O BAMBU E O AIKIDÔ – Por Pâmela Alves

.

Ser uma kohai (iniciante) na prática do Aikidô e escrever acerca desta arte de raízes tão profundas não é uma tarefa das mais fáceis. Mas, partindo da compreensão de que os seus ensinamentos são transmitidos Kokoro to kokoro (de coração para coração), procurarei expressar alguma das minhas sensações-percepções envolvendo a minha práxis no dojô.

Certa feita, em um dia de treino no espaço da Academia Central de Aikidô de Natal, pude observar os bambus dançarem ao ritmo do vento e ouvir o som suave que o balançar das suas folhas produziam, me senti em paz. Não pude me furtar de perceber o quanto os bambus têm semelhança com o Aikidô, o quanto a arte imita a vida…

O bambu é uma planta de raízes extremamente profundas, que leva anos para despontar da terra e crescer da forma como o visualizamos. Plantada a semente, são aproximadamente cinco anos para que finque as suas raízes ao solo de forma a lhe garantir estabilidade e resistência quando emergir. Ao crescer, ele se reveste de fortaleza, por haver se erguido em bases sólidas, apesar da sua aparência frágil. Assim, mesmo com a força dos ventos, ele verga, se curvando em respeito a esta força natural, no entanto não se parte, sendo a sua flexibilidade um exemplo de resiliência.

O mesmo processo descrito pode ser vislumbrado no Aikidô; os resultados no início da prática podem parecer imperceptíveis, podem não ser sentidos, mas as transformações estão acontecendo dentro de nós, bem no âmago do nosso ser, que com a necessária persistência e paciência em sua continuidade farão com que os seus efeitos se tornem certamente manifestos.

Da mesma forma que ocorre nos bambus, as mudanças conosco acontecem a priori internamente, na construção de uma fundação consistente, no intuito de manifestar uma fortaleza que nasce de dentro para fora e se expande, sendo esta inabalável. Com o passar do tempo, os movimentos do Aikidô conferem aos nossos corpos mais flexibilidade, e, com isso, passamos a não nos machucar com a aplicação da técnica; a força externa aplicada não consegue mais nos causar dor, sofrimento. Em outras palavras, no momento em que despertarmos a nossa força interior, e nos moldamos às realidades vivenciadas, nada conseguirá nos abalar, deter, permanecendo serena a nossa alma, e esta lição levamos para a vida.

Minha imensa gratidão aos ensinamentos que fortalecem as minhas raízes: Domo arigato gozaimashita!

.
*Pâmela Alves – Faixa-branca, aluna da Academia Central de Aikido de Natal.

.

Colaboração:

http://www.impressione.wordpress.com

http://www.projetoaikido.wordpress.com

.

2 respostas para O BAMBU E O AIKIDÔ – Por Pâmela Alves

  1. CrisB disse:

    Belo texto Pâmela San, parabéns!

  2. Gostei muitíssimo do texto. Vivencio a mesma experiência e corroboro com tudo o que foi dito.
    No que diz respeito ao aikido, em tudo vemos aprendizado. A mesma coisa pode ser dita da vida.

    Um grande abraço.

Comente

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: