SOKAKU TAKEDA e MORIHEI UESHIBA – Por Kisshomaru Ueshiba

26/02/2015

Sokaku Takeda está registrado na história do budo moderno como o transmissor do Daito-ryu Jujutsu. Ele era uma pessoa inspiradora com uma aparência formidável e, embora tivesse cerca de 2 centímetros a menos que o O-Sensei, ele sempre parecia olhar para baixo, e para as coisas, com um olhar misteriosamente penetrante, acompanhado por uma carranca de boca fechada devido à sua falta dos dentes da frente. Diz-se que Onisaburo Deguchi, que tinha a reputação de ser capaz de dizer a sorte das pessoas, uma vez disse a Takeda que mesmo que ele tivesse dominado um “Caminho”, ele era um homem com o cheiro de sangue e um destino infeliz. Mestre Deguchi muitas vezes se perguntou por que Ueshiba era tão subserviente à Takeda, e essa atitude foi um ponto de irritação para o líder religioso. Mas Ueshiba foi sempre fiel à etiqueta e era grato ao seu professor, para quem ele sempre tentou atender às demandas.

Foi em fevereiro de 1915, enquanto visitava Engaru em Kitami que O-Sensei conheceu Takeda. Ambos foram se hospedar no mesmo hotel e eles se encontraram nos corredores da pousada. Ueshiba, que na época tinha cerca de 30 anos, estudou com ele na estalagem por um mês, mas enquanto ele estava sendo ensinado ele sentiu algum tipo de inspiração, que espiritualmente ele não entendeu muito bem, então ele convidou Takeda para ir com ele à área de Shirataki onde cerca de 15 de deshi e servos de Ueshiba receberiam as instruções de Takeda no Daito-ryu. Mais tarde, quando perguntado a ele se enquanto estudava o Daito-ryu lhe havia vindo a inspíração para o Aikido, O-Sensei balançou a cabeça, “- Não”, e disse: “- Eu diria que a Takeda Sensei abriu meus olhos para budo”.

Quando se conheceram, Sokaku apresentou-se dizendo: “- Eu sou Sokaku Takeda.” O-Sensei reconheceu o nome, porque antes ele havia lutado e derrotado um enorme lutador de sumô de Kitami Ridge, e naquela época ele tinha sido perguntado se ele era Takeda. De acordo com o Sumo Ozeki (o segundo mais alto posto em Sumo) a quem ele havia derrotado, Takeda era um homem do budo, de classificação samurai, que tinha vindo para Hokkaido a convite de um de seus alunos. Foi esse incidente que tinha familiarizado O-Sensei com o nome de Takeda.

Este foi o início da ligação longa e decisiva entre os dois homens. Após a reunião, Takeda convidou Morihei para o quarto dele, onde eles conversaram a noite toda. Foi então que Morihei percebeu o grande conhecimento do budo possuído por este personagem formidável. Quando Ueshiba pediu para ser instruído em Daito-ryu jujutsu, algo completamente novo para ele, Takeda imediatamente o convidou para permanecer na estalagem. Parece que ele percebeu que Ueshiba tinha treinado duro e tinha um grande potencial.

O-Sensei ficou muito impressionado com as técnicas secretas de Daito-ryu que ele viu pela primeira vez durante esse mês de sessões de treinamento intensivo de um dia inteiro. Mais tarde, ele recebeu um pergaminho de transmissão que listou 188 técnicas gerais, 30 técnicas de aiki, e 36 ensinamentos secretos. Ele estava bastante surpreso com o enorme número de variações que tinha sido dado a ele.

As técnicas de Daito-ryu foram mais práticas do que as do Jujutsu que ele havia aprendido até aquele momento, e a eficácia violenta das técnicas de bloqueio bem como os ataques aos pontos vitais (atemi) eram algo novo para ele. Embora Morihei fosse fisicamente mais forte do que Takeda, ele era impotente em face de controle técnico do seu professor. Morihei tornou-se profundamente absorvido em pesquisar essas técnicas secretas, mas depois de cerca de um mês ele retornou à Shirataki.

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Mestre Sokaku Takeda e o Daito-ryu. 

Daito-ryu jujutsu é uma arte marcial tradicional do clã Takeda. O fundador foi Shinra Saburo Yoshimitsu a partir da linha Seiwa Genji (um ramo principal do clã Minamoto). O nome do sistema pode ter sido tirado da “Mansão Daito” em Shiga, onde o treinamento acontecia. A tradição foi transmitida na família Kai Takeda e quando Lord Takeda Tosa Kunitsugu foi nomeado para ser o senhor de “Aizu Han”, foi ele quem trouxe para Aizu. As técnicas mantiveram-se secretas nesse domínio até o final do período feudal em 1860. Sokaku tinha sido destaque em artes marciais quando jovem e foi chamado de gênio com a espada. Uma história conta que Takeda matou muitos desafiantes, e ele iria se vangloriar disso a Ueshiba. Parece no entanto, que depois de um tempo definiu que a espada seria absorvida na tradição Daito-ryu Jujutsu. Em 1898, ele recebeu a licença de um mestre nas técnicas secretas. Isto foi como Takeda tornou-se um transmissor (em japonês, literalmente, um “fundador do meio”) da tradição Daito. Depois disso, ele viajou para vários lugares para ensinar e difundir o Daito-ryu e, eventualmente, fez o seu caminho para Hokkaido.

Durante os anos O-Sensei tratou Takeda com muita humildade e educadamente, e fez o seu melhor para serví-lo até sua morte em 1943. Durante muito tempo Takeda viveu e ensinou na área de Shirataki, Morihei cuidou dele completamente sozinho e apesar do fato de que ele estava em uma posição de grande respeito na comunidade, ele voluntariou-se fazendo trabalhos humildes fora de suas atribuições. Era a crença de O-Sensei que a devoção total ao seu professor era simplesmente a etiqueta correta ou esperada, uma vez que tinha recebido instruções dele. Em referência ao acontecido, o segundo Dosshu Kisshomaru disse: “- Não consigo pensar em ninguém que realizou o decoro e a etiqueta em grau mais elevado do que ele (O-Sensei). É por isso que o fundador foi capaz de desenvolver a capacidade de impor respeito como o próprio professor “.

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O iniciante na Arte do Aikidô

17/06/2013

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O iniciante em qualquer área é um curioso por natureza. No Aikidô não poderia ser diferente. Abaixo seguem alguns questionamentos e diretrizes para facilitar a vida dos iniciantes no Aikidô, mas que se encaixam, em sua maioria, para iniciantes, ou não, em outras áreas de convivência. Quando cada um tem a consciência do espaço que lhe cabe e se porta de forma digna, a convivência é facilitada.

 

Propósitos do Aikidô

O objetivo do Aikidô é contribuir para fazer uma sociedade melhor através do treinamento do corpo e do espírito. “Todo mundo possui um espírito que pode se aperfeiçoar, um corpo que pode ser treinado e um caminho a seguir”.  – Morihei Ueshiba – Fundador do Aikidô.

 

Diferencial do Aikidô

Um caminho marcial japonês com a intenção de obter uma excelente saúde através do treinamento do corpo e do espírito. A partir de 4 anos de idade, todas as pessoas podem treinar.

 

Aula Experimental

As pessoas interessadas estão convidadas a ir a qualquer Dojô (academia) para fazer aulas experimentais, sem compromisso e sem custo, para ter uma ideia mais clara do que é o Aikidô.

 

Inscrição no Dojô

Para aqueles que se identificam com a arte, depois das aulas experimentais, é só dirigir-se à secretaria do Dojô para fazer sua inscrição.

 

Avaliações

Cada Dojô tem sua forma e datas de avaliação, mas os que estão subordinados à Academia Central de Aikidô em São Paulo – Federação Sul Americana de Aikidô – www.aikidokawai.com.br – seguem o estabelecido por esta. Caso esteja na época de fazer a avaliação, o Sensei comunicará ao aluno e este deverá dirigir-se à secretaria do Dojô, preencher a ficha de inscrição e pagar a taxa a ela referente.

 

Etiqueta e Costumes do Dojô (Local de Treinamento)

1. Ao entrar na área de treinamento do Dojô, ou sair, faça uma reverência em pé.

2. Ao pisar no tatame, ou sair dele, faça sempre uma reverência em direção ao shomen e ao retrato do Fundador.

3. Respeite o seu material de treinamento. O dogui (kimono) deve estar sempre limpo e em ordem. As armas devem estar em boa condição e no lugar apropriado quando fora de uso.

4. Nunca use o dogui ou as armas de outra pessoa.

5. Poucos minutos antes do início da prática, esteja aquecido, sentado formalmente segundo a hierarquia, e em meditação silenciosa. Esses minutos são para você esvaziar a mente dos problemas do dia e preparar-se para o estudo.

6. A aula começa e termina com uma cerimônia formal. É importante que você não se atrase e participe dessa cerimônia, mas, se houver motivo de força maior que retarde sua entrada, deverá esperar sentado formalmente ao lado do tatame, até que o Sensei lhe dê permissão para juntar-se à turma. Faça uma reverência prostrada ao chegar ao tatame. Evite com isso perturbar a aula.

7. O modo correto de sentar-se no tatame é em seiza (posição formal sentada). Se tiver alguma lesão no joelho, poderá sentar-se de pernas cruzadas, mas nunca estiradas, nem com as costas apoiadas na parede. Deve ficar alerta o tempo todo.

8. Não abandone o tatame durante a prática, exceto em caso de machucadura ou doença.

9. Durante a aula, quando o Sensei demonstrar uma técnica a ser executada, fique sentado em seiza, silencioso e atento. Após a demonstração, curve-se diante do Sensei e de um parceiro, e inicie a prática.

10. Quando o fim de uma técnica for determinado, pare imediatamente. Faça uma reverência ao parceiro e junte-se depressa aos outros estudantes.

11. Não perambule pelo tatame: você deverá estar praticando ou, se necessário, sentado formalmente à espera da sua vez.

12. Se, por alguma razão, for absolutamente preciso fazer alguma pergunta ao Sensei, vá até ele (nunca o chame), curve-se respeitosamente e espere o seu assentimento (a reverência em pé é apropriada).

13. Quando estiver recebendo instruções pessoais durante a aula, sente-se em seiza e observe atentamente. Faça uma reverência ao Sensei quando terminar. Se o Sensei estiver instruindo outro aluno, você pode suspender a prática a fim de observar. Sente-se formalmente e faça uma reverência quando ele terminar.

14. Respeite os mais experientes. Nunca discuta a respeito da técnica.

15. Você está aqui para praticar. Não impinja as suas ideias aos outros.

16. Se você conhecer o movimento que está sendo estudado e o seu parceiro não, conduza-o. Mas nunca tente corrigi-lo ou instruí-lo se não for sênior do nível yudansha (faixa preta).

17. No tatame, fale o mínimo possível. O Aikidô é experiência.

18. Não ande pelo tatame nem antes nem depois da aula. O espaço é para estudantes que querem treinar. Há outras áreas do Dojô para o convívio social.

19. O tatame deve ser varrido todos os dias, antes e depois da prática. É responsabilidade de todos manterem o Dojô sempre limpo.

20. Nada de comida, bebida, cigarro ou goma de mascar no tatame ou fora dele, durante a prática.

21. Não se usa qualquer jóia, pulseira, relógio, etc., durante a prática.

22. Jamais beba bebidas alcoólicas enquanto estiver com o seu dogui.

23. Se estiver inseguro quanto ao que fazer em determinada situação, consulte um aluno avançado ou simplesmente siga os passos de seu sênior.

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Bushidô – O Caminho do Guerreiro

03/06/2013

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Bushido (武士道) significa, literalmente, “caminho do guerreiro” – era um código de conduta não escrito e um modo de vida para os Samurai (a classe guerreira do Japão feudal ou bushi), que fornecia parâmetros para esse guerreiro viver e morrer com honra. O ideograma “do” (道), no sentido utilizado no termo japonês Bushido, é equivalente à forma chinesa “Tao”, e exprime o conceito filosófico de absoluto. Este conceito traz a ideia de origem, princípio e essência de todas coisas. 

O maior princípio do Bushido era buscar uma morte com dignidade, conforme expresso no Hagakure – “oculto nas folhas”, um dos mais importantes tratados acerca do Bushido, escrito por Yamamoto Tsunetomo, um samurai da província de Nabeshima, atual Saga, em 1716.

Um samurai jamais poderia se entregar e deveria estar sempre preparado para a morte. Além disso, a honra do samurai, de seus antepassados e de seu senhor deveria ser preservada por ele. Outros aspectos importantes é que um samurai jamais pode fugir de uma luta. Mesmo apenas um samurai contra um exército de oponentes, ele não pode abandonar a luta. O samurai também deve estar sempre do lado da justiça e ter compaixão com seu inimigo derrotado ou mais fraco. Lealdade, etiqueta, educação e noção de gratidão eram outras coisas que o Bushido pregava. Um samurai honrado deveria ser leal ao seu daimyo (senhor feudal), Shogun e Imperador.

No geral, guerreiro é aquele que busca seu próprio caminho. Muitas pessoas podem estar perfeitamente buscando o caminho sem saber disso. Guerreiro é a pessoa que tem um objetivo, e que por meio deste, passa a ter consciência de seu dom e suas limitações. Através dessa consciência, o guerreiro atinge sua meta, combinada com a vontade de vencer fraquezas, temores e limitações.

Cada pessoa trilha seu próprio caminho, já que existem vários caminhos: como o caminho da cura pelo médico, o caminho da literatura pelo poeta ou escritor, e muitas outras artes e habilidades. Cada pessoa pratica de acordo com a sua inclinação. Por isso pode-se chamar de guerreiro, aquele que segue seu caminho específico.

Porém, no bushido, a palavra guerreiro significa muito mais do que isso. O termo bushi não pode ser designado a qualquer um. O bushi é diferente, pois seus estudos do caminho baseiam-se em superar os homens. A casta guerreira se distingue das demais por sua fidelidade e honra, a palavra do guerreiro vale mais do que tudo.

O caminho do guerreiro é o caminho da pena e da espada, esse conceito vem do antigo Japão feudal e determinava que o guerreiro (bushi) dominasse tanto a arte da guerra quanto a da leitura, e que ele deve apreciar ambas as artes. O bushi deve aprender o caminho de todas as profissões; se informar sobre todos os assuntos; apreciar as artes e quando não estiver ocupado em suas obrigações militares, deverá estar sempre praticando algo, seja a leitura ou a escrita, armazenando em sua mente a história antiga e o conhecimento geral, comportando-se bem a todo momento para ter uma postura digna de um samurai, tudo isso sem desviar do verdadeiro caminho, o bushido.

A etiqueta deve ser seguida, todos os dias da vida cotidiana, assim como na guerra pelos samurais. Sinceridade e honestidade são as virtudes que avaliam suas vidas. Transcender um pacto de fidelidade completa e confiança esta ligada à dignidade. Os samurais também precisavam ter autocontrole, desapego e austeridade para manter a sua honra, em função disso, podemos dizer que o samurai é o guerreiro completo e seu código de honra – o bushido – tem forte influência no estilo de vida do povo japonês.

Para o bushido, exige-se que a conduta de um homem seja correta em todos os sentidos, dessa forma, a preguiça é um mal que deve ser abominado. Mas existem problemas quando a pessoa se apoia no futuro, pois torna-se preguiçosa e indolente, já que deixa para amanhã, aquilo que poderia ser feito hoje. Pessoas que agem dessa maneira, não seguem o verdadeiro preceito do bushido, que de um modo geral, é a aceitação resoluta da morte e esta pode chegar a qualquer momento.

Se o guerreiro tem plena consciência da morte, evitará conflitos, estará livre de doenças, além de ter uma personalidade com muitas qualidades e diferenciada às dos demais seres humanos. O guerreiro vive o presente sem se preocupar com o amanhã, de modo que quando contempla as pessoas, sente como se nunca mais fosse vê-los novamente, e, portanto, seu dever e consideração as pessoas, serão profundamente sinceros. O verdadeiro guerreiro é aquele que aceita a morte; dessa maneira, ele não irá se meter em discussões desnecessárias que venham a provocar um conflito maior, já que assim ele pode acabar matando ou sendo morto; esta última poderia resultar em sua desonra ou afligiria a reputação e nome de sua família.

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Os homens devem moldar seu caminho. A partir do momento em que você ver o caminho em tudo o que fizer, você se tornará o caminho”. Miyamoto Musashi (1584 – 1645)

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A Reverência no Aikidô

22/04/2013

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A reverência é parte integral da etiqueta oriental substituindo o aperto de mão das sociedades ocidentais em quase todas as situações passíveis de comparação. No Japão, as crianças, tradicionalmente, aprendiam a reverenciar antes mesmo que pudessem ficar de pé. Isso, porque as mães tinham por hábito carregar seus bebês nas costas fazendo com que os bebês, ainda que involuntariamente, reverenciassem todas as vezes que suas mães o faziam. Esta maneira de carregar um bebê não é mais tão usual no Japão de hoje, mas a reverência continua sendo o modo mais usado para se cumprimentar um ao outro.

Visto que não moramos no Japão e reverenciar não faz parte da nossa cultura, seria razoável perguntar por que devemos reverenciar quando estamos praticando o Aikidô na Nova Zelândia? A minha resposta para esta pergunta (resposta que pode estar condicionada por vários anos vividos no Japão) é, primeiramente, que o Aikidô é uma atividade cultural Japonesa não existindo razão especifica para descaracterizá-la e, segundo, a reverência é uma ótima maneira de demonstrar respeito, tão importante no Aikidô quanto na vida. Quanto mais praticamos o Aikidô naturalmente mais respeito sentimos pelos outros, e reverenciar é uma maneira de expressar isso mantendo a estética da arte. No seu aspecto marcial o Aikidô demanda respeito mútuo entre os companheiros como reconhecimento da natureza de “vida ou morte” das técnicas que estão sendo estudadas, mesmo que praticado dentro do ambiente seguro do dojô.

Do ponto de vista mental ou espiritual, naturalmente mantém-se o respeito pelos companheiros discípulos do Caminho (Dô) por seus esforços em realizar todo o potencial como seres humanos. A reverência ajuda criar um ambiente para este trabalho interior. O sentimento ao se reverenciar é importante e não há nada de humilhante ou degradante neste gesto aonde todo nosso corpo e mente estão envolvidos em expressar gratidão e respeito. De fato, treinar um pouquinho de reverência é algo do qual nós ocidentais poderíamos nos beneficiar.

No Budô o reigisaho[1] tem uma importância fundamental. Para o praticante ocidental, com tradições culturais diferentes das orientais, as exigências da reverência nas artes marciais japonesas, como o Aikidô, entre outras, são comportamentos que lhe são estranhos e que por vezes adquirem um caráter tão só de obrigatoriedade. Todavia, “qualquer arte marcial pressupõe a existência de uma severa disciplina na sua execução e aprendizagem; uma arte oriental não se pode conceber sem etiqueta. Diz-se que a arte marcial japonesa começa e termina pela delicadeza e respeito mútuo, indispensáveis à elevação da personalidade.” [2]

O dojô [3] deve ser um local onde se desenvolve uma personalidade forte, com qualidades como a humildade, a lealdade, a cortesia, onde o caminho deve ser o de um conhecimento cada vez mais profundo de si mesmo, onde é importante Ter presente o significado da reverência, da cortesia, da etiqueta. Portanto o dojô é um lugar sagrado onde se procura “unidade do corpo e mente através do coração, centralizar a energia, na sua autêntica compreensão…»[4]. É também, no dizer de Herrigel, “desde os tempos mais remotos: Lugar da Iluminação.”[5]

Podem encontrar-se duas atitudes básicas nos praticantes perante a reverência. Uma consiste na execução da reverência como se de uma mera obrigação se tratasse; a outra na execução da reverência de modo rígido e formal sem que seja acompanhada da consciência profunda do sentido do ritual, sem a consciência de que o dojô é “Templo privilegiado que celebra uma espécie de liturgia”.[6]

A compreensão da importância do cerimonial é fundamental. A reverência é uma introdução à aula que permitirá ao praticante afastar a mente das preocupações e stress cotidianos, permitindo-lhe a concentração que a prática das artes marciais exige.

Por outro lado as artes marciais tradicionais desenvolvem, através da sua prática, a agressividade de cada indivíduo (não confundir com violência). A reverência evita a degeneração de comportamentos agressivos, impedindo a falta de respeito pelo parceiro de treino.

Em todas as artes marciais tradicionais, podemos encontrar o reigisaho, concretizado de modo diferente de arte para arte, mas mantendo, quase sempre, o mesmo espírito e função.

No ocidente, a aceitação ou rejeição do ritual da reverência, correlaciona-se com a atitude, mais ou menos tradicional que os praticantes têm para com o budô. Nas escolas tradicionais, havendo um processo mais profundo de aceitação da cultura oriental, a forma de estar destes adeptos, dentro e fora do dojô, na prática marcial e na vida, traduz, em regra uma maior compreensão da etiqueta tradicional.

Tradicionalmente, no budô a etiqueta deve ser uma constante da vida. Os gestos devem ser belos, precisos, lentos, mesmo os mais cotidianos, como sentar, ou levantar, caminhar, ou dar algo a alguém. Pois “Cada gesto era para ser executado de modo que ele permita, na seqüência de uma cisão seguindo o ataque surpresa, a partir da resposta eficaz.” [7] É entendido, tradicionalmente, que a forma de reverenciar, só por si, revela o nível de compreensão da arte.

A função psicológica da prática marcial é influenciada pela reverência. A forma de fazer poderá dar-nos indicações sobre a personalidade de um praticante, se ele é tímido, agressivo, reservado, etc..

A reverência interfere não só com as funções psicológicas, mas também com as funções fisiológicas.

A reverência, considerada num plano prático, é uma tomada de consciência do corpo e do controle respiratório através de um movimento bem simples. E isto é tão verdade, que a estabilidade e segurança de um mestre, na reverência, são evidentes. De tal modo que o contrário também é verdadeiro. O valor marcial de um indivíduo revela-se na reverência. Não é acreditável que alguém que não consiga manter-se sentado de modo estável para saudar, consiga executar com eficiência um outro movimento. Os verdadeiros Mestres saúdam profundamente, de forma majestosa, porque toda sua experiência, seu conhecimento, sua humildade estão presentes em sua reverência. [8]

O controle da respiração pode ser exemplificado com a reverência em pé, com os pés em musubi: Os calcanhares devem estar unidos, a frente dos pés afastados cerca de 45.º, pernas direitas, coluna vertebral ereta, ombros naturalmente colocados na sua posição anatômica, mãos abertas e dedos esticados, colocadas lateralmente nas coxas. No instante anterior ao da reverência inspira-se. Quando o tronco faz uma certa flexão em frente, expira-se. No momento em que o tronco retorna à vertical inspira-se novamente, podendo a expiração seguinte servir para a execução imediata de uma técnica, seja de ataque ou de defesa. A descrição respiratória é válida para a reverência feita a partir da posição de sentado – seiza.

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Num dojô podemos encontrar vários tipos de reverências.

A prática marcial começa com uma reverência interna, a reverência a si mesmo, dirigida ao íntimo de cada um, com a qual se pretende alcançar o Mestre Interno [9].

Ao entrar no local de prática há uma primeira reverência exterior, aquela que é feita ao dojô, com a qual se demonstra respeito ao lugar da prática.

Com o início da aula todos os praticantes executam, ao mesmo tempo, uma reverência à tradição passiva. Esta reverência feita em direção ao kamiza, (local dos deuses), onde simbolicamente a tradição passiva se condensa, é o kamiza ni rei, ou shomen ni rei. Representa o respeito pelos mestres que nos antecederam, pela cadeia de transmissão do saber. Exprime o respeito pelas gerações anteriores, que nos legaram a arte com sofrimento e por vezes com o custo da própria vida. É não só uma humilde e sincera homenagem à tradição passiva, mas também uma forma de inspiração no seu exemplo.

Segue-se a reverência à tradição ativa. O Mestre volta as costas ao kamiza e é saudado – é o sensei ni rei. Traduz o respeito devido ao Mestre, como representante, através da atividade de ensino e de aprendizagem do budô, da tradição ativa.

Se estiverem perante a classe vários mestres há, neste momento, lugar ao yudansha ni rei, a reverência entre os mestres.

Segue-se, durante toda a prática, no início de cada exercício, de cada técnica, de cada combate, a reverência ao companheiro, o otogai ni rei. Representa o respeito profundo pela integridade física e psicológica do outro. Significa que, através do nosso esforço e empenho na prática, lhe vamos proporcionar a possibilidade de progredir.

No fim de cada aula repete-se o percurso acima referido, com pequenas alterações na ordem das saudações.

Algumas escolas tradicionais, ainda cultivam o sempai ni rei, reverência entre os alunos mais adiantados e os mais novos – o Mestre já não faz a reverência. Representa o respeito que é devido pelos mais novos aos anciãos – sempai.

Durante a reverência, o estado de alerta, zanshin, e de antecipação deve ser permanente para evitar um ataque de surpresa. Este estado tem a ver com a percepção paranormal desenvolvida pelas artes marciais tradicionais, pelo maior ou menor potencial de ki do praticante. Mas neste trabalho não desenvolveremos estes temas, pois são questões que agora não nos ocuparão.

Deve ter-se presente que as noções de sensei, sempai, ou principiante são relativas. Como regra deve reter-se que um praticante novo deve inclinar-se profundamente, ao que o sensei responderá com uma ligeira inclinação. Assim numa aula um shodan pode ser sensei e na aula seguinte, ministrada por um 5.º dan, em que todos os outros alunos têm graduações entre 2.º e 4.º dan, não passa de um principiante.

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A maneira de efetuar a reverência tem vários entendimentos: um marcial, outro energético e outro simbólico. 

Ilustremos o que se afirma com reverência praticada em seiza. A primeira mão a ser colocada no solo em frente do corpo é a mão esquerda. No plano marcial, em caso de ataque do adversário, a mão direita pode desembainhar uma arma ou executar um movimento defensivo, se não houver armas. Se baixasse as duas mãos ao mesmo tempo isso não aconteceria.

No plano energético, a mão esquerda está associada à energia negativa (ura) e a mão direita à energia positiva (omote). Aquela tem um efeito destrutivo, esta tem um efeito construtivo.

O descer da mão esquerda à terra é um gesto simbólico da recusa de fazer mal, em relação àquele que é saudado. Em simultâneo, o contacto da mão com o chão neutraliza a potencialidade energética desta mão destruidora.

Com a colocação das duas mãos no chão, estas formam um triângulo equilátero. No plano marcial a finalidade é a de evitar um ferimento grave no nariz. Em caso de ataque à cabeça por parte de um adversário, o nariz está protegido e não será esmagado no chão.

Em nível energético permite a circulação de energia em circuito fechado, possibilitando a concentração mental. Este gesto simboliza a reunião de três lados: o homem, o céu e a terra. Também simboliza a junção entre tradição passiva e a tradição ativa, em que o Mestre desempenha um papel fundamental: é ele que transmite o conhecimento que já anteriormente lhe tinha sido transmitido. É um circuito de transmissão do conhecimento.

O triângulo simboliza também a capacidade de defender, assim como também a de atacar. A consciência do elevado valor energético e marcial da etiqueta e da cortesia deve estar sempre presente naqueles que seguem o budô.

Referências

[1] A etiqueta e a cortesia.

[3] O local de estudo da via, do caminho.

[4] Vide pg. 14, DELORME, Pierre, Dōjō. Le temple du sabre. Éditions Budostore, col. La Budothèque, 1994: Paris, pgs. 248.

[5] Vide pg. 81, ZEN e a arte do tiro com arco, Ed. Assírio & Alvim, col. sete estrelo, Março de 1997: Lisboa, pgs. 85.

[6] Vide pg. 11, DURIX, Claude, apud DELORME, Pierre, op. cit.

[7] – Vide p. 57, HABERSETZER, Roland, Le guide Marabout du Karaté, col. bibliotheque marabout service, éditions Gerárd & C.ª, 1969: Verviers (Belgique), pgs. 415.

[8] Vide pg. 198, Jazarin, El Espíritu del JUDO. Charlas com mi maestro. Ed. Eyras, col. cinturon negro, 1996: Madrid, pgs. 256.

[9] A prática implica sempre uma orientação segura, ministrada por um sensei, palavra pode ser entendida como «aquele que indica luz». Ora há sempre na relação Mestre-Discípulo uma transmissão para a luz. Contudo a relação com o Mestre possibilita que, cada um, no seu caminho, se projete sobre si próprio descobrindo no seu interior o seu próprio mestre – o Eu. Ou seja «cada um tem em si o seu Mestre, cada um é guru de si próprio».

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Colaboração:http://bukaru.zevallos.com.br

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Nunca é demais lembrar…

10/01/2013

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Mais um ano de treino se inicia e a boa convivência no dojô, e fora dele, deve ser uma busca constante. Para tal, o IMPRESSÕES-AIKIDÔ apresenta abaixo algumas normas de etiqueta e conduta para serem seguidas nos dojôs de Aikidô, por iniciantes e graduados, e que podem ser utilizadas, também, no seu dia-a-dia.

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Etiqueta

As atitudes apropriadas desenvolvidas no treinamento de AIKIDO devem ser constantemente praticadas a partir da vivência e dos relacionamentos que cultivamos no DOJO.

Apesar de vivermos em uma cultura diferente da qual o AIKIDO foi criado é necessário ter em mente que a prática, os protocolos e a etiqueta do DOJO fazem parte do treinamento propriamente dito, e não podem ser dissociados dos exercícios corporais.

É importante que o iniciante (kohai) observe e busque absorver as práticas e as atitudes apropriadas. Os mais graduados (senpai) por sua vez, de maneira atenciosa e compassiva, procurarão ajudar ensinando através do exemplo, reconhecendo que a prática de um caminho marcial tem sua base mais sólida nas ações e não nas palavras.

As orientações de etiqueta não são normas ou leis que devem ser advogadas de maneira mecânica ou autoritária. A ação apropriada é vazia se não está acompanhada do sentimento apropriado. O AIKIDO é uma disciplina que deve ser transmitida de coração para coração, e não há outra maneira de absorver os ensinamentos se não pelo treinamento constante.

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Conduta no DOJO

01. Todos devem proporcionar uma atmosfera positiva de harmonia e de respeito.

02. Todos são responsáveis pela conservação e limpeza do DOJO.

03. Cada pessoa tem razões diferentes para treinar e suas próprias limitações. Devemos respeitar o limite de todos, seus objetivos e expectativas.

04. O dogi (uniforme de prática) deve sempre estar limpo e em condições de higiene que não desrespeitem o colega de treino. As unhas não devem oferecer risco aos demais praticantes e todos devem estar livres de colares, pulseiras, brincos e demais ornamentos que possam proporcionar ferimentos e desconforto no treino. Não se deve mascar chiclete ou qualquer outra coisa durante o treino.

04.1 Deve-se sempre praticar com a vestimenta completa. Os alunos da faixa branca até primeiro Kyu devem sempre utilizar a faixa da cor correspondente à sua graduação. Todo YUDANSHA (portador de faixa-preta) deve, como rege a tradição, portar seu HAKAMA. A tradição deve ser mantida e só serão aceitos nos treinos sem HAKAMA aqueles que acabaram de fazer exame e ainda não receberam a indumentária ou caso tenha ocorrido algo que tenha invalidado a vestimenta.

05. Durante a circulação nas proximidades do tatami em horários de treino deve-se conservar o silêncio.

06. Se for absolutamente necessário perguntar algo ao SENSEI, vá até ele, não o chame para si.

07. Se você não é YUDANSHA seja discreto ao dar orientações aos seus colegas. Não corrija ninguém e procure a orientação do SENSEI.

08. O DOJO não se responsabiliza por acidentes ocorridos no treinamento, é de responsabilidade de cada indivíduo seguir as instruções do SENSEI e proporcionar um treinamento eficiente (livre de lesões), protegendo a si mesmo e ao colega.

09. Durante a prática treine sua prontidão e alerta, coloque-se sempre na postura formal SEIZA ou HIZAOKUMO (caso tenha problemas nos joelhos).

10. Em caso de desentendimentos durante a prática deve-se manter a serenidade e imediatamente dirigir-se ao SENSEI aguardando o mesmo em SEIZA. Em caso de acidentes deve-se evitar o tumulto e seguir diligentemente as instruções do SENSEI.

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Colaboração:

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O uso do Hakama – Por Shigenobu Okumura Sensei

27/01/2012

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Quando eu era uchi-deshi de O-Sensei, todos eram instados a usar hakama para a prática, começando do primeiro dia em que pisassem no tatami. Não havia restrições sobre o tipo de hakama que você poderia usar, e o tatami era um lugar bastante colorido. Havia hakamas de todos os tipos, todas as cores e variedades, de hakamas de kendo, aos hakamas listrados usados em dança japonesa, até os caros hakamas de seda chamados sendai-hira. Eu imagino que alguns iniciantes foram mandados ao inferno por terem emprestado os caríssimos hakamas dos avós, usados apenas em ocasiões especiais e cerimônias, para esgarçarem seus joelhos fazendo suwariwaza (técnica de joelhos). 

Eu lembro vivamente o dia em que esqueci meu hakama. Eu me preparava para subir ao tatami, vestindo apenas meu dogi, quando O-Sensei me deteve. “Onde está seu hakama?” Ele perguntou asperamente. “O que faz você pensar que você pode receber a instrução do seu professor vestindo nada mais que sua roupa de baixo? Você não tem senso de adequação? Você carece da atitude e etiqueta necessária em alguém que possui treinamento no budô. Sente-se fora do tatame e assista a aula!”

Este foi apenas o primeiro de muitos puxões de orelha que recebi de O-Sensei. Porém, minha ignorância nesta ocasião alertou O-Sensei a orientar seus uchi-deshi depois da aula sobre o significado do hakama. Ele nos falou sobre o hakama como tradicional indumentária dos estudantes do kobudo e perguntou se algum dos estudantes conhecia a razão para as sete dobras do hakama. “Elas simbolizam as sete virtudes do budo”, disse O-Sensei. “Estas são jin (benevolência), gi (honra ou justiça), rei (cortesia e etiqueta), chi (sabedoria, inteligência), shin (sinceridade), Chu (lealdade) e koh (piedade). Nós encontramos estas qualidades nos relevantes samurais do passado. O hakama convida-nos a refletir sobre a natureza do verdadeiro bushido. Vesti-lo simboliza tradições que chegaram até nós passando de geração em geração. O Aikido nasceu do espírito do bushido do Japão, e em nossa prática devemos buscar polir as sete virtudes tradicionais”.

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Colaboração:

Aikido Today Magazine – nº 41

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Benefícios da Prática do Aikidô – Por Jorge Mello da Silveira

19/09/2011

A prática constante e regular do Aikido acarreta uma série de benefícios ao corpo e à mente do praticante, que serão perpetuados ao longo de toda sua vida.

Através do treinamento contínuo, verifica-se paulatinamente o surgimento de uma atitude de comportamento (de etiqueta, cortesia) dentro do Dojo, e que naturalmente se estende para o dia-a-dia. Virtudes nobres, tais como disciplina, lealdade, concentração, respeito mútuo, determinação e paciência são diariamente exercitados nas aulas, elevando o espírito e o caráter do aikidoísta.

E como os treinos são realizados em uma atmosfera de coleguismo e harmonia, o resultado é um sentimento de felicidade e satisfação. Este ambiente favorece a capacidade de se relacionar com as outras pessoas, contribuindo para os diversos níveis de relações sociais, do plano profissional ao afetivo.

No Dojo, o objetivo não é o de vencer todos os outros, ou provar suas habilidades; muito mais do que isso, a preocupação geral é de auto-aperfeiçoamento – há uma busca incessante pela perfeição da execução da técnica. Todos estão treinando para aprender, e não para satisfazer o ego, logo esta postura só pode trazer resultados positivos.

É através da prática, da repetição das técnicas, que se procura atingir o plano espiritual que é o verdadeiro objetivo do treino de Aikido.

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Quanto à Saúde:

Com a prática do Aikido, observa-se uma melhora do sistema cardiovascular e respiratório, da coordenação motora e do condicionamento físico. Maior resistência e disposição para enfrentar o dia-a-dia são resultados dos treinos regulares, condicionando ao corpo maior flexibilidade e agilidade.

Diversos músculos são trabalhados, dada a enorme diversidade das técnicas de Aikido, tornando o indivíduo saudável e com ótimo tônus muscular.

Através das técnicas marciais praticadas como uma poderosa arte de defesa pessoal, as toxinas, juntamente com o suor, deixam o corpo, e a circulação sanguínea vai melhorando, os músculos se fortalecendo e o bem estar chega após algum tempo de prática.

Após as aulas, há uma sensação de bem-estar geral, que se mantêm ao longo do dia, reduzindo a ocorrência de doenças psicossomáticas, tais como o “stress”. As capacidades de aprendizado e raciocínio são ampliadas, contribuindo para outras atividades, como o trabalho ou o estudo.

Uma melhor postura é facilmente verificada com a prática constante do Aikido, principalmente nos treinos com espada e bastão, onde se trabalha intensamente o correto posicionamento do corpo, levando o aikidoísta a uma postura bem mais elegante e saudável.

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* Jorge Mello da Silveira – Educador Físico em Barra de São João – Casimiro de Abreu / RJ – Professor e Praticante de Aikidô.

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Colaboração: www.corpoescultural.com.br

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Os 50 de Fukushima – Os novos heróis do Japão

17/03/2011

“Os 50 de Fukushima”.

Mais parece nome de filme japonês, mas é a pura realidade. Renascem no caos urbano, os Samurais de outrora. A atitude dos “50 de Fukushima” lembra os Samurais e o Hakama – a vestimenta samurai – que em suas pregas, leva o simbolismo das virtudes do Bushidô –  o caminho do guerreiro.

Vejam as virtudes, leiam o texto que segue e respondam: São ou não são verdadeiros Samurais?

Yuuki  – Coragem, Valor, Bravura.

Jin – Humanidade, Misericórdia, Benevolência. 

Gi  – Justiça, Retidão, Integridade.

Rei – Etiqueta, Cortesia, Civilidade (algo como reverência/obediência).

Makoto – Sinceridade, Honestidade, Realidade.

Chuugi – Lealdade, Fidelidade, Devoção.

Meiyo – Honra, Credibilidade, Glória; também Reputação, Dignidade, Prestígio

Os 50 trabalhadores que permaneceram nas instalações da central de Fukushima para resfriar os reatores danificados e o material irradiado são os novos heróis do Japão, os homens dispostos a sacrificar suas vidas para salvar a nação.

Em um ambiente contaminado pelos altos níveis de radiação, estes funcionários da companhia Tokyo Electric Power (Tepco) tentam resolver os problemas provocados pelo colapso dos sistemas de resfriamento e alimentação elétrica da central.

Este colapso já causou a fusão parcial de três dos reatores da central e a exposição das barras de combustível, que também ameaçam entrar em fusão, ao ar livre, liberando na atmosfera quantidades consideráveis de elementos radioativos.

Estes últimos trabalhadores presentes na central, após o terremoto seguido de tsunami da última sexta-feira, foram retirados do local brevemente na quarta-feira, quando o nível de radioatividade aumentou de maneira alarmante.

Estas pessoas que estão trabalhando nas centrais enfrentam (o problema) sem titubear“, comentou Michiko Otsuki, funcionária da central Fukushima 2, situada a 12 km de Fukushima 1, onde estão os reatores danificados.

Só posso rezar pela segurança de todos eles… Não esqueçam que estão trabalhando para nos proteger, a cada um de nós, em troca de suas próprias vidas“, escreveu Michiko na rede social japonesa Mixi.

O primeiro-ministro Naoto Kan também elogiou os esforços e a coragem destes homens.

Na Tepco e nas empresas associadas, eles se esforçam neste momento para injetar água (nos reatores), estão fazendo todo o possível sem sequer pensar no perigo“, disse Kan.

Quando a Tepco recrutou mais 20 homens para participar das operações, foi procurada por vários funcionários que haviam sido retirados no começo da crise, segundo a agência Jiji.

Entre estes novos voluntários está um homem de 59 anos, que estava a um ano e meio da aposentadoria, anunciou sua filha em uma mensagem no site Prayforjapan.jp, conectado ao Twitter desde a catástrofe.

Não pude deixar de chorar quando soube que meu pai seria enviado amanhã (…). Em minha casa, meu pai parece um tanto nervoso, mas nunca estive tão orgulhosa dele“, indicou.

Segundo David Brenner, diretor do centro de pesquisa radiológica de Columbia Service, os trabalhadores de Fukushima 1 estão expostos a um “risco significativo” dados os altos níveis de radioatividade aferidos no local.

Eles já são heróis… Vão suportar exposições muito elevadas à radiação“, disse Brenner à BBC.

Colaboração: http://br.noticias.yahoo.com



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