Acender a luz do próximo não apaga a sua – Por Alessandra Piassarollo

08/10/2019

“Acender a luz do próximo não apaga a sua”

Não sei relatar a origem desta frase, mas confesso que assim que pousei meus olhos sobre ela, uma memória de infância virou faísca dentro de mim.

Quando era criança tive a oportunidade de viver sob a luz de lampiões e lamparinas a querosene. Lembro que, na minha percepção infantil, era intrigante viver com uma iluminação tão precária, muitas sombras e um tantinho de fumaça em nossos rostos, todo anoitecer. Dessa época guardo também uma memória muito interessante, de uma história que minha mãe contava. Segundo ela, meu irmão mais velho não gostava que se acendesse nenhuma vela ou lamparina a partir da que estivesse com ele, sob intensos protestos de estarem diminuindo sua luz. Ele ainda não compreendia que compartilhar, não diminuiria nem afetaria a chama que ele segurava.

De posse dessa memória afetiva e diante da frase que me chamara a atenção, chego à conclusão de que, mesmo passado o tempo das velas e lamparinas, muitos de nós ainda temem dividir sua luz, a interior. Medo maior, tenho percebido, é o de que a luz dos outros seja mais intensa que a nossa própria.

Tenho visto muita gente com medo de manifestar o que tem de melhor. E gente mais receosa ainda de reconhecer o que os outros têm de melhor.

Andamos querendo esconder nossos talentos, nossa simpatia, nossas gentilezas, nossa bondade… como quem tem receio de mostrar-se e prefere manter tudo isso oculto, só para si, pra não ter que se dividir com mais ninguém.

Temos preferido fechar nossos olhos diante das luzes dos outros, por não querer reconhecer talentos, dons, capacidades e potenciais; com receio de que o outro brilhe mais do que nós. Nutrimos um comportamento que lembra a imaturidade da infância, com certo cunho egoísta, escondendo-nos, sob caras fechadas e palavras ásperas, sorrisos falsos e gestos pouco afáveis.

A maioria das pessoas esqueceu-se de que ser claridade é muito mais bonito. E que, decidindo ser luz não há quem nos ofusque.

Valorizar o que temos de bom dentro de nós e o que há de bom dentro das outras pessoas é um comportamento nobre e agradabilíssimo e que só faz clarear a alma de quem se permite.

A luz que ilumina nosso olhar, nosso sorriso, nossa presença, vem do bem que fazemos ou sentimos. É injustificável temer reparti-la. O que faz nossa luz diminuir é o mal, alimentado por nosso egoísmo e por outros sentimentos igualmente obscuros.

Não economize sua luz, não! Seja bom, agradável e gentil; sorria com frequência; elogie sem esperar nada em troca, sem inveja nem receio de que te passem à frente. Ninguém será capaz de tomar seu lugar, nem seu brilho, porque nossos lugares foram marcados, e cada um tem o seu.

Distribua luz, seja luz. Ilumine e se deixe iluminar. O mundo anda escuro demais pra você guardar sua luz só para si. Pense nisso!

.

Alessandra PiassarolloAdministradora por profissão, decidiu administrar a própria casa e o cuidado com suas duas filhas, frutos de um casamento feliz. Observadora do comportamento alheio, usa a escrita como forma de expressar as interpretações que faz do mundo à sua volta. Mantém acessa a esperança nas pessoas e em dias melhores, sempre!

Link para o original: https://www.contioutra.com/acender-luz-proximo-nao-apaga-sua/

.

Colaboração:

www.contioutra.com

WWW.impressione.wordpress.com


A Origem do Jujutsu – Por Marcos José do Nascimento

10/09/2013

.

O sistema de combate conhecido como Jujutsu ou Jiu-Jitsu, nos seus mais diversos estilos, nasceu no Japão, designando ele genericamente todos os sistemas japoneses de combate sem uso de arma ou minimamente armado, sendo o seu uso o campo de batalha.  

Shihan Jigoro Kano informa na sua obra “Kodokan Judo” que o caracter “Ju” do termo Jujutsu significa “gentileza”, “ceder”, ideograma Ju-no-Michi, tendo o termo Jujutsu o significado de arte (prática) de ceder, da flexibilidade, como também informa que é possível que a origem do termo Jujutsu tenha nascido da expressão Ju Yoku Go o Seisu, significando Flexibilidade controla a rigidez.

Os bushis desenvolveram as artes marciais clássicas japonesas, incluindo as diversas armas, assim como também desenvolveram vários sistemas de combates armados, minimamente armados e desarmados, voltados para a aplicação em campo de batalha.

Um dos primeiros registros da existência de artes combativas no estilo japonês dos tempos primitivos é encontrado no Nihon Shoki (Crônicas do Japão), escrito no ano 720, narrando a existência de Chikara Kurabe ou competições de “Comparação de Força”.

Outros documentos do século X descrevem a mecânica de métodos combativos semelhantes, e essas habilidades foram transmitidas através dos tempos, utilizadas por guerreiros que constituíram um estrato social aristocrático e privilegiado da sociedade japonesa, sendo conhecidos como bushis, que realizaram um estudo completo de muitos tipos de lutas que empregavam instrumentos letais.

A partir do século dezessete a paz doméstica no Japão marcou o início do colapso da classe guerreira (os samurais) que havia tomado as rédeas do poder a partir do século doze, com o afastamento da família imperial.  Com o início da Era Meiji, a partir de 1868, os diversos estilos (Ryu) de Jujutsu foram-se adaptando de uma forma de luta em campo de batalha para a vida civil urbana.

Shihan Mifune, 10º Dan de Judô, assinala em sua obra, The Canon of Judo, que os principais registros acerca do assunto encontram-se do Período Edo (1600-1868) em diante, informando a existência de uma arte marcial parecida com o Jujutsu encontrada no Judo Higashuko (Registros Secretos do Judô), constando haver uma forma de luta popular desde o Período Eisei (1504-1520), existindo também a informação em uma obra intitulada Honcho-Bugei-Shoden (Uma Breve História das Artes Marciais Japonesas), publicada no Período Shotoku (1711-1715), cujo autor, Hinatsu Shigetaka, narra a existência  de um grupo de artes marciais desenvolvido ao longo da história, incluindo-se nesse grupo o Taijutsu, Taido, Wajutsu e o Gojutsu, como também narram Tadao Otaki em Donn F. Draegger, em sua obra “Judo Formal Techiniques: a complete guide to Kodokan Randori no Kata”, que, em sentido amplo, a partir do século XVII o termo Jujutsu inclui diferentes sistemas de combate como Kumi-uchi, Kogusoku, Koshi no Mawari e outros.

No mês de junho do ano de 1532, Takenouchi Hisamori fundou a Takenouchi Ryu, referindo-se ao Jujutsu como Yawara.

Do estilo (Ryu) Yoshin, informam Shihan Jigoro Kano e T. Lindsay no Relatório da Sociedade Asiática do Japão, volume 15, que esta escola começou com Miura Yoshin, um médico de Nagasaki, nos tempos dos Shoguns Tokugawa, significando “Coração de Salgueiro” ou “Espírito do Salgueiro” e que a Tenjin-Shino-Ryu originou-se de Iso Mataemon, que estudou primeiro a Yoshin-Ryu, com Hitotsuyanagi e a Shin-no-Shinto-Ryu com Homma Joyemon.

O estilo (Ryu) Araki, de acordo com o Bugei-Ryusoroku (Registro dos Fundadores das Escolas de Artes Marciais) desenvolveu-se no Período Tensho (1573-1591) por Araki Numisai. O Ryoi-Shinto-Ryu, também conhecido como Fukuno-Ryu foi criado por Fukuno Schichiroemon no século XVII, desse estilo derivou-se a Kito Ryu, que chegou a possuir em determinada fase de sua história cerca de três mil praticantes.

Citamos alguns estilos (Ryu) de Jujutsu: Yoshin, Kyushin, Iga, Teiho-Zan, Kuso, Jiki-Shin, Seiso, Kashin, Isei Jitoku-Tenshin, Tenshin-Shinyo, Totsuka, Takenouchi.

Por volta do século XIX, o Jujutsu constituía-se em uma coleção de táticas usadas contra um adversário armado ou desarmado, tornando-se os seus estilos tão números que eram contados as centenas, com a multiplicação das Ryu. 

Do estilo guerreiro e marcial passou a um uso civil, o que lhe trouxe um refinamento das suas técnicas a partir do período de paz por que passava o Japão, contudo, durante já a primeira metade do século XIX estava ocorrendo uma deturpação da arte com as atitudes de alguns praticantes de alguns Dojos que acreditavam ser necessário, para a aferição da efetividade das técnicas criarem uma situação real de combate no ambiente urbano que reproduzisse o campo de batalha, passando a desafiar os praticantes de outras academias, com também agredindo alguns civis de forma aleatória, provocando badernas e confusões, trazendo a má fama para a imagem do Jujutsu, assim como realizavam exibições em teatros em combates contras praticantes de Sumô (Sumotori).

Os diversos estilos de Jujutsu incluíam duas partes em sua prática, o Randori e o Kata, constituindo-se o primeiro em técnica livre, em que dois alunos combatiam dentro do ambiente do Dojo, enquanto que o Kata era uma forma de movimentação para dois participantes de maneira pré-arranjada.

.

Referências:

KANO, Jigoro. Kodokan Judo. 1 ed. Tóquio: Kodansha International. 1986.

MIFUNE, Kyuzo. Then Canon Of Judo: classic teachings on principles and techniques. Tóquio: Kodansha International. 2004.

OTAKI, Tadao; DRAEGER, Donn F. Judo Formal Techiniques: a complete guide to Kodokan Randori no Kata. Tóquio: Charles E. Tuttle Company Inc. 1997.

http://judoinfo.com/new/alphabetical-list/judo-history/136-jujutsu-by-jigoro-kanoand-t-lindsay

WATSON, Brian. The father of Judo: a biography of Jigoro Kano. Tóquio: Kodansha International.2000

.

*Marcos José do Nascimento Servidor Público Federal e faixa-preta em Judô pela Higashi e de Aikidô pela Academia Central de Aikidô de Natal.

.

Colaboração:

www.impressione.wordpress.com

.


Credo de um Samurai – Por Sensei Hibino Raifu Masayuki

29/05/2013

.

O Sensei Hibino Raifu Masayuki foi o fundador do estilo Shinto Ryu Iaido. E certa vez, disse ele:

 

 “A sua fome não deve controlar as palavras que saem da sua boca.

A sua dor não deve controlar a expressão da sua face.

A sua tristeza não deve controlar a energia que emana do seu corpo.

A sua ira não deve controlar as ações de sua mente.

Não permita que os imprevistos incutam temor no seu coração.

Não permita que o dinheiro insufle apego no seu coração.

Não permita que a comida e a bebida façam de você um escravo.

Mantenha a retidão e não se desvie do caminho.

Faça o que deve ser feito e não se vanglorie dos seus atos.

Que a grandeza da sua pessoa seja vasta como o mar.

Que a determinação em seguir os preceitos seja firme como uma rocha.

Que o estado do seu espírito seja limpo como uma pérola.

Que o caminho que você percorre seja o caminho que os sábios do passado percorreram.

Seja estoico, rigoroso e negue a si mesmo. Mas ao mesmo tempo seja elegante, tolerante e vivaz.

Seja indômito. Mas ao mesmo tempo, seja gentil e humilde.(…)”

 

Sobre o estilo Shinto Ryu 

O Shinto Ryu foi oficialmente fundado na era Edo, em 1864 por Hibino Raifu. Hibino Masayoshi nasceu em Kagoshima, Kyushu (uma das ilhas no Japão). Aos 5 anos mudou-se para a província de Saitama Ken e iniciou seus estudos de Iai e Kenjutsu. Aos 16 anos começou a aceitar alunos. Após sua fundação, o Shinto Ryu começou a se expandir por todo Japão, com suporte tanto para o lado militar quanto para as comunidades culturais.

 .

Colaboração:

www.impressione.wordpress.com

www.febrai.com.br

www.bodhidharma.com.br

.


%d blogueiros gostam disto: