Aikido, uma arte envelhecida e seu futuro – Por George Ledyard Sensei

01/12/2018

O Aikido se encontra em uma encruzilhada em seu desenvolvimento. Minha geração de professores andou na onda enquanto o Aikido crescia e se espalhava de seu começo modesto no Japão para uma presença mundial. Mas os tempos mudaram, os dados demográficos são diferentes e nos são apresentados vários desafios sérios no futuro.

Para começar, o Aikido, particularmente nos Estados Unidos, tem uma população que está envelhecendo. Enquanto muitos dojos conseguem ter programas infantis vibrantes, o número de jovens que continuam nas aulas para adultos é bem pequeno, assim como o número de adultos que voltam para o treinamento.

No passado, a maior parte dos novos alunos de qualquer dojo vinha de jovens de vinte e poucos anos do sexo masculino. No caso do Aikido, os tempos de boom coincidiram com o fim da Guerra do Vietnã. A maioria dos meus amigos estava envolvida de uma forma ou de outra com o movimento anti-guerra. Eu acho que a ideia de uma arte marcial que foi pensativa e tinha uma filosofia não violenta subjacente à prática teve um enorme apelo dessa geração.

Mas agora, MMA, ou artes marciais mistas, domina o cenário das artes marciais. O jiu-jitsu brasileiro é seu primo mais doméstico e saudável. Os jovens hoje em dia não parecem interessados ​​nas artes marciais mais tradicionais. Eles querem lutar. E, é claro, é impossível para qualquer um de nós competir com o fato de o MMA ser exibido no horário nobre, sete dias por semana.

Então agora temos uma proporção maior de mulheres (muito sensatas para querer fazer MMA) e estudantes mais velhos. Mas eles não chegam com os mesmos números que os jovens costumavam fazer. Eles foram, em grande parte, para outro lugar.

Consequentemente, o Aikido (especialmente nos EUA) encontra-se em um estado do que eu chamo de “colapso da colônia de Aikido”. Números em declínio estão tornando cada vez mais difícil para os professores manterem as portas abertas. Eu tenho um grande número de amigos que perderam seus espaços e tiveram que voltar aos centros comunitários para manter um grupo funcionando.

Junte o declínio nos números com o boom econômico ocorrendo em muitas das principais áreas urbanas e você tem um duplo golpe de taxas de filiação em declínio e rendas rapidamente subindo para o espaço do dojo. No meu caso, apenas alguns dias atrás meu senhorio, de quem eu aluguei espaço por 29 anos, apenas aumentou meu aluguel em 75%, disse que eu precisava bolar $ 5.000 de depósito adicional e me deu até 22 de maio. (basicamente duas semanas de antecedência) para assinar os papéis.

Eu resisti a qualquer recessão econômica desde que abrimos em 1989. Nós sobrevivemos ao crash de 2008, embora nunca tenhamos nos recuperado totalmente. E agora, meu dojo está à beira da viabilidade porque a economia aqui está indo tão bem. Totalmente irônico, eu diria.

O envelhecimento da população tem impacto no treinamento. Quando eu comecei o Aikido, todos no dojo estavam em condição física máxima, seus corpos eram jovens o suficiente para absorver o impacto e lesões e se recuperar rapidamente, e o treinamento era muito intenso e exigente, muitas vezes um pouco assustador, fazendo você se sentir bem na beira da lesão. Na verdade, ferimentos leves eram comuns, como você esperaria quando o treinamento físico é tão intenso.

Mas quando você tem um dojo, onde 75% ou 80% dos alunos têm mais de 40 anos… Onde a grande maioria dos novos alunos que entram na porta já passou do seu auge físico… Isso muda a natureza da prática. A prioridade acaba sendo garantindo uma prática segura, o que significa que a intensidade é atenuada. Mesmo que haja jovens no dojo, quando o desequilíbrio de idade é tão grande, o treinamento deve ser direcionado à maioria. Isso significa que os jovens praticantes raramente são empurrados para seus limites do jeito que éramos.

Isso tem implicações para o futuro da arte. Onde os professores seniores virão daqui para frente? Neste ponto, as pessoas entram na arte e podem passar 30 anos treinando, mas porque elas pularam algumas experiências importantes que deveriam ter sido parte de seu treinamento jovem, elas simplesmente perderam o que deveria ter sido um trabalho fundamental importante.

Quando a maioria dos alunos envolvidos em uma arte é mais velha, as expectativas de desempenho na classificação são ajustadas, conscientemente ou não. Um teste de 45 anos para San Dan vai ter um conjunto de capacidades físicas muito diferentes do que uma pessoa de 30 anos. Quando o pool de ukes é todo passado, a energia do desempenho no teste é necessariamente atenuada.

Tudo isso tem um impacto direto na habilidade dos praticantes de Aikido de fazer Aikido como uma arte marcial e não apenas uma meditação em movimento ou um exercício saudável. Isso também significa que os alunos que estão chegando ao projeto, que um dia serão os professores do futuro, não estão recebendo o tipo de treinamento que os professores do passado fizeram. Isso muda a arte em si em um nível fundamental.

Acho que não podemos mais depender do dojo individual para produzir a próxima geração de professores. No Japão, o Aikikai Hombu Dojo sempre teve um programa de uchi-deshi projetado para produzir professores profissionais capazes de ensinar um determinado currículo. Além do que, muitos de nós, podem pensar sobre esse currículo, eles são bem sucedidos em fazer isso. Não existe tal programa nos EUA.

O que nossas organizações, e até professores individuais, precisam fazer é criar um verdadeiro programa de treinamento de instrutores. Eles precisam olhar em volta e identificar praticantes mais jovens, comprometidos e talentosos, e criar eventos nos quais eles possam se reunir e obter experiências de treinamento intensivo do tipo que simplesmente não podem ter em seus dojos domésticos. Eu gostaria de ver esses eventos sendo ministrados por vários professores seniores que podem fornecer diferentes pontos de vista sobre o que esses jovens trainees estão trabalhando (em oposição à abordagem Hombu de uma abordagem muito homogênea em que todos terminam o processo parecendo iguais).

Na chamada “Era de Ouro” do Hombu Dojo, a instrução foi fornecida por uma série de professores de nível superior, nenhum dos quais se parecia um com o outro, cada um tendo uma abordagem “estilística” diferente, uma visão espiritual diferente da arte. Era um ambiente em que se podia encontrar o próprio Aikido, que, na minha opinião, era a intenção de O-Sensei.

Eu gostaria de nos ver projetando experiências de treinamento para espelhar esse tipo de experiência para nossos praticantes mais jovens. Precisamos nos concentrar neles porque eles são o futuro da arte. Para a maioria dos praticantes mais velhos, é tarde demais para voltar no tempo e fazer o tipo de treinamento que eles poderiam ter quando eram jovens. Precisamos fazer algo sobre a criação de um sistema que possa ser um verdadeiro professor de nível superior daqui a vinte anos.

Eu falei com Josh Gold no Aikido Journal sobre isso. Eu acho que uma instituição como o Aikido Journal é o anfitrião perfeito para criar alguns eventos desse tipo. Mas, para que tenha um impacto real, nossas organizações também precisam fazê-lo. Uma experiência intensiva de vez em quando é melhor do que nenhuma, mas não é suficiente para realizar a profunda reprogramação que o treinamento deve fazer.

A maioria de nossas organizações administra um ou mais campos onde todos podem se reunir com seus professores seniores para treinar. Infelizmente, esses eventos costumam ser mais sociais do que intensivos. O que eu imagino é o treinamento de Shodan, Nidan e Sandan, com base em convite apenas para aqueles alunos identificados pelos professores seniores como tendo o potencial de ir à distância.

Até onde podemos oferecer um treinamento mais intensivo para o resto da nossa população idosa de Aikido, acho que o trabalho com armas pode oferecer muito do mesmo conjunto de insights, se feito corretamente. Embora um aluno possa ficar velho demais para que as quedas e o treinamento combativo sejam sensatos, o trabalho com a espada ou o jo pode permitir uma prática muito intensiva que pode levar o aluno ao limite. Mas, mais uma vez, as pessoas não podem continuar sugando a vida para fora do treinamento, a fim de garantir que seja “seguro”. Deve ser responsabilidade de nossos professores oferecer o tipo de treinamento que permitirá aos alunos entender como controlar suas armas adequadamente para trabalhar em um nível de intensidade que produzirá habilidades mais altas. Isto não é o que geralmente se vê com a maioria das armas de trabalho.

Resumindo… a maioria dos membros do dojo está diminuindo, uma população de praticantes que está envelhecendo, não há jovens o bastante entrando e não há chances suficientes para que tenhamos que treinar em seus limites. Nós temos um grupo de idosos de professores seniores que treinaram de forma diferente do que é feito agora e eles estão começando a falecer. Estamos fazendo o que precisa ser feito para ter uma geração de futuros professores prontos para assumir o papel dos altos executivos seniores que tivemos? Não acredito que tenhamos feito isso. Mas também acredito que ainda há tempo para isso. Eu acho que temos uma janela de quinze anos enquanto o uchi-deshi ainda tem algumas pessoas para ensinar, e as pessoas que treinaram diretamente sob esses professores ainda estão disponíveis também.

Depois disso, não haverá ninguém que trabalhe sob O-Sensei ou um professor treinado diretamente por quem o tenha feito. Se o Aikido quiser sobreviver como uma arte marcial respeitada, isso deve ser tratado. Eu acho que deveria ser o foco número um da nossa comunidade de Aikido. Eu também não sou terrivelmente otimista quanto a isso.

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*George Ledyard (7º Dan Aikikai) opera o Aikido Eastside na área de Seattle, aluno mais graduado de Mitsugi Saotome Shihan.

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SEMINÁRIO COM SENSEI MATIAS OLIVEIRA E SENSEI LILBA KAWAI NA ACADEMIA CENTRAL DE AIKIDO DE NATAL – DE 08 A 10 DE JUNHO DE 2017

10/05/2017

Em junho de 2017 a Academia Central de Aikido de Natal receberá a visita de Sensei Matias Oliveira e Sensei Lilba Kawai. Ambos ministrarão um seminário de três dias nas dependências da Academia Central de Natal. Estão todos convidados. Abaixo, segue a programação:

8/JUN – Quinta-feira
19:00 às 20:30

9/JUN – Sexta-feira
19:00 às 21:00

10/JUN – Sábado
8:30 às 10:00
10:30 às 12:00

Almoço com os Senseis

15:30 às 16:30
17:00 às 18:00

Jantar com os Senseis

VAGAS: 70 PARTICIPANTES.

ONDE: ACADEMIA CENTRAL DE AIKIDO DE NATAL (ACAN)
Filiada à União Sul Americana de Aikido Kawai Shihan
Rua Prof. João Ferreira de Melo, 2978
Capim Macio . 59078-320 . Natal, RN
E-mail: aikidonatal@gmail.com . Fone: 84 2020 4841

CONTRIBUIÇÃO: R$100,00 (cem reais).

INSCRIÇÕES: No local, antes ou após os horários de treinos.
Consulte a grade de horários: www.aikidorn.com.br/horarios.html

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Dicas de Hospedagem:

POUSADA RIO TOUR
http://pousadariotur.com.br/index.php?open=home
Rua Missionário Gunnar Vingren, 3500, Capim Macio.
RESERVAS SÓ PELOS TELEFONES:
(84) 3217-1715 / 3207-3236 / 9987-3480

CHALÉS PARAÍSO TROPICAL
http://www.chalesparaisotropical.com.br/
Av. Eng. Roberto Freire, 502 – Ponta Negra
Telefax : (84) 3219 3435 | oi 8833 0155 |
tim 4141-7044 | claro 9149- 6860
E-mail: contato@chalesparaisotropical.com.br

RECANTO DA COSTEIRA
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Rua Pedro Fonseca Filho, 8856 – Ponta Negra – Natal/RN
Tel.: (84) 3219-3856 / 9629-4940 (TIM) / 8772-8988 (OI)
E-mail: hotel@recantodacosteira.com.br

O TEMPO E O VENTO HOTEL POUSADA
Rua Élia Barros, 66 – Ponta Negra – Natal/RN
Fones / Fax: (84) 3219-2526 e 3219-2591
E-mail: hotel@otempoeovento.com.br

ou no próprio Dojo (solicite: aikidonatal@gmail.com)

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QUEM FOI NAGE E QUEM FOI UKE? – Por CrisB

09/09/2016

(Revisão: Suzana Mafra)

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Sábado, fim de tarde, fui atender a um pedido da minha mestra de reiki: regar as plantas do interior de sua casa apenas neste dia, já que breve retornaria de viagem. As plantas da área externa ficaram a cargo de outro colega, por coincidência, também aikidoca.

Fui com uma certa preguiça, confesso… Estacionei o carro em frente ao portão e me deparei com um gato deitado em uma das duas cadeiras que ela mantém na pequena área que dá acesso à porta de entrada da casa. Já fiquei chateada, pois não gosto muito de gatos. Abri o portão e fui atravessando o pequeno jardim em direção à porta da casa, sob o atento olhar do felino. No entanto, o maai entre ele e eu não era suficiente para que ambos não se sentissem ameaçados. Ele, então, rosnou e eu, num misto de medo e raiva, recuei.

Resolvi então fazer a tarefa do outro aikidoca, regar o jardim externo e, claro, molhar o gato. Afinal, todos dizem que gatos não gostam de água…

Com a mangueira ligada e vigorosos “SAI GATO!” joguei pequenos esguichos em sua direção (pois se o molhasse totalmente, danificaria o forro da cadeira), mas para minha infeliz surpresa o gato só se encolhia, com um olhar nada amistoso.

Foi então que vi uma canaleta para fios elétricos – de mais ou menos um metro e meio – jogada no jardim. O material ideal: leve e flexível. Eu poderia enfim cutucar ou mesmo bater no tal gato sem machucá-lo, e o mais importante, com uma distância segura. Agora vai dar certo! Com outros “SAI GATO!!! SAI GATO!!!” eu cutucava o gato dos infernos que cada vez mais se fechava em pokémon… Tive que apelar e bati em sua cabeça, mas a leveza e flexibilidade da canaleta acabaram por fazer “carinho” no gato e foi justamente isso que ele entendeu, pois começou a esticar o pescoço para receber o “afago”. Percebendo esta oportunidade, comecei de fato a acariciá-lo com a canaleta, é claro, e com ele totalmente rendido em seu trono, consegui com a outra mão abrir o cadeado da grade e, em seguida, a porta, torcendo para que ninguém estivesse vendo a ridícula cena.

Entrei rapidamente com minha espada em mãos e fechei a porta. Cumpri minha tarefa e o que temia aconteceu: o gato havia saído da cadeira e estava literalmente colado à porta, pronto para entrar, rosnando seu pedido de licença. Fechei, então, a porta novamente e peguei minha espada para aplicar o mesmo golpe: carinho. Atraído pela necessidade do golpe, o gato prontamente aninhou-se sob a ponta da canaleta, rendido aos afagos, permitindo que eu saísse e fechasse a porta e a grade. Fugi rapidamente para o portão do muro, abandonei minha espada e deixei o gato carente aos miados.

Entrei no carro ainda chateada, mas com um certo ego inflado, por ter utilizado o Aikido na situação. Na segunda-feira cheguei contando o grande feito para os alunos da turma das seis horas. Relatei a minha sensível percepção ao movimento do gato, que viu como carinho a minha agressão inicial, fazendo-me transmutar minha intenção e controlá-lo: puro Aikido.

Ao terminar o relato bateu uma grande dúvida… quem foi o nage e quem foi o uke dessa história? Eu percebi a sutil mudança e a necessidade do gato por carinho, e ele transformou minha agressão em afago: quem de nós foi nage e quem foi uke? E no tatame? Até que instante de um movimento técnico nós somos nage ou uke? Estamos sendo sinceros em nossos objetivos ou a espada é apenas uma banda de canaleta leve e flexível? Em uma aula magistral sobre ukemi, o Sensei James nos fez perceber que somos os dois: quando o uke ataca, está sendo nage, e ao receber este ataque, o nage se torna uke – a alternância entre esses papéis se faz presente até a conclusão do movimento.

Acredito que – dentro ou fora do tatame – buscar, perceber e viver (DO) esta constante troca nage/uke é o movimento (KI) em equilíbrio (AI).

Esqueci de dizer: eu estava à paisana, mas o gato vestia dogi e hakama, ele era preto e branco… Domo Arigato Gozaimashita Gato Sensei.

*CrisB – faixa-preta 3º Dan da Academia Central de Aikidô de Natal
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Glossário

REIKI – Técnica criada em 1922 pelo monge budista japonês Mikao Usui, onde os praticantes acreditam ser possível canalizar a energia universal – manipulável através da imposição de mãos – a fim de restabelecer um suposto equilíbrio natural, não só espiritual, mas também emocional e físico.
MAAI – Momento em que os dois aikidocas se encontram na distância ideal, física e psicológica prontos para a prática da forma ou da técnica livre.
POKÉMON – É a contração de duas palavras em inglês: pocket, que significa bolso; e monster, que significa monstro. Assim, um pokémon é um”monstro de bolso”, uma criatura fictícia popular em videogames e desenhos. Criado por Satoshi Tajiri em 1996, essas criaturas se transformam em esferas.
UKEMI – É um termo composto de duas palavras: uke, de ukeru – receber; e mi – o corpo. O ukemi é o comportamento do uke, como absorve e dissipa uma projeção de forma que não se machuque.
UKE – Praticante que faz o ataque e recebe a técnica do nage.
NAGE – Praticante que recebe o ataque e o redireciona através da técnica o ataque ou a contenção do uke.
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Uma visão do Aikido – Por Mitsugi Saotome Shihan

08/09/2016

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O Aikido não é uma religião, mas um processo de educação e refinamento do espírito. Você não será convidado a aderir a nenhuma doutrina religiosa, somente a manter-se espiritualmente aberto. Quando nos curvamos em reverência isto não é um gestual religioso, mas um sinal de respeito pelo mesmo espírito da inteligência criativa universal que está dentro de todos nós.

A cerimônia de abertura e encerramento de cada treino de Aikido é uma reverência formal em direção ao shomen, seguindo-se duas palmas e novamente outra reverência ao shomen e então uma reverência entre o instrutor e os alunos. As reverências em direção ao shomen simbolizam o respeito pelo espírito e pelos princípios do Aikido e gratidão ao Fundador pelo desenvolvimento deste sistema de prática e estudo. As duas palmas simbolizam unidade, musubi. A primeira palma envia nossa vibração ao mundo espiritual. A segunda recebe o eco dessa vibração e conecta seu espírito com o espírito do Fundador e com a Consciência Universal. A vibração que você emite e o eco que você recebe são ditados pelas suas próprias crenças espirituais e atitudes.

Não há modo certo ou errado no Aikido. Se um movimento obedece às leis físicas do universo, está correto. Se você obedece às leis físicas do universo, sua atitude deve estar correta. Em seguir estas leis você está seguindo o caminho (a vontade) de Deus. Portanto, Aikido não é um treinamento técnico. É um treinamento de sabedoria.

Não há kata individual no Aikido porque Aiki é a harmonia das relações. Numa área de treinamento de Aikido você encontrará pessoas de diferentes níveis sociais, diferentes culturas e linguagens, diferentes filosofias políticas e religiosas. Elas não estão juntas para competir ou para pressionar suas próprias ideias sobre quem quer que seja, mas para aprender a ouvir um ao outro, a comunicar-se através do contato do Aikido. No tatami onde treinamos nós não podemos esconder nossa verdadeira identidade. Mostramos nossas fraquezas tão bem quanto nossas forças. Suamos juntos, nos cansamos juntos, ajudamos um ao outro e aprendemos a confiar. Todos estão estudando os mesmos princípios universais e a essência, que é a mesma em cada um, torna-se brilhantemente clara assim como cai a máscara de insegurança e o ego. Somos todos indivíduos mas também somos todos parte de cada um. Se você estivesse sozinho no universo sem ninguém para conversar, ninguém com quem compartilhar a beleza das estrelas, para rir juntos, para tocar, qual seria seu propósito de vida? É outra vida, é amor, que dá significado a sua vida. Isto é harmonia. Devemos descobrir a alegria de cada um, a alegria dos desafios, a alegria do crescimento.

No treinamento do Aikido você não vence. Em tentar vencer você perde. Se você vê o treinamento como competição, você perde, seu parceiro de treino perde, todos perdem. Se você encara a vida como competição, você não pode vencer, pois consequentemente você morrerá. Mas se você vê a vida como um processo de criatividade universal, você nunca morrerá, pois você faz parte deste processo. Se você encarar o crescimento do seu corpo e sua mente como um prelúdio para um crescimento espiritual, sua força durará para sempre.

Uma mente voltada para desafios não é uma mente voltada para competição. O maior desafio é desafiar-se a si próprio. Você não deve passar sua vida inteira buscando por segurança. Se você cobrir-se de camadas e camadas de pesadas armaduras, você ficará incapaz de mover-se, incapaz de lutar e de proteger a si e aos outros. Você nunca sentirá o toque quente do sol nem a força de uma tempestade sobre sua pele. A alegria se perderá. Sua liberdade e independência se perderão.

Se você passa a vida na segurança de uma caverna ao pé da montanha, você verá somente escuridão. Sua experiência será limitada e você nunca sentirá a doce dor do crescimento. Você deve deixar esta proteção e segurança e desafiar a si mesmo nas montanhas acima de você. Você deve escalar cada vez mais alto, elevando sua visão, sua habilidade e experimentar expandir-se a cada topo. E estando aberto e desprotegido do vento, com o sol e a neve tocando seu coração, você experimentará o grande panorama do universo inteiro a seu redor. Você alcançará e tocará galáxias e quem sabe, tocará a face de Deus.

Bushido é desafio e sacrifício. É o poder e a força de um espírito independente. Um espírito dependente é fraco e não consegue sacrificar seu próprio egoísmo e sua ganância. Para ser verdadeiramente independente e provar o desafio da liberdade, o espírito deve estar vazio. Numa análise final, você, e somente você, é o responsável pelo seu próprio crescimento. Você cria a sua própria realidade.

Você sente dor, você sente medo, mas está intensamente vivo. Escalando uma montanha de gelo, com frio, faminto, exausto, você está só com o som do vento. Desista e você morre. Talvez um passo, talvez uma polegada por dia, mas tente. A vida é a mesma coisa. Às vezes com frio, com fome, e sozinho. Você deve depender exclusivamente de você. Isto é Bushido.

Este é o meu mundo do Aikido. A busca pelo topo das montanhas.

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Extraído do livro Aikido e a Harmonia da Natureza de Mitsugi Saotome

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Projeto Aikidô – Recesso 2015/2016

25/11/2015

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O Projeto Aikidô da Escola Municipal São Francisco de Assis, realizará na tarde do dia 13/12/2015 – domingo – seu último treino do ano.

Informa ainda que as atividades de 2016, reforço escolar e os treinos de Aikidô, retornarão em 24/01/2016 – domingo – às 14h, e o treino de Aikidô às 15h.

Por fim agradece à direção da Escola Municipal São Francisco de Assis (Profas. Edna e Cleucy), a seus funcionários e a todos aqueles, aikidocas ou não, que colaboraram com suas energias para que o Projeto Aikidô desse certo por mais um ano.

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Caçando duas raposas – Por Paulo Coelho

06/11/2015

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O estudante de artes marciais aproximou-se do professor:

— Gostaria muito de ser um grande lutador de aikidô – disse. — Mas penso que devia também me dedicar ao judô, de modo a conhecer muitos estilos de luta; só assim poderei ser o melhor de todos.

— Se um homem vai para o campo, e começa a correr atrás de duas raposas ao mesmo tempo, vai chegar um momento em que cada uma correrá para um lado, e ele ficará indeciso sobre qual deve continuar perseguindo. Enquanto decide, ambas já estarão longe, e ele terá perdido seu tempo e sua energia.

“Quem deseja ser um mestre, tem que escolher apenas UMA coisa para aperfeiçoar-se. O resto é filosofia barata.

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OFICINA BÁSICA DE MEDIAÇÃO DE CONFLITOS – TRAZENDO A ARTE DA HARMONIA PARA A VIDA DIÁRIA – SENSEI RODRIGO MARTINS

06/05/2015

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A Oficina Básica de Mediação será aberta a todos os interessados, independente de serem praticantes de Aikido ou não, mas não será aberta para não participantes observarem.

SÁBADO 16/05 – 18h às 21h
Sessão 1: “EXPRESSANDO AUTENTICAMENTE”

– Introduções, bem-vindos e propósito desta Oficina
– Apresentação: “Uma mudança de Coração” (ou técnica de Mediação não e Mediação)
– “Mediação e Aikido – um radical comum”
– “Comunicação que bloqueia Compaixão”
– Distinções em Comunicação Não-Violenta
– 19h30 Pausa
– Prática de Auto-Conexão
– Exercício de Intensidade 1 (lidando com reações automáticas)
– Pedidos de Conexão
– Exercício de Intensidade 2 (respondendo com integridade)
– Discussão em Grupo

Domingo 17/05 – 9h às 12h30
Sessão 2: “OUVINDO COM O CORAÇÃO”

– Apresentação: Empatia como instrumento de Conexão
– Exercício dos 6 minutos (ouvindo o “por favor” de qualquer mensagem)
– As necessidades por trás do Não
– Discussão em Grupo
– 10h30 Pausa
– Exercício de Intensidade 3 (lidando com a recusa)
– Discussão em Grupo

DOMINGO 17/05 – 14h30 às 18h
Sessão 3: “MEDIAÇÃO INTERPESSOAL”

– Modelo das 3 cadeiras
– Apresentação: Mediação Interpessoal
– Discussão em Grupo
– 16h Pausa
– Lamentando/Celebrando/Aprendendo
– Expressando e Recebendo Gratidão
– Discussão em Grupo

*A estrutura desta Oficina se baseia em forma e conteúdo no currículo de Mediate Your Life, criado por John Kinyon e Ike Lasater em http://www.mediateyourlife.com e no trabalho desenvolvido por Marshall Rosenberg, fundador da Comunicação Não-Violenta (www.cnvc.org).

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Facilitador: Rodrigo Martins (choicelessawareness@hotmail.com)

SOBRE O FACILITADOR:

Rodrigo Martins foi discípulo-residente do Mestre e Introdutor do Aikido no Brasil, Professor Reishin Kawai, de 1996 a 1999. Em 1999 fundou a Academia Central de Aikido de Natal, a qual continua sendo referência para a arte no Rio Grande do Norte. Nesse mesmo período, conheceu o Professor de Meditação Marco Antonio Rocha, que o estimulou a uma busca mais profunda na Meditação. Em 2008, teve seu primeiro contato com a Comunicação Não-Violenta através de seu criador, Marshall Rosenberg, num Seminário em Santa Barbara – Califórnia. Desde então, tem se dedicado ao estudo de técnicas de Mediação, tendo como mentores no último ano John Kinyon e Ike Lasater – http://www.mediateyourlife.com

VAGAS: 20 PARTICIPANTES
ONDE: ACADEMIA CENTRAL DE AIKIDO DE NATAL (ACAN)
Rua Prof. João Ferreira de Melo, 2978 . Capim Macio . 59078-320.Natal, RN. E-mail: aikidonatal@gmail.com . Fone: 84 2020 4841
CONTRIBUIÇÃO: R$70,00 (setenta reais) para praticantes de Aikido e R$90,00 (noventa reais) para não-praticantes de Aikido.
INSCRIÇÕES: No local, antes ou após os horários de treinos (www.aikidorn.com.br/horarios.htmll)

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Colaboração:

http://www.aikidorn.com.br

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Morihei Ueshiba (1883-1969) – 46 anos da passagem do Fundador do Aikidô

27/04/2015

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Ontem, 26/04/2014, fez exatos 46 anos da morte do Fundador do Aikidô, Morihei Ueshiba, conhecido pelos Aikidocas ao redor do mundo como Ô –Sensei – Grande Mestre.

Os últimos anos de Morihei Ueshiba foram passados principalmente em Tóquio à medida que a sua saúde se tornava gradualmente mais frágil em virtude de sua idade já avançada, 86 anos. Não obstante, continuou ensinando até março de 1969, altura em que adoeceu, devido a complicações no fígado, e foi internado no hospital da Universidade de Keio. Na ocasião Morihei disse a seu filho Kisshomaru: “Deus está me chamando”.

Uma das últimas aparições do Ô-Sensei deu-se no dia 15 de abril de 1969, Morihei participou das comemorações do ano novo no Hombu Dojô. Mesmo parecendo estar com a saúde impecável, sua condição física deteriorava-se rapidamente e devido a tal quadro seus numerosos discípulos e amigos fizeram suas últimas visitas e homenagens. Mesmo já no final de sua existência neste plano Ô-Sensei propagava os ideais do Aikidô, e dizia aos presentes: “O Aikidô é para todos…” dizia o Mestre, “não treinem por razões egoístas, mas para todas as pessoas em todos os lugares”.

No dia 26 de abril de 1969, Morihei Ueshiba, aos 86 anos de idade, tomou a mão de seu filho Kisshomaru, riu e disse: “Tome conta de tudo”, e desencarnou.

Uma vigília foi realizada no Hombu Dojô no dia 1º de maio de 1969, a partir das 19h e, no mesmo dia, foi consagrada ao Fundador do Aikidô uma condecoração póstuma pelo Imperador Hirohito. Suas cinzas foram depositadas no cemitério de Tannabe, no templo da família Ueshiba, e mechas de seu cabelo foram guardadas em relicários no Santuário Aiki, em Iwama; no cemitério da família Ueshiba, em Ayabe; e no Grande Santuário de Kumano. Kisshomaru Ueshiba foi eleito para suceder seu pai como Aiki Doshu, por decisão unânime da Aikikai, em 14 de junho de 1970.

O Budô não é um meio de se derrotar um oponente pela força ou com armas letais. Também não é seu propósito levar o mundo à destruição pelas armas ou por outros meios ilegítimos. O verdadeiro Budô busca ordenar a energia intrínseca do Universo, protegendo a paz mundial, moldando e também preservando tudo na natureza em sua forma correta. Praticar o Budô é essencial para fortalecer, em meu corpo e em minha alma, o amor do kami, a divindade que gera, preserva e nutre todas as coisas na natureza” – Morihei Ueshiba.

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Conheça o Aikidô:

Local: Academia Central de Aikidô de Natal – ACAN
Endereço: Rua Prof. João Ferreira de Melo – Capim Macio – Natal/RN – Fundos do CCAB Sul
Telefone: (84) 2020-4841
Site: http://www.aikidorn.com.br

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SEMINÁRIO DE AIKIDO – AIKIDO E O CAMINHO DA MEDIAÇÃO – SENSEI RODRIGO MARTINS

24/04/2015

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Em visita à Natal/RN, Sensei Rodrigo Martins prestigiará os aikidocas do Rio Grande do Norte com um seminário de Aikidô e uma oficina de Mediação na Academia Central de Aikidô de Natal. Todos estão convidados!!!

* Os treinos de Aikido serão abertos apenas a praticantes de Aikido (todos os níveis), mas interessados do público em geral serão bem vindos a assistir.

QUINTA 14/05/15
19h às 21h – Treino: “ATAQUES SÃO CONVITES”

SEXTA 15/05/15
19h às 21h – Treino: “A FLUIDEZ DO MOVIMENTO NÃO-CONDICIONADO”

SÁBADO 16/05/15
9h às 11h – Treino: “OUVINDO O POR FAVOR NA AGRESSÃO”

*O Seminário de Aikido e a Oficina serão independentes. As pessoas interessadas poderão se inscrever para os Treinos e a Oficina ou para qualquer um dos dois separadamente.
*Os treinos de Aikido serão abertos apenas a praticantes da Arte, mas interessados do público em geral serão bem vindos a assistir.

SOBRE O FACILITADOR:

Rodrigo Martins foi discípulo-residente do Mestre e Introdutor do Aikido no Brasil, Professor Reishin Kawai, de 1996 a 1999. Em 1999 fundou a Academia Central de Aikido de Natal, a qual continua sendo referência para a arte no Rio Grande do Norte. Nesse mesmo período, conheceu o Professor de Meditação Marco Antonio Rocha, que o estimulou a uma busca mais profunda na Meditação. Em 2008, teve seu primeiro contato com a Comunicação Não-Violenta através de seu criador, Marshall Rosenberg, num Seminário em Santa Barbara – Califórnia. Desde então, tem se dedicado ao estudo de técnicas de Mediação, tendo como mentores no último ano John Kinyon e Ike Lasater – WWW.mediateyourlife.com

ONDE: ACADEMIA CENTRAL DE AIKIDO DE NATAL (ACAN)
Filiada à União Sul Americana de Aikido Kawai Shihan
Rua Prof. João Ferreira de Melo, 2978 . Capim Macio . 59078-320 . Natal,RN. E-mail: aikidonatal@gmail.com . Fone: 84 2020 4841
CONTRIBUIÇÃO: R$70,00 (setenta reais) para praticantes de Aikido.
INSCRIÇÕES: No local, antes ou após os horários de treinos http://www.aikidorn.com.br/horarios.html

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Colaboração:

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SENSEI – Por Akira Saito

15/12/2014

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“Pessoa a qual devemos todo o nosso respeito, admiração e agradecimento, não só hoje, mas por toda a vida.”

 

Sensei em japonês significa “aquele que nasceu antes, que tem o conhecimento” e aqui a tradução mais comum é professor. É um termo utilizado no Japão com muito respeito e designado apenas àqueles que o merecem. Não é um termo exclusivamente para professores, mas também utilizado para médicos, advogados e para pessoas que detém grande conhecimento em determinada área.

O termo Sensei não significa uma profissão, e sim um título, provido de muita responsabilidade, onde a pessoa é considerada um exemplo para a sociedade, uma pessoa a ser seguida.

Nas Artes Marciais japonesas aqui no Brasil, muito se confunde sobre este título. Muitos imaginam que se “formando” Faixa Preta já é um Sensei. Primeiro que Faixa Preta não é formatura, não é o final, é exatamente o inverso, é o primeiro passo rumo ao verdadeiro conhecimento da Arte, por isso se diz “ShoDan” (Grau Iniciante). E para ser considerado Sensei, uma pessoa com conhecimento suficiente para ensinar a outra, é necessário ter no mínimo o “SanDan” (Terceiro Grau). Uma pessoa sem vivência, sem maturidade, sem conhecimento técnico e dotada de bons exemplos, não pode e não deve ser considerada “Sensei”.

Devemos muito respeito a nossos “verdadeiros Sensei” que nos ensinaram não apenas seus conhecimentos técnicos, mas também sua filosofia de vida, através de seus bons exemplos. Se hoje nos tornamos o que somos, é graças não somente aos nossos próprios esforços, e sim, às pessoas que nos deram parte de si, e que foram essenciais em nossa formação.

Por nós e por nossos Sensei, vamos trabalhar duro para transformar o mundo em um lugar melhor!!!!

GANBARIMASHOU!!!!!

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*Akira Saito é colunista do Jornal Nippak e praticante do Budô por mais de 30 anos.

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15º Aniversário da Academia Central de Aikidô de Natal – Seminário Leonardo Sodré – 4º Dan (SP) – 17 e 18/10/2014

23/09/2014

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Nação aikidoca, a Academia Central de Aikido de Natal convida os aikidocas do Brasil para as comemorações do seu 15° Aniversário – dias 17 e 18 de outubro de 2014. O evento contará com as especiais presenças do Sensei Leonardo Sodré – 4º DAN (SP), aluno de Ono Shihan (Associação Pesquisa de Aikidô – APA) que ministrará alguns treinos neste final de semana comemorativo, bem como de amigos aikidocas de PE, PB e do interior do RN.
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CALENDÁRIO DO EVENTO:

17/10/2014 – Sexta – Abertura

19h às 21h – Koshukai (treino geral) com Sensei Leonardo Sodré
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18/10/2014 – Sábado

08h às 9h:30m – Koshukai (treino geral) com Sensei Leonardo Sodré
10h às 11h30m – Koshukai (treino geral) com Sensei Leonardo Sodré
12h – Almoço
16h às 17h – Koshukai (treino geral) com Sensei Leonardo Sodré
17h15m às 18h15m – Koshukai (treino geral) com Sensei Leonardo Sodré
20h – Encerramento: Apresentações artísticas e confraternização.
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INSTRUÇÕES PARA O EVENTO:

– Vagas Limitadas !!!
– Pagamento da taxa de participação de R$ 70,00.
– Apresentação do recibo na entrada do evento.
– Procurar chegar meia hora antes dos treinos para evitar atrasos.
– Atenção para kimonos limpos, unhas aparadas e a etiqueta do dojo. (etiqueta e orientações para a conduta no dojo AQUI !!!).
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LOCAL E CONTATOS:

Academia Central de Aikidô de Natal – Rua João Ferreira de Melo, 2978, Capim Macio, Natal/RN – Fone: 2020-4841 – E-mail: aikidonatal@gmail.comVEJA O MAPA AQUI!!!
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A graça e leveza do AIKIDO – Por Roberta Macedo Xavier

27/05/2014

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Quando assistimos a um vídeo de Aikido ficamos maravilhados com a beleza e a graça dos movimentos. Podemos imaginar que tudo poderia muito bem ter sido ensaiado, e de certa forma, se não há o lado espiritual e treinamos apenas o corpo, então sim, teremos apenas golpes ensaiados. Certa vez escutei um professor de uma outra arte marcial se referir ao Aikido como “aquele balé”. Trata-se de uma visão superficial e bastante míope de quem não tem conhecimento suficiente para emitir uma opinião, digamos mais justa sobre o assunto.

Sabe-se que O-Sensei era possuidor de uma força extraordinária e de uma técnica que não há o que comentar, entretanto, é de conhecimento público a sua profunda convicção espiritual. Homem de grande fé nas coisas em que acreditava, tinha em muita conta a importância espiritual na sua vida, assim como na de seus alunos. Principalmente os mais próximos, aqueles que tiveram o privilégio de conviver com o cotidiano de O-Sensei, puderam constatar a seriedade com que falava sobre o assunto, não obstante, muitos deles não compreenderem completamente o sentido do que o mestre tentava transmitir.

Gosto do relato de um fato ocorrido com um grupo de alunos veteranos citado no livro Os Segredos do Aikido de John Stevens, quando o fundador os convidou para irem ao dojo no intuito de revelar-lhes os tais segredos do Aikido. Acho interessante a maneira como o autor descreveu a ansiedade dos mesmos em saber como se tornariam invencíveis e capazes de realizar proezas extraordinárias e como ficaram frustrados após escutarem por mais de uma hora sobre temas os mais sutis possíveis, como a necessidade de serenar o espírito e retornar à Fonte.

Então, o que estou querendo dizer é que a leveza e a graça do Aikido não residem essencialmente em como se realiza a técnica e sim no espírito, na vontade de crescer entendendo o sentido espiritual. Não importa o quão forte estejamos empenhados em aprimorar e refinar os movimentos se não estivermos igualmente preocupados em forjar nosso espírito. Se um praticante não aprender a essência do Aikido, as técnicas jamais ganharão vida. (1)

O que significa Ki? É a força que nos move. Espírito também pode ser entendido através do ki. Ki, energia vital, ou a força da vida. As duas coisas se confundem. Daí a sua relevância dentro da técnica. A função do Ki é muito bem explicada no livro de William Gleasom, Aikido e o Poder das Palavras. No nosso corpo é o hara, a fonte do nosso ki e do nosso sangue. É o ponto que dá origem à vida e ao movimento. (2)

O movimento começa com a intenção, com nosso desejo de realizar os golpes ou posturas. Posturas graciosas no yoga são chamados Ásana. Às vezes é útil que o praticante pense nos movimentos do Aikido, não como técnicas de uma arte marcial mortífera, mas como Ásana, posturas físicas que ligam o praticante a verdades mais elevadas. (1)

Para concluir, acredito que deveríamos nos preocupar, antes de qualquer coisa, com a evolução espiritual, pois o refinar da técnica viria como consequência, assim como está escrito na Bíblia, no livro de Mateus, versículo 33 onde se pode ler “Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. (3)

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*Roberta Macedo Xavier – bancária, Shodan (faixa-preta) da Academia Central de Aikido de Natal.

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Referências Bibliográficas:

(1)   John Stevens, OS SEGREDOS DO AIKIDO, editora pensamento, 1995.

(2)   William Gleason, AIKIDO E O PODER DAS PALAVRAS – OS SONS SAGRADOS DO KOTOTAMA, editora Pensamento, 2013.

(3)   Tradução do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, BÍBLIA SAGRADA edição ecumênica da Barsa, 1977.

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A senda do AIKIDO – Por Roberta Macedo Xavier

08/05/2014

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Foi em meados do ano de 2005 que fui apresentada ao AIKIDO, através de um colega de trabalho já praticante dessa arte marcial. Convidou-me a conhecer a Academia Central de Aikido de Natal e eu aceitei prontamente, pois tinha curiosidade em saber o que tanto o atraía nela. Mal entrei e senti um clima diferente, o soar dos bambus dos sinos dos ventos levemente era o que se podia ouvir. Aproximei-me, sentei em frente ao tatame e fiquei fascinada com aquela calça-saia preta, que depois descobri chamar-se hakama, quanta elegância! Mas, o que me fez apaixonar à primeira vista foi a postura educada das pessoas que estavam treinando. Ah! Polidez e delicadeza ao ouvir àquele que estava falando, presumi ser o professor. O colega explicou-me que quando o Sensei falava, os alunos se colocavam na posição de seiza (de joelhos), em sinal de respeito para aprender o que lhes era ensinado.

Então, no dia 19 de agosto do mesmo ano, resolvi começar esse grande desafio. Fiz a matrícula e iniciei os treinos. Qual não foi minha surpresa, que logo no primeiro dia, tive grandes e esclarecedores ensinamentos vindos do Sensei James, que me acompanhariam durante toda minha caminhada, não apenas naquele lugar, mas em toda minha vida. A etiqueta no dojô é apenas um vislumbre do que se pode ter quando se observa um treino de AIKIDO. O respeito, a gentileza, o uso do dogi limpo, tudo isso é apenas cortesia, uma pequena parte, atrevo-me a dizer, a mais superficial do AIKIDO.

Explicou-me, o Sensei, que no AIKIDO não existe competição, não necessitamos vencer o outro para nos sentirmos melhores, entretanto não precisamos fugir de algo que se coloca em nossa frente e vem em nossa direção. Um grande ponto de interrogação se formou em minha cabeça, como assim? Não precisei externar minhas conjeturas, o Sensei calmamente continuou. Através de um ataque shomen uchi com a finalização irimi nage, Sensei James foi explicando. Perceba, quando alguém tem um ponto de vista diferente do seu, talvez queira confrontá-la, ou convencê-la de que está certa e talvez de uma maneira que você não espera, golpeando-a frontalmente. Devemos estar preparados para isso. Entrando levemente na diagonal, apenas para sairmos da linha de ataque, desviando, porém, sem fugir do que nos foi proposto, nos colocamos de forma a ficar ao lado dessa pessoa. Dando um passo e um giro, irimi tenkan, ficamos juntos do suposto agressor, então somos capazes de ver o que essa pessoa estava vendo ao tomar essa decisão, o ponto de vista dela, a realidade dela. Mais do que isso, devemos nos preocupar com o bem estar dessa pessoa, conduzindo-a de uma forma a preservar a sua integridade física, redirecionado a energia gerada no ataque para um caminho inesperado para a pessoa que desferiu o golpe. Talvez também não seja o que você gostaria, mas uma terceira opção, o da harmonia.

Use o espírito para forjar o corpo físico. Use o seu Ki para superar todos os obstáculos que lhe confrontarem e nunca evite um desafio. Não tente controlar ou restringir seu oponente de modo não natural. (1) Exatamente o que me ensinou Sensei James naquele dia.

Sim, acredito que não devemos tentar mudar o outro, mas se desejamos o caminho da harmonia, devemos também estar abertos a aprimorar nosso espírito. A tentar enxergar o que o outro vê, a se colocar no lugar dele e tentar entender o que o levou a tomar certa atitude. Qualquer caminho a ser trilhado estará repleto de desafios e dificuldades a serem superados, independente de religião, profissão ou seja lá o que escolhermos realizar em nossas vidas. O que faz a diferença é a disposição de querermos vencer, não no sentido de derrotar, mas de construir algo melhor, para todos.

O treinamento em AIKIDO não visa tornar alguém fisicamente forte ou torná-lo habilidoso no combate; seu propósito é reunir pacificamente todas as pessoas do mundo, melhorar as coisas pouco a pouco, ficar centrado e em sintonia com o universo. O AIKIDO é uma bússola que nos aponta a direção correta, e assim cada um de nós pode realizar a sua missão na terra. AIKIDO é o caminho da harmonia. AIKIDO é a senda do amor. (1)

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Referência Bibliográfica:

 1.Morihei Ueshiba; ENSINAMENTOS SECRETOS DO AIKIDO, editora Cultrix, SP, 2010.

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*Roberta Macedo Xavier – Bancária, Shodan (faixa-preta 1º Dan), aluna da Academia Central de Aikidô de Natal.

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Morihei Ueshiba (1883-1969) – 45 anos da passagem do Fundador do Aikidô

25/04/2014

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Amanha, 26/04/2014, fará exatos 45 anos da morte do Fundador do Aikidô, Morihei Ueshiba, conhecido pelos Aikidocas ao redor do mundo como Ô –Sensei – Grande Mestre.

Os últimos anos de Morihei Ueshiba foram passados principalmente em Tóquio à medida que a sua saúde se tornava gradualmente mais frágil em virtude de sua idade já avançada, 86 anos. Não obstante, continuou ensinando até março de 1969, altura em que adoeceu, devido a complicações no fígado, e foi internado no hospital da Universidade de Keio. Na ocasião Morihei disse a seu filho Kisshomaru: “Deus está me chamando”.

Uma das últimas aparições do Ô-Sensei deu-se no dia 15 de abril de 1969, Morihei participou das comemorações do ano novo no Hombu Dojô. Mesmo parecendo estar com a saúde impecável, sua condição física deteriorava-se rapidamente e devido a tal quadro seus numerosos discípulos e amigos fizeram suas últimas visitas e homenagens. Mesmo já no final de sua existência neste plano Ô-Sensei propagava os ideais do Aikidô, e dizia aos presentes: “O Aikidô é para todos…” dizia o Mestre, “não treinem por razões egoístas, mas para todas as pessoas em todos os lugares”.

No dia 26 de abril de 1969, Morihei Ueshiba, aos 86 anos de idade, tomou a mão de seu filho Kisshomaru, riu e disse: “Tome conta de tudo”, e desencarnou.

Uma vigília foi realizada no Hombu Dojô no dia 1º de maio de 1969, a partir das 19h e, no mesmo dia, foi consagrada ao Fundador do Aikidô uma condecoração póstuma pelo Imperador Hirohito. Suas cinzas foram depositadas no cemitério de Tannabe, no templo da família Ueshiba, e mechas de seu cabelo foram guardadas em relicários no Santuário Aiki, em Iwama; no cemitério da família Ueshiba, em Ayabe; e no Grande Santuário de Kumano. Kisshomaru Ueshiba foi eleito para suceder seu pai como Aiki Doshu, por decisão unânime da Aikikai, em 14 de junho de 1970.

O Budô não é um meio de se derrotar um oponente pela força ou com armas letais. Também não é seu propósito levar o mundo à destruição pelas armas ou por outros meios ilegítimos.O verdadeiro Budô busca ordenar a energia intrínseca do Universo, protegendo a paz mundial, moldando e também preservando tudo na natureza em sua forma correta. Praticar o Budô é essencial para fortalecer, em meu corpo e em minha alma, o amor do kami, a divindade que gera, preserva e nutre todas as coisas na natureza” – Morihei Ueshiba.

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Conheça o Aikidô

Local: Academia Central de Aikidô de Natal – ACAN

Endereço: Rua Prof. João Ferreira de Melo – Capim Macio – Natal/RN –  Fundos do CCAB Sul

Telefone: (84) 2020-4841

Site: www.aikidorn.com.br

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Sobre Treinar – Por Hiroshi Ikeda

23/01/2014

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Entrevista concedida por Hiroshi Ikeda a Stanley Pranin.

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Por favor, nos conte qual é a sua abordagem sobre treinar.

A primeira questão é que devemos treinar com o corpo e não com a cabeça. É bom recebermos muito ukemi para sentir na pele o que é treinar. Se você usar demais a cabeça, seu aikidô ficará muito intelectualizado e isso afetará de forma negativa seus movimentos corporais. Minha filosofia é aprender e entender o aikidô com o corpo.

Normalmente começamos a nossa pratica com irimi-tenkan. Em vez de entrar logo nos movimentos de arremesso, creio que é mais produtivo trabalhar o corpo de forma gradativa, começando com irimi-tenkan para aquecer, depois praticando ushiro ukemi, e só depois os outros movimentos.

Melhor do que apenas ensinar ou treinar, é importante que eu também encontre oportunidades para aprender, crescer e cultivar meu próprio aikidô, então procuro sempre novas abordagens. A prática consistindo apenas em agarrar ou ser agarrado tem a sua utilidade num estágio inicial, mas acho que você deve ir mudando e experimentar com outras coisas quando estiver num nível mais avançado, como por exemplo, treinar como ser agarrado ou como permitir que seja agarrado de forma correta. A prática de quebra de equilibro também é outra possibilidade.

Recentemente tenho trabalhado o conceito do “centro” (chushin), especificamente como manter o meu centro enquanto quebro o equilíbrio do meu parceiro.

A Qualidade do Treinamento – O senhor se sente muito influenciado pelo Saotome Sensei?

Sim, com certeza. Observando o que o Saotome Sensei tem feito ao longo dos anos, vejo que o aikidô não pode ser apenas aikidô; como budô, tem que ser completamente capaz de responder a tudo. Em outras palavras, tem que valer fora dos seus confinamentos. Saotome Sensei defende isto há anos.

Saotome Sensei manifesta um caráter incomum nas suas demonstrações, pois elas sempre possuem uma intensidade explosiva e muita seriedade. As demonstrações de Saotome Sensei não só mostram que existe fluidez, mas também apontam claramente para uma proposta de treinamento que viabiliza a habilidade de responder a qualquer situação. Isto é algo que prezo como parte importante do meu próprio treinamento. Minha busca no aikidô é de um budô que vá além dos confinamentos do aikidô, aperfeiçoando uma forma de movimento como Saotome Sensei que parta do centro. A maneira do corpo se mover é de grande importância.

Faz uso do atemi em seu aikidô?

Muito pouco, especialmente nenhum golpe em áreas como o rosto. Podemos dar uma encostada em alguém se eles se posicionam de forma perigosa ao agarrarem o parceiro, apenas para que eles se conscientizem que não devem se posicionar de forma vulnerável para um contra-ataque. Mas está mais para o peteleco do que para um golpe. Apenas o necessário para que eles percebam que devem se posicionar mais para o lado, ou para onde for. Dar este tipo de sinal para o parceiro o ajuda a prestar atenção à forma de agarrar corretamente. Desta maneira, tanto a pessoa que arremessa quanto a pessoa que agarra podem se beneficiar do treinamento. Em outras palavras, ambos devem considerar como se posicionam. Defendo um sistema de treinamento onde tanto o nage quanto o uke possam aprender de forma ativa.

Como se sente em relação ao intercâmbio entre artes marciais como treinamento?

Durante meus dias na universidade nós costumávamos dividir as dependências do departamento de educação física com praticantes de outras artes marciais como Shorinji kempo, judô e sumô. Lembro-me de algumas brincadeiras com eles; tentando sentir como um aikidoista responderia a esta ou aquela técnica. Fora isso, fazíamos com frequência treinos de intercambio com outras universidades.

A minha universidade era em Shibuya, então treinávamos com grupos de outras universidades na região – Aoyama Gakuin e a Universidade Kokushikan, por exemplo. Tinha um rapaz na Kokushikan que fazia belíssimos movimentos de esquiva corporal (tai sabaki) contra ataques com faca. Observar e treinar com ele era muito instrutivo.

Acho importante estudar com vários professores. Provavelmente a melhor proposta de aprendizado é de pegar elementos que você considere práticos de vários professores e usá-los para criar algo que se adapte ao seu corpo.

Se o treinamento com armas é ou não é essencial aos treinos de aikidô é um assunto controvertido hoje em dia. Em sua opinião, a essência do aikidô está apenas no taijutsu, ou deve se incluir o treinamento com armas?

Ambos, eu acho. Porém, tornar-se habilidoso com um boken ou é algo para ficar em segundo plano. O importante é permanecer com as mãos na sua frente quando for treinar com estas armas.

Como já mencionei, tenho treinado com o conceito de “centro” sempre em mente. Os meus alunos treinam movimentos com o boken porque evitam que suas mãos se afastem dos seus respectivos centros. Se as mãos forem desviadas pros lados fica difícil conseguir algum poder executando as técnicas. Então considero o uso de treinamento com armas proveitoso no sentido de ajudar os alunos a firmarem e manterem seus próprios centros dentro dos movimentos no aikidô.

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Tradução: Christian Oyens

Texto Origem: http://www.aikidojournal.com/article?articleID=86&lang=br

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Aikidô Natal – Academia Central – Fotos do Exame de Faixa (Kyu) e do Bonenkai – Dez/2013

22/12/2013

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Já estão disponíveis no Facebook da Academia Central de Aikidô de Natal as fotos do Exame de Kyu e do Bonenkai ocorrido em 21 de Dezembro de 2013. O evento se deu na sede da Academia no bairro de Capim Macio – Natal/RN. Passe lá, deixe seu comentário, sua curtida e compartilhe.

Clique AQUI e veja as novas fotos

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Aikidô Natal – Academia Central – Exame de Faixa (Kyu) e Bonenkai

09/12/2013

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Sábado, 21/12/2013, às 8h, na Academia Central de Aikidô de Natal, acontecerá o evento de troca de faixas e confraternização de final de ano (Bonenkai). O evento, além de exame de faixa serve como confraternização entre os alunos dos diversos horários, seus familiares e amigos. Compareça você também e comemore mais um ano de harmonia, energia e realizações.

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Local: Academia Central de Aikidô de Natal – ACAN

Dia e Hora: Sábado 21/12/2013 – 8h

Endereço: Rua Professor João Ferreira de Melo – Capim Macio – Fundos do CCAB Sul – Natal/RN

Telefone: (84) 2020-4841

Site: www.aikidorn.com.br

Facebook: AQUI!!!

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O Aikido e a Espada – Por Stanley Pranin

11/11/2013

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O Fundador demonstrava grande interesse pela espada durante toda a sua carreira nas artes marciais. Ele chegou a receber um certificado de uso de espada do Yagyu Shinkage-ryu de Sokaku Takeda em 1922, apesar do fato de que o conteúdo de seu treinamento de espada com Sokaku não ser conhecido. Posteriormente, em 1937, ele oficialmente se uniu à escola clássica Kashima Shinto-ryu que teve influência em suas experiências com o uso da espada, especialmente durante os anos de Iwama, de 1942 até cerca de 1960.

O-Sensei não tentou codificar ou desenvolver um kata de espada para ser usado formalmente no treinamento do aikido. A espada era, para o Fundador, uma extensão do poder divino, para ser usado exclusivamente com o propósito de dar a vida. Seu trabalho com a espada — e pode-se dizer o mesmo em referência ao jô – era simplesmente uma ferramenta diferente para a expressão do movimento do aiki baseado nos mesmos princípios universais que as técnicas de taijutsu.

Como a espada é uma extensão do corpo, certos usos e princípios dos movimentos são compreendidos melhor e com mais clareza em comparação com as técnicas de mãos livres. O Fundador frequentemente ilustrava um movimento ou algum princípio com e sem sua espada durante o treinamento para esclarecer seu inter-relacionamento.

Assim, as comparações do uso da espada por O-Sensei com as escolas clássicas são inúteis, pois sua intenção não era ensinar técnicas de campo de batalha mas sim demonstrar como a energia divina é canalizada através do corpo humano, pelo espaço a sua volta e através de todo o Universo.

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Além de “Sensen no Sen” – Por Stanley Pranin

05/11/2013

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Uma explicação tradicional das estratégias no contexto das artes marciais japonesas frequentemente envolvem uma discussão em três níveis da iniciativa de combate: “go no sen”, “sen” e “sensen no sen”. Estas estratégias são definidas como se segue: “Go no sen”, significa “ataque posterior” envolve um movimento defensivo ou um contra ataque em resposta a um ataque; “sen”, uma iniciativa defensiva lançada simultaneamente ao ataque do oponente; e “sensen no sen”, uma iniciativa iniciada em antecipação a um ataque em que o oponente está inteiramente concentrado em seu ataque, e assim, psicologicamente além do ponto de onde poderia voltar. Esta ultima estratégia é em geral considerada como o nível mais alto do cenário das artes marciais clássicas.

O conceito do Fundador da estratégia do aiki vai muito além da dimensão da confrontação psicofísica. Em uma entrevista de 1957, ele expressa o conceito com estas palavras:

Não é uma questão de ‘sensen no sen’ ou de ‘sen no sen’. Se eu tentasse colocar em palavras eu diria que você controla seu oponente sem tentar controlá-lo. Este é o estado da vitória contínua. Não existe qualquer ideia de vencer ou perder em relação a um oponente. Neste sentido, não existe um oponente no aikido. E mesmo que você tenha um oponente, ele se torna uma parte de você, apenas um parceiro que você controla”.

O conceito chave aqui é que o que normalmente consistiria de uma confrontação física com um possível atacante é transformado em uma harmoniosa interação. O impulso de luta do uke foi suplantado e coberto por amor. Em outras palavras, a meta é viver toda a vida em um plano diferente de consciência, em harmonia com o seu redor e com as pessoas com que se encontra. Olhado por este lado, o aikido se torna uma metáfora para a vida em paz, com a posse de habilidades necessárias para se neutralizar e subjugar um oponente violento.

Este é um pensamento superior que só pode ser atingido com longos anos de treinamento para desenvolver uma sensibilidade maior em relação às pessoas e aos acontecimentos que nos rodeiam. Além disso, isso envolve o desenvolvimento de um grupo de habilidades espontâneas que consistem em respostas físio-psicológicas adaptadas a qualquer tipo imaginável de interação humana. O Fundador descrevia esse estado como “Takemusu Aiki” – o nível mais alto do aikido em que se é capaz de executar espontaneamente técnicas perfeitas em resposta a qualquer circunstância.

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Os Cinco Espíritos do Budô – Por Dan Penrod

15/10/2013

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Shoshin: (初心) Mente de principiante;

Zanshin: (残心) Mente que permanece;

Mushin: (無心) Não Mente ;

Fudoshin: (不動心) Mente Imóvel;

Senshin: (先心) Espírito Purificado, atitude iluminada.

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Existem 5 mentes fundamentais ou espíritos do Budô; shoshin, zanshin, mushin, fudoshin, e senshin. Estes conceitos muito antigos são geralmente ignorados nos dojô(s) modernos de Aikidô. O budoka que se esforça para compreender as lições destes 5 espíritos em seu coração amadurecerá para se tornar um artista marcial e um ser humano forte e competente. O aluno que não se esforça para conhecer e receber estes espíritos sempre terá uma falha em seu treinamento.

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Shoshin

O estado de shoshin é aquele da mente de principiante. É um estado de atenção que permanece sempre completamente consciente, atento e preparado para ver coisas pela primeira vez. A atitude de shoshin é essencial para continuar o aprendizado. O-Sensei uma vez disse, “Não espere que eu lhe ensine. Você deve roubar as técnicas sozinho”. O aluno deve ter um papel ativo em cada aula, observando com a mente shoshin, para conseguir roubar a lição de cada dia.

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Zanshin

O espírito de zanshin é o estado do espírito que permanece, que continua. É freqüentemente descrito como um estado continuado de atenção aumentada e de decisão. Mas o verdadeiro zanshin é um estado de foco ou concentração antes, durante e depois da execução de uma técnica, em que uma ligação ou conexão entre o uke e o nage é mantida. Zanshin é o estado da mente que nos permite permanecer espiritualmente conectados, não apenas a um único atacante, mas a múltiplos atacantes e mesmo a um contexto completo; um espaço, um tempo, um evento.

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Mushin

O manual da ASU define mushin como a “Não mente, uma mente sem ego. Uma mente como um espelho que reflete e não julga”. O termo original era “mushin no shin”, que significa “mente da não mente.” É um estado mental sem medo, raiva ou ansiedade. Mushin é freqüentemente descrito pela frase, “mizu no kokoro”, que significa “mente como a água”. Esta frase é uma metáfora que descreve o lago que reflete claramente o que o cerca quando suas águas estão calmas, mas as imagens são obscurecidas quando uma pedra é jogada em suas águas.

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Fudoshin

Uma mente que não é abalada e um espírito que não se move é o estado de fudoshin. É a coragem e a estabilidade demonstradas mentalmente e fisicamente. Mas ao invés de indicar rigidez e inflexibilidade, fudoshin descreve uma condição que não é facilmente transtornada por pensamentos internos ou por forças externas. É capaz de receber um ataque forte e manter a postura e o equilíbrio. Recebe e devolve com leveza, está firmemente aterrado, e reflete a agressão de volta à sua fonte.

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Senshin

Senshin é o espírito que transcende os primeiros quatro estados da mente. É um espírito que protege e se harmoniza com o universo. Senshin é um espírito de compaixão que abraça e serve a toda a humanidade e cuja função é reconciliar e dissipar a discórdia no mundo. Ele considera que todos os tipos de vida são sagrados. É e mente de Buda e é a percepção de O-Sensei da função do Aikidô.

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Aceitar completamente o senshin é essencialmente a mesma coisa que se tornar iluminado, e pode ir muito além da abrangência do treinamento diário do Aikidô. Entretanto, os primeiros 4 espíritos são provavelmente atingíveis por qualquer aluno sério através de atenção concentrada e treinamento firme. Abraçar estes estados da mente pode ser recompensador de diversas formas.

Shoshin pode libertar um aluno do “vale” frustrante do aprendizado, dando-lhe a visão para enxergar o que ele não poderia ver antes. Zanshin pode aumentar a atenção total, melhorando o treinamento de randori e de estilo livre. Mushin pode liberar a ansiedade do aluno quando está sob pressão, capacitando-o para uma performance melhor durante um exame. Fudoshin, pode lhe dar a confiança para proteger seu território em face de ataques físicos esmagadores.

O Aikidoka sério deve encontrar formas de incorporar estes espíritos do Budô em seu treinamento diário

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Tradução: Jaqueline Sá Freire – Brazil Aikikai – Hikari Dojo – Rio de Janeiro

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Budô e o Ciclo da Repetitividade – Por Paulo de Carvalho Junior

28/08/2013

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Quando começamos no Budô tudo é festa, nos encantamos com a beleza das técnicas funcionando e com a magia disso acontecendo através de nossas mãos. Cada novo ensinamento abre as cortinas de um mundo novo de realizações e possibilidades e, então, nos sentimos fortes. Descobrimos que temos potencialidades que antes não éramos capazes de reconhecer e isso nos excita.

Com o tempo, conforme o treinamento começa a representar algo rotineiro em nossas vidas, o “brinquedo novo” vai perdendo o brilho e logo parece que estamos nos dispondo a mais um ato de automatismo, como ir à escola ou frequentar a missa. É costumeiro, só isso. Quando isto acontece, parece que o Budô já não tem mais aquilo tudo que enxergávamos anteriormente e a tendência natural é deixarmos o empenho nos treinamentos de lado. É justamente aí que aparece o maior contraste entre o raciocínio oriental e o ocidental.

No ocidente, os fatores aparecem como “ondas“, as quais têm de início um grande impacto, mas logo perdem a força e o efeito parece recuar. Talvez seja por isso que tantos se iniciam na prática de alguma arte marcial e logo acabam parando, na maioria das vezes logo nas primeiras faixas. O fato é que tão logo isso aconteça aparece uma nova onda, que pode se manifestar na forma do intuito de aprender a tocar algum instrumento musical ou dançar, compromissos estes que também logo serão abandonados, a menos que a pessoa se disponha a compreender o que há do lado de lá da cortina. Que cortina? – poderia você se questionar. A esta pergunta um oriental normalmente responderia: a cortina da ilusão. Isso porque é justamente o que vai embora quando os primeiros ajustes de excitação de dispersam – a ilusão. O que está se desfazendo, na verdade, é a nossa visão premeditada da coisa; aquilo que imaginávamos que era depois de nosso primeiro contato. E o que resta então? Bem, o que resta é o verdadeiro valor da arte: o , ou caminho. E como todo caminho que vale à pena é longo, o que aparece diante de nossos olhos quando a ilusão se dissipa é uma grande obra a se realizar, porém, PASSO POR PASSO. É justamente aí que muita gente desiste e o irônico é que isto acontece a despeito do que de fato deveria estar sendo enxergado, isto é, “um caminho que de fato vale à pena provavelmente não tem um destino visível a olhos nus“.

É preciso enxergar com os olhos da alma… Quando vemos grandes mestres manifestando seu Aikidô, ficamos logo maravilhados com a beleza de seus movimentos. Porém, para o praticamente mais avançado a curiosidade certamente vai além: como será que este mestre come? Como se porta diante dos imprevistos? O que faz ele em suas horas vagas? Em outras palavras, a curiosidade que fica para os “iniciados” é a seguinte: o que o Aikidô trouxe de realmente valioso para a vida deste homem? Sim, porque uma arte jamais poderia se deter nos valores efêmeros da beleza plástica de movimentos bem executados. Se assim fosse, Balett poderia ser considerado uma via espiritual. Tem que haver um algo mais, uma chama que mova a intenção de praticar, MESMO DIANTE DE TREINAMENTOS EM QUE AS REPETIÇÕES SE DÊEM DE FORMA PRATICAMENTE INFINITA.

Quando praticamos uma técnica milhares de vezes, o fazemos para enxergar além dela. Interiorizando-a, podemos desocupar nossas mentes do movimento para então dar espaço para um outro nível de compreensão. É então que a verdade suprema das artes marciais se manifesta, provando que o trabalho todo está em sentir e não em simplesmente racionalizar o que está sendo feito. De fato, quando nos tornamos capazes de “sentir” um movimento ao invés de simplesmente executá-lo, que movimento é este já não importa mais. Repetir uma, cem ou mil vezes já não faz mais diferença, justamente porque o prazer da prática passa a se concentrar no durante, no ato de fazer em si, e não mais no que fazer aquilo possa representar.

Moral da história: competência (técnica, espiritual, etc.) é algo que se desenvolve de dentro para fora – nunca ao contrário.

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Reflexões sobre o título de Yudansha – Por Mitsugi Saotome

19/08/2013

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O título de Yudansha (Faixa-Preta e seus dans) é concedido por várias razões, não apenas por habilidades técnicas. Só porque uma pessoa recebe um certo ranking de Yudansha, não significa que ele ou ela conseguiram o respectivo nível de habilidade naquele momento. Significa que eu sinto que a pessoa está no limiar e crescerá naquele nível com a pressão da responsabilidade que adquiriu.

É óbvio que, receber promoção a qualquer nível de Yudansha, pressupõe-se a existência de certa competência técnica. Mas somente isso não é o suficiente. Meus olhos enxergam de modo diferente quando vejo um aluno praticando. Eu vejo a personalidade e o crescimento dessa ou desse aluno. Eu freqüentemente sei qual é o tipo de dificuldade que o aluno tem que superar. Tenho uma boa noção do quanto essa pessoa tem feito por seu grupo, quanta responsabilidade ele é capaz de suportar e o quanto ele ou ela fez para ajudar aos outros. Eu conheço o crescimento espiritual e social dessa pessoa e suas habilidades no que diz respeito à liderança.

Foi me perguntado várias vezes como um aluno deve treinar e com que tipo de meta em mente para cada exame de Yudansha. A maioria disso não pode ser colocada em palavras e devem vir do coração individual de cada aluno com seu crescimento na compreensão; mas eu posso lhe dar alguns conselhos:

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Para treinar para Shodan (Faixa-Preta 1° Dan):

Você está treinando para se tornar um iniciante, e não mais um convidado no dojô, mas um aluno com reais responsabilidades. Deve-se estudar a forma básica de técnica e o princípio básico, até que o movimento correto se torne automático e seja natural.

Para treinar para Nidan: (Faixa-Preta 2° Dan):

A potência do movimento deve ser enfatizada e desenvolvida. A realidade funcional da técnica deve ser explorada e uma compreensão do que realmente funciona e porque deve ser desenvolvida.

Para treinar para Sandan: (Faixa-Preta 3° Dan):

O aluno deve desenvolver um entendimento do princípio de Aiki e começar desprender-se da técnica.

Para treinar para Yondan: (Faixa-Preta 4° Dan):

O aluno deve descobrir a filosofia do princípio de Aiki e seu relacionamento com a técnica. A forma técnica deve estar profundamente refinada de acordo com sua compreensão, e o estudante deve começar a desenvolver seriamente a arte de treinar a outros. O treinamento pessoal já não é o suficiente. O aluno deve entender a responsabilidade social.

Para treinar para Godan: (Faixa-Preta 5° Dan):

Deve-se fazer do princípio de Aiki uma parte direta em sua vida, desenvolvendo assim um espírito incrível, qualidades de liderança e a aplicação espiritual e social do princípio de Aiki. Uma completa espontaneidade de técnica deve ser desenvolvida, a qual não é mais técnica, mas o princípio que suporta a base da técnica. Deve haver, quando se atingir esse ponto, uma dedicação completa à arte, e um grande crescimento espiritual. Um crescimento que produz não uma preocupação com um dojô ou uma área, mas uma preocupação ativa por todos os alunos e todas as pessoas do mundo. Por todos esses anos de treinamento, sua compreensão física, mental, social e espiritual e força devem uniformemente sempre estar progredindo. A aplicação espontânea de Aiki deve progredir. Se você para de treinar em qualquer desses níveis, seu Aikidô não crescerá mais.

Apenas gastar seu tempo treinando não faz sentido. A qualidade e intensidade de seu treinamento, as descobertas que você faz a cada dia, essas coisas são significativas. Você deve treinar duramente e descobrir a resposta por si mesmo.

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Tradução:

Paulo C. G. Proença – Dojô Kokoro – www.aikido.sorocaba.nom.br

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O Coração do Aikidô – Por Shirata Rinjiro e John Stevens

05/08/2013

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Milhares de horas são gastas no desenvolvimento das técnicas, porém muitas mais são gastas lutando com os grandes tópicos da existência humana, portanto considerar o Aikidô como uma arte marcial que envolve somente arremessos e imobilizações – habilidades que podem ser adquiridas em qualquer sistema de defesa pessoal – é um insulto à incansável busca espiritual do fundador.

A mensagem do fundador, no entanto, não pode ser assimilada rapidamente. Ele usou livremente ideias para expressar sua própria visão, sendo que suas conversas eram uma mistura de frases do Budismo esotérico, obscuros mitos Xintoístas e enigmáticas doutrinas da Omoto-Kyo. Nenhuma pessoa, incluindo o próprio fundador, jamais alegou compreendê-las por completo, e em uma ocasião ele afirmou : Palavras e letras nunca poderão adequadamente descrever o Aikidô – seu significado é revelado somente para aqueles que através de um intensivo treinamento obtém o esclarecimento”.

Shirata Sensei contou-me que embora estivesse no início totalmente confundido pelas explicações de Ô-Sensei, gradualmente com o passar dos anos elas começaram a fazer sentido.

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A seguir está um resumo dos pontos chave da filosofia religiosa do fundador, feito por Shirata Sensei. 

O Aikidô possui sua própria cosmologia. As palavras Aiki, Kami e Takemussu são termos antigos, porém o fundador as reinterpretou sob a luz de seu profundo despertar. Ki é a energia primária que surgiu do vazio. Através do Aiki, a combinação do Ki positivo com o Ki negativo (Yin e Yang), as infinitas formas dos fenômenos foram e são manifestadas. Aiki, a fonte e amparo da vida é KamiO Divino”, originalmente essa palavra consiste dos caracteres Ka (fogo) que simboliza o espírito e Mi (água) simbolizando a matéria. A confluência desses dois elementos resulta no surgimento do mundo material. A partir das funções do Kami, como o Iki (Kokyu, a vivificante respiração da vida), surgem os Kotodama (vibrações divinas). A essas duas forças procriadoras o fundador acrescentou uma terceira o Takemussu (o valor da atividade do ser), Take (ardor marcial) também pronunciado Bu como em Budô é o empenho incansável; Mussu é Mussubi, o poder de transformação.

A grande percepção do fundador sobre o universo é Takemussu Aiki. Em seu mais alto nível Takemussu Aiki pode ser interpretado dessa forma: “Bu nasceu do Aiki; Bu dá a luz ao Aiki.” Dentro da perspectiva humana, poderia ser descrito assim: “Eu nasci dos meus pais; Eu dei a luz aos meus pais.” Isso é o mesmo que dizer, “Eu sou Aiki; Eu sou o universo!” Em termos mais concretos Aiki é primeiramente aplicado para harmonizar as três funções: Corpo, mente e Ki.

Depois de realizada essa harmonização, usamos o Aiki para fundir nossos movimentos com os do parceiro quando executamos uma técnica, nesse caso Aiki é A-i-Ki representado por um triângulo, um círculo e um quadrado que juntos formam os modelos básicos da criação. Os movimentos do Aikidô surgem a partir desses modelos: postura triangular, entrada circular e controle quadrado (Devemos lembrar que as técnicas não são Aiki; Aiki trabalha através das técnicas).

Uma vez que essas harmonizações são alcançadas – não com muita facilidade – é necessário nos colocarmos em sintonia com a natureza, naturalmente nos ajustando à suas mudanças (é por isso que os Dojôs no Japão nunca estão frios ou quentes demais para se treinar). Eventualmente nós imperceptivelmente nos fundimos com o universo, incorporando seu dinamismo ao nosso próprio, esse processo completo é Kimusubi (unificar os Ki para promover a vida). O Aiki unifica o corpo e a mente, nosso Eu com os demais, matéria e espírito, o homem e o universo. Em seus últimos anos o fundador sugeriu que Ai (harmonia) deveria ser vista como Ai (amor), já que o amor é a forma mais elevada da harmonia que nutri todas as coisas e as conduz para a realização.

O amor é a divindade guardiã de todos os seres; sem o amor nada pode florescer. O caminho do Aiki é uma expressão do amor. . . o amor não odeia, ao amor não existe nada para se opor. O amor é a essência de Deus”.

Kami Sama (Deus) foi a frase que o fundador usou para representar o mais elevado nível, o absoluto, o espírito universal de amor e harmonia. Hito, palavra japonesa para ser humano, é composta do símbolo Hi (centelha divina) parada temporariamente nesse vaso ao qual chamamos nosso corpo. O Ka de Kami, e Hi de Hito são o mesmo símbolo – Se não há Kami não há Hito e vice-versa. É por isso que o fundador insistia que “O ser humano é filho de Deus e um santuário vivo do divino”.

Aiki O Kami (O grande espírito do Aiki) é o símbolo supremo dos ideais que o fundador mais estimava. Através da prática devota das técnicas do Aikidô – funções do divino – é possível avançarmos para esse elevado estado. De fato podemos nos tornar um Kami, um ser humano perfeito. Um Kami não é uma criatura sobrenatural, mas sim alguém que descobriu sua verdadeira natureza – nada mais que o universo em si – através de seu constante esforço. “O Aikidô é o caminho de Deus estabelecendo a força do Aiki e edificando a força da atividade divina”.

A força da atividade divina é nenhuma outra senão Takemussu Aiki. Antigamente Take significava “lei da selva”: “Se eu não o matar, ele provavelmente o fará”. Tal atitude é contrária à sobrevivência da humanidade, o fundador compreendeu que Take não significava destruição e morte, mas sim vida e luz. A força e determinação do guerreiro devem ser canalizadas para um propósito elevado: O restabelecimento da harmonia, a preservação da paz e a proteção de todos os seres. Shirata Sensei acredita que o fundador foi uma espécie de mensageiro divino, que esteve aqui para prevenir a nós imprudentes seres humanos da inutilidade do empreendimento da guerra e da matança uns dos outros. “Aiki não é uma arte para derrotar os outros, mas sim para a unificação do mundo e para reunir todas as raças em uma grande família”.

Sobretudo o Aikidô é Misogi, o grande caminho de purificação. Já que estamos dotados de vida somos divinos, porém devido a pensamentos inferiores e imperfeições nossa verdadeira natureza está obscurecida. Em vez de utilizarmos a água para purificar nossas impurezas nós utilizamos as incorruptas técnicas do Aikidô, sendo que cada corte de espada, cada estocada do bastão e cada movimento do corpo é um ato de expulsar o mal limpando o coração.

Misogi é o processo de conduzir para fora do corpo a maldade, livrando-o de corrupções e polindo o espírito. Conforme as camadas de sujeira e corrupção são retiradas, nossa imaculada luz interior brilha com maior intensidade.

O legado espiritual do fundador – como viver em harmonia divina com o mundo e todos os seus habitantes, cheio de uma força indomável e de um criativo amor – deve ser buscado através do sincero treinamento do Aikidô.

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Shirata Rinjiro e John Stevens Extraído do livro “Aikido the Way of Harmony.

Tradução: Rubens Caruso Júnior – Instrutor de Aikidô 4° Dan – Aikikai – Aikidô Nova Era – São Paulo/SP

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O Aikidô – Por Morihei Ueshiba

24/07/2013

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Como ai (harmonia) é comum com ai (amor), eu decidi nomear meu budô único (no sentido de diferenciado) de “Aikidô“, embora a palavra “aiki” seja uma palavra antiga. A palavra como foi usada pelos guerreiros no passado é fundamentalmente diferente da minha. Aiki não é uma técnica para lutar com ou derrotar o inimigo. É o caminho para reconciliar o mundo e fazer dos seres humanos uma só família.

O segredo do Aikidô é nos harmonizar com o movimento do Universo e trazer-nos em unidade com o próprio Universo. Aquele que obteve o segredo do Aikidô tem o Universo em si mesmo e pode dizer: “Eu sou o Universo“.

Eu nunca sou derrotado, por mais rápido que o inimigo possa atacar. Não é porque minha técnica é mais rápida do que a do inimigo. Não é uma questão de velocidade. A luta é finalizada antes mesmo de já ter começado.

Quando o inimigo tentar lutar contra mim, o próprio Universo, ele precisa quebrar a harmonia do Universo. Por isso, no momento em que sua mente está focada em lutar comigo, ele já está derrotado. Não existe nenhuma medida de tempo – rápido ou devagar.

O Aikidô é não-resistência. Como é não-resistente, é sempre vitorioso. Aqueles que têm uma mente conturbada, uma mente de discórdia, já foram derrotados desde o começo. Então, como você pode endireitar uma mente conturbada, purificar seu coração, e ser harmônico com as atividades de todas as coisas da Natureza? Você deveria primeiro fazer do coração de Deus o seu coração. É um Grande Amor, Onipresente em todos os cantos e em todos os tempos do Universo. “Não há desacordo no Amor. Não há inimigos do Amor.” Uma mente conturbada (em desacordo), pensando na existência do inimigo, não é mais consistente com o desejo de Deus.

Aqueles que não concordam com isso não podem estar em harmonia com o Universo. O budô deles é de destruição. Não é um budô construtivo.

Portanto, competir nas técnicas, ganhar ou perder, não é o verdadeiro budô. Verdadeiro budô não conhece derrota. “Nunca derrotado” significa “nunca lutando“.

Ganhar significa ganhar sobre a mente de discórdia dentro de você. Isso é conseguir realizar a missão a qual lhe foi conferida. Isso não é mera teoria. Você pratica isso. Então você aceitará o grande poder da unidade com a Natureza.

Não olhe nos olhos do oponente, ou sua mente será direcionada para os olhos dele. Não olhe para espada de seu oponente, ou você será morto pela espada dele. Não olhe para ele, ou seu espírito será distraído. Verdadeiro budô é o cultivo da atração pela qual você direciona o oponente por inteiro para você. Tudo que tenho de fazer é continuar a ficar nesse caminho.

Até mesmo ficando de costas para o oponente é suficiente. Quando ele ataca, batendo, ele vai se machucar com a própria intenção de bater. Eu sou um com o Universo e nada mais. Quando eu me posiciono, ele será direcionado para mim. Não existe tempo e espaço perante Ueshiba do Aikidô‚ apenas o Universo como é.

Não existe inimigo para Ueshiba do Aikidô. Você está equivocado se você pensa que budô significa ter oponentes e inimigos, e ser mais forte e derrubá-los. Não existe nem oponentes nem inimigos para o verdadeiro budô. Verdadeiro budô é ser uno com o Universo; isto é, estar unido com o Centro do Universo.

Uma mente para servir a paz de todos os seres humanos no mundo é necessária no Aikidô, e não uma mente daquele que deseja ser forte ou que pratica apenas para derrubar o oponente. Quando alguém pergunta se meus princípios Aiki budô são tirados da religião, eu digo: “Não.” Meus verdadeiros princípios do budô iluminam as religiões e as lideram para a plenitude.

Eu sou calmo em qualquer momento ou maneira que eu for atacado. Eu não tenho nenhum apego com a vida ou a morte. Eu deixo tudo como é para Deus. Seja desapegado da ligação com a vida e a morte, e tenha uma mente que deixa tudo para Deus, não apenas quando estiver sendo atacado, mas também em sua vida diária.

Verdadeiro budô é um trabalho de Amor. É um trabalho de dar vida para todos os seres, e não de matar e lutar uns com os outros. Amor é a divindade guardiã de tudo. Nada pode existir sem Amor. Aikidô é a realização do Amor.

Eu não faço companhia com homens. Para quem, então, eu faço companhia? Deus. Este mundo não está indo bem porque as pessoas estão fazendo companhia entre si, dizendo e fazendo besteiras. Seres bons e seres maus são todos uma única família no mundo. Aikidô deixa de fora qualquer ligação, qualquer apego; Aikidô não julga casos relativos em bons ou maus. Aikidô mantém todos os seres em constante crescimento e desenvolvimento, e serve para a plenitude do Universo.

No Aikidô nós controlamos a mente do oponente antes de enfrentá-lo. Isto é, nós direcionamos ele para dentro de nós. Nós nos movemos para frente na vida com esta atração do nosso espírito, e tentamos ter uma visão inteira do mundo.

Nós incessantemente rezamos para que as lutas não aconteçam. Por esta razão, não há torneios no Aikidô. O espírito do Aikidô é de um ataque amoroso e de uma reconciliação pacífica. Neste foco, nós juntamos e unimos os oponentes com a intenção poderosa do Amor. Através do Amor, nós somos capazes de purificar os outros.

Compreenda o Aikidô primeiramente como budô e então como um meio de serviço para construir a Família Mundial. Aikidô não é para um único país ou alguém em particular. Seu único propósito é realizar o trabalho de Deus.

O verdadeiro budô é a proteção amorosa de todos os seres com um espírito de reconciliação. Reconciliação significa permitir a realização da missão de todos.

O “Caminho” significa ser uno com o desejo de Deus e praticá-lo. Se estamos só um pouquinho fora dele, não é mais o caminho. Nós podemos dizer que Aikidô é um caminho para varrer os demônios com a sinceridade da nossa respiração ao invés da espada. Isto é, mudar a mente demoníaca do mundo para o Mundo do Espírito. Esta é a missão do Aikidô. A mente demoníaca sucumbirá na derrota e o Espírito se erguerá na vitória. Então o Aikidô colherá frutos neste mundo.

Sem budô uma nação se arruinará, porque budô é a vida do amor protetor e a fonte das atividades da ciência.

Aqueles que procuram estudar o Aikidô deveriam abrir suas mentes, ouvir a sinceridade de Deus através do Aiki, e praticá-la. Vocês deveriam compreender a grande limpeza do Aiki, pratique-a e aperfeiçoem-se sem hesitação. Neste desejo começa o cultivo de nosso espírito.

Eu quero sensibilizar as pessoas a ouvirem a voz do Aikidô. Não é para corrigir os outros; é para corrigir sua própria mente. Isto é Aikidô. Esta é a missão do Aikidô e esta deveria ser sua missão.

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Palavras de Morihei Ueshiba do livro: “Aikido by Kisshomaru Ueshiba

Tradução Livre: Saulo Nagamori Fong

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O Significado de “Onegai shimasu” – Por J. Akiyama

19/07/2013

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Onegai shimasu” é uma frase difícil de traduzir diretamente para o português.

A segunda parte, “shimasu”, é basicamente o verbo “suru“, que significa “fazer”, conjugado no tempo presente. “Onegai” vem do verbo “negau“, que significa literalmente “orar por (algo)” ou “desejar (algo)”. O “O” no início é o “honroso O” que torna a frase mais “honorífica”. É claro, nós nunca devemos dizer a frase sem esse “O“, (Não confunda esse “O” com o “O” em O-Sensei. O “O” em O-Sensei é realmente “Oo“, significando “Grande” ou “Grandioso”).

Na cultura japonesa, usamos “onegai shimasu” em várias situações. A conotação básica da expressão é o sentimento de expressar “boa vontade” em relação ao futuro de um encontro entre duas partes. De fato, é muitas vezes como dizer “Espero que nosso relacionamento traga boas coisas no futuro”.

Costuma-se usá-la durante a celebração do ano novo dizendo “kotoshi mo yoroshiku onegai shimasu“, que significa “também este ano desejo boas novidades”. Capte a essência. Outra conotação é “por favor” como em “por favor, permita-me treinar com você”. É uma solicitação frequentemente usada para pedir a outra pessoa que lhe ensine algo, expressando que você está pronto para aceitar o ensinamento da outra pessoa. Se você está se sentindo realmente modesto, pode dizer “onegai itashimasu“, que usa “kenjyougo“, a forma “humilde” do verbo. Isto o põe numa posição mais abaixo hierarquicamente do que a pessoa com a qual está falando (a menos que ela use a mesma forma).

A pronúncia correta seria: o ne gai shi ma su. (Falando tecnicamente, o último “su” é uma sílaba pausada-fricativa, sendo pronunciada como o “s” final em “gás”, e não como um “su” longo – tal como em “sul”).

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Texto original em inglês: http://www.aikiweb.com/language/onegai.html

Tradução: http://www.aikidobahia.com.br

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Para ser um Bom Instrutor – Por Yoshimitsu Yamada – 8° Dan de Aikidô

01/07/2013

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Sobre este tema, eu gostaria de discutir no que se requer para ser um bom instrutor, assim como a mentalidade necessária para ser efetivo como professor. Não é necessário dizer, que meu ponto de vista está puramente baseado na minha experiência como instrutor de Aikidô. Tenho visto também alguns dos meus próprios alunos chegarem a professores e é através deles, e de meus próprios anos como Sensei,que realizo algumas observações.

Um dos fatos principais é que tem aspectos mais importantes que simplesmente habilidade técnica para chegar a ter sucesso na arte de ensinar. Tenho me dado conta que não necessariamente é sempre o mais talentoso Aikidoca que pode compartilhar o que ele ou ela conhece sobre a arte. Por exemplo, um excelente jogador de baseball não é necessariamente um coach efetivo. Esta ideia nos demonstra que geralmente se requer algo mais que habilidade física.

Um professor necessita ser respeitado e querido por seus alunos. Falando de respeito, frequentemente escuto professores queixando-se de que seus alunos não lhes oferecem o devido respeito. Na minha opinião o respeito não é algo que pertence, não se pode forçar a nada tê-lo. Deve ser ganho, na maioria das vezes através da experiência, confiança em si mesmo e respeito pelos demais.

Para ser um bom instrutor, seus alunos devem sentir seus anos de experiência comprometida e sua confiança no que estás fazendo. Infelizmente, no meu caso, sempre lamentei ter me transformado em professor de Aikidô sendo tão jovem, imaturo e relativamente inexperiente nos caminhos do mundo. Os chefes do Aikidô não tiveram outra opção, já que o Aikidô era uma nova arte e não tinham tantos praticantes dedicados a difundir o Aikidô nesse momento. Eu era sincero, mas sem as habilidades necessárias para ser tão eficaz como podia ter sido. Enquanto se é jovem, suas técnicas podem ser fortes em razão de suas proezas físicas. No entanto, um poderia precisar de outros fatores, que o ajudam a transforma-se em um líder. Por exemplo, a experiência social, como tratar as pessoas ou como atuar como um ser humano com qualidades que alguém aprende através do tempo.

Uma coisa que sempre tenho em minha mente quando ensino é que, entre os corpos dos alunos, há diferentes tipos de gente de diferentes campos, e que já estão estabelecidos e maduros em suas próprias profissões. Eles não são diferentes de mim. É bastante interessante, mas que eu realmente comecei a me sentir satisfeito como professor quando me aproximei dos meus cinquenta anos. Como disse anteriormente além do tempo e da experiência, é também crucial ter confiança, para chegar a ser um bom instrutor.

Frequentemente, tenho conhecido instrutores que não permitem a seus alunos nenhuma liberdade e os proíbem de ir a outros seminários dados por outros instrutores. Eles não poderiam chegar tão longe ao ponto de dizer que ficar com eles é suficiente, e que os alunos não necessitam se expor a outras influências. Para mim, isso demonstra falta de confiança por parte do instrutor. Deixar seus alunos ver outros mundos, os mantém livres para utilizar seu próprio juízo. Essa classe de segurança em si mesmo é uma maneira importante de chegar a ser um líder.

Lembro claramente uma vez, quando em um grande seminário de diferentes Shihans de Aikidô, havia um grupo de um dojô em particular, que ao invés de treinar com o resto dos participantes, que é a essência da “experiência do seminário”, somente treinavam entre eles mesmos. Seu professor, que não era um dos Shihan, que também assistiu ao seminário, os proibiu de interagir, para não comprometer seu Aikidô.

Adicionalmente, em lugar de tratar de fazer o que estava sendo demonstrado, continuaram treinando como sempre faziam. Que triste é isso, tanto para os alunos, que poderia se beneficiar sentindo diferentes estilos, como para o professor que não tinha confiança suficiente em que seus alunos poderiam desenvolver seu próprio estilo através de outras influências e, todavia, ser dedicado a ele. Finalmente, eles não adquiriram a vantagem completa das possibilidades de crescimento.

É necessário dizer, que os bons instrutores não necessitam se sentir com se precisassem provar de si mesmo para seus alunos. Nem ter que demonstrar quão fortes são. Presumivelmente, os alunos já sabem. Não é bom para os professores ver que as habilidades físicas de seus alunos são do mesmo nível que as suas. Em outras palavras, para evitar a comparação de si mesmos com seus alunos, os professores precisam se dar conta de que dez pessoas diferentes têm dez aptidões e condicionamentos físicos diferentes. Um Sensei valioso demonstra carinho, generosidade e paciência enquanto trata com cada aluno apropriado e individualmente.

Um último conselho é não fazer seus alunos o verem como um ser superior. Se te rodeias de gente que vão lhe colocar em um pedestal, estás se programando para a ilusão de que és superior às outras pessoas. A pessoa deve entender que fora do tatami és o mesmo ser humano que eles são. Não obstante, uma vez que estás no tatami, podes demonstrar-lhes “quem é o chefe”.

Quando lidero uma aula, sinto que sou o diretor de uma orquestra, cada um dos meus alunos está tocando um instrumento diferente, onde minha responsabilidade é criar uma boa harmonia entre eles. Algumas vezes, sinto que sou um chef de um grande restaurante que através de minhas receitas levo variedade e sabor aos meus alunos, e assim eles não se sentem cansados ou aborrecidos, sempre buscando dar-lhes inspiração.

Como Sensei de Aikidô, sempre estou buscando a maneira de ser um melhor professor. É um processo de evolução que me ajuda a expressar minha humanidade e a aprender a ser um melhor ser humano. Depois de tudo, é o êxito de seus alunos que lhe faz um bom professor, no tanto que um bom professor cria fortes futuros praticantes. Ensinar é uma relação de respeito mútuo e entendimento. Dessa forma, seus alunos sempre terão alguém para admirar e vice versa. Para mim, isso é respeito ganho.

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*Yoshimitsu Yamada – Instrutor Chefe do New York Aikikai – Chairman of the Board of the United States Aikidô Federation (USAF).

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Por que treinar Aikidô? – Por Stanley Pranin (Aikido Journal)

21/06/2013

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Todo principiante de Aikidô aparece motivado por alguma razão em particular, e um conjunto de objetivos. Entre os mais comuns estão os de autodefesa, desenvolver a forma física, ou travar relacionamentos. Com o passar do tempo os objetivos vão mudando e a pessoa vai percebendo que o Aikidô está provocando transformações em sua vida. Considerando que o Aikidô, assim como outras artes marciais de um modo geral ensinam técnicas capazes de machucar e mesmo matar um adversário, todas têm que ser praticadas com seriedade e atenção a detalhes por força dos riscos naturais, inerentes à atividade.

Treinar assim, respeitando a concentração, vai-se alcançando passo a passo o aperfeiçoamento do que pode ser descrito como um “espírito de marcialidade“. O termo marcial é aqui empregado no mesmo sentido em que o Fundador do Aikidô usava a palavra japonesa “bu“, normalmente traduzida por “arte marcial” (de guerra).

Bu” comporta duas interpretações distintas: primeiro serve para distinguir um sistema que engloba técnicas de lutas de origem clássica dirigidas originariamente para o ensino de auto defesa. E “Bu” acaba abrangendo o conceito de uma atividade ou prática destinada a conduzir o indivíduo através de um caminho de crescimento espiritual.

QUANDO O TREINAMENTO OBJETIVA A LUTA EM SI

O elemento marcial – ou “bu” é um componente tão vital do treinamento de Aikidô que removê-lo totalmente significaria reduzir a arte a um conjunto de meros exercícios visando saúde física. Acaba ficando implícita uma consciência de existência de perigos inerentes que acaba produzindo uma ultrassensibilidade ao pensamento. Eis a seguir alguns comportamentos que auxiliam no desenvolvimento desse espírito de marcialidade.

A ETIQUETA

A etiqueta é um dos pilares do comportamento adequado a um dojô. É comum menosprezarem a importância das formalidades adotadas em um dojô. Os padrões observados antes, durante e após os treinos têm o objetivo de gerar um ambiente em que técnicas perigosas possam ser praticadas com segurança.

A etiqueta também possui grande significado fora do dojô, servindo como um lubrificante nas relações interpessoais. Pessoas bem educadas raramente fazem inimigos, e desenvolvem um caráter adequado à prática de artes marciais.

O PAPEL DO UKE

O Uke é aquele que simula o ataque e vai sofrer o movimento do Aikidô. O treino de Aikidô consiste no revezamento entre os parceiros: enquanto um simula o ataque (Uke) o outro (o Nague, ou ToriHitori) aplica a técnica de Aikidô.

No Aikidô a técnica a ser aplicada é sempre de prévio conhecimento de ambos, o que garante um treino seguro. De forma que também é importante que o Uke esboce o ataque de forma clara, sincera e segura, sem antecipar a reação do Nague baseados nesse conhecimento prévio. O Nague precisa de um ataque sincero a fim de absorver os conhecimentos de equilíbrio, coordenação motora e o fluxo da energia.

A atitude marcial adotada pelo Uke vai protegê-lo de ferimentos e promover seu próprio progresso e o do companheiro. O Uke será também recompensado por seus esforços adquirindo flexibilidade e condicionamento físico através das quedas – uma experiência perturbadora quando não perigosa para a maioria das pessoas.

O PAPEL DO NAGUE

Conforme descrito acima, conhecendo a natureza do ataque, o Nague pode se concentrar em sua postura, no distanciamento e no desequilíbrio a que irá submeter o Uke. O stress emocional, que normalmente existe em confrontos da vida real, passa a estar ausente do contexto básico do treino.

O movimento inicial do Nague deve ser no sentido de desequilibrar o Uke, que não oferecerá resistência aos efeitos da força da gravidade, pois estará sem centro. Os benefícios da prática contínua, para o Nague, é que as técnicas do Aikidô vão se tornar uma sua segunda natureza. Seus instintos serão reestruturados para evitar ataques iminentes de forma a adotar as posturas harmoniosas que caracterizam as técnicas do Aikidô. Ele aprende a manter o equilíbrio físico e mental diante de ataques que normalmente seriam desorientadores para pessoas sem treino.

Enquanto o processo de aprendizado se desenvolve (conscientemente ou não) o Nague amplia seu nível de sensibilidade ao mover-se em seu ambiente. Torna-se capaz de perceber o que possa ser ou não algum tipo de ameaça. Essa atitude de alerta constante é um componente fundamental da arte marcial e destaca as pessoas com esse conhecimento.

IDENTIFICANDO O OBJETIVO DO TREINO

Praticantes de Aikidô devem regularmente passar em revista suas atividades normais e as circunstâncias a fim de estar sempre identificando e dando atenção a situações de perigo ou fraqueza. Um exemplo: aikidocas costumam ver pontos fracos em sua arte, quando a comparam com outras artes marciais. Consequentemente ele passa a se sentir tentado a discutir situações hipotéticas com relação às técnicas de Aikidô do tipo “e se….?

Na verdade não se treina Aikidô para se descobrir capaz de enfrentar o campeão mundial de karatê, ou de boxe ou de luta livre. A partir do momento em que eu canalizo minhas energias para esse tipo de pensamento, como se esse fosse o meu objetivo em treinar Aikidô, como poderei eu estar preparado para todo e qualquer outro tipo de ameaça ou ataque a que a gente se sente exposto o tempo todo durante o dia-a-dia, durante a vida? Pensar assim só é bom para discussões acadêmicas. Não há como hierarquizar as artes em termos de eficácia nem como ficar especulando sobre a relatividade de seus métodos. Quem pensa assim é melhor que nem comece a treinar Aikidô. A abordagem do Aikidô não é por esse lado.

O objetivo do Aikidô é proteger a vida, a saúde, a integridade física, a liberdade, a propriedade, e não para derrotar o semelhante como num torneio. Vamos supor que a gente se depare com algum ataque aleatório. A gente pode ser surpreendido caminhando pela rua, dirigindo o carro, e mesmo dentro de casa. No mundo real, assaltantes geralmente portam armas de fogo, facas e vêm acompanhados de comparsas. O elemento surpresa geralmente é o que dá sucesso a esse tipo de ataque aleatório. Não se trata de avaliar a qualidade, a sofisticação do ataque, mas sim o fato de que a vítima quase sempre é apanhada desprevenida, com a guarda baixa, no que vai resultar em sua derrota, ou morte. Aqui é quando se deve dar ênfase muito mais ao preparo psicológico do que ao conhecimento de qualquer técnica específica de defesa.

Temos que desenvolver um constante estado de alerta a fim de responder imediata e instintivamente a ameaças inesperadas. Temos que nos tornar saudáveis, flexíveis e bem preparados para nos adaptar rapidamente a qualquer mudança de situação.

POR QUE O AIKIDÔ?

Essa pergunta traz à mente uma dúvida razoável. Por que estudar Aikidô e não qualquer outra coisa que traga um resultado mais imediato em caso de violência urbana, como treinamento com armas e técnicas de brigas de rua?

Dependendo de cada um, talvez seja mesmo o caso de se praticar outras disciplinas. Nesse sentido há fortes argumentos quanto aos benefícios de se saber várias coisas ao mesmo tempo. Aqui é que entra o segundo componente da proposta inicial, mencionada acima, relativamente ao “bu“. Acontece que o Aikidô é também, e mais ainda, um caminho para o desenvolvimento espiritual da pessoa. Ele contém um imperativo moral de cultivo e respeito por todo ser vivo. O Aikidô propõe uma visão idealista de um mundo vivendo em harmonia e as técnicas da arte tornam essa visão abstrata em algo físico, concreto, tangível. Mais que qualquer outro princípio, as técnicas de Aikidô se baseiam no princípio da não resistência, conforme o ensinamento do fundador, Morihei Ueshiba, o que deve estar sempre presente na mente de todo praticante de Aikidô. O que não deixa de consistir em uma excelente fórmula de viver bem a vida em meio a esse mundo atemorizado pelo perigo e pela discórdia.

EPÍLOGO: TOMANDO DECISÕES EM TEMPOS DIFÍCEIS

A maioria dos desafios que enfrentamos no dia-a-dia não são os de embates físicos. A maioria dessas batalhas são de origem interior, são travadas num plano psicológico, posto que nossa vida consiste em uma luta constante e interminável contra problemas e incertezas. O espírito marcial cultivado durante anos de treinamento de Aikidô acaba se transformando em um acervo precioso, de valor incalculável nessas horas.

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Tradução:

Nereu Peplow – Fudoshin Dojo – Curitiba – www.aikidofudoshindojo.pro.br

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O Hakama

22/05/2013

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O hakama é a calça parecida com uma saia que alguns aikidocas usam. É uma peça tradicional da vestimenta de um samurai. O gi (vestimenta) padrão usado em aikidô bem como em outras artes marciais tais como judô ou karatê-dô era originalmente uma roupa de baixo. Vestir o hakama é parte da tradição do Aikidô (em muitas escolas).

O hakama era no princípio uma proteção para as pernas dos cavaleiros contra atritos, arranhões etc. – não muito diferente das calças de couro usadas pelos cowboys americanos ou pelos vaqueiros sertanejos. O couro era muito difícil de encontrar no Japão, um país sem pecuária, assim o tecido pesado era usado em seu lugar. Após a transformação dos samurais em combatentes desmontados, atuando mais a pé, o hakama continuou sendo usado porque isso os distinguia em meio à tropa e os tornava mais facilmente identificáveis.

Porém havia diferenças de estilo nos hakamas. O tipo usado hoje em dia pelos praticantes de artes marciais – com “pernas” – é chamado de “joba hakama” (ao pé da letra, utensílio para montagem a cavalo o qual alguém calça). Havia uma versão de hakama que parecia um tipo de saia em forma de tubo – sem pernas – e ainda um terceiro tipo que era uma versão longa do segundo. Ele era vestido nas visitas ao Shogun ou ao Imperador. Media habitualmente 3,6 a 4,5 metros de comprimento e era dobrado repetidamente e colocado entre os pés e a parte posterior do corpo do visitante. Isto fazia com que ele necessitasse shikko – “caminhar ajoelhado” – para sua audiência e dificultava bastante para alguém esconder uma arma ou erguer-se rapidamente para um ataque.

Em muitas escolas, apenas os faixas-pretas vestem hakama, em outras, todas as pessoas o fazem. Em algumas as mulheres podem iniciar seu uso antes dos homens (geralmente o motivo dado é a modéstia – recato – feminina – lembremos que o gi era originalmente roupa de baixo).

O Sensei era bastante enfático em que TODOS deviam vestir hakama, mas ele vinha de um tempo/cultura não muito distante em que o hakama era uma forma padrão de vestimenta formal.

Muitos dos estudantes eram pobres demais para comprar um hakama, mas era exigido que o usassem. Se eles não puderem conseguir um de um parente mais velho, poderiam pegar a cobertura de um velho colchão, cortá-la, pintá-la e dá-la a uma costureira para fazer um hakama. Se eles tiverem que usar uma tinta barata, porém, depois de um tempo a cor da capa vai começar a aparecer e a felpa do colchão começará a passar pelo material.

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Saito Sensei, sobre o uso do hakama no dojo de O-Sensei nos velhos dias:

No Japão do pós-guerra muitas coisas eram difíceis de obter, inclusive roupas. Por causa da escassez, nós treinávamos sem hakama. Nós tentamos fazer hakamas de cortinas de blackout contra ataques aéreos, mas essas cortinas tinham ficado ao sol durante anos, e os joelhos rasgavam tão logo arrastavam pelo chão na prática de suwariwaza. Nós estávamos constantemente trocando aqueles hakamas. Foi nessas condições que alguns fizeram a sugestão: ‘Por que nós não adotamos que seja aceito não vestir hakama até que a pessoa seja shodan?’ Esta idéia foi posta em prática como uma política temporária para evitar despesas. A idéia por trás da sugestão não tinha nada a ver com o uso do hakama como um símbolo da ascensão à faixa-preta“.

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Shigenobu Okumura Sensei, “Aikido Today” Magazine” #41:

Quando eu era uchi-dechi de O Sensei, todos eram instados a usar hakama para a prática, começando do primeiro dia em que pisassem no tatame. Não havia restrições sobre o tipo de hakama que você poderia usar, e o tatame era um lugar bastante colorido. Havia hakamas de todos os tipos, todas as cores e variedades, de hakamas de kendo, aos hakamas listrados usados em dança japonesa, até os caros hakamas de seda chamados sendai-hira. Eu imagino que alguns iniciantes foram mandados ao inferno por terem emprestado os caríssimos hakamas dos avós, usados apenas em ocasiões especiais e cerimônias, para esgarçarem seus joelhos fazendo suwariwaza. Eu lembro vivamente o dia em que esqueci meu hakama. Eu me preparava para subir ao tatame, vestindo apenas meu dogi, quando O Sensei me deteve. ‘Onde está seu hakama?’ Ele perguntou asperamente. ‘O que faz você pensar que você pode receber a instrução do seu professor vestindo nada mais que sua roupa de baixo? Você não tem senso de adequação? Obviamente. Você carece da atitude e etiqueta necessária em alguém que possui treinamento no budô. Sente-se fora do tatame e assista a aula”!

Este foi apenas o primeiro de muitos puxões de orelha que recebi de O Sensei. Porém, minha ignorância nesta ocasião alertou O Sensei a orientar seus uchi-dechi depois da aula sobre o significado do hakama. Ele nos falou sobre o hakama como tradicional indumentária dos estudantes do kobudo e perguntou se algum dos estudantes conhecia a razão para as sete dobras do hakama. 

‘Elas simbolizam as sete virtudes do budo’, disse O Sensei. ‘Estas são jin (benevolência), gi (honra ou justiça), rei (cortesia e etiqueta), chi (sabedoria, inteligência), shin (sinceridade), Chu (lealdade) e koh (piedade). Nós encontramos estas qualidades nos relevantes samurais do passado. O hakama convida-nos a refletir sobre a natureza do verdadeiro bushido. Vesti-lo simboliza tradições que chegaram até nós passando de geração em geração. O Aikido nasceu do espírito do bushido do Japão, e em nossa prática devemos buscar polir as sete virtudes tradicionais´”. 

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Morihei Ueshiba (1883-1969) – 44 anos da passagem do Fundador do Aikidô

26/04/2013

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Hoje, 26/04/2013, faz exatos 44 anos da morte do Fundador do Aikidô, Morihei Ueshiba, conhecido pelos Aikidocas ao redor do mundo como Ô –Sensei – Grande Mestre.

Os últimos anos de Morihei Ueshiba foram passados principalmente em Tóquio à medida que a sua saúde se tornava gradualmente mais frágil em virtude de sua idade já avançada, 86 anos. Não obstante, continuou ensinando até março de 1969, altura em que adoeceu, devido a complicações no fígado, e foi internado no hospital da Universidade de Keio. Na ocasião Morihei disse a seu filho Kisshomaru: “Deus está me chamando”.

Uma das últimas aparições do Ô-Sensei deu-se no dia 15 de abril de 1969, Morihei participou das comemorações do ano novo no Hombu Dojô. Mesmo parecendo estar com a saúde impecável, sua condição física deteriorava-se rapidamente e devido a tal quadro seus numerosos discípulos e amigos fizeram suas últimas visitas e homenagens. Mesmo já no final de sua existência neste plano Ô-Sensei propagava os ideais do Aikidô, e dizia aos presentes: “O Aikidô é para todos…” dizia o Mestre, “não treinem por razões egoístas, mas para todas as pessoas em todos os lugares”.

No dia 26 de abril de 1969, Morihei Ueshiba, aos 86 anos de idade, tomou a mão de seu filho Kisshomaru, riu e disse: “Tome conta de tudo”, e desencarnou.

Uma vigília foi realizada no Hombu Dojô no dia 1º de maio de 1969, a partir das 19h e, no mesmo dia, foi consagrada ao Fundador do Aikidô uma condecoração póstuma pelo Imperador Hirohito. Suas cinzas foram depositadas no cemitério de Tannabe, no templo da família Ueshiba, e mechas de seu cabelo foram guardadas em relicários no Santuário Aiki, em Iwama; no cemitério da família Ueshiba, em Ayabe; e no Grande Santuário de Kumano. Kisshomaru Ueshiba foi eleito para suceder seu pai como Aiki Doshu, por decisão unânime da Aikikai, em 14 de junho de 1970.

O Budô não é um meio de se derrotar um oponente pela força ou com armas letais. Também não é seu propósito levar o mundo à destruição pelas armas ou por outros meios ilegítimos.O verdadeiro Budô busca ordenar a energia intrínseca do Universo, protegendo a paz mundial, moldando e também preservando tudo na natureza em sua forma correta. Praticar o Budô é essencial para fortalecer, em meu corpo e em minha alma, o amor do kami, a divindade que gera, preserva e nutre todas as coisas na natureza” – Morihei Ueshiba.

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Conheça o Aikidô

Local: Academia Central de Aikidô de Natal – ACAN

Endereço: Rua Prof. João Ferreira de Melo – Capim Macio – Natal/RN –  Fundos do CCAB Sul

Telefone: (84) 2020-4841

Site: www.aikidorn.com.br

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A Reverência no Aikidô

22/04/2013

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A reverência é parte integral da etiqueta oriental substituindo o aperto de mão das sociedades ocidentais em quase todas as situações passíveis de comparação. No Japão, as crianças, tradicionalmente, aprendiam a reverenciar antes mesmo que pudessem ficar de pé. Isso, porque as mães tinham por hábito carregar seus bebês nas costas fazendo com que os bebês, ainda que involuntariamente, reverenciassem todas as vezes que suas mães o faziam. Esta maneira de carregar um bebê não é mais tão usual no Japão de hoje, mas a reverência continua sendo o modo mais usado para se cumprimentar um ao outro.

Visto que não moramos no Japão e reverenciar não faz parte da nossa cultura, seria razoável perguntar por que devemos reverenciar quando estamos praticando o Aikidô na Nova Zelândia? A minha resposta para esta pergunta (resposta que pode estar condicionada por vários anos vividos no Japão) é, primeiramente, que o Aikidô é uma atividade cultural Japonesa não existindo razão especifica para descaracterizá-la e, segundo, a reverência é uma ótima maneira de demonstrar respeito, tão importante no Aikidô quanto na vida. Quanto mais praticamos o Aikidô naturalmente mais respeito sentimos pelos outros, e reverenciar é uma maneira de expressar isso mantendo a estética da arte. No seu aspecto marcial o Aikidô demanda respeito mútuo entre os companheiros como reconhecimento da natureza de “vida ou morte” das técnicas que estão sendo estudadas, mesmo que praticado dentro do ambiente seguro do dojô.

Do ponto de vista mental ou espiritual, naturalmente mantém-se o respeito pelos companheiros discípulos do Caminho (Dô) por seus esforços em realizar todo o potencial como seres humanos. A reverência ajuda criar um ambiente para este trabalho interior. O sentimento ao se reverenciar é importante e não há nada de humilhante ou degradante neste gesto aonde todo nosso corpo e mente estão envolvidos em expressar gratidão e respeito. De fato, treinar um pouquinho de reverência é algo do qual nós ocidentais poderíamos nos beneficiar.

No Budô o reigisaho[1] tem uma importância fundamental. Para o praticante ocidental, com tradições culturais diferentes das orientais, as exigências da reverência nas artes marciais japonesas, como o Aikidô, entre outras, são comportamentos que lhe são estranhos e que por vezes adquirem um caráter tão só de obrigatoriedade. Todavia, “qualquer arte marcial pressupõe a existência de uma severa disciplina na sua execução e aprendizagem; uma arte oriental não se pode conceber sem etiqueta. Diz-se que a arte marcial japonesa começa e termina pela delicadeza e respeito mútuo, indispensáveis à elevação da personalidade.” [2]

O dojô [3] deve ser um local onde se desenvolve uma personalidade forte, com qualidades como a humildade, a lealdade, a cortesia, onde o caminho deve ser o de um conhecimento cada vez mais profundo de si mesmo, onde é importante Ter presente o significado da reverência, da cortesia, da etiqueta. Portanto o dojô é um lugar sagrado onde se procura “unidade do corpo e mente através do coração, centralizar a energia, na sua autêntica compreensão…»[4]. É também, no dizer de Herrigel, “desde os tempos mais remotos: Lugar da Iluminação.”[5]

Podem encontrar-se duas atitudes básicas nos praticantes perante a reverência. Uma consiste na execução da reverência como se de uma mera obrigação se tratasse; a outra na execução da reverência de modo rígido e formal sem que seja acompanhada da consciência profunda do sentido do ritual, sem a consciência de que o dojô é “Templo privilegiado que celebra uma espécie de liturgia”.[6]

A compreensão da importância do cerimonial é fundamental. A reverência é uma introdução à aula que permitirá ao praticante afastar a mente das preocupações e stress cotidianos, permitindo-lhe a concentração que a prática das artes marciais exige.

Por outro lado as artes marciais tradicionais desenvolvem, através da sua prática, a agressividade de cada indivíduo (não confundir com violência). A reverência evita a degeneração de comportamentos agressivos, impedindo a falta de respeito pelo parceiro de treino.

Em todas as artes marciais tradicionais, podemos encontrar o reigisaho, concretizado de modo diferente de arte para arte, mas mantendo, quase sempre, o mesmo espírito e função.

No ocidente, a aceitação ou rejeição do ritual da reverência, correlaciona-se com a atitude, mais ou menos tradicional que os praticantes têm para com o budô. Nas escolas tradicionais, havendo um processo mais profundo de aceitação da cultura oriental, a forma de estar destes adeptos, dentro e fora do dojô, na prática marcial e na vida, traduz, em regra uma maior compreensão da etiqueta tradicional.

Tradicionalmente, no budô a etiqueta deve ser uma constante da vida. Os gestos devem ser belos, precisos, lentos, mesmo os mais cotidianos, como sentar, ou levantar, caminhar, ou dar algo a alguém. Pois “Cada gesto era para ser executado de modo que ele permita, na seqüência de uma cisão seguindo o ataque surpresa, a partir da resposta eficaz.” [7] É entendido, tradicionalmente, que a forma de reverenciar, só por si, revela o nível de compreensão da arte.

A função psicológica da prática marcial é influenciada pela reverência. A forma de fazer poderá dar-nos indicações sobre a personalidade de um praticante, se ele é tímido, agressivo, reservado, etc..

A reverência interfere não só com as funções psicológicas, mas também com as funções fisiológicas.

A reverência, considerada num plano prático, é uma tomada de consciência do corpo e do controle respiratório através de um movimento bem simples. E isto é tão verdade, que a estabilidade e segurança de um mestre, na reverência, são evidentes. De tal modo que o contrário também é verdadeiro. O valor marcial de um indivíduo revela-se na reverência. Não é acreditável que alguém que não consiga manter-se sentado de modo estável para saudar, consiga executar com eficiência um outro movimento. Os verdadeiros Mestres saúdam profundamente, de forma majestosa, porque toda sua experiência, seu conhecimento, sua humildade estão presentes em sua reverência. [8]

O controle da respiração pode ser exemplificado com a reverência em pé, com os pés em musubi: Os calcanhares devem estar unidos, a frente dos pés afastados cerca de 45.º, pernas direitas, coluna vertebral ereta, ombros naturalmente colocados na sua posição anatômica, mãos abertas e dedos esticados, colocadas lateralmente nas coxas. No instante anterior ao da reverência inspira-se. Quando o tronco faz uma certa flexão em frente, expira-se. No momento em que o tronco retorna à vertical inspira-se novamente, podendo a expiração seguinte servir para a execução imediata de uma técnica, seja de ataque ou de defesa. A descrição respiratória é válida para a reverência feita a partir da posição de sentado – seiza.

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Num dojô podemos encontrar vários tipos de reverências.

A prática marcial começa com uma reverência interna, a reverência a si mesmo, dirigida ao íntimo de cada um, com a qual se pretende alcançar o Mestre Interno [9].

Ao entrar no local de prática há uma primeira reverência exterior, aquela que é feita ao dojô, com a qual se demonstra respeito ao lugar da prática.

Com o início da aula todos os praticantes executam, ao mesmo tempo, uma reverência à tradição passiva. Esta reverência feita em direção ao kamiza, (local dos deuses), onde simbolicamente a tradição passiva se condensa, é o kamiza ni rei, ou shomen ni rei. Representa o respeito pelos mestres que nos antecederam, pela cadeia de transmissão do saber. Exprime o respeito pelas gerações anteriores, que nos legaram a arte com sofrimento e por vezes com o custo da própria vida. É não só uma humilde e sincera homenagem à tradição passiva, mas também uma forma de inspiração no seu exemplo.

Segue-se a reverência à tradição ativa. O Mestre volta as costas ao kamiza e é saudado – é o sensei ni rei. Traduz o respeito devido ao Mestre, como representante, através da atividade de ensino e de aprendizagem do budô, da tradição ativa.

Se estiverem perante a classe vários mestres há, neste momento, lugar ao yudansha ni rei, a reverência entre os mestres.

Segue-se, durante toda a prática, no início de cada exercício, de cada técnica, de cada combate, a reverência ao companheiro, o otogai ni rei. Representa o respeito profundo pela integridade física e psicológica do outro. Significa que, através do nosso esforço e empenho na prática, lhe vamos proporcionar a possibilidade de progredir.

No fim de cada aula repete-se o percurso acima referido, com pequenas alterações na ordem das saudações.

Algumas escolas tradicionais, ainda cultivam o sempai ni rei, reverência entre os alunos mais adiantados e os mais novos – o Mestre já não faz a reverência. Representa o respeito que é devido pelos mais novos aos anciãos – sempai.

Durante a reverência, o estado de alerta, zanshin, e de antecipação deve ser permanente para evitar um ataque de surpresa. Este estado tem a ver com a percepção paranormal desenvolvida pelas artes marciais tradicionais, pelo maior ou menor potencial de ki do praticante. Mas neste trabalho não desenvolveremos estes temas, pois são questões que agora não nos ocuparão.

Deve ter-se presente que as noções de sensei, sempai, ou principiante são relativas. Como regra deve reter-se que um praticante novo deve inclinar-se profundamente, ao que o sensei responderá com uma ligeira inclinação. Assim numa aula um shodan pode ser sensei e na aula seguinte, ministrada por um 5.º dan, em que todos os outros alunos têm graduações entre 2.º e 4.º dan, não passa de um principiante.

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A maneira de efetuar a reverência tem vários entendimentos: um marcial, outro energético e outro simbólico. 

Ilustremos o que se afirma com reverência praticada em seiza. A primeira mão a ser colocada no solo em frente do corpo é a mão esquerda. No plano marcial, em caso de ataque do adversário, a mão direita pode desembainhar uma arma ou executar um movimento defensivo, se não houver armas. Se baixasse as duas mãos ao mesmo tempo isso não aconteceria.

No plano energético, a mão esquerda está associada à energia negativa (ura) e a mão direita à energia positiva (omote). Aquela tem um efeito destrutivo, esta tem um efeito construtivo.

O descer da mão esquerda à terra é um gesto simbólico da recusa de fazer mal, em relação àquele que é saudado. Em simultâneo, o contacto da mão com o chão neutraliza a potencialidade energética desta mão destruidora.

Com a colocação das duas mãos no chão, estas formam um triângulo equilátero. No plano marcial a finalidade é a de evitar um ferimento grave no nariz. Em caso de ataque à cabeça por parte de um adversário, o nariz está protegido e não será esmagado no chão.

Em nível energético permite a circulação de energia em circuito fechado, possibilitando a concentração mental. Este gesto simboliza a reunião de três lados: o homem, o céu e a terra. Também simboliza a junção entre tradição passiva e a tradição ativa, em que o Mestre desempenha um papel fundamental: é ele que transmite o conhecimento que já anteriormente lhe tinha sido transmitido. É um circuito de transmissão do conhecimento.

O triângulo simboliza também a capacidade de defender, assim como também a de atacar. A consciência do elevado valor energético e marcial da etiqueta e da cortesia deve estar sempre presente naqueles que seguem o budô.

Referências

[1] A etiqueta e a cortesia.

[3] O local de estudo da via, do caminho.

[4] Vide pg. 14, DELORME, Pierre, Dōjō. Le temple du sabre. Éditions Budostore, col. La Budothèque, 1994: Paris, pgs. 248.

[5] Vide pg. 81, ZEN e a arte do tiro com arco, Ed. Assírio & Alvim, col. sete estrelo, Março de 1997: Lisboa, pgs. 85.

[6] Vide pg. 11, DURIX, Claude, apud DELORME, Pierre, op. cit.

[7] – Vide p. 57, HABERSETZER, Roland, Le guide Marabout du Karaté, col. bibliotheque marabout service, éditions Gerárd & C.ª, 1969: Verviers (Belgique), pgs. 415.

[8] Vide pg. 198, Jazarin, El Espíritu del JUDO. Charlas com mi maestro. Ed. Eyras, col. cinturon negro, 1996: Madrid, pgs. 256.

[9] A prática implica sempre uma orientação segura, ministrada por um sensei, palavra pode ser entendida como «aquele que indica luz». Ora há sempre na relação Mestre-Discípulo uma transmissão para a luz. Contudo a relação com o Mestre possibilita que, cada um, no seu caminho, se projete sobre si próprio descobrindo no seu interior o seu próprio mestre – o Eu. Ou seja «cada um tem em si o seu Mestre, cada um é guru de si próprio».

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Colaboração:http://bukaru.zevallos.com.br

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Sobre você e seus mestres – Por Yamamoto Tsunetomo

09/04/2013

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É falta de fibra imaginar que você não conseguirá alcançar o nível de seus mestres. Os mestres são homens. Você também. Se acha que será inferior ao fazer algo, com rapidez, então, você estará no caminho de realmente ser inferior”.

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*Yamamoto Tsunetomo – (Saga, 12 de Junho de 1659 a 1719) foi um samurai, monge budista e filósofo japonês. Os seus comentários sobre o Bushido foram compilados no Hagakure, um guia espiritual para os antigos samurais, considerado atualmente um dos mais importantes escritos sobre o pensamento nipônico da antiguidade.

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Aikidô – Técnicas Básicas – Kihon Waza – Por Morihiro Saito Shihan

20/02/2013

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A importância de uma sólida compreensão das técnicas básicas não pode ser deixada de lado. Muitas escolas de Aikidô ensinam principalmente Ki no Nagare, ou seja, técnicas com fluidez de Ki. Neste tipo de treinamento, as técnicas são executadas a partir de um movimento inicial dispensando totalmente a prática básica onde você permite ser agarrado firmemente. Este tipo de prática pré-arranjada é bem sucedida somente quando ambos os parceiros cooperam completamente. Problemas ocorrem, no entanto, quando estudantes acostumados somente com este tipo de treinamento são confrontados com um oponente forte e não cooperativo. Treinando-se somente Ki no Nagare fica-se totalmente despreparado para a força e ferocidade de um ataque real. Os ataques fracos e não diretos realizados neste tipo de treinamento são comuns no moderno Aikidô, no entanto este modo de treinamento é totalmente contrário aos princípios marciais ensinados pelo fundador.

Aqueles que praticam as técnicas básicas, opostamente àqueles que treinam exclusivamente as técnicas em Ki no Nagare, aprendem como lidar progressivamente com ataques fortes. A fim de realizar isto, você deve estar certo de que quando estiver agarrando seu parceiro de treinamento, esteja fazendo-o firmemente e com uma real intenção. Se seu parceiro é incapaz de mover-se, então diminua a força de seu ataque até que ele ou ela seja capaz de executar uma técnica apropriada. Sempre regule a intensidade de seu ataque ao nível de seu parceiro.

No treinamento básico, todas as técnicas começam a partir de um Hanmi, ou postura preparatória. O Hanmi no Aikidô é uma postura triangular com o pé da frente voltado para frente e o pé de trás perpendicular ao frontal e voltado para o lado. A capacidade de mudar de posição rapidamente mantendo-se estável e girando os quadris completamente, depende de um apropriado Hanmi. As duas posições mais comuns são: Gyaku Hanmi (posição invertida) e Ai Hanmi (posição igual). Em Gyaku Hanmi você e seu parceiro têm os pés opostos à frente, enquanto que em Ai Hanmi ambos têm o mesmo pé a frente. Esta distinção é muito importante e, na maioria das vezes, o sucesso na execução das técnicas do Aikidô dependerá de iniciá-las no Hanmi apropriado.

Uma deficiência comum no treinamento de hoje é a falta da prática dos Atemi, ou ataques em pontos vitais. Os Atemi são usados para enfraquecer ou neutralizar um ataque do oponente para criar-se assim uma situação favorável na qual se pode executar uma técnica. Em muitas situações é virtualmente impossível desequilibrar um oponente forte, suficientemente para aplicar uma técnica sem recorrer-se ao Atemi. Aqueles que afirmam que o uso de tais ataques (executados com o intuito de tirar atenção do oponente do objetivo principal da técnica) é muito violento ou “não é Aikidô” ignoram os conceitos do Aikidô ensinados pelo fundador que dava grande ênfase sobre a necessidade de tais movimentos durante o treinamento. Os Atemi são uma parte essencial das técnicas básicas e também avançadas, e não devem ser omitidos de sua prática.

O fundador sempre iniciava as sessões práticas com os exercícios de Tai no Henko e Morote Tori Kokyo Ho. Ele terminava cada prática com o treinamento de Suwari Waza Kokyu Ho. Os exercícios de Tai no Henko constituem a base dos movimentos Ura, ou movimentos girando, e os dois Kokyu Ho, ou métodos de respirar, ensinam como respirar corretamente, a coordenação apropriada do corpo e como estender o Ki intensamente.

No treinamento do Aikidô nós abrimos nossos dedos para estender o Ki através dos braços. Abrir os dedos é uma forma de aprender as técnicas básicas, um treinamento que permitirá a você executá-las sem usar qualquer força. Abrindo os dedos quando seu pulso é subitamente agarrado torna-o mais grosso, e dá a você uma vantagem. Para aqueles aprendendo defesa pessoal é dito para abrirem seus dedos quando agarrados porque o braço torna-se difícil de segurar.

O Ki é algo adquirido naturalmente através da correta prática dos fundamentos básicos. Se você se preocupar de mais com o Ki, você será incapaz de mover-se. O Ki se manifestará por si mesmo naturalmente se você estiver treinando corretamente. Uma vez que você tenha desenvolvido o Ki, este fluirá livremente através de suas mãos mesmo quando seus dedos estiverem relaxados.

O fundador considerava as técnicas de Ikkyo até Sankyo como sendo movimentos preparatórios ao Aikidô. No Ikkyo você treina seu corpo; no Nikyo você “dobra” seu pulso para dentro estimulando e fortalecendo as juntas; no Sankyo você move seu pulso para fora na direção oposta. Através da prática destas técnicas, você desenvolve um corpo capaz de derrotar um inimigo com um único golpe. Estas técnicas básicas são sua preparação, e o treinamento nas técnicas do Aikidô começa através delas.

Outra parte essencial do treinamento dos fundamentos do Aikidô é o domínio da entrada e dos movimentos de giro. Se você decide avançar, você deve avançar totalmente. Se você decide girar para trás deve fazê-lo completamente. É difícil avançar depois de desviar um golpe, a menos que você possua uma vantagem em força. Portanto, gire sempre que necessário, como quando estiver em uma situação onde você seja incapaz de bloquear. A prática de técnicas girando é também necessária para se aprender como mover-se livremente.

Recentemente, o Termo “Takemussu Aiki” tem sido usado bastante livremente, porém parece que poucas pessoas compreendem seu significado. Takemussu Aiki refere-se a um estado onde técnicas nascem infinitamente como resultado do estudo dos princípios do Aikidô.

No treinamento do Aikidô – que inclui técnicas de mãos vazias, Aiki Ken e – é importante fazer claras distinções. Estas incluem as distinções entre Ikkyo e Nikyo, Omote e Ura, técnicas básicas e Ki no Nagare, e técnicas aplicadas (Oyowaza). Em uma recente viagem à Itália, experimentei executar tantas técnicas quanto podia. Concentrando-me apenas sobre as técnicas básicas, Ki no Nagare, variações e técnicas aplicadas, acabei por realizar mais de 4 centenas de técnicas, e estou certo de que o número teria subido para mais de 6 centenas caso tivesse incluído técnicas partindo da posição sentada, Hanmi Handachi (Atacante em pé, defensor sentado), e técnicas de contra-ataque.

Não importa quão esplendidamente as pessoas escrevam sobre Takemussu Aikidô, eles devem ser capazes de executar estas maravilhosas técnicas por si mesmas, se eles estão sendo considerados como professores. Se vocês continuarem a praticar assiduamente de acordo com o método tradicional, alcançarão o estágio onde serão capazes de executar um número infinito de técnicas desde as básicas até as mais avançadas.

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Tradução: Sensei Rubens Caruso Jr.

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Issen no Mai – Momento do Movimento – Por Kisshomaru Ueshiba

31/01/2013

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Katame (Controle)

Muitos mestres de várias disciplinas já falaram sobre a unidade ou sobre estar parado ou em movimento como sendo a parte central de suas artes. O mesmo acontece com os movimentos do Aikidô. Mesmo com a ênfase no movimento livre e fluido, bem como circular, o Fundador Morihei também ensinou que eram necessárias as técnicas de imobilização controlada.

Nas técnicas do Aikidô, as juntas nunca são dobradas em uma direção antinatural, as técnicas de imobilização devem ser vistas como uma forma aplicada de momento “parado” dentro do movimento.

As técnicas de imobilização, entretanto, não são estáticas, elas também devem manifestar a compreensão básica da conexão entre mente e energia. Assim, quando surge um ataque, ele deve ser neutralizado com fluidez natural, e então as juntas do oponente podem ser controladas. Descobrir como controlar a você mesmo e a seu parceiro através de técnicas de imobilização é um método superior de treinamento.

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Sabaki (Movimento)

Nas técnicas de Aikidô, movimento de avanço e movimento do corpo são como duas rodas de um veículo. Estes dois elementos se manifestam em todas as técnicas de Aikidô. O principio de “entrar” (avançar) é derivado de técnicas letais de antigas artes marciais, o principio do movimento do corpo é baseado nos padrões universais, e a união de ki-mente-corpo. Ambos os princípios precisam funcionar como um só.

Expressado de forma física, os movimentos do corpo no Aikidô são circulares e esféricos. Estes movimentos são fundamentais para o Aikidô. Um oponente pode ser puxado para dentro da esfera de outra pessoa com uma entrada certa e precisa; como um pião, mantenha-se estável no centro, e ponha em prática uma técnica eficiente. Para as técnicas do Aikidô, é essencial manter movimentos ilimitados e circulares.

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Irimi (Entrada)

Quando um atacante se atira contra você, no Aikidô nós instantaneamente deslizamos para o lado, avançamos sobre o ângulo cego do oponente (o lugar em que o oponente não pode contra-atacar), e evitamos o golpe. Este tipo de entrada decisiva, o instante em que (no passado) existe a questão de vida ou morte, é o coração das técnicas do Aikidô. O principio da entrada deve ser aprendido para a execução das técnicas Aikidô com precisão. O Fundador Morihei ensinou assim:

Assim que

O inimigo a minha frente

Ataca com sua espada,

Eu já estou

Às suas costas.

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Quando o inimigo

Corre para atacar

Avance um passo

Para o lado,

E corte profundamente!

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Estes poemas revelam a forma firme e inquestionável da natureza do irimi, avançar para controlar um oponente.

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Tradução: Jaqueline Sá Freire – Brazil Aikikai (Hikari Dojo – Rio de Janeiro).

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Aos leitores do IMPRESSÕES-AIKIDÔ

24/01/2013

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O Blog IMPRESSÕES-AIKIDÔ está aceitando sugestões de textos para publicação. Pode ser texto de própria autoria (enviando o arquivo) ou texto da internet (enviando o link para o original). Os assuntos, além de Aikidô, podem ser: Ki, Zen, Aikidô com Trabalho Social/Voluntário, Artes Marciais ou qualquer outro assunto correlato. Envie para o e-mail constante na aba Contato com seus dados: nome; graduação; site da academia, e caso tenha facebook, o link.

Faça sua contribuição e divulgue seu Dojô.

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Preservando a Autenticidade nos Treinos de Aikidô – Por Yukio Kawahara – 8ºDan

16/01/2013

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A arte marcial é uma forma de facilitar o crescimento espiritual através do aprendizado de técnicas marciais. Bujutsu, ou disciplina marcial, é uma educação física que serve como um guia para o modo de ser.

A formação tradicional marcial japonesa foi desenvolvida a partir da necessidade de auto-proteção e superação do adversário. A este respeito eu tenho uma preocupação com as atitudes dos estudantes de Aikidô referente ao treinamento marcial. Tenho a impressão de que algumas pessoas negligenciam o aspecto marcial da arte e se empolgam com o aspecto filosófico. Sem entender o espírito marcial inerente ao treinamento marcial, alguns criam uma pseudo-arte marcial simplesmente buscando uma sensação de harmonia.

No entanto, você não pode diluir ou ignorar o lado estritamente marcial do Aikidô, incluindo aí as maneiras pelas quais você se relaciona com o seu instrutor e seus colegas praticantes. Portanto, eu gostaria de lembrar aos alunos algumas maneiras básicas de se portar dentro e fora dos tatames, como segue:

1. Mostrar respeito para com o instrutor e praticantes mais antigos. Algumas pessoas parecem acreditar que têm o direito de praticar a sua maneira, desde que pague os seus honorários. Eles esquecem que eles estão em um dojô, a fim de serem treinados.

2. Ao visitar um outro dojô, apresente-se ao intrutor para obter deste a permissão para treinar. Não assuma que esta autorização será concedida automaticamente. A maneira de apresentar-se para um outro artista marcial deve incorporar a sua sensibilidade extrema a um confronto de vida ou morte em potencial.

3. Respeite aqueles com níveis mais elevados, mesmo fora do tatame. Honre os seus conhecimentos e realizações com respeito, e tente aprender com eles o máximo que puder, sempre que você estiver com eles. Da mesma forma, não trate os professores como amigos ou colegas de forma que possa perder as boas maneiras.

4. Siga aquilo que o instrutor demonstra durante o treinamento. Não se envolva em instruções diversas, ou pessoalmente modificadas (técnicas ou ensinamentos errados) ou conflitos físicos com outros praticantes. Não entre e nem saia do tatame durante as aulas sem a permissão do instrutor.

Eu quero que os instrutores treinem seus alunos com obediência a esses princípios e se esforcem para manter a ordem e a unidade do dojô.

Há lugares onde as pessoas praticam inquestionavelmente o pseudo-Aikido, que é inútil como uma arte marcial. Eu acho que há problemas com a forma como o Aikido é interpretado e praticado. Se os instrutores forem conscientes e respeitosos o suficiente para com o Aikido –estritamente como arte marcial – eles seriam mais cuidadosos sobre e quando poderiam iniciar seus próprios dojôs, julgando seu nível de conhecimento e prontidão, como um professor de artes marciais.

Por rigoroso treinamento de artes marciais, eu não quero dizer prática áspera. O que é mais importante é a sua atitude para com o treinamento. Você precisa constantemente se perguntar: O que é “budô“? Treinamento Budo é um negócio sério.

Aprender uma arte marcial japonesa é, na forma, a aprendizagem da cultura japonesa. Então, a pessoa ignorar ou distorcer esse pano de fundo cultural do Aikido, afirmando que este é o Canadá e devem praticar da forma como eles se sentem bem, não é correto. Eu gostaria de sugerir que vocês se esforçem para preservar a forma adequada e autêntica do Aikidô como uma arte marcial forte.

*Yukio Kawahara – 8 º Dan – Shihan, Instrutor-chefe da British Columbia Federação de Aikidô.

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5 Lições do Aikidô para os Negócios – Por Pedro Souza

26/12/2012

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O Aikidô é uma arte marcial japonesa que se preocupa com a resolução de problemas através da harmonização das circunstâncias. Sua dinâmica tende a representar a interação entre as pessoas e os desafios que enfrentam, trazendo como resultado, além de um excelente esporte, uma filosofia abrangente, de aplicação prática no ambiente de negócios e na vida pessoal. Conheça 5 princípios, entre tantos outros, que são ensinados pelo Aikidô.

O Princípio do ukemi.

Todo negócio é baseado em ciclos de expansão e recessão, e assim cair é parte de um processo natural. Através do chamado ukemi, rolamento executado diante da queda, o Aikidô ensina que a mesma energia que lhe derrubou pode ser usada para coloca-lo em pé novamente. Significa reconhecer e avaliar a circunstância, se posicionando e agindo para aproveitar as adversidades ao seu favor.

Continue andando.

O movimento de andar é composto por momentos de desequilíbrio, no qual um dos pés está pendendo a cair para frente, e de equilíbrio, quando ele finalmente encosta o chão. Para o Aikidô, continuar andando é a chave para manter-se em pé. Ou da mesma forma, só é possível derrubar o concorrente ao impedir que ele finalize o próximo passo. O que não necessariamente é outra empresa, ou outra pessoa: não se esqueça de olhar para si, e continuar andando.

Na adversidade, não recue.

O ser humano tem como tendência natural dar um passo para trás quando diante de uma situação adversa. O Aikidô inverte essa lógica, fazendo com que os seus praticantes se aproximem ainda mais do oponente, de forma estratégica, dominando a adversidade. Ainda mais importante do que enfrentar as dificuldades é enfrentá-las de modo inteligente.

Não crie resistência, se adapte.

Diferente de tantos outros praticantes de artes marciais, o Aikidoísta não se opõe ao adversário, criando resistência aos seus golpes. De fato, ele se adapta à circunstância, canalizando a energia despendida pelo oponente em seu favor, fazendo com que “o ataque saia pela culatra”.

Se você precisa fazer força, está fazendo errado.

É uma tendência natural tentar atingir resultados através da força e da insistência, algo que pode ser considerado até mesmo um axioma do pensamento ocidental, mas que na prática não se justifica. Para o Aikidô, forçar um situação significa se opor ao fluxo de energia predominante, perturbando a harmonia do movimento e limitando as suas chances de sucesso. Uma analogia bastante esclarecedora seria a do movimento realizado pelo rio. Ele é capaz de despender uma grande quantidade de energia por adaptar seu movimento ao fluxo natural, sem insistir contra as pedras ou mesmo negar sua essência líquida e indefesa.

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Veja AQUI o link para o original

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* Pedro Henrique Souza é palestrante, autor deStakeholding, a próxima ciência dos negóciose CEO da Hëd River, auditoria e consultoria especializada em Marketing e relação com stakeholders, aplicando a visão de profissionais únicos em áreas como neurociências, filosofia e ciências sociais para orientar empresas como a sua a se tornarem imbatíveis.

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Aikidô na FORBES

20/12/2012

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Pratique Aikidô para tornar-se um líder melhor nos negócios.

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A arte marcial japonesa, Aikido, insiste em aparecer em minha vida. Primeiro eu li que Paulo Coelho, autor de “O Alquimista”, estuda Aikido. Então falei com a diretora do programa de Liderança Autêntica Naropa, e ela disse que um mestre de Aikido se apresenta para os estudantes. Mais recentemente descobri que Michael Gelb, o escritor e treinador de desenvolvimento pessoal, é faixa preta.

Como se aplica à liderança?

Em “Aikido, Harmony, and the Business of Living, Richard Moon expõe sobre os princípios que formam a base de sua prática como coaching executivo. De um modo geral, o Aikido enfatiza a união ao invés da resistência à energia de um agressor (ou situação). Paradoxalmente, estou aprendendo a ter sucesso através da entrega.

O primeiro princípio do Aikido é estar completamente presente.

Quando sua atenção se conecta com sua experiência você está presente em sua vida.” Muitas pessoas, inclusive líderes de negócios, estão desconectados de sua experiência de vida – meditam sobre o passado ou preocupam-se com o futuro.

O segundo princípio é adaptabilidade.

Alinhe-se com a vida conforme ela se desdobra. Consciência torna possível desenvolver uma relação harmoniosa sobre o que está acontecendo. Aceite a situação, não resista.

O terceiro princípio é contribuir.

Aikido não é passivo e hamonia não implica em desistir.” De uma posição de consciência e aceitação, um líder pode sabiamente influenciar uma situação, ao invés de reagir de modo negligente. Acredito que esta é a essência da responsabilidade pessoal.

Artes marciais são uma ótima metáfora para refletir sobre desenvolvimento de liderança. Imagine uma nova geração de líderes que, diferente daqueles em dedicação exclusiva a programas de MBA, aprendem uns com os outros e com seu “Sensei” enquanto praticam em campo. Poderiam ser moldados após o treinamento com atletas de elite em CrossFit e MMA. Mais que um programa de MBA Executivo, é um processo contínuo fundamentado na teoria do desenvolvimento humano.

Veja AQUI o link para o original

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Tradução de CaduSenshin Aikidô

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Henka Waza de um Yakissoba – Por Cristiana Barbosa (CrisB)*

31/10/2012

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Os contos Zen são pequenas histórias, algumas vezes até de caráter cômico, mas que sempre trazem consigo uma importante lição de vida[1]”. E este aconteceu comigo…

Era a primeira vez que estava participando de um Seminário fora do Estado. Estava atenta e aberta ao aprendizado e sentindo uma imensa responsabilidade em demonstrar toda técnica e comportamento que se espera de uma Shodan.

Ao final do treino estava exausta, mas feliz com a certeza de não ter feito “feio”. Chegou a noite e, como de costume, o jantar com o Shihan convidado, o Sensei anfitrião, o meu Sensei e vários dos participantes.

Diante da mesa enorme reservada em um restaurante chinês, sentamos… Cardápios devidamente distribuídos e com eles o grande e irritante dilema: O que pedir já que sou ovo-lacto-vegetariana? Para minha sorte havia como opção um yakissoba vegetariano. Foi então que o Sensei anfitrião perguntou se eu poderia dividir o pedido com o Shihan.

– Hai Sensei!

Imagine o inflar do meu ego? O Shihan seria também vegetariano? Eu não era mais o único ET ali, o Shihan estava comigo, uma honra!

Pedido feito, chegou o garçom com a travessa fumegante. Aproximando-se do Shihan para servi-lo, este, então, apontou para que eu fosse servida primeiro. Foi então que, para uma tímida, o pior aconteceu: todos os olhares voltaram-se para mim – não só por se tratar de uma indicação do Shihan como por ser o primeiro prato a chegar numa mesa de famintos. Essa era a hora de mostrar a etiqueta!  Agradecida, voltei-me para o Shihan e disse-lhe:

– Primeiro o senhor!

O garçom retornou ao Shihan que sorriu para mim e pediu para que eu fosse a primeira a ser servida. Não me recordo quantas vezes fizermos esse “ping-pong”. Decidida, voltei-me com energia para o pobre garçom:

– Sirva-o primeiro, pois ele é o Sensei!

Pelo recuo do rapaz tenho certeza que utilizei meu olhar e minha voz de comando devidamente aprendidos em 10 anos de pratica em outra arte marcial. De pronto ele largou a travessa ao lado do Shihan e saiu rapidamente. O Shihan fitou-me mais uma vez, sorriu e agradeceu com um sinal positivo com a cabeça.

Vencia então o “combate”. Orgulhosa e convicta de que tinha acertado a origem do movimento: o garçom. Consegui assim colocar em prática a etiqueta para com o Shihan demonstrando toda a minha disponibilidade em servi-lo perante todos os aikidokas, Senpais e Senseis presentes.

Pacientemente esperei o Shihan, que se servia calmamente… acho que não estava com muita fome… Olhei para ele quando acreditei que tinha terminado. O mesmo olhou para mim, sorriu novamente e, ao invés de passar a travessa, passou-me o prato servido por ele.

Não teve “ukemi” que disfarçasse tamanha vergonha… TODOS gargalharam com a cena e até hoje estou digerindo este yakissoba…

– Quantas vezes impomos uma técnica ao uke? Estamos realmente nos harmonizando com ele ou impondo nossa “gentileza”?

– Quantas vezes buscamos a mão ou braço do uke convictos que estamos indo à origem do movimento?

– Faço a técnica por senti-la ou para demonstrá-la?

– O que é a real gentileza, harmonia, amor? O que é o AI?

Enfim, essas são algumas das perguntas que venho “digerindo” desde o acontecido e divido-as com vocês. Talvez nunca encontre as respostas. Não importa. O que importa é que a busca por elas tem me acompanhado e modificado a cada dia a minha movimentação e as minhas atitudes.

Este ano irei novamente acompanhar Sensei James Araújo ao mesmo Seminário em João Pessoa/PB organizado pelo Sensei Rogério Paodjuenas, ministrado pelo mesmo Shihan Edgardo Novelino… Qual será o prato do dia?

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Domo Arigato Gozaimashita!

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Referências:

[1] http://www.osamurai.xpg.com.br/contos.htm

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*Cristiana Barbosa (CrisB) – Designer Gráfico – Nidan da Academia Central de Aikidô de Natal

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Formas de Tratamento – Por Marcos José do Nascimento

24/09/2012

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Usual, no ambiente do Dojo, os praticantes dirigem-se uns aos outros valendo de termos em japonês, até mesmo nas formas de tratamento.

As artes marciais japonesas oriundas dos samurais trazem componentes de hierarquia, formalidades que foram adaptadas à realidade da mudança de uma forma de combate em campo de batalha para uma arte marcial adaptada ao modo de vida civil, preservando, contudo, algumas características peculiares, dentre elas a forma de seus praticantes dirigirem-se uns aos outros.

Dentre os termos usualmente empregados, destacamos: Shihan, Sensei, Senpai e Kohai, buscando explicar o uso de cada um da forma o mais adequada possível.

Shihan significa Mestre é usado para os faixas pretas a partir do 6º Dan, como também é usual entre os que são faixas-pretas inverter a ordem da palavra Sensei em se referindo aos que ocupam o grau igual ou superior ao do 6º Dan. Exemplo, quando algum praticante por deferência ou obedecendo a hierarquia usada no Dojo refere-se ao faixa-preta que ensina ele o trata com o título de Sensei seguido do nome, ocorre que em algumas situações os faixas-pretas referem-se invertendo o nome, colocando-o à frente do título de Sensei, como por exemplo, em lugar de afirmar Sensei Peres dizem Peres Sensei para quem detém título a partir de 6º Dan.

Sensei é o faixa-preta até 5º Dan que ministra aulas de arte marcial, contudo, o tratamento é usado para os detentores de Kyu (grau de aluno) ou de Dan (grau de faixa preta) que o conheceram a partir da faixa-preta, ou seja, não travaram contato com o detentor quando ostentava grau de Kyu (faixas coloridas).

Senpai é o aluno mais antigo, que pode ou não ser faixa-preta, desde que os que a ele se dirigem tenham-no conhecido antes de ser detentor da graduação de faixa-preta. Assim, quando se tem dois praticantes num mesmo ambiente em que se conheceram desde a fase das faixas coloridas em que um se gradua em faixa-preta e o outro lhe segue após, sendo o primeiro mais graduado em Dan, o mais moderno dirige-se a ele usando o tratamento de Senpai, tendo em vista que os dois são, respectivamente, Senpai e Kohai um do outro, bem como tiveram como Sensei comum aos dois uma terceira pessoa.

Kohai é o aluno mais moderno, que tanto pode ser faixa-preta ou faixa colorida, dependendo da pessoa que lhe serve de referência. Assim, quando se tem num Dojo vários faixas-pretas que tiverem como Sensei o mais graduado de todos, o mais moderno é o Kohai dos outros que não o Sensei, e da mesma forma o raciocínio vale para os faixas coloridas entre si, e dos faixas-pretas para com os faixas coloridas.

É importante ter em mente a clara ideia de cada conceito para o melhor uso da forma mais adequada e correta de dirigir-se à outra pessoa no Dojo, a partir das formas de tratamento que devem ser usadas.

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Referência:

01 – Glossário de Palavras Usadas no Judô do Brasil – Mafra, M. José Carlos M. – 7º Dan.

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*Marcos José do Nascimento – Servido Público Federal – Faixa-Preta de Judô e Aikidô – Aluno da Academia Central de Aikidô de Natal

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Regras Durante a Prática – Por Morihei Ueshiba

20/09/2012

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As regras de prática do Aikidô de Ô-Sensei Morihei Ueshiba, foram postadas no Hombu Dojo por muitos anos, e têm sido traduzidas por diversas vezes e de maneiras ligeiramente diferentes. Esta versão foi publicada originalmente no livro “Aikidô”, de Kisshomaru Ueshiba, 2º Doshu, em 1974, livro este que foi um dos primeiros livros sobre o Aikidô traduzidos para o inglês. Abaixo das regras, as elucidações do 2º Doshu.

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Regras Durante a Prática

1) Um golpe no Aikidô é capaz de matar um adversário. Na prática, obedeça ao seu professor e não faça do período de prática, um tempo para testes desnecessários de força;

2) O Aikidô é uma arte em que um homem aprende a enfrentar muitos adversários simultaneamente. Por isso, exige que você aperfeiçoe a execução de cada movimento, de modo que você possa ter controle sobre, não apenas aquele que vem diretamente a você, mas também aqueles que se aproximam de todos os lados;

3) Pratique todas as vezes com um sentimento de alegria e prazer;

4) Os ensinamentos de seu instrutor constituem apenas uma pequena fração do que você vai aprender. Seu domínio de cada movimento vai depender quase que totalmente da sua prática individual e séria;

5) A prática diária começa com movimentos leves do corpo, aumentando gradualmente de intensidade e força, mas não deve haver excesso de esforço. É por isso que mesmo um homem idoso pode continuar a praticar com prazer, sem danos físicos, e vai atingir a meta de sua formação;

6) O propósito do Aikidô é treinar o corpo e a mente para fazer um homem sincero. Todas as técnicas do Aikidô são segredos da natureza e não devem ser revelados publicamente, nem ensinada para malandros que irão utilizá-las para fins malignos.

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Primeiro, é bom obedecer ao instrutor e lembrar-se de suas instruções, acima de tudo. Não importa o quanto você possa estudar, se você se apegar a si mesmo, você não vai desenvolver a sua capacidade.

Em segundo lugar, budô é para combater qualquer ataque de qualquer direção a qualquer momento. Quando você está pronto apenas para um adversário, sem estar preparado para os outros, será apenas uma luta comum. Postura em guarda, com um espírito inamovível é a base de todo exercício de budô. As pessoas geralmente dizem: “O homem se comporta irrepreensível“, ou “Um excelente artista marcial vive completamente em guarda.” Aqueles que estudam o Aikidô devem, portanto, passar a vida diária em guarda, mesmo se eles não estão conscientemente observando todas as direções ao redor.

Mas se você mantiver a disciplina de budô sem se cansar, você vai finalmente chegar a um estágio realmente agradável. Algumas pessoas não entendem que é melhor sofrer enquanto estuda, para não sofre depois. O verdadeiro estudo é agradável em todos os momentos. Aikidô tem alguns milhares de variações técnicas. Alguns estudantes querem apenas ir atrás de um acúmulo de quantidade de técnicas e não da qualidade delas. No entanto, quando eles olham para trás, eles vem a saber que não ganharam nada e assim logo perdem o interesse. Como há inúmeras variações de cada técnica, é necessário que os instrutores sempre enfatizem a importância da repetição para os iniciantes. Quando você praticar cada técnica básica, uma e outra vez, você domina-a e, em seguida, serás capaz de usar as variações.

Quando o Mestre veio pela primeira vez a Tóquio, entre os seus alunos mais fervorosos estava o Almirante Isamu Takeshita. Ele escreveu todas as técnicas que ele aprendeu com o Mestre. Eles ascenderam a mais de duas mil, e ainda havia mais. Ele estava num beco sem saída pois não poderia fazer todas elas. Após cuidadosa consideração de vários dias, ele entendeu o significado do cuidado do Mestre, “Você deve estudar, usando o exercício sentado como base.” Ele praticou e, então, finalmente tornou-se capaz de gerenciar as técnicas tão bem que ele pode entender as técnicas que ainda não tinham sido ensinadas por seu instrutor. Para um idoso de 60 anos, é o mesmo: A repetição do exercício é o segredo de melhoria, não importa quão inábeis possam vir a ser.

A quinta regra é não contradizer a natureza. Deve ser evitado o excesso em qualquer coisa. Moderação é a chave. Não importa quão pouco o excesso é, toda a postura e a condição do corpo estarão desequilibradas. O exercício natural cria a verdadeira força. Por esta razão, foi possível para o Dr. Niki, um homem de mais de 80 anos de idade, praticar o Aikidô.

Por fim, o objetivo do Aikidô não é apenas produzir um homem forte, mas criar uma pessoa integrada. Qualquer pessoa educada sabe que a força bruta não tem sentido nos dias de hoje de civilização avançada. Por esta razão, o Mestre proibiu que o Aiikidô fosse mal utilizado e severamente advertia a todos caso acontecesse. Ele não permitia a publicação de suas técnicas de arte marcial e suas apresentações sem as necessárias garantias para cada aluno. 

Em resumo, aqueles que desejam estudar o Aikidô deveriam ter a mente correta e justa, obedecer aos instrutores, e estudar naturalmente. Por uma questão de consequência, as técnicas serão cultivadas com a habilidade de cada um e um caráter nobre será criado neste ambiente.

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Yamada Sensei – Para a Aikidô Today Magazine

17/09/2012

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Trecho de uma entrevista de Yamada Sensei publicado na Aikidô Today Magazine. A pergunta do entrevistador confirma a dúvida de muitos iniciantes nos caminhos do Aiki e a resposta do Shihan derruba aqueles que, sem conhecimento do Shintoísmo ou da religiosidade que permeia o caminho, tentam se passar por oradores, filósofos ou ainda “iluminados”. Boa leitura.

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Pergunta: Diz-se que a popularidade do Aikidô baseia-se no fato de não ser apenas uma arte de defesa pessoal, mas um modo de vida. É também algo que as pessoas estão procurando nesse final de século e na transição para o próximo. Portanto, a filosofia do Aikidô ou seu lado religioso torna-se muito importante. Quando o senhor ministra seminários ou aulas, raramente fala sobre os conceitos Shinto em que se baseia o Aikidô. O senhor favorece o lado técnico, enquanto parece não apreciar o aspecto da meditação ou da filosofia. Isso é simplesmente uma imagem que o senhor quer passar, ou acha desnecessário ensinar a teoria ou a filosofia que permeiam o Aikidô? Antigos estudantes do fundador dizem que O’Sensei, com frequência, ensinava filosofia Shinto.

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Resposta de Yamada Sensei: Em primeiro lugar eu não sou filósofo, ou uma pessoa religiosa. Ainda que O’Sensei em sua idade avançada tenha sido extremamente religioso, nunca nos forçou a pensar do mesmo jeito. Compreendo e concordo que o Aikidô não é somente uma arte marcial, mas também um modo de vida. No entanto, Aikidô é Budô. Portanto, creio que os praticantes de Aikidô não devem colocar muito peso na sua relação com o dogma espiritual ou cair na armadilha de transformá-lo em uma religião.

A razão pelo qual não falo sobre Shinto é porque não sou autoridade no assunto; e também acredito que Aikidô, em si mesmo, tem pouco a ver com o Shinto.

Gosto de meditações. Para mim, a prática de meditação é algo que alguém deve fazer sozinho e não em público. No entanto, a meditação é também algo que podemos praticar em todos os momentos. Da forma como vejo, meditação é consciência, a consciência da vida. É a percepção da vida no momento. Podemos fazer da nossa vida uma medição em todo e qualquer lugar, e a qualquer hora.

Eu não sei quem falou que o O’Sensei ensinava muito Shinto. Que eu saiba, não. Temos que compreender que as pessoas atualmente envolvidas com o Aikidô têm maneiras diferentes de ser e de pensar. Cada um vem com o seu próprio entendimento e credo, baseado na sua cultura, religião, ou experiência de vida. Como resultado, cada pessoa se conecta e interpreta os princípios do Aikidô ao seu próprio modo, segundo direções baseadas em suas origens. As pessoas veem e estudam o Aikidô como uma manifestação de suas próprias crenças.

Consequentemente, também usam seu aprendizado dos princípios do Aikidô para melhorar ou aprimorar suas crenças. Por exemplo, um adepto de Shinto pode usar seu conhecimento de Aikidô para melhorar ou aprimorar seu desenvolvimento e compreensão do Shinto. O mesmo se aplica aos budistas, ou a qualquer pessoa de qualquer religião ou filosofia. Eu não tenho aspirações de ser um líder espiritual.

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Aikidô Today Magazine

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Ensinamentos de Morihei Ueshiba

10/09/2012

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“O Universo é nosso maior professor. Vejam a maneira como uma corrente flui em seu caminho pelo vale da montanha, suavemente transformando-se ao fluir por cima e ao redor das rochas. A Sabedoria do mundo está contida em livros e, ao estudá-los, incontáveis técnicas novas poderão ser criadas. Estude e pratique, e então reflita sobre o seu progresso. O Aikido é a arte do aprender profundo, a arte de conhecer a si mesmo.”

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Morihei Ueshiba – Fundador do Aikidô
No livro A Filosofia do Aikido de John Stevens

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Exame de Faixa da Academia Central de Aikidô de Natal

12/07/2012

A Academia Central de Aikidô de Natal informa que sábado dia 14/07/2012 haverá mais um koshukai (treino livre), exame de faixa e confraternização. Todos estão convidados, aikidocas ou não, a prestigiar o evento. Entrada franca.

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Evento: Troca de Faixa da Academia Central de Aikidô de Natal

Data: 14/07/2012 – sábado

Horário: 15h:15m às 22h

Local: Rua João Ferreira de Melo, 2978, Capim Macio, Natal/RN (Mapa)

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Veja AQUI a programação da Academia Central de Natal para 2012.

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www.aikidorn.com.br

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Aikidô como um mero passatempo? – Por Stanley Pranin

19/06/2012

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Tenho me referido em artigos recentes a respeito de nossas estimativas do grau de crescimento do Aikidô tanto no Japão quanto no exterior. Apesar de que nossas projeções relativas ao número de praticantes sejam inferiores a diversas estimativas oficiais, eu acredito que elas tampouco representem sólidas evidências da penetração do Aikidô nas maiores culturas mundiais. Com isso em mente, tenho alguns pensamentos sobre a forma de como o Aikidô é praticado em muitas escolas hoje em dia e suas implicações no desenvolvimento da arte no longo prazo.

O Aikidô é frequentemente referenciado como um esporte em conversas com não praticantes. Quando isso acontece por vezes nós nos opomos ao termoesporte e esclarecemos que o Aikidô é na verdade umaarte marcial”. Mas se olharmos cuidadosamente perceberemos que as pessoas normalmente usam o termo “esporte” num significado mais livre da palavra, e na verdade o que querem realmente dizer é alguma coisa relacionada a passatempo ou atividade de lazer ao invés de uma atividade de competição. Se pararmos e refletirmos por um instante, muitos do que estão engajados na prática do Aikidô hoje em dia realmente a tratam-no como um passatempo, hobby ou uma forma de exercício.

Como essa atitude se expressa no treino? Uma ideia que imediatamente vem à mente é essa da forma como o Aikidô é praticado em muitos dojôs, o movimento do uke nada mais é que uma caricatura de um ataque. Isso se deve à ênfase na execução da técnica em oposição ao ensino básico de como executar ataque sincero e controlado. Ataques fracos e sem comprometimento são também a maior causa das críticas sobre o Aikidô por praticantes de artes marciais. Além de ser difícil ou mesmo impossível efetuar uma técnica adequadamente contra um ataque sem sinceridade, uma atitude de tamanho relaxamento contribui para o desenvolvimento de hábitos de treinamento frívolos e lânguidos da parte tanto do uke quanto do nage. Esses são, em troca, contraprodutivos ao desenvolvimento da força muscular e das juntas e do condicionamento geral necessário para a prática segura das poderosas técnicas do Aikidô. Eu acredito que a principal responsabilidade por essa forma casual da prática do Aikidô é dos instrutores que não foram capazes de captar a essência dos métodos e intenções do fundador ao criar a arte.

É necessário que as técnicas do aikidô sejam eficazes?

Ás vezes também é discutido que as técnicas do Aikidô seriam de uso limitado em uma situação real de luta, e mesmo que fossem, o quão eficazes seriam contra uma arma letal como uma pistola. A premissa implícita é que não seja tão importante assim, e que as técnicas que praticamos tenham uma aplicação marcial. Consequentemente, por extensão, dizem os defensores desse ponto de vista que não há nada de errado em praticar de uma forma relaxada e agradável.

A maior falha, na minha opinião, sobre essa forma de pensar, é que isso negligencia as consequências danosas de tais práticas em sucessivas gerações de Aikidocas. Se usarmos o Aikidô ensinado por Morihei Ueshiba, em seguida ao fim da guerra, como uma régua pela qual possamos medir a arte atual, nós já podemos concluir que muito menos técnicas são ensinadas hoje e que há pequena ênfase em áreas fundamentais como o atemi; o uso de armas; e a prática de grupos inteiros de técnicas como koshiwaza (técnicas utilizando o quadril) e hanmi handachi (uke em pé e nage ajoelhado) os quais eram parte do curriculum original da arte. Isso sem citar a quase total ignorância da fonte e conteúdo da mensagem espiritual do fundador. Se isso continuar por muito tempo, temo que no futuro o que seja passado com o nome de “Aikidô” em muitos dojôs se torne irreconhecível como tal.

O Aikidô tem uma rica herança como uma das mais importantes e dinâmicas expressões da longa tradição japonesa de artes marciais. Morihei Ueshiba, o fundador do Aikidô, injetou nas complexas e sofisticadas técnicas que aprendeu na sua juventude uma visão humanística das artes marciais como instrumentos de resolução pacífica dos conflitos. É essa mistura única de forma, ética e utilidade, a responsável pelo impacto do Aikidô nas gerações modernas. De uma certa forma, essa visão do fundador talvez tenha sido revolucionária demais. Parece ter sido demasiado esperar que o mundo fizesse o pulo conceitual considerável requerido para transformar as ferramentas da guerra em instrumentos da paz. 

Visto sob essa luz, o estado atual do Aikidô como uma forma leve de exercício a ser buscado em um ambiente amistoso e relaxado, nada mais é que um sinal dos tempos em que vivemos onde o que é mais fácil e divertido atrai mais a atenção do que as atividades que rendem recompensas somente em consequência de um esforço aplicado em prolongados períodos de treino.

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Aiki News #86 (1990)

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As 12 Regras para os Instrutores de Aikidô – Por Koichi Tohei

11/06/2012

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As 12 Regras para os Instrutores de Aikidô

1ª) O Aikidô nos revela o caminho para unificação com o universo. O maior propósito do treinamento em Aikidô é coordenar mente e espírito e tornar-se uno com a própria natureza. Como a natureza ama e protege toda a criação e ajuda todas as coisas a crescer e desenvolve, devemos ensinar cada estudante com sinceridade, sem discriminação ou parcialidade.

2ª) Não há discordância na verdade absoluta do universo, mas há discordância no domínio da verdade relativa. Combater contra outros e vencer somente traz vitória relativa. Não combater e ainda vencer traz vitória absoluta. Ganhar uma vitória relativa conduz mais cedo ou mais tarde para inevitável derrota. Enquanto estiver praticando para se tornar mais forte, aprenda como você pode evitar o combate. Você irá progredir muito rapidamente através do aprendizado para arremessar seu oponente tendo prazer, e ser arremessado tendo prazer também, e pela ajuda mútua para aprender técnicas corretamente.

3ª) Não critique qualquer outra Arte Marcial. A montanha não ri do rio que é mais modesto, nem o rio fala mal da montanha porque ela não pode se mover. Cada pessoa possui suas características e ganha sua posição na vida. Fale mal de outros e certamente isso retornará para você.

4ª) As artes marciais começam e terminam com cordialidade, não na forma sozinha, mas no coração assim como na mente. Respeite o professor que o ensinou e não pare de ser grato especialmente para o Fundador do Aikidô que mostrou o caminho. Aquele que negligencia isso não deveria se surpreender se seus estudantes fizerem pouco caso dele.

5ª) Esteja avisado contra presunções. Presunções não seguram somente seu progresso, elas causam sua regressão. A natureza não possui limites, seus princípios são profundos. O que leva a presunções? Presunções são causadas por pensamentos baixos e um compromisso malfeito com nossos ideais.

6ª) Cultive uma mente calma que vem da parte universal do corpo pela concentração de seus pensamentos no ponto um no abdome inferior. Você deve saber que é uma vergonha ter a mente fechada. Não dispute com outros meramente para defender seu ponto de vista. Certo é certo. Errado é errado. Julgue calmamente o que é certo e o que é errado. Se você está convencido que você está errado, faça correções corajosamente. Se você encontra alguém que é seu superior, aceite seus ensinamentos alegremente. Se qualquer um está errando, explique-lhe em silêncio a verdade, e esforce-se para que ele possa entender.

7ª) Até mesmo um verme de dois centímetros tem um espírito de um centímetro. Cada pessoa respeita seu próprio ego. Portanto não desrespeite ninguém nem machuque o respeito dele a si mesmo. Trate a pessoa com respeito, e ela o respeitará. Faça pouco caso delas que ela fará pouco caso de você. Respeite sua personalidade e escute ponto de vista dela, e ela o seguirá contentemente.

8ª) Não fique nervoso. Se você ficar nervoso significa que sua mente saiu do ponto um no abdome inferior. A raiva é algo de se ter vergonha no Aikidô. Não fique nervoso por você mesmo. Fique nervoso somente quando os direitos da natureza ou de seu país estão em perigo. Concentre no ponto um, e fique nervoso no ponto um. Saiba que quem fica nervoso facilmente perde coragem nos momentos importantes.

9ª) Não poupe esforços enquanto estiver ensinando. Você avança quando seus estudantes avançam. Não seja impaciente quando estiver ensinando. Ninguém pode aprender bem em uma vez. Perseverança é um ensinamento importante, assim como paciência, gentileza, e a habilidade de se colocar no lugar do seu aluno.

10ª) Não seja instrutor arrogante. Os alunos avançam no conhecimento quando obedecem a seu instrutor. Uma característica especial no treinamento em Ki é que o instrutor avança quando está ensinando seus alunos. Treinamento requer uma atmosfera de respeito mútuo entre instrutor e seus alunos. Se você vê um homem arrogante, você vê um homem com pensamentos baixos.

11ª) Quando praticar não demonstre seu poder sem um bom propósito temendo que você cause resistência na mente daqueles que o observam. Não discuta sobre poder, mas ensine da maneira correta. Palavras sozinhas não podem explicar. Em algumas vezes, ao ser aquele a ser arremessado, você pode ensinar com maior eficiência. Não pare o arremesso do seu aluno no meio do caminho ou pare seu Ki antes que ele possa completar seu movimento ou você dará a ele maus hábitos. Esforce-se sempre com palavras e atitudes para instigá-lo no Ki correto e na arte do Aikidô.

12ª) Faça qualquer coisa com confiança. Nós estudamos todo o princípio do universo e o praticamos, e o universo nos protege. Não há nada para se ter dúvidas ou medo. Convicção real vem da crença de que somos uno com o universo. Temos que ter a coragem de dizer como Confúcio: “Se eu tenho uma consciência leve, eu encaro um inimigo como se fosse dez mil homens”.

Extraído do livro Ki in Daily Life (Tradução de Kendi Chikude).

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Para saber mais sobre Koichi Tohei clique AQUI !!!

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www.kiaikidocuritiba.com.br

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Um comentário – Por Marcos José do Nascimento

21/05/2012

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O texto que segue foi um comentário interessante feito no post “Sou faixa-preta. Quero dar aula. E agora? Seja um Voluntário – Por Marcus Vinicius Andrade Brasil”, por um leitor/colaborador do  I M P R E S S Õ E S – A I K I D Ô. Segue para a leitura e comentários. 

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“No Judô, há uma maior liberdade quanto a isso, pois tenho visto ao longo dos anos alunos que se graduam faixa marrom e já iniciam atividades ajudando os seus Senseis. E a partir de Shodan (primeira graduação de faixa preta) já podem dar aulas.

Eu mesmo atuo como Sensei na ausência do titular dos treinos da turma de Master da Higashi no CONACAN, como também faço palestras sobre a História do Judô, quando convidado. Já ministrei algumas no curso de formação para faixas pretas (1º e 2º Dan) da Federação de Judô do Rio Grande do Norte, como também já ministrei aula de história de Aikido para alunos do curso de Educação Física da UFRN e aula de iniciação ao Aikido (movimentos e técnicas básicas) uma vez.

Não me considero de maneira alguma uma autoridade nas duas artes marciais, mas creio que, a partir de faixa marrom, tanto numa quanto noutra arte marcial, o aluno já está em condições de ministrar os ensinamentos básicos ao iniciante, pois de outra maneira haveria então que se duvidar também da formação que lhe foi ministrada por quem lhe conferiu a graduação alcançada. Como também creio que acima de tudo deve prevalecer, além do cuidado com transmissão da arte, a divulgação da arte, que é importante, e ela, em si, a arte, é sempre maior do que todos nós.

Qualquer pessoa, por maior que seja a sua graduação não é proprietário dela, de um segmento dela, e caso assim se julgue está, no mínimo, equivocado, pois todo o conhecimento por essa pessoa alcançado, mesmo fruto de seu esforço, vem de muito longe, de muitas outras incontáveis pessoas que lhe precederam nesse caminho. É o que penso.”

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*Marcos José do Nascimento – Servido Público Federal – Faixa-Preta de Judô e Aikidô – Aluno da Academia Central de Aikidô de Natal e da Judô Higashi.

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Sou faixa-preta. Quero dar aula. E agora? Seja um Voluntário – Por Marcus Vinicius Andrade Brasil

11/05/2012

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O desejo de inúmeros praticantes de artes marciais (Aikidô, Judô, Karatê, Jiu-Jitsu, Kung-Fu, Tae Kwon Do, Tai Chi Chuan, Muay Thai, Boxe, Capoeira, dentre outras), após chegarem à faixa-preta, é difundir, divulgar e até ensinar a sua arte a outras pessoas.

Palestras, treinamentos corporativos ou turmas em academias são os meios mais comuns que os novos mestres se utilizam para saciar a sede passar seus conhecimentos e de formar novos discípulos para sua arte.

Ocorre que nem sempre há espaço para toda esta demanda. Não é toda empresa que acredita do retorno financeiro proporcionado por um palestrante formado em artes marciais; da mesma forma não é toda equipe que tem interesse em ter como seu Guru um Sensei; e neste mesmo sentido, não há espaço para todos os novos graduados nas academias de ginástica e/ou musculação existente no bairro, na cidade ou na região. Para aquele que tem um poder aquisitivo considerável, ou pretende ser um empreendedor, há a possibilidade de abrir seu próprio Dojô e tentar ser feliz em seu propósito.

Mas a triste realidade é que a grande maioria dos novos faixas-pretas cai no poço da frustração. Após anos e anos de treinamento árduo para se aperfeiçoar em uma determinada arte, chegam ao fim (ou ao começo) quando recebe sua faixa-preta, e vê que seu sonho não será realizado por inúmeros motivos.

Mas nem tudo está perdido!!!

Esta é para você que está cheio de boas intenções. Com a técnica e a filosofia de sua arte marcial no auge, não perca as esperanças. Faça sua parte. Quer ser um Sensei, Sifu, Mestre ou o que for? Vá à luta. Faça a diferença.

Escolha nos links abaixo uma escola, municipal ou estadual (Natal e RN), e realize seu sonho de dar aula e, de brinde, o sonho de inúmeros jovens que não podem pagar, como você, uma academia de arte marcial.

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Escolas Municipais em Natal/RN: Clique Aqui!!!

Escolas, Creches, Centros Educacionais Estaduais no Rio Grande do Norte: Clique Aqui!!!

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Escolha uma escola. Faça uma visita. Converse com a direção, você será bem recebido. Exponha seus propósitos e faça a diferença na vida de algumas pessoas, e na sua também.

Se você não é do RN procure em seu Estado nos sites das secretarias de educação municipal e estadual e mãos à obra.

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Aqui algumas experiências que estão dando bons frutos: 

Aikidô Harmonia – São Paulo/SP

Projeto Aikidô – E.M. São Francisco de Assis – Natal/RN

Aikidojo Social – Recife/PE

Projeto Social Aikidô Infantil – Morro Santana/RS

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FAÇA A SUA PARTE !!!

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*Marcus Vinicius Andrade Brasil é Advogado e Aikidoca no Estado do Rio Grande do Norte. É responsável pelas aulas de Aikidô do Projeto Aikidô da Escola Municipal São Francisco de Assis em Natal/RN.

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Aikidô para Crianças

16/04/2012

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O Aikidô é um instrumento importante no processo de desenvolvimento dos mais novos. Tendo como origem os movimentos de auto-defesa, permite-se às crianças desenvolverem uma melhor relação com o espaço que as rodeia, com os outros, e, fundamentalmente, adquirir uma maior consciência do seu próprio corpo.

Através dos movimentos circulares próprios do Aikidô, a criança aprenderá a coordenar e controlar melhor os seus movimentos, bem como a descobrir as suas capacidades e limites físicos. Aprenderá a cair e levantar-se em segurança e que a queda é sempre uma oportunidade de começar um novo movimento; aperceber-se-á do corpo de uma forma diferente e aprenderá a usá-lo de maneira benéfica.

O treinamento constante leva o aluno a perceber o valor da integridade física do parceiro de prática; que um ataque, no Aikidô, não é mais que uma oferta que alguém faz para a evolução conjunta e que todos aprenderão a aplicar, na medida certa, a sua energia.

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BENEFÍCIOS COM A PRÁTICA

Corpo:

Promove uma melhor circulação da energia pelo corpo, facilitando a irrigação sanguínea e o bom funcionamento de todos os órgãos. Em paralelo, a prática do Aikidô educa o corpo a se movimentar de forma natural e sem esforço, respeitando a constituição e os limites de cada praticante. Como benefícios observam-se:

      · Flexibilidade;

      · Leveza;

      · Agilidade;

      · Equilíbrio;

      · Postura.

Mente e Espírito:

Os benefícios aproveitados por cada praticante de Aikidô são inúmeros e variam entre indivíduos. Os mais ansiosos tendem a se tornam mais calmos, os briguentos tendem a se tornar mais compreensivos, os medrosos passam a ter mais confiança, os tímidos começam a se expressar melhor, em suma, tem-se o acréscimo da auto-estima dos participantes.

Entre os benefícios emocionais temos:

      · Confiança;

      · Atenção;

      · Calma;

      · Satisfação;

      · Coragem;

      · Respeito;

      · Disciplina.

Percepção de si:

Gradualmente, a prática do Aikidô provoca mudanças na consciência sobre si mesmo, sobre a vida e sobre os outros. Alguns novos valores são incorporados e a percepção sobre certo e errado, amizade, futuro, realização, integridade, comunidade e mundo, vão ganhando novos significados.

Entre os benefícios na forma de pensar temos:

      · Maior abertura ao novo e ao diferente;

      · Aprendizagem de novas culturas;

      · Introdução ao pensar sistêmico;

      · Visão mais cooperativa que competitiva.

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Em Natal/RN tem o Projeto Aikidô.

Veja o Álbum do Projeto Aikidô.

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Colaboração:

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Aikidô no Kokoro – Por Kisshomaru Ueshiba

21/03/2012

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Empreendi o treinamento do corpo através do budô e, ao mesmo tempo em que aprendi todos os segredos, obtive uma verdade ainda maior. Quando compreendi a essência da realidade universal, vi claramente que os seres humanos devem unificar o ‘sentimento’ (kokoro), o corpo e o ki que une os dois e que a pessoa deve harmonizar sua atividade com a atividade de todas as coisas do universo, ou seja, dependendo da atividade sutil do ki, o sentimento e o corpo se harmonizam e, também, se harmoniza a relação entre o indivíduo e o universo.

Se não se utiliza corretamente a atividade sutil do ki, o sentimento e o corpo das pessoas adoecem, o mundo se torna caótico e o universo todo fica em desordem. Consequentemente é necessário harmonizar os três corretamente com a atividade de todas as coisas do universo para que haja ordem e paz no mundo. O Aikidô é o caminho da verdade. Treinar-se no Aikidô é treinar-se na verdade. Pela dedicação, treinamento e compreensão, nascerá a técnica divina.

Somente dedicando-se aos três tipos de treinamento mencionados a seguir, é que a verdade inabalável da força extraordinária se tornará parte do nosso sentimento e do nosso corpo:

1. Treinar para harmonizar o sentimento com a atividade de todas as coisas do universo;

2. Treinar para harmonizar o corpo com a atividade de todas as coisas do universo;

3. Treinar para fazer com que o ki que une o sentimento e o corpo se harmonize com a atividade de todas as coisas do universo.

Somente quem pratica e realiza esses três pontos simultaneamente, não apenas teórica, mas praticamente, no Dojô e em cada momento da vida diária, que é considerado o verdadeiro Aikidoca.

O Mestre Ueshiba ensinou repetidas vezes:

Cada técnica de uma arte marcial deve estar de acordo com a verdade do universo. Se isso não acontecer, a arte marcial estará isolada e com natureza diferente da arte marcial criadora de amor, o ‘take musu’. O ‘Aiki’ é desde a sua origem um ‘take musu’ por excelência. Aqui, marcial ‘take’ significa o bramido heroico, a vibração do corpo através do poder do ‘aum’ (o poder da respiração) que ressoa no espaço. A vibração interna do corpo deriva da unificação sentimento / corpo, que se sintoniza com a vibração do universo. A resposta mútua e o intercâmbio produzem o ‘ki’ do ‘Aiki’. A essência do Aikidô é o ecoar da vibração interna do corpo com a vibração do universo. Disso nascem o calor, a luz e o poder unidos num espírito plenamente realizado. O delicado ecoa do interior do corpo e a vibração do universo amadurece a atividade sutil do ‘ki’ e geram o ‘takemusu aiki’, a arte marcial que é amor e o amor que não é nada mais que arte marcial”.

A resposta à pergunta de como se alcança a unidade do ‘ki’ universal com o ‘ki’ individual, sua atividade harmoniza e resposta mútua, está no treinamento e na prática intensivos. Isso faz da harmonia e do amor a essência do Aikidô. Ambos estão no cerne do Aikidô. O fundador considerava que esta era a essência última e a verdade maior.

Extraído do livro “Aikido no Kokoro” (Kisshomaru Ueshiba) – Tradução e adaptação Ivan Sensei.

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Colaboração:

www.Aikidopesquisa.com.br

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Exames e suas finalidades – Por Patrick Augé

11/03/2012

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Há dois tipos de ensinamentos. Um consiste em ensinar o que os alunos querem aprender, e o outro consiste em ensinar o que os alunos precisam aprender. O primeiro decorre de uma atitude de auto-serviço, o segundo a partir de um senso de responsabilidade.

Aqui vamos nos concentrar no segundo tipo de ensino, uma vez que é baseado no princípio de “bem-estar mútuo e prosperidade”, como ensinado pelo Sensei Minoru Mochizuki Kancho através de suas palestras e exemplo.

Primeiro temos de colocar os exames em seu próprio contexto: temos um caminho marcial cujo objetivo é proporcionar aos seus discípulos uma forma de transformar-se em sábios e fortes seres humanos. Com esse entendimento em mente, devemos pensar sobre a finalidade dos exames. Essencialmente, o exame deve ser educativo, ou seja, é uma oportunidade para os alunos aprenderem. Um professor não deve usar das faixas como um meio de estimular ou recompensar os seus alunos. Esta prática pode funcionar temporariamente, mas abre um precedente perigoso. Logo, logo, o professor fica sem “cenouras” e começa a concentrar sua energia no sentido de desenvolver um arsenal de truques para poder manter os alunos interessados. Eu acho que a quantidade de energia gasta não difere muito caso o professor tivesse escolhido a pensar e agir de forma mais responsável. Graduações nunca devem tornar-se um propósito.

Então, qual é o propósito dos exames de faixas?

Pelo que entendi, a classificação é a medida do nível de um estudante de proficiência e do progresso na sua formação com base nos três critérios seguintes: Shin-gi-tai (mente-técnica-corpo), com a expectativa de que o aluno continue a estudar e praticar diligentemente. O objetivo do teste (exame de faixa) é dar aos estudantes uma oportunidade de avaliarem-se sob stress. Uma vez que o aikidô não tem competição, o exame é uma parte importante do treinamento. Este teste deve ser completado por períodos de prática intensiva, como kangeiko (treinamento de inverno) e shochugeiko (treinamento de verão).

Como um caminho marcial, o aikidô fornece maneiras para treinar-nos a gerir a vida diária. Apenas quando somos expostos a um stress é que podemos aprender a lidar com ele. Se esse conceito for claro na mente do professor, será fácil de explicar para os seus alunos. Devido à natureza do aikidô, este atrai pessoas que pensam com profundidade ou querem aprender como fazer. Na minha experiência, eu descobri que a maioria dos alunos entendem esse conceito e o mostram através do seu comportamento. É apenas uma questão de tomar o tempo necessário para explicar.

Aqui está como operamos: Budô é auto-defesa. Este estilo é muito rico em técnicas. A fim de dar o nosso máximo na exposição técnica aos alunos, podemos passar muito tempo em um certo tipo de técnica e suas aplicações, que é sempre precedida pela prática dos fundamentos. Cada aluno deve manter um caderno para registrar tudo o que ele acha importante. Nós não damos aos alunos um currículo escrito. Esta atitude é para desencorajar cursinhos.

Os requisitos básicos são cobertos durante as aulas regulares, os requisitos avançados durante as clínicas. O exame deve refletir a prática regular de um estudante. Isso incentiva o bom entendimento. No longo prazo, ele faz a diferença. Os alunos devem treinar-se no espírito de preparação. Se há um certo grau de incerteza, os alunos acabarão por se beneficiar. Os examinadores estão mais interessados na forma como o aluno lida com si mesmo em uma situação inesperada (o que revela seu caráter) do que em seu conhecimento técnico no momento específico. Quero dar os meus alunos a oportunidade de experimentar o valor educativo dos exames, algo que pode ser usado em outras áreas de suas vidas.

Deixamos todos os novos alunos saberem que podem ser testados uma vez por ano e que é preciso um mínimo de sete anos para shodan. Os candidatos são selecionados de acordo com o tempo, a frequência, o progresso e a sua atitude. À medida que subirem na classificação, os estudantes são esperados para mostrarem mais liderança através de seus exemplos dentro e fora do dojô.

Menos de uma semana antes do exame agendado, os candidatos selecionados são convidados a participarem de um pré-exame. Eles são lembrados da finalidade, etiqueta e procedimentos do exame.

Como no Japão, o exame normalmente ocorre no dojô principal, em um domingo, e pode durar o dia todo. Os estudantes são examinados e avaliados um por um por todos os professores presentes. O exame é gravado – Os candidatos a exames de dan devem escrever um ensaio sobre diversos temas -. Durante as semanas seguintes, os professores corrigem os alunos e enfatizam as áreas específicas que precisam ser melhoradas. Revejo a fita de vídeo e comparo as notas com os outros professores. Cerca de dois meses depois, os professores e eu nos encontramos, discutimos o caso de cada aluno, e decidimos quem deve ser promovido. Então eu faço os comentários para os alunos, geralmente durante uma clínica, e anuncio oficialmente os resultados. Os alunos são lembrados então que o teste é um processo contínuo e que não para com o resultado; que podem recusar a promoção, se eles não se sentem prontos para as novas responsabilidades; que a classificação só é boa enquanto os alunos permanecerem ativos (um estudante que se torna inativo por um ano terá que começar da faixa branca de novo se ele decidir voltar a treinar). Pode parecer radical, mas provou ser um bom tratamento preventivo contra absenteísmo crônico, uma doença comum em muitos dojôs. Temos de compreender que um estudante que retorna após uma longa ausência, e está autorizado a utilizar a faixa mesmo quando ele deixou de treinar, define um mau exemplo para os outros estudantes, especialmente se o grau dele era alto. Interrupção de treinamento de um indivíduo é a prova de sua incapacidade de manter as prioridades. Os alunos que voltarem depois de uma longa ausência sabem o que esperar. Utilizamos este caminho por mais de vinte anos, ele exige esforço por parte dos professores e dos alunos, mas vale a pena.

Em relação à pressão sobre a relação professor-aluno, eu acho que os professores devem tratar os alunos como os pais tratam seus filhos. Há muitas coisas que um pai sabe e que uma criança não consegue entender. Um pai responsável irá certificar-se que, não importa quão impopular sua decisão possa ser, é no melhor interesse da criança a longo prazo. Mais tarde a criança vai entender, e isso irá estabelecer sua fundação para educar seus próprios filhos. Esta é a razão pela qual as palestras do professor e as suas atitudes podem levar a um grande impacto em seus alunos, especialmente se eles deciderem se tornar professores mais tarde.

Um professor deve sempre pensar nas conseqüências de suas ações. Ele deve evitar desenvolver relações muito estreitas com alguns alunos, assim como um pai não deve mostrar uma preferência por uma criança em particular. Torná-los “animais de estimação” pode ser como um tiro que sai pela culatra no momento em que os “animais de estimação” precisarem ser disciplinados. Ele também cria ciúmes entre os alunos e prepara o terreno para as hostilidades, políticas e rompimentos. A história do Aikido está cheia desses exemplos. Se o professor tem medo de perder alunos e promove-os por medo de que eles parem, torna-se um padrão perigoso. Como esses alunos são promovidos para cargos mais elevados, sem realmente ganharem suas promoções, tornam-se cada vez menos dóceis. Sua atitude dá um mau exemplo para o grupo, e o professor tem que tomar uma decisão difícil para o bem de todos os alunos. É muito mais fácil não promover um estudante que vai sair com um mal resultado do que acreditar na esperança de que o tempo vá consertar tudo. Perder um estudante pode ser difícil, especialmente para um novo professor, mas vai ajudar a manter muitos estudantes sérios mais tarde. Um maçã podre num cesto vai contaminar todas as outras maçãs, é por isso que se deve jogá-la fora assim que notar.

Também do ponto de vista estritamente de ensino (e o mais importante, creio eu), se um aluno sai com o resultado de ter sido negada a sua promoção, é a melhor prova de que ele não estava pronto para ser promovido. Mochizuki Sensei é um homem de honra, e ele trata a todos como tal. Para ele, assim como para muitos professores de sua classe, uma posição significa: “Este é o nível que eu espero você chegar, estudar e treinar diligentemente. Se não o fizer, então a sua classificação não terá nenhum valor, e assim será óbvio para todo mundo”. No entanto, valores como a lealdade foram desaparecendo com a degeneração da ética (até mesmo no Japão!), e hoje em dia podemos até mesmo ver as crianças usando faixas pretas.

Como temos vindo a refletir sobre a nossa responsabilidade em continuar a missão de Mochizuki Sensei, temos também observado a degradação da qualidade em muitas organizações de artes marciais e do desaparecimento da mensagem original. Se considerarmos, por exemplo, que um aluno pode reter 80 por cento do que ele aprendeu com seu professor, que ensina apenas o que ele aprendeu, e que seu aluno retém 80 por cento do mesmo ensinamento e assim sucessivamente, onde é que vamos chegar depois de algumas gerações? À atividade recreativa? Entretenimento Olímpico? Certamente não ao budô.

Isto é o que acontece quando estamos principalmente preocupados com a promoção e com questões organizacionais, em vez de realmente ensinar o budô. É por isso que devemos fazer como Mochizuki Sensei e seus ensinamentos de professor, presente em nossas mentes e ações. Por esta razão, nós estabelecemos padrões elevados. Nós promovemos apenas os nossos próprios alunos. Nós nos esforçamos para se certificar de que as faixas refletem o nível real dos mesmos. Nos velhos tempos, os alunos que se juntaram a um dojô já haviam recebido o treinamento ético em casa, assim o professor poderia continuar nesse ritmo. Hoje em dia, um professor deve começar do nada e ensinar valores com que a maioria dos alunos não estão familiarizados. Esta é a razão pela qual os alunos Yoseikan sob a nossa liderança que receberam tais ensinamentos fizeram grandes progressos em shin-gi-tai. Nós cometemos erros quando promovemos alunos que deram a impressão de estarem prontos, mas que depois seguiram caminhos diferentes. No entanto aqueles que perseveraram, muito compensa este inconveniente. E nós estamos ficando cada vez melhores ao ver a verdadeira natureza dos nossos alunos.

Relativas ao tratamento de Mochizuki Sensei nos exames no Hombu Dojo, ele se certificou de que iria ver todos os alunos a serem examinados. Todos os exames de kyu e dan tinham de ser tomadas no Hombu. O Shinsa (exame) geralmente acontece em uma tarde de domingo. Todos os shihan (professores seniores) e professores assistentes participam como examinadores. Alunos de áreas distantes no Japão não se importavam de passar um tempo viajando para serem testados na frente de Kancho Sensei. Faz parte de sua shugyo (formação austera). Após o exame, uma clínica foi dada enquanto os shihan comparavam suas anotações. Então Sensei Kancho anunciou os resultados. Sensei tem uma excelente memória e lembra de detalhes que poucas pessoas notam. Cada aluno iria receber um comentário pessoal. Testes com Kancho Sensei tinha um valor especial. Seus comentários eram simples, mas muito profundos. Nós não poderiamos esquecê-los! Ele poderia dizer a personalidade do aluno pela maneira como ele atuou.

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*Patrick Augé (7º Dan, Shihan, Yoseikan Aikido) é o diretor técnico da Federação Budo Yoseikan Internacional para América do Norte. Ele começou a estudar artes marciais em 1962 no judô. Viveu por sete anos como uchideshi de Minoru Mochizuki sensei na década de 1970 e está atualmente em Los Angeles.

Link para o original: http://www.aikiweb.com/testing/auge2.html

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Kawai Sensei – 2 anos de saudades

30/01/2012

A Comunidade Aikidoca Brasileira relembrou dia 26/01/2012, com saudade, de mais um ano da ausência física do Mestre e Exemplo, Reishin Kawai.

Em homenagem, um vídeo com belas cenas de Kawai Sensei AQUI !!!

Domo Arigato Gozaimashita, Kawai Sensei.

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O conceito de Sen – Por Kisshomaru Ueshiba

22/07/2011

O texto que segue foi extraído do livro “A Arte do Aikidô – Princípios e  Técnicas Essenciais”, autoria de Kisshomaru Ueshiba. O Segundo Dosshu explica um conceito pouco entendido pela maioria dos praticantes de artes marciais japonesas, o SEN (antecipação). Aquele entendimento superficial que o Aikidô é uma arte puramente defensiva, cai por terra quando se entende as palavras do Mestre. Boa leitura.

“Nas artes marciais japonesa, o conceito de Sen (antecipação) é muito importante. Para se conseguir a vitória, é preciso demonstrar uma poderosa união de força mental e habilidade técnica. Acredita-se que Sen é a chave para antecipar o controle de qualquer situação.

‘Antecipação e Controle’ são as máximas aqui. Se o praticante possui um bom Sen, antes que oponente possa esboçar um ataque, ele já está completamente dominado. Por outro lado se, diante do oponente, o praticante planejar conscientemente se mover para esquerda ou para direita num dado momento, provavelmente será derrotado. Não adianta abarrotar a mente com estratégias complicadas; isso impede o movimento das mãos e dos pés e ajuda o oponente a levar vantagem. O conceito de Sen não é importante só nas artes marciais; em muitos aspectos da vida, o senso de antecipação é muito valioso.

Nos tempos antigos, a antecipação era categorizada em três níveis: Sen, Sensen no sen e Go no sen. Sen significa antecipar e tomar a iniciativa de sobrepujar o oponente, Sensen no sen é controlar a mente do oponente e usar essa abertura para vencer e Go no sen é reagir aos ataques do oponente sendo capaz de interpretá-los enquanto ocorrem.

Nesse caso, o ponto essencial também é transcender as noções de vitória e derrota, o que significa mover-se livremente de acordo com a necessidade, sem hesitação, e tomar a iniciativa em seus próprios termos. Na prática do Aikido, o Sen surge na mente que não está aprisionada; o praticante enfrenta o oponente sem noções preconcebidas, sem nenhuma intenção de confronto, e se mescla sutilmente com o ataque. No Aikido, Sen é conduzir o oponente para sua esfera, guiando-o de maneira gentil, mas determinada.

Esse tipo de Sen absoluto funciona em todos os níveis da vida, independentemente da situação. Contudo não se conquista esse domínio com facilidade – é preciso treinar como se a própria vida dependesse disso. Por fim, é importante notar o seguinte: muitas pessoas acham que as técnicas do Aikido se baseiam no Go no sen ; ou seja, responder a um ataque depois que ele for desferido. Essa visão é muito imatura – na verdade, ocorre o contrário. Portanto, é preciso treinar sinceramente para aprender a verdadeira dimensão do Sen.”

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Leia on line: A Arte do Aikidô – Princípios e Técnicas Essenciais

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Ensinamentos de Morihei Ueshiba

18/05/2011

 

“O Aikidô não é arte marcial para competir em torneios. Aqueles que praticam Aikidô lutam para abrir os olhos do coração e praticar a verdadeira sinceridade. No Aikidô queremos praticar para realizar o misogi (purificação). Não queremos ficar estagnados; queremos nos mover livremente. Queremos com muita vontade aprimorar o espírito. Aqueles que têm coragem vão ouvir a voz do aiki. Eles não tentarão reformar os outros. Antes de tudo, eles reformarão a si mesmos. Isso é o Aikidô. Essa é a nossa mensagem. É o nosso dever individual”.

Morihei Ueshiba – Fundador do Aikidô


Princípios Básicos da Filosofia do Aikidô: as dívidas, as gratidões e as virtudes dessa arte de Ser – Por Moaldecir Freire Domingos

30/04/2011

Morihei Ueshiba dedicou seu tempo (principalmente no período pós-Segunda Guerra Mundial) de vida para elaborar a filosofia do Aikidô, a partir de estudos budistas, xintoístas, e de sua própria percepção sobre o Ki, o Universo e a Vida experimentados ao praticar diferentes Artes Marciais.

Na obra de Stevens (2004) sobre a Filosofia do Aikidô, encontramos alguns princípios básicos dessa filosofia que foram escritos baseado nos ensinamentos, entrevistas e conversas de Morihei que foram traduzidas pelo próprio Stevens. Também se fundamenta nos ensinamentos de seu mestre Rinjiro Shirata (aluno direto de Morihei), nos escritos de Kisshomaru e na sua própria experiência enquanto praticante do Aikidô.

Stevens (2004) afirma que os princípios básicos são as “quatro gratidões”: a) Gratidão para com o Universo que significa agradecer pelo dom da vida; b) Gratidão para com nossos ancestrais e predecessores representando ser grato pelos pais, grandes líderes, professores, inovadores, artistas, entre outros; c) Gratidão para com o próximo, pois não se pode viver sem relacionamento; e d) Gratidão para com as plantas e animais que sacrificam suas vidas por nós, ou seja, nós existimos às custas de outros seres vivos.

Essas “quatro gratidões” estão diretamente relacionadas com quatro dívidas: a) estamos em débito com o Universo, pela dádiva de seu grande propósito; b) estamos em débito com nossos ancestrais pela dádiva de nossa existência; c) estamos em débito com os homens e mulheres sábios do passado, pela dádiva de toda cultura humana; e d) estamos em débito com os seres vivos pela dádiva de proporcionar o nosso alimento (STEVENS, 2004).

Além desses itens, a Filosofia do Aikidô envolve “quatro virtudes”: 1) a virtude da coragem, a vitória que buscamos é sobressairmos a todos os desafios e lutar até o fim; 2) a virtude da sabedoria, o Aikidô é a arte do aprender profundo, a arte de conhecer a si mesmo; 3) a virtude do amor, o verdadeiro Budô é a função do amor, o caminho do guerreiro não é a destruição e morte, mas experimentar a vida para continuamente criar; e 4) a virtude da empatia que preconiza a aplicação dos ideais do Aikidô nas diferentes esferas das relações humanas, ecológicas, econômicas e na política (IDEM).

Para finalizar a estrutura básica dos valores no Aikidô, citamos agora os três princípios filosóficos da unidade propostos pelo Ô Sensei: 1) a mente deve estar em harmonia com o funcionamento do Universo; 2) o corpo deve estar ajustado com o movimento do Universo; e 3) mente e corpo devem ser um só, unificados com a atividade do Universo (UESHIBA, s/d apud UESHIBA, 2005, p.25).

Morihei Ueshiba criou esses princípios básicos pensando no difícil período pelo qual passava o Japão, dentre os quais podemos citar a rápida modernização e o envolvimento em grandes guerras. Assim Morihei desenvolveu o Aikidô para que qualquer pessoa pudesse treinar e concluiu que o verdadeiro espírito do Budô não deve centrar-se em competições e combates, mas buscar a perfeição como ser humano através de treinamento cumulativo, unificando o ki individual com o ki universal (UESHIBA, 2005).

Nesse sentido, o Aikidô de Morihei não é um esporte competitivo, não participando de eventos competitivos ou de confrontos que incluam divisões por pesos, classificações baseadas no número de vitórias e a premiação de campeões. Essas características dos esportes de luta são consideradas como alimento para o egoísmo, para a vaidade pessoal e o pelo desinteresse nos outros. Não é objetivo do Aikidô criticar as outras artes marciais por tornarem-se esportes. Sobre isso, a transcrição a seguir é esclarecedora:

“Não estamos criticando as demais artes marciais por se tornarem esportes modernos. Historicamente, essa direção era inevitável para a sua sobrevivência, especialmente no Japão pós-Segunda Guerra Mundial, quando todas as artes marciais foram proibidas pelas autoridades da Ocupação Aliada. Mesmo como esportes, atraíram o interesse de muitas pessoas, quer como participantes quer como espectadoras. Isso é positivo, pois não há como negar que os jovens, de modo especial, são atraídos às artes marciais devido às competições e torneios que decidem quem é o melhor no campo. A despeito dessa tendência, o Aikidō se recusa a entrar nesse círculo e permanece fiel à intenção original do Budō: o treinamento e o cultivo do espírito” (UESHIBA, 2005, p. 23).

Dessa forma, compreendemos que o Aikidô é um exercício de aperfeiçoar a nossa condição humana em seus princípios éticos relacionados ao aprendizado e à compreensão das dívidas, ao exercício das gratidões e das virtudes como enunciado nos princípios básicos dessa arte de Ser.

Referências Bibliográficas:

STEVENS, J. A Filosofia do Aikidô. São Paulo: Cultrix, 2004.

UESHIBA, K. O Espírito do Aikidô. 6ª Ed. São Paulo: Cultrix, 2005.

 

*Moaldecir Freire Domingos é formado em Educação Física pela UFRN e faixa-amarela (5º Kyu) da Academia Central de Aikidô de Natal.

Colaboração: www.impressione.wordpress.com


Morihei Ueshiba (1883-1969) – 42 anos da passagem do Fundador do Aikidô

26/04/2011

Hoje, 26/04/2011, faz exatos 42 anos da morte do Fundador do Aikidô, Morihei Ueshiba, conhecido pelos Aikidocas ao redor do mundo como Ô –Sensei – Grande Mestre.

Os últimos anos de Morihei Ueshiba foram passados principalmente em Tóquio à medida que a sua saúde se tornava gradualmente mais frágil em virtude de sua idade já avançada, 86 anos. Não obstante, continuou ensinando até março de 1969, altura em que adoeceu, devido a complicações no fígado, e foi internado no hospital da Universidade de Keio. Na ocasião Morihei disse a seu filho Kisshomaru: “Deus está me chamando”.

Uma das últimas aparições do Ô-Sensei deu-se no dia 15 de abril de 1969, Morihei participou das comemorações do ano novo no Hombu Dojô. Mesmo parecendo estar com a saúde impecável, sua condição física deteriorava-se rapidamente e devido a tal quadro seus numerosos discípulos e amigos fizeram suas últimas visitas e homenagens. Mesmo já no final de sua existência neste plano Ô-Sensei propagava os ideais do Aikidô, e dizia aos presentes: “O Aikidô é para todos…” dizia o Mestre, “não treinem por razões egoístas, mas para todas as pessoas em todos os lugares”.

No dia 26 de abril de 1969, Morihei Ueshiba, aos 86 anos de idade, tomou a mão de seu filho Kisshomaru, riu e disse: “Tome conta de tudo”, e desencarnou.

Uma vigília foi realizada no Hombu Dojô no dia 1º de maio de 1969, a partir das 19h e, no mesmo dia, foi consagrada ao Fundador do Aikidô uma condecoração póstuma pelo Imperador Hirohito. Suas cinzas foram depositadas no cemitério de Tannabe, no templo da família Ueshiba, e mechas de seu cabelo foram guardadas em relicários no Santuário Aiki, em Iwama; no cemitério da família Ueshiba, em Ayabe; e no Grande Santuário de Kumano. Kisshomaru Ueshiba foi eleito para suceder seu pai como Aiki Doshu, por decisão unânime da Aikikai, em 14 de junho de 1970.

O Budô não é um meio de se derrotar um oponente pela força ou com armas letais. Também não é seu propósito levar o mundo à destruição pelas armas ou por outros meios ilegítimos.O verdadeiro Budô busca ordenar a energia intrínseca do Universo, protegendo a paz mundial, moldando e também preservando tudo na natureza em sua forma correta. Praticar o Budô é essencial para fortalecer, em meu corpo e em minha alma, o amor do kami, a divindade que gera, preserva e nutre todas as coisas na natureza” – Morihei Ueshiba.

 

Conheça o Aikidô

Local: Academia Central de Aikidô de Natal – ACAN

Endereço: Rua Prof. João Ferreira de Melo – Capim Macio – Fundos do CCAB Sul

Telefone: (84) 3217-9182

Site: www.aikidorn.com.br

 

Colaboração: www.impressione.wordpress.com


Aikidô Natal – Academia Central – Exame de Faixa – Agosto/2010

17/08/2010

 

Sábado, 21/08/2010, 16h, na Academia Central de Aikidô de Natal, acontecerá mais um evento de troca de faixas. O evento, além de exame de faixa serve como confraternização entre os alunos dos diversos horários, seus familiares e amigos. Compareça você também. Leve um prato de doce ou salgado, sua bebida (não alcoólica) e comemore a harmonia, energia e as realizações. 

 

Local: Academia Central de Aikidô de Natal – ACAN

Dia e Hora: Sábado – 21/08/2010 – 16h

Endereço: Rua Professor João Ferreira de Melo – Capim Macio – Fundos do CCAB Sul

Telefone: (84) 3217-9182

Site: www.aikidorn.com.br

 

Colaboração: www.impressione.wordpress.com e www.aikidorn.com.br


Gozo Shioda Sensei – Aikido Yoshinkan – 16 anos de sua passagem

17/07/2010

No dia 17 de Julho de 1994, faleceu Gozo Shioda Sensei – Fundador do Yoshinkan Aikido. Shioda Sensei foi um dos alunos do Fundador do Aikido, Morihei Ueshiba e, de suas mãos, recebeu o 9º Dan na arte do Aikidô.

Gozo Shioda nasceu em Shinjuku, Tóquio, em 1915 e um momento decisivo em sua vida foi quando aos dezessete anos, seu pai levou-o para assistir um treino conduzido pelo O-Sensei Morihei Ueshiba no Kobukan Dojo. O Jovem Shioda, em sua primeira visita ao Kobukan, observou O-Sensei sendo atacado e arremessando o atacante facilmente, sem demonstrar esforço aparente.

Em 24 de maio de 1932, iniciou seu treinamento no Kobukan Dojo como Uchideshi (discípulo residente no dojo). Por um período de quase oito anos ele se dedicou somente a prática do Aikido e como resultado, desenvolveu-se dominando a arte. Mesmo como estudante, exibia técnicas firmes com um vigor extraordinário, observado, ainda, nos anos posteriores de sua vida.

Em 1955 Shioda Sensei, criou oficialmente o primeiro dojo do Yoshinkan Aikido em Tsukudo Hachiman, Tokyo. Atualmente o Yoshinkan Aikido está presente em vários países.

O estilo Yoshinkan de Aikido é chamado regularmente de estilo duro de Aikido, uma vez que o método de treinamento é um produto de uma época de grande esforço e dedicação do Sensei Shioda com o O-Sensei Ueshiba.

Gozo Shioda, Artista marcial excepcional, professor, fundador do Yoshinkan Aikido, faleceu em Tóquio, em um domingo 17 de julho de 1994, aos 78 anos.

 

Yoshinkan Aikido no Japão

Hombu Dojo: http://www.yoshinkan.net/indexE.html

 

Yoshinkan Aikido no Brasil

Representante: www.institutohikari.com.br – Sensei Eduardo Pinto

 

Literatura sobre Yoshinkan Aikido

Livro: Aikido Shugyo – Harmonia no Confronto. De Gozo Shioda – em Português

http://www.pensamento-cultrix.com.br/aikidoshugyoharmonianoconfronto,product,978-85-315-1642-9,53.aspx

Guia Básico: Yoshinkan Aikido no Brasil – em Português

http://www.institutohikari.com.br/guiabasico.html

 

Vídeos de Gozo Shioda Sensei

YouTube: http://www.youtube.com/results?search_query=gozo+shioda&aq=f

 

Colaboração: www.institutohikari.com.brwww.aikido.yoshinkan.com.br


AIKIDÔ, Um Amor Maior – Por Odorico Martins

08/04/2010

Meu primeiro contato com o Aikidô, como muitas pessoas, foi através de um livro. As imagens e a proposta enunciada soou em minha mente como algo que sempre esteve em mim, apenas estava adormecido.

Minha primeira vivencia com o Aikidô trouxe o caos a todos os meus conceitos pré estabelecidos. Começou a cair por terra tudo o que eu conhecia.

Era o começo de uma nova vida. Vida que hoje eu não consigo conceber sem ele.

Passei por diversos lugares, pois a mudança sempre fez parte de minha vida e isto me fez conhecer diversos professores (Sensei), alguns com técnicas apuradíssimas, outros também. Mas não quero me deter a nenhum em particular pois estaria sendo injusto, visto que cada um deles contribuiu de alguma maneira para o meu crescimento pessoal.

Hoje quero me deter apenas em um lugar. Lugar este onde aprendi o AIKIDÔ em sua expressão máxima, expressão esta que eu denomino AMOR.

Este lugar é NATAL. Academia Central de Aikidô de Natal. Um lugar inesquecível.

Lugar onde realmente descobri o que é SER humano. Lugar onde a graça dos movimentos se funde a beleza dos seres humanos. Falo beleza em um plano maior que apenas a estética. Falo sobre a beleza da amizade, da compreensão, da honra e do respeito.

Lá conheci pessoas fundamentais para minha vida e estas eu nunca esquecerei. Mais uma vez não quero citar nomes, pois senão começaria uma genealogia bíblica, visto que a ACAN tem muitos alunos e não menos professores. Mas este grande número deve-se ao prazer que o local proporciona, pelo aprendizado responsável e humanitário, assim como pelo simples convívio entre os participantes.

Tudo lá me encantou, tudo foi HARMONIA.

Sinto-me honrado em ter feito parte deste meio, de ter convivido com pessoas de tamanha qualidade.

Hoje tenho dado vários shomen uti’s na saudade, sufocado com yonkyos a tristeza de não estar mais aí.

Dou aula no Rio Grande do Sul, na cidade de São Leopoldo, e tem sido muito difícil para mim treinar em virtude das distâncias que me separam dos dojôs .  Carrego comigo apenas os ensinamentos daqueles que saudei ONEGAISHIMASSU e treinei. Levo em meu coração a pureza dos sentimentos que o AIKIDÔ exige. Carrego em minha alma o AMOR que sinto por cada um de vocês.

DOMO ARIGATO GOZAIMASHITA.

*Odorico Martins é graduado em Aikidô (Faixa-Preta 1º Grau – Shodan) pela Academia Central de Aikidô de Natal 

Colaboração: www.impressione.wordpress.com


Aikidô e o Princípio da Mente Vazia – MUSHIN – Por Marcus Vinicius Andrade Brasil

31/03/2010

Aquele que se aventura aos estudos das artes marciais, seja ela qual for, se depara, na maioria das vezes, com termos até então estranhos ao seu cotidiano. O próprio termo DO (caminho), termo presente no nome da maioria das artes japonesas – marciais ou não – como Kyudô, Karatê-Do, Judô, Shodô e também no Aikidô, além de indicar caminho, senda, é indicação de algo muito mais amplo, que seja, a própria vivência, a busca, o espírito incessante de se chegar próximo à perfeição naquilo que se propôs a fazer. É na realidade uma situação mais espiritual que física.

No Aikidô, dentre os termos usados tem um, em particular, que é pouco falado na sua literatura específica, mas bem difundido nos escritos Zen e sempre citado nas classes de Aikidô durante os treinos – O Mushin.

O Mushin, em sua etimologia, nasce da união de dois kanjis – Mu, vazio ou nulo e Shin, coração ou mente. Em tradução livre pode-se dizer que Mushin é mente vazia. Quem, em classes de Aikidô, nunca ouviu o Sensei falar em deixar a mente vazia?  Na maioria das vezes o mestre explica que se deve deixar a mente vazia, não pensar em nada (bem difícil para os ocidentais); não se ater a partes e ao mesmo tempo ver o todo. Explica ainda que se deve aguardar a ação do colega de mente vazia (não esperar nada de forma pré-estabelecida) e que em vista de tal atitude vem a facilidade na aplicação da técnica, pois o praticante não se atém a determinada forma e nem a determinada atuação do outro, fazendo o movimento fluir assim como os pensamentos, ou seja, deixa passar o ataque e adequar a defesa.

Mushin foi definido pelos estudiosos do Zen como um estado de consciência inconsciente ou de inconsciência consciente, o indivíduo está presente e ausente ao mesmo tempo. O vazio é o não apego, é a concentração no todo e não na parte, é o adequar-se, é, a grosso modo, o “fazer no automático”.

E como se chega ao Mushin? Como se chega ao ponto de fazer sem sentir o que faz? (Observe-se que não sentir o que se está fazendo não está ligado com a inconsciência pura, a consciência está adormecida, mas presente e sem interferir na ação). Como em todas as artes, é com o treino perseverante. Já disse em outras épocas o Guerreiro Espadachim Miyamoto Musashi: “tempere a si mesmo com mil dias de pratica e refine-se com dez mil dias de treinamento”.

Assim, partindo-se do pressuposto que não se deve, no Aikidô, separar a mente e corpo, e que o praticante deve estar integral na prática da arte, a percepção do Mushin vem a ser bem difícil.

Vê-se que o Mushin não pode se dissociar e passar para uma disciplina essencialmente mental ou essencialmente física. Não se pode atingir o Mushin através da razão pura e simples. No Mushin a mente não se prende a pensamentos, eles vêm e vão, a consciência passa a fluir livremente, de objeto a objeto, de sensação a sensação. Também não se deve controlar o corpo pela mente. O termo mente vazia determina que ela nunca está ocupada com uma determinada idéia, com concepção ou distinção, pelo contrário, por ela tudo passa e nada se fixa.

No Aikidô usamos o Mushin, e também podemos chegar ao Mushin através dele.  A fixação em pensamentos é uma tentação. Com o treinamento constante da arte do Aikidô podemos, com a prática, eliminar os pensamentos na aplicação das técnicas. O treinamento constante leva ao desprendimento e a simples atitude do fazer. É o “algo” que age, dogma difundido no Zen e no Cristianismo – “não sou eu que faço as obras, é o pai que as faz em mim; eu, de mim, nada posso fazer”. O treinamento constante da mente e do corpo leva o Aikidoca simplesmente a fazer o que deve ser feito e não conjecturar se deve fazer ou não.

No treinamento, cada ataque e cada defesa levam o praticante a se familiarizar com os movimentos e cada nova tentativa é uma chance de se não pensar em nada e agir. O praticante que fica a remoer uma técnica, seja bem ou mal aplicada e que poderia ter feito desta ou daquela forma, não está em conformidade com o Mushin. O Aikidoca que faz a movimentação de forma fraca e temerária vai levar esta fraqueza para a próxima tentativa; e se fez a movimentação de forma brilhante e objetiva também levará tal sensação para o próximo passo. De uma forma ou de outra será influenciado na aplicação da nova técnica que virá. Mas o Aikidoca que deixa a técnica, mal ou bem executada, de lado e parte para nova tentativa, livre de intenções e de definições, do início, e de mente limpa para a nova e única experiência, este sim, está no caminho do Mushin.

No Livro a Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen , o autor, Eugen Herrigel, descreve um estado que se observa, sem muito esforço, como sendo o Mushin:

Não se pensa em nada de definido, quando nada se projeta, deseja ou espera, e que não se aponta em nenhuma direção determinada… esse estado fundamental livre de intenção e do eu, é o que o mestre chama de espiritual

O Mushin “surge” quando o Aikidoca, que age, está separado do seu ato e os pensamentos não interferem no que ele faz. O ato (físico) inconsciente (mente) é o mais livre e descontraído de todos. Deixar a mente fluir, não se ater a partes ou pensamentos leva a respostas instintivas e prontas.

Na prática, quando se pensa em exibir perícia ou fazer uma bela apresentação diante dos mestres, o consciente do Aikidoca interfere no desempenho do físico e este vem a cometer erros. É necessário se eliminar da mente a sensação de que se está fazendo aquilo. A mente precisa mover-se entre as técnicas e suas passagens de forma que não se atenha nem nelas, nem na platéia e nem no colega que junto está na apresentação. No instante em que o Aikidoca está consciente do que está tentando, a fina força, fazer, o equilíbrio se desfaz e este simples momento de desarmonia interrompe o fluxo da movimentação. A atenção demasiada em algum ponto fará o Aikidoca se fixar naquilo que é apenas passageiro e assim travar o movimento.

O Mestre Zen Takuan Soho, em sua obra a Mente Liberta – Escritos de um Mestre Zen ao um Mestre de Espada – fala sobre o poder negativo de se prender a mente em um ponto.

“Se a pessoa situa sua mente na ação do corpo do oponente, sua mente será capturada pela ação do corpo do oponente”. 

Então, onde situar a mente? O próprio Takuan responde:

“Se não a situares em lugar nenhum, ela irá todas as partes do teu corpo e o preencherá inteiramente”.

E continua:

“Se tu te decidires por algum lugar e lá situares a mente, ela será capturada por este lugar e perderá sua função. Se a pessoa pensar, ela será capturada por seus pensamentos. Portanto, deixa de lado os pensamentos e a discriminação, lança a mente para fora do corpo inteiro e não a fixe nem aqui nem lá; então, quando ela visitar os vários lugares, ela realizará a função própria e agirá sem erro”

A mente presa é a uma das maiores armadilhas em que o artista marcial pode cair. Para não se prender nisso ou naquilo, em movimentos ou técnicas, em platéias ou no ego, além do treinamento árduo e a prática constante, há de se haver o desprendimento da mente na ação – O Mushin.

Por fim, observamos que o Mushin, além de importante princípio a ser seguido é atitude difícil de ser adquirida, é um princípio importante na prática marcial do Aikidô, mas, em contrapartida, atitude rara de ser observada. O treinamento constante, a prática reiterada das técnicas e o desprendimento na execução são formas de deixar a mente fluir e que podem levar ao Mushin. E você, já atingiu o Mushin?

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HERRIGEL, Eugen – A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen – Tradução do Inglês para o Português por J. C. Ismael – Ed. 23ª, 2009 – Editora pensamento – São Paulo/SP.

HYAMS, Joe – O Zen nas Artes Marciais – Tradução do Inglês para o Português por Cláudio Giordano – Ed. 1ª, 1992 – Editora pensamento – São Paulo/SP.

KUSHNER, Kenneth – O Arqueiro Zen e a Arte de Viver – Tradução do Inglês para o Português por Paulo César de Oliveira – Ed. 2ª, 1992 – Editora Pensamento – São Paulo/SP.

SOHO, Takuan – A Mente Liberta – Escritos de um Mestre Zen a um Mestre da Espada – Tradução do Japonês para o Inglês por William Scott Wilson – Tradução do Inglês para o Português por Marcelo Brandão Cipolla – Ed. 1ª, 1998 – Editora Cultrix – São Pulo/SP.

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* Marcus Vinicius Andrade Brasil é graduado em Aikidô (Faixa-Preta 4º Grau – Yondan) pela Academia Central de Aikidô de Natal

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Aikidô – Por Israel Félix de Lima Júnior

26/03/2010

Em certo momento da minha vida, onde já tinha treinado por alguns anos algumas artes marciais, soube de uma nova arte que havia feitos mirabolantes e de tamanha maestria e elegância, comecei a pesquisar cuja arte poucos sabiam em Natal/RN. O tempo passa e o universo conspira e, em um dia qualquer me deparo com panfletos informando sobre cuja arte havia iniciado a busca em outrora, logo, de prontidão vou ao dojô, assisto ao treino e de imediato decido treinar. O Sensei Rodrigo, observando minha ansiedade me pede para fazer um treino experimental primeiro, porém, decidido como uma flecha lançada, já me matriculo e começo a treinar.

A idéia de força física e a resolução de problemas através da pancada foi logo frustrada nos primeiros treinos, começo a observar que haveria sempre alguém mais habilidoso e mais forte que eu e, isso não seria propriamente força física, então, comecei a experimentar a sensação de fraqueza e tais sentimentos me mostraram que eu estava estudando algo completamente diferente e grandioso, me apaixono pela arte em que outrora ansiava tanto em conhecer.

A dedicação desprendida no decorrer dos treinos e do tempo, me fizeram ver que a força sugerida pela filosofia do Aikidô era espiritual, nesse momento descubro o quanto sou fraco e o quanto o caminho é longo e árduo. As experiências galgadas com mestres e colegas diferentes me fizeram ver o tamanho da riqueza do Aikidô e fortaleceu a minha compreensão sobre a filosofia, a força espiritual, mesmo o caminho sendo individual há necessidade da cooperação dos colegas, pois o individuo só existe porque há o todo.

Ao chegar aos dez anos de treino e ao 3º Dan, sinto como se eu tivesse dado o primeiro passo para essa longa jornada, pouco conheço sobre minha pessoa, a cada treino a cada novo colega, a cada Sensei, observo que pouco sei e que muito tenho a aprender.

* Israel Félix de Lima Júnior é graduado em Aikidô (Faixa-Preta 3º Grau – Sandan) pela Academia Central de Aikidô de Natal

Colaboração: www.aikidorn.com.br


Projeto Aikidô – Escola Municipal São Francisco de Assis – Yasugi Aikidô Dojô

21/03/2010

Na manhã do sábado, 20/03/2010, a Escola Municipal São Francisco de Assis esteve mais uma vez em festa; aconteceu a primeira Troca de Faixa do Projeto Aikidô. Oito Aikidocas do Projeto, dentre os participante, foram avaliados e receberam promoção à faixa-amarela (5º Kyu).

A Banca Examinadora foi composta por 04 (quatro) membros graduados Faixa-Preta em Aikidô do Estado do RN: Sensei Sérgio Pellissari (3º Dan Aikikai) representando a Academia Central de Aikidô de Natal; Israel Lima Jr. (3º Dan Aikikai); Paulo Wanderley (1º Dan Aikikai) e Vinicius Brasil (3º Dan Aikikai) e responsável pelo Projeto Aikidô da Escola Municipal São Francisco de Assis.

Aproveitando as festividades do evento de Troca de Faixa foi divulgado aos presentes o nome e a logomarca do Dojô responsável pelos treinamentos de Aikidô na Escola Municipal São Francisco de Assis, YASUGI Aikidô Dojô.

Ainda na festividade, foram homenageadas com certificados de reconhecimento, os participantes da Banca Examinadora, bem como, a Diretora da Escola Municipal São Francisco de Assis, Maria da Natividade Moura Rodrigues e a Vice-Diretora, Roselane Praxedes, pelo bom trabalho e pelo apoio ao Projeto Aikidô e seus Voluntários.

YASUGI Aikidô Dojô

Nome em homenagem ao Mestre em Aikidô, o Sr. Reishin Kawai (conhecido no meio do Aikidô Nacional por Kawai Sensei), pessoa que foi designada pelo Hombu Dojo – Central de Aikidô no Japão – para difundir o Aikidô no Brasil e na América do Sul.

Nascido no Japão, na cidade de YASUGI, prefeitura de Shimane e falecido em janeiro deste ano em São Paulo/SP, Kawai Sensei representou no Brasil o Aikidô de Morihei Ueshiba durante 46 anos.

Assim, em reconhecimento e respeito ao Mestre Reishin Kawai, ficou determinado que o Dojô teria o nome de sua cidade natal, Yasugi, e se chamaria YASUGI AIKIDÔ DOJÔ.

Projeto Aikidô

Trabalho Voluntário, em prol das crianças do bairro de Nazaré e Bom Pastor (Natal/RN), nas dependências da Escola Municipal São Francisco de Assis, promovido por Marcus Vinicius Andrade Brasil, Advogado no RN, 3º Dan de Aikidô e Guilherme Augusto da Silva Lemos, Universitário, 1º Kyu (Faixa-Marrom) de Aikidô.

Promovidos para 5º Kyu – Faixa Amarela – no 1º Exame de Faixa do YASUGI Aikidô Dojô.

Alan Gustavo Pessoa Machado

Alyson Augusto Pessoa Machado

Josemar Veríssimo da Silva Júnior

Joyce Karoline dos Santos Hermógenes

Manoel Rafael da Silva Gomes

Maria Luiza Silva da Costa

Wesley Mateus da Silva

Weslley Leandro da Silva Freire

Para Informações sobre o Projeto Aikidô – YASUGI Aikidô Dojô, entre em contato com Vinicius Brasil e Guilherme Lemos pelo e-mail: mvabrasil@yahoo.com.br

Colaboração: www.impressione.wordpress.com


O Aikidô na Minha Vida – Por Giovanni Nóbrega de Paiva

17/03/2010

Sou professor de Educação Física (Judô e Aikidô) e pratiquei algumas artes marciais como: Karatê Shotokan, Kung Fu Shaolin, e atualmente pratico além do Aikidô, o Jiu-Jitsu.

Foi através do convite de uma aluna do Judô, que conheci a Academia Central de Aikidô, na época o Sensei da academia era Rodrigo Martins que foi uchideshi do Sensei Kawai. A empatia foi imediata, iniciei os treinos vivenciando no dia a dia toda etiqueta dessa arte, técnicas e um ambiente de muita harmonia, tudo muito parecido com os ensinamentos do judô.

Ao realizar as técnicas de Aikidô, percebi a sutileza e suavidade com que elas são aplicadas, e que é através dos movimentos circulares que os movimentos tornam-se ainda mais eficientes.    

Certa vez, um grande mestre estava meditando e observando a neve cair sobre as árvores, duas delas lhe chamaram a atenção: o salgueiro e o carvalho, quando a neve caía sobre os galhos do carvalho, acumulavam-se em grande volume, visto que, os galhos eram robustos e suportavam por um determinado tempo o peso da neve, mas rompiam-se bruscamente promovendo conflito, já o salgueiro era diferente ao receber a neve, por menor que fosse a quantidade, dobrava-se com flexibilidade, deixando a neve cair sem nenhum esforço e depois retornava ao estado inicial.

Com isso, o mestre verificou que ceder é mais interessante que se opor, ser flexível e adaptar-se sem confronto é melhor e gera menos conflitos, a partir dessa reflexão criou-se a primeira academia, a do coração do salgueiro.

O Aikidô por se tratar de uma arte mais sutil e suave não precisa da neve, mas da suavidade do vento para ceder sem conflito e promover uma nova perspectiva de caminho ou direcionamento, em que ambos (sem conflito e resistência) resolvem percorrer harmonicamente.

* Giovanni Nóbrega de Paiva é graduado em Aikidô (Faixa-Preta 3º Grau – Sandan) pela Academia Central de Aikidô de Natal

Colaboração: www.aikidorn.com.br


A Prática do Aikidô na Infância Constrói Cidadãos de Bem – Por Hellen Suely dos Santos Lima Paiva

11/03/2010

Por se tratar de uma arte marcial não competitiva, o Aikidô tem sido procurado por muitos pais, que desejam que seus filhos pratiquem esportes que tenham essa filosofia, já que as modalidades oferecidas nas escolas são direcionadas para definição de um vencedor e um perdedor, o que expõe essas crianças ao estresse, problemas físicos e muitas vezes psicológicos.

No momento em que vivemos, sempre estamos sendo cobrados à competitividade, quer seja no ambiente familiar, escolar e nos mais variados grupos sociais, daí a necessidade da procura de “válvulas de escape” para encontrarmos o equilíbrio. É aí que entra o Aikidô, uma arte marcial que busca a