Treino e Colaboração – Por Marcos José do Nascimento

04/09/2013

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No Aikido estilo Aikikai não há combates, só aplicações de técnicas em katas e no Ju-waza.

A execução das técnicas, tanto numa quanto noutra realidade dentro do Dojo, dá-se a partir de um estado mínimo de colaboração do uke para com o nage ou tori, esse estado de espírito ou de colaboração pode denominar-se como ki-no-nagare.

Ele deve possuir uma dosagem mínima, a ponto de não vir a causar uma descaracterização da técnica aplicada, como também não impedir a sua realização.

Não é concebível, dentro do ambiente de treino, uma postura rígida que venha a dificultar a realização de uma técnica, posto que não há nenhuma forma de combate no Aikido Aikikai, e tal atitude demonstra, quando não desconhecimento dos princípios básicos da arte, um gesto de descortesia do uke para com o nage.

O Aikido é herdeiro, assim como o Judô, das tradições samurai, a partir dos diversos estilos de Jujutsu, arte desenvolvida pelos samurais e utilizada em campos de batalha, em situações de vida e morte. Tem-se notícia de que uma das antigas escolas de Jujutsu, ainda hoje ativa no Japão, é a Takenouchi, criada pelo samurai Takenouchi Hisamori, em 1532, e que antes da existência do Jujutusu já havia outras formas de combate semelhantes, como Yawara e Kogusoku, entre elas.

Quando o Jujutsu tornou-se uma forma de combate aplicado ao modo de vida urbano, à vida civil, na segunda metade do século XIX, alguns de seus praticantes inconformados com o declínio do poder samurai e ainda muito apegados ao passado recente não acreditavam apenas no treino e pugnavam pelo teste real da efetividade das técnicas, provocando desordens das mais variadas na sociedade japonesa da época, entre elas desafios na rua com outros Dojos.

Era uma crença entre esses praticantes que a única maneira de testar a efetividade de uma técnica era o combate real, descrendo dos treinos realizados nas academias de então. Ainda podemos encontrar traços desse comportamento na história recente das artes marciais, mais ou menos acentuados.

Pode-se valer, por analogia, para o exame do assunto, o exemplo do Judô, que é, em um de seus aspectos, sem que não o único como muitos crêem, a existência do combate com ou sem árbitro, respectivamente, shiai e handori.

Nos treinos de técnicas, entre eles há o uchi-komi, que se constitui em repetição de técnicas tanto pelo lado direito ou esquerdo, e ele pode ser realizado parado ou em movimentação nas mais variadas direções.

No treino de uchi komi, há um uke e um tori. O uke não resiste à movimentação feita pelo tori ou nage, da mesma forma que não dificulta os seus movimentos, também não os facilita em demasia, descaracterizando uma movimentação pretendida, como também não lhe opõe resistência, pois esta só acontece no momento do handori ou do shiai.

Há também no Judô o treino de henraku-henka-waza e henzoku-henka-waza, combinações de técnicas, em que o nage inicia uma técnica e, a depender da combinação usada, pode haver uma discreta resistência do uke, que faz mesmo parte do treino, estando prevista, integrando a movimentação, mas ainda assim ela não é tão real quanto acontece em combate efetivo.

Desta forma, compreende-se que é descabível, por completo, haver resistência do uke ao que pretende realizar o tori, dentro do ambiente do Aikido Aikikai, postura totalmente equivocada, quando não deseducada ou desrespeitosa para com o parceiro de treino, uma vez que o espírito que norteia é o de cooperação, não havendo motivo para testar-se a técnica do outro, que não é um oponente, um adversário.

Assumir tal postura demonstra desconhecimento dos princípios elementares e quando parte de um menos graduado para o mais graduado é desrespeito, que pode ser relevado se parte de um iniciante, ainda não informado sobre o assunto, e se parte de um mais graduado para um menos graduado, ainda que ostente o título de Yundansha, demonstra que a sua preocupação é com a técnica (Jutsu) e não com o Do (caminho), e ainda se encontra imbuído do mesmo espírito que havia do século XIX para trás na história do Jujutsu.

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Marcos José do Nascimento – Servidor Público Federal e faixa-preta em Judô pela Higashi e de Aikidô pela Academia Central de Aikidô de Natal.

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Colaboração:

www.impressione.wordpress.com

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Primeira Turma de Aikidô de Rodrigo Sensei em Natal – Por Aleksej Nobre Marques – 10 Anos da Academia Central de Aikidô de Natal

03/04/2009

Comecei a treinar na primeira turma de Aikidô de Rodrigo Sensei em Natal. Tudo começou no final de julho para o início de agosto do ano de 1999, na Academia Higashi no CONACAN, Bairro de Candelária.

 

Me lembro de Marco, Cláudio, James, Marcinha, Elvira, Verinha, Fernanda Coe e Carol Coe, Nísia, o Ministro da Igreja de Elvira (não me recordo o nome dele), Leilton,  Alfredo. Alguns dias depois, chegou Igor e Serginho, este último, havia me telefonado e pedido informações sobre os treinos. Logo o Sérgio começou a treinar e nunca parou, até hoje, sendo atualmente um dos instrutores e dirigentes da ACAN. Tinha mais gente, mas não lembro agora. Foi lá que tudo começou.

 

Em outubro do mesmo ano, nos mudamos pra nossa primeira sede no Cidade Jardim em cima da Drogaria Amadeus e por lá ficamos por mais de 3 anos. Lá fizemos nosso primeiro exame de faixa com a presença de Rogério Sensei e Federico Sensei e lá eu me graduei até a chegar a 1º Kyu (faixa-marrom). Com pouco tempo que chegamos lá, começaram a treinar o Gabriel, Marcos e Cláudia, Cristina, Paloma e Patrick, Gil e Maíra, Sol, Pedras, Maroni, Miquéias, Gutemberg e Rodrigo. Ficamos lá até 2002, nesse ano mudamos para o local em que a ACAN funciona até Hoje.

 

Nesse mesmo ano a 1ª turma de faixas-prestas (Shodan) foi formada em São Paulo com Kawai Shihan na banca examinadora: Marco, James, Sérgio, Gabriel, Carol, Cláudio, Miquéias, Maroni, Alfredo e Leilton e Marcos são sagrados Shodan(s).

 

Fico feliz por ter participado de toda essa história e continuar participando. Saudades desse tempo? Tenho e acho que todos têm, mas uma saudade gostosa que sempre é atenuada com os treinos na ACAN e o convívio dos que estão treinando atualmente. Beijo no coração de todos. Domo Arigatô Gozaimas.

 

ALEKSEJ ALEKSANDRO NOBRE MARQUES – Técnico Judiciário do TJRN – 1º kyu  (Faixa-Marrom) de Aikidô da Academia Central de Aikidô de Natal


Os Três Aspectos do Judô – Por Jigoro Kano

02/04/2009

Quando o Judô, como nós conhecemos hoje, era ainda primitivo e comumente se referia a ele como Jujutsu, o principal propósito do treino era aprender um método pelo qual se aparava um ataque. Os praticantes assim faziam com o objetivo de colocar as habilidades que eles haviam aprendido para o uso da nação ou para defenderem-se. Mas mesmo se eles tivessem um propósito no treino, era sem muitas dificuldades, e muitos praticantes particularmente que exploravam como colocar as habilidades que eles haviam aprendido, ficaram, em vez disso, principalmente interessados no desenvolvimento da força.

 

Desde o estabelecimento da Kodokan, o Judô tem-se tornado algo que deveria ser estudado não apenas como um método de defesa pessoal, mas também como uma maneira de treinar o corpo e cultivar a mente. Naturalmente, esse treino físico e cultivo mental têm de possuir seu próprio propósito, e desde o começo eu tenho enfatizado que o corpo treinado e a mente cultivada têm de ser colocados para bons usos. Entretanto, no passado havia uma energia adquirida através desse cultivo que era relativamente negligenciada. No futuro, eu gostaria de defender todos os três aspectos igualmente.

 

É difícil ponderar a relativa importância dessas três coisas, mas tomá-las com o objetivo do completo estudo da defesa contra o ataque é base e habilidade para treinar o corpo e cultivar a mente que vem desse estudo. Com um corpo bem treinado e uma mente cultivada, você pode aplicar o seu treino a benefício da sociedade. Assim, tomando esses processos em uma ordem lógica, colocando a sua energia em uso na sociedade é o último fator a ser considerado. Entretanto, se nós olhamos para ele de uma outra direção, colocando a sua energia para o melhor uso, tem de ser o propósito final do estudo da atividade humana. Treino e cultivo do corpo e da mente são caminhos para alcançar esse propósito. E porque esse treino e cultivo naturalmente evoluem do treino da defesa contra ataque, podemos entender o treino da defesa contra ataque como um meio para um fim.

 

O verdadeiro valor de uma pessoa é determinado pelo quanto ela contribui para sociedade durante a sua vida. Isso se aplica às pessoas comuns também, mas em particular àquelas que se especializam no Judô que têm de agir de um modo consistente com os propósitos do Judô. Quando você pratica Judô, tem de tentar aperfeiçoar-se e contribuir para a sociedade através dessa prática, você tem de enfatizar a importância disso durante os seus ensinamentos aos outros.

 

Ao mesmo tempo, você tem de escolher métodos que permitam você o melhor alcance dos objetivos do Judô na sua vida diária. Por exemplo, com respeito às exigências básicas da vida tais como comida, roupa e abrigo, e também na sua interação social, você tem de seriamente considerar se está conduzindo a sua vida ao mesmo tempo em que faz a sua máxima contribuição para a sociedade. Algo que parece bom porque está à mão pode ser imprestável no futuro, enquanto alguns em alguns casos um pouco de paciência é altamente efetiva para favorecer a sua sorte no futuro. Todos esses aspectos têm de ser considerados e planejar cuidadosamente é necessário, a fim de alcançar um bom resultado global.

 

Isso não é de modo algum uma tarefa, o sucesso de alguém ou o fracasso dependem principalmente da preparação (ou carecer daquilo) nessas áreas, então isso tem de ser considerado seriamente. A base da felicidade na vida é encontrada não em perseguir o ganho material ou o prazer temporário, e a verdadeira bondade voltada para os amigos significa dar conselhos sérios quando precisam, de forma abnegada, sem receito de ofendê-los.

 

Até aqui eu realcei nessas páginas que o propósito do Judô é aperfeiçoar a si mesmo, para colaborar com a sociedade, e adaptar-se à época em que se vive. As pessoas podem razoavelmente se perguntarem como o propósito do Judô difere dos propósitos das pessoas comuns e podem indagar a necessidade de prosseguir no Judô. O propósito do Judô, claro, não difere do das pessoas comuns – nesse aspecto repousa o valor do Judô.

 

Porque o propósito do Judô é o mesmo que os das pessoas comuns, não há necessidade em hesitar em fazer um esforço para cumprir esse propósito. A razão do Judô é necessária para preencher o propósito de alguém é que a prática do Judô capacita-nos a encontrar o meio mais apropriado e a desenvolver a habilidade para assim proceder. Não há dúvida que o sucesso depende dos meios. E, além disso, para ser a melhor maneira de aprender como fazer o uso mais efetivo da sua força física e mental, pode ser dito que o Judô é “estudo dos meios”, e a sua prática é o estudo dos melhores meios para alcançar todos os tipos de sucesso.

 

Tradução: MARCOS JOSÉ DO NASCIMENTO – Servidor Público Federal, 1° Kyu de Aikidô pela Academia Central de Aikidô de Natal e Yudansha de Judô pela Academia Higashi, em Natal/RN


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