A Origem do Jujutsu – Por Marcos José do Nascimento

10/09/2013

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O sistema de combate conhecido como Jujutsu ou Jiu-Jitsu, nos seus mais diversos estilos, nasceu no Japão, designando ele genericamente todos os sistemas japoneses de combate sem uso de arma ou minimamente armado, sendo o seu uso o campo de batalha.  

Shihan Jigoro Kano informa na sua obra “Kodokan Judo” que o caracter “Ju” do termo Jujutsu significa “gentileza”, “ceder”, ideograma Ju-no-Michi, tendo o termo Jujutsu o significado de arte (prática) de ceder, da flexibilidade, como também informa que é possível que a origem do termo Jujutsu tenha nascido da expressão Ju Yoku Go o Seisu, significando Flexibilidade controla a rigidez.

Os bushis desenvolveram as artes marciais clássicas japonesas, incluindo as diversas armas, assim como também desenvolveram vários sistemas de combates armados, minimamente armados e desarmados, voltados para a aplicação em campo de batalha.

Um dos primeiros registros da existência de artes combativas no estilo japonês dos tempos primitivos é encontrado no Nihon Shoki (Crônicas do Japão), escrito no ano 720, narrando a existência de Chikara Kurabe ou competições de “Comparação de Força”.

Outros documentos do século X descrevem a mecânica de métodos combativos semelhantes, e essas habilidades foram transmitidas através dos tempos, utilizadas por guerreiros que constituíram um estrato social aristocrático e privilegiado da sociedade japonesa, sendo conhecidos como bushis, que realizaram um estudo completo de muitos tipos de lutas que empregavam instrumentos letais.

A partir do século dezessete a paz doméstica no Japão marcou o início do colapso da classe guerreira (os samurais) que havia tomado as rédeas do poder a partir do século doze, com o afastamento da família imperial.  Com o início da Era Meiji, a partir de 1868, os diversos estilos (Ryu) de Jujutsu foram-se adaptando de uma forma de luta em campo de batalha para a vida civil urbana.

Shihan Mifune, 10º Dan de Judô, assinala em sua obra, The Canon of Judo, que os principais registros acerca do assunto encontram-se do Período Edo (1600-1868) em diante, informando a existência de uma arte marcial parecida com o Jujutsu encontrada no Judo Higashuko (Registros Secretos do Judô), constando haver uma forma de luta popular desde o Período Eisei (1504-1520), existindo também a informação em uma obra intitulada Honcho-Bugei-Shoden (Uma Breve História das Artes Marciais Japonesas), publicada no Período Shotoku (1711-1715), cujo autor, Hinatsu Shigetaka, narra a existência  de um grupo de artes marciais desenvolvido ao longo da história, incluindo-se nesse grupo o Taijutsu, Taido, Wajutsu e o Gojutsu, como também narram Tadao Otaki em Donn F. Draegger, em sua obra “Judo Formal Techiniques: a complete guide to Kodokan Randori no Kata”, que, em sentido amplo, a partir do século XVII o termo Jujutsu inclui diferentes sistemas de combate como Kumi-uchi, Kogusoku, Koshi no Mawari e outros.

No mês de junho do ano de 1532, Takenouchi Hisamori fundou a Takenouchi Ryu, referindo-se ao Jujutsu como Yawara.

Do estilo (Ryu) Yoshin, informam Shihan Jigoro Kano e T. Lindsay no Relatório da Sociedade Asiática do Japão, volume 15, que esta escola começou com Miura Yoshin, um médico de Nagasaki, nos tempos dos Shoguns Tokugawa, significando “Coração de Salgueiro” ou “Espírito do Salgueiro” e que a Tenjin-Shino-Ryu originou-se de Iso Mataemon, que estudou primeiro a Yoshin-Ryu, com Hitotsuyanagi e a Shin-no-Shinto-Ryu com Homma Joyemon.

O estilo (Ryu) Araki, de acordo com o Bugei-Ryusoroku (Registro dos Fundadores das Escolas de Artes Marciais) desenvolveu-se no Período Tensho (1573-1591) por Araki Numisai. O Ryoi-Shinto-Ryu, também conhecido como Fukuno-Ryu foi criado por Fukuno Schichiroemon no século XVII, desse estilo derivou-se a Kito Ryu, que chegou a possuir em determinada fase de sua história cerca de três mil praticantes.

Citamos alguns estilos (Ryu) de Jujutsu: Yoshin, Kyushin, Iga, Teiho-Zan, Kuso, Jiki-Shin, Seiso, Kashin, Isei Jitoku-Tenshin, Tenshin-Shinyo, Totsuka, Takenouchi.

Por volta do século XIX, o Jujutsu constituía-se em uma coleção de táticas usadas contra um adversário armado ou desarmado, tornando-se os seus estilos tão números que eram contados as centenas, com a multiplicação das Ryu. 

Do estilo guerreiro e marcial passou a um uso civil, o que lhe trouxe um refinamento das suas técnicas a partir do período de paz por que passava o Japão, contudo, durante já a primeira metade do século XIX estava ocorrendo uma deturpação da arte com as atitudes de alguns praticantes de alguns Dojos que acreditavam ser necessário, para a aferição da efetividade das técnicas criarem uma situação real de combate no ambiente urbano que reproduzisse o campo de batalha, passando a desafiar os praticantes de outras academias, com também agredindo alguns civis de forma aleatória, provocando badernas e confusões, trazendo a má fama para a imagem do Jujutsu, assim como realizavam exibições em teatros em combates contras praticantes de Sumô (Sumotori).

Os diversos estilos de Jujutsu incluíam duas partes em sua prática, o Randori e o Kata, constituindo-se o primeiro em técnica livre, em que dois alunos combatiam dentro do ambiente do Dojo, enquanto que o Kata era uma forma de movimentação para dois participantes de maneira pré-arranjada.

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Referências:

KANO, Jigoro. Kodokan Judo. 1 ed. Tóquio: Kodansha International. 1986.

MIFUNE, Kyuzo. Then Canon Of Judo: classic teachings on principles and techniques. Tóquio: Kodansha International. 2004.

OTAKI, Tadao; DRAEGER, Donn F. Judo Formal Techiniques: a complete guide to Kodokan Randori no Kata. Tóquio: Charles E. Tuttle Company Inc. 1997.

http://judoinfo.com/new/alphabetical-list/judo-history/136-jujutsu-by-jigoro-kanoand-t-lindsay

WATSON, Brian. The father of Judo: a biography of Jigoro Kano. Tóquio: Kodansha International.2000

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*Marcos José do Nascimento Servidor Público Federal e faixa-preta em Judô pela Higashi e de Aikidô pela Academia Central de Aikidô de Natal.

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Colaboração:

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Bushidô – O Caminho do Guerreiro

03/06/2013

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Bushido (武士道) significa, literalmente, “caminho do guerreiro” – era um código de conduta não escrito e um modo de vida para os Samurai (a classe guerreira do Japão feudal ou bushi), que fornecia parâmetros para esse guerreiro viver e morrer com honra. O ideograma “do” (道), no sentido utilizado no termo japonês Bushido, é equivalente à forma chinesa “Tao”, e exprime o conceito filosófico de absoluto. Este conceito traz a ideia de origem, princípio e essência de todas coisas. 

O maior princípio do Bushido era buscar uma morte com dignidade, conforme expresso no Hagakure – “oculto nas folhas”, um dos mais importantes tratados acerca do Bushido, escrito por Yamamoto Tsunetomo, um samurai da província de Nabeshima, atual Saga, em 1716.

Um samurai jamais poderia se entregar e deveria estar sempre preparado para a morte. Além disso, a honra do samurai, de seus antepassados e de seu senhor deveria ser preservada por ele. Outros aspectos importantes é que um samurai jamais pode fugir de uma luta. Mesmo apenas um samurai contra um exército de oponentes, ele não pode abandonar a luta. O samurai também deve estar sempre do lado da justiça e ter compaixão com seu inimigo derrotado ou mais fraco. Lealdade, etiqueta, educação e noção de gratidão eram outras coisas que o Bushido pregava. Um samurai honrado deveria ser leal ao seu daimyo (senhor feudal), Shogun e Imperador.

No geral, guerreiro é aquele que busca seu próprio caminho. Muitas pessoas podem estar perfeitamente buscando o caminho sem saber disso. Guerreiro é a pessoa que tem um objetivo, e que por meio deste, passa a ter consciência de seu dom e suas limitações. Através dessa consciência, o guerreiro atinge sua meta, combinada com a vontade de vencer fraquezas, temores e limitações.

Cada pessoa trilha seu próprio caminho, já que existem vários caminhos: como o caminho da cura pelo médico, o caminho da literatura pelo poeta ou escritor, e muitas outras artes e habilidades. Cada pessoa pratica de acordo com a sua inclinação. Por isso pode-se chamar de guerreiro, aquele que segue seu caminho específico.

Porém, no bushido, a palavra guerreiro significa muito mais do que isso. O termo bushi não pode ser designado a qualquer um. O bushi é diferente, pois seus estudos do caminho baseiam-se em superar os homens. A casta guerreira se distingue das demais por sua fidelidade e honra, a palavra do guerreiro vale mais do que tudo.

O caminho do guerreiro é o caminho da pena e da espada, esse conceito vem do antigo Japão feudal e determinava que o guerreiro (bushi) dominasse tanto a arte da guerra quanto a da leitura, e que ele deve apreciar ambas as artes. O bushi deve aprender o caminho de todas as profissões; se informar sobre todos os assuntos; apreciar as artes e quando não estiver ocupado em suas obrigações militares, deverá estar sempre praticando algo, seja a leitura ou a escrita, armazenando em sua mente a história antiga e o conhecimento geral, comportando-se bem a todo momento para ter uma postura digna de um samurai, tudo isso sem desviar do verdadeiro caminho, o bushido.

A etiqueta deve ser seguida, todos os dias da vida cotidiana, assim como na guerra pelos samurais. Sinceridade e honestidade são as virtudes que avaliam suas vidas. Transcender um pacto de fidelidade completa e confiança esta ligada à dignidade. Os samurais também precisavam ter autocontrole, desapego e austeridade para manter a sua honra, em função disso, podemos dizer que o samurai é o guerreiro completo e seu código de honra – o bushido – tem forte influência no estilo de vida do povo japonês.

Para o bushido, exige-se que a conduta de um homem seja correta em todos os sentidos, dessa forma, a preguiça é um mal que deve ser abominado. Mas existem problemas quando a pessoa se apoia no futuro, pois torna-se preguiçosa e indolente, já que deixa para amanhã, aquilo que poderia ser feito hoje. Pessoas que agem dessa maneira, não seguem o verdadeiro preceito do bushido, que de um modo geral, é a aceitação resoluta da morte e esta pode chegar a qualquer momento.

Se o guerreiro tem plena consciência da morte, evitará conflitos, estará livre de doenças, além de ter uma personalidade com muitas qualidades e diferenciada às dos demais seres humanos. O guerreiro vive o presente sem se preocupar com o amanhã, de modo que quando contempla as pessoas, sente como se nunca mais fosse vê-los novamente, e, portanto, seu dever e consideração as pessoas, serão profundamente sinceros. O verdadeiro guerreiro é aquele que aceita a morte; dessa maneira, ele não irá se meter em discussões desnecessárias que venham a provocar um conflito maior, já que assim ele pode acabar matando ou sendo morto; esta última poderia resultar em sua desonra ou afligiria a reputação e nome de sua família.

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Os homens devem moldar seu caminho. A partir do momento em que você ver o caminho em tudo o que fizer, você se tornará o caminho”. Miyamoto Musashi (1584 – 1645)

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OS SAMURAIS E O JUJUTSU – Por Marcos José do Nascimento

24/11/2008

Os sistemas de combate desarmado no Japão têm a sua origem debitada a muitos homens, em especial aos samurais, exímios na arte da luta armada e desarmada. Foram eles os responsáveis pela criação de vários sistemas de combate com e sem arma, assim como a criação de diversas armas usadas nos combates, aprimorando o seu uso.

 

Os clãs japoneses eram os destinatários finais desse desenvolvimento de lutas armadas e desarmadas, pois patrocinavam esse desenvolvimento, ao mesmo que os samurais granjeavam maior projeção social nesse intercâmbio de interesses.

 

A partir do século XII, os bushis assumiram posição de liderança na sociedade japonesa e esse apogeu só findaria já na segunda metade do século XIX, a partir da Restauração Meiji, em 1868. Mas até lá, o domínio samurai determinou muitos dos valores e costumes da sociedade japonesa, influenciando sobremaneira toda a sua população.

 

Os valores transmitidos pelos samurais estão presentes hoje nas mais variadas formas de lutas japonesas, armadas e desarmadas. Elas são herdeiras desses valores e suas técnicas são a adaptação de técnicas mais antigas a uma nova realidade e necessidade hoje presentes em sociedades que não se utilizam mais da forma combate samurai usada no campo de batalha. No entanto, na época desses combates travados pelos bushis a habilidade técnica fazia a diferença entre a derrota ou a vitória, entre a vida e morte.

 

Os samurais possuíam nas formas armadas de lutar o principal meio de combate, e para uma eventualidade de perda de suas armas no campo de batalha, tiveram de desenvolver formas de combate desarmados. Essas maneiras de travar a luta sem armas, inicialmente, possuíam diversos nomes: Ywara, Tai-Jutsu, Kogusoku, Kempo e Hakuda, dentre eles.

 

A partir do século dezessete, o termo foi unificado sob o nome de Jujutsu, passando a identificar as diversas formas de luta desarmada que antes possuíam diferentes nomes.

 

Surgiram vários estilos de Jujutsu, denominados Ryu, alguns dos quais existentes até hoje no Japão. A versão da origem dos diversos estilos é variada, em alguns casos. Podemos destacar, entre outros estilos, o Yoshin-Ryu, Takenouchi-Ryu, Tenjin-Shinyo-Ryu, Shin-no-Shindo-Ryu, Kito-Ryu, Totsuka-Ryu, esta última praticada por diversos mestres da Academia de Polícia de Tóquio, na segunda metade do século dezenove.

 

Com a Restauração Meiji, em 1868, diversas práticas japonesas tradicionais começaram a ser vistas como anacrônicas pelos mais jovens e até por alguns adultos, devido à forte influência ocidental que tomava conta da sociedade japonesa da época. No entanto, ainda assim, diversos mestres e alunos, bem como considerável parcela da sociedade resistiu a esses ventos que varriam o cenário de então, preservando as práticas antigas, bem como as adaptando a uma nova realidade.

 

Dessa maneira, o Jujutsu que servia ao samurai no campo de batalha, foi se adaptando às necessidades do homem comum que vivia na cidade, bem como começou a perder o seu caráter secreto, pois até então, os conhecimentos eram passados pelo mestre do Dojô ao aluno que herdaria escritos secretos do funcionamento das técnicas, e as diversas academias não intercambiavam seus conhecimentos, mantendo-se isoladas umas das outras, devido à herança ancestral advinda desde quando os samurais tomaram as rédeas do poder no país, a partir do século doze.

 

Já próximo do final do século XIX e início, começa a despontar a idéia do “”, caminho, fazendo-se um transição do “Jutsu”, técnica, agora se trazendo uma preocupação mais voltada para a formação ética do combatente, em lugar de centrar-se os treinos apenas nas técnicas, não obstante não se pode afirmar que mesmo no período anterior não haver sido transmitidos ensinamentos de cunho moral e ético aos praticantes, contudo, a preocupação maior estava voltada para a técnica em si.

 

O primeiro a valer-se dessa idéia foi Jigoro Kano, criador do Judô, em 1882, ao transformar diversas técnicas de diversas escolas de Jujutsu em uma nova forma de combate que levou ao conhecimento do ocidente.

 

Com essa nova preocupação, percebeu-se que as práticas de arte militares propiciariam outros ganhos além do domínio de uma técnica de luta, mas contribuiriam para a formação do caráter do seu praticante, levando-o a prestar uma colaboração mais positiva na sociedade em que vivia. Aí nasce a fase do “”, saindo-se do “Jutsu”.

 

Usamos o termo “artes militares”, por entender que seja mais apropriado ao que costumeiramente conhecemos como “artes marciais”, posto que marcial é uma palavra ligada à Marte, o deus da guerra da mitologia romana, e o Japão não sofreu essa aculturação do ocidente, não obstante alguns mestres japoneses, em suas obras, usarem o termo “marcial” em referência a esses sistemas de combate, para um melhor entendimento dos ocidentais. E essas formas de combate são, na verdade, de origem militar, guardando, até hoje, traços característicos dessa identidade pela disciplina e hierarquia que promovem em seus ambientes.

 

É provável que algumas práticas ou praticantes, mesmo no dia de hoje, ainda não tenham se apercebido dessa realidade e, não obstante, estarem realizando uma prática dentro do “”, permaneçam mentalmente ainda no “Jutsu”.

 

Referências Bibliográficas:

 

01 – Jigoro Kano e T. Lindsay – 1887 (Relatório da Sociedade Asiática do Japão – Volume 15).

02 – The Father of Judo: a biography of Jigoro Kano – Brian N. Watson – Kodansha International – 2000.

03 – The Canon of Judo – Classic Teaching on Principles and Techiniques – Kyuzo Mifune – Kodansha International – 2004.

04 – Judo Formal Techiniques – A Complete Guide to Kodokan Randori no Kata – Tadao Otaki & Donn. F. Draeger – Charles E. Tutlle Companhy – 1997.

05 – Kodokan Judo – Jigoro Kano – Kodansha International – 1994.

06 – Segredo dos Samurais – As Artes Marciais do Japão Feudal – Oscar Ratti & Adelle Westbrook – Tradução de Cristina Mendes Rodrigues – Madras – 2006.

 

Colaboração: Marcos José do Nascimento – 1° Kyu (Faixa-Marrom) de Aikidô da Academia Central de Aikidô de Natal


A Introdução de Armas no Aikidô – Por Phong Thong Dang E Lynn Seiser

30/10/2008

Trecho do livro Aikido Weapon Techiniques

 

O Aikidô é uma arte marcial moderna não violenta, não competitiva. Ele coloca ênfase no desenvolvimento pessoa e espiritual, ao mesmo tempo em que preserva valores e aspectos tradicionais. O Aikidô também propicia habilidades de defesa eficientes e efetivas. O Aikidô é o caminho para a harmonia com a energia ou espírito do universo.

 

Inicialmente, o Aikidô apareceu com o objetivo de ser uma arte marcial usada para projetar oponente pelo uso do ataque. Muitas técnicas são realizadas na posição de tachi-waza (de pé) ou swari-waza (ajoelhado). O nage-waza (técnicas de projeção) do Aikidô é dinâmico e mostra-se sem esforço. O katame-waza (chave de junta, imobilização ou técnicas de imobilização) do Aikidô são dolorosos e exigem cooperação, concordância e submissão. Lamentavelmente, raramente se vê o buki-waza (técnicas de armas de madeira) ensinado ou demonstrado. As armas de madeira empregam e ilustram a mesma proficiência técnicas, as mesmas aplicações seqüenciais, e a mesma orientação conceitual, da mesma forma que as técnicas de mão-vazia. Algo que pode ser feito com a mão vazia pode ser feito com a arma de madeira.

 

O’Sensei Morihei Ueshiba (1883-1969), o fundador do Aikidô, pessoalmente treinou e praticou com armas de madeira. É sabido que ele, no meio da noite, recebia ensinamento do kamisama (espíritos). Ele observava outras escolas, estilos, ou sistemas de treino com armas e então adicionava seus conceitos únicos e movimentos para realizá-los dentro do caminho do Aikidô. Embora ser injusto e impreciso afirmar que o Aikidô utiliza-se das armas de madeira do mesmo modo que outras escolas, pode ser afirmado que outras escolas, estilos e sistemas estudados e observados por O’Sensei Morihei Ueshiba influenciaram sua incomparável adaptação das armas de madeira. No Aikidô, as armas de madeira são usadas para executar as técnicas e ilustrar os conceitos, elas não são vistas como separadas do corpo principal dos conceitos e técnicas do Aikidô.

 

Enquanto desenvolvia a arte do Aikidô, O’Sensei Morihei Ueshiba investigou e estudou aproximadamente duzentas artes marciais ou sistemas de jutsu. Daito-ryu aiki-jutsu é reconhecida como sendo a base para muitas técnicas desarmadas de Aikidô. Takeda Sensei (1859-1943), o fundador dessa arte, era um mestre esgrimista e especialista em armas que estudou diferentes sistemas de luta. As técnicas da Daito-ryu aiki-jutsu, contudo, análogas na aparência, não são as mesmas técnicas do Aikidô, devido à aplicação de O’Sensei Morihei Ueshiba do taisabaki (giro de corpo), irimi (entrada) e awase (união); sua aplicação e extensão do ki; e sua ênfase e foco no desenvolvimento espiritual e pessoal, além da marcial, combativa, ou efetividade e eficiência. O’Sensei Morihei Ueshiba agradeceu a ele ao lhe apresentar o verdadeiro Budô. Ele freqüentemente afirmava que o Aikidô é baseado na espada.

 

O’Sensei Morihei Ueshiba também estudou Yagyo Ken-jutsu, Hozon-so-jutsu (lança), e especialmente Kashima Shinto-ryu Ken-jutsu (que era um desdobramento do Katori Shinto-ryu). Na escola mais antiga de esgrima que O’Sensei Morihei Ueshiba prestou juramento de sangue, em 1937. Seu segundo filho, Kisshomaru Ueshiba (1921-1999), que mais tarde se tornou o primeiro Doshu, também teve um longo treino na Kashima Shinto-ryu Ken-jutsu. O’Sensei Morihei Ueshiba, então, observou seu filho treinar a técnica e a adaptou ao caminho ao aiki.

 

Embora o Aikidô possua essas raízes no treino de arma, muitos praticantes de Aikidô altamente qualificados despendem pouco ou nenhum tempo treinando diretamente com armas de madeira. Muitos sentem que em um mundo moderno, treinar com um bastão de madeira ou espada é antiquado e inútil. O fundador do Aikidô, Morihei Ueshiba, não estimulava o treino de armas na sua escola de Aikidô, conhecida como Hombu-Dojo. Hombu Dojo significa o “lar”, “quartel-general”, ou “escola principal” de treino. Correntemente o Hombu Dojo, estabelecido por O’Sensei, em Tóquio, Japão, e consagrado em janeiro de 1968 para a Aikikai Foundation perpetua suas técnicas, treino e visão de Aikidô. Portanto, não há um estilo do “Hombu” de luta de armas de madeira. Praticantes, nos primeiros dias do Hombu Dojo, assistem a aulas especiais ou seminários, ou tomam aulas particulares. Outros começam naturalmente a experimentar com armas de madeira eles mesmos. Muitos sentem as armas de madeira como secundárias para as técnicas de mão-vazia. O objetivo é usar as armas de madeira para ilustrar os princípios e os movimentos e treinar as técnicas de Aikidô contra elas, em vez de realmente ter um estilo de luta de armas separado e específico. Entretanto, O’Sensei Morihei Ueshiba sustentava os treinos de armas no Dojo de Iwama, sob a direção de Saito Sensei (1928-2002). Foi lá que os treinos de armas de Aikidô tornaram-se conhecidos como Iwama-ryu ou Aiki-ken e Aiki-jo, como um estilo um tanto distinto.

 

Sensei Phong Thong Dang

 

Sensei Phong Thong Dang detém um ryokuba (sexto grau de faixa preta) em Aikidô, um sexto Dan em Tae-Kwon-Do, um quinto Dan em Judô, e um oitavo Dan no Kung Fu Shaolin do Vietnam. O Salão da Fama das Artes Marciais Mundiais indicou Phong Sensei duas vezes, uma por sua especialidade em Aikidô, e outra vez por sua vida de dedicação às artes marciais, por mais de cinqüenta anos.

 

Tradução: Marcos José do Nascimento.

 

Colaboração: Marcos José do Nascimento – 1° Kyu (Faixa-Marrom) de Aikidô da Academia Central de Aikidô de Natal


Técnicas de Armas do Aikidô – Por Phong Thong Dang E Lynn Seiser

23/10/2008

Trecho do Livro – Aikido Weapon Techiniques.

 

A mística do uso de armas japonesas aparece no Kojiki, ou histórias lendárias do Japão antigo. O guerreiro feudal japonês era chamado de bushi, porém mais tarde se tornou comumente conhecido como samurai (significando “para servir”), o Período Muromachi (1392-1573). A profissão do bushi era o Bugei, ou artes marciais. Bugei, sistemas de artes marciais combativas efetivas, eram conhecidas pelo sufixo jutsu. Elas se desenvolveram sistematicamente por volta do século X, através da disciplina do treino tradicional vigoroso, para o único propósito da proteção do grupo. As artes marciais incluíam a arte de luta armada e desarmada, como também artes de camuflagem e ilusão, amarração, caminhada rápida e corrida, salto, escalada, esquiva, natação, fortificação, posicionamento estratégico, artilharia e tiro. Dentre dessas artes marciais de armas ou armadas estavam o Kyu-jutsu (arco e flecha), So-jutsu (lança), Gekikan-jutsu (esfera e corrente), Shuriken-jutsu (lançamento de lâmina), Jutte-jutsu (cassetete de metal), Tessen-jutsu (leque de ferro), Tetsubo-jutsu (bastão de ferro), Sodegarami-jutsu (trave pontuda), Sasumata-jutsu (forcado) e Juken-jutsu (baioneta). As armas mais comuns eram o Ken-Jutsu (esgrima ofensiva), Iai-jutsu (esgrima defensiva), Bo-jutsu (bastão longo de madeira) e Jo-jutsu (bastão curto de madeira) (Draeger e Smith, 1969, p. 83).

 

O código de ética moral do bushi, padrões morais, filosofia e consciência nacional, era o Bushidô, “o caminho do guerreiro”. Muitos reconhecem três estágios do Bushidô, Bushidô Marcial do século XI, Bushidô reformado, do século XVIII, e o moderno Bushidô do Século XIX (Random, 1977, p. 36-37). A essência do Bushidô repousa na justiça, coragem, benevolência, cortesia, honestidade, honra e lealdade (Draeger e Smith, 1969, p. 88-89). A função do samurai está presa ao conceito central do giri, ou responsabilidade. Para estar a serviço de seu senhor, o samurai seguia a responsabilidade e a obrigação de seu status, treinando para ser o melhor guerreiro, soldado, guarda-costas e protetor, possível. Os onze volumes do Hagakure, completados em 1716, são um clássico do Bushidô. A presença e aceitação da morte eram o tema central. Embora idealizada e romantizada, a vida do samurai era de auto-sacrifício, solidão, perigo, e, inevitavelmente, morte (com honra, era esperado).

 

O estilo de vida de um bushi era de um guerreiro em meio a guerras e luta. Mais tarde, o estilo de vida do samurai transformou-se passando a servir de outras maneiras, também. Ambos: períodos e modos de vida seguiam as linhas de direção do Bushidô e tornaram-se conhecidos como Budô. As artes do Dô desenvolveram-se dos sistemas do Jutsu, começando no século XVIII. Elas foram relacionadas com “objetivos mais elevados”, disciplina espiritual e ambos: auto-perfeição mental e física (Draeger e Smith, 1969, p. 90-91). As artes do Jutsu são sistemas de aplicação efetivos da prática eficiente de luta e combate. As artes do Dô são orientadas na direção do desenvolvimento pessoal e espiritual, através do treino físico. Aiki-jujitsu desenvolveu-se dentro do Ken-jutsu e Iai-jutsu desenvolveu-se dentro do Iai-dô, Kendô e Aiki-ken. Jojutsu desenvolveu-se dentro do Aiki-jô. Aikidô é uma arte moderna no verdadeiro sentido do Budô tradicional.

 

Pode ser afirmado que o Buki-waza do Aikidô, ou técnicas de armas, originam-se das técnicas de “mão vazia”, e que as técnicas de mão vazia originam-se das armas. As duas, contudo freqüentemente pensadas como muito diferentes, são muito interrelacionadas e interdependentes uma da outra. Nenhum sistema de mão-vazia é completo sem o treino de armas, e nenhum sistema de armas é completo sem conhecer como lutar com mãos vazias.

 

Sensei Phong Thong Dang

 

Sensei Phong Thong Dang detém um ryokuba (sexto grau de faixa preta) em Aikidô, um sexto Dan em Tae-Kwon-Do, um quinto Dan em Judô, e um oitavo Dan no Kung Fu Shaolin do Vietnam.

 

Tradução: Marcos José do Nascimento.

 

Colaboração: Marcos José do Nascimento – 1° Kyu (Faixa-Marrom) de Aikidô da Academia Central de Aikidô de Natal

 

 

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