Era do Coronavírus: Um tempo para liderança e unidade – Por Josh Gold (Aikido Journal)

22/03/2020

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A nova pandemia global de coronavírus está sobre nós . Países inteiros estão presos e medidas globais estão sendo tomadas para retardar a disseminação e o impacto da que pode ser a maior emergência de saúde pública que enfrentamos em nossas vidas. Como praticantes de Aikido, nosso próprio estilo de vida foi alterado. Afinal, a base da arte que tanto amamos é a conexão humana. 

Estes são tempos desafiadores, e as ações que tomamos agora afetarão nossas famílias, amigos, comunidades e o futuro da arte do Aikido.   O Aikido nos ensina a manter a calma diante do perigo, a ser adaptável e a neutralizar as ameaças de maneira a criar benefícios coletivos. Agora é a hora de tomarmos decisões difíceis. Este é o momento para colocarmos nosso treinamento em prática em uma crise do mundo real. 

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Dojo Chos / Instrutores Principais

Se você ainda não o fez, peço que considere fechar temporariamente seus dojos agora . Como líderes locais, é nossa responsabilidade proteger a nós mesmos, nossos membros do dojo e comunidades vizinhas sempre que possível, e a situação que enfrentamos é urgente .  Se o seu dojo ainda estiver aberto, reflita sobre o seguinte:

  • Considere como o princípio de ma-ai se aplica em nossas circunstâncias atuais. O “distanciamento social” é um dos principais ativos que temos para mitigar os efeitos do COVID-19 – e todos os dias são importantes.   Se parte do nosso treinamento é adquirir as habilidades necessárias para proteger a nós mesmos e aos outros contra danos, esta é uma oportunidade crítica para fazer exatamente isso. A preparação para a disseminação global quase inevitável do vírus é uma das coisas altruístas mais pró-sociais que podemos fazer. Vamos liderar pelo exemplo.
  • Podemos evitar colocar nossos alunos em situações de conflito. Os praticantes de dojos que permanecem abertos podem se sentir pressionados a ir às aulas para não decepcionarem o Sensei e, quando estão lá, podem sentir-se ansiosos ou preocupados com a exposição. Na pior das hipóteses, os estudantes que continuam praticando juntos podem, sem saber, transmitir o vírus a outras pessoas. Não devemos criar condições que coloquem nossos alunos em posições comprometedoras nem transformá-los em pessoas que possam levar consigo o resto da vida, o arrependimento e dor de prejudicar os outros – mesmo que indiretamente.  
  • Também podemos evitar nos expor a riscos desnecessários. A maioria dos nossos Dojo Chos e instrutores-chefe estão entre os grupos de alto risco. Dessa forma, podemos tomar medidas para fortalecer nossos instrutores mais antigos e o precioso conhecimento e sabedoria que eles continuam transmitindo a outras pessoas.

 

Os riscos do COVID-19 são reais e presentes . Estamos diante de um poderoso inimigo invisível, e é hora de tomarmos ukemi. A desvantagem da reação exagerada é mínima, mas os efeitos de se fazer um pouco tarde demais seriam profundamente lamentáveis.  Se realmente acreditamos que a arte do Aikido é elevar a humanidade e criar um bem social, agora é o nosso momento de incorporar isso. 

Se você precisar de um modelo para se comunicar com seus alunos sobre o fechamento de dojos, aqui está uma pequena nota que escrevi para os membros do Ikazuchi Dojo. Outros modelos provavelmente podem ser encontrados ou solicitados no grupo de instrutores do Aikido no Facebook – existem muitos bons modelos de referência por aí.

Também acredito que podemos e devemos usar isso como uma oportunidade de inovar e nos conectar com nossos alunos de novas maneiras. Se eles nos apoiarem nesse período difícil (consulte a seção Estudantes / Profissionais abaixo), devemos nos esforçar ao máximo para encontrar maneiras de fornecer valor em troca.

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Alunos /  Profissionais

No mundo do Aikido, há uma forte hierarquia baseada em rankings. Em muitas dinâmicas, nossos Sensei estão em posições de poder. Agora, são os estudantes que estão nas posições de poder. Nosso Sensei precisa de nós para ficarmos com eles agora. 

  •  Se você está praticando ativamente em um dojo e não está enfrentando dificuldades financeiras, considere manter suas quotas de associação – mesmo e especialmente quando seu dojo estiver fechado. Se você deseja que um dojo volte ao início da vida comum (o que certamente o faremos), seu dojo precisa de seu apoio financeiro agora. 

Como comunidade, vamos fazer uma forte demonstração de unidade.   Vamos garantir que nossos lindos dojos permaneçam saudáveis ​​e vibrantes e não desapareçam. Está ao nosso alcance proteger e preservar se formos à ocasião.

Agora também é um bom momento para ver se há algo que possamos fazer para servir os idosos e outros grupos vulneráveis ​​nas comunidades locais das quais fazemos parte. Enquanto preservamos o distanciamento social, ainda podemos entrar em contato digitalmente para fornecer companhia, segurança, verificar a saúde e o bem-estar de outras pessoas e ajudar a fornecer os itens essenciais necessários.

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Época de adaptação e resiliência

Nos últimos dias, vi mais de cem iniciativas lançadas para disponibilizar aulas on-line, fornecer diretrizes para treinamento individual, produzir webinários e outras idéias inovadoras para manter virtualmente nossas comunidades unidas. Eu farei o mesmo no meu dojo, e o Aikido Journal em breve desbloqueará parte de nosso conteúdo premium para a comunidade aprender e obter inspiração durante esse período (mais detalhes serão anunciados na próxima semana). 

Muitos de nós estão conectados com membros da comunidade global do Aikido através das mídias sociais. Se você estiver conectado a alguém de outro país, considere uma chamada de vídeo ou de voz para conectar-se e ver como é o mundo deles no momento. Essa pode ser uma oportunidade para criar laços e formar amizades e entendimentos mais fortes. 

Vamos nos desafiar a ver o quanto podemos nos adaptar e crescer durante esse período. O esforço que direcionamos para esse tipo de aprendizado digital e iniciativas comunitárias pode render ferramentas e ativos maravilhosos que podemos usar para aprimorar nossos dojos quando as coisas voltarem ao normal. 

Esta é uma oportunidade para sermos um modelo para todo o mundo das artes marciais. Vamos agora incorporar plenamente os princípios de nossa arte, elevar e inspirar a nós mesmos e aos outros. Não é hora de entrar em pânico. É um momento de ação. Este é o nosso momento de brilhar diante das adversidades. Nós vamos vencer juntos. 

Em solidariedade,

Josh Gold

Original em: https://aikidojournal.com/2020/03/15/age-of-coronavirus-a-time-for-leadership-and-unity/

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Kawai Sensei – Décimo ano de sua passagem (28/02/1931 – 26/01/2010)

26/01/2020

A Comunidade Aikidoca Brasileira relembra hoje, 26/01/2020, ainda com saudades, o décimo ano da passagem do Mestre e Exemplo, Reishin Kawai.

“Humanidade, cabeça tudo diferente, muito tem, budista tem, xintoísta tem, catolicismo tem, cada cada, respeito precisa, tudo interligado, entendeu?” Kawai Sensei.

“Cabeça não ocupada, não pensamento, não triste nada, ‘bida marabilhosa’” Kawai Sensei.

Domo Arigato Gozaimashita, Kawai Sensei.

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Acender a luz do próximo não apaga a sua – Por Alessandra Piassarollo

08/10/2019

“Acender a luz do próximo não apaga a sua”

Não sei relatar a origem desta frase, mas confesso que assim que pousei meus olhos sobre ela, uma memória de infância virou faísca dentro de mim.

Quando era criança tive a oportunidade de viver sob a luz de lampiões e lamparinas a querosene. Lembro que, na minha percepção infantil, era intrigante viver com uma iluminação tão precária, muitas sombras e um tantinho de fumaça em nossos rostos, todo anoitecer. Dessa época guardo também uma memória muito interessante, de uma história que minha mãe contava. Segundo ela, meu irmão mais velho não gostava que se acendesse nenhuma vela ou lamparina a partir da que estivesse com ele, sob intensos protestos de estarem diminuindo sua luz. Ele ainda não compreendia que compartilhar, não diminuiria nem afetaria a chama que ele segurava.

De posse dessa memória afetiva e diante da frase que me chamara a atenção, chego à conclusão de que, mesmo passado o tempo das velas e lamparinas, muitos de nós ainda temem dividir sua luz, a interior. Medo maior, tenho percebido, é o de que a luz dos outros seja mais intensa que a nossa própria.

Tenho visto muita gente com medo de manifestar o que tem de melhor. E gente mais receosa ainda de reconhecer o que os outros têm de melhor.

Andamos querendo esconder nossos talentos, nossa simpatia, nossas gentilezas, nossa bondade… como quem tem receio de mostrar-se e prefere manter tudo isso oculto, só para si, pra não ter que se dividir com mais ninguém.

Temos preferido fechar nossos olhos diante das luzes dos outros, por não querer reconhecer talentos, dons, capacidades e potenciais; com receio de que o outro brilhe mais do que nós. Nutrimos um comportamento que lembra a imaturidade da infância, com certo cunho egoísta, escondendo-nos, sob caras fechadas e palavras ásperas, sorrisos falsos e gestos pouco afáveis.

A maioria das pessoas esqueceu-se de que ser claridade é muito mais bonito. E que, decidindo ser luz não há quem nos ofusque.

Valorizar o que temos de bom dentro de nós e o que há de bom dentro das outras pessoas é um comportamento nobre e agradabilíssimo e que só faz clarear a alma de quem se permite.

A luz que ilumina nosso olhar, nosso sorriso, nossa presença, vem do bem que fazemos ou sentimos. É injustificável temer reparti-la. O que faz nossa luz diminuir é o mal, alimentado por nosso egoísmo e por outros sentimentos igualmente obscuros.

Não economize sua luz, não! Seja bom, agradável e gentil; sorria com frequência; elogie sem esperar nada em troca, sem inveja nem receio de que te passem à frente. Ninguém será capaz de tomar seu lugar, nem seu brilho, porque nossos lugares foram marcados, e cada um tem o seu.

Distribua luz, seja luz. Ilumine e se deixe iluminar. O mundo anda escuro demais pra você guardar sua luz só para si. Pense nisso!

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Alessandra PiassarolloAdministradora por profissão, decidiu administrar a própria casa e o cuidado com suas duas filhas, frutos de um casamento feliz. Observadora do comportamento alheio, usa a escrita como forma de expressar as interpretações que faz do mundo à sua volta. Mantém acessa a esperança nas pessoas e em dias melhores, sempre!

Link para o original: https://www.contioutra.com/acender-luz-proximo-nao-apaga-sua/

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Colaboração:

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O LIBERTAR-SE DE FORMAS RÍGIDAS – 20 anos da Academia Central de Aikido de Natal

03/07/2019

É com muita alegria que eu me preparo para este nosso importante reencontro de Aikido.

Vinte anos se passaram desde que tivemos nosso primeiro treino em Natal, no Centro Comunitário de Candelária em 1999 – CONACAN – e essa me parece ser a oportunidade perfeita para celebrarmos todas as pessoas que se reúnem em torno desta prática e princípios desde então.

Uma prática que nos aponta para a possibilidade de uma vida de relações mais presentes e diretas, uma atenção e um cuidado cada vez maiores para com o mundo a nossa volta e, principalmente, um desprendimento de quaisquer formas rígidas, sejam no pensamento, palavra, ou na ação.

É um grande prazer para eu estar, então, convidando a todos da Academia Central de Aikido de Natal, praticantes do passado e do presente, e das outras academias irmãs e interessadas, para nos reencontrar e comemorar mais esta passagem, com a reiteração de nossos propósitos. Propósitos estes que foram semeados no início do século passado, no Japão; viajaram de navio para São Paulo na década de sessenta, para Florianópolis no início dos anos 90 e vieram finalmente desembarcar em Natal, no Rio Grande do Norte, há vinte anos.

Estou muito animado em poder rever e treinar com todos que compartilharam, não somente dessa história comigo, mas rever os princípios que nos reuniu então, e continuou a nos reunir por esses 20 anos.

Forte abraço e até logo!

Rodrigo.

Programação:

Treino 1 – Misogi: A sensação de dor e o purificar da mente (Katame Wasa).

  • Dor e Reação: Elementos de separação;
  • A estabilidade da mente e sua tradução no corpo;
  • Padua Sensei: “Não há vida sem dor”;
  • Kawai Sensei e o conceito de konjo;
  • Kawai Sensei: “Por fora, suave como algodão; por dentro, forte como Ferro”.

Treino 2 – Conexão e o estender da energia (Kokyu Nage Wasa).

  • O Sentir como Instrumento de conexão;
  • Percepção sem escolha;
  • Apego a estratégias: A semente da violência;
  • Fatores psicológicos e emocionais que dificultam a conexão;
  • Samadhi: A qualidade da mente no Aikido;
  • Poder com os outros X Poder sobre os outros;
  • Percepção sem escolha.

Treino 3 – O estado de fluxo no Aikido (Katame/Nage Wasa).

  • Rei: O alicerce na nossa prática;
  • Ikeda Sensei e a “Chaleira Fervente”;
  • Jay Lindholm Sensei: “A energia deve sempre conduzir ao centro”;
  • Saotome Sensei: “Um convite ao seu coração aberto” .

Treino 4 – (Rogério Sensei – João Pessoa/PB)

Treino 5 – (Rogério Sensei – João Pessoa/PB)

Treino 6 – Dor, conexão, fluxo e impermanência (Nage Wasa, Jiu Wasa).

  • Marco Antônio Sensei e a questão da impermanência”;
  • James Sensei  (Treino e Encerramento).

“Aquele que está fora da esfera do controle, por estar livre do desejo de controlar, não pode ser controlado”.

– Do livro “A Semente do Infinito”, por Marco Antônio Rocha.

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Shoshin – Conceito zen que irá ajudá-lo a deixar de ser um escravo das velhas crenças – Por James Clear

15/01/2019

Eu joguei beisebol por 17 anos da minha vida. Durante esse tempo, eu tinha muitos treinadores diferentes e comecei a notar padrões repetidos entre eles.

Treinadores tendem a subir através de um certo sistema. Novos treinadores muitas vezes conseguirão seu primeiro emprego como assistente técnico com sua alma mater ou um time com quem jogaram anteriormente. Depois de alguns anos, o jovem treinador seguirá para o seu próprio trabalho de treinador principal, onde eles tendem a reproduzir os mesmos treinos, seguir horários de treinos semelhantes e até mesmo gritar com os seus jogadores de forma semelhante aos treinadores que aprenderam. As pessoas tendem a imitar seus mentores.

Esse fenômeno – nossa tendência a repetir o comportamento a que estamos expostos – se estende a quase tudo que aprendemos na vida.

Suas crenças políticas ou religiosas são principalmente o resultado do sistema em que você foi criado. Pessoas criadas por famílias católicas tendem a ser católicas. Pessoas criadas por famílias muçulmanas tendem a ser muçulmanas. Embora você possa não concordar com todas as questões, as atitudes políticas de seus pais tendem a moldar suas atitudes políticas. A maneira como nos aproximamos do nosso dia-a-dia e da vida é em grande parte o resultado do sistema em que fomos treinados e dos mentores que tivemos ao longo do caminho. Em algum momento, todos aprendemos a pensar em outra pessoa. É assim que o conhecimento é passado.

Aqui está a difícil pergunta: quem pode dizer que a maneira pela qual você aprendeu algo é o melhor caminho? E se você simplesmente aprendesse uma maneira de fazer as coisas, não a maneira de fazer as coisas?

Considere meus treinadores de beisebol. Eles realmente consideraram todas as diferentes maneiras de treinar uma equipe? Ou eles simplesmente imitavam os métodos aos quais haviam sido expostos? O mesmo poderia ser dito de quase qualquer área da vida. Quem pode dizer que a maneira pela qual você aprendeu originalmente uma habilidade é o melhor caminho? A maioria das pessoas pensa que são especialistas em um campo, mas na verdade são apenas especialistas em um estilo particular.

Desta forma, nos tornamos escravo de nossas antigas crenças, mesmo sem perceber. Adotamos uma filosofia ou estratégia baseada naquilo a que fomos expostos sem saber se é a melhor maneira de fazer as coisas.

Shoshin: a mente do principiante

Existe um conceito no zen-budismo conhecido como shoshin , que significa “mente de principiante”. Shoshin refere-se à ideia de abandonar seus preconceitos e ter uma atitude de abertura ao estudar um assunto.

Quando você é um verdadeiro principiante, sua mente está vazia e aberta. Você está disposto a aprender e considerar todas as informações, como uma criança descobrindo algo pela primeira vez. À medida que você desenvolve conhecimento e experiência, sua mente naturalmente se torna mais fechada. Você tende a pensar: “Eu já sei como fazer isso” e você se torna menos aberto a novas informações.

Existe o perigo que vem com a expertise. Nós tendemos a bloquear a informação que discorda do que aprendemos anteriormente e cedemos às informações que confirmam nossa abordagem atual. Acreditamos que estamos aprendendo, mas, na realidade, estamos nos movimentando por meio de informações e conversas, esperando até ouvirmos algo que corresponda à nossa filosofia atual ou experiência anterior, e escolhendo informações para justificar nossos comportamentos e crenças atuais . A maioria das pessoas não quer novas informações, elas querem validar as informações.

O problema é que, quando você é um especialista, você realmente precisa prestar mais atenção, não menos. Por quê? Porque quando você já está familiarizado com 98 por cento das informações sobre um tópico, você precisa ouvir muito cuidadosamente para pegar os 2 por cento restantes.

Como adultos, nosso conhecimento prévio nos impede de ver as coisas de novo. Para citar o mestre zen Shunryo Suzuki, “na mente do principiante existem muitas possibilidades, mas no especialista há poucas”.

Como redescobrir a mente do seu principiante

Aqui estão algumas maneiras práticas de redescobrir a mente de seu principiante e abraçar o conceito de shoshin.

Deixe de lado a necessidade de agregar valor

Muitas pessoas, especialmente as de alto desempenho, têm uma enorme necessidade de fornecer valor para as pessoas ao seu redor. Na superfície, isso parece ótimo. Mas, na prática, pode prejudicar o seu sucesso, porque você nunca tem uma conversa em que cala a boca e escuta. Se você está constantemente adicionando valor (“Você deveria tentar isso …” ou “Deixe-me compartilhar algo que funcionou bem para mim …”), então você mata a propriedade que outras pessoas sentem sobre suas idéias. Ao mesmo tempo, é impossível ouvir alguém quando você está falando. Então, o primeiro passo é deixar de lado a necessidade de sempre contribuir. Recue de vez em quando e apenas observe e ouça. Para saber mais sobre isso, leia o excelente livro de Marshall GoldsmithWhat Got You Here não vai te levar até lá(audiobook ).

Deixe de lado a necessidade de vencer todos os argumentos

Há alguns anos, li um post de Ben Casnocha sobre se tornar menos competitivo com o passar do tempo. Nas palavras de Ben, “Outros não precisam perder para eu ganhar”. Essa é uma filosofia que se encaixa bem com a idéia de shoshin . Se você está tendo uma conversa e alguém faz uma declaração de que você não concorda, tente liberar o desejo de corrigi-los. Eles não precisam perder o argumento para você ganhar. Deixar de lado a necessidade de provar um ponto abre a possibilidade de você aprender algo novo. Aproxime-se de um lugar de curiosidade: não é interessante. Eles olham para isso de uma maneira totalmente diferente.Mesmo se você estiver certo e eles estiverem errados, isso não importa. Você pode sair satisfeito mesmo se não tiver a última palavra em todas as conversas.

Conte me mais sobre isso

Eu tenho uma tendência a falar muito (veja “Fornecendo muito valor” acima). De vez em quando, eu me desafio a ficar quieto e despejo toda a minha energia para ouvir alguém. Minha estratégia favorita é pedir a alguém: “Fale mais sobre isso.” Não importa qual é o tópico, estou simplesmente tentando descobrir como as coisas funcionam e abrir minha mente para ouvir sobre o mundo por meio de outra pessoa. perspectiva.

Suponha que você é um idiota

Em seu livro fantástico, Fooled by Randomness , Nassim Taleb escreve: “Eu tento lembrar ao meu grupo a cada semana que somos todos idiotas e não sabemos nada, mas temos a sorte de conhecê-lo.” As falhas discutidas neste artigo são simplesmente um produto de ser humano. Todos nós temos que aprender informações de alguém e de algum lugar, então todos nós temos um mentor ou um sistema que guia nossos pensamentos. A chave é perceber essa influência.

Somos todos idiotas, mas se você tem o privilégio de saber disso, pode começar a abandonar seus preconceitos e abordar a vida com uma mente de principiante. Shoshin.

NOTAS DE RODAPÉ

  1. Ocasionalmente, você também ouvirá sobre esse comportamento focado no sistema nos níveis de elite do esporte. “Ele treinou com Bill Belichick e aprendeu o sistema dos Patriots”. Ou: “Ele foi assistente de Urban Meyer e aprendeu a maneira de fazer as coisas”.
  2. Dica de chapéu para Richard W., um leitor deste site, por me explicar por que você precisa prestar mais atenção quando for um especialista. Ele percebeu que depois de ler muitos livros sobre um determinado assunto, você sabe tão bem que não pode simplesmente folhear livros semelhantes. A maioria das informações será repetitiva, então você precisa ler linha por linha para descobrir o insight que você nunca ouviu antes.
  3. Obrigado a Sam Yang por seu artigo sobre shoshin, que influenciou meu pensamento.

Link para o original: https://jamesclear.com/shoshin

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Zanshin: Aprendendo a arte da atenção e o foco de um samurai arqueiro lendário – Por James Clear

15/01/2019

Na década de 1920, um professor alemão chamado Eugen Herrigel mudou-se para o Japão. Ele veio para ensinar filosofia em uma universidade algumas horas a nordeste de Tóquio, em uma cidade chamada Sendai.

Para aprofundar sua compreensão da cultura japonesa, Herrigel começou a treinar em Kyudo, a arte marcial japonesa de arco e flecha. Ele foi ensinado por um arqueiro lendário chamado Awa Kenzo. Kenzo estava convencido de que os iniciantes deveriam dominar os fundamentos do arco e flecha antes de tentar atirar em um alvo real, e ele levou esse método ao extremo. Durante os primeiros quatro anos de seu treinamento, Herrigel só foi autorizado a atirar em um rolo de palha a apenas dois metros de distância.

Quando Herrigel reclamou do ritmo incrivelmente lento, seu professor respondeu: “O caminho para a meta não deve ser medido! De que importância são semanas, meses, anos?

Quando ele finalmente foi autorizado a atirar em alvos mais distantes, o desempenho de Herrigel foi sombrio. As flechas voaram para longe e ele ficou mais desanimado com cada tiro rebelde. Durante uma sessão particularmente humilhante, Herrigel afirmou que seu problema deve ser uma má pontaria.

Kenzo, no entanto, olhou para o aluno e respondeu que não era se alguém visava, mas como alguém abordava a tarefa que determinava o resultado. Frustrado com esta resposta, Herrigel deixou escapar: “Então você deve ser capaz de acertar os olhos vendados.”

Kenzo parou por um momento e depois disse: “Venha me ver hoje à noite”.

Arco e flecha no escuro

Depois que a noite caiu, os dois homens voltaram para o pátio onde ficava o consultório. Kenzo caminhou até seu local habitual de tiro, agora com o alvo escondido no escuro. O mestre de arco e flecha prosseguiu com sua rotina normal, acomodou-se em sua posição de tiro, apertou a corda do arco e soltou a primeira flecha na escuridão.

Lembrando o evento mais tarde, Herrigel escreveu: “Eu sabia pelo som que ele atingiu o alvo”.

Imediatamente, Kenzo puxou uma segunda flecha e atirou novamente na noite.

Herrigel deu um pulo e correu pelo pátio para inspecionar o alvo. Em seu livro, Zen na Arte do Arco e Flecha , ele escreveu: “Quando acendi a luz sobre o alvo, descobri, para meu espanto, que a primeira flecha estava alojada no meio do preto, enquanto a segunda flecha lascou o traseiro do primeiro e atravessou o poço antes de se encaixar ao lado dele.

Kenzo acertou um alvo duplo sem poder ver o alvo.

Tudo está apontando

Os grandes mestres do tiro com arco geralmente ensinam que “tudo está mirando”. Onde você coloca os pés, como segura o arco, o modo como respira durante a liberação da flecha – tudo isso determina o resultado final.

No caso de Awa Kenzo, o arqueiro mestre estava tão atento ao processo que levou a uma tomada precisa que ele foi capaz de reproduzir a série exata de movimentos internos, mesmo sem ver o alvo externo. Essa consciência completa do corpo e da mente em relação ao objetivo é conhecida como zanshin .

Zanshin é uma palavra usada comumente nas artes marciais japonesas para se referir a um estado de alerta relaxado. Traduzido literalmente, zanshin significa “a mente sem descanso”. Em outras palavras, a mente focou completamente na ação e fixou-se na tarefa em mãos. Zanshin está constantemente consciente de seu corpo, mente e ambiente sem se estressar. É uma vigilância sem esforço.

Na prática, porém, o zanshin tem um significado ainda mais profundo. Zanshinestá optando por viver sua vida intencionalmente e agindo com propósito, em vez de se tornar vítima do que quer que surja em seu caminho.

O Inimigo da Melhoria

Há um famoso provérbio japonês que diz: “Depois de vencer a batalha, aperte o capacete”. 

Em outras palavras, a batalha não termina quando você ganha. A batalha só termina quando você fica preguiçoso, quando perde o senso de compromisso e quando você para de prestar atenção. Este é o zanshin também: o ato de viver com atenção, independentemente de o objetivo já ter sido alcançado.

Podemos levar essa filosofia a muitas áreas da vida.

Escrita: A batalha não termina quando você publica um livro. Ele termina quando você se considera um produto acabado, quando perde a vigilância necessária para continuar melhorando seu ofício.

Aptidão: A batalha não termina quando você bate em um PR. Ele termina quando você perde a concentração e pula os treinos ou quando perde a perspectiva e o overtrain.

Empreendedorismo: A batalha não termina quando você faz uma grande venda. Ele termina quando você fica convencido e complacente.

O inimigo da melhoria não é nem fracasso nem sucesso. O inimigo da melhora é o tédio, a fadiga e a falta de concentração. O inimigo da melhoria é a falta de compromisso com o processo, porque o processo é tudo.

A arte de Zanshin na vida cotidiana

“Deve-se abordar todas as atividades e situações com a mesma sinceridade, a mesma intensidade e a mesma consciência que se tem com o arco e a flecha na mão.”

Kenneth Kushner, uma flecha, uma vida

Vivemos em um mundo obcecado por resultados. Como Herrigel, temos uma tendência a colocar tanta ênfase em se a flecha atinge ou não o alvo. Se, no entanto, colocarmos essa intensidade, foco e sinceridade no processo – onde colocamos nossos pés, como seguramos o arco, como respiramos durante a liberação da flecha -, então acertar o alvo é simplesmente um efeito colateral.

O objetivo não é se preocupar em atingir o alvo. O ponto é se apaixonar pelo tédio de fazer o trabalho e abraçar cada peça do processo. O ponto é aproveitar aquele momento de zanshin , aquele momento de completa consciência e foco, e carregá-lo com você em todos os lugares da vida.

Não é o alvo que importa. Não é a linha de chegada que importa. É a maneira como abordamos o objetivo que importa. Tudo está apontando. Zanshin .

NOTA DE RODAPÉ.

  1. A frase atual é “katte kabuto no oo shimeyo”, que literalmente se traduz como “Aperte a corda do kabuto depois de vencer a guerra”. O kabuto era um capacete usado por guerreiros japoneses. Como seria de esperar, parece incrível.

Link para o original: https://jamesclear.com/zanshin

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Fudô Myo-o

18/12/2018

Fudô Myo-o é uma das importantes divindades do budismo japonês.  Sua estátua pode ser vista em muitos lugares no Japão e não é incomum encontrar uma perto de uma cachoeira ou simplesmente por um caminho da montanha.

Seu nome em sânscrito é Ācala e em Japonês é escrito 不 動 明王, que significa, literalmente, “O rei da sabedoria imutável”. Ele é o guardião do Budismo e um dos cinco reis da Sabedoria, juntamente com Gōzanze, Gundari,  Daiitoku e Kongōyasha. Quando os Cinco Reis da Sabedoria são representados juntos, ele geralmente é a figura do meio.

Fudô Myo-o converte a raiva em compaixão e corta os laços de sentimentos negativos e demoníacos para nos libertar do sofrimento através do autocontrole.  Ele também combate o mal com sua fé inabalável e sua compaixão. Além disso, Fudô Myo-o é o guia para as almas falecidas, e desta maneira é feita uma cerimônia fúnebre realizada no sétimo dia após a morte.

Iconografia 

Fudô-san (como ele é mais comumente chamado no Japão) tem um feroz olhar de monstro. Para quem não conhece melhor, ele parece exatamente como um demônio. Este não é o caso, Fudô Myo-o é geralmente cercado por chamas, muitas vezes pintado de vermelho vivo ou laranja, mesmo em estátuas de pedra. Eles representam a queima da raiva e da paixão para purificar a mente. 

Ele geralmente fica de pé ou sentado sobre uma pedra que representa sua determinação, ficar onde ele está, sua imobilidade.  Fudô Myo-o segura uma corda na mão esquerda, usada para pegar e amarrar os demônios  e uma espada chamada “Kurikara” ou espada subjugadora do diabo para subjugar os demônios. A “Kurikara” também é usado para cortar  ignorância.

Fudô Myo-o tem seu rosto contorcido de raiva, suas sobrancelhas elevadas e boca  fazendo uma careta ameaçadoramente. Ele geralmente tem duas presas saindo de sua boca: uma  apontando para cima (representa a força de seu desejo de progredir para cima em seu serviço pela a verdade) e a outra apontando  para baixo (representa sua compaixão ilimitada por aqueles que sofrem em corpo e espírito).

Ele também costuma ter um terceiro olho, representando sua capacidade de ver tudo. Sua pele é geralmente muito azul escura, quase preta.  Finalmente, o cabelo dele está trançado no lado da cabeça na forma de um  servo para representar o seu serviço a todos os seres sencientes.

No Japão, o Fudô Myo-o é conhecido, também, como a deidade protetora das artes marciais, em especial do Aikido e do Ninjutsu, representando o espírito calmo, livre da agressividade. Para os praticantes de artes marciais, a figura do Fudô Myo-o representa o maior de todos os oponentes, qual seja, a própria pessoa, com seus medos e limitações autoimpostas, que impedem cada um de evoluir, eis que, para conseguir dominar e superar as barreiras e adversários, faz-se necessário conhecer-se a si próprio e vencer suas frustrações.

Mantra

の う ま く さ ん ま ん ん わ ば ざ ざ う だ だ ら ら ん だ か か ろ ゃ ゃ だ わ わ わ た や や う ん ん た ら た か ん ま ん 

“Nômaku sanmanda bazaradan senda makaroshada sowataya un tarata kanman.”

 

Colaboração:

www.japanese-buddhism.com

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