Morihei Ueshiba (1883-1969) – 45 anos da passagem do Fundador do Aikidô

25/04/2014

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Amanha, 26/04/2014, fará exatos 45 anos da morte do Fundador do Aikidô, Morihei Ueshiba, conhecido pelos Aikidocas ao redor do mundo como Ô –Sensei – Grande Mestre.

Os últimos anos de Morihei Ueshiba foram passados principalmente em Tóquio à medida que a sua saúde se tornava gradualmente mais frágil em virtude de sua idade já avançada, 86 anos. Não obstante, continuou ensinando até março de 1969, altura em que adoeceu, devido a complicações no fígado, e foi internado no hospital da Universidade de Keio. Na ocasião Morihei disse a seu filho Kisshomaru: “Deus está me chamando”.

Uma das últimas aparições do Ô-Sensei deu-se no dia 15 de abril de 1969, Morihei participou das comemorações do ano novo no Hombu Dojô. Mesmo parecendo estar com a saúde impecável, sua condição física deteriorava-se rapidamente e devido a tal quadro seus numerosos discípulos e amigos fizeram suas últimas visitas e homenagens. Mesmo já no final de sua existência neste plano Ô-Sensei propagava os ideais do Aikidô, e dizia aos presentes: “O Aikidô é para todos…” dizia o Mestre, “não treinem por razões egoístas, mas para todas as pessoas em todos os lugares”.

No dia 26 de abril de 1969, Morihei Ueshiba, aos 86 anos de idade, tomou a mão de seu filho Kisshomaru, riu e disse: “Tome conta de tudo”, e desencarnou.

Uma vigília foi realizada no Hombu Dojô no dia 1º de maio de 1969, a partir das 19h e, no mesmo dia, foi consagrada ao Fundador do Aikidô uma condecoração póstuma pelo Imperador Hirohito. Suas cinzas foram depositadas no cemitério de Tannabe, no templo da família Ueshiba, e mechas de seu cabelo foram guardadas em relicários no Santuário Aiki, em Iwama; no cemitério da família Ueshiba, em Ayabe; e no Grande Santuário de Kumano. Kisshomaru Ueshiba foi eleito para suceder seu pai como Aiki Doshu, por decisão unânime da Aikikai, em 14 de junho de 1970.

O Budô não é um meio de se derrotar um oponente pela força ou com armas letais. Também não é seu propósito levar o mundo à destruição pelas armas ou por outros meios ilegítimos.O verdadeiro Budô busca ordenar a energia intrínseca do Universo, protegendo a paz mundial, moldando e também preservando tudo na natureza em sua forma correta. Praticar o Budô é essencial para fortalecer, em meu corpo e em minha alma, o amor do kami, a divindade que gera, preserva e nutre todas as coisas na natureza” – Morihei Ueshiba.

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Conheça o Aikidô

Local: Academia Central de Aikidô de Natal – ACAN

Endereço: Rua Prof. João Ferreira de Melo – Capim Macio – Natal/RN –  Fundos do CCAB Sul

Telefone: (84) 2020-4841

Site: www.aikidorn.com.br

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Além de “Sensen no Sen” – Por Stanley Pranin

05/11/2013

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Uma explicação tradicional das estratégias no contexto das artes marciais japonesas frequentemente envolvem uma discussão em três níveis da iniciativa de combate: “go no sen”, “sen” e “sensen no sen”. Estas estratégias são definidas como se segue: “Go no sen”, significa “ataque posterior” envolve um movimento defensivo ou um contra ataque em resposta a um ataque; “sen”, uma iniciativa defensiva lançada simultaneamente ao ataque do oponente; e “sensen no sen”, uma iniciativa iniciada em antecipação a um ataque em que o oponente está inteiramente concentrado em seu ataque, e assim, psicologicamente além do ponto de onde poderia voltar. Esta ultima estratégia é em geral considerada como o nível mais alto do cenário das artes marciais clássicas.

O conceito do Fundador da estratégia do aiki vai muito além da dimensão da confrontação psicofísica. Em uma entrevista de 1957, ele expressa o conceito com estas palavras:

Não é uma questão de ‘sensen no sen’ ou de ‘sen no sen’. Se eu tentasse colocar em palavras eu diria que você controla seu oponente sem tentar controlá-lo. Este é o estado da vitória contínua. Não existe qualquer ideia de vencer ou perder em relação a um oponente. Neste sentido, não existe um oponente no aikido. E mesmo que você tenha um oponente, ele se torna uma parte de você, apenas um parceiro que você controla”.

O conceito chave aqui é que o que normalmente consistiria de uma confrontação física com um possível atacante é transformado em uma harmoniosa interação. O impulso de luta do uke foi suplantado e coberto por amor. Em outras palavras, a meta é viver toda a vida em um plano diferente de consciência, em harmonia com o seu redor e com as pessoas com que se encontra. Olhado por este lado, o aikido se torna uma metáfora para a vida em paz, com a posse de habilidades necessárias para se neutralizar e subjugar um oponente violento.

Este é um pensamento superior que só pode ser atingido com longos anos de treinamento para desenvolver uma sensibilidade maior em relação às pessoas e aos acontecimentos que nos rodeiam. Além disso, isso envolve o desenvolvimento de um grupo de habilidades espontâneas que consistem em respostas físio-psicológicas adaptadas a qualquer tipo imaginável de interação humana. O Fundador descrevia esse estado como “Takemusu Aiki” – o nível mais alto do aikido em que se é capaz de executar espontaneamente técnicas perfeitas em resposta a qualquer circunstância.

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Yamada Sensei – Para a Aikidô Today Magazine

17/09/2012

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Trecho de uma entrevista de Yamada Sensei publicado na Aikidô Today Magazine. A pergunta do entrevistador confirma a dúvida de muitos iniciantes nos caminhos do Aiki e a resposta do Shihan derruba aqueles que, sem conhecimento do Shintoísmo ou da religiosidade que permeia o caminho, tentam se passar por oradores, filósofos ou ainda “iluminados”. Boa leitura.

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Pergunta: Diz-se que a popularidade do Aikidô baseia-se no fato de não ser apenas uma arte de defesa pessoal, mas um modo de vida. É também algo que as pessoas estão procurando nesse final de século e na transição para o próximo. Portanto, a filosofia do Aikidô ou seu lado religioso torna-se muito importante. Quando o senhor ministra seminários ou aulas, raramente fala sobre os conceitos Shinto em que se baseia o Aikidô. O senhor favorece o lado técnico, enquanto parece não apreciar o aspecto da meditação ou da filosofia. Isso é simplesmente uma imagem que o senhor quer passar, ou acha desnecessário ensinar a teoria ou a filosofia que permeiam o Aikidô? Antigos estudantes do fundador dizem que O’Sensei, com frequência, ensinava filosofia Shinto.

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Resposta de Yamada Sensei: Em primeiro lugar eu não sou filósofo, ou uma pessoa religiosa. Ainda que O’Sensei em sua idade avançada tenha sido extremamente religioso, nunca nos forçou a pensar do mesmo jeito. Compreendo e concordo que o Aikidô não é somente uma arte marcial, mas também um modo de vida. No entanto, Aikidô é Budô. Portanto, creio que os praticantes de Aikidô não devem colocar muito peso na sua relação com o dogma espiritual ou cair na armadilha de transformá-lo em uma religião.

A razão pelo qual não falo sobre Shinto é porque não sou autoridade no assunto; e também acredito que Aikidô, em si mesmo, tem pouco a ver com o Shinto.

Gosto de meditações. Para mim, a prática de meditação é algo que alguém deve fazer sozinho e não em público. No entanto, a meditação é também algo que podemos praticar em todos os momentos. Da forma como vejo, meditação é consciência, a consciência da vida. É a percepção da vida no momento. Podemos fazer da nossa vida uma medição em todo e qualquer lugar, e a qualquer hora.

Eu não sei quem falou que o O’Sensei ensinava muito Shinto. Que eu saiba, não. Temos que compreender que as pessoas atualmente envolvidas com o Aikidô têm maneiras diferentes de ser e de pensar. Cada um vem com o seu próprio entendimento e credo, baseado na sua cultura, religião, ou experiência de vida. Como resultado, cada pessoa se conecta e interpreta os princípios do Aikidô ao seu próprio modo, segundo direções baseadas em suas origens. As pessoas veem e estudam o Aikidô como uma manifestação de suas próprias crenças.

Consequentemente, também usam seu aprendizado dos princípios do Aikidô para melhorar ou aprimorar suas crenças. Por exemplo, um adepto de Shinto pode usar seu conhecimento de Aikidô para melhorar ou aprimorar seu desenvolvimento e compreensão do Shinto. O mesmo se aplica aos budistas, ou a qualquer pessoa de qualquer religião ou filosofia. Eu não tenho aspirações de ser um líder espiritual.

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Aikidô Today Magazine

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