. É um trabalho de dar Vida para todos os seres, e não de matar e lutar uns com os outros. Amor é a divindade guardiã de tudo. Nada pode existir sem Amor. Aikidô é a realização do Amor.
Eu não faço companhia com homens. Para quem, então, eu faço companhia? Deus. Este mundo não está indo bem porque as pessoas estão fazendo companhia entre si, dizendo e fazendo besteiras. Seres bons e seres maus são todos uma única família no mundo. Aikidô deixa de fora qualquer ligação, qualquer apego; Aikidô não julga casos relativos em bons ou maus. Aikidô mantém todos os seres em constante crescimento e desenvolvimento, e serve para a plenitude do Universo.
No Aikidô nós controlamos a mente do oponente antes de enfrentá-lo. Isto é, nós direcionamos ele para dentro de nós. Nós nos movemos para frente na vida com esta atração do nosso espírito, e tentamos ter uma visão inteira do mundo.
Nós incessantemente rezamos para que as lutas não aconteçam. Por esta razão, não há torneios no Aikidô. O espírito do Aikidô é de um ataque amoroso e de uma reconciliação pacífica. Neste foco, nós juntamos e unimos os oponentes com a intenção poderosa do Amor. Através do Amor, nós somos capazes de purificar os outros.
Compreenda o Aikidô primeiramente como budô e então como um meio de serviço para construir a Família Mundial. Aikidô não é para um único país ou alguém em particular. Seu único propósito é realizar o trabalho de Deus.
Verdadeiro budô é a proteção amorosa de todos os seres com um espírito de reconciliação. Reconciliação significa permitir a realização da missão de todos.
O “Caminho” significa ser Uno com o Desejo de Deus e praticá-lo. Se estamos só um pouquinho fora dele, não é mais o Caminho. Nós podemos dizer que Aikidô é um caminho para varrer os demônios com a sinceridade da nossa respiração ao invés da espada. Isto é, mudar a mente demoníaca do mundo para o Mundo do Espírito. Esta é a missão do Aikidô. A mente demoníaca sucumbirá na derrota e o Espírito se erguerá na vitória. Então o Aikidô colherá frutos neste mundo.
Sem budô uma nação se arruinará, porque budô é a vida do Amor protetor e a fonte das atividades da ciência.
Aqueles que procuram estudar Aikidô deveriam abrir suas mentes, ouvir a sinceridade de Deus através do Aiki, e praticá-la. Vocês deveriam compreender a grande limpeza do Aiki, pratique-a e aperfeiçoem-se sem hesitação. Neste desejo começa o cultivo de nosso espírito.
Eu quero sensibilizar as pessoas a ouvirem a voz do Aikidô. Não é para corrigir os outros; é para corrigir sua própria mente. Isto é Aikidô. Esta é a missão do Aikidô e esta deveria ser sua missão.
Autor: Morihei Ueshiba – Extraído do livro: “Aikido by Kisshomaru Ueshiba“
Tradução Livre: Saulo Nagamori Fong
Colaboração: www.institutouniao.com.br
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30 Janeiro 2009
SEIZA é um modo de sentar sobre os joelhos e é usado extensivamente na arte marcial do Iaidô, bem como no Aikidô. A prática de SEIZA pode envolver estas artes, ou pode ser feita simplesmente como um “exercício sentado”.
“Sentar calmamente” usando a postura de SEIZA é uma maneira de superar os temores generalizados da vida e o medo subjacente da morte. É um excelente meio de regular as funções do corpo. Pode trazer a mente mais perto do mundo “como ele é“, numa atitude mais apropriada que seu foco habitual em “como ele deveria ser“. Em outras palavras, SEIZA é um método de passar através das ilusões da vida diária. Quando sentado, os círculos sem fim de pensamento, tão danosos à saúde mental, são rompidos e o claro frescor do simples viver no mundo é por fim liberado para aflorar.
Sente-se em SEIZA dobrando suas pernas e apoiando seu joelho esquerdo no chão. Coloque o joelho direito a uma distância de cerca de dois punhos do esquerdo. Em seguida estique os dedos do pé e posicione-os sobre o chão de modo que os dedões apenas toquem um no outro. Abaixe as nádegas de modo que elas repousem sobre ou entre os calcanhares.
Deixe a coluna ereta e a parte inferior das costas para frente de modo que se forme uma curva em S na espinha dorsal. Arredondar a parte inferior das costas ou tentar inclinar-se causará fadiga muscular. O peso do corpo deve ser centrado num ponto ente o topo dos pés e os joelhos, mais na direção dos pés.
A cabeça deve repousar solta no topo da espinha. As orelhas devem estar em linha com os ombros e o nariz em linha com o umbigo. Note que pondo o nariz nessa posição você move suas costas levemente para fora da posição vertical. No Iaidô é importante porque encoraja a pressão para a fronte. Empurre o queixo levemente e estique a base do pescoço. Isto resulta como se alguém o puxasse pelo cabelo para alongar sua espinha. Para encontrar essa linha central você pode balançar em círculos sobre as costas, parando suavemente até atingir uma posição de equilíbrio. Este centro é importante para prevenir cãibras ou fadiga enquanto está sentado.
Outra maneira de checar sua postura é imaginar uma corda atada ao topo de sua cabeça pelo lado de dentro. A corda desce por dentro do seu pescoço e tronco e é amarrada a um peso na altura do seu Tanden (cerca de 4 ou 5 cm abaixo do umbigo). Se você inclinar sua cabeça para frente ou curvar demais seu tronco a corda tocará a parte externa de seu corpo. Se você inclinar-se demais para frente ou para trás o peso baterá na linha do quadril. Ponha o peso diante do hara.
Relaxe os ombros e deixe seus braços caírem para baixo naturalmente. A mão direita é posta com a palma para cima sobre o colo, com o dedo mínimo levemente tocando a parte inferior do abdome. A mão esquerda é colocada sobre a direita, também com a mão espalmada para cima. Os dedos devem estar juntos, sem tensão alguma. Coloque as pontas dos polegares juntas de modo que elas se toquem sem pressão. Os polegares e demais dedos devem assumir uma forma ovalada em volta de um ponto cerca de 4 a 5 centímetros abaixo do umbigo. Este ponto é chamado de Tanden ou Saika Tanden e corresponde rigorosamente ao centro de gravidade. A mão esquerda sobre a direita representa o aspecto da quietude (“Sei” ou “In” em japonês) cobrindo o aspecto ativo (“Do” ou “Yo“). Os polegares unificam os dois princípios. O Tanden é visto como o centro do ser, em torno do qual o hara ou cordão da cintura é organizado. Este centro é o ponto a partir do qual sua vida é gerada. Variações desta forma são algumas vezes usadas, mas este é o método mais equilibrado e relaxado.
Sem inclinar a cabeça para frente, baixe os olhos e mire um ponto centrado cerca de um metro à frente dos seus joelhos. O nariz deve estar no campo de visão ou a cabeça está caída para frente. Isto serve para entrecerrar os olhos, excluindo a maior parte do campo visual sem permitir que a pessoa adormeça.
Ponha a língua no céu da boca, mantendo os dentes levemente juntos. Deixe sem ar o espaço entre a língua e o palato. Isto inibe a produção de saliva e a necessidade de engolir. A respiração é feita de modo bastante específico, e é o aspecto mais importante da prática. Os antigos taoístas acreditavam que respiração era vida e que cada pessoa foi unicamente aquinhoada com esse dom. A respiração lenta e profunda era vista como prolongadora da vida.
Inale fácil e profundamente através do nariz usando o diafragma. O abdome deve expandir-se para frente enquanto o peito expande-se sem nenhuma assistência muscular. Mantenha toda a tensão e esforço muscular fora da parte superior do corpo. Os ombros não devem mover-se para cima de modo algum, mas também não os pressione para baixo, apenas deixe a gravidade agir. Inspire até os pulmões ficarem cheios e nada, além disso, deixe o fôlego ditar a mudança para a expiração. Não retenha o ar ou faça nada de especial, simplesmente comece a exalar. A expiração é sempre mais suave que a inalação. Não deve haver nenhum ruído ou agitação, simplesmente sopre suavemente, deixando a barriga murchar. Expire até precisar inspirar novamente, e então reinicie o ciclo. Quando exalando não deixe a barriga flácida, mas mantenha-a viva e com uma certa tensão ou tônus, sem realmente enrijecer os músculos.
Nunca force a respiração em nenhuma etapa. Com a prática continuada o ritmo diminuirá até talvez dois ciclos por minuto, mas não tente atingir nenhum objetivo, apenas respire calmamente.
Seguindo seu fôlego, conte ambas a inalação e a exalação ou, mais adiante, apenas as expirações. Conte de 1 até 10 e então reinicie. Se perder a contagem, recomece de 1, não tente lembrar o último número, isso não é importante, Chegar a 10 não deve ser uma disputa ou desafio, apenas conte. Quaisquer pensamentos que surjam devem ser notados, mas ignorados. Apenas olhe para eles e deixe-os ir, não os persiga ou siga qualquer linha de raciocínio. Volte para a contagem. Todos os pensamentos devem ter o mesmo valor, nada, quando sentado. Quando sentado… Sente. Volte à contagem. O mesmo vale para qualquer luz brilhante, alucinações, pânico, medo ou outras ilusões. Simplesmente, sentando…Sente.
Quando os pensamentos não afloram tão rápidos e furiosos, você pode abandonar a contagem e simplesmente sentar. Se os pensamentos tornam a dispersa-lo conte novamente. Preferencialmente, tente sentar em Seiza por cerca de 30 minutos pela manhã cedo e outra vez à noite. Quando iniciando a prática são sugeridos períodos curtos até que as pernas estejam flexíveis e a circulação ajustada.
Se as pernas começam a adormecer, levante-se sobre os joelhos para reativar a circulação. Outra opção é por uma almofada entre a parte inferior das pernas para erguer o quadril acima dos calcanhares. Um pouco de dor é inevitável mas não faça disso um teste de força de vontade para sentar pelo maior tempo possível.
A prática deve ser feita em um local sossegado com iluminação suave e poucos elementos que possam causar distração, visual ou de qualquer natureza. Música é inadequada, já que a idéia é não ser distraído, o que pode acontecer. Eventualmente, a prática poderá ser feita em qualquer lugar onde haja um pouco de atividade em volta. Quando a prática terminar ou as pernas precisarem ser esticadas, curve-se para frente a partir da cintura e ponha a testa no chão mantendo o quadril sobre os calcanhares. Ponha as mãos espalmadas sobre o chão ao lado da cabeça, deslocando-as para diante alguns centímetros. Isto simboliza sua abertura (e aceitação) a tudo que o mundo tenha a lhe oferecer. Respirar nesta posição por um curto tempo antes de sentar novamente permitirá longos períodos de prática.
Existe uma vasta literatura de auto-ajuda e meditação e há muitos que desejam ensinar métodos secretos de cura da alma cobrando algum preço. Tudo que é realmente necessário é um local para estar só e umas poucas respirações. Se algum suporte é considerado de valia então o Seiza pode ser praticado em grupo, mas isso não é necessário.
Colaboração: www.aikidope.com.br
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23 Janeiro 2009
A reverência é parte integral da etiqueta oriental substituindo o aperto de mão das sociedades Ocidentais em quase todas as situações passíveis de comparação. No Japão, as crianças, tradicionalmente, aprendiam a reverenciar antes mesmo que pudessem ficar de pé. Isso, porque as mães tinham por hábito carregar seus bebês nas costas fazendo com que os bebês, ainda que involuntariamente, reverenciassem todas as vezes que suas mães o faziam. Esta maneira de carregar um bebê não é mais tão usual no Japão de hoje, mas a reverência continua sendo o modo mais usado para se cumprimentar um ao outro.
Visto que não moramos no Japão e reverenciar não faz parte da nossa cultura, seria razoável perguntar por que devemos reverenciar quando estamos praticando o Aikidô na Nova Zelândia? A minha resposta para esta pergunta (resposta que pode estar condicionada por vários anos vividos no Japão) é, primeiramente, que o Aikidô é uma atividade cultural Japonesa não existindo razão especifica para descaracterizá-la e, segundo, a reverência é uma ótima maneira de demonstrar respeito, tão importante no Aikidô quanto na vida. Quanto mais praticamos o Aikidô naturalmente mais respeito sentimos pelos outros, e reverenciar é uma maneira de expressar isso mantendo a estética da arte. No seu aspecto marcial o Aikidô demanda respeito mútuo entre os companheiros como reconhecimento da natureza de “vida ou morte” das técnicas que estão sendo estudadas, mesmo que praticado dentro do ambiente seguro do dojô.
Do ponto de vista mental ou espiritual, naturalmente mantém-se o respeito pelos companheiros discípulos do Caminho (Dô) por seus esforços em realizar todo o potencial como seres humanos. A reverência ajuda criar um ambiente para este trabalho interior. O sentimento ao se reverenciar é importante e não há nada de humilhante ou degradante neste gesto aonde todo nosso corpo e mente estão envolvidos em expressar gratidão e respeito. De fato, treinar um pouquinho de reverência é algo do qual nós ocidentais poderíamos nos beneficiar.
No Budô o reigisaho[1] tem uma importância fundamental. Para o praticante ocidental, com tradições culturais diferentes das orientais, as exigências da reverência nas artes marciais japonesas, como o Aikidô, entre outras, são comportamentos que lhe são estranhos e que por vezes adquirem um caráter tão só de obrigatoriedade. Todavia, “qualquer arte marcial pressupõe a existência de uma severa disciplina na sua execução e aprendizagem; uma arte oriental não se pode conceber sem etiqueta. Diz-se que a arte marcial japonesa começa e termina pela delicadeza e respeito mútuo, indispensáveis à elevação da personalidade.” [2]
O dojô [3] deve ser um local onde se desenvolve uma personalidade forte, com qualidades como a humildade, a lealdade, a cortesia, onde o caminho deve ser o de um conhecimento cada vez mais profundo de si mesmo, onde é importante Ter presente o significado da reverência, da cortesia, da etiqueta. Portanto o dojô é um lugar sagrado onde se procura “unidade do corpo e mente através do coração, centralizar a energia, na sua autêntica compreensão…»[4]. É também, no dizer de Herrigel, “desde os tempos mais remotos: Lugar da Iluminação.”[5]
Podem encontrar-se duas atitudes básicas nos praticantes perante a reverência. Uma consiste na execução da reverência como se de uma mera obrigação se tratasse; a outra na execução da reverência de modo rígido e formal sem que seja acompanhada da consciência profunda do sentido do ritual, sem a consciência de que o dojô é “Templo privilegiado que celebra uma espécie de liturgia”.[6]
A compreensão da importância do cerimonial é fundamental. A reverência é uma introdução à aula que permitirá ao praticante afastar a mente das preocupações e stress cotidianos, permitindo-lhe a concentração que a prática das artes marciais exige.
Por outro lado as artes marciais tradicionais desenvolvem, através da sua prática, a agressividade de cada indivíduo (não confundir com violência). A reverência evita a degeneração de comportamentos agressivos, impedindo a falta de respeito pelo parceiro de treino.
Em todas as artes marciais tradicionais, podemos encontrar o reigisaho, concretizado de modo diferente de arte para arte, mas mantendo, quase sempre, o mesmo espírito e função.
No ocidente, a aceitação ou rejeição do ritual da reverência, correlaciona-se com a atitude, mais ou menos tradicional que os praticantes têm para com o budô. Nas escolas tradicionais, havendo um processo mais profundo de aceitação da cultura oriental, a forma de estar destes adeptos, dentro e fora do dojô, na prática marcial e na vida, traduz, em regra uma maior compreensão da etiqueta tradicional.
Tradicionalmente, no budô a etiqueta deve ser uma constante da vida. Os gestos devem ser belos, precisos, lentos, mesmo os mais cotidianos, como sentar, ou levantar, caminhar, ou dar algo a alguém. Pois “Cada gesto era para ser executado de modo que ele permita, na seqüência de uma cisão seguindo o ataque surpresa, a partir da resposta eficaz.” [7] É entendido, tradicionalmente, que a forma de reverenciar, só por si, revela o nível de compreensão da arte.
A função psicológica da prática marcial é influenciada pela reverência. A forma de fazer poderá dar-nos indicações sobre a personalidade de um praticante, se ele é tímido, agressivo, reservado, etc..
A reverência interfere não só com as funções psicológicas, mas também com as funções fisiológicas.
A reverência, considerada num plano prático, é uma tomada de consciência do corpo e do controle respiratório através de um movimento bem simples. E isto é tão verdade, que a estabilidade e segurança de um mestre, na reverência, são evidentes. De tal modo que o contrário também é verdadeiro. O valor marcial de um indivíduo revela-se na reverência. Não é acreditável que alguém que não consiga manter-se sentado de modo estável para saudar, consiga executar com eficiência um outro movimento. Os verdadeiros Mestres saúdam profundamente, de forma majestosa, porque toda sua experiência, seu conhecimento, sua humildade estão presentes em sua reverência. [8]
O controle da respiração pode ser exemplificado com a reverência em pé, com os pés em musubi: Os calcanhares devem estar unidos, a frente dos pés afastados cerca de 45.º, pernas direitas, coluna vertebral ereta, ombros naturalmente colocados na sua posição anatômica, mãos abertas e dedos esticados, colocadas lateralmente nas coxas. No instante anterior ao da reverência inspira-se. Quando o tronco faz uma certa flexão em frente, expira-se. No momento em que o tronco retorna à vertical inspira-se novamente, podendo a expiração seguinte servir para a execução imediata de uma técnica, seja de ataque ou de defesa. A descrição respiratória é válida para a reverência feita a partir da posição de sentado – seiza.
Num dojô podemos encontrar vários tipos de reverências.
A prática marcial começa com uma reverência interna, a reverência a si mesmo, dirigida ao íntimo de cada um, com a qual se pretende alcançar o Mestre Interno [9].
Ao entrar no local de prática há uma primeira reverência exterior, aquela que é feita ao dojô, com a qual se demonstra respeito ao lugar da prática.
Com o início da aula todos os praticantes executam, ao mesmo tempo, uma reverência à tradição passiva. Esta reverência feita em direção ao kamiza, (local dos deuses), onde simbolicamente a tradição passiva se condensa, é o kamiza ni rei, ou shomen ni rei. Representa o respeito pelos mestres que nos antecederam, pela cadeia de transmissão do saber. Exprime o respeito pelas gerações anteriores, que nos legaram a arte com sofrimento e por vezes com o custo da própria vida. É não só uma humilde e sincera homenagem à tradição passiva, mas também uma forma de inspiração no seu exemplo.
Segue-se a reverência à tradição ativa. O Mestre volta as costas ao kamiza e é saudado – é o sensei ni rei. Traduz o respeito devido ao Mestre, como representante, através da atividade de ensino e de aprendizagem do budô, da tradição ativa.
Se estiverem perante a classe vários mestres há, neste momento, lugar ao yudansha ni rei, a reverência entre os mestres.
Segue-se, durante toda a prática, no início de cada exercício, de cada técnica, de cada combate, a reverência ao companheiro, o otogai ni rei. Representa o respeito profundo pela integridade física e psicológica do outro. Significa que, através do nosso esforço e empenho na prática, lhe vamos proporcionar a possibilidade de progredir.
No fim de cada aula repete-se o percurso acima referido, com pequenas alterações na ordem das saudações.
Algumas escolas tradicionais, ainda cultivam o sempai ni rei, reverência entre os alunos mais adiantados e os mais novos – o Mestre já não faz a reverência. Representa o respeito que é devido pelos mais novos aos anciãos – sempai.
Durante a reverência, o estado de alerta, zanshin, e de antecipação deve ser permanente para evitar um ataque de surpresa. Este estado tem a ver com a percepção paranormal desenvolvida pelas artes marciais tradicionais, pelo maior ou menor potencial de ki do praticante. Mas neste trabalho não desenvolveremos estes temas, pois são questões que agora não nos ocuparão.
Deve ter-se presente que as noções de sensei, sempai, ou principiante são relativas. Como regra deve reter-se que um praticante novo deve inclinar-se profundamente, ao que o sensei responderá com uma ligeira inclinação. Assim numa aula um shodan pode ser sensei e na aula seguinte, ministrada por um 5.º dan, em que todos os outros alunos têm graduações entre 2.º e 4.º dan, não passa e um principiante.
A maneira de efetuar a reverência tem vários entendimentos: um marcial, outro energético e outro simbólico.
Ilustremos o que se afirma com reverência praticada em seiza. A primeira mão a ser colocada no solo em frente do corpo é a mão esquerda. No plano marcial, em caso de ataque do adversário, a mão direita pode desembainhar uma arma ou executar um movimento defensivo, se não houver armas. Se baixasse as duas mãos ao mesmo tempo isso não aconteceria.
No plano energético, a mão esquerda está associada à energia negativa (ura) e a mão direita à energia positiva (omote). Aquela tem um efeito destrutivo, esta tem um efeito construtivo.
O descer da mão esquerda à terra é um gesto simbólico da recusa de fazer mal, em relação àquele que é saudado. Em simultâneo, o contacto da mão com o chão neutraliza a potencialidade energética desta mão destruidora.
Com a colocação das duas mãos no chão, estas formam um triângulo eqüilátero. No plano marcial a finalidade é a de evitar um ferimento grave no nariz. Em caso de ataque à cabeça por parte de um adversário, o nariz está protegido e não será esmagado no chão.
Em nível energético permite a circulação de energia em circuito fechado, possibilitando a concentração mental. Este gesto simboliza a reunião de três lados: o homem, o céu e a terra. Também simboliza a junção entre tradição passiva e a tradição ativa, em que o Mestre desempenha um papel fundamental: é ele que transmite o conhecimento que já anteriormente lhe tinha sido transmitido. É um circuito de transmissão do conhecimento.
O triângulo simboliza também a capacidade de defender, assim como também a de atacar. A consciência do elevado valor energético e marcial da etiqueta e da cortesia deve estar sempre presente naqueles que seguem o budô.
Referências
[1] A etiqueta e a cortesia.
[3] O local de estudo da via, do caminho.
[4] Vide pg. 14, DELORME, Pierre, Dōjō. Le temple du sabre. Éditions Budostore, col. La Budothèque, 1994: Paris, pgs. 248.
[5] Vide pg. 81, ZEN e a arte do tiro com arco, Ed. Assírio & Alvim, col. sete estrelo, Março de 1997: Lisboa, pgs. 85.
[6] Vide pg. 11, DURIX, Claude, apud DELORME, Pierre, op. cit.
[7] – Vide p. 57, HABERSETZER, Roland, Le guide Marabout du Karaté, col. bibliotheque marabout service, éditions Gerárd & C.ª, 1969: Verviers (Belgique), pgs. 415.
[8] Vide pg. 198, Jazarin, El Espíritu del JUDO. Charlas com mi maestro. Ed. Eyras, col. cinturon negro, 1996: Madrid, pgs. 256.
[9] A prática implica sempre uma orientação segura, ministrada por um sensei, palavra pode ser entendida como «aquele que indica luz». Ora há sempre na relação Mestre-Discípulo uma transmissão para a luz. Contudo a relação com o Mestre possibilita que, cada um, no seu caminho, se projecte sobre si próprio descobrindo no seu interior o seu próprio mestre – o Eu. Ou seja «cada um tem em si o seu Mestre, cada um é guru de si próprio».
Colaboração: http://bukaru.zevallos.com.br
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22 Janeiro 2009
Pessoas mais relaxadas e sem propensão a se estressar podem ter menor probabilidade de desenvolver demência, de acordo com estudo divulgado na revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia.
A pesquisa envolveu 506 idosos que não sofriam de demência ao serem examinados inicialmente. O grupo recebeu questionários para apurar detalhes sobre sua personalidade e estilo de vida. O estudo concluiu que pessoas mais calmas e relaxadas têm 50% menor risco de desenvolver demência em comparação às pessoas com tendência a se estressar. Os participantes foram acompanhados por seis anos e, durante esse período, 144 deles desenvolveram demência.
Personalidade
Nos questionários entregues às pessoas que participaram da pesquisa, as questões relativas à personalidade identificaram pessoas com diferentes graus de estresse. Também foi avaliado o nível de extroversão no diálogo com outras pessoas. Através de análises das respostas, os cientistas constataram que as pessoas que não se estressavam com facilidade eram calmas e satisfeitas, enquanto que as que se estressavam facilmente eram emocionalmente instáveis, negativas e ansiosas.
Os extrovertidos receberam uma pontuação mais alta no questionário e eram socialmente ativos e otimistas, em comparação a pessoas com pontuação mais baixa, geralmente reservadas e introspectivas.
O questionário sobre estilo de vida determinou como cada pessoa participava regularmente em atividades de lazer e sociais. “No passado, estudos mostraram que estresse crônico pode afetar partes do cérebro, tais como o hipocampo, possivelmente levando à demência, mas outros resultados sugeriram que ter uma personalidade calma e extrovertida combinado com um estilo de vida socialmente ativo pode reduzir ainda mais o risco de se desenvolver demência“, disse o autor do estudo, Hui-Xin Wang, do Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia. “A boa notícia é que fatores ligados ao estilo de vida podem ser modificados, ao contrário de fatores genéticos, que não podem ser controlados. Mas estes são resultados preliminares então ainda não está claro como exatamente a atitude influencia o risco de demência“, disse Wang.
Colaboração: www.bbcbrasil.com
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21 Janeiro 2009
Uma noite, logo depois de entrar no dojô, meu Sensei me disse que queria que eu escrevesse o que o Aikidô tinha feito por mim. Eu sorri e disse a ele que para escrever sobre como o Aikidô havia mudado minha vida, eu necessitaria de compartilhar um pouco do meu passado:
Em 1974, fui diagnosticado como possuindo uma distrofia muscular. Uma doença misteriosa tinha tirado o ki de minhas pernas e esta era a única resposta lógica que os médicos podiam me dar. Mas vários meses mais tarde, o que parecia ser distrofia mudou para um câncer na coluna.
Em Setembro de 1974, um tumor do tamanho de uma grande laranja foi parcialmente retirado do meio de minha coluna. O que se seguiu nos próximos 20 anos foi uma parte do inferno: tratamentos de radiação, 13 operações corretivas e vários testes e exames de raio-X. Em uma ocasião em 1983, uma infecção hospitalar severa, com febres altas, me deu 5% de chances de continuar vivendo após aquela noite.
Como podem perceber eu sobrevivi, mas a minha vida havia mudado para sempre. Não somente a dor de quase ter morrido, mas fui confinado a viver em uma cadeira de rodas.
Em junho de 1993, entrei em um dojô de Aikidô enquanto visitava meu tio. Sendo sempre fascinado por artes marciais, decidi dar ao Aikidô uma chance, mesmo estando em uma cadeira de rodas.
A princípio, o Sensei ficou me olhando e a minha cadeira de rodas. Mas ele disse que se eu estava querendo treinar, ele queria me ensinar. O Sensei me disse que o Aikidô ensina que devemos nos misturar com pessoas e que todos devem ter uma chance. Então comecei a treinar.
Eu percebi mudanças em meu corpo desde o primeiro dia. A circulação de minhas pernas aumentou. A dor em minhas costas parece diminuir durante os treinamentos. E estou feliz, pois eventualmente alguns movimentos retornaram as minhas extremidades inferiores.
Com a ajuda de meu Sensei e meus amigos estudantes eu aprendi a mudar meu mundo físico. Aprendi que posso defender-me apesar de minha deficiência, que posso controlar minha dor expandindo meu ki e que o Aikidô pode ser praticado por qualquer um e estas são simplesmente as lições físicas. As lições emocionais que se seguiram foram mais surpreendentes.
A principal coisa que percebo quando treino com uma deficiência é que não estou realmente em desvantagem. Ô-Sensei desenvolveu o Aikidô para ser praticado em pé, sentado, e eventualmente deitado. (Eu já executei técnicas muito eficientes deitado).
Pessoas com deficiência enxergam a si mesmo como vulneráveis quando são atacados e este sentimento de vulnerabilidade tende a produzir pânico. Então, gasto uma grande parte do meu treino aprendendo a estar calmo durante um ataque. Eu tenho treinado a expandir meu ki e pensar, não em desvantagens, mas nas vantagens e qual técnica é mais eficiente para mim.
Claro que tive que fazer algumas alterações nas técnicas. Deste modo, shihonage é muito interessante. Eu faço o que chamo de “Pinole shihonage“, que eu nomeei em homenagem ao meu dojô, Pinole Aikidô. Ao invés de girar em volta de meu uke, eu agarro a mão do uke e rolo no chão. Fazendo isto, pareço um cão rolando, ou como dizem alguns alunos como um crocodilo tentando se alimentar. Se você pode imaginar sua mão na boca de um cachorro ou de um crocodilo enquanto está rolando, você pode entender o poder desta técnica.
Jo kata é outro aspecto do Aikidô que eu modifiquei. Eu o executo tanto em minha cadeira quanto no chão. Com a ajuda de meu Sensei e um estudante avançado. Eu planejei um kata que assemelha-se à canoagem. Aprendi, indo para baixo e forçando os agressores a abaixar ou pular sobre a minha cadeira, eu posso expor seus joelhos e tornozelos. O jo kata que faço é difícil de explicar, mas é muito eficiente para pessoas com ou sem deficiências.
Meditação (Zazen) foi um presente de Deus para mim. Eu tive 14 operações e a dor permanente é parte de minha vida. Mas, usando exercícios e técnicas de meditação Zen, eu aprendi a controlar muito da minha dor. Eu acredito no que o meu Sensei fala – que a dor é um estado mental e que controlando a mente podemos controlar a dor.
Minha filosofia no alongamento é a seguinte: faço todos os alongamentos no chão exceto os que necessitam realmente ficar de pé.
Eu vi a morte cara a cara. Mas lendo os textos de Ô-Sensei e ouvindo meu Sensei, aprendi que a morte é parte da vida. Nascemos, crescemos e então morremos. Treinando Aikidô aprendi que, enquanto estamos vivos, podemos tocar os outros com nossos corações, podemos nos misturar com os outros, ajudar e amar os outros. Também aprendi a viver cada dia como se fosse meu último, parando para ver a beleza de uma flor, o calor do sol e a companhia de amigos e da família.
O Aikidô me ensinou o respeito a mim mesmo e por todas as coisas vivas. Mesmo sabendo que eu nunca irei caminhar de novo, o Aikidô me mostrou que a medida de uma pessoa é seu coração e alma, não suas pernas.
Gostaria de terminar dizendo a todos que leram este artigo, que treinam Aikidô ou não, que continuem a acreditar em si próprios e que continuem a tentar.
Tradução: Antonino Barreto
Colaboração: www.aikikai.org.br
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16 Janeiro 2009
Sobre este tema, eu gostaria de discutir no que se requer para ser um bom instrutor, assim como a mentalidade necessária para ser efetivo como professor. Não é necessário dizer, que meu ponto de vista está puramente baseado na minha experiência como instrutor de Aikidô. Tenho visto também alguns dos meus próprios alunos chegarem a ser professores e é através deles e de meus próprios anos como Sensei que realizo algumas observações.
Um dos fatos mais importantes é que tem aspectos mais importantes que simplesmente habilidade técnica para chegar a ter sucesso na arte de ensinar. Tenho me dado conta que não necessariamente é sempre o mais talentoso aikidoca que pode compartilhar o que ele ou ela conhece sobre a arte. Por exemplo, um excelente jogador de baseball não é necessariamente um coach efetivo. Esta idéia nos demonstra que geralmente se requer algo mais que habilidade física.
Um professor necessita ser respeitado e querido por seus alunos. Falando de respeito, freqüentemente escuto professores queixando-se de que seus alunos não lhes oferecem o devido respeito. Na minha opinião o respeito não é algo que pertence, não se pode forçar a nada tê-lo. Deve ser ganho, na maioria das vezes através da experiência, confiança em si mesmo e respeito pelos demais.
Para ser um bom instrutor, seus alunos devem sentir seus anos de experiência comprometida e sua confiança no que estás fazendo. Infelizmente, no meu caso, sempre lamentei ter me transformado em professor de Aikidô sendo tão jovem, imaturo e relativamente inexperiente nos caminhos do mundo. Os chefes do Aikidô não tiveram outra opção, já que o Aikidô era uma nova arte e não tinham tantos praticantes dedicados a difundir o Aikidô nesse momento. Eu era sincero, mas sem as habilidades necessárias para ser tão eficaz como podia ter sido. Enquanto um é jovem, suas técnicas podem ser fortes em razão de suas proezas físicas. No entanto, um poderia precisar de outros fatores, que o ajudam a transforma-se em um líder. Por exemplo, a experiência social, como tratar as pessoas ou como atuar como um ser humano com qualidades que alguém aprende através do tempo.
Uma coisa que sempre tenho em minha mente quando ensino é que, entre os corpos dos alunos, há diferentes tipos de gente de diferentes campos, e que já estão estabelecidos e maduros em suas próprias profissões. Eles não são diferentes de mim. É bastante interessante, que eu realmente comecei a me sentir satisfeito como professor quando me aproximei dos meus cinqüenta anos. Como disse anteriormente além do tempo e da experiência, é também crucial ter confiança, para chegar a ser um bom instrutor.
Freqüentemente, tenho conhecido instrutores que não permitem a seus alunos nenhuma liberdade e os proíbem de ir a outros seminários dados por outros instrutores. Eles poderiam chegar tão longe como para dizer que ficar com eles é suficiente e que os alunos não necessitam se expor a outras influências. Para mim, isso demonstra falta de confiança por parte do instrutor. Deixar seus alunos ver outros mundos, os mantém livres para utilizar seu próprio juízo. Essa classe de segurança em si mesmo é uma maneira importante de chegar a ser um líder.
Lembro claramente uma vez, quando em um grande seminário de diferentes Shihans de Aikidô, havia um grupo de um dojô em particular, que ao invés de treinar com o resto dos participantes, que é a essência da “experiência do seminário”, somente treinavam entre eles mesmos. Seu professor, que não era um dos Shihan, que também assistiu ao seminário, os proibiu de interagir, para não comprometer seu Aikidô.
Adicionalmente, em lugar de tratar de fazer o que estava sendo demonstrado, continuaram treinando como sempre faziam. Que triste é isso, tanto para os alunos, que poderia se beneficiar sentindo diferentes estilos, como para o professor que não tinha confiança suficiente em que seus alunos poderiam desenvolver seu próprio estilo através de outras influências e todavia ser dedicado a ele. Finalmente, eles não adquiriram a vantagem completa das possibilidades de crescimento.
É necessário dizer, que os bons instrutores não necessitam se sentir com se precisassem provar de si mesmo para seus alunos. Nem ter que demonstrar quão fortes são. Presumivelmente, os alunos já sabem. Não é bom para os professores ver que as habilidades físicas de seus alunos são do mesmo nível que as suas. Em outras palavras, para evitar a comparação de si mesmos com seus alunos, os professores precisam se dar conta de que dez pessoas diferentes têm dez aptidões e condicionamentos físicos diferentes. Um Sensei valioso demonstra carinho, generosidade e paciência enquanto trata com cada aluno apropriado e individualmente.
Um último conselho é não fazer seus alunos o verem como um ser superior. Se te rodeias de gente que vão lhe colocar em um pedestal, estás se programando para a ilusão de que és superior às outras pessoas. A pessoa deve entender, que fora do tatami és o mesmo ser humano que eles são. Não obstante, uma vez que estás no tatami, podes demonstrar-lhes “quem é o chefe”.
Quando lidero uma aula, sinto que sou o diretor de uma orquestra, cada um dos meus alunos está tocando um instrumento diferente, onde minha responsabilidade é criar uma boa harmonia entre eles. Algumas vezes, sinto que sou um chef de um grande restaurante que através de minhas receitas levo variedade e sabor aos meus alunos, e assim eles não se sentem cansados ou aborrecidos, sempre buscando dar-lhes inspiração.
Como Sensei de Aikidô, sempre estou buscando a maneira de ser um melhor professor. É um processo de evolução que me ajuda a expressar minha humanidade e a aprender a ser um melhor ser humano. Depois de tudo, é o êxito de seus alunos que lhe faz um bom professor, no tanto que um bom professor cria fortes futuros praticantes. Ensinar é uma relação de respeito mútuo e entendimento. Dessa forma, seus alunos sempre terão alguém para admirar e vice versa. Para mim, isso é respeito ganho.
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15 Janeiro 2009
Milhares de horas são gastas no desenvolvimento das técnicas porém muitas mais são gastas lutando com os grandes tópicos da existência humana, portanto considerar o Aikidô como uma arte marcial que envolve somente arremessos e imobilizações – Habilidades que podem ser adquiridas em qualquer sistema de defesa pessoal – é um insulto à incansável busca espiritual do fundador.
A mensagem do fundador, no entanto, não pode ser assimilada rapidamente. Ele usou livremente idéias para expressar sua própria visão, sendo que suas conversas eram uma mistura de frases do Budismo esotérico, obscuros mitos Xintoístas e enigmáticas doutrinas da Omoto-Kyu. Nenhuma pessoa incluindo o próprio fundador jamais alegou compreendê-las por completo, e em uma ocasião ele afirmou :
“Palavras e letras nunca poderão adequadamente descrever o Aikidô – seu significado é revelado somente para aqueles que através de um intensivo treinamento obtém o esclarecimento”
Shirata Sensei contou-me que embora estivesse no início totalmente confundido pelas explicações de Ô-Sensei, gradualmente com o passar dos anos elas começaram a fazer sentido.
A seguir está um resumo dos pontos chave da filosofia religiosa do fundador, feito por Shirata Sensei.
O Aikidô possui sua própria cosmologia. As palavras Aiki, Kami e Takemussu são termos antigos, porém o fundador as reinterpretou sob a luz de seu profundo despertar. Ki é a energia primária que surgiu do vazio. Através do Aiki, a combinação do Ki positivo com o Ki negativo (Yin e Yang), As infinitas formas dos fenômenos foram e são manifestadas. Aiki a fonte e amparo da vida é Kami “O Divino”, originalmente essa palavra consiste dos caracteres Ka (fogo) que simboliza o espírito e Mi (água) simbolizando a matéria. A confluência desses dois elementos resulta no surgimento do mundo material. A partir das funções do Kami, como o Iki (Kokyu, a vivificante respiração da vida), surge os Kotodama (vibrações divinas). A essas duas forças procriadoras o fundador acrescentou uma terceira o Takemussu (o valor da atividade do ser), Take (ardor marcial) também pronunciado Bu como em Budô é o empenho incansável; Mussu é Mussubi, o poder de transformação.
A grande percepção do fundador sobre o universo é Takemussu Aiki. Em seu mais alto nível Takemussu Aiki pode ser interpretado dessa forma: “Bu nasceu do Aiki; Bu dá a luz ao Aiki.” Dentro da perspectiva humana, poderia ser descrito assim: “Eu nasci dos meus pais; Eu dei a luz aos meus pais.” Isso é o mesmo que dizer, “Eu sou Aiki; Eu sou o universo!” Em termos mais concretos Aiki é primeiramente aplicado para harmonizar as três funções: Corpo, Mente e Ki.
Depois de realizada essa harmonização usamos o Aiki para fundir nossos movimentos com os do parceiro quando executamos uma técnica, nesse caso Aiki é A-i-Ki representado por um triângulo, um círculo e um quadrado que juntos formam os modelos básicos da criação. Os movimentos do Aikidô surgem a partir desses modelos: postura triangular, entrada circular e controle quadrado (Devemos lembrar que as técnicas não são Aiki; Aiki trabalha através das técnicas).
Uma vez que essas harmonizações são alcançadas – não com muita facilidade – é necessário nos colocarmos em sintonia com a natureza, naturalmente nos ajustando à suas mudanças (é por isso que os Dojôs no Japão nunca estão frios ou quentes demais para se treinar). Eventualmente nós imperceptivelmente nos fundimos com o universo, incorporando seu dinamismo ao nosso próprio, esse processo completo é Kimusubi (unificar os Ki para promover a vida). O Aiki unifica o corpo e a mente, nosso Eu com os demais, matéria e espírito, o homem e o universo. Em seus últimos anos o fundador sugeriu que Ai (harmonia) deveria ser vista como Ai (amor), já que o amor é a forma mais elevada da harmonia que nutri todas as coisas e as conduz para a realização.
“O amor é a divindade guardiã de todos os seres; sem o amor nada pode florescer. O caminho do Aiki é uma expressão do amor. . . o amor não odeia, ao amor não existe nada para se opor. O amor é a essência de Deus.”
Kami Sama (Deus) foi a frase que o fundador usava para representar o mais elevado nível, o absoluto, o espírito universal de amor e harmonia. Hito, palavra japonesa para ser humano, é composta do símbolo Hi (centelha divina) parada temporariamente nesse vaso ao qual chamamos nosso corpo. O Ka de Kami, e Hi de Hito são o mesmo símbolo – Se não há Kami não há Hito e vice-versa. É por isso que o fundador insistia que “O ser humano é filho de Deus e um santuário vivo do divino.”
Aiki O Kami (O grande espírito do Aiki) é o símbolo supremo dos ideais que o fundador mais estimava. Através da prática devota das técnicas do Aikidô – funções do divino – é possível avançarmos para esse elevado estado. De fato podemos nos tornar um Kami, um ser humano perfeito. Um Kami não é uma criatura sobrenatural, mas sim alguém que descobriu sua verdadeira natureza – nada mais que o universo em si – através de seu constante esforço. “O Aikidô é o caminho de Deus estabelecendo a força do Aiki e edificando a força da atividade divina.”
A força da atividade divina é nenhuma outra senão Takemussu Aiki. Antigamente Take significava “lei da selva”: “Se eu não o matar, ele provavelmente o fará”. Tal atitude é contrária à sobrevivência da humanidade, o fundador compreendeu que Take não significava destruição e morte, mas sim vida e luz. A força e determinação do guerreiro devem ser canalizadas para um propósito elevado: O restabelecimento da harmonia, a preservação da paz e a proteção de todos os seres. Shirata Sensei acredita que o fundador foi uma espécie de mensageiro divino, que esteve aqui para prevenir a nós imprudentes seres humanos da inutilidade do empreendimento da guerra e da matança uns dos outros. “Aiki não é uma arte para derrotar os outros, mas sim para a unificação do mundo e para reunir todas as raças em uma grande família.”
Sobretudo o Aikidô é Misogi, o grande caminho de purificação. Já que estamos dotados de vida somos divinos, porém devido a pensamentos inferiores e imperfeições nossa verdadeira natureza está obscurecida. Em vez de utilizarmos a água para purificar nossas impurezas nós utilizamos as incorruptas técnicas do Aikidô, sendo que cada corte de espada, cada estocada do bastão e cada movimento do corpo é um ato de expulsar o mal limpando o coração.
Misogi é o processo de conduzir para fora do corpo a maldade, livrando-o de corrupções e polindo o espírito. Conforme as camadas de sujeira e corrupção são retiradas, nossa imaculada luz interior brilha com maior intensidade.
O legado espiritual do fundador – como viver em harmonia divina com o mundo e todos os seus habitantes, cheio de uma força indomável e de um criativo amor – deve ser buscado através do sincero treinamento do Aikidô.
Shirata Rinjiro e John Stevens – Extraído do livro “Aikido the Way of Harmony
Tradução: Rubens Caruso Júnior Instrutor de Aiidô 4° Dan – Aikikai – Aikidô Nova Era – São Paulo/SP
Colaboração: www.aikidonovaera.com.br
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13 Janeiro 2009
O título de Yudansha (Faixa-Preta e seus Dans) é concedido por várias razões, não apenas por habilidades técnicas. Só porque uma pessoa recebe um certo ranking de Yudansha, não significa que ele ou ela conseguiram o respectivo nível de habilidade naquele momento. Significa que eu sinto que a pessoa está no limiar e crescerá naquele nível com a pressão da responsabilidade que adquiriu.
É óbvio que, receber promoção a qualquer nível de Yudansha, pressupõe-se a existência de certa competência técnica. Mas somente isso não é o suficiente. Meus olhos enxergam de modo diferente quando vejo um aluno praticando. Eu vejo a personalidade e o crescimento dessa ou desse aluno. Eu freqüentemente sei qual é o tipo de dificuldade que o aluno tem que superar. Tenho uma boa noção do quanto essa pessoa tem feito por seu grupo, quanta responsabilidade ele é capaz de suportar e o quanto ele ou ela fez para ajudar aos outros. Eu conheço o crescimento espiritual e social dessa pessoa e suas habilidades no que diz respeito à liderança.
Foi me perguntado várias vezes como um aluno deve treinar e com que tipo de meta em mente para cada exame de Yudansha. A maioria disso não pode ser colocada em palavras e devem vir do coração individual de cada aluno com seu crescimento na compreensão; mas eu posso lhe dar alguns conselhos.
Para treinar para Shodan (Faixa-Preta 1° Dan):
Você está treinando para se tornar um iniciante, e não mais um convidado no dojô, mas um aluno com reais responsabilidades. Deve-se estudar a forma básica de técnica e o princípio básico, até que o movimento correto se torne automático e seja natural.
Para treinar para Nidan: (Faixa-Preta 2° Dan):
A potência do movimento deve ser enfatizada e desenvolvida. A realidade funcional da técnica deve ser explorada e uma compreensão do que realmente funciona e porque deve ser desenvolvida.
Para treinar para Sandan: (Faixa-Preta 3° Dan):
O aluno deve desenvolver um entendimento do princípio de Aiki e começar desprender-se da técnica.
Para treinar para Yondan: (Faixa-Preta 4° Dan):
O aluno deve descobrir a filosofia do princípio de Aiki e seu relacionamento com a técnica. A forma técnica deve estar profundamente refinada de acordo com sua compreensão, e o estudante deve começar a desenvolver seriamente a arte de treinar a outros. O treinamento pessoal já não é o suficiente. O aluno deve entender a responsabilidade social.
Para treinar para Godan: (Faixa-Preta 5° Dan):
Deve-se fazer do princípio de Aiki uma parte direta em sua vida, desenvolvendo assim um espírito incrível, qualidades de liderança e a aplicação espiritual e social do princípio de Aiki. Uma completa espontaneidade de técnica deve ser desenvolvida, a qual não é mais técnica, mas o princípio que suporta a base da técnica. Deve haver, quando se atingir esse ponto, uma dedicação completa à arte, e um grande crescimento espiritual. Um crescimento que produz não uma preocupação com um dojô ou uma área, mas uma preocupação ativa por todos os alunos e todas as pessoas do mundo. Por todos esses anos de treinamento, sua compreensão física, mental, social e espiritual e força devem uniformemente sempre estar progredindo. A aplicação espontânea de Aiki deve progredir. Se você para de treinar em qualquer desses níveis, seu Aikidô não crescerá mais.
Apenas gastar seu tempo treinando não faz sentido. A qualidade e intensidade de seu treinamento, as descobertas que você faz a cada dia, essas coisas são significativas. Você deve treinar duramente e descobrir a resposta por si mesmo.
Tradução:
Paulo C. G. Proença – Dojô Kokoro – Sorocaba – www.aikido.sorocaba.nom.br
Colaboração: www.aikikai.org.br
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9 Janeiro 2009
“Onegai shimasu” é uma frase difícil de traduzir diretamente para o português.
A segunda parte, “shimasu”, é basicamente o verbo “suru”, que significa “fazer”, conjugado no tempo presente. “Onegai” vem do verbo “negau”, que significa literalmente “orar por (algo)” ou “desejar (algo)”. O “O” no início é o “honroso O” que torna a frase mais “honorífica”. É claro, nós nunca devemos dizer a frase sem esse “O”, (Não confunda esse “O” com o “O” em O-Sensei. O “O” em O-Sensei é realmente “Oo”, significando “Grande” ou “Grandioso”.)
Na cultura japonesa, usamos “onegai shimasu” em várias situações. A conotação básica da expressão é o sentimento de expressar “boa vontade” em relação ao futuro de um encontro entre duas partes. De fato, é muitas vezes como dizer “Espero que nosso relacionamento traga boas coisas no futuro”.
Costuma-se usá-la durante a celebração do ano novo dizendo “kotoshi mo yoroshiku onegai shimasu”, que significa “também este ano desejo boas novidades”. Capte a essência. Outra conotação é “por favor” como em “por favor, permita-me treinar com você”. É uma solicitação freqüentemente usada para pedir a outra pessoa que lhe ensine algo, expressando que você está pronto para aceitar o ensinamento da outra pessoa. Se você está se sentindo realmente modesto, pode dizer “onegai itashimasu”, que usa “kenjyougo”, a forma “humilde” do verbo. Isto o põe numa posição mais abaixo hierarquicamente do que a pessoa com a qual está falando (a menos que ela use a mesma forma).
A pronúncia correta seria: o ne gai shi ma su. (Falando tecnicamente, o último “su” é uma sílaba pausada-fricativa, sendo pronunciada como o “s” final em “gás”, e não como um “su” longo – tal como em “sul”).
Texto original em inglês: http://www.aikiweb.com/language/onegai.html
Tradução e Colaboração: http://www.aikidobahia.com.br
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8 Janeiro 2009
Dentro do contexto social as artes marciais têm seu papel mais importante, como apoio ao crescimento psicológico de uma criança.
As Artes Marciais colocam a criança frente a frente com seus maiores problemas, medos e anseios, por exemplo: uma criança tímida será colocada frente à diversas situações que a ajudarão a vencer esta timidez, que certamente a atrapalharia futuramente; por outro lado, uma criança indisciplinada se verá estimulada a respeitar e seguir as regras e normas que regem uma aula de Aikidô, aprendendo a conviver harmoniosamente em grupo, recebendo e compartilhando experiências com outras crianças. Isto tudo não porque seja obrigada, mas sim porque sua compreensão de certo e errado é favorecida por essas experiências em grupo.
Torna-se, portanto, facilmente reconhecido, que o treinamento do Aikidô estimula o crescimento de sua maturidade psicológica.
Podemos então concluir que o Aikidô exerce forte influência no amadurecimento de urna criança; mas seus efeitos não são mágicos, sendo necessários: tempo, treino assíduo e força de vontade (tanto da criança quanto dos pais)… que somados podem exercer uma positiva e forte influência. Damos maior atenção em nossas aulas à este desenvolvimento psicológico mais que o físico, já que seus efeitos vão ser muito mais benéficos e duradouros para a criança.
A parte técnica do Aikidô se diferencia da maioria das artes marciais por não haver o treinamento isolado de técnicas de ataque, como acontece na maioria das artes marciais. A criança não aprende chutes devastadores nem a dar socos potentes, muitos menos a ter uma atitude ofensiva com relação aos colegas de treino. Falando mais claramente no Aikidô não existe adversário, mas sim parceiros de treino. Havendo durante as aulas uma ajuda mútua entre os alunos, já que sem um parceiro não há como treinar o Aikidô, uma vez que as técnicas são executadas em duplas. Este conjunto de fatores leva a criança a encarar o colega não como um oponente, mas sim como um amigo. Portanto, o desenvolvimento técnico da criança dentro do Aikidô acontece de maneira harmoniosa e natural. Este desenvolvimento natural é o que chamamos de AIKI, ou seja: harmonia das relações, ou união de energias.
Rubens Caruso Júnior – Instrutor de Aikidô 4° Dan Aikikai – Aikidô Nova Era (São Paulo/SP)
Colaboração: www.aikidonovaera.com.br
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5 Janeiro 2009
Para começar a prática da Escalada em Rocha é necessário conhecer e dominar procedimentos básicos indispensáveis, os quais deverão ser assimilados através de pessoal qualificado.
O Campo Escola sediará o início das atividades do curso. As vias de escalada, relativamente fáceis, possibilitam o desenvolvimento dos procedimentos básicos exigidos, que são o foco principal do curso.
Nós, auto-resgate em vão livre, encordoamentos, ancoragens e segurança do escalador guia e do segundo, são alguns dos procedimentos realizados no Campo Escola nesta primeira etapa.
O setor da “Pedra da Pinguruta” dispõe de vias com graduações que vão do 3º grau ao 7ºb, possibilitando ao escalador testar suas habilidades. É conhecido também como o setor das fendas, que são preferência entre a maioria dos escaladores.
Escalada em fendas, ancoragem em ponto natural, auto-resgate em parede e rapel em corda dupla, serão desenvolvidos neste setor.
Logística e experiência fazem o escalador. O desenvolvimento vem com a prática e com o acompanhamento adequado. A Escalada é um esporte que exige interação entre os participantes, troca de conhecimento, informação e acima de tudo, respeito à natureza e às culturas locais.
Ao nos tornarmos escaladores tornamo-nos também pessoas mais seguras. Passamos a entender melhor nossa natureza e a que está a nossa volta.
Sobre o Curso:
Prepara e forma escaladores conscientes e aptos para a prática da escalada em rocha, com a certeza de ter o domínio dos procedimentos fundamentais exigidos. Cria uma consciência de cunho ecológico evidenciando a importância não só da preservação ambiental, mas também cultural das localidades.
Aspectos abordados:
· História do esporte
· Modalidades de escalada
· Apresentação do equipamento
· Cuidados necessários com o equipamento
· Código de Ética Brasileiro / Ecologia
· Encordoamentos: características e funções
· Nós: características e aplicações
· Auto-resgate
· Técnicas de escalada
· Segurança do escalador 1° e 2°
· Escalada guiada
· Sistema de parada e equalizações
· Técnicas de abandono pós-escalada
· Importância nutricional no esporte
· Batismo.
O aluno receberá um guia teórico no ato da inscrição e contará com todo material necessário durante as aulas.
O Curso Básico de Escalada em rocha, ministrado pela Crux Sup Ecomontanhismo e reconhecido pela Associação de Escaladores do Rio Grande do Norte (AERN), é realizado no Parque Estadual da Pedra da Boca e tem duração de um fim de semana (16h aula). As saídas geralmente são nas sextas ao fim do dia para que se possa aproveitar ao máximo a carga horária do sábado e domingo.
Não é necessário fechar grupo para as instruções, o curso pode ser realizado com uma pessoa. Em caso de formação de grupo o número máximo de alunos é de 04 (quatro) pessoas.
O valor do curso abrange a instrução, o direito ao uso de todo o material necessário durante o curso, um guia teórico para posterior acompanhamento e estudo e ainda a taxa de camping. Não inclui alimentação e transporte ficando estes por conta do aluno.
Roteiro do Curso
1º Dia de Curso – Sábado
Manhã – Horário de saída: 8h
1. Campo Escola – Demonstração dos nós pescador duplo e nó auto-blocante Prussik para procedimento de auto-resgate.
2. Campo Escola – Demonstração de nó Oito e Oito Guiado e suas aplicações
3. Campo Escola – Escalada e segurança em Top Rope (posicionamento e ascensão).
4. Campo Escola – Segurança do Guia e aplicação das costuras.
5. Campo Escola – Demonstração de nó Fiel e suas aplicações.
6. Campo Escola – Parada dupla e equalização.
7. Campo Escola – Segurança do Segundo.
8. Campo Escola – Procedimento de Rapel em corda dupla e Prusik.
9. Campo Escola – Resgate do equipamento.
Tarde – Horário de saída: 14h
10. Pedra do Carneiro – Via Casa Mãe Nazaré D1 3º IV E1 55m. Revisão dos procedimentos de escalada. Escalada ao cume com retorno por trilha.
2º Dia de Curso – Domingo
Manhã – Horário de saída: 8h
11. Setor Pinguruta – Via Essa é Minha IVºsup. Escalada em Fenda, Aancoragem em ponto natural, auto resgate em parede.
12. Setor Pinguruta – Via Cumpadi Sussurro IVº. Escalada em fenda.
13. Pedra do Carneiro – Via das Brita D1 3º IV E1 75m. Revisão dos procedimentos de escalada. Escalada ao cume com retorno por trilha.
Horário de encerramento: 18h
Datas do Curso Básico de Escalada em Rocha de Janeiro a Março de 2009:
- 10 e 11 de janeiro de 2009
- 7 e 8 de fevereiro de 2009
- 7 e 8 de março de 2009
Saídas no dia anterior (sexta-feira) após 18h ou de acordo com disponibilidade do cliente.
Outras informações:
- Refeições no local ao custo de R$ 5,00 (cinco reais) cada (café, almoço e jantar).
- Taxa de Camping R$ 5,00 (cinco reais) – já inserida no valor do curso.
- O número mínimo de participantes nas datas citadas é de 02 (dois) e máximo de 04 (quatro).
- O custo de R$ 170,00 (Cento e setenta reais).
E-mail: cruxsup@hotmail.com
Telefones: (84) 8856-6783 / (84) 8894-3239
Comunidade no Orkut:
http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=4853737826694675265
Colaboração: www.impressione.wordpress.com
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2 Janeiro 2009
Todo principiante de Aikidô aparece motivado por alguma razão em particular e um conjunto de objetivos. Entre os mais comuns estão os de auto defesa, desenvolver a forma física, ou travar relacionamentos. Com o passar do tempo os objetivos vão mudando e a pessoa vai percebendo que o Aikidô está provocando transformações em sua vida. Considerando que o Aikidô, assim como outras artes marciais de um modo geral ensinam técnicas capazes de machucar e mesmo matar um adversário, todas têm que ser praticadas com seriedade e atenção a detalhes por força dos riscos naturais, inerentes à atividade.
Treinar assim, respeitando a concentração, vai-se alcançando passo a passo o aperfeiçoamento do que pode ser descrito como um “espírito de marcialidade”. O termo marcial é aqui empregado no mesmo sentido que o Fundador do Aikidô usava a palavra japonesa “bu“, normalmente traduzida por “arte marcial” (de guerra).
“Bu“comporta duas interpretações distintas: primeiro,serve para distinguir um sistema que engloba técnicas de lutas de origem clássica dirigidas originariamente para o ensino de auto defesa. E “Bu” acaba abrangendo o conceito de uma atividade ou prática destinada a conduzir o indivíduo através de um caminho de crescimento espiritual.
Quando o treinamento objetiva a luta em si.
O elemento marcial – ou “bu” é um componente tão vital do treinamento de Aikidô que removê-lo totalmente significaria reduzir a arte a um conjunto de meros exercícios visando a saúde física. Acaba ficando implícita uma consciência de existência de perigos inerentes que acaba produzindo uma ultra-sensibilidade ao pensamento. Eis a seguir alguns comportamentos que auxiliam no desenvolvimento desse espírito de marcialidade.
A etiqueta
A etiqueta é um dos pilares do comportamento adequado a um dojô. É comum menosprezarem a importância das formalidades adotadas em um dojô. Os padrões observados antes, durante e após os treinos têm o objetivo de gerar um ambiente em que técnicas perigosas possam ser praticadas com segurança.
A etiqueta também possui grande significado fora do dojô, servindo como um lubrificante nas relações interpessoais. Pessoas bem educadas raramente fazem inimigos e desenvolvem um caráter adequado à prática de artes marciais.
O papel do Uke
O Uke é aquele que simula o ataque e vai sofrer o movimento do Aikidô. O treino de Aikidô consiste no revezamento entre os parceiros: enquanto um simula o ataque (Uke) o outro (o Nague, ou Tori – Hitori) aplica a técnica de Aikidô.
No Aikidô a técnica a ser aplicada é sempre de prévio conhecimento de ambos, o que garante um treino seguro. De forma que também é importante que o Uke esboce o ataque de forma clara, sincera e segura, sem antecipar a reação do Nague baseados nesse conhecimento prévio. O Nague precisa de um ataque sincero a fim de absorver os conhecimentos de equilíbrio, coordenação motora e o fluxo da energia.
A atitude marcial adotada pelo Uke vai protegê-lo de ferimentos e promover seu próprio progresso e o do companheiro. O Uke será também recompensado por seus esforços adquirindo flexibilidade e condicionamento físico através das quedas – uma experiência perturbadora quando não perigosa para a maioria das pessoas.
O papel do Nague.
Conforme descrito acima, conhecendo a natureza do ataque, o Nague pode se concentrar em sua postura, no distanciamento e no desequilíbrio a que irá submeter o Uke. O stress emocional, que normalmente existe em confrontos da vida real, passa a estar ausente do contexto básico do treino.
O movimento inicial do Nague deve ser no sentido de desequilibrar o Uke, que não oferecerá resistência aos efeitos da força da gravidade, pois estará sem centro. Os benefícios da prática contínua, para o Nague, é que as técnicas do Aikidô vão se tornar uma sua segunda natureza. Seus instintos serão reestruturados para evitar ataques iminentes de forma a adotar as posturas harmoniosas que caracterizam as técnicas do Aikidô. Ele aprende a manter o equilíbrio físico e mental diante de ataques que normalmente seriam desorientadores para pessoas sem treino.
Enquanto o processo de aprendizado se desenvolve (conscientemente ou não) o Nague amplia seu nível de sensibilidade ao mover-se em seu ambiente.Torna-se capaz de perceber o que possa ser ou não algum tipo de ameaça. Essa atitude de alerta constante é um componente fundamental da arte marcial e destaca as pessoas com esse conhecimento.
Identificando objetivos do treino.
Praticantes de Aikidô devem regularmente passar em revista suas atividades normais e as circunstâncias a fim de estar sempre identificando e dando atenção situações de perigo ou fraqueza. Um exemplo: aikidocas costumam ver pontos fracos em sua arte, quando a comparam com outras artes marciais. Conseqüentemente ele passa a se sentir tentado a discutir situações hipotéticas com relação às técnicas de Aikidô do tipo “e se….?”
Na verdade não se treina Aikidô para se descobrir capaz de enfrentar o campeão mundial de karatê, ou de boxe ou de luta – livre. A partir do momento em que eu canalizo minhas energias para esse tipo de pensamento, como se esse fosse o meu objetivo em treinar Aikidô, como poderei eu estar preparado para todo e qualquer outro tipo de ameaça ou ataque a que a gente se sente exposto o tempo todo durante o dia-a-dia, durante a vida? Pensar assim só é bom para discussões acadêmicas. Não há como hierarquizar as artes em termos de eficácia nem como ficar especulando sobre a relatividade de seus métodos. Quem pensa assim é melhor que nem comece a treinar Aikidô. A abordagem do Aikidô não é por esse lado.
O objetivo do Aikidô é proteger a vida, a saúde, a integridade física, a liberdade, a propriedade, e não para derrotar o semelhante como num torneio. Vamos supor que a gente se depare com algum ataque aleatório. A gente pode ser surpreendido caminhando pela rua, dirigindo o carro, e mesmo dentro de casa. No mundo real assaltantes geralmente portam armas de fogo, facas e vêm acompanhados de comparsas. O elemento surpresa geralmente é o que dá sucesso a esse tipo de ataque aleatório. Não se trata de avaliar a qualidade, a sofisticação do ataque, mas sim o fato de que a vítima quase sempre é apanhada desprevenida, com a guarda baixa, no que vai resultar em sua derrota, ou morte. Aqui é quando se deve dar ênfase muito mais ao preparo psicológico do que ao conhecimento de qualquer técnica específica de defesa.
Temos que desenvolver um constante estado de alerta a fim de responder imediata e instintivamente a ameaças inesperadas. Temos que nos tornar saudáveis, flexíveis e indivíduos bem preparados para nos adaptar rapidamente a qualquer mudança de situação.
Por que AIKIDÔ?
Essa pergunta traz à mente uma dúvida razoável. Por que estudar Aikidô e não qualquer outra coisa que traga um resultado mais imediato em caso de violência urbana, como treinamento com armas e técnicas de brigas de rua?
Dependendo de cada um, talvez seja mesmo o caso de se praticar outras disciplinas. Nesse sentido há fortes argumentos quanto aos benefícios de se saber várias coisas ao mesmo tempo. Aqui é que entra o segundo componente da proposta inicial, mencionada no início, relativamente ao “bu“. Acontece que o Aikidô é também, e mais ainda, um caminho para o desenvolvimento espiritual da pessoa. Ele contém um imperativo moral de cultivo e respeito por todo ser vivo. O Aikidô propõe uma visão idealista de um mundo vivendo em harmonia e as técnicas da arte tornam essa visão abstrata em algo físico, concreto, tangível. Mais que qualquer outro princípio, as técnicas de Aikidô se baseiam no princípio da não resistência, conforme o ensinamento do fundador, Morihei Ueshiba, o que deve estar sempre presente na mente de todo praticante de Aikidô. O que não deixa de consistir em uma excelente fórmula de viver bem a vida em meio a esse mundo atemorizado pelo perigo e pela discórdia.
Epílogo: tomando decisões em tempos difíceis.
A maioria dos desafios que enfrentamos no dia-a-dia não são os de embates físicos. A maioria dessas batalhas são de origem interior, são travadas num plano psicológico, posto que nossa vida consiste em uma luta constante e interminável contra problemas e incertezas. O espírito marcial cultivado durante anos de treinamento de Aikidô acaba se transformando em um acervo precioso, de valor incalculável nessas horas.
Tradução: Nereu Peplow – Fudoshin Dojo – Curitiba – www.aikidofudoshindojo.pro.br
Colaboração: www.aikidobahia.com.br
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29 Dezembro 2008
Há poucos dias tive a felicidade e o privilégio de participar do segundo maior seminário de Aikidô da história. Os organizadores conseguiram a proeza de reunir mais de duas mil pessoas para um evento de três dias em São Paulo. Tamanha organização não foi por acaso, pois se tratava da primeira visita de Moriteru Ueshiba ao Brasil. Seu pai, Kishomaru Ueshiba esteve aqui há mais de 25 anos, portanto, depois de longa espera todos estavam ansiosos pela visita do maior líder do Aikidô mundial.
O que me impressionou logo no primeiro dia foi a formalidade e o respeito de todos para com o mestre. Ele, um verdadeiro príncipe ao entrar e sair do tatame, só arriscava um sorriso quando aplaudíamos agradecidos no final dos treinos. Em relação à técnica, o que dizer? Demorei a escrever esse texto porque não conseguia colocar em palavras o que vi. Era uma mistura de precisão com simplicidade, de energia com harmonia. Sem dúvida alguma estávamos diante do verdadeiro espírito do Aikidô. Quando ele demonstrava as técnicas eu tinha a nítida impressão de estar vendo os livros antigos seu avô Morihei, onde ele realizava seus movimentos com total serenidade e qualidade. Sentei-me próximo ao local onde ele fazia as demonstrações para acompanhar todos os detalhes e truques. Queria ver e ouvir tudo que passava, era uma compulsão pelos detalhes. De repente percebi que essa minha motivação não tinha razão de existir, e foi este sentimento que mais me motivou a escrever este texto.
Desde quando comecei a treinar Aikidô, lá em 1997, a forma como os movimentos e técnicas eram ensinados baseava-se na sua decomposição, ou seja, aprendíamos as partes que compunham um todo. Moriteru Ueshiba defende o Aikidô sem quebras ou subdivisões. Neste momento entendi que este era o Aikidô do um.
Segundo o mestre, devemos entender o movimento através de um olhar global. A técnica é única e não a soma de um conjunto de pequenas técnicas complementares. Durante um dos treinos ele até chegou a dizer: “é um erro dividir a técnica em 20 ou 30 passos. A técnica é uma só”. Daí o segredo de tanta simplicidade e objetividade.
Enchemos os principiantes de detalhes que nem sempre fazem a diferença durante o treino. Sem dúvida que é ansiedade de professor, aquela que nos força a falar e falar até que alguém resolva balançar a cabeça positivamente liberando o treino. Existe também o ‘orgulho inabalável’ dos professores onde não importa a qualidade da contribuição do aluno, pois o professor sempre terá a última palavra em defesa de sua razão. Esquecemos que somos humanos, que em essência não temos nem somos donos da verdade. Esquecemos também que a razão é uma dádiva da inteligência humana, que permite ao faixa branca ensinar o faixa-preta. Uma saída para esses problemas talvez seja o Aikidô do um, com menos falatório durante os treinos e mais observação. Devemos aprender com nós mesmos, olhando para o parceiro e para dentro de nós durante os treinos.
O Aikidô do um é simples porque foi adaptado à natureza do corpo humano, sempre levando em conta suas limitações e potencialidades. Nele ninguém dá passos maiores que suas próprias pernas. Creio que a vinda de Moriteru Ueshiba foi muito oportuna para mostrar as diferenças entre a origem e o que se tem por ai. Não defendo aqui uma ou outra, não seria ético com meus colegas nem elegante com minha mestra, mas defendo que existe uma interessante diferença que merece ser entendida e incorporada.
Ao meu ver, os benefícios dessa percepção viriam através de Dojôs mais receptivos ao grande público, treinos mais democráticos e a adoção de uma “nova forma velha” de praticar a arte, sempre buscando a harmonia e a união, seja no Dojô ou fora dele. Vida longa ao um.
Colaboração: www.aikidonovaera.com.br
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22 Dezembro 2008
Jigoro Kano estabeleceu três aspectos do Judô: treino de defesa contra um ataque, desenvolvimento do corpo e da mente e colocar a energia em uso a benefício da sociedade.
De igual maneira, ele também enfatiza a existência de três níveis do Judô, considerando na base, como nível elementar, o treino da defesa contra um ataque, em seguida, o próximo nível, é colocado o treino do corpo e da mente, e no nível mais elevado encontra-se o estudo da maneira de como colocar a energia em uso na sociedade.
Nesse aspecto, Mestre Jigoro Kano afirma que, ao dividir-se o Judô em três níveis, ele não se limita ao treino de luta que é realizado no Dojô e, ainda que haja, o treino da mente e do corpo, se não se adentra a um nível mais elevado, a sociedade, em última análise, não é beneficiada.
Para Jigoro Kano, o aperfeiçoamento individual tem de ser colocado a bem da sociedade, não tão somente para o indivíduo que o conquistou. Ele encorajou todos os praticantes de Judô a que identificassem esses três níveis presentes no Judô, submetendo seus treinamentos sem exagerar em um desses aspectos em detrimento do outro.
Nível Básico
No nível básico do Judô, encontra-se o propósito do treino como forma de aprendizado da defesa contra um ataque, utilizando-se, na maior parte do tempo, a mão livre de armas, estas, contudo, são utilizadas, às vezes, durante a prática do Kata.
Nível Médio
No nível médio do Judô, situa-se o treino do corpo e da mente, observando a forma de as outras pessoas treinarem e, pela observação de suas técnicas, planejar a maneira de colocá-las em prática, treinando o corpo e a mente, controlando as emoções e, por fim, desenvolvendo a coragem. Tudo isso significa fazer-se apto ao total controle do corpo e da mente.
Dessa prática, advém a satisfação conquistada no treino, a competição e o prazer por alcançar o domínio de uma habilidade, alcançando sentimentos estéticos.
Nível Elevado
O nível mais elevado do Judô é alcançado quando se realiza o mais efetivo uso da energia física e mental, adquirida nos níveis básico e médio, a bem da sociedade.
Esse nível possui uma ampla aplicação, requerendo uma grande criatividade. Nas atividades do dia a dia, elas podem ser avaliadas se são ou não realizadas valendo-se do mais efetivo uso da energia física e mental.
Esse nível de treino, com o uso da energia física e mental da forma mais efetiva, envolve aspectos de postura mental frente às situações da vida, inclusive. A angústia, o sentimento de lamentação e de preocupação, originam-se do uso inadequado da energia mental, causando o seu desperdício.
Referência Bibliográfica: Mind over Muscle – Writings from the founder of Judo – Jigoro Kano – Kodansha International – 2005.
Colaboração e Tradução: Marcos José do Nascimento – 1° Kyu (Faixa-Marrom) de Aikidô da Academia Central de Aikidô de Natal e Faixa Preta de Judô da Academia Higashi em Natal/RN
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11 Dezembro 2008
“Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível ” - Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da “invisibilidade pública”. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.
Texto de Plínio Delphino para o Diário de São Paulo.
O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são “seres invisíveis, sem nome”. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da “invisibilidade pública”, ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: “Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência“, explica o pesquisador.
O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. “Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão“, diz.
“No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: ‘E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?’ E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar”.
O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
“Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado”.
E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
“Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando – professor meu – até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão”.
E quando você volta para casa, para seu mundo real?
“Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma ‘COISA’.”
By Impressões – www.impressione.wordpress.com
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2 Dezembro 2008
No início de treino, a técnica está para o praticante como preocupação primeira, na busca do seu aprimoramento através dela, na busca de um determinado grau de controle dos movimentos, de forma a mostrar-se aos demais como conhecedor dela em algum nível.
À medida que o tempo passa, dentro da prática, permanece na técnica a preocupação central do praticante, dirigindo a ela toda a sua atenção, as suas energias, como fim primeiro e último de sua prática no âmbito do Dojô. Até mesmo pelo conhecimento que se vai estendendo para horizontes mais amplos, com maior número de técnicas e de combinação entre elas.
A situação não poderia dar-se de outra forma, uma vez que na realização de qualquer natureza, em fase de aprendizado ou de aprimoramento, o que se busca é conhecer e demonstrar determinado nível de controle sobre o conhecimento de que vai se assenhorando a pessoa, aos poucos.
Fora o fato de que, no âmbito das artes marciais, existe a prova prática perante uma banca examinadora, para a ascensão a uma graduação superior em relação ao que se encontra o praticante, situação geradora de ansiedade e de estresse na grande maioria dos que praticam as artes marciais, situação essa que, por si só, também contribui como um dos fatores determinantes, se não o principal, de busca constante de aprimoramento das técnicas em si.
Não obstante a técnica fazer parte do treino, formando a base do corpo de uma arte, cabe-nos indagar, talvez de maneira ousada: seria ela (a técnica) o fim último da realização de uma prática em que se consomem anos de atividade dentro de uma arte marcial? Ou seria apenas um meio para se chegar a um outro fim, talvez imperceptível no início ou mais à frente?
Na história das artes marciais japonesas é provável que tenha havido um período em que predominava a rigidez dentro dessas artes, haja vista o surgimento do Jujutsu em determinada época, tendo como princípio o uso da flexibilidade para controlar a rigidez, bem como o uso da força do oponente a favor de quem se aplica uma técnica, sendo este último o princípio básico do Jujutsu, nas suas mais variadas escolas, ao longo dos séculos.
Mas, ainda assim, durante a era do Jujutsu, a técnica era o foco principal dos seus praticantes, ainda que houvesse um ensinamento de cunho filosófico e ético, este não constituía o centro da arte. Haja vista a situação em que se encontrava o próprio Jujutsu na segunda metade do século dezenove, quando os seus praticantes exibiam-se em teatros contra lutadores de outras artes marciais, para o entretenimento da platéia, como também para auferir renda, assim como havia desavenças constantes entre praticantes de diferentes academias nas ruas de Tóquio, e, em alguns casos, os cidadãos comuns sofriam intimidação por parte de alguns Jujutsukas (praticante de Jujutsu).
Com a transição para o caminho (Dô), o foco da prática, não obstante continuar-se na realização de treinos ao longo do tempo, com a concessão de graus mais elevados, à medida da passagem do tempo dentro de uma prática, passou-se a buscar a formação ética de seu praticante, procurando incutir-lhe hábitos salutares, passando a aprender, no âmbito do Dojô, normas de condutas e princípios filosóficos, através de orientações dadas pelos mestres das artes, e que, modificando-lhe os hábitos, paulatinamente, esses novos hábitos extravasariam para além dos limites da academia, contribuindo para a formação de um ser que coopere mais na sociedade em que vive.
Dessa forma, a técnica e sua realização contínua no tempo, deixariam de ser o fim último do praticante, passando a ser um meio para alcançar-se uma conquista que transbordaria para além dos limites físicos do Dojô.
Isso talvez ressalte a importância dessa transição que aconteceu no âmbito das artes marciais japonesas, a partir do início da Era Meiji (1868), pois, da mesma forma, que se pode incutir bons hábitos no praticante, a prática deformada de uma arte marcial, transfere para a sociedade um praticante de hábitos deformados, que, em lugar de trazer benefícios, causa danos aos outros, a si mesmo, e à sociedade como um todo.
Essa última hipótese decorre, em última análise, pela preocupação excessiva pela técnica em si, apenas, desconsiderando-se os aspectos do caminho, desprezando-os o praticante ou quem lhe transmite os ensinamentos técnicos de um combate. Daí porque, ainda quando se afirma como praticante de uma arte marcial cujo foco esteja no caminho (Dô), sem caminhar nessa direção, não importa a graduação que ostente, aluno ou professor, essa pessoa, ainda estará na fase da técnica (Jutsu), quando não se apercebe desses aspectos.
Colaboração: Marcos José do Nascimento – 1° Kyu (Faixa-Marrom) de Aikidô da Academia Central de Aikidô de Natal
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26 Novembro 2008
A história da acupuntura em nosso país facilmente se confunde com a da imigração dos povos orientais ao Brasil. Naqueles tempos remotos, os pioneiros imigrantes vindos do outro lado do mundo, trouxeram na bagagem uma cultura milenar que contribuiu de maneira significativa não só para o desenvolvimento das terapias naturais, como também das artes plásticas e marciais, da culinária, da religião, da ciência, da tecnologia, da filosofia e do pensamento. Com eles chegaram a acupuntura, o do–in e novos conhecimentos na utilização das ervas. Com eles chegaram o Kung Fu e o Tai Chi Chuan, o Qui Gong e o Feng Shui. Com eles chegaram também influências na poesia, na literatura e na pintura. Com eles chegaram, enfim, novas formas de ver o mundo e contemplar a natureza.
No Brasil a história da acupuntura sempre envolveu uma certa aura de mistério, tais as marcantes diferenças existentes entre a Medicina Tradicional Chinesa e a ocidental. Hoje a milenar terapia das agulhas, que já foi taxada inadvertidamente até como charlatanismo e curandeirismo, é reconhecida por oito Conselhos Federais de Saúde como especialidade. Reconhecimento este plenamente legitimado pelo imenso apoio popular e ações governamentais obtidas em nosso país.
Então se você está estressado, tenso, desanimado, ou com alguma indisposição física, libere suas energias… Em Natal/RN procure Sérgio Gustavo Anunciato Pellissari – Acupunturista e Shiatsu Terapeuta.
Acupuntura e Shiatsu (Kangenjutsu ryu ho) sob orientação do Mestre Reishin Kawai (SP) e Formação em Aikidô (3° Dan) pela Academia Central de Aikidô de Natal.
Formado Técnico em Acupuntura pela Escola Oriental de Massagem e Acupuntura – EOMA, São Paulo - www.eoma.com.br e Filiado ao SATOSP sob nº 1.587 (SATOSP – Sindicato dos Acupunturistas e Terapeutas Orientais de São Paulo) - www.satosp.com/Sindicalizados.html
Contatos:
(84) 8856 – 6783
(84) 3217 – 9182
E-mail: inicializen@yahoo.com.br
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24 Novembro 2008
Os sistemas de combate desarmado no Japão têm a sua origem debitada a muitos homens, em especial aos samurais, exímios na arte da luta armada e desarmada. Foram eles os responsáveis pela criação de vários sistemas de combate com e sem arma, assim como a criação de diversas armas usadas nos combates, aprimorando o seu uso.
Os clãs japoneses eram os destinatários finais desse desenvolvimento de lutas armadas e desarmadas, pois patrocinavam esse desenvolvimento, ao mesmo que os samurais granjeavam maior projeção social nesse intercâmbio de interesses.
A partir do século XII, os bushis assumiram posição de liderança na sociedade japonesa e esse apogeu só findaria já na segunda metade do século XIX, a partir da Restauração Meiji, em 1868. Mas até lá, o domínio samurai determinou muitos dos valores e costumes da sociedade japonesa, influenciando sobremaneira toda a sua população.
Os valores transmitidos pelos samurais estão presentes hoje nas mais variadas formas de lutas japonesas, armadas e desarmadas. Elas são herdeiras desses valores e suas técnicas são a adaptação de técnicas mais antigas a uma nova realidade e necessidade hoje presentes em sociedades que não se utilizam mais da forma combate samurai usada no campo de batalha. No entanto, na época desses combates travados pelos bushis a habilidade técnica fazia a diferença entre a derrota ou a vitória, entre a vida e morte.
Os samurais possuíam nas formas armadas de lutar o principal meio de combate, e para uma eventualidade de perda de suas armas no campo de batalha, tiveram de desenvolver formas de combate desarmados. Essas maneiras de travar a luta sem armas, inicialmente, possuíam diversos nomes: Ywara, Tai-Jutsu, Kogusoku, Kempo e Hakuda, dentre eles.
A partir do século dezessete, o termo foi unificado sob o nome de Jujutsu, passando a identificar as diversas formas de luta desarmada que antes possuíam diferentes nomes.
Surgiram vários estilos de Jujutsu, denominados Ryu, alguns dos quais existentes até hoje no Japão. A versão da origem dos diversos estilos é variada, em alguns casos. Podemos destacar, entre outros estilos, o Yoshin-Ryu, Takenouchi-Ryu, Tenjin-Shinyo-Ryu, Shin-no-Shindo-Ryu, Kito-Ryu, Totsuka-Ryu, esta última praticada por diversos mestres da Academia de Polícia de Tóquio, na segunda metade do século dezenove.
Com a Restauração Meiji, em 1868, diversas práticas japonesas tradicionais começaram a ser vistas como anacrônicas pelos mais jovens e até por alguns adultos, devido à forte influência ocidental que tomava conta da sociedade japonesa da época. No entanto, ainda assim, diversos mestres e alunos, bem como considerável parcela da sociedade resistiu a esses ventos que varriam o cenário de então, preservando as práticas antigas, bem como as adaptando a uma nova realidade.
Dessa maneira, o Jujutsu que servia ao samurai no campo de batalha, foi se adaptando às necessidades do homem comum que vivia na cidade, bem como começou a perder o seu caráter secreto, pois até então, os conhecimentos eram passados pelo mestre do Dojô ao aluno que herdaria escritos secretos do funcionamento das técnicas, e as diversas academias não intercambiavam seus conhecimentos, mantendo-se isoladas umas das outras, devido à herança ancestral advinda desde quando os samurais tomaram as rédeas do poder no país, a partir do século doze.
Já próximo do final do século XIX e início, começa a despontar a idéia do “Dô”, caminho, fazendo-se um transição do “Jutsu”, técnica, agora se trazendo uma preocupação mais voltada para a formação ética do combatente, em lugar de centrar-se os treinos apenas nas técnicas, não obstante não se pode afirmar que mesmo no período anterior não haver sido transmitidos ensinamentos de cunho moral e ético aos praticantes, contudo, a preocupação maior estava voltada para a técnica em si.
O primeiro a valer-se dessa idéia foi Jigoro Kano, criador do Judô, em 1882, ao transformar diversas técnicas de diversas escolas de Jujutsu em uma nova forma de combate que levou ao conhecimento do ocidente.
Com essa nova preocupação, percebeu-se que as práticas de arte militares propiciariam outros ganhos além do domínio de uma técnica de luta, mas contribuiriam para a formação do caráter do seu praticante, levando-o a prestar uma colaboração mais positiva na sociedade em que vivia. Aí nasce a fase do “Dô”, saindo-se do “Jutsu”.
Usamos o termo “artes militares”, por entender que seja mais apropriado ao que costumeiramente conhecemos como “artes marciais”, posto que marcial é uma palavra ligada à Marte, o deus da guerra da mitologia romana, e o Japão não sofreu essa aculturação do ocidente, não obstante alguns mestres japoneses, em suas obras, usarem o termo “marcial” em referência a esses sistemas de combate, para um melhor entendimento dos ocidentais. E essas formas de combate são, na verdade, de origem militar, guardando, até hoje, traços característicos dessa identidade pela disciplina e hierarquia que promovem em seus ambientes.
É provável que algumas práticas ou praticantes, mesmo no dia de hoje, ainda não tenham se apercebido dessa realidade e, não obstante, estarem realizando uma prática dentro do “Dô”, permaneçam mentalmente ainda no “Jutsu”.
Referências Bibliográficas:
01 – Jigoro Kano e T. Lindsay – 1887 (Relatório da Sociedade Asiática do Japão – Volume 15).
02 – The Father of Judo: a biography of Jigoro Kano – Brian N. Watson – Kodansha International – 2000.
03 – The Canon of Judo – Classic Teaching on Principles and Techiniques – Kyuzo Mifune – Kodansha International – 2004.
04 – Judo Formal Techiniques – A Complete Guide to Kodokan Randori no Kata – Tadao Otaki & Donn. F. Draeger – Charles E. Tutlle Companhy – 1997.
05 – Kodokan Judo – Jigoro Kano – Kodansha International – 1994.
06 – Segredo dos Samurais – As Artes Marciais do Japão Feudal – Oscar Ratti & Adelle Westbrook – Tradução de Cristina Mendes Rodrigues – Madras – 2006.
Colaboração: Marcos José do Nascimento – 1° Kyu (Faixa-Marrom) de Aikidô da Academia Central de Aikidô de Natal
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17 Novembro 2008
“Uma prática que busca auxiliar a união da pessoa com o espírito universal e ajudá-la a compreender a missão divina que é a meta a ser atingida em sua vida.” – Do glossário de Os Princípios do Aikido de Mitsugi Saotome.
Chinkon é definido como… sossegar e acalmar o espírito e Kishin é definido como … Retornar à divindade ou kami, o que se refere a atingir um profundo estado contemplativo em que se está apoiado no universo divino. Chinkon e kishin são geralmente praticados juntos, e a primeira parte, chinkon, envolve a revitalização dos sentidos e a concentração do espírito, e a segunda parte, kishin, envolve um estado meditativo alerta. Já foi dito que chinkon e kishin juntos formam um método de se atingir a unidade com o divino, apesar de cada um ter sua própria função. Alguns dizem que chinkon reúne os espíritos das almas que vagueiam no éter até o tanden (centro abdominal) enquanto kishin ativa estes espíritos.
Chinkon-kishin possui raízes ancestrais que são citadas nos antigos textos Xintoístas como o Kojiki. A prática xamanística da respiração mística e meditação da união dos espíritos divino e humano era muito usada no passado na preparação do misogi em cachoeiras, uma prática ascética de ficar sob uma cachoeira congelante por longos períodos de tempo, em meditação, com o objetivo de limpar a mente, o corpo e o espírito. O’Sensei praticava com freqüência esse tipo de misogi (limpeza espiritual), mas para O’Sensei, o aikidô era sua prática diária de misogi. Por esta razão, o fundador se preparava para o misogi de seu treinamento de aikidô praticando técnicas de chinkon-kishin em seus aquecimentos.
A prática do chinkon-kishin tradicional quase saiu de uso na tradição Xintoísta até que Onisaburo Deguchi reviveu a prática dentro da seita religiosa Omoto Kyo Shinto, no início da década de 1900. Quando O’Sensei conheceu Onisaburo e abraçou a religião Omoto ele também abraçou a prática de chinkon-kishin como era ensinado e praticado por Onisaburo. O’Sensei abraçou a riqueza da cultura e da miologia xintoísta desde sua infância. A Omoto Kyo, como uma forma nova de uma religião antiga e a liderança carismática de Onisaburo tiveram um profundo efeito sobre o caminho espiritual de O’Sensei.
De acordo com Yasuaki Deguchi, neto do líder da Omoto Onisaburo Deguchi, Onisaburo recebeu seu conhecimento de chinkon-kishin por uma revelação que teve ao fazer parte de práticas ascéticas no monte Takakuma. Ele também se referiu a um método de kishin mencionado na seção relativa ao Imperador Chuai no Kojiki (registros sobre assuntos ancestrais) e nos registros da Imperatriz Jinko no Ni-honshoki (Crônicas do Japão). Nos anos posteriores a prática de chinkon-kishin foi abandonada na religião Omoto Kyo devido ao efeito profundo e freqüentemente surpreendente que tinha sobre os praticantes. Mas a prática nunca foi abandonada por O’Sensei e é encontrada misturada aos aquecimentos nos dojô de todos os lugares.
São várias as formas de chinkon-kishin que O’Sensei integrou aos aquecimentos do treinamento do aikidô. Estes exercícios, mesmo que em geral não sejam claramente compreendidos, mesmo pelos uchideshi de O’Sensei, ainda são praticados em muitos dojô de aikidô em todo o mundo. Eles são praticados mais por seus óbvios benefícios ao físico. Eles também são praticados, em parte, por seu significado histórico. Os alunos do fundador que mantiveram a prática diferem de forma significante sobre os detalhes bem como sobre o nível de importância que colocam nessa prática, e a maioria deles admitem não compreendê-la. Um aluno de O’Sensei disse… “Nós a praticamos porque é muito importante… O’Sensei disse que descobriríamos o significado destas técnicas por nós mesmos”.
Furitama: “sacudindo a alma”, “acomodando o ki”, ou “vibração do espírito”
O Furitama é praticado de pé com as pernas afastadas na distância dos ombros. As mãos são colocadas juntas, com a direita sobre a esquerda. Deixa-se um pequeno espaço entre as mãos. As mãos são colocadas na frente do abdômen e sacudidas com vigor para cima e para baixo. Inale até ao topo da cabeça, que estará naturalmente levantada. Então exale até a sola dos pés, enquanto continua a sacudir as mãos para cima e para baixo. O exercício é finalizado em silêncio e em kishin parado e meditativo.
Este exercício de chinkon tem a intenção de reunir o espírito da divindade ao seu centro… acalmando o espírito… vibrando a alma. É uma maneira eficiente de acalmar seus pensamentos, centrar sua mente e focalizar sua intenção.
Outra forma de “vibração do espírito” pode ser vista com a seguinte prática: levantam-se as mãos acima da cabeça, sacudindo-as vigorosamente com os dedos estendidos. Depois elas são jogadas para baixo em direção ao chão. O fundador falava de “sacudir a poeira das juntas” ao se referir a este exercício para soltar os pulsos. Para ele era um movimento vitalizante para sacudir as impurezas do corpo…uma forma de misogi para se preparar para a prática do aikidô.
Torifune: “remar o barco” ou “pássaro remando”
Torifune, também conhecido como kogi-fune ou o exercício de remar envolve movimentos de braços e corpo como o movimento de remar um barco. De acordo com o Kami no Michi, um importante texto sobre o Xintoísmo, as mãos se fecham com os polegares para dentro, e o movimento das mãos é bastante linear. As imagens de O’Sensei o mostram com os punhos fechados na forma tradicional de soco, com os polegares por fora. Em um antigo vídeo ele pode ser visto praticando torifune tanto com movimentos lineares de socos quanto com movimentos ritmados de remadas. Hoje em dia torifune parece ser mais praticado com as mãos abertas, os dedos apontando para baixo com os punhos sendo jogados para frente e puxados de volta para os quadris.
Primeiro se coloca o pé esquerdo para frente. Enquanto joga as mãos ou punhos para frente, você vocaliza o som “eh”. Ao puxar as mãos, você vocaliza “ho”. Esse empurrar/puxar é feito de forma ritmada por 20 vezes, e então você coloca o pé direito à frente. Agora, ao levar as mãos para frente você vocalize “ee”. Ao puxá-las você vocaliza “sa”. Em algumas escolas é feita uma terceira rodada novamente com o pé esquerdo à frente, com o som de “eh” tanto ao levar as mãos para frente como para trás.
Ibuki Kokyu – Respiração Profunda
Ten-no-kokyu: Respiração do céu
A respiração do céu envolve uma inalação profunda, com as mãos juntas na frente do corpo, as mãos são erguidas na postura de ten-no-kokyu (respiração do céu), juntas e acima da cabeça. Então passamos para a respiração da terra…
Chi-no-kokyu: Respiração da terra
A respiração da terra é feita exalando-se lentamente e levando-se as mãos para baixo na postura de chi-no-kokyu (respiração da terra). As mãos são levadas para baixo ao lado do corpo como se estivessem empurrando para baixo o universo, até que as mãos se juntam na frente do abdômen para completar o círculo.
Geralmente o ciclo de ten-no-kokyu e chi-no-kokyu é repetido 3 vezes sucessivas. Quando praticado por si só, em geral há uma pausa silenciosa de kishin no final do ciclo de respirações. Quando é combinado com outros exercícios a transição muda e o kishin pode ser levado para o final das combinações.
Furitama, torifune, e ibuki são freqüentemente praticados juntos em diversas combinações. As vezes furitama é entremeado com ibuki. Outras vezes furitama é entremeado com torifune. Essas práticas variam muito de uma associação de aikidô para outra, e também de dojô para dojô, mesmo dentro das associações.
É interessante se notar que as associações de aikidô que foram muito influenciadas por Koichi Tohei praticam muitos outros exercícios de kihon undo que Tohei adotou e ampliou… considerados capazes de ajudar a manifestar o ki. Quando seus interesses se afastaram das formas antigas de Xintoísmo e sua atenção se focalizou nos princípios do ki, ele pegou alguns exercícios de chinkon-kishin e os modificou para seu catálogo recentemente codificado de exercícios de ki.
Quando comecei a praticar o aikidô, há quase 20 anos atrás, não me lembro de ter visto Mitsugi Saotome Sensei nos direcionando para qualquer tipo de chinkon-kishin. Isso pode ter acontecido porque O’Sensei diminuiu a ênfase da prática em seus últimos anos. Ou porque o O’Sensei deixou que seus alunos, especialmente nos seus últimos anos, ignorassem ou pensassem por si próprios sobre as antigas práticas xintoístas, que pareciam cada vez mais anacrônicas em um Japão moderno. Alguns anos depois percebi que Saotome Sensei apresentou furitama, torifune, e ibuki kokyu a seus alunos, possivelmente ao redescobrir suas próprias raízes do aikidô e em uma demonstração de respeito às tradições mais antigas.
Como as origens e motivações destas técnicas são raramente ensinadas ou discutidas no dojô… os alunos ficam freqüentemente imaginando o que estão fazendo ou como absorver de forma apropriada os movimentos que estão acompanhando. Uma compreensão baseada na fonte e da história destes movimentos misteriosos nos ajuda a criar uma base a partir da qual vamos enriquecer e desenvolver nossa prática pessoal. Que sua prática seja bem fundamentada e proveitosa.
Tradução: Jaqueline Sá Freire (Brazil Aikikai – Hikari Dojo – Rio de Janeiro)
Colaboração: http://hikari1.multiply.com/
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13 Novembro 2008
Centralização, relaxamento alinhamento e conexão são os elementos básicos para a obtenção da força necessária para executar uma técnica de Aikidô. É a combinação desses quatro elementos que determinará o resultado da aplicação de uma determinada projeção, ou imobilização ao se neutralizar um ataque.
A centralização inclui o equilíbrio de todo o corpo para se manter em pé no solo, o que irá permitir a “transferência” da força do ataque para o corpo do defensor, além de facilitar a movimentação e uma ação reflexiva ao invés de reativa.
O relaxamento vai além de o fato de ser o oposto de ficar com o corpo rijo. É o que irá propiciar o uso da centralização de todo o corpo para, primeiro, receber a força do atacante, redirecioná-la para o solo e devolver a nossa própria força integralmente para a técnica. O alinhamento cria um caminho no interior do corpo desde as mãos e a cabeça que, através dos pés, dissipa a força do ataque para o solo, de onde tiramos a nossa para usá-la na defesa.
A conexão nos liga ao centro o atacante. Ela cria uma linha de força que nos dá a possibilidade de sentir a intenção dele, desequilibrá-lo e o controlar. Esses elementos são ao mesmo tempo, plenos de individualidade e parte do todo. Não dá para separá-los, eles devem estar todos presentes ao se neutralizar um ataque.
Uma característica bastante importante do Aikidô é a utilização do corpo em sua totalidade, ao invés de apenas parte dele, na execução de uma tarefa. A movimentação é em bloco. Mente, corpo e espírito são uma unidade em deslocamento.
Bem, uma vez aceitas as condições acima como verdadeiras, poderíamos concluir que uma pessoa que não tenha um corpo íntegro, a quem falte um dos braços não poderia fazer Aikidô, pelo fato de lhe faltar a simetria necessária à execução das técnicas, certo? …. Errado! Eu tive a grata satisfação de verificar isto há cerca de quarenta dias, quando foi promovido um evento em comemoração aos 100 anos da imigração japonesa na Top Defense onde trabalho como instrutor de Aikidô. Foi uma tarde com apresentações de artes marciais oriundas do Japão e outros aspectos da cultura nipônica e, num segundo momento, foram feitas “oficinas” nas quais os visitantes poderiam experimentar as atividades por cerca de 20 minutos. A receptividade foi grande e dentre os que se apresentaram para a minha aula, havia um amputado (um de seus braços havia sido cortado na articulação do ombro). Além disso, ele já não era tão jovem o que não facilita muito as coisas. Eu pensei: Como vou fazer para passar para ele um ikyo se ele precisa dos dois braços? Aí vem problema… mas, … vamos ver no que vai dar!?
Comecei com um aquecimento, passei aos tai sabaki, os ukemis e chegamos ao ikyo (É agora!?). Mostrei a movimentação, pedi que tentassem executar e fiquei olhando para ver como ele resolveria o problema e…. tive, naquele momento, uma lição de Aikidô que ainda não tivera nos meus 13 anos de prática. Fiquei impressionado com a capacidade de adaptação demonstrada por aquela pessoa, como ele fazia “aiki”, como usava o centro e como supria a aparente deficiência pela fala do braço com a utilização de todo o corpo.
Olhando em volta, eu pude constatar, nenhum outro conseguiu realizar os movimentos com tamanha desenvoltura e força. Vou descreve o que vi: O uke segurou o seu pulso e ele deu um passo à frente, levando o braço do atacante em direção ao ombro oposto, fazendo-o perder o equilíbrio e em seguida entrou com o tronco, fazendo uma alavanca contra o tronco do uke enquanto mantinha o braço estendido e o levou para o chão. Aí eu dei uma ajudinha sugerindo que usasse o joelho para manter o ombro colado no solo impedindo uma fuga.
Nesse momento acabou-se o tempo da oficina e tive que encerrar a atividade. Saí dali muito impressionado. Eu jamais havia pensado na possibilidade de um amputado vir a fazer Aikidô, não por preconceito, mas por nunca ter visto alguém nessa condição num tatame. Aparentemente, não seria possível pela falta de alinhamento corporal, a contração da musculatura necessária à compensação e adaptação pela falta do membro o que cria um certo desequilíbrio e portanto, deveria prejudicar a centralização.
Seria assim se esses elementos pudessem ser separados, mas eles agem em conjunto, são inseparáveis fruto da integração corpo, mente, espírito que está presente mesmo quando se perde parte do corpo.
Colaboração: http://hikari1.multiply.com/
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11 Novembro 2008
Katame (Controle)
Muitos mestres de várias disciplinas já falaram sobre a unidade ou sobre estar parado ou em movimento como sendo a parte central de suas artes. O mesmo acontece com os movimentos do Aikidô. Mesmo com a ênfase no movimento livre e fluido, bem como circular, o Fundador Morihei também ensinou que eram necessárias as técnicas de imobilização controlada.
Nas técnicas do Aikidô, as juntas nunca são dobradas em uma direção antinatural, as técnicas de imobilização devem ser vistas como uma forma aplicada de momento “parado” dentro do movimento.
As técnicas de imobilização, entretanto, não são estáticas, elas também devem manifestar a compreensão básica da conexão entre mente e energia. Assim, quando surge um ataque, ele deve ser neutralizado com fluidez natural, e então as juntas do oponente podem ser controladas. Descobrir como controlar a você mesmo e a seu parceiro através de técnicas de imobilização é um método superior de treinamento.
Sabaki (Movimento)
Nas técnicas de Aikidô, movimento de avanço e movimento do corpo são como duas rodas de um veículo. Estes dois elementos se manifestam em todas as técnicas de Aikidô. O principio de “entrar” (avançar) é derivado de técnicas letais de antigas artes marciais, o principio do movimento do corpo é baseado nos padrões universais, e a união de ki-mente-corpo. Ambos os princípios precisam funcionar como um só.
Expressado de forma física, os movimentos do corpo no Aikidô são circulares e esféricos. Estes movimentos são fundamentais para o Aikidô. Um oponente pode ser puxado para dentro da esfera de outra pessoa com uma entrada certa e precisa; como um pião, mantenha-se estável no centro, e ponha em prática uma técnica eficiente. Para as técnicas do Aikidô, é essencial manter movimentos ilimitados e circulares.
Irimi (Entrada)
Quando um atacante se atira contra você, no Aikidô nós instantaneamente deslizamos para o lado, avançamos sobre o ângulo cego do oponente (o lugar em que o oponente não pode contra-atacar), e evitamos o golpe. Este tipo de entrada decisiva, o instante em que (no passado) existe a questão de vida ou morte, é o coração das técnicas do Aikidô. O principio da entrada deve ser aprendido para a execução das técnicas Aikidô com precisão. O Fundador Morihei ensinou assim:
Assim que
O inimigo a minha frente
Ataca com sua espada,
Eu já estou
Às suas costas
Quando o inimigo
Corre para atacar
Avance um passo
Para o lado,
E corte profundamente!
Estes poemas revelam a forma firme e inquestionável da natureza do irimi, avançar para controlar um oponente.
Tradução: Jaqueline Sá Freire (Brazil Aikikai – Hikari Dojo – Rio de Janeiro)
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5 Novembro 2008
O iniciante em qualquer área é um curioso por natureza. No Aikidô não poderia ser diferente. Abaixo segue alguns questionamentos e diretrizes para facilitar a vida dos iniciantes no Aikidô, mas que se encaixam, em sua maioria, para iniciantes, ou não, em outras áreas de convivência. Quando cada um tem a consciência do espaço que lhe cabe e se porta de forma digna, a convivência é facilitada.
Propósitos do Aikidô
O objetivo do Aikidô é contribuir para fazer uma sociedade melhor através do treinamento do corpo e do espírito. “Todo mundo possui um espírito que pode se aperfeiçoar, um corpo que pode ser treinado e um caminho a seguir”. - Morihei Ueshiba – Fundador do Aikidô.
Diferencial do Aikidô
Um caminho marcial japonês com a intenção de obter uma excelente saúde através do treinamento do corpo e do espírito. A partir de 4 anos de idade, todas as pessoas podem treinar.
Aula Experimental
As pessoas interessadas estão convidadas a ir a qualquer Dojô (academia) para fazer aulas experimentais, sem compromisso e sem custo, para ter uma idéia mais clara do que é o Aikidô.
Inscrição no Dojô
Para aqueles que se identificam com a arte, depois das aulas experimentais, é só dirigir-se à secretaria do Dojô para fazer sua inscrição.
Avaliações
Cada Dojô tem sua forma e datas de avaliação, mas todas estão subordinadas à Academia Central de Aikidô em São Paulo – Federação Sul Americana de Aikidô – www.aikidokawai.com.br -. Caso esteja na época de fazer a avaliação, o Sensei comunicará ao aluno e este deverá dirigir-se à secretaria do Dojô, preencher a ficha de inscrição e pagar a taxa a ela referente.
Etiqueta e Costumes do Dojô (Local de Treinamento)
1. Ao entrar na área de treinamento do Dojô, ou sair, faça uma reverência em pé.
2. Ao pisar no tatame, ou sair dele, faça sempre uma reverência em direção ao shomen e ao retrato do Fundador.
3. Respeite o seu material de treinamento. O dogui (kimono) deve estar sempre limpo e em ordem. As armas devem estar em boa condição e no lugar apropriado quando fora de uso.
4. Nunca use o dogui ou as armas de outra pessoa.
5. Poucos minutos antes do início da prática, esteja aquecido, sentado formalmente segundo a hierarquia, e em meditação silenciosa. Esses minutos são para você esvaziar a mente dos problemas do dia e preparar-se para o estudo.
6. A aula começa e termina com uma cerimônia formal. É importante que você não se atrase e participe dessa cerimônia, mas, se houver motivo de força maior que retarde sua entrada, deverá esperar sentado formalmente ao lado do tatame, até que o Sensei lhe dê permissão para juntar-se à turma. Faça uma reverência prostrada ao chegar ao tatame. Evite com isso perturbar a aula.
7. O modo correto de sentar-se no tatame é em seiza (posição formal sentada). Se tiver alguma lesão no joelho, poderá sentar-se de pernas cruzadas, mas nunca estiradas, nem com as costas apoiadas na parede. Deve ficar alerta o tempo todo.
8. Não abandone o tatame durante a prática, exceto em caso de machucadura ou doença.
9. Durante a aula, quando o Sensei demonstrar uma técnica a ser executada, fique sentado em seiza, silencioso e atento. Após a demonstração, curve-se diante do Sensei e de um parceiro, e inicie a prática.
10. Quando o fim de uma técnica for determinado, pare imediatamente. Faça uma reverência ao parceiro e junte-se depressa aos outros estudantes.
11. Não perambule pelo tatame: você deverá estar praticando ou, se necessário, sentado formalmente à espera da sua vez.
12. Se, por alguma razão, for absolutamente preciso fazer alguma pergunta ao Sensei, vá até ele (nunca o chame), curve-se respeitosamente e espere o seu assentimento (a reverência em pé é apropriada).
13. Quando estiver recebendo instruções pessoais durante a aula, sente-se em seiza e observe atentamente. Faça uma reverência ao Sensei quando terminar. Se o Sensei estiver instruindo outro aluno, você pode suspender a prática a fim de observar. Sente-se formalmente e faça uma reverência quando ele terminar.
14. Respeite os mais experientes. Nunca discuta a respeito da técnica.
15. Você está aqui para praticar. Não impinja as suas idéias aos outros.
16. Se você conhecer o movimento que está sendo estudado e o seu parceiro não, conduza-o. Mas nunca tente corrigi-lo ou instruí-lo se não for sênior do nível yudansha (faixa preta).
17. No tatame, fale o mínimo possível. O Aikidô é experiência.
18. Não ande pelo tatame nem antes nem depois da aula. O espaço é para estudantes que querem treinar. Há outras áreas do Dojô para o convívio social.
19. O tatame deve ser varrido todos os dias, antes e depois da prática. É responsabilidade de todos manter o Dojô sempre limpo.
20. Nada de comida, bebida, cigarro ou goma de mascar no tatame ou fora dele, durante a prática.
21. Não se usa qualquer jóia, pulseira, relógio, etc., durante a prática.
22. Jamais beba bebidas alcoólicas enquanto estiver com o seu dogui.
23. Se estiver inseguro quanto ao que fazer em determinada situação, consulte um aluno avançado ou simplesmente siga os passos de seu sênior.
Colaboração: www.aikidokawai.com.br
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23 Outubro 2008
Trecho do Livro – Aikido Weapon Techiniques.
A mística do uso de armas japonesas aparece no Kojiki, ou histórias lendárias do Japão antigo. O guerreiro feudal japonês era chamado de bushi, porém mais tarde se tornou comumente conhecido como samurai (significando “para servir”), o Período Muromachi (1392-1573). A profissão do bushi era o Bugei, ou artes marciais. Bugei, sistemas de artes marciais combativas efetivas, eram conhecidas pelo sufixo jutsu. Elas se desenvolveram sistematicamente por volta do século X, através da disciplina do treino tradicional vigoroso, para o único propósito da proteção do grupo. As artes marciais incluíam a arte de luta armada e desarmada, como também artes de camuflagem e ilusão, amarração, caminhada rápida e corrida, salto, escalada, esquiva, natação, fortificação, posicionamento estratégico, artilharia e tiro. Dentre dessas artes marciais de armas ou armadas estavam o Kyu-jutsu (arco e flecha), So-jutsu (lança), Gekikan-jutsu (esfera e corrente), Shuriken-jutsu (lançamento de lâmina), Jutte-jutsu (cassetete de metal), Tessen-jutsu (leque de ferro), Tetsubo-jutsu (bastão de ferro), Sodegarami-jutsu (trave pontuda), Sasumata-jutsu (forcado) e Juken-jutsu (baioneta). As armas mais comuns eram o Ken-Jutsu (esgrima ofensiva), Iai-jutsu (esgrima defensiva), Bo-jutsu (bastão longo de madeira) e Jo-jutsu (bastão curto de madeira) (Draeger e Smith, 1969, p. 83).
O código de ética moral do bushi, padrões morais, filosofia e consciência nacional, era o Bushidô, “o caminho do guerreiro”. Muitos reconhecem três estágios do Bushidô, Bushidô Marcial do século XI, Bushidô reformado, do século XVIII, e o moderno Bushidô do Século XIX (Random, 1977, p. 36-37). A essência do Bushidô repousa na justiça, coragem, benevolência, cortesia, honestidade, honra e lealdade (Draeger e Smith, 1969, p. 88-89). A função do samurai está presa ao conceito central do giri, ou responsabilidade. Para estar a serviço de seu senhor, o samurai seguia a responsabilidade e a obrigação de seu status, treinando para ser o melhor guerreiro, soldado, guarda-costas e protetor, possível. Os onze volumes do Hagakure, completados em 1716, são um clássico do Bushidô. A presença e aceitação da morte eram o tema central. Embora idealizada e romantizada, a vida do samurai era de auto-sacrifício, solidão, perigo, e, inevitavelmente, morte (com honra, era esperado).
O estilo de vida de um bushi era de um guerreiro em meio a guerras e luta. Mais tarde, o estilo de vida do samurai transformou-se passando a servir de outras maneiras, também. Ambos: períodos e modos de vida seguiam as linhas de direção do Bushidô e tornaram-se conhecidos como Budô. As artes do Dô desenvolveram-se dos sistemas do Jutsu, começando no século XVIII. Elas foram relacionadas com “objetivos mais elevados”, disciplina espiritual e ambos: auto-perfeição mental e física (Draeger e Smith, 1969, p. 90-91). As artes do Jutsu são sistemas de aplicação efetivos da prática eficiente de luta e combate. As artes do Dô são orientadas na direção do desenvolvimento pessoal e espiritual, através do treino físico. Aiki-jujitsu desenvolveu-se dentro do Ken-jutsu e Iai-jutsu desenvolveu-se dentro do Iai-dô, Kendô e Aiki-ken. Jojutsu desenvolveu-se dentro do Aiki-jô. Aikidô é uma arte moderna no verdadeiro sentido do Budô tradicional.
Pode ser afirmado que o Buki-waza do Aikidô, ou técnicas de armas, originam-se das técnicas de “mão vazia”, e que as técnicas de mão vazia originam-se das armas. As duas, contudo freqüentemente pensadas como muito diferentes, são muito interrelacionadas e interdependentes uma da outra. Nenhum sistema de mão-vazia é completo sem o treino de armas, e nenhum sistema de armas é completo sem conhecer como lutar com mãos vazias.
Sensei Phong Thong Dang
Sensei Phong Thong Dang detém um ryokuba (sexto grau de faixa preta) em Aikidô, um sexto Dan em Tae-Kwon-Do, um quinto Dan em Judô, e um oitavo Dan no Kung Fu Shaolin do Vietnam.
Tradução: Marcos José do Nascimento.
Colaboração: Marcos José do Nascimento – 1° Kyu (Faixa-Marrom) de Aikidô da Academia Central de Aikidô de Natal
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21 Outubro 2008
A importância de uma sólida compreensão das técnicas básicas não pode ser deixada de lado. Muitas escolas de Aikidô ensinam principalmente Ki no Nagare, ou seja, técnicas com fluidez de Ki. Neste tipo de treinamento, as técnicas são executadas a partir de um movimento inicial dispensando totalmente a prática básica onde você permite ser agarrado firmemente. Este tipo de prática pré-arranjada é bem sucedida somente quando ambos os parceiros cooperam completamente. Problemas ocorrem, no entanto, quando estudantes acostumados somente com este tipo de treinamento são confrontados com um oponente forte e não cooperativo. Treinando-se somente Ki no Nagare fica-se totalmente despreparado para a força e ferocidade de um ataque real. Os ataques fracos e não diretos realizados neste tipo de treinamento são comuns no moderno Aikidô, no entanto este modo de treinamento é totalmente contrário aos princípios marciais ensinados pelo fundador.
Aqueles que praticam as técnicas básicas, opostamente àqueles que treinam exclusivamente as técnicas em Ki no Nagare, aprendem como lidar progressivamente com ataques fortes. A fim de realizar isto, você deve estar certo de que quando estiver agarrando seu parceiro de treinamento, esteja fazendo-o firmemente e com uma real intenção. Se seu parceiro é incapaz de mover-se, então diminua a força de seu ataque até que ele ou ela seja capaz de executar uma técnica apropriada. Sempre regule a intensidade de seu ataque ao nível de seu parceiro.
No treinamento básico, todas as técnicas começam a partir de um Hanmi, ou postura preparatória. O Hanmi no Aikidô é uma postura triangular com o pé da frente voltado para frente e o pé de trás perpendicular ao frontal e voltado para o lado. A capacidade de mudar de posição rapidamente mantendo-se estável e girando os quadris completamente, depende de um apropriado Hanmi. As duas posições mais comuns são: Gyaku Hanmi (posição invertida) e Ai Hanmi (posição igual). Em Gyaku Hanmi você e seu parceiro têm os pés opostos a frente, enquanto que em Ai Hanmi ambos têm o mesmo pé a frente. Esta distinção é muito importante e, na maioria das vezes, o sucesso na execução das técnicas do Aikidô dependerá de iniciá-las no Hanmi apropriado.
Uma deficiência comum no treinamento de hoje é a falta da prática dos Atemi, ou ataques em pontos vitais. Os Atemi são usados para enfraquecer ou neutralizar um ataque do oponente para criar-se assim uma situação favorável na qual se pode executar uma técnica. Em muitas situações é virtualmente impossível desequilibrar um oponente forte, suficientemente para aplicar uma técnica sem recorrer-se ao Atemi. Aqueles que afirmam que o uso de tais ataques (executados com o intuito de tirar atenção do oponente do objetivo principal da técnica) é muito violento ou “não é Aikidô” ignoram os conceitos do Aikidô ensinados pelo fundador que dava grande ênfase sobre a necessidade de tais movimentos durante o treinamento. Os Atemi são uma parte essencial das técnicas básicas e também avançadas, e não devem ser omitidos de sua prática.
O fundador sempre iniciava as sessões práticas com os exercícios de Tai no Henko e Morote Tori Kokyo Ho. Ele terminava cada prática com o treinamento de Suwari Waza Kokyu Ho. Os exercícios de Tai no Henko constituem a base dos movimentos Ura, ou movimentos girando, e os dois Kokyu Ho, ou métodos de respirar, ensinam como respirar corretamente, a coordenação apropriada do corpo e como estender o Ki intensamente.
No treinamento do Aikidô nós abrimos nossos dedos para estender o Ki através dos braços. Abrir os dedos é uma forma de aprender as técnicas básicas, um treinamento que permitirá a você executá-las sem usar qualquer força. Abrindo os dedos quando seu pulso é subitamente agarrado torna-o mais grosso, e dá a você uma vantagem. Para aqueles aprendendo defesa pessoal é dito para abrirem seus dedos quando agarrados porque o braço torna-se difícil de segurar.
O Ki é algo adquirido naturalmente através da correta prática dos fundamentos básicos. Se você se preocupar de mais com o Ki, você será incapaz de mover-se. O Ki se manifestará por si mesmo naturalmente se você estiver treinando corretamente. Uma vez que você tenha desenvolvido o Ki, este fluirá livremente através de suas mãos mesmo quando seus dedos estiverem relaxados.
O fundador considerava as técnicas de Ikkyo até Sankyo como sendo movimentos preparatórios ao Aikidô. No Ikkyo você treina seu corpo; no Nikyo você “dobra” seu pulso para dentro estimulando e fortalecendo as juntas; no Sankyo você move seu pulso para fora na direção oposta. Através da prática destas técnicas, você desenvolve um corpo capaz de derrotar um inimigo com um único golpe. Estas técnicas básicas são sua preparação, e o treinamento nas técnicas do Aikidô começa através delas.
Outra parte essencial do treinamento dos fundamentos do Aikidô é o domínio da entrada e dos movimentos de giro. Se você decide avançar, você deve avançar totalmente. Se você decide girar para trás deve fazê-lo completamente. É difícil avançar depois de desviar um golpe, a menos que você possua uma vantagem em força. Portanto, gire sempre que necessário, como quando estiver em uma situação onde você seja incapaz de bloquear. A prática de técnicas girando é também necessária para se aprender como mover-se livremente.
Recentemente, o Termo “Takemussu Aiki” tem sido usado bastante livremente, porém parece que poucas pessoas compreendem seu significado. Takemussu Aiki refere-se a um estado onde técnicas nascem infinitamente como resultado do estudo dos princípios do Aikidô. No treinamento do Aikidô – que inclui técnicas de mãos vazias, Aiki Ken e Jô – é importante fazer claras distinções. Estas incluem as distinções entre Ikkyo e Nikyo, Omote e Ura, técnicas básicas e Ki no Nagare, e técnicas aplicadas (Oyowaza). Em uma recente viagem à Itália, experimentei executar tantas técnicas quanto podia. Concentrando-me apenas sobre as técnicas básicas, Ki no Nagare, variações e técnicas aplicadas, acabei por realizar mais de 4 centenas de técnicas, e estou certo de que o número teria subido para mais de 6 centenas caso tivesse incluído técnicas partindo da posição sentada, Hanmi Handachi (Atacante em pé, defensor sentado), e técnicas de contra-ataque.
Não importa quão esplendidamente as pessoas escrevam sobre Takemussu Aikidô, eles devem ser capazes de executar estas maravilhosas técnicas por si mesmas, se eles estão sendo considerados como professores. Se vocês continuam a praticar assiduamente de acordo com o método tradicional, alcançarão o estágio onde serão capazes de executar um número infinito de técnicas desde as básicas até as mais avançadas.
Tradução: Rubens Caruso Jr.
Colaboração: www.aikidonovaera.com.br
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17 Outubro 2008
O texto que segue retrata um treino de Aikidô voltado para crianças. O Tensei Dojo fica no Rio Grande do Sul, mas a experiência que lá se observa se repete em qualquer canto do país em que algum faixa-preta se atreva a dar treino de Aikidô para crianças. A dificuldade é tamanha. Indisciplina inicial, inquietude, agressividade, dentre outras péssimas atitudes é lugar comum no início dos trabalhos, mas o resultado é de gratificação imensurável. Após poucos encontros a forma de se portar das crianças já muda, a atenção e a curiosidade se instalam e logo se observa a evolução pessoal de cada uma. No Rio Grande do Norte não é diferente, o Projeto Aikidô – já tratado neste blog e que funciona na Escola Municipal São Francisco de Assis, em Natal/RN – é testemunha desta mesma situação que foi apresentada no Rio Grande do Sul. No início a inquietude, com o passar do tempo a descoberta do novo e a evolução. Pois é… criança é criança e Aikidô é Aikidô.
Segue o texto:
A primeira coisa que se pede de uma criança que está chegando ao Dojô, é que ela tire os sapatos e os troque por chinelos. Entrando no tatame, ela é instruída a colocar os chinelos ao lado do tatame, apontando para o lado de fora.
O hábito de tirar os sapatos ao chegar vem do Japão, e tem significados muito mais profundos do que a higiene simplesmente. Entre outros pontos, diferencia o exterior do interior, e não se traz para o interior as coisas negativas do exterior. Um ditado Zen diz que se você não consegue, ao menos, alinhar seus sapatos, será muito difícil encontrar a harmonia no mundo em torno de você.
Antes dos treinos, um tempo livre é deixado às crianças no tatame. E o que se vê são crianças brincando. Correm muito, se agarram, os menores provocando os maiores, eventualmente jogam futebol, brincam de lutinhas, discutem, um ou outro fica emburrado, chorando num canto.
Às palavras “Vamos alinhar”, do instrutor, muitas coisas se seguem. Várias crianças estão completamente suadas, dogis abertos, calças caindo e faixas por amarrar. Um tempo é dedicado então, pelo instrutor a ajudar a alinhá-las. Quando isso está pronto, uma criança pede para tomar água. Outra pede para ir ao banheiro. Não se permite a saída durante o treino para ir ao banheiro ou tomar água, elas sabem que a hora é agora. Mais um tempo é concedido para essas necessidades.
Agora estão todos alinhados, prontos para o cumprimento ao Fundador, um dos menores está virado de costas, por alguma estranha razão ele insiste em cumprimentar para o outro lado. Dois dos maiores começam a discutir um assunto qualquer, que parece muito importante. O aluno mais antigo chama os outros, manda-os ficarem quietos. O instrutor chama todos: vamos cumprimentar, seiza!
Finalmente, o cumprimento é feito para o fundador e entre crianças e instrutor.
O instrutor começa o alongamento, as reclamações de dores começam, todos conseguem ir acompanhando, o instrutor vai constantemente chamando a atenção de um e outro. Treino de giros e deslocamentos, os mais experientes conseguem acompanhar, um garoto menor chora, diz que não consegue fazer. Um aluno mais antigo se coloca ao lado dele, e tenta ensiná-lo. O menino pára de chorar. Treinar rolamentos, o grande momento: é sempre um desafio conseguir rolar mais alto, sem se machucar. Os menores querem imitar os maiores, o instrutor os acalma, os maiores rolam com energia, sem medo, e pedem constantemente ao instrutor: Sensei, sensei, está certo assim?
O instrutor mostra um movimento de Aikidô e pede que todos chamem um parceiro para treinar. As duplas se formam, crianças habituadas a treinar umas com as outras chamam sempre os mesmos parceiros. Um garoto sobra, senta num canto, diz que não quer treinar. Um dos maiores percebe e vai chamá-lo, depois de alguma conversa, estão treinando juntos. Crianças que estão vindo pela primeira vez ficam tímidas, e os mais antigos vão chamá-las para treinar e tentam, com muito afinco, explicar os movimentos e ajudá-las. Eventualmente, elas se cansam e pedem para fazer outra coisa, porque isso está chato.
Um novo movimento é mostrado, e o instrutor pede que se troque de parceiros, treinar com alguém que nunca treina. Novas tentativas, outro garoto sobra. O instrutor o ajuda a encontrar uma dupla. Procurando interferir o mínimo possível no inter-relacionamento das crianças, o instrutor espera ser realmente necessária sua intervenção.
Eventualmente, o instrutor inicia treino com bastões (Jô). Todos gostam, fazem movimentos imitando lutas vistas em filmes. O instrutor pede que todos se afastem uns dos outros, para não se machucarem. Os movimentos mostrados são facilmente assimilados por algumas crianças, enquanto outras têm muita dificuldade, mas continuam tentando, estimulados pelo que os colegas estão fazendo. Aos poucos, o treino vai silenciando, todos muito concentrados descobrindo os movimentos com o bastão. Depois de algum tempo, um dos menores cansa, senta e diz que dói o braço.
O instrutor pede que todos guardem o bastão, e sugere um jogo. Entusiasmadas, as crianças se dividem em grupos, fazem as regras, e solicitam ao instrutor que seja o juiz.
Hora de terminar, o instrutor diz “Alinhar”, alguns reclamam, querem mais brincadeiras, sentam, conversam, um mais apressado sai correndo para pegar os chinelos. O instrutor chama a todos, pede silêncio, de novo o garoto menor se vira para o outro lado para cumprimentar, o instrutor o chama de volta. Finalmente, todos quietos e alinhados, cumprimentos ao Fundador e entre o instrutor e as crianças. Alguns correm para o banheiro, outros para tomar água, outro vê seu pai chegando para buscá-lo e reclama que é muito cedo, alguns querem brincar mais no tatame. Outro sai correndo, coloca os sapatos, e quando chega à porta, lembra de algo, volta correndo, abana e diz “tchau, Sensei.”
Esse é um retrato de um treino infantil de Aikidô no Tensei Dojô. Sutilmente, noções de cooperação são reforçadas, a boa convivência é estimulada, e crianças aprendem Aikidô brincando, sem perceber. Não havendo competição no Aikidô, as crianças se sentem livres para serem o que são e para ajudar umas às outras. Naturalmente solidárias, as crianças encontram um ambiente onde podem exercer essa qualidade livremente.
Artes marciais inteligentes deveriam fazer parte do currículo de toda escola. As noções de disciplina, respeito, concentração ajudariam muito a recuperar valores que estão se perdendo, cada vez mais rápido, na educação das crianças. Professores não conseguem manter a atenção dos alunos, está cada vez mais difícil ensinar, pois ninguém mais tem coragem de disciplinar, sob risco de perder o emprego de professor.
A capacidade de:
- agüentar frustrações;
- continuar treinando, um dia treino bom, noutro dia treino ruim;
- resolver os problemas com seu colega durante o treino, sem esperar pela ajuda do professor, dos pais;
- aprender a se controlar, física e emocionalmente;
- superar a sede, o calor, a vontade de ir ao banheiro;
- respirar, concentrar-se e executar os movimentos;
Estes são alguns pontos do aprendizado das artes marciais inteligentes. Alguém pode negar que isso ajudaria a formar profissionais melhores qualificados, pessoas mais felizes emocionalmente, capazes de interagir com o mundo de maneira positiva?
Colaboração: www.aikidoserragaucha.com.br
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9 Outubro 2008
Das poucas artes marciais que pratiquei em minha vida, a que mais me seduziu foi o Aikidô. Criado pelo japonês Morihei Ueshiba (1883-1969), a palavra quer dizer “A arte (ou o caminho) da paz. ” (*) Lembro-me de passar noites a fio com meus companheiros, aprendendo a lutar de tal maneira que toda a energia negativa do adversário fosse dirigida contra ele mesmo. Ueshiba, que é conhecido pelos praticantes de Aikidô como “O Grande Mestre”, deixou uma série de práticas filosóficas suas conferencias, poesias, e conversas com discípulos; a seguir, alguns de seus principais ensinamentos.
Onde começa a arte da paz
A arte da paz começa em você; trabalhe para conseguir com que ela permaneça ao seu lado. Todo mundo possui um espírito que pode se aperfeiçoar, um corpo que pode ser treinado, e um caminho a seguir.
Você está aqui para cumprir com estas três metas, e para isso são necessárias duas coisas: manter a tranqüilidade, e praticar a Arte em cada coisa que fizer. Nenhum de nós precisa de dinheiro, poder ou status para praticar a Arte; neste exato momento você está com os seus pés no Paraíso, e deve treinar agora.
O universo e o homem
Tudo no universo vem da mesma fonte. Esta fonte, que chamamos de vida, contem o nosso passado, o presente, e o futuro. Na medida que o homem caminha adiante, ele pode desintegrar ou harmonizar a energia vital. O mal nasce no momento em que passamos a acreditar que é apenas nosso aquilo que pertence a todos; isso provoca soberba, desejos inúteis, e raiva. Mas aquele que não é possuído pelas coisas, termina sendo dono de tudo.
O homem e a as oito forças
Para praticar a Arte da Paz, é preciso, em algum momento, mergulhar alternadamente nas oito forças opostas que sustentam o Universo:
- Movimento e inércia
- Solidez e adaptação,
- Contração e distensão,
- Unificação e divisão.
Isso está presente em tudo, da vastidão do espaço à menor das plantas; cada coisa traz em si uma reserva gigantesca da energia universal, que pode ser usada para o bem de todos.
O crescimento constante
A vida é desenvolvimento. Para atingir isso, suba as montanhas altas e desça até os vales profundos de sua alma. Inspire e sinta que está sugando para dentro de si tudo o que existe nos céus e na Terra. Expire e sinta que o ar que sai do seu corpo carrega a semente da fecundidade, e irá fazer a humanidade ser mais verdadeira, melhor, e mais bela.
A respiração infinita
Tudo que existe acima e abaixo, também existe dentro de você. E tudo respira; quando você perceber isso, irá também compreender a Arte da Paz. Aqueles que a praticam, sabem que são guerreiros protetores da Mãe Natureza, e em cada respiração estão colocando dentro de si o sol e a lua, o paraíso e o mundo, a maré alta e a maré baixa, a primavera e o inverno, o verão e o outono.
Todo o aprendizado do homem pode ser resumido na maneira como respira conscientemente. Cada vez que faz isso, compartilha da energia poderosa que sustenta a Criação.
A atenção consciente
Faça com que cada dia seja realmente novo, vestindo-se com as bênçãos do Paraíso, banhando-se em sabedoria e amor, e colocando-se sob a proteção da Mãe Natureza. Aprenda dos sábios, dos livros sagrados, mas não esqueça que cada montanha, rio, planta, ou árvore, também tem algo para lhe ensinar.
(*) Aikidô em tradução livre é “o caminho da harmonização das energias”.
Colaboração: www.aikidonovaera.com.br
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25 Setembro 2008
Em entrevista dada pelo médico Dráuzio Varella, disse ele que a gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada.
E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente…
“É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping). Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia. Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor, e de outras, pior.
Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes. Será que nada dá errado pra eles? Dá aos montes. Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença.
O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote. Que “audácia” contrariá-los! São aqueles que nunca ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato.
Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente. O mundo versus eles.
Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também. É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel. E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho. Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato.
Eu ando deixando de graça… Pra ser sincero, vinte e quatro horas têm sido pouco prá tudo o que eu tenho que fazer, então não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.
Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem; pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a “porta do lado” e vou tratar do que é importante de fato. Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão por que parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado”.
Quando os desacertos da vida ameaçarem o seu bom humor, não estrague o seu dia… Use a porta do lado e mantenha a sua harmonia. Lembre-se, o humor é contagiante – para o bem e para o mal – portanto, sorria, e contagie todos ao seu redor com a sua alegria. A “Porta do lado” pode ser uma boa entrada ou uma boa saída… Experimente!
Colaboração: http://textos_legais.sites.uol.com.br
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19 Setembro 2008
Mais um texto com uma bela lição. Recebido por e-mail e encontrado no link abaixo.
O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos. Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio… você começará a perder noção do tempo. Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sangüínea. Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol. Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar: nosso cérebro é extremamente otimizado. Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.
Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia. Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade. Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e, portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo. É quando você se sente mais vivo. Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e “apagando” as experiências duplicadas.
Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente. Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo. Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo. Como acontece? Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa, no lugar de repetir realmente a experiência). Em outras palavras, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa…São apagados de sua noção de passagem do tempo…
Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida. Conforme envelhecemos, as coisas começam a se repetir: as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações… enfim… as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo. Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.
Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a … R O T I N A…. Não me entenda mal. A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque).
- MUDE, fazendo algo diferente e
- MARQUE, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos.
MUDE de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e MARQUE com fotos, cartões postais e cartas. Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais. Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo. Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente. Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes. Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes. Seja diferente. Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos… em outras palavras… V-I-V-A. Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo. E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o… do que a maioria dos livros da vida que existem por aí. Cerque-se de amigos. Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.
Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?
Colaboração: http://intensidade.wordpress.com
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15 Setembro 2008
Atitude imprescindível nos dias atuais.
Os cintos de segurança são o meio mais eficaz que se dispõem para reduzir o risco de ferimentos graves e mortes em acidentes de automóvel. Para sua própria proteção e dos demais ocupantes do veículo utilize sempre os cintos de segurança quando o veículo estiver em movimento. Gestantes e pessoas fisicamente debilitadas também devem utilizar os cintos de segurança, elas estão mais propensas a ficarem seriamente feridas se não estiverem usando cintos de segurança.
O cinto de segurança é um dispositivo simples que serve para proteger sua vida e diminuir as conseqüências dos acidentes. Ele impede, em caso de colisão, que seu corpo se choque contra o volante, painel e pára-brisas, ou que seja projetado para fora do carro. Os passageiros sentados no banco traseiro, sem os cintos de segurança, não somente se põem em perigo, como também colocam em perigo os passageiros dos bancos dianteiros. Numa colisão frontal eles também se moverão para a frente onde podem bater e ferir o motorista ou passageiro do banco dianteiro.
Em uma colisão de veículos a apenas 40km/h, o motorista pode ser atirado violentamente contra o pára-brisas ou arremessado para fora do carro. Alguns motoristas pensam que podem amortecer o choque segurando firmemente no volante. Isto é ilusório, porque a força dos braços só é eficaz a uma velocidade de até 10 km/h.
Estatísticas sobre acidentes mostram que passageiros que usam corretamente os cintos de segurança, têm um risco menor de se ferirem e uma chance muito maior de sobreviverem num acidente. Por este motivo, a utilização dos cintos de segurança é exigida legalmente na maioria dos países.
ATENÇÃO: 8 em cada 10 pessoas que não usavam o cinto de segurança morreram em acidentes com pelo menos um dos veículos a menos de 20 km/h. Então não esqueça: Para um longo percurso rodoviário ou para percorrer apenas uma quadra dentro da cidade…
USE O CINTO DE SEGURANÇA !!!
Major QOPM Airton Sérgio Diniz – Subcomandante do 2º Batalhão – Polícia Militar do Paraná
Colaboração: www.pmpr.pr.gov.br
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13 Setembro 2008
Bushido (武士道) significa, literalmente, “caminho do guerreiro” – era um código de conduta não-escrito e um modo de vida para os Samurai (a classe guerreira do Japão feudal ou bushi), que fornecia parâmetros para esse guerreiro viver e morrer com honra. O ideograma “do” (道), no sentido utilizado no termo japonês Bushido, é equivalente à forma chinesa “Tao”, e exprime o conceito filosófico de absoluto. Este conceito traz a idéia de origem, princípio e essência de todas coisas.
O maior princípio do Bushido era buscar uma morte com dignidade, conforme expresso no Hagakure – “oculto nas folhas”, um dos mais importantes tratados acerca do Bushido, escrito por Yamamoto Tsunetomo, um samurai da província de Nabeshima, atual Saga, em 1716.
Um samurai jamais poderia se entregar e deveria estar sempre preparado para a morte. Além disso, a honra do samurai, de seus antepassados e de seu senhor deveria ser preservada por ele. Outros aspectos importantes é que um samurai jamais pode fugir de uma luta. Mesmo apenas um samurai contra um exército de oponentes, ele não pode abandonar a luta. O samurai também deve estar sempre do lado da justiça e ter compaixão com seu inimigo derrotado ou mais fraco. Lealdade, etiqueta, educação e noção de gratidão eram outras coisas que o Bushido pregava. Um samurai honrado deveria ser leal ao seu daimyo (senhor feudal), Shogun e Imperador.
No geral, guerreiro é aquele que busca seu próprio caminho. Muitas pessoas podem estar perfeitamente buscando o caminho sem saber disso. Guerreiro é a pessoa que tem um objetivo, e que por meio deste, passa a ter consciência de seu dom e suas limitações. Através dessa consciência, o guerreiro atinge sua meta, combinada com a vontade de vencer fraquezas, temores e limitações.
Cada pessoa trilha seu próprio caminho, já que existem vários caminhos: como o caminho da cura pelo médico, o caminho da literatura pelo poeta ou escritor, e muitas outras artes e habilidades. Cada pessoa pratica de acordo com a sua inclinação. Por isso pode-se chamar de guerreiro, aquele que segue seu caminho específico.
Porém, no bushido, a palavra guerreiro significa muito mais do que isso. O termo bushi não pode ser designado a qualquer um. O bushi é diferente, pois seus estudos do caminho baseiam-se em superar os homens. A casta guerreira se distingue das demais por sua fidelidade e honra, a palavra do guerreiro vale mais do que tudo.
O caminho do guerreiro é o caminho da pena e da espada, esse conceito vem do antigo Japão feudal e determinava que o guerreiro (bushi) dominasse tanto a arte da guerra quanto a leitura, e que ele deve apreciar ambas as artes. O bushi deve aprender o caminho de todas as profissões; se informar sobre todos os assuntos; apreciar as artes e quando não estiver ocupado em suas obrigações militares, deverá estar sempre praticando algo, seja a leitura ou a escrita, armazenando em sua mente a história antiga e o conhecimento geral, comportando-se bem a todo momento para ter uma postura digna de um samurai, tudo isso sem desviar do verdadeiro caminho, o bushido.
A etiqueta deve ser seguida, todos os dias da vida cotidiana, assim como na guerra pelos samurais. Sinceridade e honestidade são as virtudes que avaliam suas vidas. Transcender um pacto de fidelidade completa e confiança esta ligado à dignidade. Os samurais também precisavam ter autocontrole, desapego e austeridade para manter sua honra, em função disso, podemos dizer que o samurai é o guerreiro completo e seu código de honra – o bushido – tem forte influência no estilo de vida do povo japonês.
Para o bushido, exige-se que a conduta de um homem seja correta em todos os sentidos, dessa forma, a preguiça é um mal que deve ser abominado. Mas existem problemas quando a pessoa se apóia no futuro, pois torna-se preguiçosa e indolente, já que deixa para amanhã, aquilo que poderia ser feito hoje. Pessoas que agem dessa maneira, não seguem o verdadeiro preceito do bushido, que de um modo geral, é a aceitação resoluta da morte e esta pode chegar a qualquer momento.
Se o guerreiro tem plena consciência da morte, evitará conflitos, estará livre de doenças, além de ter uma personalidade com muitas qualidades e diferenciada às dos demais seres humanos. O guerreiro vive o presente sem se preocupar com o amanhã, de modo que quando contempla as pessoas, sente como se nunca mais fosse vê-los novamente, e portanto, seu dever e consideração as pessoas, serão profundamente sinceros. O verdadeiro guerreiro é aquele que aceita a morte; dessa maneira, ele não irá se meter em discussões desnecessárias que venham a provocar um conflito maior, já que assim ele pode acabar matando ou sendo morto; esta última poderia resultar em sua desonra ou afligiria a reputação e nome de sua família.
“Os homens devem moldar seu caminho. A partir do momento em que você ver o caminho em tudo o que fizer, você se tornará o caminho”. Miyamoto Musashi (1584 – 1645)
Colaboração: www.niten.org.br e www.bushido-online.com.br
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9 Setembro 2008
Por Roberto Shinyashiki
Muitas vezes a dor parecerá insuportável, as perdas, insuperáveis, os obstáculos, intransponíveis. Mas, com fé e determinação, descobriremos que somos maiores que tudo isso e, no final, celebraremos nossas vitórias.
Eu acredito que existe um Deus que cuida bem de nós e sabe o que faz. Eu acredito que a lógica de Deus é superior à minha capacidade de compreensão. Eu acredito que Deus nunca erra, embora, às vezes, eu não seja capaz de entender a razão de meu sofrimento. Tudo o que acontece com a gente tem um propósito, tem um porquê. Basta olhar para trás, percorrendo nossa trajetória, para perceber quanto as experiências do passado – as dolorosas e as felizes – foram importantes para que chegássemos aonde estamos hoje.
Pessoas que tiveram doenças graves, um câncer, por exemplo, e precisaram fazer tratamentos dolorosos, como quimioterapia, normalmente passam a enxergar a vida de forma diferente depois que todo o sofrimento cessa. Percebem então quanto essa experiência difícil foi importante para que aprendessem muitas coisas sobre a vida que ainda não sabiam. As jornadas mais complicadas sempre são aquelas que nos trazem mais sabedoria. Como nas histórias dos heróis de todos os tempos, há sempre o momento de enfrentar o grande desafio, de encarar a caverna mais profunda de toda a jornada. É nesse instante que o herói deve provar que tem força para seguir em frente.
O jornalista Mario Rosa mostra, em seu livro A Síndrome de Aquiles (Gente, 2001), uma imagem muito bonita do significado dos incêndios em nossa vida: “Quem já foi a um parque como o Yosemite, na Califórnia, teve o raro privilégio de ver de perto o maior monumento vivo do reino vegetal: as legendárias sequóias. Essas árvores alcançam alturas impressionantes e chegam a viver até 4 mil anos. É quando se está diante de um portento tão poderoso como uma sequóia, vendo-a viva, tocando essa testemunha da História de nosso planeta, que quarenta séculos de vida deixam de ser apenas um número e passam a evocar uma forte emoção e algumas reflexões. Uma sequóia já estava naquele mesmo lugar há 2 mil anos, quando Jesus nasceu. Quando a civilização egípcia estava terminando a construção da Grande Pirâmide de Gizé, as sequóias que hoje vemos vivas e pujantes já haviam brotado da terra. Se compararmos a duração da vida de uma sequóia com a de um ser humano, descobriremos que cinco anos dessa árvore representam em relação ao todo de sua existência o mesmo que um mês significa para um ser humano.
Assim, a explosão nuclear que devastou Hiroshima e Nagasaki e pôs fim à Segunda Guerra Mundial, vista sob a perspectiva da vida de uma sequóia, ocorreu não faz um ano. O fim da Guerra do Vietnã se deu no semestre passado. E a morte de Lady Di, há dois fins de semana. Intrigados com tanta força e resistência, os cientistas, com o passar do tempo, foram descobrindo os fatores que fazem com que as sequóias sejam esse fenômeno de sobrevivência. Um dos segredos da vida de uma sequóia é o fato de que, por ser tão alta, atrai raios durante as tempestades. São justamente os raios que provocam incêndios que, por sua vez, destroem os galhos mais pesados da árvore, possibilitando-lhe que concentre sua seiva nos galhos realmente indispensáveis.
Em sua vida, raios, tempestades e incêndios são crises que, em vez de destruição, permitem purificação. Fazem com que ela não desperdice seiva, concentrando-se nos ramos essenciais. Isso permite que continue crescendo. E sobrevivendo”. Tal como as sequóias, nós somos seres com poderes infinitos, precisamos apenas que alguns raios nos ataquem para conhecermos nossa força. Muitas vezes a dor parecerá insuportável, as perdas, insuperáveis, os obstáculos, intransponíveis. Mas, com fé e determinação, descobriremos que somos maiores que tudo isso e, no final, celebraremos nossas vitórias.
Colaboração: www.shinyashiki.com.br
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28 Agosto 2008
Se não quiser adoecer – “Fale de seus sentimentos“
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna.. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados.
O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia..
Se não quiser adoecer – “Tome decisão“
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de
doenças nervosas, gástricas e problemas d