Uma compreensão de corpo na Filosofia do Aikidô: um resumo – Por Moaldecir Freire Domingos Júnior

No dia 15 de julho de 2010 apresentamos nossa monografia, intitulada “Uma compreensão de corpo na Filosofia do Aikidô”, ao Departamento de Educação Física da UFRN no intuito de obter o título de Licenciado em Educação Física, assim como, ter o prazer de conhecer mais sobre o Aikidô e a cultura japonesa.

A pesquisa teve como objeto de estudo a compreensão de corpo na Filosofia do Aikidô. Assim, tivemos como questões de estudo: qual a compreensão de corpo na Filosofia do Aikidô? Como essa compreensão influência a prática do Aikidô? Qual a contribuição da compreensão de corpo na Filosofia do Aikidô ao conhecimento da Educação Física?

Nosso estudo foi um trabalho filosófico inspirado na Fenomenologia de Merleau-Ponty e para esse pensador, a Fenomenologia é o estudo das essências, e todos os problemas resumem-se em definir essências que estão na existência.

Para compreender o corpo no Aikidô, partimos da noção de corpo em Merleau-Ponty. Segundo esse Filósofo, o corpo é compreendido não como uma soma de órgãos justapostos, mas o corpo é a condição existencial do homem, é pelo corpo que homem conhece o mundo, a si mesmo e aos outros (MERLEAU-PONTY, 2006).

Assim, pensamos sobre o corpo a partir das seguintes categorias: a cinestesia, o corpo e o espaço, e o corpo na relação com o outro. Descrevemos essas categorias a partir do estudo sobre o Aikidô obtida através da interpretação de textos sobre esta arte marcial e de observações livres, considerando nossa experiência vivida na Academia Central de Aikidô de Natal.

A cinestesia é percepção do corpo em movimento atado a um fundo, o mundo. O espaço não é visto como o ambiente que as coisas se dispõem, mas o meio pelo qual a posição das coisas se torna possível e devemos pensá-lo como a potência universal de suas conexões. Dessa maneira, o corpo não está no espaço, ele habita o espaço e nossas relações com o espaço não são as de um puro sujeito desencarnado com um objeto longínquo, mas as de um habitante de espaço com seu meio familiar (MERLEAU-PONTY, 2004, p.16).

A partir da compreensão de corpo, cinestesia e espaço, nota-se o esforço de Merleau-Ponty em unir as coisas. No que diz respeito à última categoria de nossa pesquisa, o outro, esse pensamento de união continua. O filósofo francês não concorda com a ideia de o outro ser um objeto material sem intenção, sem desejos, ao contrário, o outro é um ser-no-mundo que também tem intenção, pensa, age, sofre, chora. O eu e outro coexistem no mesmo mundo.

Explicado a base teórica de nossa monografia, passamos agora aos resumos dos dois capítulos e de nossa provisória e incompleta conclusão, uma vez que o conhecimento é dinâmico e mutável.

O primeiro capítulo é dedicado a contextualizar o Aikidô – enquanto uma Filosofia e uma Arte-marcial – identificando seus pressupostos filosóficos, históricos e religiosos, dessa forma, apontando Notas sobre o pensamento do Aikidô. Nessa parte do estudo também abordamos brevemente sobre a vida de Morihei Ueshiba, o criador do Aikidô.

No segundo capítulo descrevemos a estrutura de uma aula de Aikidô a partir de nossas observações e leituras, ao mesmo tempo, relacionando com as categorias: cinestesia, o corpo e o espaço e o corpo na relação com o outro no intuito de compreendermos o corpo nessa arte marcial japonesa.

A partir desses dois capítulos nos quais tentamos pensar sobre o corpo no Aikidô, percebemos uma parceria entre o Aikidô e a Educação Física poderia colaborar na divulgação e vivência de outro olhar ao corpo, não mais aquele olhar fixado numa busca desenfreada e a todo custo por saúde, beleza e ser o mais forte. Mas, um olhar pautado em viver o corpo na sua totalidade, experimentado novas sensações: perceber a própria respiração, sentir quais músculos estão rijos, quais estão alongados, como estão nossas atitudes enquanto um ser-social-no-mundo, o que temos feito para construir um lugar bom para viver-bem; também atentarmos para o corpo do outro, saber o quê o outro necessita, como vai a história de vida desse corpo que vive perto de meu corpo. Precisamos sentir mais uns aos outros. O toque é algo importante na relação humana, uma vez que essa relação é corporal.

Por fim, tendo em vista o movimento epistemológico que tem ocorrido na Educação Física brasileira há aproximadamente três décadas, em especial aqueles buscam superar uma visão mecanicista e tecnicista do corpo, concluímos que a compreensão de corpo na Filosofia do Aikidô pode contribuir em fortalecer esse movimento por meio da experiência cinestésica e de sua atitude filosófica.

Referências:

MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da Percepção. 3ª Ed. Tradução de Carlos Alberto Ribeiro de Moura. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

__________. Conversas, 1948. Organização e notas de Stéphanie Ménasé. Tradução de Fabio Landa. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

*Moaldecir Freire Domingos Júnior – Formado em Educação Física pela UFRN e Faixa – Amarela (5º Kyu) da Academia Central de Aikidô de Natal.

Colaboração: www.impressione.wordpress.com

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One Response to Uma compreensão de corpo na Filosofia do Aikidô: um resumo – Por Moaldecir Freire Domingos Júnior

  1. Bonfá disse:

    Ola Amigo, Sou praticante de aikido e fiquei interessado sobre o trabalho. Será que existe e possibilidade de acesso a monografia em meio digital?
    Obrigado,

    César Bonfá

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