O Ego e o Aikidô – Por José Ribamar Lopes

22/05/2009

Não cabe manifestação de ego no Aikidô. É seu pré-requisito a intenção de desprendimento ao sentimento egóico. Aikidô é, acima de tudo, arte de iluminação, e a iluminação nunca se dá em benefício de um único ser. Lembremo-nos que Ô-Sensei era extremamente religioso, e este sentimento foi fundamental na formação do Aikidô.

Não há harmonia com a natureza, preso há uma vontade individual. A natureza não tem vontade…ela é. Assim devemos ser no Aikidô, livres e fluidos. Se há vontade não há fluidez, não há harmonia, não há Aikidô, que é o caminho da harmonia pela energia vital.

Levados por sentimentos adquiridos nas atividades esportivas, bem como no nosso meio social competitivo, preocupamo-nos em demonstrar destreza, conquistar graduações, obter destaque… Trabalha contra nossa prática a comparação com os outros, o objetivo de sermos os melhores. A busca da superação deve ser sobre nós mesmos. A melhora obtém-se no aperfeiçoamento, que requer desprendimento e entrega à prática. Portanto, não há entrega se há apego, que são opostos entre si.

No Aikidô há reverências, submissões a regras e posturas, a conduções; há humildade. Se nossa preocupação ainda é com a obtenção da graduação, a exibição da já conquistada, o aprendizado de uma técnica que nos faça bom de briga, talvez devamos tornar a buscar informações sobre a história do fundador, que migrou seus estudos da marcialidade para a espiritualidade, do Jutsu para o Dô. Assim procedendo, talvez compreendamos o significado da arte por você escolhida, e sejamos praticantes mais tranquilos e felizes, entregue as rotações naturais.

Nesse sentido, a lição do fundador:

A Arte da Paz é o remédio para o mundo doente. Há maldade e desordem no mundo porque as pessoas se esqueceram que todas as coisas vieram de uma única força. Voltemos para essa fonte, deixando para trás todo pensamento egoísta, desejos mesquinhos e raiva. Aqueles que não possuem nada possuem tudo“.

Se você não tem nada que o ligue ao verdadeiro desprendimento. Você nunca entenderá A Arte da Paz“.

José Ribamar Lopes – Servidor Público – 2º Kyu (Faixa-Azul) – Aluno da Academia Central de Aikidô de Natal.

Colaboração: http://umditoeumponto.blogspot.com/


Ki no Nagare – O fluxo do Ki no Aikidô – Por Kisshomaru Ueshiba

30/09/2008

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O Ki é um dos conceitos centrais do pensamento oriental que contribuiu para o alto nível filosófico que nós asiáticos herdamos de nosso passado distante. E mais, nossos antepassados acreditavam que o “Ki” era a própria vida. É uma forma de “conceitualizar” a Força Vital, ou Poder do Espírito. Inclusive hoje em dia, em nossa vida diária, utilizamos muitas palavras que refletem esta herança. Por exemplo, sentimos que não se pode conseguir nada se uma pessoa “tiver perdido seu Ki” (estar desanimado), ou se seu “Ki enfraquecer/secar” (estar deprimido). A doença, em caracteres japoneses, se escreve literalmente “Ki enfermo” e, por tanto, é um conceito associado em nossas mentes à ideia da morte. Uma ativação máxima e livre manifestação do Ki que qualquer ser humano possui, permite um inconcebível poder e possibilita a ele viver a vida da forma mais livre e vigorosa. Aqui reside a importância da existência do Aikidô, já que o treinamento correto na arte ensina a capacidade de manifestar livremente seu Ki.

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Para dominar esta sensação, devem estar de acordo o Ki contido no “Poder Respiratório” humano e o Ki original, onipresente no universo. A característica que distingue os movimentos do Aikidô reside na harmonização com a ordem do universo e no ajuste espontâneo a suas mudanças. Por tanto, se pratica o Aikidô com o fim de realizar a unificação do Ki individual com o do universo, fomentando o Kokyu-Ryuku, Poder Respiratório. Quando este Poder Respiratório se estende de todas as partes do corpo e se projeta através de ambas as Mãos-Espada (Tegatana), as técnicas do Aikidô se vivificam e manifestam todo o seu valor. Isto, por sua vez, faz da pessoa uma encarnação da totalidade da natureza.

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Não é possível personificar em si mesmo a forma da Mãe Natureza se nossos movimentos estão baseados dentro do Ego. Ao contrário, deveríamos conduzir o adversário e nos tornar uno com ele no estado mental que se pode chamar “o Reino do não-ego”, no qual se sente o fluir do Ki vital. Quando alguém é capaz de dominar a técnica Aiki até o ponto de tê-la livremente à suas ordens, moverá seu adversário em qualquer direção que queira mediante o Fluxo do Ki vivo; haverá aprendido a absorver o Fluxo do Ki do adversário e a controlar-lhe por meio desta unificação, e não mediante a oposição.

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Esta utilização correta do Fluxo do ki só pode ser dominada através do treinamento constante no Aikidô e do esforço rigoroso para fomentar o Poder Respiratório. Assim, podemos definir o Fluxo de Ki como o estado em que toda a Força Vital concedida a qualquer ser humano adquire seu máximo desenvolvimento e manifestação.

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Tradução: Rubens Caruso Jr.

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Colaboração:

www.impressione.wordpress.com

www.aikidonovaera.com.br

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