A graça e leveza do AIKIDO – Por Roberta Macedo Xavier

27/05/2014

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Quando assistimos a um vídeo de Aikido ficamos maravilhados com a beleza e a graça dos movimentos. Podemos imaginar que tudo poderia muito bem ter sido ensaiado, e de certa forma, se não há o lado espiritual e treinamos apenas o corpo, então sim, teremos apenas golpes ensaiados. Certa vez escutei um professor de uma outra arte marcial se referir ao Aikido como “aquele balé”. Trata-se de uma visão superficial e bastante míope de quem não tem conhecimento suficiente para emitir uma opinião, digamos mais justa sobre o assunto.

Sabe-se que O-Sensei era possuidor de uma força extraordinária e de uma técnica que não há o que comentar, entretanto, é de conhecimento público a sua profunda convicção espiritual. Homem de grande fé nas coisas em que acreditava, tinha em muita conta a importância espiritual na sua vida, assim como na de seus alunos. Principalmente os mais próximos, aqueles que tiveram o privilégio de conviver com o cotidiano de O-Sensei, puderam constatar a seriedade com que falava sobre o assunto, não obstante, muitos deles não compreenderem completamente o sentido do que o mestre tentava transmitir.

Gosto do relato de um fato ocorrido com um grupo de alunos veteranos citado no livro Os Segredos do Aikido de John Stevens, quando o fundador os convidou para irem ao dojo no intuito de revelar-lhes os tais segredos do Aikido. Acho interessante a maneira como o autor descreveu a ansiedade dos mesmos em saber como se tornariam invencíveis e capazes de realizar proezas extraordinárias e como ficaram frustrados após escutarem por mais de uma hora sobre temas os mais sutis possíveis, como a necessidade de serenar o espírito e retornar à Fonte.

Então, o que estou querendo dizer é que a leveza e a graça do Aikido não residem essencialmente em como se realiza a técnica e sim no espírito, na vontade de crescer entendendo o sentido espiritual. Não importa o quão forte estejamos empenhados em aprimorar e refinar os movimentos se não estivermos igualmente preocupados em forjar nosso espírito. Se um praticante não aprender a essência do Aikido, as técnicas jamais ganharão vida. (1)

O que significa Ki? É a força que nos move. Espírito também pode ser entendido através do ki. Ki, energia vital, ou a força da vida. As duas coisas se confundem. Daí a sua relevância dentro da técnica. A função do Ki é muito bem explicada no livro de William Gleasom, Aikido e o Poder das Palavras. No nosso corpo é o hara, a fonte do nosso ki e do nosso sangue. É o ponto que dá origem à vida e ao movimento. (2)

O movimento começa com a intenção, com nosso desejo de realizar os golpes ou posturas. Posturas graciosas no yoga são chamados Ásana. Às vezes é útil que o praticante pense nos movimentos do Aikido, não como técnicas de uma arte marcial mortífera, mas como Ásana, posturas físicas que ligam o praticante a verdades mais elevadas. (1)

Para concluir, acredito que deveríamos nos preocupar, antes de qualquer coisa, com a evolução espiritual, pois o refinar da técnica viria como consequência, assim como está escrito na Bíblia, no livro de Mateus, versículo 33 onde se pode ler “Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. (3)

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*Roberta Macedo Xavier – bancária, Shodan (faixa-preta) da Academia Central de Aikido de Natal.

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Referências Bibliográficas:

(1)   John Stevens, OS SEGREDOS DO AIKIDO, editora pensamento, 1995.

(2)   William Gleason, AIKIDO E O PODER DAS PALAVRAS – OS SONS SAGRADOS DO KOTOTAMA, editora Pensamento, 2013.

(3)   Tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, BÍBLIA SAGRADA edição ecumênica da Barsa, 1977.

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Colaboração:

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O Treino de Sexta – Por Diogo Paschoal

13/05/2014

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Nessa última sexta, durante o treino com espada, finalmente, eu consegui entender um erro besta, mas que fez muita coisa fazer sentido.

Sensei James tem frisado bastante o movimento com a espada em cada uma das mãos, separadamente. Primeiro fazemos com uma, depois fazemos com a outra. Eu achava que era só pra entendermos como segurar a espada de forma correta, como movimentarmos ela de forma correta.

Desde a primeira vez em que comecei no aikido (em 2009), e comprei minha espada, eu treinava no quintal de casa, na areia mesmo e repetia os mesmos movimentos por um tempo razoável. Corte na linha do shomen, corte na linha de yokomen. Sempre procurando prestar atenção na noção de centro e sempre atentando para o tai sabaki.

Depois de 4 anos afastado e fazendo uns 8 meses desse retorno, no treino de sexta, ainda percebi o mesmo erro: o corte em zigue-zague, Um “S” que a espada faz ao descer eu sempre me perguntava: – o que diabos eu tô fazendo errado??? – Por que danado essa espada não desce reta? – Será o lance de “tremor essencial” que minha família tem? Uns tremores quase imperceptíveis dos membros, mas que não são parkinson.

Juntando algumas coisas que o senpai Iran tinha me ensinado em um dia de treino com espadas com o que Sensei James tem repetido e insistido de forma tão sábia, acho que entendi o que provavelmente a maioria de vocês já sabem: usar a força das duas mãos. Ora, eu estou descendo a espada com as duas mãos. Eu não posso desequilibrar a força de uma com a outra. As duas tem que doar a energia necessária de forma equilibrada para que o corte saia certo, coerente, firme, mas com sensibilidade suficiente para que as duas se harmonizem.

A partir disso, outra coisa bacana me veio à cabeça, sobre o estudo de uke que venho fazendo: temos um uke e um nage dentro de nós o tempo todo. Vemos isso na natureza, na homeostase, na entropia, em tudo… O tempo todo, temos forças conflitantes dentro de nós, que, na maioria das pessoas, só chega ao ponto de equilíbrio quando estamos pertinho de fechar os olhos pela última vez.

Assim como o estudo de uma coisa simples como o descer de uma espada merece atenção, cuidado, carinho e sensibilidade, eu percebo o quão importante tem sido doar a energia necessária da firmeza, do amor, da imperatividade, da calma e estudar isso. Vejo isso no meu filho, quando procuro educá-lo. Vejo isso na minha esposa, quando procuro entender os anseios dela, vejo isso nos meus amigos, quando procuro entender o ciclo da vida deles, vejo isso em mim, quando procuro entender que tenho um uke extremamente agressivo, territorialista, arrogante, bruto e que vai aprendendo aos poucos a doar a energia necessária para que o nage execute as tarefas do dia a dia.

Sempre me cobrei tanto, sempre fui tão exigente em fazer as coisas da forma correta, ter valores excelentes, um caráter irrepreensível que, quando falhava de forma miserável, eu sentia o peso de tudo e todo o trabalho parecia perdido. Passei 4 anos afastado do aikido, e sempre me prometendo voltar, lembrando do que Sensei Sérgio falou uma vez sobre as correntes que criamos para nós mesmos, que nos prendem a maus hábitos e a coisas negativas. E, quando passei a me aceitar, a abraçar meus erros e entender que eles fazem parte de quem eu sou, comecei a ter mais força pra trabalhar esses erros, a quebras as correntes, a ser um uke melhor para meus colegas, para meu filho, para minha esposa e passei a me respeitar e amar mais, afinal, se eu não conseguir ser um bom uke para meu nage interior, nunca vou conseguir fazer um shomen em linha reta, nunca vou conseguir sequer andar sem tropeçar e me sentir animado a continuar andando.

Sinto uma enorme gratidão a meus colegas por terem me proporcionado isso e aos sensei que tem nos acompanhado no aprendizado que só acaba quando descansamos no final da vida.

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*Diogo Paschoal, faixa-amarela, Aluno da Academia Central de Aikidô de Natal.

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A senda do AIKIDO – Por Roberta Macedo Xavier

08/05/2014

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Foi em meados do ano de 2005 que fui apresentada ao AIKIDO, através de um colega de trabalho já praticante dessa arte marcial. Convidou-me a conhecer a Academia Central de Aikido de Natal e eu aceitei prontamente, pois tinha curiosidade em saber o que tanto o atraía nela. Mal entrei e senti um clima diferente, o soar dos bambus dos sinos dos ventos levemente era o que se podia ouvir. Aproximei-me, sentei em frente ao tatame e fiquei fascinada com aquela calça-saia preta, que depois descobri chamar-se hakama, quanta elegância! Mas, o que me fez apaixonar à primeira vista foi a postura educada das pessoas que estavam treinando. Ah! Polidez e delicadeza ao ouvir àquele que estava falando, presumi ser o professor. O colega explicou-me que quando o Sensei falava, os alunos se colocavam na posição de seiza (de joelhos), em sinal de respeito para aprender o que lhes era ensinado.

Então, no dia 19 de agosto do mesmo ano, resolvi começar esse grande desafio. Fiz a matrícula e iniciei os treinos. Qual não foi minha surpresa, que logo no primeiro dia, tive grandes e esclarecedores ensinamentos vindos do Sensei James, que me acompanhariam durante toda minha caminhada, não apenas naquele lugar, mas em toda minha vida. A etiqueta no dojô é apenas um vislumbre do que se pode ter quando se observa um treino de AIKIDO. O respeito, a gentileza, o uso do dogi limpo, tudo isso é apenas cortesia, uma pequena parte, atrevo-me a dizer, a mais superficial do AIKIDO.

Explicou-me, o Sensei, que no AIKIDO não existe competição, não necessitamos vencer o outro para nos sentirmos melhores, entretanto não precisamos fugir de algo que se coloca em nossa frente e vem em nossa direção. Um grande ponto de interrogação se formou em minha cabeça, como assim? Não precisei externar minhas conjeturas, o Sensei calmamente continuou. Através de um ataque shomen uchi com a finalização irimi nage, Sensei James foi explicando. Perceba, quando alguém tem um ponto de vista diferente do seu, talvez queira confrontá-la, ou convencê-la de que está certa e talvez de uma maneira que você não espera, golpeando-a frontalmente. Devemos estar preparados para isso. Entrando levemente na diagonal, apenas para sairmos da linha de ataque, desviando, porém, sem fugir do que nos foi proposto, nos colocamos de forma a ficar ao lado dessa pessoa. Dando um passo e um giro, irimi tenkan, ficamos juntos do suposto agressor, então somos capazes de ver o que essa pessoa estava vendo ao tomar essa decisão, o ponto de vista dela, a realidade dela. Mais do que isso, devemos nos preocupar com o bem estar dessa pessoa, conduzindo-a de uma forma a preservar a sua integridade física, redirecionado a energia gerada no ataque para um caminho inesperado para a pessoa que desferiu o golpe. Talvez também não seja o que você gostaria, mas uma terceira opção, o da harmonia.

Use o espírito para forjar o corpo físico. Use o seu Ki para superar todos os obstáculos que lhe confrontarem e nunca evite um desafio. Não tente controlar ou restringir seu oponente de modo não natural. (1) Exatamente o que me ensinou Sensei James naquele dia.

Sim, acredito que não devemos tentar mudar o outro, mas se desejamos o caminho da harmonia, devemos também estar abertos a aprimorar nosso espírito. A tentar enxergar o que o outro vê, a se colocar no lugar dele e tentar entender o que o levou a tomar certa atitude. Qualquer caminho a ser trilhado estará repleto de desafios e dificuldades a serem superados, independente de religião, profissão ou seja lá o que escolhermos realizar em nossas vidas. O que faz a diferença é a disposição de querermos vencer, não no sentido de derrotar, mas de construir algo melhor, para todos.

O treinamento em AIKIDO não visa tornar alguém fisicamente forte ou torná-lo habilidoso no combate; seu propósito é reunir pacificamente todas as pessoas do mundo, melhorar as coisas pouco a pouco, ficar centrado e em sintonia com o universo. O AIKIDO é uma bússola que nos aponta a direção correta, e assim cada um de nós pode realizar a sua missão na terra. AIKIDO é o caminho da harmonia. AIKIDO é a senda do amor. (1)

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Referência Bibliográfica:

 1.Morihei Ueshiba; ENSINAMENTOS SECRETOS DO AIKIDO, editora Cultrix, SP, 2010.

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*Roberta Macedo Xavier – Bancária, Shodan (faixa-preta 1º Dan), aluna da Academia Central de Aikidô de Natal.

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Colaboração:

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Sobre você e seus mestres – Por Eugen Herrigel

11/04/2013

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…da Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen.

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O aluno traz consigo três coisas: Uma boa educação, um profundo amor pela arte escolhida e uma veneração incondicional pelo mestre. Desde tempos imemoriais, a relação entre mestre e discípulo pertence às relações elementares da vida e ultrapassa muito os limites da matéria que ensina. No principio, a única coisa que se lhe exige é que imite respeitosamente tudo que o mestre faz. Pouco amigo de prolixos doutrinamentos e motivações, ele se limita a breves indicações e não espera que o aluno faça perguntas. Observa tranquilamente suas ações, sem esperar independência ou iniciativa própria, aguardando com paciência o crescimento e a maturação. Os dois dispõem de tempo: o mestre não pressiona, o discípulo não se precipita.”

Longe de querer despertar prematuramente o artista, o mestre considera como sua missão primordial converter o discípulo num artesão que domine profundamente o oficio, o que este fará com sua habitual e pertinaz dedicação e como se não tivesse aspirações mais elevadas, submetendo-se ao duro aprendizado com resignação, para descobrir com o passar dos anos, que o domínio perfeito da arte, longe de oprimir, libera.”

Áspero é o caminho do aprendizado. Muitas vezes, a única coisa que mantém o discípulo animado é a fé no mestre, em quem só agora reconhece o domínio absoluto da arte: com sua vida, dá-lhe o exemplo do que seja obra interior, e convence-o apenas com a sua presença. Nessa etapa, a imitação do discípulo atinge a maturidade, conduzindo-o a compartilhar com o mestre o domínio artístico. Até onde o discípulo chegará é coisa que não preocupa o mestre. Ele apenas lhe ensina o caminho, deixando-o percorrê-lo por si mesmo, sem a companhia de ninguém. A fim de que o aluno supere a prova da solidão, o mestre se separa dele, exortando-o cordialmente a prosseguir mais longe do que ele e a se elevar acima dos ombros do mestre.”

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*Eugen Herrigel – (20 de Março de 1884 em Lichtenau, Baden – 18 de abril de 1955, em Partenkirchen, Baviera ). Dentre outros livros, escreveu: A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen e O Caminho Zen. Foi um filósofo alemão que ensinou filosofia na Universidade Imperial de Tohoku, em Sendai, Japão, 1924-1929 e introduziu o Zen em grande parte da Europa através de seus escritos . Enquanto vivia no Japão 1924-1929, ele estudou kyūdō , arte japonês tradicional do arco e flecha , sob os olhares de Awa Kenzo (1880-1939), um mestre na arte, na esperança de promover a compreensão do zen. Em julho de 1929, ele retornou à Alemanha e lhe foi dada uma cadeira para ensinar filosofia na Universidade de Erlangen.

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O Espírito do Aikidô: aprendendo, sentindo e transmitindo a essência – Por Kanshu Sunadomari

22/11/2011

Uma vida de treinamento: Perseguindo técnicas que tocam o coração do nosso parceiro. 

O seguinte texto é formado por instruções dadas por Kanshu Sunadomari Sensei no 351º seminário de faixas – pretas, em 23 de janeiro de 2005, na cidade de Kumamoto, Japão.

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A prática do taisabaki (o desvio do corpo)

Em casos onde o nosso parceiro nos ataca de uma distancia, taisabaki é da maior importância. Sem ser capaz de rodar ou virar o corpo adequadamente é impossível absorver o ataque e você vai inevitavelmente entrar em conflito com o atacante. Virar e rodar os quadris é extremamente importante. É mais essencial conectar harmoniosamente com o atacante do que tentar derruba-lo. Ao liberar força, com a tensão do corpo e virando nossos quadris nós podemos nos esquivar de um ataque. Através da pratica desse tipo de taisabaki, nós podemos continuar a treinar e a executar técnicas por toda a nossa vida até quando estivermos na velhice.

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O esforço em desenvolver técnicas que transportam o seu espírito

Nós devemos desenvolver técnicas que incorporem e expressem nossos espíritos. Quando envelhecemos, técnicas que não transmitem o espírito através do corpo físico não possuem significado algum. Pregar sobre o amor sem ser capaz de transmiti-lo á outros é infrutífero. Temos que alcançar um ponto em que consigamos manifestar fisicamente o espírito através do nosso corpo. Justamente o que o Fundador se referia em suas palavras “Aiki é amor” e “fazer com que o inimigo deixe de ser inimigo”. Precisamos gastar uma quantidade significativa de tempo estudando como incorporar essas ideias em nossas técnicas.

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O uso crescente da força física leva para a autodestruição

Taisabaki é mais importante quando lidamos com um ataque de uma certa distância. Em casos em que seu oponente estiver perto, você não deve apelar para a força física quando estiver sendo agarrado ou tocado. Fazer isso só cria conflito entre você e ele/ela. Se você for duro, você será derrotado no instante que o atacante fizer contato. Mantendo a intenção de confiar no atacante é essencial. Através desse estado de coração e mente é possível lidar com o seu oponente livremente. No instante em que você é tocado, deve segurar o parceiro conectando-se com ele. Você pode achar que se fizer isso contra um atacante agarrando com muita força você será parado. Ao contrário, contra atacantes hostis, as técnicas de Aiki Manseido vão arremessa-los com uma força proporcional á força que eles usam. Quanto mais força física alguém usar, maiores serão os danos provocados a ele mesmo. Esse é um jeito de manifestar o espírito através do corpo físico. Em tal Caminho, nós podemos demonstrar claramente para outras pessoas que contar com apenas força física levara a esse final. Eu sinto que é importante treinar Aikidô por toda a nossa vida com esse propósito em mente, de adicionar ao treinamento a melhora do espírito e manter a saúde.

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O corpo é um veículo para o espírito

Recentemente, incidentes de crimes violentos estão aumentando cada vez mais e mais, fato notado pelos jornais e no dia a dia. Eu interpreto isso como um sinal de que os corações de todos estão “murchando”. Uma “pessoa” é um espírito em um corpo físico. (Em japonês, “hito”, a palavra para pessoa, pode ser escrita com dois caracteres kanji que representam “espírito/alma”, “consertar”, “amarrar” ou “manter”). Durante nossas vidas, nossas aspirações e o propósito por trás de nossas ações nos formam e podem servir para elevar e melhorar nosso espírito ou nos tornar presas das tentações do mal.

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Direcionando nossas visões na realização da visão do fundador de um “Paraíso na Terra”

Nós devemos treinar continuamente e transmitir para outros o Espírito do Aikidô que o Fundador deixou para nós. O Fundador disse que a missão do Aikidô é criar um Paraíso na Terra. Além do mais ele declara que “as artes marciais são um caminho em que nós cumprimos nossa missão divina de tornar o espírito do Universo nosso espírito e nutrir dentro de nós uma proteção amorosa por todas as coisas.” O espírito de proteção amorosa por tudo leva á um sentimento de irmandade entre todas as pessoas na Terra. Não existem coisas tais como “inimigo” ou “aliado”. Através do treinamento com esse sentimento um mundo maravilhoso vai nascer.

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A cada seminário, participantes se enfileiram e Sunadomari sensei permite que cada um agarre o seu pulso e sentir a sua técnica. Esse método nos permite sentir seu poder Kokyu e “pegar” a sensação do estado mente/espírito que ele desenvolveu como resultado de mais de sessenta anos de pratica. No instante em que alguém o agarra o poder de luta desaparece e uma energia igual á força do ataque retorna para você. Na fração de um segundo se tornar sensitivo e perceptivo o bastante para alcançar a essência do movimento do sensei Sunadomari é algo extremamente difícil de se conseguir.

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Bu (do) é amor. O verdadeiro Caminho marcial do Japão é um espírito de paz que luta para pacificar o conflito antes que ele se manifeste. Isso é (o caminho do) Aikidô. Em épocas passadas, o Caminho das artes marciais era uma ferramenta usada para matar e conquistar. Ainda quando tudo era dito e feito, tal Caminho era ‘desencaminhado’ e levava a autodestruição. Aikidô, no entanto, é (o Caminho da) harmonia, é a manifestação do vasto e fundamental universo. Sem a compreensão desse espírito é impossível haver progresso no Aikidô e (praticá-lo) não tem nenhum significado. Nutrindo essa compreensão, Aikidô também se torna um método de autodefesa e um regime de saúde e beleza.”

Palavras do Fundador, Morihei Ueshiba. Texto retirado de uma entrevista do Fundador em Maio 26, 1961 durante uma visita a Kumamoto.

*Kanshu Sunadomari – Sensei da Cidade de Kumamoto, Kyushu e autor do Livro A Iluminação Através do Aikidô.

Colaboração: www.aikidojournal.com

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Princípios Básicos da Filosofia do Aikidô: as dívidas, as gratidões e as virtudes dessa arte de Ser – Por Moaldecir Freire Domingos

30/04/2011

Morihei Ueshiba dedicou seu tempo (principalmente no período pós-Segunda Guerra Mundial) de vida para elaborar a filosofia do Aikidô, a partir de estudos budistas, xintoístas, e de sua própria percepção sobre o Ki, o Universo e a Vida experimentados ao praticar diferentes Artes Marciais.

Na obra de Stevens (2004) sobre a Filosofia do Aikidô, encontramos alguns princípios básicos dessa filosofia que foram escritos baseado nos ensinamentos, entrevistas e conversas de Morihei que foram traduzidas pelo próprio Stevens. Também se fundamenta nos ensinamentos de seu mestre Rinjiro Shirata (aluno direto de Morihei), nos escritos de Kisshomaru e na sua própria experiência enquanto praticante do Aikidô.

Stevens (2004) afirma que os princípios básicos são as “quatro gratidões”: a) Gratidão para com o Universo que significa agradecer pelo dom da vida; b) Gratidão para com nossos ancestrais e predecessores representando ser grato pelos pais, grandes líderes, professores, inovadores, artistas, entre outros; c) Gratidão para com o próximo, pois não se pode viver sem relacionamento; e d) Gratidão para com as plantas e animais que sacrificam suas vidas por nós, ou seja, nós existimos às custas de outros seres vivos.

Essas “quatro gratidões” estão diretamente relacionadas com quatro dívidas: a) estamos em débito com o Universo, pela dádiva de seu grande propósito; b) estamos em débito com nossos ancestrais pela dádiva de nossa existência; c) estamos em débito com os homens e mulheres sábios do passado, pela dádiva de toda cultura humana; e d) estamos em débito com os seres vivos pela dádiva de proporcionar o nosso alimento (STEVENS, 2004).

Além desses itens, a Filosofia do Aikidô envolve “quatro virtudes”: 1) a virtude da coragem, a vitória que buscamos é sobressairmos a todos os desafios e lutar até o fim; 2) a virtude da sabedoria, o Aikidô é a arte do aprender profundo, a arte de conhecer a si mesmo; 3) a virtude do amor, o verdadeiro Budô é a função do amor, o caminho do guerreiro não é a destruição e morte, mas experimentar a vida para continuamente criar; e 4) a virtude da empatia que preconiza a aplicação dos ideais do Aikidô nas diferentes esferas das relações humanas, ecológicas, econômicas e na política (IDEM).

Para finalizar a estrutura básica dos valores no Aikidô, citamos agora os três princípios filosóficos da unidade propostos pelo Ô Sensei: 1) a mente deve estar em harmonia com o funcionamento do Universo; 2) o corpo deve estar ajustado com o movimento do Universo; e 3) mente e corpo devem ser um só, unificados com a atividade do Universo (UESHIBA, s/d apud UESHIBA, 2005, p.25).

Morihei Ueshiba criou esses princípios básicos pensando no difícil período pelo qual passava o Japão, dentre os quais podemos citar a rápida modernização e o envolvimento em grandes guerras. Assim Morihei desenvolveu o Aikidô para que qualquer pessoa pudesse treinar e concluiu que o verdadeiro espírito do Budô não deve centrar-se em competições e combates, mas buscar a perfeição como ser humano através de treinamento cumulativo, unificando o ki individual com o ki universal (UESHIBA, 2005).

Nesse sentido, o Aikidô de Morihei não é um esporte competitivo, não participando de eventos competitivos ou de confrontos que incluam divisões por pesos, classificações baseadas no número de vitórias e a premiação de campeões. Essas características dos esportes de luta são consideradas como alimento para o egoísmo, para a vaidade pessoal e o pelo desinteresse nos outros. Não é objetivo do Aikidô criticar as outras artes marciais por tornarem-se esportes. Sobre isso, a transcrição a seguir é esclarecedora:

“Não estamos criticando as demais artes marciais por se tornarem esportes modernos. Historicamente, essa direção era inevitável para a sua sobrevivência, especialmente no Japão pós-Segunda Guerra Mundial, quando todas as artes marciais foram proibidas pelas autoridades da Ocupação Aliada. Mesmo como esportes, atraíram o interesse de muitas pessoas, quer como participantes quer como espectadoras. Isso é positivo, pois não há como negar que os jovens, de modo especial, são atraídos às artes marciais devido às competições e torneios que decidem quem é o melhor no campo. A despeito dessa tendência, o Aikidō se recusa a entrar nesse círculo e permanece fiel à intenção original do Budō: o treinamento e o cultivo do espírito” (UESHIBA, 2005, p. 23).

Dessa forma, compreendemos que o Aikidô é um exercício de aperfeiçoar a nossa condição humana em seus princípios éticos relacionados ao aprendizado e à compreensão das dívidas, ao exercício das gratidões e das virtudes como enunciado nos princípios básicos dessa arte de Ser.

Referências Bibliográficas:

STEVENS, J. A Filosofia do Aikidô. São Paulo: Cultrix, 2004.

UESHIBA, K. O Espírito do Aikidô. 6ª Ed. São Paulo: Cultrix, 2005.

 

*Moaldecir Freire Domingos é formado em Educação Física pela UFRN e faixa-amarela (5º Kyu) da Academia Central de Aikidô de Natal.

Colaboração: www.impressione.wordpress.com


AIKIDÔ, Um Amor Maior – Por Odorico Martins

08/04/2010

Meu primeiro contato com o Aikidô, como muitas pessoas, foi através de um livro. As imagens e a proposta enunciada soou em minha mente como algo que sempre esteve em mim, apenas estava adormecido.

Minha primeira vivencia com o Aikidô trouxe o caos a todos os meus conceitos pré estabelecidos. Começou a cair por terra tudo o que eu conhecia.

Era o começo de uma nova vida. Vida que hoje eu não consigo conceber sem ele.

Passei por diversos lugares, pois a mudança sempre fez parte de minha vida e isto me fez conhecer diversos professores (Sensei), alguns com técnicas apuradíssimas, outros também. Mas não quero me deter a nenhum em particular pois estaria sendo injusto, visto que cada um deles contribuiu de alguma maneira para o meu crescimento pessoal.

Hoje quero me deter apenas em um lugar. Lugar este onde aprendi o AIKIDÔ em sua expressão máxima, expressão esta que eu denomino AMOR.

Este lugar é NATAL. Academia Central de Aikidô de Natal. Um lugar inesquecível.

Lugar onde realmente descobri o que é SER humano. Lugar onde a graça dos movimentos se funde a beleza dos seres humanos. Falo beleza em um plano maior que apenas a estética. Falo sobre a beleza da amizade, da compreensão, da honra e do respeito.

Lá conheci pessoas fundamentais para minha vida e estas eu nunca esquecerei. Mais uma vez não quero citar nomes, pois senão começaria uma genealogia bíblica, visto que a ACAN tem muitos alunos e não menos professores. Mas este grande número deve-se ao prazer que o local proporciona, pelo aprendizado responsável e humanitário, assim como pelo simples convívio entre os participantes.

Tudo lá me encantou, tudo foi HARMONIA.

Sinto-me honrado em ter feito parte deste meio, de ter convivido com pessoas de tamanha qualidade.

Hoje tenho dado vários shomen uti’s na saudade, sufocado com yonkyos a tristeza de não estar mais aí.

Dou aula no Rio Grande do Sul, na cidade de São Leopoldo, e tem sido muito difícil para mim treinar em virtude das distâncias que me separam dos dojôs .  Carrego comigo apenas os ensinamentos daqueles que saudei ONEGAISHIMASSU e treinei. Levo em meu coração a pureza dos sentimentos que o AIKIDÔ exige. Carrego em minha alma o AMOR que sinto por cada um de vocês.

DOMO ARIGATO GOZAIMASHITA.

*Odorico Martins é graduado em Aikidô (Faixa-Preta 1º Grau – Shodan) pela Academia Central de Aikidô de Natal 

Colaboração: www.impressione.wordpress.com


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