O uso do Hakama – Por Shigenobu Okumura Sensei

27/01/2012

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Quando eu era uchi-deshi de O-Sensei, todos eram instados a usar hakama para a prática, começando do primeiro dia em que pisassem no tatami. Não havia restrições sobre o tipo de hakama que você poderia usar, e o tatami era um lugar bastante colorido. Havia hakamas de todos os tipos, todas as cores e variedades, de hakamas de kendo, aos hakamas listrados usados em dança japonesa, até os caros hakamas de seda chamados sendai-hira. Eu imagino que alguns iniciantes foram mandados ao inferno por terem emprestado os caríssimos hakamas dos avós, usados apenas em ocasiões especiais e cerimônias, para esgarçarem seus joelhos fazendo suwariwaza (técnica de joelhos). 

Eu lembro vivamente o dia em que esqueci meu hakama. Eu me preparava para subir ao tatami, vestindo apenas meu dogi, quando O-Sensei me deteve. “Onde está seu hakama?” Ele perguntou asperamente. “O que faz você pensar que você pode receber a instrução do seu professor vestindo nada mais que sua roupa de baixo? Você não tem senso de adequação? Você carece da atitude e etiqueta necessária em alguém que possui treinamento no budô. Sente-se fora do tatame e assista a aula!”

Este foi apenas o primeiro de muitos puxões de orelha que recebi de O-Sensei. Porém, minha ignorância nesta ocasião alertou O-Sensei a orientar seus uchi-deshi depois da aula sobre o significado do hakama. Ele nos falou sobre o hakama como tradicional indumentária dos estudantes do kobudo e perguntou se algum dos estudantes conhecia a razão para as sete dobras do hakama. “Elas simbolizam as sete virtudes do budo”, disse O-Sensei. “Estas são jin (benevolência), gi (honra ou justiça), rei (cortesia e etiqueta), chi (sabedoria, inteligência), shin (sinceridade), Chu (lealdade) e koh (piedade). Nós encontramos estas qualidades nos relevantes samurais do passado. O hakama convida-nos a refletir sobre a natureza do verdadeiro bushido. Vesti-lo simboliza tradições que chegaram até nós passando de geração em geração. O Aikido nasceu do espírito do bushido do Japão, e em nossa prática devemos buscar polir as sete virtudes tradicionais”.

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Colaboração:

Aikido Today Magazine – nº 41

www.impressione.wordpress.com

www.aikidope.com.br

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Os 50 de Fukushima – Os novos heróis do Japão

17/03/2011

“Os 50 de Fukushima”.

Mais parece nome de filme japonês, mas é a pura realidade. Renascem no caos urbano, os Samurais de outrora. A atitude dos “50 de Fukushima” lembra os Samurais e o Hakama – a vestimenta samurai – que em suas pregas, leva o simbolismo das virtudes do Bushidô –  o caminho do guerreiro.

Vejam as virtudes, leiam o texto que segue e respondam: São ou não são verdadeiros Samurais?

Yuuki  – Coragem, Valor, Bravura.

Jin – Humanidade, Misericórdia, Benevolência. 

Gi  – Justiça, Retidão, Integridade.

Rei – Etiqueta, Cortesia, Civilidade (algo como reverência/obediência).

Makoto – Sinceridade, Honestidade, Realidade.

Chuugi – Lealdade, Fidelidade, Devoção.

Meiyo – Honra, Credibilidade, Glória; também Reputação, Dignidade, Prestígio

Os 50 trabalhadores que permaneceram nas instalações da central de Fukushima para resfriar os reatores danificados e o material irradiado são os novos heróis do Japão, os homens dispostos a sacrificar suas vidas para salvar a nação.

Em um ambiente contaminado pelos altos níveis de radiação, estes funcionários da companhia Tokyo Electric Power (Tepco) tentam resolver os problemas provocados pelo colapso dos sistemas de resfriamento e alimentação elétrica da central.

Este colapso já causou a fusão parcial de três dos reatores da central e a exposição das barras de combustível, que também ameaçam entrar em fusão, ao ar livre, liberando na atmosfera quantidades consideráveis de elementos radioativos.

Estes últimos trabalhadores presentes na central, após o terremoto seguido de tsunami da última sexta-feira, foram retirados do local brevemente na quarta-feira, quando o nível de radioatividade aumentou de maneira alarmante.

Estas pessoas que estão trabalhando nas centrais enfrentam (o problema) sem titubear“, comentou Michiko Otsuki, funcionária da central Fukushima 2, situada a 12 km de Fukushima 1, onde estão os reatores danificados.

Só posso rezar pela segurança de todos eles… Não esqueçam que estão trabalhando para nos proteger, a cada um de nós, em troca de suas próprias vidas“, escreveu Michiko na rede social japonesa Mixi.

O primeiro-ministro Naoto Kan também elogiou os esforços e a coragem destes homens.

Na Tepco e nas empresas associadas, eles se esforçam neste momento para injetar água (nos reatores), estão fazendo todo o possível sem sequer pensar no perigo“, disse Kan.

Quando a Tepco recrutou mais 20 homens para participar das operações, foi procurada por vários funcionários que haviam sido retirados no começo da crise, segundo a agência Jiji.

Entre estes novos voluntários está um homem de 59 anos, que estava a um ano e meio da aposentadoria, anunciou sua filha em uma mensagem no site Prayforjapan.jp, conectado ao Twitter desde a catástrofe.

Não pude deixar de chorar quando soube que meu pai seria enviado amanhã (…). Em minha casa, meu pai parece um tanto nervoso, mas nunca estive tão orgulhosa dele“, indicou.

Segundo David Brenner, diretor do centro de pesquisa radiológica de Columbia Service, os trabalhadores de Fukushima 1 estão expostos a um “risco significativo” dados os altos níveis de radioatividade aferidos no local.

Eles já são heróis… Vão suportar exposições muito elevadas à radiação“, disse Brenner à BBC.

Colaboração: http://br.noticias.yahoo.com


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