Sobre treinar Aikidô – Por Kisshomaru Ueshiba

22/09/2015

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Eu acho que é uma coisa positiva estudar o Aikido ou tomar a decisão de estudar o Aikido e continuar a praticá-lo, quer seja porque você ache que ele é algo maravilhoso, ou porque você o considere algo que se encaixa perfeitamente às suas necessidades. E eu acredito que seja apropriado e necessário praticar o Aikido tendo bem em mente a sua origem. Atualmente, contudo, você frequentemente encontra pessoas que desistiram, após experimentarem o Aikido por um curto período de tempo. Eles não têm qualquer noção do que é o Aikido.

Se as pessoas acham que o Aikido consiste somente em mexer os braços e as pernas e se o que se desenvolve, a partir daí, é algo que lembra, de uma maneira vaga, o Aikido original, teremos algo para nos lamentar profundamente. Isto ofenderia a essência do Aikido. Portanto, é importante conhecer as dificuldades que Morihei Ueshiba teve de enfrentar para criar esta arte.

É evidente que o aspecto físico do Aikido é importante. Contudo, o principal não é simplesmente mover os seus braços e suas pernas. Mais do que isso, é uma questão de espírito, uma questão de coração. Se este treinamento espiritual não é expresso nos movimentos do corpo, então tudo que se faz não corresponderá à verdade. É errado imaginar que você está praticando Aikido porque você pode arremessar o seu oponente e subjugá-lo, ou porque a sua técnica é forte. Por exemplo, no Judo e no Karate existem pessoas fortes, assim como no Sumo. No Aikido, existem pessoas fortes também. Contudo, o verdadeiro Aiki não consiste somente em ter um corpo forte, não é somente força muscular. É a unificação da mente e do corpo. Se não for cultivado um espírito que permaneça sereno, não importe qual seja a dificuldade ou situação, uma pessoa não poderá ser classificada como forte. Logo, se uma pessoa pratica o Aikido entendendo como O-Sensei criou o seu caminho, a partir de seu ponto de vista a respeito de humanidade ou mesmo da vida, ela não se enganará em relação ao verdadeiro caminho do Aikido.

*Entrevista que aconteceu em 30 de maio de 1978, em Shinjuku, Tokyo, na residência do Doshu Kisshomaru Ueshiba a Stanley Pranin (editor do Aiki News) e Midori Yamamoto (intérprete).

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“Budô” revolucionou a nossa compreensão na criação do Aikido moderno – Por Stanley Pranin

04/03/2015

“Budo”, escritos de Morihei Ueshiba de 1938, é um dos documentos históricos mais importantes sobre a evolução das técnicas de aikido, e é de grande relevância para os estudantes contemporâneos de aikido. Estamos em débito com o Fundador e com Morihiro Saito Sensei por ter criado esse recurso maravilhoso.

Do ponto de vista técnico, “Budo” oferece inúmeros insights sobre a arte marcial de Morihei Ueshiba referente ao período pré-guerra. Ele fornece uma visão das técnicas que Ueshiba considerava como sendo conceitos básicos e a maneira que elas foram executadas em meados dos anos 30. As descrições técnicas oferecidas são sucintas e altamente instrutiva. Como “Budo” foi publicado em 1938, as técnicas cobertas por ele representam uma fase de transição entre o Daito-ryu aikijujutsu que Ueshiba aprendeu com Sokaku Takeda e o aikido moderno. Várias técnicas básicas cobertas no manual – por exemplo, ikkyo, iriminage e shihonage – já tinham uma estreita semelhança com as ensinadas pelo Fundador no período do pós-guerra em Iwama.

Surpreendente, para alguns, será o grande número de técnicas incluídas no “Budo” que são executadas com armas. Um terço do livro apresenta técnicas executadas usando a faca, a espada, a lança e a mock-baioneta. Há uma série de influências identificáveis ​​que se relacionam com a inclusão dessas técnicas de armas. Uma delas é o fato de que, nesta época, Ueshiba foi experimentando as técnicas de espada da escola Kashima Shinto-ryu.

O manual inclui vários movimentos de suburi derivados de práticas (kumitachi) Kashima. Ueshiba, em conjunto com Zenzaburo Akazawa, frequentaram formalmente esta tradição clássica de 500 anos de idade, em Kashima, na prefeitura de Ibaraki em 1937. Apesar de Ueshiba nunca ter realmente praticado no dojo Kashima, instrutores da escola vistavam o dojo de Ueshiba uma vez por semana, por cerca de um ano, para ensinar a alguns alunos, incluindo Akazawa e o filho de Ueshiba, Kisshomaru. Ueshiba observava profundamente estas sessões especiais de formação e, em seguida, praticava por conta própria com seus alunos, tais como seu filho e Akazawa, que haviam tido aulas com os professores do Kashima. Ueshiba iria continuar a sua experimentação com essas artes de espada até por volta 1955. Estas formas iniciais foram as raízes das técnicas de aikiken que foram posteriormente sistematizados em suas formas atuais por Morihiro Saito em Iwama.

Referente à inclusão das técnicas de baioneta, sem dúvida, refletiram o fato de que Ueshiba foi contemporâneo no ensino destas em várias instituições militares, incluindo a Escola Toyama do Exército, onde o príncipe Kaya mais tarde serviu como superintendente. Tais práticas de baioneta eram do treinamento de infantaria do exército japonês até a Segunda Guerra Mundial. Quando jovem, o próprio Ueshiba praticava intensamente as formas de baioneta durante seu treinamento militar como soldado durante a Guerra Russo-Japonesa.

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SOKAKU TAKEDA e MORIHEI UESHIBA – Por Kisshomaru Ueshiba

26/02/2015

Sokaku Takeda está registrado na história do budo moderno como o transmissor do Daito-ryu Jujutsu. Ele era uma pessoa inspiradora com uma aparência formidável e, embora tivesse cerca de 2 centímetros a menos que o O-Sensei, ele sempre parecia olhar para baixo, e para as coisas, com um olhar misteriosamente penetrante, acompanhado por uma carranca de boca fechada devido à sua falta dos dentes da frente. Diz-se que Onisaburo Deguchi, que tinha a reputação de ser capaz de dizer a sorte das pessoas, uma vez disse a Takeda que mesmo que ele tivesse dominado um “Caminho”, ele era um homem com o cheiro de sangue e um destino infeliz. Mestre Deguchi muitas vezes se perguntou por que Ueshiba era tão subserviente à Takeda, e essa atitude foi um ponto de irritação para o líder religioso. Mas Ueshiba foi sempre fiel à etiqueta e era grato ao seu professor, para quem ele sempre tentou atender às demandas.

Foi em fevereiro de 1915, enquanto visitava Engaru em Kitami que O-Sensei conheceu Takeda. Ambos foram se hospedar no mesmo hotel e eles se encontraram nos corredores da pousada. Ueshiba, que na época tinha cerca de 30 anos, estudou com ele na estalagem por um mês, mas enquanto ele estava sendo ensinado ele sentiu algum tipo de inspiração, que espiritualmente ele não entendeu muito bem, então ele convidou Takeda para ir com ele à área de Shirataki onde cerca de 15 de deshi e servos de Ueshiba receberiam as instruções de Takeda no Daito-ryu. Mais tarde, quando perguntado a ele se enquanto estudava o Daito-ryu lhe havia vindo a inspíração para o Aikido, O-Sensei balançou a cabeça, “- Não”, e disse: “- Eu diria que a Takeda Sensei abriu meus olhos para budo”.

Quando se conheceram, Sokaku apresentou-se dizendo: “- Eu sou Sokaku Takeda.” O-Sensei reconheceu o nome, porque antes ele havia lutado e derrotado um enorme lutador de sumô de Kitami Ridge, e naquela época ele tinha sido perguntado se ele era Takeda. De acordo com o Sumo Ozeki (o segundo mais alto posto em Sumo) a quem ele havia derrotado, Takeda era um homem do budo, de classificação samurai, que tinha vindo para Hokkaido a convite de um de seus alunos. Foi esse incidente que tinha familiarizado O-Sensei com o nome de Takeda.

Este foi o início da ligação longa e decisiva entre os dois homens. Após a reunião, Takeda convidou Morihei para o quarto dele, onde eles conversaram a noite toda. Foi então que Morihei percebeu o grande conhecimento do budo possuído por este personagem formidável. Quando Ueshiba pediu para ser instruído em Daito-ryu jujutsu, algo completamente novo para ele, Takeda imediatamente o convidou para permanecer na estalagem. Parece que ele percebeu que Ueshiba tinha treinado duro e tinha um grande potencial.

O-Sensei ficou muito impressionado com as técnicas secretas de Daito-ryu que ele viu pela primeira vez durante esse mês de sessões de treinamento intensivo de um dia inteiro. Mais tarde, ele recebeu um pergaminho de transmissão que listou 188 técnicas gerais, 30 técnicas de aiki, e 36 ensinamentos secretos. Ele estava bastante surpreso com o enorme número de variações que tinha sido dado a ele.

As técnicas de Daito-ryu foram mais práticas do que as do Jujutsu que ele havia aprendido até aquele momento, e a eficácia violenta das técnicas de bloqueio bem como os ataques aos pontos vitais (atemi) eram algo novo para ele. Embora Morihei fosse fisicamente mais forte do que Takeda, ele era impotente em face de controle técnico do seu professor. Morihei tornou-se profundamente absorvido em pesquisar essas técnicas secretas, mas depois de cerca de um mês ele retornou à Shirataki.

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Mestre Sokaku Takeda e o Daito-ryu. 

Daito-ryu jujutsu é uma arte marcial tradicional do clã Takeda. O fundador foi Shinra Saburo Yoshimitsu a partir da linha Seiwa Genji (um ramo principal do clã Minamoto). O nome do sistema pode ter sido tirado da “Mansão Daito” em Shiga, onde o treinamento acontecia. A tradição foi transmitida na família Kai Takeda e quando Lord Takeda Tosa Kunitsugu foi nomeado para ser o senhor de “Aizu Han”, foi ele quem trouxe para Aizu. As técnicas mantiveram-se secretas nesse domínio até o final do período feudal em 1860. Sokaku tinha sido destaque em artes marciais quando jovem e foi chamado de gênio com a espada. Uma história conta que Takeda matou muitos desafiantes, e ele iria se vangloriar disso a Ueshiba. Parece no entanto, que depois de um tempo definiu que a espada seria absorvida na tradição Daito-ryu Jujutsu. Em 1898, ele recebeu a licença de um mestre nas técnicas secretas. Isto foi como Takeda tornou-se um transmissor (em japonês, literalmente, um “fundador do meio”) da tradição Daito. Depois disso, ele viajou para vários lugares para ensinar e difundir o Daito-ryu e, eventualmente, fez o seu caminho para Hokkaido.

Durante os anos O-Sensei tratou Takeda com muita humildade e educadamente, e fez o seu melhor para serví-lo até sua morte em 1943. Durante muito tempo Takeda viveu e ensinou na área de Shirataki, Morihei cuidou dele completamente sozinho e apesar do fato de que ele estava em uma posição de grande respeito na comunidade, ele voluntariou-se fazendo trabalhos humildes fora de suas atribuições. Era a crença de O-Sensei que a devoção total ao seu professor era simplesmente a etiqueta correta ou esperada, uma vez que tinha recebido instruções dele. Em referência ao acontecido, o segundo Dosshu Kisshomaru disse: “- Não consigo pensar em ninguém que realizou o decoro e a etiqueta em grau mais elevado do que ele (O-Sensei). É por isso que o fundador foi capaz de desenvolver a capacidade de impor respeito como o próprio professor “.

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Morihei Ueshiba (1883-1969) – 45 anos da passagem do Fundador do Aikidô

25/04/2014

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Amanha, 26/04/2014, fará exatos 45 anos da morte do Fundador do Aikidô, Morihei Ueshiba, conhecido pelos Aikidocas ao redor do mundo como Ô –Sensei – Grande Mestre.

Os últimos anos de Morihei Ueshiba foram passados principalmente em Tóquio à medida que a sua saúde se tornava gradualmente mais frágil em virtude de sua idade já avançada, 86 anos. Não obstante, continuou ensinando até março de 1969, altura em que adoeceu, devido a complicações no fígado, e foi internado no hospital da Universidade de Keio. Na ocasião Morihei disse a seu filho Kisshomaru: “Deus está me chamando”.

Uma das últimas aparições do Ô-Sensei deu-se no dia 15 de abril de 1969, Morihei participou das comemorações do ano novo no Hombu Dojô. Mesmo parecendo estar com a saúde impecável, sua condição física deteriorava-se rapidamente e devido a tal quadro seus numerosos discípulos e amigos fizeram suas últimas visitas e homenagens. Mesmo já no final de sua existência neste plano Ô-Sensei propagava os ideais do Aikidô, e dizia aos presentes: “O Aikidô é para todos…” dizia o Mestre, “não treinem por razões egoístas, mas para todas as pessoas em todos os lugares”.

No dia 26 de abril de 1969, Morihei Ueshiba, aos 86 anos de idade, tomou a mão de seu filho Kisshomaru, riu e disse: “Tome conta de tudo”, e desencarnou.

Uma vigília foi realizada no Hombu Dojô no dia 1º de maio de 1969, a partir das 19h e, no mesmo dia, foi consagrada ao Fundador do Aikidô uma condecoração póstuma pelo Imperador Hirohito. Suas cinzas foram depositadas no cemitério de Tannabe, no templo da família Ueshiba, e mechas de seu cabelo foram guardadas em relicários no Santuário Aiki, em Iwama; no cemitério da família Ueshiba, em Ayabe; e no Grande Santuário de Kumano. Kisshomaru Ueshiba foi eleito para suceder seu pai como Aiki Doshu, por decisão unânime da Aikikai, em 14 de junho de 1970.

O Budô não é um meio de se derrotar um oponente pela força ou com armas letais. Também não é seu propósito levar o mundo à destruição pelas armas ou por outros meios ilegítimos.O verdadeiro Budô busca ordenar a energia intrínseca do Universo, protegendo a paz mundial, moldando e também preservando tudo na natureza em sua forma correta. Praticar o Budô é essencial para fortalecer, em meu corpo e em minha alma, o amor do kami, a divindade que gera, preserva e nutre todas as coisas na natureza” – Morihei Ueshiba.

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Conheça o Aikidô

Local: Academia Central de Aikidô de Natal – ACAN

Endereço: Rua Prof. João Ferreira de Melo – Capim Macio – Natal/RN –  Fundos do CCAB Sul

Telefone: (84) 2020-4841

Site: www.aikidorn.com.br

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AIKIDO PARA O DIA-A-DIA – Por Daniel Nicolau de Vasconcelos Pinheiro

17/02/2014

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Nas primeiras aulas de Aikido, recebemos várias explicações básicas sobre o funcionamento dos treinos, técnicas, etiqueta no tatame, entre outras. É natural que, ao longo da permanência do aluno nos treinos, a curiosidade comece a aumentar e que passemos a ler sobre aquilo que aplicamos nas práticas. Sensei fala – Aikido é para o dia-a-dia, exercício para o corpo e disciplina para a mente. Esta frase parece mais um simples jargão clichê que poderia ser aplicado a todas as formas de se exercitar ou mesmo outras artes marciais, mas nos parece que esta máxima é um pouco mais profunda na bela arte do “caminho para a harmonização das energias”.

Para sustentar esta afirmativa lembramos que, dentre muitos princípios que doutrinam a arte aikidoca, há um que nos dias de hoje nos parece um dos mais importantes, inclusive para o aprendizado e desenvolvimento dos outros princípios. Este é chamado Missogui, que significa: “a prática para remover a poluição (Kegare) do corpo, da mente e do espírito (…). Missogui é o primeiro conceito do Xintoísmo esotérico. É o Missogui aquilo que cria espaço dentro do indivíduo para que ele possa entrar em conexão (Mussubi) com o mundo divino.[1]

Abrir espaço para algo dentro de nós nos dias hoje é tarefa muito difícil, principalmente na sociedade ocidental, cada vez mais capitalista, consumista e desumana. E é neste ponto onde encontramos o maior presente que a prática do Aikido oferece. Um bom sensei irá levar o aluno à pratica do missogui no tatame mesmo sem que ele perceba. No entanto, quando o fazemos de forma consciente ele é muito mais proveitoso e eficiente. “Aikido é o exercício de estarmos sendo ensinados pelos Kamisama (divindade), sobre as vibrações da criação universal (tamashii)”.[2] É preciso estar aberto a estes ensinamentos para recebê-los em sua plenitude.

Para entrarmos no estado onde possamos nos harmonizar com a energia universal e ao aprendizado do Aikido, precisamos nos abrir e sermos propensos a receber. É aí que começa o exercício interno verdadeiro.

A prática do Missogui pode ser realizada de diferentes formas e ao longo de todo o dia. Algumas formas são mais ritualísticas, ligadas à religião e outras mais mundanas. Neste texto, não entraremos em detalhes sobre a ritualística Xintô, pois o nosso objetivo é justamente dar uma pincelada no que a segunda prática pode gerar de benefícios ao praticante de Aikido.

A etiqueta cobrada dentro do tatame e a presença do sensei, já nos convidam a doutrinar a mente para fazer uma pausa no nosso dia e descansar das preocupações. A “ritualística” da aula, o respeito pelas explicações e o treino do que é ensinado buscando imitar os movimentos da forma demonstrada nos leva a um estado de concentração que começa a limpar nossa mente de outros pensamentos, problemas, preocupações, etc.. A concentração “forçada” nas técnicas de queda, principalmente quando estamos como Uke, leva a aflorar nosso instinto de autopreservação que acaba por ajudar a retirar de nossa mente pensamentos ruins. Então o Missogui acontece. Começamos a retirar de nós tensões, asperezas e preocupações e, ao fim de um bom treino, começamos a ver tudo de forma diferente, com a mente mais tranquila e o corpo mais relaxado. Somos até capazes de julgar melhor os motivos de nossas apreensões e tomar decisões mais centradas.

Qual a mágica? Não há mágica, há perseverança, disciplina, disposição para o aprendizado e consideração mútua. Para que ocorra uma aula proveitosa que nos permita praticar o Missogui, é preciso que estejamos dispostos a ceder e a se por no lugar do outro enquanto nage, respeitando as condições físicas e mentais dos nossos colegas de treino. É necessário também que quando Uke, estejamos prontos para sermos flexíveis e perceber a condução do nage, condução esta que pode ser encarada como uma analogia para as formas que a vida nos apresenta as mais variadas situações.

De nada servem as correções e as explicações individuais se não houver espaço mental e humildade para recebê-las. A limpeza interna abre espaço para o aprendizado e para os bons sentimentos de todos aqueles que partilham o dojo conosco. Devemos nos sentir gratos pelas oportunidades e por toda a doação que encontramos no sensei e nos colegas de treino.[3]

Concluindo esta exposição, lembro a frase de Kisshomaru Ueshiba parafraseando o Fundador, “a ressonância do corpo deriva da unidade mente-corpo que se harmoniza com a ressonância do universo”[4]. Para que esta ressonância seja positiva e possamos nos beneficiar dela, precisamos estar no estado adequado para dar e receber. O Missogui é uma prática que nos leva a purificar-nos e abrirmos espaço para aprender a receber, sabendo conscientemente o que e como. E para nós, este é um grande diferencial da prática do Aikido das demais atividades físicas e artes marciais e um grande exercício para toda vida.

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*Daniel Nicolau é Arquiteto, Servidor Público e faixa-preta 1º Dan (Shodan) da Academia Central de Aikidô de Natal.

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Referências:

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[1] BULL, Wagner José. Aikido-caminho da sabedoria. A Teoria.Editora Pensamento, São Paulo. Pg 181 e 182.

[2] Idem

[3] SUNADOMARI, Kanshu. A iluminação através do Aikido. Ed. Pensamento. São Paulo 2006. Pg. 107 a 109.

[4] UESHIBA, Kisshomaru. O espírito do aikido. Ed. Cultrix. São Paulo, 1984.

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O Aikido de Morihei Ueshiba – Por Stanley Pranin

28/10/2013

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Uma das coisas que percebi cedo na minha carreira de pesquisador das origens do aikido é o fato de que poucos professores de aikido da atualidade têm consciência de certos dados específicos da arte do Fundador. Mais que Morihei Ueshiba, os pioneiros do aikido do pós-guerra eram pessoas como Kenji Tomiki, Gozo Shioda, Kisshomaru Ueshiba, Koichi Tohei, Morihiro Saito, Seigo Yamaguchi, Michio Hikitsuchi e outras, que foram as figuras principais que deixaram a impressão mais forte na forma como a arte é praticada atualmente.

A metodologia de ensino de Morihei Ueshiba, que estava fora de sincronia com a sociedade japonesa do pós-guerra, sua forte orientação religiosa, suas frequentes viagens e seus horários irregulares, tornaram difícil para a maioria de seus alunos receberem instruções profundas do Fundador. A isso se soma o fato de que o aikido se desenvolveu e se espalhou pelo Japão durante uma era de paz e posteriormente floresceu em um período de uma prosperidade econômica sem precedentes.

Em tal enquadramento social afastado do constante espectro da Guerra e da sensação de perigo físico, o treinamento do aikido em um período de paz não tinha a intensidade e o foco dos tempos de insegurança da era anterior à guerra. Além disso, a prática do judo e do kendo se espalhou antes da Guerra e era ensinada em escolas. Isso significa que aqueles alunos que aprenderam com O-Sensei no período anterior à Guerra tinham um nível preparação física e mental muito maior ao iniciarem seu treinamento se comparados aos alunos que vieram depois da guerra.

Certamente, existiram alguns técnicos excelentes e professores inspiradores durante os anos iniciais de crescimento do aikido a partir da década de 1950. Também havia alguns que falavam da dimensão moral do aikido e de seu papel como veiculo para o aperfeiçoamento dos indivíduos e da sociedade. Mesmo assim, a alta percepção, a agudeza e a absoluta exuberância apresentadas pelo Fundador ao demonstrar sua arte dificilmente poderiam ser vistos em qualquer lugar.

Da mesma forma, a perspectiva religiosa do Fundador e sua visão de si mesmo como um instrumento do “kami”, cujo propósito seria trazer a paz e a igualdade na terra, é uma visão muito grandiosa para a maioria dos professores de aikido, que veem a si mesmos principalmente como pessoas que oferecem treinamento em autodefesa e exercícios para o público.

Ninguém duvida de que não existe um substituto para longos anos de treinamento dedicado, e o Fundador é o exemplo máximo. Mas, além disso, quais são as características especiais da arte de O-Sensei que o separam das gerações de estudantes que seguiram seus passos?

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Budô e o Ciclo da Repetitividade – Por Paulo de Carvalho Junior

28/08/2013

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Quando começamos no Budô tudo é festa, nos encantamos com a beleza das técnicas funcionando e com a magia disso acontecendo através de nossas mãos. Cada novo ensinamento abre as cortinas de um mundo novo de realizações e possibilidades e, então, nos sentimos fortes. Descobrimos que temos potencialidades que antes não éramos capazes de reconhecer e isso nos excita.

Com o tempo, conforme o treinamento começa a representar algo rotineiro em nossas vidas, o “brinquedo novo” vai perdendo o brilho e logo parece que estamos nos dispondo a mais um ato de automatismo, como ir à escola ou frequentar a missa. É costumeiro, só isso. Quando isto acontece, parece que o Budô já não tem mais aquilo tudo que enxergávamos anteriormente e a tendência natural é deixarmos o empenho nos treinamentos de lado. É justamente aí que aparece o maior contraste entre o raciocínio oriental e o ocidental.

No ocidente, os fatores aparecem como “ondas“, as quais têm de início um grande impacto, mas logo perdem a força e o efeito parece recuar. Talvez seja por isso que tantos se iniciam na prática de alguma arte marcial e logo acabam parando, na maioria das vezes logo nas primeiras faixas. O fato é que tão logo isso aconteça aparece uma nova onda, que pode se manifestar na forma do intuito de aprender a tocar algum instrumento musical ou dançar, compromissos estes que também logo serão abandonados, a menos que a pessoa se disponha a compreender o que há do lado de lá da cortina. Que cortina? – poderia você se questionar. A esta pergunta um oriental normalmente responderia: a cortina da ilusão. Isso porque é justamente o que vai embora quando os primeiros ajustes de excitação de dispersam – a ilusão. O que está se desfazendo, na verdade, é a nossa visão premeditada da coisa; aquilo que imaginávamos que era depois de nosso primeiro contato. E o que resta então? Bem, o que resta é o verdadeiro valor da arte: o , ou caminho. E como todo caminho que vale à pena é longo, o que aparece diante de nossos olhos quando a ilusão se dissipa é uma grande obra a se realizar, porém, PASSO POR PASSO. É justamente aí que muita gente desiste e o irônico é que isto acontece a despeito do que de fato deveria estar sendo enxergado, isto é, “um caminho que de fato vale à pena provavelmente não tem um destino visível a olhos nus“.

É preciso enxergar com os olhos da alma… Quando vemos grandes mestres manifestando seu Aikidô, ficamos logo maravilhados com a beleza de seus movimentos. Porém, para o praticamente mais avançado a curiosidade certamente vai além: como será que este mestre come? Como se porta diante dos imprevistos? O que faz ele em suas horas vagas? Em outras palavras, a curiosidade que fica para os “iniciados” é a seguinte: o que o Aikidô trouxe de realmente valioso para a vida deste homem? Sim, porque uma arte jamais poderia se deter nos valores efêmeros da beleza plástica de movimentos bem executados. Se assim fosse, Balett poderia ser considerado uma via espiritual. Tem que haver um algo mais, uma chama que mova a intenção de praticar, MESMO DIANTE DE TREINAMENTOS EM QUE AS REPETIÇÕES SE DÊEM DE FORMA PRATICAMENTE INFINITA.

Quando praticamos uma técnica milhares de vezes, o fazemos para enxergar além dela. Interiorizando-a, podemos desocupar nossas mentes do movimento para então dar espaço para um outro nível de compreensão. É então que a verdade suprema das artes marciais se manifesta, provando que o trabalho todo está em sentir e não em simplesmente racionalizar o que está sendo feito. De fato, quando nos tornamos capazes de “sentir” um movimento ao invés de simplesmente executá-lo, que movimento é este já não importa mais. Repetir uma, cem ou mil vezes já não faz mais diferença, justamente porque o prazer da prática passa a se concentrar no durante, no ato de fazer em si, e não mais no que fazer aquilo possa representar.

Moral da história: competência (técnica, espiritual, etc.) é algo que se desenvolve de dentro para fora – nunca ao contrário.

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Morihei Ueshiba (1883-1969) – 44 anos da passagem do Fundador do Aikidô

26/04/2013

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Hoje, 26/04/2013, faz exatos 44 anos da morte do Fundador do Aikidô, Morihei Ueshiba, conhecido pelos Aikidocas ao redor do mundo como Ô –Sensei – Grande Mestre.

Os últimos anos de Morihei Ueshiba foram passados principalmente em Tóquio à medida que a sua saúde se tornava gradualmente mais frágil em virtude de sua idade já avançada, 86 anos. Não obstante, continuou ensinando até março de 1969, altura em que adoeceu, devido a complicações no fígado, e foi internado no hospital da Universidade de Keio. Na ocasião Morihei disse a seu filho Kisshomaru: “Deus está me chamando”.

Uma das últimas aparições do Ô-Sensei deu-se no dia 15 de abril de 1969, Morihei participou das comemorações do ano novo no Hombu Dojô. Mesmo parecendo estar com a saúde impecável, sua condição física deteriorava-se rapidamente e devido a tal quadro seus numerosos discípulos e amigos fizeram suas últimas visitas e homenagens. Mesmo já no final de sua existência neste plano Ô-Sensei propagava os ideais do Aikidô, e dizia aos presentes: “O Aikidô é para todos…” dizia o Mestre, “não treinem por razões egoístas, mas para todas as pessoas em todos os lugares”.

No dia 26 de abril de 1969, Morihei Ueshiba, aos 86 anos de idade, tomou a mão de seu filho Kisshomaru, riu e disse: “Tome conta de tudo”, e desencarnou.

Uma vigília foi realizada no Hombu Dojô no dia 1º de maio de 1969, a partir das 19h e, no mesmo dia, foi consagrada ao Fundador do Aikidô uma condecoração póstuma pelo Imperador Hirohito. Suas cinzas foram depositadas no cemitério de Tannabe, no templo da família Ueshiba, e mechas de seu cabelo foram guardadas em relicários no Santuário Aiki, em Iwama; no cemitério da família Ueshiba, em Ayabe; e no Grande Santuário de Kumano. Kisshomaru Ueshiba foi eleito para suceder seu pai como Aiki Doshu, por decisão unânime da Aikikai, em 14 de junho de 1970.

O Budô não é um meio de se derrotar um oponente pela força ou com armas letais. Também não é seu propósito levar o mundo à destruição pelas armas ou por outros meios ilegítimos.O verdadeiro Budô busca ordenar a energia intrínseca do Universo, protegendo a paz mundial, moldando e também preservando tudo na natureza em sua forma correta. Praticar o Budô é essencial para fortalecer, em meu corpo e em minha alma, o amor do kami, a divindade que gera, preserva e nutre todas as coisas na natureza” – Morihei Ueshiba.

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Conheça o Aikidô

Local: Academia Central de Aikidô de Natal – ACAN

Endereço: Rua Prof. João Ferreira de Melo – Capim Macio – Natal/RN –  Fundos do CCAB Sul

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Regras Durante a Prática – Por Morihei Ueshiba

20/09/2012

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As regras de prática do Aikidô de Ô-Sensei Morihei Ueshiba, foram postadas no Hombu Dojo por muitos anos, e têm sido traduzidas por diversas vezes e de maneiras ligeiramente diferentes. Esta versão foi publicada originalmente no livro “Aikidô”, de Kisshomaru Ueshiba, 2º Doshu, em 1974, livro este que foi um dos primeiros livros sobre o Aikidô traduzidos para o inglês. Abaixo das regras, as elucidações do 2º Doshu.

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Regras Durante a Prática

1) Um golpe no Aikidô é capaz de matar um adversário. Na prática, obedeça ao seu professor e não faça do período de prática, um tempo para testes desnecessários de força;

2) O Aikidô é uma arte em que um homem aprende a enfrentar muitos adversários simultaneamente. Por isso, exige que você aperfeiçoe a execução de cada movimento, de modo que você possa ter controle sobre, não apenas aquele que vem diretamente a você, mas também aqueles que se aproximam de todos os lados;

3) Pratique todas as vezes com um sentimento de alegria e prazer;

4) Os ensinamentos de seu instrutor constituem apenas uma pequena fração do que você vai aprender. Seu domínio de cada movimento vai depender quase que totalmente da sua prática individual e séria;

5) A prática diária começa com movimentos leves do corpo, aumentando gradualmente de intensidade e força, mas não deve haver excesso de esforço. É por isso que mesmo um homem idoso pode continuar a praticar com prazer, sem danos físicos, e vai atingir a meta de sua formação;

6) O propósito do Aikidô é treinar o corpo e a mente para fazer um homem sincero. Todas as técnicas do Aikidô são segredos da natureza e não devem ser revelados publicamente, nem ensinada para malandros que irão utilizá-las para fins malignos.

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Primeiro, é bom obedecer ao instrutor e lembrar-se de suas instruções, acima de tudo. Não importa o quanto você possa estudar, se você se apegar a si mesmo, você não vai desenvolver a sua capacidade.

Em segundo lugar, budô é para combater qualquer ataque de qualquer direção a qualquer momento. Quando você está pronto apenas para um adversário, sem estar preparado para os outros, será apenas uma luta comum. Postura em guarda, com um espírito inamovível é a base de todo exercício de budô. As pessoas geralmente dizem: “O homem se comporta irrepreensível“, ou “Um excelente artista marcial vive completamente em guarda.” Aqueles que estudam o Aikidô devem, portanto, passar a vida diária em guarda, mesmo se eles não estão conscientemente observando todas as direções ao redor.

Mas se você mantiver a disciplina de budô sem se cansar, você vai finalmente chegar a um estágio realmente agradável. Algumas pessoas não entendem que é melhor sofrer enquanto estuda, para não sofre depois. O verdadeiro estudo é agradável em todos os momentos. Aikidô tem alguns milhares de variações técnicas. Alguns estudantes querem apenas ir atrás de um acúmulo de quantidade de técnicas e não da qualidade delas. No entanto, quando eles olham para trás, eles vem a saber que não ganharam nada e assim logo perdem o interesse. Como há inúmeras variações de cada técnica, é necessário que os instrutores sempre enfatizem a importância da repetição para os iniciantes. Quando você praticar cada técnica básica, uma e outra vez, você domina-a e, em seguida, serás capaz de usar as variações.

Quando o Mestre veio pela primeira vez a Tóquio, entre os seus alunos mais fervorosos estava o Almirante Isamu Takeshita. Ele escreveu todas as técnicas que ele aprendeu com o Mestre. Eles ascenderam a mais de duas mil, e ainda havia mais. Ele estava num beco sem saída pois não poderia fazer todas elas. Após cuidadosa consideração de vários dias, ele entendeu o significado do cuidado do Mestre, “Você deve estudar, usando o exercício sentado como base.” Ele praticou e, então, finalmente tornou-se capaz de gerenciar as técnicas tão bem que ele pode entender as técnicas que ainda não tinham sido ensinadas por seu instrutor. Para um idoso de 60 anos, é o mesmo: A repetição do exercício é o segredo de melhoria, não importa quão inábeis possam vir a ser.

A quinta regra é não contradizer a natureza. Deve ser evitado o excesso em qualquer coisa. Moderação é a chave. Não importa quão pouco o excesso é, toda a postura e a condição do corpo estarão desequilibradas. O exercício natural cria a verdadeira força. Por esta razão, foi possível para o Dr. Niki, um homem de mais de 80 anos de idade, praticar o Aikidô.

Por fim, o objetivo do Aikidô não é apenas produzir um homem forte, mas criar uma pessoa integrada. Qualquer pessoa educada sabe que a força bruta não tem sentido nos dias de hoje de civilização avançada. Por esta razão, o Mestre proibiu que o Aiikidô fosse mal utilizado e severamente advertia a todos caso acontecesse. Ele não permitia a publicação de suas técnicas de arte marcial e suas apresentações sem as necessárias garantias para cada aluno. 

Em resumo, aqueles que desejam estudar o Aikidô deveriam ter a mente correta e justa, obedecer aos instrutores, e estudar naturalmente. Por uma questão de consequência, as técnicas serão cultivadas com a habilidade de cada um e um caráter nobre será criado neste ambiente.

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A repetição é a mãe do aprendizado – Por Kisshomaru Ueshiba

16/08/2012

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Algumas mulheres e homens podem apresentar resistência às práticas repetitivas das posturas básicas, mas é uma preliminar necessária para aprender as técnicas. Aprender a distanciar-se corretamente (ma-ai) ao enfrentar um oponente pode ser inesperadamente difícil, tanto quanto realizar os movimentos de pés de uma maneira fluente e contínua. O cultivo do poder da respiração ou ki, originando-se no centro e estendendo-se através dos braços e mãos, pode, inicialmente, se constituir num problema para algumas mulheres. O domínio do ukemi, as quedas, mantendo-se sempre o próprio centro e o equilíbrio, tem que ser praticado muitas e muitas vezes. As dificuldades encontradas pelas iniciantes, incluindo confusão, transpiração, contusões ocasionais, não parece detê-las. Segundo elas, as dificuldades são mais um desafio do que um desencorajamento, e realmente intensificam a motivação para dominar o Aikidô.

Os homens fazem comentários semelhantes, mas parece que as mulheres têm mais resistência, paciência e vontade de continuar no caminho, e isso, provavelmente está relacionado com os poderes criativos inconscientes que elas possuem. As mulheres que entram pelos portões do aikidô raramente abandonam o treinamento logo depois de terem começado. Pelo menos oito em cada dez continuam, e quando mais tempo e mais profundamente estudam mais elas se tornam encantadas com o aikidô. A razão disso não é sempre clara, mas uma ideia geral pode ser obtida dos comentários feitos em entrevistas em jornais e revistas, e em ensaios que aparecem de tempos em tempos nos artigos publicados pelo Hombu Dojô.

Não podia nem mesmo dar uma cambalhota quando comecei o aikidô, então quando pela primeira vez caí rolando para frente, senti como se tivesse ganho meu dia.” “Em seis meses, meu corpo se tornou tão leve como uma bola, quando era arremessada. Acho que o aikidô me tornou mais forte como pessoa, e apesar de não pensar particularmente sobre o budô, acredito que estou aprendendo a apreciá-lo.” “Devido à prática constante do seiza, minha postura realmente melhorou. Meus professores de cerimônia de chá e de arranjos florais frequentemente mencionam o fato, e o de dança japonesa diz que meu movimento de pés e postura tornaram-se muito bons.” “Quando praticava judô, sempre sentia um complexo de inferioridade por causa dos homens, que eram mais fortes, e não gostava de algumas técnicas de chão. Com o aikidô, como a meta não é a exibição de mera força, e nenhuma das técnicas é ofensiva, eu realmente gosto dele.” “Agrada-me muito ser uke, porque quando sou arremessada, todo meu orgulho e vaidade desaparecem.” ” É quando sou capaz de tornar-me eu mesma através da prática, penso mesmo o aikidô é algo como Zen, um Zen dinâmico. ” “Uma das razões pelas quais continuo no dojô é sua atmosfera harmoniosa. Pratico com vários tipos de pessoas, e não há rivalidade, porque ninguém ganha ou perde. Isso afetou minha própria atitude em relação aos outros. Tento trabalhar com eles ouvir mais cuidadosamente o que têm a dizer.” “À medida em que comecei a dominar o princípio do movimento esférico, minha habilidade em lidar com minhas tarefas diárias melhorou. Não perco mais meu tempo, e o meu mundo tornou-se mais rico e completo. O aikidô é uma parte necessária da minha vida. Agora não poderia mais viver sem ele.”

Comentários como esses vêm de professoras, funcionárias públicas, donas-de-casa, estudantes, médicas, secretárias e outras de várias idades e profissões. Apesar das diferenças, percebo um tema comum. Todas captaram mais ou menos a essência do aikidô, intuitiva e experimentalmente, e os seus comentários, diferindo daqueles feitos pelos homens, são mais estreitamente relacionados com a vida diária. Isso significa que ao passo que não há discriminação entre homens e mulheres no conteúdo e prática do aikidô, uma distinção natural aparece nas respostas a ele. Isso é bom para o aikidô porque quebra os estereótipos que as pessoas têm sobre artes marciais.

No aikidô, a individualidade de cada pessoa é respeitada, e a força de cada indivíduo é desenvolvida e alimentada. Enquanto o treino e a filosofia do aikidô têm aplicação universal, cada reação, seja de homem ou mulher, depende do indivíduo. O Aikidô não é masculino nem feminino, nem deveria haver qualquer pressuposição sobre como homens ou mulheres devem atuar ou desempenhar no aikidô.

Um outro fenômeno recente no aikidô é o aumento no número de famílias que se tornam envolvidas na prática, como foi mencionado anteriormente. Muitos pais estimulam seus filhos a se dedicarem ao aikidô. Então na medida em que visitam regularmente o dojô, eles próprios se interessam e começam a praticar. Isso é especialmente verdadeiro em relação aos pais e avós que já haviam treinado aikidô na sua juventude e agora estão incentivando seus filhos e netos. Um impressionante número de mães que trazem seus filhos para praticar aikidô também se torna praticante regular.

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Trecho do livroO Espírito do Aikido”.

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A importância do treinamento – Por Kisshomaru Ueshiba

01/08/2012

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A única maneira de apreender o significado do Aikidô e de obter algum benefício, palpável ou não, é praticar realmente a arte. A maioria dos praticantes passou por um processo assim: começam com dúvidas e perguntas, são iniciados na prática e gradualmente se familiarizam com o método e a forma do Aikidô. Mais tarde, sentem sua irresistível atração, e por fim, obtêm certa compreensão de sua profundidade imensurável. Quem tenha percorrido este ciclo terá aprendido várias coisas sobre o Aikidô que o tornam uma arte marcial singular.

Em primeiro lugar, a pessoa se surpreenderá. Diferentemente da aparência suave vista nas demonstrações públicas, o Aikidô pode ser realmente duro, vigoroso e dinâmico, com chaves de pulso fortes e golpes diretos (atemi). A despeito do que poderia supor, o Aikidô dispõe de várias técnicas devastadoras, especialmente as destinadas a desarmar e a dominar o inimigo.

Em seguida, ela ficará chocada ao descobrir o quanto é complicado e difícil, mesmo no nível de principiante, executar as técnicas e movimentos básicos, tais como as quedas (ukemi), o distanciamento adequado (ma-ai), a entrada (irimi), e outros movimentos de corpo (tai sabaki). O fato é que o corpo todo, não apenas os braços e as pernas devem mover-se com rapidez, vigor e potência. É necessário um grau extraordinário de concentração mental e de agilidade, de equilíbrio e de reflexos para atuar com suavidade e rapidez.

Perceberá também a importância do controle da respiração, que inclui não somente a respiração normal, mas algo mais que se conecta com a energia Ki. Este domínio do poder de pulsação é a base para a execução de qualquer movimento e garante a continuidade do fluxo dos movimentos. Além disso, está intimamente relacionado com a filosofia do Budô desenvolvida por mestre Ueshiba, como veremos adiante.

Por fim, à medida que o aluno avança, ficará admirado com o incontável número de técnicas, com suas variações e aplicações, toda caracterizadas pela racionalidade e economia. Só depois de experimentar a complexidade dos movimentos do Aikidô é que ele terá condições de apreciar o valor central do ki, tanto o individual como o universal. E então começará a sentir a profundidade e o refinamento do Aikidô como arte marcial.

Em síntese, somente através de um treinamento efetivo no Aikidô é que podemos compreender a plenamente a dimensão essencial do Budô — o treinamento constante da mente e do corpo como disciplina básica para os seres humanos que trilham o caminho espiritual. Só então podemos compreender completamente a recusa de competições e torneios de Aikidô e o motivo que justifica as demonstrações públicas como sendo uma amostra de treinamento constante, e não de exibição de ego.

 

Trecho do livro “O Espírito do Aikido”.

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Aikidô para Crianças

16/04/2012

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O Aikidô é um instrumento importante no processo de desenvolvimento dos mais novos. Tendo como origem os movimentos de auto-defesa, permite-se às crianças desenvolverem uma melhor relação com o espaço que as rodeia, com os outros, e, fundamentalmente, adquirir uma maior consciência do seu próprio corpo.

Através dos movimentos circulares próprios do Aikidô, a criança aprenderá a coordenar e controlar melhor os seus movimentos, bem como a descobrir as suas capacidades e limites físicos. Aprenderá a cair e levantar-se em segurança e que a queda é sempre uma oportunidade de começar um novo movimento; aperceber-se-á do corpo de uma forma diferente e aprenderá a usá-lo de maneira benéfica.

O treinamento constante leva o aluno a perceber o valor da integridade física do parceiro de prática; que um ataque, no Aikidô, não é mais que uma oferta que alguém faz para a evolução conjunta e que todos aprenderão a aplicar, na medida certa, a sua energia.

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BENEFÍCIOS COM A PRÁTICA

Corpo:

Promove uma melhor circulação da energia pelo corpo, facilitando a irrigação sanguínea e o bom funcionamento de todos os órgãos. Em paralelo, a prática do Aikidô educa o corpo a se movimentar de forma natural e sem esforço, respeitando a constituição e os limites de cada praticante. Como benefícios observam-se:

      · Flexibilidade;

      · Leveza;

      · Agilidade;

      · Equilíbrio;

      · Postura.

Mente e Espírito:

Os benefícios aproveitados por cada praticante de Aikidô são inúmeros e variam entre indivíduos. Os mais ansiosos tendem a se tornam mais calmos, os briguentos tendem a se tornar mais compreensivos, os medrosos passam a ter mais confiança, os tímidos começam a se expressar melhor, em suma, tem-se o acréscimo da auto-estima dos participantes.

Entre os benefícios emocionais temos:

      · Confiança;

      · Atenção;

      · Calma;

      · Satisfação;

      · Coragem;

      · Respeito;

      · Disciplina.

Percepção de si:

Gradualmente, a prática do Aikidô provoca mudanças na consciência sobre si mesmo, sobre a vida e sobre os outros. Alguns novos valores são incorporados e a percepção sobre certo e errado, amizade, futuro, realização, integridade, comunidade e mundo, vão ganhando novos significados.

Entre os benefícios na forma de pensar temos:

      · Maior abertura ao novo e ao diferente;

      · Aprendizagem de novas culturas;

      · Introdução ao pensar sistêmico;

      · Visão mais cooperativa que competitiva.

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Em Natal/RN tem o Projeto Aikidô.

Veja o Álbum do Projeto Aikidô.

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Aikidô no Kokoro – Por Kisshomaru Ueshiba

21/03/2012

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Empreendi o treinamento do corpo através do budô e, ao mesmo tempo em que aprendi todos os segredos, obtive uma verdade ainda maior. Quando compreendi a essência da realidade universal, vi claramente que os seres humanos devem unificar o ‘sentimento’ (kokoro), o corpo e o ki que une os dois e que a pessoa deve harmonizar sua atividade com a atividade de todas as coisas do universo, ou seja, dependendo da atividade sutil do ki, o sentimento e o corpo se harmonizam e, também, se harmoniza a relação entre o indivíduo e o universo.

Se não se utiliza corretamente a atividade sutil do ki, o sentimento e o corpo das pessoas adoecem, o mundo se torna caótico e o universo todo fica em desordem. Consequentemente é necessário harmonizar os três corretamente com a atividade de todas as coisas do universo para que haja ordem e paz no mundo. O Aikidô é o caminho da verdade. Treinar-se no Aikidô é treinar-se na verdade. Pela dedicação, treinamento e compreensão, nascerá a técnica divina.

Somente dedicando-se aos três tipos de treinamento mencionados a seguir, é que a verdade inabalável da força extraordinária se tornará parte do nosso sentimento e do nosso corpo:

1. Treinar para harmonizar o sentimento com a atividade de todas as coisas do universo;

2. Treinar para harmonizar o corpo com a atividade de todas as coisas do universo;

3. Treinar para fazer com que o ki que une o sentimento e o corpo se harmonize com a atividade de todas as coisas do universo.

Somente quem pratica e realiza esses três pontos simultaneamente, não apenas teórica, mas praticamente, no Dojô e em cada momento da vida diária, que é considerado o verdadeiro Aikidoca.

O Mestre Ueshiba ensinou repetidas vezes:

Cada técnica de uma arte marcial deve estar de acordo com a verdade do universo. Se isso não acontecer, a arte marcial estará isolada e com natureza diferente da arte marcial criadora de amor, o ‘take musu’. O ‘Aiki’ é desde a sua origem um ‘take musu’ por excelência. Aqui, marcial ‘take’ significa o bramido heroico, a vibração do corpo através do poder do ‘aum’ (o poder da respiração) que ressoa no espaço. A vibração interna do corpo deriva da unificação sentimento / corpo, que se sintoniza com a vibração do universo. A resposta mútua e o intercâmbio produzem o ‘ki’ do ‘Aiki’. A essência do Aikidô é o ecoar da vibração interna do corpo com a vibração do universo. Disso nascem o calor, a luz e o poder unidos num espírito plenamente realizado. O delicado ecoa do interior do corpo e a vibração do universo amadurece a atividade sutil do ‘ki’ e geram o ‘takemusu aiki’, a arte marcial que é amor e o amor que não é nada mais que arte marcial”.

A resposta à pergunta de como se alcança a unidade do ‘ki’ universal com o ‘ki’ individual, sua atividade harmoniza e resposta mútua, está no treinamento e na prática intensivos. Isso faz da harmonia e do amor a essência do Aikidô. Ambos estão no cerne do Aikidô. O fundador considerava que esta era a essência última e a verdade maior.

Extraído do livro “Aikido no Kokoro” (Kisshomaru Ueshiba) – Tradução e adaptação Ivan Sensei.

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O conceito de Sen – Por Kisshomaru Ueshiba

22/07/2011

O texto que segue foi extraído do livro “A Arte do Aikidô – Princípios e  Técnicas Essenciais”, autoria de Kisshomaru Ueshiba. O Segundo Dosshu explica um conceito pouco entendido pela maioria dos praticantes de artes marciais japonesas, o SEN (antecipação). Aquele entendimento superficial que o Aikidô é uma arte puramente defensiva, cai por terra quando se entende as palavras do Mestre. Boa leitura.

“Nas artes marciais japonesa, o conceito de Sen (antecipação) é muito importante. Para se conseguir a vitória, é preciso demonstrar uma poderosa união de força mental e habilidade técnica. Acredita-se que Sen é a chave para antecipar o controle de qualquer situação.

‘Antecipação e Controle’ são as máximas aqui. Se o praticante possui um bom Sen, antes que oponente possa esboçar um ataque, ele já está completamente dominado. Por outro lado se, diante do oponente, o praticante planejar conscientemente se mover para esquerda ou para direita num dado momento, provavelmente será derrotado. Não adianta abarrotar a mente com estratégias complicadas; isso impede o movimento das mãos e dos pés e ajuda o oponente a levar vantagem. O conceito de Sen não é importante só nas artes marciais; em muitos aspectos da vida, o senso de antecipação é muito valioso.

Nos tempos antigos, a antecipação era categorizada em três níveis: Sen, Sensen no sen e Go no sen. Sen significa antecipar e tomar a iniciativa de sobrepujar o oponente, Sensen no sen é controlar a mente do oponente e usar essa abertura para vencer e Go no sen é reagir aos ataques do oponente sendo capaz de interpretá-los enquanto ocorrem.

Nesse caso, o ponto essencial também é transcender as noções de vitória e derrota, o que significa mover-se livremente de acordo com a necessidade, sem hesitação, e tomar a iniciativa em seus próprios termos. Na prática do Aikido, o Sen surge na mente que não está aprisionada; o praticante enfrenta o oponente sem noções preconcebidas, sem nenhuma intenção de confronto, e se mescla sutilmente com o ataque. No Aikido, Sen é conduzir o oponente para sua esfera, guiando-o de maneira gentil, mas determinada.

Esse tipo de Sen absoluto funciona em todos os níveis da vida, independentemente da situação. Contudo não se conquista esse domínio com facilidade – é preciso treinar como se a própria vida dependesse disso. Por fim, é importante notar o seguinte: muitas pessoas acham que as técnicas do Aikido se baseiam no Go no sen ; ou seja, responder a um ataque depois que ele for desferido. Essa visão é muito imatura – na verdade, ocorre o contrário. Portanto, é preciso treinar sinceramente para aprender a verdadeira dimensão do Sen.”

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Leia on line: A Arte do Aikidô – Princípios e Técnicas Essenciais

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Princípios Básicos da Filosofia do Aikidô: as dívidas, as gratidões e as virtudes dessa arte de Ser – Por Moaldecir Freire Domingos

30/04/2011

Morihei Ueshiba dedicou seu tempo (principalmente no período pós-Segunda Guerra Mundial) de vida para elaborar a filosofia do Aikidô, a partir de estudos budistas, xintoístas, e de sua própria percepção sobre o Ki, o Universo e a Vida experimentados ao praticar diferentes Artes Marciais.

Na obra de Stevens (2004) sobre a Filosofia do Aikidô, encontramos alguns princípios básicos dessa filosofia que foram escritos baseado nos ensinamentos, entrevistas e conversas de Morihei que foram traduzidas pelo próprio Stevens. Também se fundamenta nos ensinamentos de seu mestre Rinjiro Shirata (aluno direto de Morihei), nos escritos de Kisshomaru e na sua própria experiência enquanto praticante do Aikidô.

Stevens (2004) afirma que os princípios básicos são as “quatro gratidões”: a) Gratidão para com o Universo que significa agradecer pelo dom da vida; b) Gratidão para com nossos ancestrais e predecessores representando ser grato pelos pais, grandes líderes, professores, inovadores, artistas, entre outros; c) Gratidão para com o próximo, pois não se pode viver sem relacionamento; e d) Gratidão para com as plantas e animais que sacrificam suas vidas por nós, ou seja, nós existimos às custas de outros seres vivos.

Essas “quatro gratidões” estão diretamente relacionadas com quatro dívidas: a) estamos em débito com o Universo, pela dádiva de seu grande propósito; b) estamos em débito com nossos ancestrais pela dádiva de nossa existência; c) estamos em débito com os homens e mulheres sábios do passado, pela dádiva de toda cultura humana; e d) estamos em débito com os seres vivos pela dádiva de proporcionar o nosso alimento (STEVENS, 2004).

Além desses itens, a Filosofia do Aikidô envolve “quatro virtudes”: 1) a virtude da coragem, a vitória que buscamos é sobressairmos a todos os desafios e lutar até o fim; 2) a virtude da sabedoria, o Aikidô é a arte do aprender profundo, a arte de conhecer a si mesmo; 3) a virtude do amor, o verdadeiro Budô é a função do amor, o caminho do guerreiro não é a destruição e morte, mas experimentar a vida para continuamente criar; e 4) a virtude da empatia que preconiza a aplicação dos ideais do Aikidô nas diferentes esferas das relações humanas, ecológicas, econômicas e na política (IDEM).

Para finalizar a estrutura básica dos valores no Aikidô, citamos agora os três princípios filosóficos da unidade propostos pelo Ô Sensei: 1) a mente deve estar em harmonia com o funcionamento do Universo; 2) o corpo deve estar ajustado com o movimento do Universo; e 3) mente e corpo devem ser um só, unificados com a atividade do Universo (UESHIBA, s/d apud UESHIBA, 2005, p.25).

Morihei Ueshiba criou esses princípios básicos pensando no difícil período pelo qual passava o Japão, dentre os quais podemos citar a rápida modernização e o envolvimento em grandes guerras. Assim Morihei desenvolveu o Aikidô para que qualquer pessoa pudesse treinar e concluiu que o verdadeiro espírito do Budô não deve centrar-se em competições e combates, mas buscar a perfeição como ser humano através de treinamento cumulativo, unificando o ki individual com o ki universal (UESHIBA, 2005).

Nesse sentido, o Aikidô de Morihei não é um esporte competitivo, não participando de eventos competitivos ou de confrontos que incluam divisões por pesos, classificações baseadas no número de vitórias e a premiação de campeões. Essas características dos esportes de luta são consideradas como alimento para o egoísmo, para a vaidade pessoal e o pelo desinteresse nos outros. Não é objetivo do Aikidô criticar as outras artes marciais por tornarem-se esportes. Sobre isso, a transcrição a seguir é esclarecedora:

“Não estamos criticando as demais artes marciais por se tornarem esportes modernos. Historicamente, essa direção era inevitável para a sua sobrevivência, especialmente no Japão pós-Segunda Guerra Mundial, quando todas as artes marciais foram proibidas pelas autoridades da Ocupação Aliada. Mesmo como esportes, atraíram o interesse de muitas pessoas, quer como participantes quer como espectadoras. Isso é positivo, pois não há como negar que os jovens, de modo especial, são atraídos às artes marciais devido às competições e torneios que decidem quem é o melhor no campo. A despeito dessa tendência, o Aikidō se recusa a entrar nesse círculo e permanece fiel à intenção original do Budō: o treinamento e o cultivo do espírito” (UESHIBA, 2005, p. 23).

Dessa forma, compreendemos que o Aikidô é um exercício de aperfeiçoar a nossa condição humana em seus princípios éticos relacionados ao aprendizado e à compreensão das dívidas, ao exercício das gratidões e das virtudes como enunciado nos princípios básicos dessa arte de Ser.

Referências Bibliográficas:

STEVENS, J. A Filosofia do Aikidô. São Paulo: Cultrix, 2004.

UESHIBA, K. O Espírito do Aikidô. 6ª Ed. São Paulo: Cultrix, 2005.

 

*Moaldecir Freire Domingos é formado em Educação Física pela UFRN e faixa-amarela (5º Kyu) da Academia Central de Aikidô de Natal.

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Morihei Ueshiba (1883-1969) – 42 anos da passagem do Fundador do Aikidô

26/04/2011

Hoje, 26/04/2011, faz exatos 42 anos da morte do Fundador do Aikidô, Morihei Ueshiba, conhecido pelos Aikidocas ao redor do mundo como Ô –Sensei – Grande Mestre.

Os últimos anos de Morihei Ueshiba foram passados principalmente em Tóquio à medida que a sua saúde se tornava gradualmente mais frágil em virtude de sua idade já avançada, 86 anos. Não obstante, continuou ensinando até março de 1969, altura em que adoeceu, devido a complicações no fígado, e foi internado no hospital da Universidade de Keio. Na ocasião Morihei disse a seu filho Kisshomaru: “Deus está me chamando”.

Uma das últimas aparições do Ô-Sensei deu-se no dia 15 de abril de 1969, Morihei participou das comemorações do ano novo no Hombu Dojô. Mesmo parecendo estar com a saúde impecável, sua condição física deteriorava-se rapidamente e devido a tal quadro seus numerosos discípulos e amigos fizeram suas últimas visitas e homenagens. Mesmo já no final de sua existência neste plano Ô-Sensei propagava os ideais do Aikidô, e dizia aos presentes: “O Aikidô é para todos…” dizia o Mestre, “não treinem por razões egoístas, mas para todas as pessoas em todos os lugares”.

No dia 26 de abril de 1969, Morihei Ueshiba, aos 86 anos de idade, tomou a mão de seu filho Kisshomaru, riu e disse: “Tome conta de tudo”, e desencarnou.

Uma vigília foi realizada no Hombu Dojô no dia 1º de maio de 1969, a partir das 19h e, no mesmo dia, foi consagrada ao Fundador do Aikidô uma condecoração póstuma pelo Imperador Hirohito. Suas cinzas foram depositadas no cemitério de Tannabe, no templo da família Ueshiba, e mechas de seu cabelo foram guardadas em relicários no Santuário Aiki, em Iwama; no cemitério da família Ueshiba, em Ayabe; e no Grande Santuário de Kumano. Kisshomaru Ueshiba foi eleito para suceder seu pai como Aiki Doshu, por decisão unânime da Aikikai, em 14 de junho de 1970.

O Budô não é um meio de se derrotar um oponente pela força ou com armas letais. Também não é seu propósito levar o mundo à destruição pelas armas ou por outros meios ilegítimos.O verdadeiro Budô busca ordenar a energia intrínseca do Universo, protegendo a paz mundial, moldando e também preservando tudo na natureza em sua forma correta. Praticar o Budô é essencial para fortalecer, em meu corpo e em minha alma, o amor do kami, a divindade que gera, preserva e nutre todas as coisas na natureza” – Morihei Ueshiba.

 

Conheça o Aikidô

Local: Academia Central de Aikidô de Natal – ACAN

Endereço: Rua Prof. João Ferreira de Melo – Capim Macio – Fundos do CCAB Sul

Telefone: (84) 3217-9182

Site: www.aikidorn.com.br

 

Colaboração: www.impressione.wordpress.com


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