Regras Durante a Prática – Por Morihei Ueshiba

20/09/2012

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As regras de prática do Aikidô de Ô-Sensei Morihei Ueshiba, foram postadas no Hombu Dojo por muitos anos, e têm sido traduzidas por diversas vezes e de maneiras ligeiramente diferentes. Esta versão foi publicada originalmente no livro “Aikidô”, de Kisshomaru Ueshiba, 2º Doshu, em 1974, livro este que foi um dos primeiros livros sobre o Aikidô traduzidos para o inglês. Abaixo das regras, as elucidações do 2º Doshu.

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Regras Durante a Prática

1) Um golpe no Aikidô é capaz de matar um adversário. Na prática, obedeça ao seu professor e não faça do período de prática, um tempo para testes desnecessários de força;

2) O Aikidô é uma arte em que um homem aprende a enfrentar muitos adversários simultaneamente. Por isso, exige que você aperfeiçoe a execução de cada movimento, de modo que você possa ter controle sobre, não apenas aquele que vem diretamente a você, mas também aqueles que se aproximam de todos os lados;

3) Pratique todas as vezes com um sentimento de alegria e prazer;

4) Os ensinamentos de seu instrutor constituem apenas uma pequena fração do que você vai aprender. Seu domínio de cada movimento vai depender quase que totalmente da sua prática individual e séria;

5) A prática diária começa com movimentos leves do corpo, aumentando gradualmente de intensidade e força, mas não deve haver excesso de esforço. É por isso que mesmo um homem idoso pode continuar a praticar com prazer, sem danos físicos, e vai atingir a meta de sua formação;

6) O propósito do Aikidô é treinar o corpo e a mente para fazer um homem sincero. Todas as técnicas do Aikidô são segredos da natureza e não devem ser revelados publicamente, nem ensinada para malandros que irão utilizá-las para fins malignos.

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Primeiro, é bom obedecer ao instrutor e lembrar-se de suas instruções, acima de tudo. Não importa o quanto você possa estudar, se você se apegar a si mesmo, você não vai desenvolver a sua capacidade.

Em segundo lugar, budô é para combater qualquer ataque de qualquer direção a qualquer momento. Quando você está pronto apenas para um adversário, sem estar preparado para os outros, será apenas uma luta comum. Postura em guarda, com um espírito inamovível é a base de todo exercício de budô. As pessoas geralmente dizem: “O homem se comporta irrepreensível“, ou “Um excelente artista marcial vive completamente em guarda.” Aqueles que estudam o Aikidô devem, portanto, passar a vida diária em guarda, mesmo se eles não estão conscientemente observando todas as direções ao redor.

Mas se você mantiver a disciplina de budô sem se cansar, você vai finalmente chegar a um estágio realmente agradável. Algumas pessoas não entendem que é melhor sofrer enquanto estuda, para não sofre depois. O verdadeiro estudo é agradável em todos os momentos. Aikidô tem alguns milhares de variações técnicas. Alguns estudantes querem apenas ir atrás de um acúmulo de quantidade de técnicas e não da qualidade delas. No entanto, quando eles olham para trás, eles vem a saber que não ganharam nada e assim logo perdem o interesse. Como há inúmeras variações de cada técnica, é necessário que os instrutores sempre enfatizem a importância da repetição para os iniciantes. Quando você praticar cada técnica básica, uma e outra vez, você domina-a e, em seguida, serás capaz de usar as variações.

Quando o Mestre veio pela primeira vez a Tóquio, entre os seus alunos mais fervorosos estava o Almirante Isamu Takeshita. Ele escreveu todas as técnicas que ele aprendeu com o Mestre. Eles ascenderam a mais de duas mil, e ainda havia mais. Ele estava num beco sem saída pois não poderia fazer todas elas. Após cuidadosa consideração de vários dias, ele entendeu o significado do cuidado do Mestre, “Você deve estudar, usando o exercício sentado como base.” Ele praticou e, então, finalmente tornou-se capaz de gerenciar as técnicas tão bem que ele pode entender as técnicas que ainda não tinham sido ensinadas por seu instrutor. Para um idoso de 60 anos, é o mesmo: A repetição do exercício é o segredo de melhoria, não importa quão inábeis possam vir a ser.

A quinta regra é não contradizer a natureza. Deve ser evitado o excesso em qualquer coisa. Moderação é a chave. Não importa quão pouco o excesso é, toda a postura e a condição do corpo estarão desequilibradas. O exercício natural cria a verdadeira força. Por esta razão, foi possível para o Dr. Niki, um homem de mais de 80 anos de idade, praticar o Aikidô.

Por fim, o objetivo do Aikidô não é apenas produzir um homem forte, mas criar uma pessoa integrada. Qualquer pessoa educada sabe que a força bruta não tem sentido nos dias de hoje de civilização avançada. Por esta razão, o Mestre proibiu que o Aiikidô fosse mal utilizado e severamente advertia a todos caso acontecesse. Ele não permitia a publicação de suas técnicas de arte marcial e suas apresentações sem as necessárias garantias para cada aluno. 

Em resumo, aqueles que desejam estudar o Aikidô deveriam ter a mente correta e justa, obedecer aos instrutores, e estudar naturalmente. Por uma questão de consequência, as técnicas serão cultivadas com a habilidade de cada um e um caráter nobre será criado neste ambiente.

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Colaboração:

www.impressione.wordpress.com

www.Aikidosphere.com

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As 12 Regras para os Instrutores de Aikidô – Por Koichi Tohei

11/06/2012

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As 12 Regras para os Instrutores de Aikidô

1ª) O Aikidô nos revela o caminho para unificação com o universo. O maior propósito do treinamento em Aikidô é coordenar mente e espírito e tornar-se uno com a própria natureza. Como a natureza ama e protege toda a criação e ajuda todas as coisas a crescer e desenvolve, devemos ensinar cada estudante com sinceridade, sem discriminação ou parcialidade.

2ª) Não há discordância na verdade absoluta do universo, mas há discordância no domínio da verdade relativa. Combater contra outros e vencer somente traz vitória relativa. Não combater e ainda vencer traz vitória absoluta. Ganhar uma vitória relativa conduz mais cedo ou mais tarde para inevitável derrota. Enquanto estiver praticando para se tornar mais forte, aprenda como você pode evitar o combate. Você irá progredir muito rapidamente através do aprendizado para arremessar seu oponente tendo prazer, e ser arremessado tendo prazer também, e pela ajuda mútua para aprender técnicas corretamente.

3ª) Não critique qualquer outra Arte Marcial. A montanha não ri do rio que é mais modesto, nem o rio fala mal da montanha porque ela não pode se mover. Cada pessoa possui suas características e ganha sua posição na vida. Fale mal de outros e certamente isso retornará para você.

4ª) As artes marciais começam e terminam com cordialidade, não na forma sozinha, mas no coração assim como na mente. Respeite o professor que o ensinou e não pare de ser grato especialmente para o Fundador do Aikidô que mostrou o caminho. Aquele que negligencia isso não deveria se surpreender se seus estudantes fizerem pouco caso dele.

5ª) Esteja avisado contra presunções. Presunções não seguram somente seu progresso, elas causam sua regressão. A natureza não possui limites, seus princípios são profundos. O que leva a presunções? Presunções são causadas por pensamentos baixos e um compromisso malfeito com nossos ideais.

6ª) Cultive uma mente calma que vem da parte universal do corpo pela concentração de seus pensamentos no ponto um no abdome inferior. Você deve saber que é uma vergonha ter a mente fechada. Não dispute com outros meramente para defender seu ponto de vista. Certo é certo. Errado é errado. Julgue calmamente o que é certo e o que é errado. Se você está convencido que você está errado, faça correções corajosamente. Se você encontra alguém que é seu superior, aceite seus ensinamentos alegremente. Se qualquer um está errando, explique-lhe em silêncio a verdade, e esforce-se para que ele possa entender.

7ª) Até mesmo um verme de dois centímetros tem um espírito de um centímetro. Cada pessoa respeita seu próprio ego. Portanto não desrespeite ninguém nem machuque o respeito dele a si mesmo. Trate a pessoa com respeito, e ela o respeitará. Faça pouco caso delas que ela fará pouco caso de você. Respeite sua personalidade e escute ponto de vista dela, e ela o seguirá contentemente.

8ª) Não fique nervoso. Se você ficar nervoso significa que sua mente saiu do ponto um no abdome inferior. A raiva é algo de se ter vergonha no Aikidô. Não fique nervoso por você mesmo. Fique nervoso somente quando os direitos da natureza ou de seu país estão em perigo. Concentre no ponto um, e fique nervoso no ponto um. Saiba que quem fica nervoso facilmente perde coragem nos momentos importantes.

9ª) Não poupe esforços enquanto estiver ensinando. Você avança quando seus estudantes avançam. Não seja impaciente quando estiver ensinando. Ninguém pode aprender bem em uma vez. Perseverança é um ensinamento importante, assim como paciência, gentileza, e a habilidade de se colocar no lugar do seu aluno.

10ª) Não seja instrutor arrogante. Os alunos avançam no conhecimento quando obedecem a seu instrutor. Uma característica especial no treinamento em Ki é que o instrutor avança quando está ensinando seus alunos. Treinamento requer uma atmosfera de respeito mútuo entre instrutor e seus alunos. Se você vê um homem arrogante, você vê um homem com pensamentos baixos.

11ª) Quando praticar não demonstre seu poder sem um bom propósito temendo que você cause resistência na mente daqueles que o observam. Não discuta sobre poder, mas ensine da maneira correta. Palavras sozinhas não podem explicar. Em algumas vezes, ao ser aquele a ser arremessado, você pode ensinar com maior eficiência. Não pare o arremesso do seu aluno no meio do caminho ou pare seu Ki antes que ele possa completar seu movimento ou você dará a ele maus hábitos. Esforce-se sempre com palavras e atitudes para instigá-lo no Ki correto e na arte do Aikidô.

12ª) Faça qualquer coisa com confiança. Nós estudamos todo o princípio do universo e o praticamos, e o universo nos protege. Não há nada para se ter dúvidas ou medo. Convicção real vem da crença de que somos uno com o universo. Temos que ter a coragem de dizer como Confúcio: “Se eu tenho uma consciência leve, eu encaro um inimigo como se fosse dez mil homens”.

Extraído do livro Ki in Daily Life (Tradução de Kendi Chikude).

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Colaboração:

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O valor do silêncio – Por Charles Richet

22/06/2009

 “Eu não tenho espada, faço da minha calma e silêncio espiritual minha espada.” – Tradição oral Samurai 

Silêncio… o que é silêncio? Qual é sua natureza, aplicação e repercussão? O silêncio é uma constante japonesa, não uma prática, é algo já arraigado, é o normal, não o almejado nos meios tradicionais. É de muito mau gosto ou ignorância interromper uma ação ou um estado natural de quietude com algum comentário desnecessário e/ou fora de contexto. Mas vamos com calma, parcimônia e sabedoria, afinal, somos brasileiros, fora deste contexto oriental.

Silêncio, do latim silentiu, do dicionário Michaelis: “3 Abstenção voluntária de falar, de pronunciar qualquer palavra ou som, de escrever, de manifestar os seus pensamentos”. Sileo- silentium, que significa: estar em repouso, tranqüilidade, descanso, ausência de qualquer estorvo.  Etimologicamente, a palavra silêncio remete a silentium, silere, cujo significado encontra-se em sileo, cujo sentido é calar, omitir-se. 

O silêncio é um meio de aprendizado comum ao budô. A partir do silêncio interior o aluno coloca-se pronto a receber o conhecimento oferecido pelo mestre. Ao postar-se em silêncio e perceber com consciência o que é demonstrado, o deshi tem uma condição melhor de internalizar o que é ministrado. Assim sua percepção sobre a natureza da prática amplia e amadurece. 

No dojô de Aikidô, assim como em Nihon no Dojô, silêncio é algo essencial. O aluno não deve manifestar-se se não foi requerido ao mesmo. Aqueles que chegam ao dojô no meio de uma aula já em curso não devem comunicar-se com os que já estão praticando e o mesmo vale aos que estão no tatame, não devem dar boas vindas e outras expressões.

Durante a prática o sensei e os alunos mais graduados devem ser respeitados em suas orientações, não precisando contar com uma segunda voz ao guiar uma instrução. Se seu sensei chegou perto de você durante uma orientação que você possa estar passando a um companheiro, silencie-se e deixe que o sensei, que atenho certeza é o mais qualificado, observe e oriente as dúvidas de seu parceiro, e as suas TAMBÉM. Não chame o sensei, não use o imperativo, ex. “repita isso para mim sensei; sensei faça isso”.

Sempre que for necessário tirar uma dúvida durante a prática espero o sensei chegar, e se nesse tempo ele demorar vá praticando o seu melhor e não se preocupe com a prática de seu companheiro, não interfira, não oriente, principalmente e muito principalmente se você não é instrutor qualificado. Particularmente, em nosso dojô o aluno que tem permissão de orientar superficialmente seus colegas tem desígnio público meu, sendo vedada essa prática a outros alunos, iniciantes, alunos graduados e alunos visitantes. Enfim, se você acha que pode orientar seu colega é porque ou você tem permissão do sensei ou é porque já tem conhecimento suficiente das regras do dojô e portanto deve esperar em silêncio e quietude. Lembre-se: não interrompa o sensei, seus kohai e senpai, não converse, treine, treine e treine mais. 

Charles RichetFukoshidoin, instrutor auxiliar e faixa-preta 2° grau,  com ambas certificações conferidas pelo Hobu Dojô – Aikikai

Colaboração: www.portalaikido.com.br


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