Academia Central de Aikidô de Natal – Programação para 2015

19/01/2015
MÊS
DIA
HORÁRIO
EVENTO
JAN
24 Sáb
8h30 e 17h
EXAME DE DAN E KOSHUKAI
Sensei Valdecir Fornazier – 5º Dan
Exame (Faixa Preta) – 8h30
Koshukai (Treino Geral) – 17h às 19h
FEV
16 a 18
CARNAVAL – NÃO HAVERÁ TREINO
28 Sáb
8h
TREINO EM HOMENAGEM

A KAWAI SENSEI

MAR
ABR
MAI
01 Sex
DIA DO TRABALHO – FERIADO
JUN
27 Sáb
8h
TROCA DE KYU
JUL
AGO

SET
2 a 5
São Paulo/SP

Demonstração e Seminário com

Seki Shihan – 8º Dan (JAP)
2, 3 e 4 – Intensivo para Instrutores
5 – Seminário e Demonstração de

52 Anos de Aikido no Brasil

6 e 7
Blumenau/SC
Seminário com Seki Shihan 8º Dan
OUT
24 Sáb

PROGRAMAÇÃO ESPECIAL

ACAN 16 ANOS

NOV
DEZ
19 Sáb

TROCA DE KYUS E BONENKAI

24 e 25
NATAL – NÃO HAVERÁ TREINO
31
ANO NOVO – NÃO HAVERÁ TREINO
JAN
01
2016
ANO NOVO – NÃO HAVERÁ TREINO

OFICINAS, ATIVIDADES CULTURAIS

E TREINOS ESPECIAIS 

SERÃO DIVULGADOS AO LONGO DO ANO.

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Colaboração:

http://www.aikidorn.com.br

http://www.impressione.wordpress.com

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SENSEI – Por Akira Saito

15/12/2014

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“Pessoa a qual devemos todo o nosso respeito, admiração e agradecimento, não só hoje, mas por toda a vida.”

 

Sensei em japonês significa “aquele que nasceu antes, que tem o conhecimento” e aqui a tradução mais comum é professor. É um termo utilizado no Japão com muito respeito e designado apenas àqueles que o merecem. Não é um termo exclusivamente para professores, mas também utilizado para médicos, advogados e para pessoas que detém grande conhecimento em determinada área.

O termo Sensei não significa uma profissão, e sim um título, provido de muita responsabilidade, onde a pessoa é considerada um exemplo para a sociedade, uma pessoa a ser seguida.

Nas Artes Marciais japonesas aqui no Brasil, muito se confunde sobre este título. Muitos imaginam que se “formando” Faixa Preta já é um Sensei. Primeiro que Faixa Preta não é formatura, não é o final, é exatamente o inverso, é o primeiro passo rumo ao verdadeiro conhecimento da Arte, por isso se diz “ShoDan” (Grau Iniciante). E para ser considerado Sensei, uma pessoa com conhecimento suficiente para ensinar a outra, é necessário ter no mínimo o “SanDan” (Terceiro Grau). Uma pessoa sem vivência, sem maturidade, sem conhecimento técnico e dotada de bons exemplos, não pode e não deve ser considerada “Sensei”.

Devemos muito respeito a nossos “verdadeiros Sensei” que nos ensinaram não apenas seus conhecimentos técnicos, mas também sua filosofia de vida, através de seus bons exemplos. Se hoje nos tornamos o que somos, é graças não somente aos nossos próprios esforços, e sim, às pessoas que nos deram parte de si, e que foram essenciais em nossa formação.

Por nós e por nossos Sensei, vamos trabalhar duro para transformar o mundo em um lugar melhor!!!!

GANBARIMASHOU!!!!!

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*Akira Saito é colunista do Jornal Nippak e praticante do Budô por mais de 30 anos.

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Colaboração:

www.artesdojapao.com

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O que realmente significa uma faixa preta? – Por Reverendo Kensho Furuya – 6° Dan Aikikai

06/06/2013

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Texto longo, mas importante para os praticantes de Aikidô e de outras artes marciais. 

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Através da popularidade desta coluna, recebo correspondência vinda de todo o país. E a pergunta mais frequente é “quanto tempo leva para obter a faixa preta?”. Não sei como se responde a essa questão em outras escolas, mas meus alunos sabem que fazer tal pergunta em meu dojô pode atrasá-los vários anos em seu treinamento. Seria um desastre.

A maioria das pessoas ficaria satisfeita se eu dissesse que leva apenas um par de anos para obter a faixa preta, mas infelizmente não é assim. E embora eu tenha receio de que a maior parte das pessoas não ficaria feliz com a minha resposta, acho que os falsos conceitos em geral sobre “o que é uma faixa preta” devem ser esclarecidos tanto quanto possível. Este não é um assunto muito popular para ser discutido da forma como o farei. Sem dúvida, advirto meus alunos a não fazer essa pergunta em primeiro lugar. A resposta não é aquela que eles querem ouvir.

Como se obtém a faixa preta? Você deve encontrar um professor competente e uma boa escola, começar a treinar e a trabalhar duro. Algum dia, quem sabe quando, ela chegará. Não é fácil, mas vale a pena. Pode levar um ano; pode levar dez anos. Talvez você nunca a consiga. Quando você compreende que a faixa preta não é tão importante quanto à prática em si, provavelmente está se aproximando do nível de faixa preta. Quando você compreende que não importa quanto tempo ou quão duro você treine, há uma vida inteira de estudo e prática à sua frente até a morte, você provavelmente está chegando perto da faixa preta.

Seja qual for o nível que você obtenha, se você achar que “merece” uma faixa preta ou se achar que você agora “é bom o bastante” para ser um faixa preta, você está fora do caminho e, sem dúvida, muito distante alcançá-la. Treine duro, seja humilde, não se exiba diante do seu mestre ou de outros alunos, não reclame de nenhum encargo e dê o seu melhor em tudo em sua vida. Este é o significado de ser uma faixa preta. Ser autoconfiante demais, exibir suas habilidades, ser competitivo, desprezar os outros, demonstrar falta de respeito e escolher aquilo que faz ou não faz (acreditando que alguns trabalhos são indignos de você) caracterizam o aluno que nunca obterá a faixa preta. Aquilo que vestem ao redor da cintura não passa de uma peça de comércio comprada por uns poucos dólares em alguma loja de artigos para artes marciais. A verdadeira faixa preta, usada por um verdadeiro possuidor de uma faixa preta, é a faixa branca do principiante, tingida de preto pela cor do seu sangue e do seu suor.

Padrão de Treinamento

O primeiro nível de faixa preta é chamado em japonês de shodan, palavra que significa literalmente “primeiro nível”. O ideógrafo para Sho (primeiro) é muito interessante. Ele é formado de dois radicais que significam “roupa” e “faca”. Para fazer uma peça de vestuário é preciso primeiro cortar o molde no tecido. O padrão determina o estilo e aparência do produto final. Se o padrão está fora de proporções ou contém erros, as roupas terão má aparência e não vestirão bem. Do mesmo modo, seu treinamento inicial para atingir a faixa preta é muito importante; ele determina como você se desenvolverá como faixa preta.

Em meus muitos anos de ensino, tenho notado que os estudantes que estão unicamente preocupados em obter uma faixa preta se desencorajam facilmente, tão logo eles percebem que é mais difícil obtê-la do que imaginavam. Estudantes que vêm apenas pela prática, sem preocupação com graduações ou promoções, sempre seguem bem. Eles não são abatidos por objetivos irrealistas ou sem profundidade.

Existe uma famosa estória sobre Yagyu Matajuro, que foi um filho da famosa família Yagyu de espadachins do Japão feudal, no século XVII. Ele foi expulso de casa por sua falta de talento e potencial, e tornou-se discípulo do mestre espadachim Tsukahara Bokuden, com a esperança de atingir a maestria na espada e reaver sua posição no clã Yagyu. Em sua entrevista inicial, Matajuro perguntou a Bokuden, “Quanto tempo levará para que eu me torne um mestre na espada?” Bokuden respondeu, “Oh, cerca de cinco anos se você treinar com afinco.” “Se eu treinar duas vezes mais duro, quanto tempo levará?” tornou Matajuro. “Nesse caso, dez anos”, respondeu Bokuden.

Encontrando um Foco

O que você deve focar, se você não está concentrado em obter sua faixa preta? É mais fácil dizer que fazer, mas você deve focar sua energia na prática. Porém, pensar, “Eu vou me concentrar em meu treinamento para obter uma faixa preta”, é simplesmente brincar com jogos mentais que ao final conduzirão você ao desapontamento.

Você pode pensar simplesmente “Vou esquecer as graduações completamente”? Você pode dizer simplesmente a si mesmo que nunca irá atingi-las? Você sempre estará ligado à sua faixa preta, permitindo a essa ideia persistir em sua mente? Em outras palavras, você pode simplesmente concentrar-se em seu treinamento sem se preocupar com nada mais? Pode você finalmente perceber que uma faixa preta é nada mais que “algo para segurar suas calças”?

Você deve perceber também que embora você domine todos os pré-requisitos, o número correto de técnicas, todas as formas requeridas, e tenha o número apropriado de horas de treinamento, você pode não se qualificar para a faixa preta. Alcançar faixa preta não é uma questão quantitativa que pode ser medida ou pesada. Sua faixa preta tem a ver com você como pessoa. Como você se conduz dentro e fora do dojô, sua atitude com seu professor e seus colegas estudantes, seus objetivos na vida, como você enfrenta os obstáculos que lhe aparecem, e como você persevera em seu treinamento, são todas importantes condições para a faixa preta. Ao mesmo tempo, você se torna um modelo para outros estudantes e eventualmente atinge o status de professor ou instrutor assistente.

Alcançando o Foco no Treinamento

Como nos mantermos focados em nosso treinamento? Treinar com êxito significa, em grande medida, que nós observamos nossos atos de um modo racional e realista. Frequentemente não estamos contemplando objetivos realistas, mas sonhos e ilusões. Você que praticar artes marciais como um caminho para melhorar a si próprio e a sua vida, ou você está motivado pelo último filme de ação? Sua prática é motivada pelo desejo de iluminar-se, ou para imitar os atores de filmes marciais? … Essas pessoas são quem são por seus próprios esforços. Você é você mesmo. Todos nós temos nossos heróis, nossos modelos e sonhos, mas temos de separar fantasia de realidade se nosso treinamento deve ser significativo e bem-sucedido.

Atingindo a Faixa Preta

Pense sobre perder a faixa preta, e não em ganhá-la. Sawaki Kodo, um mestre Zen, frequentemente dizia: “Ganhar é sofrimento; perder é iluminação.” Se alguém perguntar a diferença entre praticantes de hoje e do passado, eu responderia que os praticantes do passado viam o treinamento como “perda”. Eles abandonavam tudo por sua arte e sua prática. Famílias, trabalho, segurança, fama, dinheiro, para desenvolverem-se a si próprios. Hoje, eles apenas pensam em ganhar. “Eu quero isto, eu quero aquilo.” Nós queremos praticar artes marciais, mas também queremos dinheiro, fama, telefones celulares e tudo que qualquer um possa ter.

Quando o estudante olha seu treinamento do ponto de vista da perda em vez do ganho, ele se aproxima do espírito da maestria, e verdadeiramente torna-se valoroso como faixa preta. Só quando você finalmente desiste de seus pensamentos sobre exames e faixas, troféus, fama, dinheiro e a própria maestria na arte, você alcança que o mais importante é sua prática. Seja humilde, seja gentil, cuide dos outros e ponha a todos adiante de você. Estudar arte marcial é estudar você mesmo – seu verdadeiro Eu. Isto nada tem a ver com graduações. Um grande mestre Zen disse uma vez: “Estudar o Eu é esquecer o Eu. Esquecer o Eu é compreender todas as coisas”.

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Colaboração:

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www.aikidope.com.br

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Nunca é demais lembrar…

10/01/2013

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Mais um ano de treino se inicia e a boa convivência no dojô, e fora dele, deve ser uma busca constante. Para tal, o IMPRESSÕES-AIKIDÔ apresenta abaixo algumas normas de etiqueta e conduta para serem seguidas nos dojôs de Aikidô, por iniciantes e graduados, e que podem ser utilizadas, também, no seu dia-a-dia.

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Etiqueta

As atitudes apropriadas desenvolvidas no treinamento de AIKIDO devem ser constantemente praticadas a partir da vivência e dos relacionamentos que cultivamos no DOJO.

Apesar de vivermos em uma cultura diferente da qual o AIKIDO foi criado é necessário ter em mente que a prática, os protocolos e a etiqueta do DOJO fazem parte do treinamento propriamente dito, e não podem ser dissociados dos exercícios corporais.

É importante que o iniciante (kohai) observe e busque absorver as práticas e as atitudes apropriadas. Os mais graduados (senpai) por sua vez, de maneira atenciosa e compassiva, procurarão ajudar ensinando através do exemplo, reconhecendo que a prática de um caminho marcial tem sua base mais sólida nas ações e não nas palavras.

As orientações de etiqueta não são normas ou leis que devem ser advogadas de maneira mecânica ou autoritária. A ação apropriada é vazia se não está acompanhada do sentimento apropriado. O AIKIDO é uma disciplina que deve ser transmitida de coração para coração, e não há outra maneira de absorver os ensinamentos se não pelo treinamento constante.

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Conduta no DOJO

01. Todos devem proporcionar uma atmosfera positiva de harmonia e de respeito.

02. Todos são responsáveis pela conservação e limpeza do DOJO.

03. Cada pessoa tem razões diferentes para treinar e suas próprias limitações. Devemos respeitar o limite de todos, seus objetivos e expectativas.

04. O dogi (uniforme de prática) deve sempre estar limpo e em condições de higiene que não desrespeitem o colega de treino. As unhas não devem oferecer risco aos demais praticantes e todos devem estar livres de colares, pulseiras, brincos e demais ornamentos que possam proporcionar ferimentos e desconforto no treino. Não se deve mascar chiclete ou qualquer outra coisa durante o treino.

04.1 Deve-se sempre praticar com a vestimenta completa. Os alunos da faixa branca até primeiro Kyu devem sempre utilizar a faixa da cor correspondente à sua graduação. Todo YUDANSHA (portador de faixa-preta) deve, como rege a tradição, portar seu HAKAMA. A tradição deve ser mantida e só serão aceitos nos treinos sem HAKAMA aqueles que acabaram de fazer exame e ainda não receberam a indumentária ou caso tenha ocorrido algo que tenha invalidado a vestimenta.

05. Durante a circulação nas proximidades do tatami em horários de treino deve-se conservar o silêncio.

06. Se for absolutamente necessário perguntar algo ao SENSEI, vá até ele, não o chame para si.

07. Se você não é YUDANSHA seja discreto ao dar orientações aos seus colegas. Não corrija ninguém e procure a orientação do SENSEI.

08. O DOJO não se responsabiliza por acidentes ocorridos no treinamento, é de responsabilidade de cada indivíduo seguir as instruções do SENSEI e proporcionar um treinamento eficiente (livre de lesões), protegendo a si mesmo e ao colega.

09. Durante a prática treine sua prontidão e alerta, coloque-se sempre na postura formal SEIZA ou HIZAOKUMO (caso tenha problemas nos joelhos).

10. Em caso de desentendimentos durante a prática deve-se manter a serenidade e imediatamente dirigir-se ao SENSEI aguardando o mesmo em SEIZA. Em caso de acidentes deve-se evitar o tumulto e seguir diligentemente as instruções do SENSEI.

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Aikidô na FORBES

20/12/2012

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Pratique Aikidô para tornar-se um líder melhor nos negócios.

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A arte marcial japonesa, Aikido, insiste em aparecer em minha vida. Primeiro eu li que Paulo Coelho, autor de “O Alquimista”, estuda Aikido. Então falei com a diretora do programa de Liderança Autêntica Naropa, e ela disse que um mestre de Aikido se apresenta para os estudantes. Mais recentemente descobri que Michael Gelb, o escritor e treinador de desenvolvimento pessoal, é faixa preta.

Como se aplica à liderança?

Em “Aikido, Harmony, and the Business of Living, Richard Moon expõe sobre os princípios que formam a base de sua prática como coaching executivo. De um modo geral, o Aikido enfatiza a união ao invés da resistência à energia de um agressor (ou situação). Paradoxalmente, estou aprendendo a ter sucesso através da entrega.

O primeiro princípio do Aikido é estar completamente presente.

Quando sua atenção se conecta com sua experiência você está presente em sua vida.” Muitas pessoas, inclusive líderes de negócios, estão desconectados de sua experiência de vida – meditam sobre o passado ou preocupam-se com o futuro.

O segundo princípio é adaptabilidade.

Alinhe-se com a vida conforme ela se desdobra. Consciência torna possível desenvolver uma relação harmoniosa sobre o que está acontecendo. Aceite a situação, não resista.

O terceiro princípio é contribuir.

Aikido não é passivo e hamonia não implica em desistir.” De uma posição de consciência e aceitação, um líder pode sabiamente influenciar uma situação, ao invés de reagir de modo negligente. Acredito que esta é a essência da responsabilidade pessoal.

Artes marciais são uma ótima metáfora para refletir sobre desenvolvimento de liderança. Imagine uma nova geração de líderes que, diferente daqueles em dedicação exclusiva a programas de MBA, aprendem uns com os outros e com seu “Sensei” enquanto praticam em campo. Poderiam ser moldados após o treinamento com atletas de elite em CrossFit e MMA. Mais que um programa de MBA Executivo, é um processo contínuo fundamentado na teoria do desenvolvimento humano.

Veja AQUI o link para o original

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Tradução de CaduSenshin Aikidô

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O Aikido e o Mar – Por Fernando Avelino*

01/12/2012

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Fui à praia pela manhã dar uma caminhada, alongar, e tomar um banho para tirar as mazelas e relaxar. Quando eu menos espero me pego pensando em Aikido após levar vários caldos das ondas. Estava relaxado, só entrando no mar sem foco e levando porrada das ondas quando involuntariamente usei um movimento de furar a onda e ir para trás dela. Nada demais a princípio, até que junto com esta veio uma segunda e me derrubou.

Eu comecei a refletir sobre isso, e me lembrei do treino de ontem que o Sensei usou espada, e nós desviávamos do golpe saindo da frente da espada avançando para as costas do atacante. Vi que o movimento de furar a onda seria o mesmo princípio, você anteciparia a quebra desta, indo para trás dela para sair do caminho do fluxo e a onda acertar o vazio. Nisso eu me pego trocando e trocando de base, girando, indo, voltando e percebi que estava me harmonizando com o mar. O mar empurrava, ao invés de travar ou ir contra o fluxo deixava ele me empurrar quando ele perdia força eu avançava, quando a maré me puxava eu ia e quando ela subia para quebrar eu passava por ela. Se ela me fazia girar não resistia e apenas trocava a base e continuava de frente para ele. Vi que dessa forma eu permanecia praticamente no mesmo lugar e sem gastar energia, ao contrário de quando se quer brigar com o mar e quando se vê a maré levou vários metros e você se cansou em vão. Achei essa “viagem” muito interessante e comecei a pensar como se eu fosse um Uke recebendo as técnicas.

Eu por estar iniciando ainda me pego me movimentando pouco por estar querendo olhar a técnica enquanto ela é aplicada em mim ao invés de estar sentindo o movimento e ver pra onde está indo o fluxo. Lembrei do Sensei em seus treinamentos sensoriais nos treinos de Aikido Funcional e então continuei me harmonizando com o mar só que dessa vez com os olhos fechados explorando audição, tato e noção de localização. Gira, avança, volta, vai, gira de novo… Depois de um tempo resolvi abrir os olhos e notei que o meu deslocamento do ponto inicial para onde eu parei quando abri os olhos foi equivalente ao que eu tinha tido com os olhos abertos. Saí um pouco da água, fiquei olhando o mar e pensando: “Cara, to ficando doido, Aikido e mar? Nada haver.” E então lembrei do último texto da nossa querida CrisB analisando a gentileza do Aikido em um jantar de Yakissoba e vi que os princípios são aplicados em todos os momentos de nosso dia a dia, só precisamos nos abrir para perceber. E essa percepção é que enriquece nossa arte, mas para que ela enriqueça precisa ser dividida para que sejam somadas novas percepções.

Se alguém testar, por favor, divida com todos as suas impressões. Obrigado a todos e grande abraço.

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*Fernando Antonio Avelino – É faixa-branca (6º Kyu) da Academia Central de Aikidô de Natal.

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Impressões de um iniciante na Arte da Paz – Por Fernando Avelino*

05/11/2012

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“Eu não pensei em título, mas essa foi uma sugestão do meu amigo Sensei Vinicius Brasil

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Um mês aproximadamente de treino e a impressão que dá é que eu não sei de nada ainda, isso dá agonia as vezes. Mas ao mesmo tempo é interessante pensar assim, pois tudo que é passado é algo novo. Cada repetição é uma nova percepção do mesmo. “Pera”, “Calma”, “Então”, “Tá certo?”… Repito essas expressões o tempo todo tentando entender o desenho do movimento, se é avançando pela lateral, se é recuando para desequilibrar, se o braço gira para dentro ou para fora, por baixo ou por cima… Preocupar-me-ei quando começar a fazer os movimentos de forma mecânica e perder a diversão do aprender.

No começo estranhei a ritualística, não sou muito fã de “receber ordens”, tanto que fugi do exército pra não ficar ouvindo grito de graça. Mas no Aikido eu vi que isso é diferente, você não se curva ao Sensei por medo ou por “obrigação”, e sim por respeito e agradecimento. O Sensei não lhe dá “ordens”, ele lhe guia expondo as técnicas e supervisionando a sua execução, e tudo com o clima de amizade.

Eu iria começar a ler alguns livros que existem no site, mas preferi escrever esse texto antes de qualquer leitura para não influenciar a minha escrita. Ao contrário de outras artes que visam o combate, para mim o Aikido visa o crescimento pessoal fortalecendo corpo e espírito. Alguns acham que só as técnicas são importantes, mas não é só essa parte que importa no treino, a interação, a troca de experiência, a gentileza de se deixar levar ao chão para que outro aprenda uma técnica e poder ter essa gentileza retribuída, essas peculiaridades executadas de forma tão natural na nossa arte moldam o ser humano que a pratica em sua essência.

Eu agradeço imensamente aos Sensei(s) pela oportunidade do treino e pelos conhecimentos adquiridos, mas não posso esquecer dos meus companheiros de tatame, cada um de sua forma ajudam ao próximo nesse aprendizado. Em um dos treinos um faixa-preta se dispôs a direcionar o seu tempo para ao invés de estar exercitando as técnicas estar me ensinando alguns princípios básicos de pegada, de aproveitar o fluxo, se harmonizar.

O Sensei, em uma ocasião, viu que não estávamos praticando o que ele havia passado, mas ao invés de chamar para a técnica ele percebeu a interação que estava rolando e sorriu, nesse momento eu percebi que ao invés de estar aborrecido o faixa-preta estava feliz também por estar dividindo conhecimento e aí relaxei e o aprendizado fluiu. Esses pequenos atos nos tocam de forma que não percebemos. No dia seguinte estava fazendo dupla com uma faixa-branca, e aquilo que tinha aprendido um dia antes eu espontaneamente estava dividindo com ela. Quando ela assimilou o que eu estava passando aquilo me deu felicidade e eu me toquei de duas coisas: 1- que aquilo havia sido aprendido com aquele faixa-preta e entendi o prazer que ele estava sentindo enquanto ensinava; 2 – que enquanto isso acontecia havia um outro faixa-preta ao lado com um olhar satisfeito.

Para mim está sendo uma experiência maravilhosa, de aprender, dividir, cuidar do amigo se preocupando em não machucá-lo. Eu só tenho a agradecer a acolhida nessa nova família.

DOMO ARIGATO GOZAIMASHITA!

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*Fernando Antonio Avelino – É faixa-branca (6º Kyu) da Academia Central de Aikidô de Natal.

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Formas de Tratamento – Por Marcos José do Nascimento

24/09/2012

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Usual, no ambiente do Dojo, os praticantes dirigem-se uns aos outros valendo de termos em japonês, até mesmo nas formas de tratamento.

As artes marciais japonesas oriundas dos samurais trazem componentes de hierarquia, formalidades que foram adaptadas à realidade da mudança de uma forma de combate em campo de batalha para uma arte marcial adaptada ao modo de vida civil, preservando, contudo, algumas características peculiares, dentre elas a forma de seus praticantes dirigirem-se uns aos outros.

Dentre os termos usualmente empregados, destacamos: Shihan, Sensei, Senpai e Kohai, buscando explicar o uso de cada um da forma o mais adequada possível.

Shihan significa Mestre é usado para os faixas pretas a partir do 6º Dan, como também é usual entre os que são faixas-pretas inverter a ordem da palavra Sensei em se referindo aos que ocupam o grau igual ou superior ao do 6º Dan. Exemplo, quando algum praticante por deferência ou obedecendo a hierarquia usada no Dojo refere-se ao faixa-preta que ensina ele o trata com o título de Sensei seguido do nome, ocorre que em algumas situações os faixas-pretas referem-se invertendo o nome, colocando-o à frente do título de Sensei, como por exemplo, em lugar de afirmar Sensei Peres dizem Peres Sensei para quem detém título a partir de 6º Dan.

Sensei é o faixa-preta até 5º Dan que ministra aulas de arte marcial, contudo, o tratamento é usado para os detentores de Kyu (grau de aluno) ou de Dan (grau de faixa preta) que o conheceram a partir da faixa-preta, ou seja, não travaram contato com o detentor quando ostentava grau de Kyu (faixas coloridas).

Senpai é o aluno mais antigo, que pode ou não ser faixa-preta, desde que os que a ele se dirigem tenham-no conhecido antes de ser detentor da graduação de faixa-preta. Assim, quando se tem dois praticantes num mesmo ambiente em que se conheceram desde a fase das faixas coloridas em que um se gradua em faixa-preta e o outro lhe segue após, sendo o primeiro mais graduado em Dan, o mais moderno dirige-se a ele usando o tratamento de Senpai, tendo em vista que os dois são, respectivamente, Senpai e Kohai um do outro, bem como tiveram como Sensei comum aos dois uma terceira pessoa.

Kohai é o aluno mais moderno, que tanto pode ser faixa-preta ou faixa colorida, dependendo da pessoa que lhe serve de referência. Assim, quando se tem num Dojo vários faixas-pretas que tiverem como Sensei o mais graduado de todos, o mais moderno é o Kohai dos outros que não o Sensei, e da mesma forma o raciocínio vale para os faixas coloridas entre si, e dos faixas-pretas para com os faixas coloridas.

É importante ter em mente a clara ideia de cada conceito para o melhor uso da forma mais adequada e correta de dirigir-se à outra pessoa no Dojo, a partir das formas de tratamento que devem ser usadas.

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Referência:

01 – Glossário de Palavras Usadas no Judô do Brasil – Mafra, M. José Carlos M. – 7º Dan.

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*Marcos José do Nascimento – Servido Público Federal – Faixa-Preta de Judô e Aikidô – Aluno da Academia Central de Aikidô de Natal

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Parabéns Yondan !!!

04/09/2012

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O Blog I M P R E S S Õ E S – A I K I D Ô parabeniza James Carlos da Silva AraújoSensei James – da Academia Central de Aikidô de Natal pela conquista do seu 4º Dan de Faixa-Preta em Aikidô, ocorrido na última semana em São Paulo, no evento de 49 anos de Aikidô Kawai Shihan no Brasil.

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Parabéns Sensei !!!

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Colaboração: www.impressione.wordpress.com

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É apenas o início, e não fim

25/08/2012

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“Conta-se que no grupo de pessoas próximas a J.F.Kennedy, nos anos 60, se propôs que a década não ia terminar sem que o homem chegasse à lua. E conseguiram! Mas depois, um número importante de cientistas caiu na depressão e loucura, inclusive no suicídio. Seu propósito era excelente, mas não estava vinculado a um objetivo mais alto. Se fazemos uma comparação com a prática do Aikidô, acontece que muita gente toma como finalidade chegar à faixa-preta. E depois produz um vazio. E na verdade, a faixa-preta é o primeiro degrau. É como aprender a ler e depois nunca mais abrir um livro.”

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Trecho do livroAikido, o desafio do conflito.

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Um comentário – Por Marcos José do Nascimento

21/05/2012

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O texto que segue foi um comentário interessante feito no post “Sou faixa-preta. Quero dar aula. E agora? Seja um Voluntário – Por Marcus Vinicius Andrade Brasil”, por um leitor/colaborador do  I M P R E S S Õ E S – A I K I D Ô. Segue para a leitura e comentários. 

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“No Judô, há uma maior liberdade quanto a isso, pois tenho visto ao longo dos anos alunos que se graduam faixa marrom e já iniciam atividades ajudando os seus Senseis. E a partir de Shodan (primeira graduação de faixa preta) já podem dar aulas.

Eu mesmo atuo como Sensei na ausência do titular dos treinos da turma de Master da Higashi no CONACAN, como também faço palestras sobre a História do Judô, quando convidado. Já ministrei algumas no curso de formação para faixas pretas (1º e 2º Dan) da Federação de Judô do Rio Grande do Norte, como também já ministrei aula de história de Aikido para alunos do curso de Educação Física da UFRN e aula de iniciação ao Aikido (movimentos e técnicas básicas) uma vez.

Não me considero de maneira alguma uma autoridade nas duas artes marciais, mas creio que, a partir de faixa marrom, tanto numa quanto noutra arte marcial, o aluno já está em condições de ministrar os ensinamentos básicos ao iniciante, pois de outra maneira haveria então que se duvidar também da formação que lhe foi ministrada por quem lhe conferiu a graduação alcançada. Como também creio que acima de tudo deve prevalecer, além do cuidado com transmissão da arte, a divulgação da arte, que é importante, e ela, em si, a arte, é sempre maior do que todos nós.

Qualquer pessoa, por maior que seja a sua graduação não é proprietário dela, de um segmento dela, e caso assim se julgue está, no mínimo, equivocado, pois todo o conhecimento por essa pessoa alcançado, mesmo fruto de seu esforço, vem de muito longe, de muitas outras incontáveis pessoas que lhe precederam nesse caminho. É o que penso.”

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*Marcos José do Nascimento – Servido Público Federal – Faixa-Preta de Judô e Aikidô – Aluno da Academia Central de Aikidô de Natal e da Judô Higashi.

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AIKIDO – UM CAMINHO E UM APRENDIZADO QUE NUNCA SE ESGOTA – Por Aleksej Marques

03/04/2012

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Comecei a treinar Aikido em 1999 com Rodrigo Sensei. Mas o meu primeiro contato com o Aikido se deu alguns anos antes, 5 anos para ser mais exato através do cinema, com os filmes Difícil de Matar (Hard to Kill) e Nico Acima da Lei (Above The Law) com o então estreante Steven Seagal, já praticamente de Aikido e Sensei, além de outras artes marciais. Eu era praticante de Karatê Shotokan e só conhecia a as artes de pancada, com golpes traumáticos, como chutes e socos. O que mais me impressionou quando vi o Aikido, foi que os adversários vinham com toda força e vontade para atacar o personagem de Seagal Shihan e literalmente encontravam o vazio e se estabacavam no chão ou em alguma parede próxima. Eu fiquei impressionado, mesmo pensando que poderia ser efeitos de câmera ou a ficção de Hollywood (de fato não era).

Fiquei louco pra aprender a técnica mágica de derrotar qualquer oponente usando o mínimo de força e utilizando-me da força bruta do meu oponente contra ele mesmo.

Mas o que parecia ser muito fácil, na realidade era muito difícil, porque o Aikido é uma arte simples e lógica em seus movimentos. Os movimentos do Aikido são totalmente naturais e obedecem ao sentido de nossas articulações. Nada mais simples correto? Não !!! Que coisa difícil. O nosso corpo nos primeiros treinos simplesmente dói todo, somos desengonçados, sem leveza, sem graciosidade nenhuma. Caímos no chão como pesados como pedras. Porém, a persistência e o treino constante, pelo menos 3 vezes por semana, aos poucos surte o efeito esperado.

A nossa mente também não assimila de pronto toda a simplicidade e toda complexidade dos movimentos do Aikido concebidos pelo eterno Mestre O-Sensei Morihei Ueshiba. Ao fazer os movimentos de Tenkai Ashi, Tenkan e Irimi Tenkan, sempre me atrapalhava. Ao final de cada treino me sentia mais burro, e ficava me perguntando, será que eu nunca vou aprender a fazer isso, entretanto, só vim a perceber que estava evoluindo na arte, mais de 6 meses depois de treinos constantes. Nós treinávamos quase todos os dias, de segunda à sexta e aos domingos havia o treino geral para congregar todas as turmas. Muitas vezes ficávamos depois dos treinos até altas horas da noite na ACAN que funcionava nessa época em cima da Drogaria Amadeus na rua da Carreta Churrascaria. A gente chegava em casa exausto, mas valia pena e era um tempo muito feliz. Tempos bons…

Me lembro muito de que tinha uma dificuldade enorme em aplicar Yonkyo. Para mim até hoje é umas das técnicas mais difíceis do Aikido, porque exige não só técnica, mas focalização da sua energia no ponto certo do braço do seu Uke. Isso é o mais importante ao meu ver.

Um único conselho que eu posso dar aos iniciantes na arte: TREINEM. SEMPRE. As dores fazem parte, o cansaço também e muitas vezes bate o desânimo, mas a recompensa, que não é a faixa-preta, até porque faixa só serve para segurar as calças, é a melhoria e o crescimento não só do seu corpo, mas o seu engrandecimento como ser humano, como pessoa que se conhece e que procura a cada dia se melhorar e ser mais útil para os outros e feliz.

 *Aleksej Marques – 1º Kyu (Faixa-Marrom) – Servidor Público e praticante de Aikidô em Natal/RN.

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Projeto Aula Aikidô – Academia Central de Aikidô de Natal

29/06/2011

A Academia Central de Aikidô de Natal, na pessoa do Sensei Sérgio Pellissari – 3º Dan Aikikai – está lançando o Projeto Aula Aikidô.

Aula Aikidô é um projeto para desenvolvimento das habilidades técnicas, de percepção e liderança para alunos de Aikidô de nível avançado.

Poderão se inscrever no Projeto os alunos entre 1º kyu e 2º Dan, que, durante uma hora e meia, duas vezes por semana, ministrarão aulas na Academia Central de Aikidô de Natal.

O Projeto não foi idealizado para formar professores, é aberto a todos aqueles que queiram desenvolver suas habilidades em Aikido e que façam parte da graduação citada acima.

Os alunos inscritos deverão desenvolver previamente suas aulas a fim de executá-las nos dias propostos. Estes poderão realizar suas pesquisas dentro da própria academia, consultando os professores, através de livros e vídeos e ainda quaisquer outras fontes, desde que se apresentem técnicas e princípios do AIKIDÔ.

Como parte da condição para ingresso, o aluno que se candidatar deverá apresentar uma pesquisa mínima sobre etiqueta e comportamento dentro da arte do Aikidô.

Ao início de cada semana o aluno candidato aos treinos deverá apresentar à direção da Academia Central de Aikidô de Natal seu plano básico de aulas.

O plano deverá ser seguido como estrutura base do treino e nele deverá constar a forma como o treino será dividido e conduzido, os princípios que o aluno visa demonstrar e as principais técnicas propostas para desenvolver tais princípios. Variações técnicas serão aceitas desde que sigam os princípios propostos anteriormente.

Os planos de aulas serão arquivados junto com as informações de cada aluno de forma a construir um histórico. Os alunos poderão ter acesso aos próprios arquivos para acrescentar novos planos ou notas. No futuro os históricos serão disponibilizados na biblioteca da academia para consulta de todos.

Notas particulares sobre como o aluno vê os princípios e as técnicas poderão ser acrescentadas aos planos básicos de aulas como introdução e ou conclusão a fim de enriquecê-los. Ficará a critério de cada aluno agregar tais notas, se a cada plano ou em período de tempo determinado pelo próprio aluno.

Haverá sempre um faixa-preta experiente responsável pela turma, este é orientado a não intervir nos planos de aulas dos candidatos, desde que não coloquem em risco a integridade dos praticantes.  Na presença de iniciantes, caso seja necessário, o responsável pela turma poderá orientar o candidato através de conselhos.

Por fim, aquele aluno que se interessar em participar do Projeto Aula Aikidô deverá dirigir-se à secretaria da Academia Central de Aikidô de Natal, fazer a inscrição, receber as diretrizes a serem seguidas e preencher o horário a que se propõe dar sua aula.

Colaboração: www.aikidorn.com.br


AIKIDÔ, Um Amor Maior – Por Odorico Martins

08/04/2010

Meu primeiro contato com o Aikidô, como muitas pessoas, foi através de um livro. As imagens e a proposta enunciada soou em minha mente como algo que sempre esteve em mim, apenas estava adormecido.

Minha primeira vivencia com o Aikidô trouxe o caos a todos os meus conceitos pré estabelecidos. Começou a cair por terra tudo o que eu conhecia.

Era o começo de uma nova vida. Vida que hoje eu não consigo conceber sem ele.

Passei por diversos lugares, pois a mudança sempre fez parte de minha vida e isto me fez conhecer diversos professores (Sensei), alguns com técnicas apuradíssimas, outros também. Mas não quero me deter a nenhum em particular pois estaria sendo injusto, visto que cada um deles contribuiu de alguma maneira para o meu crescimento pessoal.

Hoje quero me deter apenas em um lugar. Lugar este onde aprendi o AIKIDÔ em sua expressão máxima, expressão esta que eu denomino AMOR.

Este lugar é NATAL. Academia Central de Aikidô de Natal. Um lugar inesquecível.

Lugar onde realmente descobri o que é SER humano. Lugar onde a graça dos movimentos se funde a beleza dos seres humanos. Falo beleza em um plano maior que apenas a estética. Falo sobre a beleza da amizade, da compreensão, da honra e do respeito.

Lá conheci pessoas fundamentais para minha vida e estas eu nunca esquecerei. Mais uma vez não quero citar nomes, pois senão começaria uma genealogia bíblica, visto que a ACAN tem muitos alunos e não menos professores. Mas este grande número deve-se ao prazer que o local proporciona, pelo aprendizado responsável e humanitário, assim como pelo simples convívio entre os participantes.

Tudo lá me encantou, tudo foi HARMONIA.

Sinto-me honrado em ter feito parte deste meio, de ter convivido com pessoas de tamanha qualidade.

Hoje tenho dado vários shomen uti’s na saudade, sufocado com yonkyos a tristeza de não estar mais aí.

Dou aula no Rio Grande do Sul, na cidade de São Leopoldo, e tem sido muito difícil para mim treinar em virtude das distâncias que me separam dos dojôs .  Carrego comigo apenas os ensinamentos daqueles que saudei ONEGAISHIMASSU e treinei. Levo em meu coração a pureza dos sentimentos que o AIKIDÔ exige. Carrego em minha alma o AMOR que sinto por cada um de vocês.

DOMO ARIGATO GOZAIMASHITA.

*Odorico Martins é graduado em Aikidô (Faixa-Preta 1º Grau – Shodan) pela Academia Central de Aikidô de Natal 

Colaboração: www.impressione.wordpress.com


Aikidô e o Princípio da Mente Vazia – MUSHIN – Por Marcus Vinicius Andrade Brasil

31/03/2010

Aquele que se aventura aos estudos das artes marciais, seja ela qual for, se depara, na maioria das vezes, com termos até então estranhos ao seu cotidiano. O próprio termo DO (caminho), termo presente no nome da maioria das artes japonesas – marciais ou não – como Kyudô, Karatê-Do, Judô, Shodô e também no Aikidô, além de indicar caminho, senda, é indicação de algo muito mais amplo, que seja, a própria vivência, a busca, o espírito incessante de se chegar próximo à perfeição naquilo que se propôs a fazer. É na realidade uma situação mais espiritual que física.

No Aikidô, dentre os termos usados tem um, em particular, que é pouco falado na sua literatura específica, mas bem difundido nos escritos Zen e sempre citado nas classes de Aikidô durante os treinos – O Mushin.

O Mushin, em sua etimologia, nasce da união de dois kanjis – Mu, vazio ou nulo e Shin, coração ou mente. Em tradução livre pode-se dizer que Mushin é mente vazia. Quem, em classes de Aikidô, nunca ouviu o Sensei falar em deixar a mente vazia?  Na maioria das vezes o mestre explica que se deve deixar a mente vazia, não pensar em nada (bem difícil para os ocidentais); não se ater a partes e ao mesmo tempo ver o todo. Explica ainda que se deve aguardar a ação do colega de mente vazia (não esperar nada de forma pré-estabelecida) e que em vista de tal atitude vem a facilidade na aplicação da técnica, pois o praticante não se atém a determinada forma e nem a determinada atuação do outro, fazendo o movimento fluir assim como os pensamentos, ou seja, deixa passar o ataque e adequar a defesa.

Mushin foi definido pelos estudiosos do Zen como um estado de consciência inconsciente ou de inconsciência consciente, o indivíduo está presente e ausente ao mesmo tempo. O vazio é o não apego, é a concentração no todo e não na parte, é o adequar-se, é, a grosso modo, o “fazer no automático”.

E como se chega ao Mushin? Como se chega ao ponto de fazer sem sentir o que faz? (Observe-se que não sentir o que se está fazendo não está ligado com a inconsciência pura, a consciência está adormecida, mas presente e sem interferir na ação). Como em todas as artes, é com o treino perseverante. Já disse em outras épocas o Guerreiro Espadachim Miyamoto Musashi: “tempere a si mesmo com mil dias de pratica e refine-se com dez mil dias de treinamento”.

Assim, partindo-se do pressuposto que não se deve, no Aikidô, separar a mente e corpo, e que o praticante deve estar integral na prática da arte, a percepção do Mushin vem a ser bem difícil.

Vê-se que o Mushin não pode se dissociar e passar para uma disciplina essencialmente mental ou essencialmente física. Não se pode atingir o Mushin através da razão pura e simples. No Mushin a mente não se prende a pensamentos, eles vêm e vão, a consciência passa a fluir livremente, de objeto a objeto, de sensação a sensação. Também não se deve controlar o corpo pela mente. O termo mente vazia determina que ela nunca está ocupada com uma determinada idéia, com concepção ou distinção, pelo contrário, por ela tudo passa e nada se fixa.

No Aikidô usamos o Mushin, e também podemos chegar ao Mushin através dele.  A fixação em pensamentos é uma tentação. Com o treinamento constante da arte do Aikidô podemos, com a prática, eliminar os pensamentos na aplicação das técnicas. O treinamento constante leva ao desprendimento e a simples atitude do fazer. É o “algo” que age, dogma difundido no Zen e no Cristianismo – “não sou eu que faço as obras, é o pai que as faz em mim; eu, de mim, nada posso fazer”. O treinamento constante da mente e do corpo leva o Aikidoca simplesmente a fazer o que deve ser feito e não conjecturar se deve fazer ou não.

No treinamento, cada ataque e cada defesa levam o praticante a se familiarizar com os movimentos e cada nova tentativa é uma chance de se não pensar em nada e agir. O praticante que fica a remoer uma técnica, seja bem ou mal aplicada e que poderia ter feito desta ou daquela forma, não está em conformidade com o Mushin. O Aikidoca que faz a movimentação de forma fraca e temerária vai levar esta fraqueza para a próxima tentativa; e se fez a movimentação de forma brilhante e objetiva também levará tal sensação para o próximo passo. De uma forma ou de outra será influenciado na aplicação da nova técnica que virá. Mas o Aikidoca que deixa a técnica, mal ou bem executada, de lado e parte para nova tentativa, livre de intenções e de definições, do início, e de mente limpa para a nova e única experiência, este sim, está no caminho do Mushin.

No Livro a Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen , o autor, Eugen Herrigel, descreve um estado que se observa, sem muito esforço, como sendo o Mushin:

Não se pensa em nada de definido, quando nada se projeta, deseja ou espera, e que não se aponta em nenhuma direção determinada… esse estado fundamental livre de intenção e do eu, é o que o mestre chama de espiritual

O Mushin “surge” quando o Aikidoca, que age, está separado do seu ato e os pensamentos não interferem no que ele faz. O ato (físico) inconsciente (mente) é o mais livre e descontraído de todos. Deixar a mente fluir, não se ater a partes ou pensamentos leva a respostas instintivas e prontas.

Na prática, quando se pensa em exibir perícia ou fazer uma bela apresentação diante dos mestres, o consciente do Aikidoca interfere no desempenho do físico e este vem a cometer erros. É necessário se eliminar da mente a sensação de que se está fazendo aquilo. A mente precisa mover-se entre as técnicas e suas passagens de forma que não se atenha nem nelas, nem na platéia e nem no colega que junto está na apresentação. No instante em que o Aikidoca está consciente do que está tentando, a fina força, fazer, o equilíbrio se desfaz e este simples momento de desarmonia interrompe o fluxo da movimentação. A atenção demasiada em algum ponto fará o Aikidoca se fixar naquilo que é apenas passageiro e assim travar o movimento.

O Mestre Zen Takuan Soho, em sua obra a Mente Liberta – Escritos de um Mestre Zen ao um Mestre de Espada – fala sobre o poder negativo de se prender a mente em um ponto.

“Se a pessoa situa sua mente na ação do corpo do oponente, sua mente será capturada pela ação do corpo do oponente”. 

Então, onde situar a mente? O próprio Takuan responde:

“Se não a situares em lugar nenhum, ela irá todas as partes do teu corpo e o preencherá inteiramente”.

E continua:

“Se tu te decidires por algum lugar e lá situares a mente, ela será capturada por este lugar e perderá sua função. Se a pessoa pensar, ela será capturada por seus pensamentos. Portanto, deixa de lado os pensamentos e a discriminação, lança a mente para fora do corpo inteiro e não a fixe nem aqui nem lá; então, quando ela visitar os vários lugares, ela realizará a função própria e agirá sem erro”

A mente presa é a uma das maiores armadilhas em que o artista marcial pode cair. Para não se prender nisso ou naquilo, em movimentos ou técnicas, em platéias ou no ego, além do treinamento árduo e a prática constante, há de se haver o desprendimento da mente na ação – O Mushin.

Por fim, observamos que o Mushin, além de importante princípio a ser seguido é atitude difícil de ser adquirida, é um princípio importante na prática marcial do Aikidô, mas, em contrapartida, atitude rara de ser observada. O treinamento constante, a prática reiterada das técnicas e o desprendimento na execução são formas de deixar a mente fluir e que podem levar ao Mushin. E você, já atingiu o Mushin?

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HERRIGEL, Eugen – A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen – Tradução do Inglês para o Português por J. C. Ismael – Ed. 23ª, 2009 – Editora pensamento – São Paulo/SP.

HYAMS, Joe – O Zen nas Artes Marciais – Tradução do Inglês para o Português por Cláudio Giordano – Ed. 1ª, 1992 – Editora pensamento – São Paulo/SP.

KUSHNER, Kenneth – O Arqueiro Zen e a Arte de Viver – Tradução do Inglês para o Português por Paulo César de Oliveira – Ed. 2ª, 1992 – Editora Pensamento – São Paulo/SP.

SOHO, Takuan – A Mente Liberta – Escritos de um Mestre Zen a um Mestre da Espada – Tradução do Japonês para o Inglês por William Scott Wilson – Tradução do Inglês para o Português por Marcelo Brandão Cipolla – Ed. 1ª, 1998 – Editora Cultrix – São Pulo/SP.

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* Marcus Vinicius Andrade Brasil é graduado em Aikidô (Faixa-Preta 4º Grau – Yondan) pela Academia Central de Aikidô de Natal

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Aikidô – Por Israel Félix de Lima Júnior

26/03/2010

Em certo momento da minha vida, onde já tinha treinado por alguns anos algumas artes marciais, soube de uma nova arte que havia feitos mirabolantes e de tamanha maestria e elegância, comecei a pesquisar cuja arte poucos sabiam em Natal/RN. O tempo passa e o universo conspira e, em um dia qualquer me deparo com panfletos informando sobre cuja arte havia iniciado a busca em outrora, logo, de prontidão vou ao dojô, assisto ao treino e de imediato decido treinar. O Sensei Rodrigo, observando minha ansiedade me pede para fazer um treino experimental primeiro, porém, decidido como uma flecha lançada, já me matriculo e começo a treinar.

A idéia de força física e a resolução de problemas através da pancada foi logo frustrada nos primeiros treinos, começo a observar que haveria sempre alguém mais habilidoso e mais forte que eu e, isso não seria propriamente força física, então, comecei a experimentar a sensação de fraqueza e tais sentimentos me mostraram que eu estava estudando algo completamente diferente e grandioso, me apaixono pela arte em que outrora ansiava tanto em conhecer.

A dedicação desprendida no decorrer dos treinos e do tempo, me fizeram ver que a força sugerida pela filosofia do Aikidô era espiritual, nesse momento descubro o quanto sou fraco e o quanto o caminho é longo e árduo. As experiências galgadas com mestres e colegas diferentes me fizeram ver o tamanho da riqueza do Aikidô e fortaleceu a minha compreensão sobre a filosofia, a força espiritual, mesmo o caminho sendo individual há necessidade da cooperação dos colegas, pois o individuo só existe porque há o todo.

Ao chegar aos dez anos de treino e ao 3º Dan, sinto como se eu tivesse dado o primeiro passo para essa longa jornada, pouco conheço sobre minha pessoa, a cada treino a cada novo colega, a cada Sensei, observo que pouco sei e que muito tenho a aprender.

* Israel Félix de Lima Júnior é graduado em Aikidô (Faixa-Preta 3º Grau – Sandan) pela Academia Central de Aikidô de Natal

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Projeto Aikidô – Escola Municipal São Francisco de Assis – Yasugi Aikidô Dojô

21/03/2010

Na manhã do sábado, 20/03/2010, a Escola Municipal São Francisco de Assis esteve mais uma vez em festa; aconteceu a primeira Troca de Faixa do Projeto Aikidô. Oito Aikidocas do Projeto, dentre os participante, foram avaliados e receberam promoção à faixa-amarela (5º Kyu).

A Banca Examinadora foi composta por 04 (quatro) membros graduados Faixa-Preta em Aikidô do Estado do RN: Sensei Sérgio Pellissari (3º Dan Aikikai) representando a Academia Central de Aikidô de Natal; Israel Lima Jr. (3º Dan Aikikai); Paulo Wanderley (1º Dan Aikikai) e Vinicius Brasil (3º Dan Aikikai) e responsável pelo Projeto Aikidô da Escola Municipal São Francisco de Assis.

Aproveitando as festividades do evento de Troca de Faixa foi divulgado aos presentes o nome e a logomarca do Dojô responsável pelos treinamentos de Aikidô na Escola Municipal São Francisco de Assis, YASUGI Aikidô Dojô.

Ainda na festividade, foram homenageadas com certificados de reconhecimento, os participantes da Banca Examinadora, bem como, a Diretora da Escola Municipal São Francisco de Assis, Maria da Natividade Moura Rodrigues e a Vice-Diretora, Roselane Praxedes, pelo bom trabalho e pelo apoio ao Projeto Aikidô e seus Voluntários.

YASUGI Aikidô Dojô

Nome em homenagem ao Mestre em Aikidô, o Sr. Reishin Kawai (conhecido no meio do Aikidô Nacional por Kawai Sensei), pessoa que foi designada pelo Hombu Dojo – Central de Aikidô no Japão – para difundir o Aikidô no Brasil e na América do Sul.

Nascido no Japão, na cidade de YASUGI, prefeitura de Shimane e falecido em janeiro deste ano em São Paulo/SP, Kawai Sensei representou no Brasil o Aikidô de Morihei Ueshiba durante 46 anos.

Assim, em reconhecimento e respeito ao Mestre Reishin Kawai, ficou determinado que o Dojô teria o nome de sua cidade natal, Yasugi, e se chamaria YASUGI AIKIDÔ DOJÔ.

Projeto Aikidô

Trabalho Voluntário, em prol das crianças do bairro de Nazaré e Bom Pastor (Natal/RN), nas dependências da Escola Municipal São Francisco de Assis, promovido por Marcus Vinicius Andrade Brasil, Advogado no RN, 3º Dan de Aikidô e Guilherme Augusto da Silva Lemos, Universitário, 1º Kyu (Faixa-Marrom) de Aikidô.

Promovidos para 5º Kyu – Faixa Amarela – no 1º Exame de Faixa do YASUGI Aikidô Dojô.

Alan Gustavo Pessoa Machado

Alyson Augusto Pessoa Machado

Josemar Veríssimo da Silva Júnior

Joyce Karoline dos Santos Hermógenes

Manoel Rafael da Silva Gomes

Maria Luiza Silva da Costa

Wesley Mateus da Silva

Weslley Leandro da Silva Freire

Para Informações sobre o Projeto Aikidô – YASUGI Aikidô Dojô, entre em contato com Vinicius Brasil e Guilherme Lemos pelo e-mail: mvabrasil@yahoo.com.br

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O Aikidô na Minha Vida – Por Giovanni Nóbrega de Paiva

17/03/2010

Sou professor de Educação Física (Judô e Aikidô) e pratiquei algumas artes marciais como: Karatê Shotokan, Kung Fu Shaolin, e atualmente pratico além do Aikidô, o Jiu-Jitsu.

Foi através do convite de uma aluna do Judô, que conheci a Academia Central de Aikidô, na época o Sensei da academia era Rodrigo Martins que foi uchideshi do Sensei Kawai. A empatia foi imediata, iniciei os treinos vivenciando no dia a dia toda etiqueta dessa arte, técnicas e um ambiente de muita harmonia, tudo muito parecido com os ensinamentos do judô.

Ao realizar as técnicas de Aikidô, percebi a sutileza e suavidade com que elas são aplicadas, e que é através dos movimentos circulares que os movimentos tornam-se ainda mais eficientes.    

Certa vez, um grande mestre estava meditando e observando a neve cair sobre as árvores, duas delas lhe chamaram a atenção: o salgueiro e o carvalho, quando a neve caía sobre os galhos do carvalho, acumulavam-se em grande volume, visto que, os galhos eram robustos e suportavam por um determinado tempo o peso da neve, mas rompiam-se bruscamente promovendo conflito, já o salgueiro era diferente ao receber a neve, por menor que fosse a quantidade, dobrava-se com flexibilidade, deixando a neve cair sem nenhum esforço e depois retornava ao estado inicial.

Com isso, o mestre verificou que ceder é mais interessante que se opor, ser flexível e adaptar-se sem confronto é melhor e gera menos conflitos, a partir dessa reflexão criou-se a primeira academia, a do coração do salgueiro.

O Aikidô por se tratar de uma arte mais sutil e suave não precisa da neve, mas da suavidade do vento para ceder sem conflito e promover uma nova perspectiva de caminho ou direcionamento, em que ambos (sem conflito e resistência) resolvem percorrer harmonicamente.

* Giovanni Nóbrega de Paiva é graduado em Aikidô (Faixa-Preta 3º Grau – Sandan) pela Academia Central de Aikidô de Natal

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A Prática do Aikidô na Infância Constrói Cidadãos de Bem – Por Hellen Suely dos Santos Lima Paiva

11/03/2010

Por se tratar de uma arte marcial não competitiva, o Aikidô tem sido procurado por muitos pais, que desejam que seus filhos pratiquem esportes que tenham essa filosofia, já que as modalidades oferecidas nas escolas são direcionadas para definição de um vencedor e um perdedor, o que expõe essas crianças ao estresse, problemas físicos e muitas vezes psicológicos.

No momento em que vivemos, sempre estamos sendo cobrados à competitividade, quer seja no ambiente familiar, escolar e nos mais variados grupos sociais, daí a necessidade da procura de “válvulas de escape” para encontrarmos o equilíbrio. É aí que entra o Aikidô, uma arte marcial que busca a cooperação, a harmonia e a necessidade do outro para concretização da técnica. Dentre tantos benefícios para as crianças e adultos, o Aikidô também trabalha o condicionamento físico, a coordenação motora fina e ampla, a concentração, disciplina, respeito e socialização.

O ambiente harmônico onde se pratica o Aikidô favorece à aquisição de todos esses benefícios, pois é nesse momento que minimizamos a agitação do dia a dia, nos concentrando na respiração e na busca da paz interior.

Nas aulas com crianças não podemos esquecer de incluir o lado lúdico, que sempre são praticados ao final dos treinos, através da inclusão de jogos cooperativos, onde o trabalho em grupo é bastante focado, dentre as brincadeiras podemos citar: coelho na toca, bandeirinha, tica corrente, tica ajuda, estafetas, entre outras.

Na Academia Central de Aikidô de Natal, além das aulas em si, também são oferecidas oficinas de Educação Ambiental e Sustentabilidade, onde além das crianças, os pais também são convidados a participar. Nesses encontros, inicialmente temos um bate-papo inicial, onde vivenciamos experiências pessoais relacionadas às questões ambientais, sobre a atual situação do planeta e o que a falta de cuidado com a nossa casa (a Terra) pode ocasionar para as futuras gerações. Logo após confeccionamos objetos, utilizando como matéria prima o resíduo descartado (o lixo) e posteriormente fazemos um lanche coletivo.

Enfim, a prática do Aikidô além do trabalho marcial e corporal, contribui também para construção de cidadãos de bem, responsáveis e produtivos para sociedade.

* Hellen Suely dos Santos Lima Paiva é graduada em Aikidô (Faixa-Preta 2º Grau – Nidan) pela Academia Central de Aikidô de Natal

Colaboração: www.aikidorn.com.br


A Respiração no Aikido – Um Caminho para a Harmonia – Por Maria Cristina Cuono Pereira

08/03/2010

“Para viver, precisamos respirar – em japonês ’kokyu’. Podemos sobreviver durante semanas sem comida, durante dias sem água, mas não podemos deixar de respirar por mais que alguns minutos.” – Mitsugi Saotome

Quando se inicia na prática do Aikido sempre se ouve do Sensei que tudo é fluido e que se deve trabalhar a circularidade para se obter energia e proteção… Esse aspecto, à primeira vista tão contraditório quando se fala em Artes Marciais – o que sempre recorre à idéia de ataques violentos em pontos vitais, reveste-se de importância capital.

Numa visão inicial, tem-se a sensação de que tudo isso não faz parte da realidade dessa arte marcial e que o necessário é, realmente, atacar o nosso oponente. Ledo engano.

Depois de alguns anos de prática, pode-se perceber toda essa circularidade, incansavelmente citada desde o início dos treinos e que mais importante do que atacar é esperar, controlar-se, buscar o equilíbrio e reforçar a proteção. Para proteger, é necessário respirar e se encher de energia qualificada, purificando cada célula do corpo.

Outrossim, com o benefício da respiração controlada, aprende-se a trabalhar a ansiedade de querer estar sempre tomando decisões precipitadas, interrompendo, com isso, o ciclo natural da energia dentro de cada um.

Quando se praticam atos violentos ou impensados, as conseqüências são logo notadas pelo excessivo desgaste, perdendo-se muito tempo e energia para, novamente, alcançar a harmonia e o equilíbrio, algo inacessível quando não se recupera a respiração e o autocontrole.

Os limites que podem ser atingidos em estados alterados, bem como a técnica que se deve utilizar para retornar ao estado de equilíbrio, dependem, antes de qualquer coisa, de se possuir conhecimento de suas próprias características. Quando se busca esse autoconhecimento, pode-se entender melhor toda a dinâmica dos movimentos que ocorrem, sempre, num macro e micro cosmos.

Nas técnicas do Aikido, todo o movimento se inicia a partir de nosso centro (micro) e se expande até envolver o outro praticante (uke) no mesmo caminho ao qual a energia vai se moldando (macro).

Dentro de todo o movimento de Aikido, sempre acontece esse pequeno e grande deslocamentos, envolvendo a capacidade de concentração na respiração. Quanto mais concentrados no fluxo respiratório dentro de si mesmos, mais se pode relaxar e ter uma consciência cada vez maior da cinemática envolvida nas técnicas.

Kokyu (respirar) é a palavra que define todos os movimentos dentro das espirais de energia trabalhadas através dos chakras e expandidas no movimento de cada técnica praticada no Aikido.

A respiração é extremamente importante para todo e qualquer movimento. Sempre que se esquece a forma correta de respirar, cansa-se mais rapidamente e se torna mais comum se desconcentrar no movimento.

Quando entendemos melhor o caminho percorrido pela respiração no nosso próprio corpo, entendemos o que é relaxamento. Se nos concentrarmos na nossa respiração e relaxarmos em cada movimento, conseguimos uma melhor desenvoltura nas técnicas e, consequentemente, um melhor condicionamento físico.

Quando não se entende o caminho percorrido pela energia da respiração no corpo, limita-se o seu desempenho, expõe-se às contusões e fraturas, além de não se aproveitar o melhor de todo o treinamento, que é o alongamento.

Ao oxigenar-se todo o corpo através de uma melhor respiração, relaxamento e alongamento em cada técnica praticada, sente-se uma sensível melhora na saúde.

Sentimo-nos mais dispostos, atentos e preparados para o dia a dia, as vicissitudes da rotina e para se vencer os maiores inimigos de qualquer um: suas próprias limitações e imperfeições.

No Aikido busca-se encontrar a verdade interior e somente se pode conhecê-la, por meio da busca incansável da perfeição. Superando cada vez mais os próprios limites, e através da respiração, expandindo a consciência para níveis cada vez mais elevados da compreensão do Universo.

Com uma maior concentração no caminho que a energia da respiração percorre no nosso interior, consegue-se superar os próprios limites, evoluindo e aprendendo cada vez mais intensamente. Nosso corpo fala e, através da respiração, consegue-se ouvi-lo e tudo ao seu tempo vai se modificando e melhorando.

Quando se percebe a necessidade de se estar atento à respiração, pode-se, realmente, começar a aprender o quê é o AIKIDO.

* Maria Cristina Cuono Pereira é graduada em Aikido (Faixa-Preta 3º Grau – Sandan) pela Academia Central de Aikido de Natal.

Colaboração: www.aikidorn.com.br


O Caminho

14/07/2009

O que é mais importante em uma jornada, o ponto de chegada, a finalização da caminhada, a consolidação do sacrifício ou a própria jornada em si?

Quando se faz um curso, uma faculdade, uma arte marcial, é comum estabelecermos metas e, mais comum ainda, focarmos na conclusão desta empreitada como meta principal. Mas onde se esconde esta conclusão, num diploma universitário, num certificado de conclusão de curso, numa faixa preta?

Quando estamos para nos formar, seja em que área ou nível, é comum pensarmos que chegamos ao topo do que esperávamos. Estudamos, graduamos todas as etapas do curso e chagamos ao final. Sentimo-nos realizados e os deslizes que cometemos durante essa caminhada são esquecidos, assim como os sucessos. Tudo deixa de ser importante face ao júbilo da formatura, da última prova, da entrega do último trabalho acadêmico. Quando seguramos o certificado de conclusão, a euforia consome todo o esforço da caminhada. Pouco tempo depois, nos deparamos com um novo dilema, estamos no mercado de trabalho, sem experiência, estagiando. Deixamos o topo para ocupar nossos acentos na trajetória profissional, no fim do ônibus. Passado mais algum tempo, quando avançamos em nossas carreiras, nos damos conta de que não aproveitamos tudo o que aquele curso, professores ou instituições tinham a nos oferecer. Quem, ao elogiar a competência de um professor não concluiu ou apenas pensou: se tivesse perguntado mais, me dedicado mais…. .Isso porque visamos “passar de ano” e o estritamente necessário para isso passa a ser o bastante.

Se considerarmos que a conclusão de um curso é apenas uma das etapas deste, passamos a valorizar cada uma dessas etapas. Se dividirmos cada etapa dessas em outras e essas em outras mais, passaremos a nos dedicar a cada dia como se fosse o último, a cada exercício como se fosse à prova final, a cada nova informação como se fosse o conteúdo do nosso curso. Com isso, a meu ver, não criaríamos alunos bitolados e estressados, mas alunos apaixonados, alunos interessados todos os dias. A arrogância do veterano não existiria e sim a consciência de que este está apenas a alguns passos à frente de seu companheiro, mas também, a quilômetros atrás de seu professor. Teríamos profissionais conscientes da situação de sua profissão, da importância dela na sociedade e da necessidade de torná-la mais completa e digna, não importando qual fosse. Seriamos mestres e aprendizes com a responsabilidade de auxiliar a que sabe menos e com a humildade, a reverência e o respeito para com os que sabem mais.

Um monge, certa vez, convidou dois discípulos para uma jornada. Cada um a faria sozinho, a seu tempo e no final dela se revelaria o maior tesouro do mundo. O caminho não era definido, mas o ponto final era o topo de uma montanha. Quando o primeiro discípulo chegou ao final da jornada, três meses haviam se passado desde a sua partida e o monge estava a sua espera.

– Pronto mestre, cheguei o mais rápido que pude, onde está o meu prêmio? – Temos que aguardar o segundo discípulo chegar para concluirmos o teste, afirmou o monge. – Mas mestre, eu fui o mais rápido passei por todas as dificuldades que o terreno apresentou, lutei com sentinelas das cidades por onde passei, persuadi e subornei exércitos de fronteira para chegar o mais cedo possível aqui, e tenho que esperar pelo meu adversário? Mas o monge foi irredutível e os dois passaram a esperar pelo segundo discípulo.

Ao final do terceiro ano eis que chega o segundo discípulo, calmo com semblante cansado, mas infinitamente mais feliz, abraçou o seu igual, fez reverência a seu mestre e sentou-se sem pedir ou exigir nada. O primeiro discípulo então esbravejou: – Eu exijo receber o meu prêmio, fui o mais rápido, o mais esperto, o mais forte e cheguei aqui muito antes que meu adversário, desde então estou aqui sem fazer nada, impaciente, sem nem o aprendizado diário das tarefas do templo que deixamos antes desta competição. O monge levantou-se, calmamente, foi até uma tina d’água, encheu dois copos com água e se pôs em frente a seus dois discípulos. Encarou o primeiro discípulo, e perguntou: O que você deseja receber? O discípulo, impaciente se viu sem resposta, concentrou-se tanto no tesouro que não fazia idéia do que esperar deste. Diante da inatividade do primeiro discípulo o monge voltou-se para o discípulo que acabara de chegar e perguntou. O que você deseja receber? O discípulo abriu um sorriso e falou: – Não desejo nada, mestre, nada que não tenha conquistado nesses três anos de jornada. Consegui ajudar famílias inteiras com os conhecimentos médicos aprendidos no tempo de reclusão, fiz amigos em todas as cidades por onde passei, uni, com conselhos, povos que punham seus exércitos nas fronteiras de seus territórios a fim de intimidar seu vizinho, evolui fisicamente, pelas dificuldades dos caminhos trilhados e cataloguei recursos e terras até então desconhecidas. Toda a minha caminhada foi o crescimento que nunca poderia imaginar. Sou-lhe muito grato por essa oportunidade.

O Monge entregou o copo d’água ao primeiro discípulo e disse: – Seu tesouro já lhe foi entregue segue seu caminho e seja feliz. E entregando o copo d’água ao segundo discípulo disse: – Já não tenho mais nada a te ensinar, volta ao templo e assume sua função como mestre, com toda honra e mérito.

Colaboração: www.aikikaizen.com.br


Primeira Turma de Aikidô de Rodrigo Sensei em Natal – Por Aleksej Nobre Marques – 10 Anos da Academia Central de Aikidô de Natal

03/04/2009

Comecei a treinar na primeira turma de Aikidô de Rodrigo Sensei em Natal. Tudo começou no final de julho para o início de agosto do ano de 1999, na Academia Higashi no CONACAN, Bairro de Candelária.

 

Me lembro de Marco, Cláudio, James, Marcinha, Elvira, Verinha, Fernanda Coe e Carol Coe, Nísia, o Ministro da Igreja de Elvira (não me recordo o nome dele), Leilton,  Alfredo. Alguns dias depois, chegou Igor e Serginho, este último, havia me telefonado e pedido informações sobre os treinos. Logo o Sérgio começou a treinar e nunca parou, até hoje, sendo atualmente um dos instrutores e dirigentes da ACAN. Tinha mais gente, mas não lembro agora. Foi lá que tudo começou.

 

Em outubro do mesmo ano, nos mudamos pra nossa primeira sede no Cidade Jardim em cima da Drogaria Amadeus e por lá ficamos por mais de 3 anos. Lá fizemos nosso primeiro exame de faixa com a presença de Rogério Sensei e Federico Sensei e lá eu me graduei até a chegar a 1º Kyu (faixa-marrom). Com pouco tempo que chegamos lá, começaram a treinar o Gabriel, Marcos e Cláudia, Cristina, Paloma e Patrick, Gil e Maíra, Sol, Pedras, Maroni, Miquéias, Gutemberg e Rodrigo. Ficamos lá até 2002, nesse ano mudamos para o local em que a ACAN funciona até Hoje.

 

Nesse mesmo ano a 1ª turma de faixas-prestas (Shodan) foi formada em São Paulo com Kawai Shihan na banca examinadora: Marco, James, Sérgio, Gabriel, Carol, Cláudio, Miquéias, Maroni, Alfredo e Leilton e Marcos são sagrados Shodan(s).

 

Fico feliz por ter participado de toda essa história e continuar participando. Saudades desse tempo? Tenho e acho que todos têm, mas uma saudade gostosa que sempre é atenuada com os treinos na ACAN e o convívio dos que estão treinando atualmente. Beijo no coração de todos. Domo Arigatô Gozaimas.

 

ALEKSEJ ALEKSANDRO NOBRE MARQUES – Técnico Judiciário do TJRN – 1º kyu  (Faixa-Marrom) de Aikidô da Academia Central de Aikidô de Natal


História de Aikidô – Por Israel Félix de Lima Júnior – 10 Anos da Academia Central de Aikidô de Natal

31/03/2009

Minha história começou numa conversa com alguns amigos no ano de 1998, destes, um tinha visto algo sobre o Aikidô e de tão impressionado que ficou começou a nos falar sobre aquela nova arte. O mesmo praticava Karatê Dô, aliás, todos naquele grupo já tinham ou estavam praticando alguma arte marcial.  A curiosidade foi tamanha entre nós naquela noite que, depois de algum tempo, começamos a procurar pelo Aikidô aqui em Natal, mas não tínhamos nenhuma informação de onde achar e as respostas eram que não havia tal coisa na cidade.

 

No ano seguinte ao passar com a namorada pelo Shopping Cidade Jardim vi um cartaz na porta da loja Esporte Master, onde trazia informações sobre aquela arte que eu buscava a quase um ano. A partir desse momento a busca foi intensa e ao achar, na parte superior de uma farmácia, convido meu amigo a me acompanhar na primeira visita. Ao chegarmos lá nos deparamos com um ambiente extremamente limpo, calmo, e harmonioso, e lá, um treino estava acontecendo. Ficamos impressionados com o quanto era técnico o Aikidô, então começamos a analisar um possível confronto entre as duas artes (Karatê e Aikidô), e observamos que eram coisas diferentes.

 

Logo me apaixono pela arte e procuro uma turma para me encaixar, tão logo me encho de felicidade fico triste, pois não havia horário na qual eu pudesse freqüentar devido minhas obrigações, mas prontamente o Sensei Rodrigo anota meu telefone e me informa que há outras pessoas na mesma situação em que me encontrava. Ele estava estudando a possibilidade de abrir uma nova turma no período da tarde. Fiquei ansioso pra que isso acontece logo.

 

Passando-se uns 15 dias, mais ou menos, recebo uma ligação do Sensei Rodrigo informando da nova turma que iria iniciar-se às 15h, e se havia interesse de minha parte. Prontamente afirmo que sim, então ele me convida para compor a turma que, no primeiro momento, seria experimental. Mais uma vez vou da glória à decepção. Eu nem sonhava que a partir daquele momento essas oscilações de sentimentos seriam constantes no “”. Estava acostumado ao Karatê onde tínhamos que ser fortes; determinados; firmes; corajosos, essas habilidades eram habituais, e a partir daquele momento iriam ser acrescentadas mais algumas, necessitando assim desenvolver a sensibilidade para conduzi-las da melhora forma, pois os conflitos eram eminentes, não com os colegas, mas comigo mesmo.

 

O tempo passa e os treinos acontecem. Mais gente vai chegando e a turma logo se mostra viável. Em pouco tempo nossa turma passa a ter os treinos mais vigorosos.  Quase todos os graduados de hoje em dia do dojô passaram pela turma da tarde, dentre eles temos, além de mim: Sensei James; Sensei Marcos; Vinicius Brasil; Aleksej Marques; Tilla Samson; Carol Coe; dentre outros.

 

O caminho vai sendo trilhado, novas pessoas chegam e outras se vão, nesse momento só tínhamos o Sensei Rodrigo como referência e isso nos fazia ficar sempre depois do treino para estudar uns com os outros, e a cada treino, a cada chá, a cada novo amigo, surgiam novos aprendizados. A busca pelo ”” é eterna e estamos a buscá-la. Muitas transformações ocorreram durante esses dez anos, mas isso também é Aikidô.

 

Disse Morihei Ueshiba, o Fundador do Aikidô:

 

Em teu treinamento, não sejas apressado, pois são necessários no mínimo dez anos para dominares o que é básico e avançares para o primeiro degrau. Nunca penses que és perfeito como mestre e que a tudo conheces; tens que continuar treinando diariamente com teus amigos e discípulos para progredirem juntos na Arte da paz.”

 

A Arte da paz pode ser resumida assim: a verdadeira vitória é a auto-vitória; que aquele dia chegue rapidamente! A  verdadeira vitória  significa uma indomável coragem; a  auto-vitória” simboliza um infatigável esforço; e “ que aquele dia chegue rapidamente” representa o glorioso momento do triunfo aqui e agora”.

 

ISRAEL FÉLIX DE LIMA JÚNIOR – Nidan (Faixa-Preta Segundo Grau) de Aikidô – Iniciou o Aikidô em fevereiro de 2000 na Academia Central de Aikidô de Natal.


Faixa-Preta e Trabalho Voluntário – Por Bete Romanzini

13/10/2008

Eu gosto de trabalho voluntário. Sempre gostei. Não acho que seja daquelas coisas que a gente deva pensar em fazer quando ficar velho, quando tiver mais dinheiro ou mais tempo. Trabalho voluntário é pra ser feito  sempre, porque tem tanto trabalho a ser feito, que não dá pra ficar escolhendo o melhor momento.

 

Fui voluntária num brechó que a Casa da Criança promoveu recentemente. Trabalhamos a tarde toda, eram muitas roupas e artigos a venda, e muitos visitantes. No mesmo dia, havia na casa uma apresentação de Taekwondo, da Academia Unidos, de Farroupilha. Final do brechó, ficamos nós, os voluntários, com os pés cansados, e aquela montoeira de roupas e móveis para arrumar e deixar a casa pronta para o outro dia. Começamos a arrumar tudo, muito rápido, coisas pesadas, cada um fazendo o que podia. Tenho a mania de me reservar o trabalho pesado, ou ele se reserva pra mim, não sei bem. Comecei a arrastar uns bancos que foram levados até o outro salão, para o Taekwondo usar. De mim se aproxima um rapaz do Taekwondo, de feições levemente orientais (coisa rara na Serra), e segura a outra ponta do banco. Sem falar nada, começamos a trazer os bancos de volta. Foram várias viagens, em total harmonia, às vezes ele conduzindo, às vezes eu. Só trocamos uma palavra, no final: obrigado. Pensei com meus botões: só pode ser um faixa-preta. Também não perguntei, mas tenho certeza que era. A energia de um bom faixa-preta, não importa de qual arte, não perde tempo perguntando o que precisa fazer. Faz. Põe a mão na massa e começa ou continua um trabalho, que, é óbvio, precisa ser feito.

 

Se você escutar alguém perguntando: o que é pra fazer? Tenha certeza: ou é iniciante, ou está querendo atenção, ou espera que alguém lhe passe um trabalhinho legal, fácil, só pra constar. Faixa-preta deve ter passado dessa fase. Simplesmente vai lá e faz, seguindo as regras do bom senso. E tampouco faz para ser um exemplo. Não! Faz porque tem de ser feito.

 

Faixa-preta é o primeiro que acorda e o último que vai dormir. Serve o copo dos outros antes do seu. Não vai embora sem limpar tudo. Não é um super herói.  Mas é uma pessoa esforçada. Sem pretender, ele dá o exemplo. Este é o exemplo positivo de faixa-preta. E temos os exemplos negativos, que existem nas artes para que a gente possa compreender como NÃO SER um faixa-preta. Tem os que pensam que o mundo inteiro tem de saber que eles são maravilhosos mestres faixas-pretas, de tantos dans, mesmo o caixa do banco tem de chamá-lo de sensei, e atendê-lo antes dos outros pobres e reles mortais. Esse faixa-preta quer que os outros lhe sirvam. Senta numa mesa separada, e enquanto os mortais tomam água, ele toma vinho, em taça de cristal. Só ele. Isso só para dar um exemplo. Se alguém se comporta assim à mesa, também se comporta assim na vida. Dá patadas em alunos, e diz que o mestre deve fazer isso. Está “educando” os alunos. Esse faixa-preta está acima das regras de boa educação e cortesia. É tão bom, que é difícil ser bom o suficiente para privar da sua companhia. Na verdade, isso é uma doença patética, da qual todos devemos, à todo custo, nos distanciar. Uma malversação do significado de servir aos outros e assim servir a si mesmo.  Para eles, é servir somente a si mesmo. E fazem isso acreditando piamente que estão ajudando os outros. E o trágico é que nunca conseguiram se educar, nem ao menos um pouquinho.  Perderam tempo e desperdiçaram os ensinamentos dos professores. Graças aos bons espíritos das artes marciais, faixas-pretas de verdade continuam a existir em todas as artes. Como aquele rapaz do Taekwondo.

 

Bete Romanzini – 42 anos, terapeuta corporal, especialidade em shiatsu. Iniciou Aikidô em Porto Alegre, com Vargas Sensei. Graduou-se faixa-preta em 2002, em São Paulo, com Kawai Shihan. Em Farroupilha e Caxias do Sul, desde 2004. Graduou-se 2º dan em 2006.

 

Colaboração: www.aikidoserragaucha.com.br


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