Carta aberta aos praticantes de Aikido do Brasil

18/09/2020

Caros praticantes de Aikido de todo o Brasil. 

Neste ano de 2020 estamos passando o que para muitos é a maior crise sanitária já enfrentada por nossa geração. Neste panorama, a prática do Aikido nos Dojo foi interrompida em todos os Estados e trouxe a tona problemas já existentes e novos desafios para a retomada regular das atividades.  

Com a retomada das aulas coletivas, autorizada em algumas cidades, enfrentaremos um longo período de recuperação que requererá de todos nós dedicação, esforço, disciplina e muito Aiki. 

Percebendo que o mundo passará por um novo paradigma após esta pandemia, seja no plano econômico, interpessoal ou individual, constatamos que a prática do Aikido não estará fora deste novo formato exigido no presente e futuro para a continuidade da prática que tanto amamos. 

Pensando nisso, pela primeira vez desde que a prática do Aikido foi difundida por aqui, os líderes das principais instituições que representam o Aikido no Brasil se reuniram para discutir o futuro desta arte marcial em nosso país. 

Questões de várias naturezas, que outrora impediam a cooperação no desenvolvimento da prática em várias regiões, foram deixadas de lado em uma iniciativa conjunta visando exclusivamente o incentivo para a prática bem como criar alternativas para o futuro do Aikido no Brasil.

Estas reuniões veem ocorrendo com frequência e nelas, os Sensei que representam estas instituições, têm dedicado seu tempo e energia para encontrar novos caminhos para tornar nossa nobre arte ainda mais forte e também que possa atingir mais pessoas por todo nosso território. Esperamos que em breve mais instituições possam aderir a esta causa para que juntos, possamos construir um novo futuro para o Aikido no Brasil.

Nestes encontros preservamos a independência de cada instituição, com um objetivo comum:  tornar o Aikido e sua prática em nosso país cada vez mais forte, acessível e viva! Assim como era o desejo do Fundador.

Em breve teremos novidades em conjunto para compartilhar com todos. 

Fiquem firmes e atentos às novas etiquetas de convívio, cuidem-se e até breve.

Assinam este documento:

Aikido Balneário Camburiú

Aikido Cercle Kiniro

Aikido Kawai

Aikido Maruyama

Aikido Paraná Brasil

Aikido Tan Ren Kai

Associação Pesquisa de Aikido

FEBRAI

Federação Mineira de Aikido

ISBRAI

Publicado em: https://aikidoleonardosodre.com.br/2020/09/17/carta-aberta-aos-praticantes-de-aikido-do-brasil/


Quando a opção modifica o comportamento: Uma Modalidade de arte marcial se diferencia das demais por oferecer filosofia de vida – Por Milena Sartorelli

24/01/2013

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O texto que segue foi enviado pelo Sensei Emerson Zacarella feito em forma de entrevista pela Repórter Milena Sartorelli. Sensei Emerson é o fundador do Dai Shizen Dojo e iniciou seu treinamento em Aikido no ano de 1996. Possui a graduação de Shodan (Faixa-Preta 1ª dan) desde 2006. É membro da FEBRAI (Federação Brasileira de Aikido) e é discípulo do Sensei Severino Sales – 6º DAN –  treinando sob sua orientação desde 2002.

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O professor é dotado de serenidade tal que – apesar de seu tamanho e feições típicas do ocidente, tem-se a impressão de estar na presença de um pequeno senhor de traços orientais. Os alunos, de frente para ele, ficam no lado oposto da sala. Todos em posição seiza. Um deles é convidado a se aproximar de seu sensei (mestre). Sem se levantar, o aprendiz rasteja pelo tatame, em um movimento alternado de pés e joelhos. Palavras de aprovação são proferidas. O aluno é parabenizado por sua mudança de faixa (Kyu); uma conquista que vem da superação não do outro pela força, mas de si mesmo pela técnica. A conquista é tomar o oponente por parceiro, a derrota dos inimigos internos e o aprendizado de uma filosofia de vida por meio do corpo.

Uma aula que começa no Brasil e termina no Japão. A todo o momento os valores de respeito e disciplina, hoje estranhos a cultura ocidental, são reforçados pelo sensei Emerson Zacarella , praticante de Aikido há quinze anos: “Muitas das artes marciais que vieram para nosso país perderam a característica da disciplina para se adaptar ao gosto do brasileiro, que adora informalidade. Aqui não. A primeira coisa que eu respeito é a disciplina, tanto é que nós ainda somo ligados ao Japão”.

Membro da Federação Brasileira de Aikido (FEBRAI) desde 2002, ele diz que certos cuidados como reverências, rituais e pontualidade de uma arte oficializada em 1948 – inspirada em modalidades como o Daito Ryu Aikijujutsu – são mais uma forma de aprendizado da paciência e humildade. “Hoje a gente vive em uma sociedade de resultados rápidos. Além disso, as pessoas não gostam de se submeter, de reverenciar. A pessoa não está se curvando. Ela está apenas agradecendo o local de treino e uma pessoa que te indicou um caminho” – fala Emerson referindo-se ao fundador do Aikido, Morihei Ueshiba.

Diferente das lutas e demais artes marciais, o Aikido é uma prática que tem por finalidade a doutrinação da mente pelo físico: “O corpo ensina a mente”, explica Emerson.

A repetição constante dos exercícios e a ausência de noções de vitória e derrota contribuem para o aprendizado que prima pelo equilíbrio. Outro ponto marcante é a questão da força: “Ao meu ver, no Aikido não é necessária a força física, muito pelo contrário: quanto mais força pior é a técnica. E a técnica desta arte é fluída, onde, por meio de movimentos circulares, o praticante absorve e devolve para o parceiro a energia que nele foi projetada”, e exemplifica “quando uma pessoa me pega, ela , de alguma maneira, tem a intenção de me conduzir para alguma direção. Eu não preciso brigar, eu vejo a direção para onde ela quer me conduzir e vou, mas da minha maneira. Daí eu consigo imobilizá-la. Parece meio contraditório porque a gente fala em luta e não tem força. Mas o fundador desta arte marcial, percebeu que é melhor se harmonizar com a situação e chegar junto a um consenso. A técnica é mais ou menos assim”, diz o professor.

A filosofia da prática no local de treino se transporta para o cotidiano do aprendiz, que aprende a lidar com situações de medo, preocupação e estresse. “A gente tem a ideia de que este tipo de atividade é para destruir. No Aikido não se destrói nada, você se une ao seu parceiro. E isso acaba refletindo na sua vida onde você passa a não querer mais competir com os demais” diz o sensei. Ele mesmo confessa ter tido muita dificuldade no começo do treinamento, mas que hoje se tornou mais centrado: “O Aikido muda muita coisa, principalmente na personalidade. Eu me tornei uma pessoa muito mais paciente, mais calma. Eu vejo o pessoal treinando e ninguém teve mais dificuldade no começo que eu. Eu tive muita dificuldade. Talvez tenha sido por isso que eu persisti”, ele ri.

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Colaboração:

www.impressione.wordpress.com

www.aikidodaishizendojo.yolasite.com

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