Aikidô Natal – Exame de Dan e os Aprovados

04/12/2013

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No sábado, dia 30/11/13, ocorreu na cidade Natal, estado do Rio Grande do Norte, mais um exame de Faixas-Pretas da Academia Central de Aikidô de Natal. O evento deu-se na sede da Academia Central de Aikidô de Natal com a presença do Sensei Toni Rodrigues, 5º Dan de Aikidô e representante da União Sul Americana de Aikidô – Kawai Shihan.

Dentre os convidados, o evento contou com a presença Sensei Rogério Paodejuenas, representando o estado da Paraíba e Sensei Antônio Medeiros representando o estado de Pernambuco, bem como os colegas das Academias de Natal.

O evento teve início com um treino de abertura ministrado pelo Sensei Toni e após o treino, os praticantes foram avaliados.

Após os exames, aqueles que participavam, foram prestigiar a presença do Mestre Toni Rodrigues em um almoço no restaurante Mangai.

No final da tarde do mesmo dia, às 17:00h, os alunos da Academia Central de Aikidô de Natal e seus convidados participaram em peso do último treino do dia ministrado por Toni Sensei.

Por fim, segue os novos Yudanshas da Academia Central de Aikidô de Natal, João Pessoa e Recife.

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Shodan

CICERO FERREIRA DE FRANÇA NETO – Natal/RN

DANIEL NICOLAU DE VASCONCELOS PINHEIRO – Natal/RN

EDNO DE MEDEIROS GRACIA – João Pessoa/PB

EDUARDO TAVARES DE LIMA – Recife/PE

MARCIO HENRIQUE YACYSZYN RODRIGUES – Natal/RN

Nidan

ADRIUS VIEIRA DINIZ – Recife/PE

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Reflexões sobre o título de Yudansha – Por Mitsugi Saotome

19/08/2013

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O título de Yudansha (Faixa-Preta e seus dans) é concedido por várias razões, não apenas por habilidades técnicas. Só porque uma pessoa recebe um certo ranking de Yudansha, não significa que ele ou ela conseguiram o respectivo nível de habilidade naquele momento. Significa que eu sinto que a pessoa está no limiar e crescerá naquele nível com a pressão da responsabilidade que adquiriu.

É óbvio que, receber promoção a qualquer nível de Yudansha, pressupõe-se a existência de certa competência técnica. Mas somente isso não é o suficiente. Meus olhos enxergam de modo diferente quando vejo um aluno praticando. Eu vejo a personalidade e o crescimento dessa ou desse aluno. Eu freqüentemente sei qual é o tipo de dificuldade que o aluno tem que superar. Tenho uma boa noção do quanto essa pessoa tem feito por seu grupo, quanta responsabilidade ele é capaz de suportar e o quanto ele ou ela fez para ajudar aos outros. Eu conheço o crescimento espiritual e social dessa pessoa e suas habilidades no que diz respeito à liderança.

Foi me perguntado várias vezes como um aluno deve treinar e com que tipo de meta em mente para cada exame de Yudansha. A maioria disso não pode ser colocada em palavras e devem vir do coração individual de cada aluno com seu crescimento na compreensão; mas eu posso lhe dar alguns conselhos:

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Para treinar para Shodan (Faixa-Preta 1° Dan):

Você está treinando para se tornar um iniciante, e não mais um convidado no dojô, mas um aluno com reais responsabilidades. Deve-se estudar a forma básica de técnica e o princípio básico, até que o movimento correto se torne automático e seja natural.

Para treinar para Nidan: (Faixa-Preta 2° Dan):

A potência do movimento deve ser enfatizada e desenvolvida. A realidade funcional da técnica deve ser explorada e uma compreensão do que realmente funciona e porque deve ser desenvolvida.

Para treinar para Sandan: (Faixa-Preta 3° Dan):

O aluno deve desenvolver um entendimento do princípio de Aiki e começar desprender-se da técnica.

Para treinar para Yondan: (Faixa-Preta 4° Dan):

O aluno deve descobrir a filosofia do princípio de Aiki e seu relacionamento com a técnica. A forma técnica deve estar profundamente refinada de acordo com sua compreensão, e o estudante deve começar a desenvolver seriamente a arte de treinar a outros. O treinamento pessoal já não é o suficiente. O aluno deve entender a responsabilidade social.

Para treinar para Godan: (Faixa-Preta 5° Dan):

Deve-se fazer do princípio de Aiki uma parte direta em sua vida, desenvolvendo assim um espírito incrível, qualidades de liderança e a aplicação espiritual e social do princípio de Aiki. Uma completa espontaneidade de técnica deve ser desenvolvida, a qual não é mais técnica, mas o princípio que suporta a base da técnica. Deve haver, quando se atingir esse ponto, uma dedicação completa à arte, e um grande crescimento espiritual. Um crescimento que produz não uma preocupação com um dojô ou uma área, mas uma preocupação ativa por todos os alunos e todas as pessoas do mundo. Por todos esses anos de treinamento, sua compreensão física, mental, social e espiritual e força devem uniformemente sempre estar progredindo. A aplicação espontânea de Aiki deve progredir. Se você para de treinar em qualquer desses níveis, seu Aikidô não crescerá mais.

Apenas gastar seu tempo treinando não faz sentido. A qualidade e intensidade de seu treinamento, as descobertas que você faz a cada dia, essas coisas são significativas. Você deve treinar duramente e descobrir a resposta por si mesmo.

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Tradução:

Paulo C. G. Proença – Dojô Kokoro – www.aikido.sorocaba.nom.br

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O Aikidô – Por Morihei Ueshiba

24/07/2013

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Como ai (harmonia) é comum com ai (amor), eu decidi nomear meu budô único (no sentido de diferenciado) de “Aikidô“, embora a palavra “aiki” seja uma palavra antiga. A palavra como foi usada pelos guerreiros no passado é fundamentalmente diferente da minha. Aiki não é uma técnica para lutar com ou derrotar o inimigo. É o caminho para reconciliar o mundo e fazer dos seres humanos uma só família.

O segredo do Aikidô é nos harmonizar com o movimento do Universo e trazer-nos em unidade com o próprio Universo. Aquele que obteve o segredo do Aikidô tem o Universo em si mesmo e pode dizer: “Eu sou o Universo“.

Eu nunca sou derrotado, por mais rápido que o inimigo possa atacar. Não é porque minha técnica é mais rápida do que a do inimigo. Não é uma questão de velocidade. A luta é finalizada antes mesmo de já ter começado.

Quando o inimigo tentar lutar contra mim, o próprio Universo, ele precisa quebrar a harmonia do Universo. Por isso, no momento em que sua mente está focada em lutar comigo, ele já está derrotado. Não existe nenhuma medida de tempo – rápido ou devagar.

O Aikidô é não-resistência. Como é não-resistente, é sempre vitorioso. Aqueles que têm uma mente conturbada, uma mente de discórdia, já foram derrotados desde o começo. Então, como você pode endireitar uma mente conturbada, purificar seu coração, e ser harmônico com as atividades de todas as coisas da Natureza? Você deveria primeiro fazer do coração de Deus o seu coração. É um Grande Amor, Onipresente em todos os cantos e em todos os tempos do Universo. “Não há desacordo no Amor. Não há inimigos do Amor.” Uma mente conturbada (em desacordo), pensando na existência do inimigo, não é mais consistente com o desejo de Deus.

Aqueles que não concordam com isso não podem estar em harmonia com o Universo. O budô deles é de destruição. Não é um budô construtivo.

Portanto, competir nas técnicas, ganhar ou perder, não é o verdadeiro budô. Verdadeiro budô não conhece derrota. “Nunca derrotado” significa “nunca lutando“.

Ganhar significa ganhar sobre a mente de discórdia dentro de você. Isso é conseguir realizar a missão a qual lhe foi conferida. Isso não é mera teoria. Você pratica isso. Então você aceitará o grande poder da unidade com a Natureza.

Não olhe nos olhos do oponente, ou sua mente será direcionada para os olhos dele. Não olhe para espada de seu oponente, ou você será morto pela espada dele. Não olhe para ele, ou seu espírito será distraído. Verdadeiro budô é o cultivo da atração pela qual você direciona o oponente por inteiro para você. Tudo que tenho de fazer é continuar a ficar nesse caminho.

Até mesmo ficando de costas para o oponente é suficiente. Quando ele ataca, batendo, ele vai se machucar com a própria intenção de bater. Eu sou um com o Universo e nada mais. Quando eu me posiciono, ele será direcionado para mim. Não existe tempo e espaço perante Ueshiba do Aikidô‚ apenas o Universo como é.

Não existe inimigo para Ueshiba do Aikidô. Você está equivocado se você pensa que budô significa ter oponentes e inimigos, e ser mais forte e derrubá-los. Não existe nem oponentes nem inimigos para o verdadeiro budô. Verdadeiro budô é ser uno com o Universo; isto é, estar unido com o Centro do Universo.

Uma mente para servir a paz de todos os seres humanos no mundo é necessária no Aikidô, e não uma mente daquele que deseja ser forte ou que pratica apenas para derrubar o oponente. Quando alguém pergunta se meus princípios Aiki budô são tirados da religião, eu digo: “Não.” Meus verdadeiros princípios do budô iluminam as religiões e as lideram para a plenitude.

Eu sou calmo em qualquer momento ou maneira que eu for atacado. Eu não tenho nenhum apego com a vida ou a morte. Eu deixo tudo como é para Deus. Seja desapegado da ligação com a vida e a morte, e tenha uma mente que deixa tudo para Deus, não apenas quando estiver sendo atacado, mas também em sua vida diária.

Verdadeiro budô é um trabalho de Amor. É um trabalho de dar vida para todos os seres, e não de matar e lutar uns com os outros. Amor é a divindade guardiã de tudo. Nada pode existir sem Amor. Aikidô é a realização do Amor.

Eu não faço companhia com homens. Para quem, então, eu faço companhia? Deus. Este mundo não está indo bem porque as pessoas estão fazendo companhia entre si, dizendo e fazendo besteiras. Seres bons e seres maus são todos uma única família no mundo. Aikidô deixa de fora qualquer ligação, qualquer apego; Aikidô não julga casos relativos em bons ou maus. Aikidô mantém todos os seres em constante crescimento e desenvolvimento, e serve para a plenitude do Universo.

No Aikidô nós controlamos a mente do oponente antes de enfrentá-lo. Isto é, nós direcionamos ele para dentro de nós. Nós nos movemos para frente na vida com esta atração do nosso espírito, e tentamos ter uma visão inteira do mundo.

Nós incessantemente rezamos para que as lutas não aconteçam. Por esta razão, não há torneios no Aikidô. O espírito do Aikidô é de um ataque amoroso e de uma reconciliação pacífica. Neste foco, nós juntamos e unimos os oponentes com a intenção poderosa do Amor. Através do Amor, nós somos capazes de purificar os outros.

Compreenda o Aikidô primeiramente como budô e então como um meio de serviço para construir a Família Mundial. Aikidô não é para um único país ou alguém em particular. Seu único propósito é realizar o trabalho de Deus.

O verdadeiro budô é a proteção amorosa de todos os seres com um espírito de reconciliação. Reconciliação significa permitir a realização da missão de todos.

O “Caminho” significa ser uno com o desejo de Deus e praticá-lo. Se estamos só um pouquinho fora dele, não é mais o caminho. Nós podemos dizer que Aikidô é um caminho para varrer os demônios com a sinceridade da nossa respiração ao invés da espada. Isto é, mudar a mente demoníaca do mundo para o Mundo do Espírito. Esta é a missão do Aikidô. A mente demoníaca sucumbirá na derrota e o Espírito se erguerá na vitória. Então o Aikidô colherá frutos neste mundo.

Sem budô uma nação se arruinará, porque budô é a vida do amor protetor e a fonte das atividades da ciência.

Aqueles que procuram estudar o Aikidô deveriam abrir suas mentes, ouvir a sinceridade de Deus através do Aiki, e praticá-la. Vocês deveriam compreender a grande limpeza do Aiki, pratique-a e aperfeiçoem-se sem hesitação. Neste desejo começa o cultivo de nosso espírito.

Eu quero sensibilizar as pessoas a ouvirem a voz do Aikidô. Não é para corrigir os outros; é para corrigir sua própria mente. Isto é Aikidô. Esta é a missão do Aikidô e esta deveria ser sua missão.

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Palavras de Morihei Ueshiba do livro: “Aikido by Kisshomaru Ueshiba

Tradução Livre: Saulo Nagamori Fong

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A Reverência no Aikidô

22/04/2013

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A reverência é parte integral da etiqueta oriental substituindo o aperto de mão das sociedades ocidentais em quase todas as situações passíveis de comparação. No Japão, as crianças, tradicionalmente, aprendiam a reverenciar antes mesmo que pudessem ficar de pé. Isso, porque as mães tinham por hábito carregar seus bebês nas costas fazendo com que os bebês, ainda que involuntariamente, reverenciassem todas as vezes que suas mães o faziam. Esta maneira de carregar um bebê não é mais tão usual no Japão de hoje, mas a reverência continua sendo o modo mais usado para se cumprimentar um ao outro.

Visto que não moramos no Japão e reverenciar não faz parte da nossa cultura, seria razoável perguntar por que devemos reverenciar quando estamos praticando o Aikidô na Nova Zelândia? A minha resposta para esta pergunta (resposta que pode estar condicionada por vários anos vividos no Japão) é, primeiramente, que o Aikidô é uma atividade cultural Japonesa não existindo razão especifica para descaracterizá-la e, segundo, a reverência é uma ótima maneira de demonstrar respeito, tão importante no Aikidô quanto na vida. Quanto mais praticamos o Aikidô naturalmente mais respeito sentimos pelos outros, e reverenciar é uma maneira de expressar isso mantendo a estética da arte. No seu aspecto marcial o Aikidô demanda respeito mútuo entre os companheiros como reconhecimento da natureza de “vida ou morte” das técnicas que estão sendo estudadas, mesmo que praticado dentro do ambiente seguro do dojô.

Do ponto de vista mental ou espiritual, naturalmente mantém-se o respeito pelos companheiros discípulos do Caminho (Dô) por seus esforços em realizar todo o potencial como seres humanos. A reverência ajuda criar um ambiente para este trabalho interior. O sentimento ao se reverenciar é importante e não há nada de humilhante ou degradante neste gesto aonde todo nosso corpo e mente estão envolvidos em expressar gratidão e respeito. De fato, treinar um pouquinho de reverência é algo do qual nós ocidentais poderíamos nos beneficiar.

No Budô o reigisaho[1] tem uma importância fundamental. Para o praticante ocidental, com tradições culturais diferentes das orientais, as exigências da reverência nas artes marciais japonesas, como o Aikidô, entre outras, são comportamentos que lhe são estranhos e que por vezes adquirem um caráter tão só de obrigatoriedade. Todavia, “qualquer arte marcial pressupõe a existência de uma severa disciplina na sua execução e aprendizagem; uma arte oriental não se pode conceber sem etiqueta. Diz-se que a arte marcial japonesa começa e termina pela delicadeza e respeito mútuo, indispensáveis à elevação da personalidade.” [2]

O dojô [3] deve ser um local onde se desenvolve uma personalidade forte, com qualidades como a humildade, a lealdade, a cortesia, onde o caminho deve ser o de um conhecimento cada vez mais profundo de si mesmo, onde é importante Ter presente o significado da reverência, da cortesia, da etiqueta. Portanto o dojô é um lugar sagrado onde se procura “unidade do corpo e mente através do coração, centralizar a energia, na sua autêntica compreensão…»[4]. É também, no dizer de Herrigel, “desde os tempos mais remotos: Lugar da Iluminação.”[5]

Podem encontrar-se duas atitudes básicas nos praticantes perante a reverência. Uma consiste na execução da reverência como se de uma mera obrigação se tratasse; a outra na execução da reverência de modo rígido e formal sem que seja acompanhada da consciência profunda do sentido do ritual, sem a consciência de que o dojô é “Templo privilegiado que celebra uma espécie de liturgia”.[6]

A compreensão da importância do cerimonial é fundamental. A reverência é uma introdução à aula que permitirá ao praticante afastar a mente das preocupações e stress cotidianos, permitindo-lhe a concentração que a prática das artes marciais exige.

Por outro lado as artes marciais tradicionais desenvolvem, através da sua prática, a agressividade de cada indivíduo (não confundir com violência). A reverência evita a degeneração de comportamentos agressivos, impedindo a falta de respeito pelo parceiro de treino.

Em todas as artes marciais tradicionais, podemos encontrar o reigisaho, concretizado de modo diferente de arte para arte, mas mantendo, quase sempre, o mesmo espírito e função.

No ocidente, a aceitação ou rejeição do ritual da reverência, correlaciona-se com a atitude, mais ou menos tradicional que os praticantes têm para com o budô. Nas escolas tradicionais, havendo um processo mais profundo de aceitação da cultura oriental, a forma de estar destes adeptos, dentro e fora do dojô, na prática marcial e na vida, traduz, em regra uma maior compreensão da etiqueta tradicional.

Tradicionalmente, no budô a etiqueta deve ser uma constante da vida. Os gestos devem ser belos, precisos, lentos, mesmo os mais cotidianos, como sentar, ou levantar, caminhar, ou dar algo a alguém. Pois “Cada gesto era para ser executado de modo que ele permita, na seqüência de uma cisão seguindo o ataque surpresa, a partir da resposta eficaz.” [7] É entendido, tradicionalmente, que a forma de reverenciar, só por si, revela o nível de compreensão da arte.

A função psicológica da prática marcial é influenciada pela reverência. A forma de fazer poderá dar-nos indicações sobre a personalidade de um praticante, se ele é tímido, agressivo, reservado, etc..

A reverência interfere não só com as funções psicológicas, mas também com as funções fisiológicas.

A reverência, considerada num plano prático, é uma tomada de consciência do corpo e do controle respiratório através de um movimento bem simples. E isto é tão verdade, que a estabilidade e segurança de um mestre, na reverência, são evidentes. De tal modo que o contrário também é verdadeiro. O valor marcial de um indivíduo revela-se na reverência. Não é acreditável que alguém que não consiga manter-se sentado de modo estável para saudar, consiga executar com eficiência um outro movimento. Os verdadeiros Mestres saúdam profundamente, de forma majestosa, porque toda sua experiência, seu conhecimento, sua humildade estão presentes em sua reverência. [8]

O controle da respiração pode ser exemplificado com a reverência em pé, com os pés em musubi: Os calcanhares devem estar unidos, a frente dos pés afastados cerca de 45.º, pernas direitas, coluna vertebral ereta, ombros naturalmente colocados na sua posição anatômica, mãos abertas e dedos esticados, colocadas lateralmente nas coxas. No instante anterior ao da reverência inspira-se. Quando o tronco faz uma certa flexão em frente, expira-se. No momento em que o tronco retorna à vertical inspira-se novamente, podendo a expiração seguinte servir para a execução imediata de uma técnica, seja de ataque ou de defesa. A descrição respiratória é válida para a reverência feita a partir da posição de sentado – seiza.

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Num dojô podemos encontrar vários tipos de reverências.

A prática marcial começa com uma reverência interna, a reverência a si mesmo, dirigida ao íntimo de cada um, com a qual se pretende alcançar o Mestre Interno [9].

Ao entrar no local de prática há uma primeira reverência exterior, aquela que é feita ao dojô, com a qual se demonstra respeito ao lugar da prática.

Com o início da aula todos os praticantes executam, ao mesmo tempo, uma reverência à tradição passiva. Esta reverência feita em direção ao kamiza, (local dos deuses), onde simbolicamente a tradição passiva se condensa, é o kamiza ni rei, ou shomen ni rei. Representa o respeito pelos mestres que nos antecederam, pela cadeia de transmissão do saber. Exprime o respeito pelas gerações anteriores, que nos legaram a arte com sofrimento e por vezes com o custo da própria vida. É não só uma humilde e sincera homenagem à tradição passiva, mas também uma forma de inspiração no seu exemplo.

Segue-se a reverência à tradição ativa. O Mestre volta as costas ao kamiza e é saudado – é o sensei ni rei. Traduz o respeito devido ao Mestre, como representante, através da atividade de ensino e de aprendizagem do budô, da tradição ativa.

Se estiverem perante a classe vários mestres há, neste momento, lugar ao yudansha ni rei, a reverência entre os mestres.

Segue-se, durante toda a prática, no início de cada exercício, de cada técnica, de cada combate, a reverência ao companheiro, o otogai ni rei. Representa o respeito profundo pela integridade física e psicológica do outro. Significa que, através do nosso esforço e empenho na prática, lhe vamos proporcionar a possibilidade de progredir.

No fim de cada aula repete-se o percurso acima referido, com pequenas alterações na ordem das saudações.

Algumas escolas tradicionais, ainda cultivam o sempai ni rei, reverência entre os alunos mais adiantados e os mais novos – o Mestre já não faz a reverência. Representa o respeito que é devido pelos mais novos aos anciãos – sempai.

Durante a reverência, o estado de alerta, zanshin, e de antecipação deve ser permanente para evitar um ataque de surpresa. Este estado tem a ver com a percepção paranormal desenvolvida pelas artes marciais tradicionais, pelo maior ou menor potencial de ki do praticante. Mas neste trabalho não desenvolveremos estes temas, pois são questões que agora não nos ocuparão.

Deve ter-se presente que as noções de sensei, sempai, ou principiante são relativas. Como regra deve reter-se que um praticante novo deve inclinar-se profundamente, ao que o sensei responderá com uma ligeira inclinação. Assim numa aula um shodan pode ser sensei e na aula seguinte, ministrada por um 5.º dan, em que todos os outros alunos têm graduações entre 2.º e 4.º dan, não passa de um principiante.

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A maneira de efetuar a reverência tem vários entendimentos: um marcial, outro energético e outro simbólico. 

Ilustremos o que se afirma com reverência praticada em seiza. A primeira mão a ser colocada no solo em frente do corpo é a mão esquerda. No plano marcial, em caso de ataque do adversário, a mão direita pode desembainhar uma arma ou executar um movimento defensivo, se não houver armas. Se baixasse as duas mãos ao mesmo tempo isso não aconteceria.

No plano energético, a mão esquerda está associada à energia negativa (ura) e a mão direita à energia positiva (omote). Aquela tem um efeito destrutivo, esta tem um efeito construtivo.

O descer da mão esquerda à terra é um gesto simbólico da recusa de fazer mal, em relação àquele que é saudado. Em simultâneo, o contacto da mão com o chão neutraliza a potencialidade energética desta mão destruidora.

Com a colocação das duas mãos no chão, estas formam um triângulo equilátero. No plano marcial a finalidade é a de evitar um ferimento grave no nariz. Em caso de ataque à cabeça por parte de um adversário, o nariz está protegido e não será esmagado no chão.

Em nível energético permite a circulação de energia em circuito fechado, possibilitando a concentração mental. Este gesto simboliza a reunião de três lados: o homem, o céu e a terra. Também simboliza a junção entre tradição passiva e a tradição ativa, em que o Mestre desempenha um papel fundamental: é ele que transmite o conhecimento que já anteriormente lhe tinha sido transmitido. É um circuito de transmissão do conhecimento.

O triângulo simboliza também a capacidade de defender, assim como também a de atacar. A consciência do elevado valor energético e marcial da etiqueta e da cortesia deve estar sempre presente naqueles que seguem o budô.

Referências

[1] A etiqueta e a cortesia.

[3] O local de estudo da via, do caminho.

[4] Vide pg. 14, DELORME, Pierre, Dōjō. Le temple du sabre. Éditions Budostore, col. La Budothèque, 1994: Paris, pgs. 248.

[5] Vide pg. 81, ZEN e a arte do tiro com arco, Ed. Assírio & Alvim, col. sete estrelo, Março de 1997: Lisboa, pgs. 85.

[6] Vide pg. 11, DURIX, Claude, apud DELORME, Pierre, op. cit.

[7] – Vide p. 57, HABERSETZER, Roland, Le guide Marabout du Karaté, col. bibliotheque marabout service, éditions Gerárd & C.ª, 1969: Verviers (Belgique), pgs. 415.

[8] Vide pg. 198, Jazarin, El Espíritu del JUDO. Charlas com mi maestro. Ed. Eyras, col. cinturon negro, 1996: Madrid, pgs. 256.

[9] A prática implica sempre uma orientação segura, ministrada por um sensei, palavra pode ser entendida como «aquele que indica luz». Ora há sempre na relação Mestre-Discípulo uma transmissão para a luz. Contudo a relação com o Mestre possibilita que, cada um, no seu caminho, se projete sobre si próprio descobrindo no seu interior o seu próprio mestre – o Eu. Ou seja «cada um tem em si o seu Mestre, cada um é guru de si próprio».

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Colaboração:http://bukaru.zevallos.com.br

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Henka Waza de um Yakissoba – Por Cristiana Barbosa (CrisB)*

31/10/2012

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Os contos Zen são pequenas histórias, algumas vezes até de caráter cômico, mas que sempre trazem consigo uma importante lição de vida[1]”. E este aconteceu comigo…

Era a primeira vez que estava participando de um Seminário fora do Estado. Estava atenta e aberta ao aprendizado e sentindo uma imensa responsabilidade em demonstrar toda técnica e comportamento que se espera de uma Shodan.

Ao final do treino estava exausta, mas feliz com a certeza de não ter feito “feio”. Chegou a noite e, como de costume, o jantar com o Shihan convidado, o Sensei anfitrião, o meu Sensei e vários dos participantes.

Diante da mesa enorme reservada em um restaurante chinês, sentamos… Cardápios devidamente distribuídos e com eles o grande e irritante dilema: O que pedir já que sou ovo-lacto-vegetariana? Para minha sorte havia como opção um yakissoba vegetariano. Foi então que o Sensei anfitrião perguntou se eu poderia dividir o pedido com o Shihan.

– Hai Sensei!

Imagine o inflar do meu ego? O Shihan seria também vegetariano? Eu não era mais o único ET ali, o Shihan estava comigo, uma honra!

Pedido feito, chegou o garçom com a travessa fumegante. Aproximando-se do Shihan para servi-lo, este, então, apontou para que eu fosse servida primeiro. Foi então que, para uma tímida, o pior aconteceu: todos os olhares voltaram-se para mim – não só por se tratar de uma indicação do Shihan como por ser o primeiro prato a chegar numa mesa de famintos. Essa era a hora de mostrar a etiqueta!  Agradecida, voltei-me para o Shihan e disse-lhe:

– Primeiro o senhor!

O garçom retornou ao Shihan que sorriu para mim e pediu para que eu fosse a primeira a ser servida. Não me recordo quantas vezes fizermos esse “ping-pong”. Decidida, voltei-me com energia para o pobre garçom:

– Sirva-o primeiro, pois ele é o Sensei!

Pelo recuo do rapaz tenho certeza que utilizei meu olhar e minha voz de comando devidamente aprendidos em 10 anos de pratica em outra arte marcial. De pronto ele largou a travessa ao lado do Shihan e saiu rapidamente. O Shihan fitou-me mais uma vez, sorriu e agradeceu com um sinal positivo com a cabeça.

Vencia então o “combate”. Orgulhosa e convicta de que tinha acertado a origem do movimento: o garçom. Consegui assim colocar em prática a etiqueta para com o Shihan demonstrando toda a minha disponibilidade em servi-lo perante todos os aikidokas, Senpais e Senseis presentes.

Pacientemente esperei o Shihan, que se servia calmamente… acho que não estava com muita fome… Olhei para ele quando acreditei que tinha terminado. O mesmo olhou para mim, sorriu novamente e, ao invés de passar a travessa, passou-me o prato servido por ele.

Não teve “ukemi” que disfarçasse tamanha vergonha… TODOS gargalharam com a cena e até hoje estou digerindo este yakissoba…

– Quantas vezes impomos uma técnica ao uke? Estamos realmente nos harmonizando com ele ou impondo nossa “gentileza”?

– Quantas vezes buscamos a mão ou braço do uke convictos que estamos indo à origem do movimento?

– Faço a técnica por senti-la ou para demonstrá-la?

– O que é a real gentileza, harmonia, amor? O que é o AI?

Enfim, essas são algumas das perguntas que venho “digerindo” desde o acontecido e divido-as com vocês. Talvez nunca encontre as respostas. Não importa. O que importa é que a busca por elas tem me acompanhado e modificado a cada dia a minha movimentação e as minhas atitudes.

Este ano irei novamente acompanhar Sensei James Araújo ao mesmo Seminário em João Pessoa/PB organizado pelo Sensei Rogério Paodjuenas, ministrado pelo mesmo Shihan Edgardo Novelino… Qual será o prato do dia?

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Domo Arigato Gozaimashita!

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Referências:

[1] http://www.osamurai.xpg.com.br/contos.htm

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*Cristiana Barbosa (CrisB) – Designer Gráfico – Nidan da Academia Central de Aikidô de Natal

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O Aikidô do RN Agradece !!!

29/10/2012

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A Academia Central de Aikidô de Natal comemorou nos dias 23 a 27 de outubro de 2012 mais um ano de vida – 13º ano – com seminário e mais um exame de dans.

Aproveita o momento, e aqui agradece a presença do Shihan Edgardo Novelino (ARG), Vice-presidente da União Sul Americana de Aikidô – Kawai Shihan, pela sua simpatia, paciência, determinação e ensinamentos passados aos participantes do evento.

Agradece aos aikidocas da Academia Central de Natal e das demais Academias e Dojôs do Estado do RN por prestigiarem e abrilhantarem mais este evento:

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Aikidô Potiguar Dojô

Tyugui Dojô

Aikido Higashi Dojô

Academia Central de Aikidô de Santa Cruz

Academia Central de Aikidô de Parnamirim

Academia Central de Aikidô de Mossoró

Projeto Aikidô

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Agradece, também, a presença dos Sensei Rogério Paodejuenas (Academia Central de Aikidô de João Pessoa) e seus alunos; Sensei Henrique Dantas (Academia Central de Aikidô de Recife) e seus alunos; Sensei Antônio Medeiros (Aikidojo Social – Recife) e seus alunos e Sensei Paulo Gurgel (Círculo de Aikidô – Recife) e seus alunos.

E, por fim, parabeniza os novos graduados da Academia Central de Aikidô de Natal:

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Shodan

Frederico Silveira

Gustavo André Silveira

Iran Marrocos

Mariana Holschuh

Nidan

Cristiana Barbosa

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Veja AQUI as fotos do evento!!!

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Alguns Pontos Sobre Promoções e Exames – Yoshimitsu Yamada Sensei *

02/10/2012

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A atividade do Aikidô nesta parte do mundo (EUA)recentemente tornou-se muito excitante devido à presença de Osawa Sensei, que ministrou aulas no seminário anual de faixas pretas em Nova York.

Para os estudantes, o ponto alto deste tipo de seminário ou summer camp é o exame de faixa preta. Para ser honesto com vocês, este nem sempre é o ponto de destaque para mim. Às vezes – devido à performance dele ou dela – eu tenho que reprovar algum estudante, e, nenhum instrutor gosta de fazer isso.

Eu gostaria de discutir algumas coisas que percebi durante alguns exames recentes. Estou mencionando estes pontos porque acho que serão úteis a vocês em sua prática diária.

O que mais me surpreendeu foi que algumas pessoas que estavam fazendo os exames não eram capazes de executar de forma clara nem mesmo técnicas básicas, tais como shomenuchi ikkyo, yonkyo e shihonague. Alguns nem ao menos sabiam os nomes destas técnicas comuns. Eu entendo que devido à variedade natural do Aikidô – sua flexibilidade e criatividade – pode haver alguma dificuldade em nomear todas as técnicas. Porém, há nomes comuns específicos para as técnicas básicas. E eu acho que a familiaridade ou sua falta com estes nomes comuns depende da atitude na prática diária.

Outra coisa que notei foi que muitas pessoas estavam interessadas em executar movimentos ou técnicas exagerados, extravagantes, que haviam copiado de estudantes mais avançados. Por favor, se lembrem de que um estudante adiantado executando movimentos mais complexos ou extravagantes é totalmente diferente de um principiante executando estes mesmos movimentos. E esta diferença é óbvia para um Aikidoísta experiente. A técnica de um estudante avançado revela uma base rigorosa nos fundamentos e princípios do Aikidô – sua técnica tem uma estrutura bem definida; uma técnica mais complexa de um iniciante carece de base – é só uma técnica superficial, sem nada de interior.

É surpreendente para mim que existam alguns instrutores que ensinem somente movimentos complicados aos principiantes, se esquecendo de ensinar os elementos básicos das técnicas. Eu gostaria que estes instrutores percebessem como é importante para um estudante receber os elementos básicos para só então mais tarde, se ele ou ela assim o desejar passarem a executar os movimentos mais sofisticados. Para dar um exemplo desta falha no exercício do básico, eu notei, nos exames, que várias pessoas não conseguiam executar suwari wasa corretamente! Vamos todos certificar-nos de que praticamos o básico em nossas aulas diárias.

Obviamente as pessoas que fazem o exame para faixa preta são ou do primeiro (Faixa Marrom) ou do segundo kyu (Faixa Azul). A habilidade de um aluno do primeiro kyu deveria estar em nível quase igual à de um shodan. Eu penso que um exame para shodan é uma mera formalidade, no qual se demonstra o quanto as habilidades do primeiro kyu foram aprimoradas. Eu gostaria então de pedir aos instrutores que aplicam exames de kyu que sejam um pouco mais rigorosos nos exames de primeiro kyu, para que seus estudantes não venham a embaraçar a si e aos seus instrutores quando forem prestar exame para shodan. Isto fará com que os exames se tornem o ponto alto dos seminários para mim também.

Falando sobre outro aspecto do exame, às vezes eu ouço pessoas comparando os mérito de um exame ou outro, ou tagarelando sobre as promoções de outras pessoas. Eu escuto coisas como: “Como ele conseguiu passar?” ou “Eu jamais o teria aprovado!”, etc. Antes de entrar em mais detalhes sobre os fatores determinantes que nós usamos para promover as pessoas, quero dizer o seguinte: a atitude expressa neste tipo de observação é absolutamente errada, não importando em que circunstâncias aconteçam. Nós, como Aikidoístas, devemos ter muito sentimento, e congratular cada um por suas realizações.

Desnecessário dizer que para ser aprovado no exame um estudante deve estar apto a mostrar certo nível no teste. Mas, o julgamento de um examinador também deve se basear em um ou mais dos seguintes fatores:

1) tempo de dedicação ao Aikidô;

2) atitude na prática;

3) limitação física;

4) esforço – todos nós temos diferentes habilidades físicas, mas é realmente o esforço o que conta mais.

Então, por favor, tenham sempre em mente que há muitas coisas a considerar na decisão sobre promoções.

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* Instrutor Chefe do New York Aikikai – Chairman of the Board of the United States Aikidô Federation (USAF).

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Colaboração:

www.impressione.wordpress.com

Aikidô On-line

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