Quando a opção modifica o comportamento: Uma Modalidade de arte marcial se diferencia das demais por oferecer filosofia de vida – Por Milena Sartorelli

24/01/2013

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O texto que segue foi enviado pelo Sensei Emerson Zacarella feito em forma de entrevista pela Repórter Milena Sartorelli. Sensei Emerson é o fundador do Dai Shizen Dojo e iniciou seu treinamento em Aikido no ano de 1996. Possui a graduação de Shodan (Faixa-Preta 1ª dan) desde 2006. É membro da FEBRAI (Federação Brasileira de Aikido) e é discípulo do Sensei Severino Sales – 6º DAN –  treinando sob sua orientação desde 2002.

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O professor é dotado de serenidade tal que – apesar de seu tamanho e feições típicas do ocidente, tem-se a impressão de estar na presença de um pequeno senhor de traços orientais. Os alunos, de frente para ele, ficam no lado oposto da sala. Todos em posição seiza. Um deles é convidado a se aproximar de seu sensei (mestre). Sem se levantar, o aprendiz rasteja pelo tatame, em um movimento alternado de pés e joelhos. Palavras de aprovação são proferidas. O aluno é parabenizado por sua mudança de faixa (Kyu); uma conquista que vem da superação não do outro pela força, mas de si mesmo pela técnica. A conquista é tomar o oponente por parceiro, a derrota dos inimigos internos e o aprendizado de uma filosofia de vida por meio do corpo.

Uma aula que começa no Brasil e termina no Japão. A todo o momento os valores de respeito e disciplina, hoje estranhos a cultura ocidental, são reforçados pelo sensei Emerson Zacarella , praticante de Aikido há quinze anos: “Muitas das artes marciais que vieram para nosso país perderam a característica da disciplina para se adaptar ao gosto do brasileiro, que adora informalidade. Aqui não. A primeira coisa que eu respeito é a disciplina, tanto é que nós ainda somo ligados ao Japão”.

Membro da Federação Brasileira de Aikido (FEBRAI) desde 2002, ele diz que certos cuidados como reverências, rituais e pontualidade de uma arte oficializada em 1948 – inspirada em modalidades como o Daito Ryu Aikijujutsu – são mais uma forma de aprendizado da paciência e humildade. “Hoje a gente vive em uma sociedade de resultados rápidos. Além disso, as pessoas não gostam de se submeter, de reverenciar. A pessoa não está se curvando. Ela está apenas agradecendo o local de treino e uma pessoa que te indicou um caminho” – fala Emerson referindo-se ao fundador do Aikido, Morihei Ueshiba.

Diferente das lutas e demais artes marciais, o Aikido é uma prática que tem por finalidade a doutrinação da mente pelo físico: “O corpo ensina a mente”, explica Emerson.

A repetição constante dos exercícios e a ausência de noções de vitória e derrota contribuem para o aprendizado que prima pelo equilíbrio. Outro ponto marcante é a questão da força: “Ao meu ver, no Aikido não é necessária a força física, muito pelo contrário: quanto mais força pior é a técnica. E a técnica desta arte é fluída, onde, por meio de movimentos circulares, o praticante absorve e devolve para o parceiro a energia que nele foi projetada”, e exemplifica “quando uma pessoa me pega, ela , de alguma maneira, tem a intenção de me conduzir para alguma direção. Eu não preciso brigar, eu vejo a direção para onde ela quer me conduzir e vou, mas da minha maneira. Daí eu consigo imobilizá-la. Parece meio contraditório porque a gente fala em luta e não tem força. Mas o fundador desta arte marcial, percebeu que é melhor se harmonizar com a situação e chegar junto a um consenso. A técnica é mais ou menos assim”, diz o professor.

A filosofia da prática no local de treino se transporta para o cotidiano do aprendiz, que aprende a lidar com situações de medo, preocupação e estresse. “A gente tem a ideia de que este tipo de atividade é para destruir. No Aikido não se destrói nada, você se une ao seu parceiro. E isso acaba refletindo na sua vida onde você passa a não querer mais competir com os demais” diz o sensei. Ele mesmo confessa ter tido muita dificuldade no começo do treinamento, mas que hoje se tornou mais centrado: “O Aikido muda muita coisa, principalmente na personalidade. Eu me tornei uma pessoa muito mais paciente, mais calma. Eu vejo o pessoal treinando e ninguém teve mais dificuldade no começo que eu. Eu tive muita dificuldade. Talvez tenha sido por isso que eu persisti”, ele ri.

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Colaboração:

www.impressione.wordpress.com

www.aikidodaishizendojo.yolasite.com

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O Aikijujutsu

17/08/2009

Aikijujutsu, arte marcial praticada antigamente pelos nobres japoneses, por sua riqueza de conhecimento e dificuldade. Perde-se na história a época ou período do surgimento da arte, já que o Japão antigo não exercitava a prática da escrita, restringindo o conhecimento passado apenas entre os familiares das aldeias. Diz-se que sua origem vem da arte da espada, o Kenjutsu, quando nas batalhas não havia outras soluções para a defesa que não o conceito do Sukima (vazio).

O Sukima representa um fundamento básico do Aikijujutsu, e simboliza fazer com que um adversário (inicialmente portando a espada Katana) não consiga atingir seu objetivo, apenas usando os conceitos dos quatro elementos, água, fogo, ar e terra. A partir deste princípio surgiu o primeiro movimento que hoje constituí o Aikijujutsu.

Arte muito antiga, baseada na harmonia e na utilização da energia  interior, conhecida  como Ki. O Ki é o princípio que rege o universo do Aikijujutsu, focalizando os estudos em sua condução e direcionamento. Bastante usada por velhos e mulheres, por sua riqueza e eficácia da utilização da não-força; alguns a consideram como a arte de lutar sem lutar. É baseada na utilização de chaves, torções e imobilizações, de modo a invalidar o inimigo buscando a harmonia do corpo.

O nome da arte pode ser traduzida para o português da seguinte forma:

 Ai: harmonia,amor 

 Ki: energia, força vital

 Ju: flexibilidade

 Jutsu: arte

O AikiJuJutsu, desde a organização por Minamoto no Yoshimitsu, e até mesmo antes, teve muitos caminhos distintos, que resultaram em diferentes estilos, como o Daito Ryu Aiki JuJutsu, fundado por Sokaku Takeda, e também o Aiki JuJutsu estudado no Kaze no Ryu, que se difere daquele em muito pela influência das artes de guerra nos povos antigos, os Ainos, que originaram o povo Shizen.

O Aikijujutsu de Takeda veio da linhagem dos Minamoto, que organizaram as técnicas Aiki e o fundaram, aproximadamente no séc.XV. A arte se desenvolve através da circularidade, tal como no universo, pois o praticante é um “sol”, que mantém seus inimigos em sua órbita, sem jamais deixar de iluminá-los. Porém, sempre após o dia, vem a noite, que esconde as práticas mais fortes e rígidas voltadas à guerra, onde se encontra o que chamamos Hidoi.

A complexidade de seu sistema a consagrou como uma arte de nobres costumes. Sua dificuldade se encontra exatamente na harmonia interior do praticante, não se deixando levar por qualquer sentimento ou emoção que afetasse a sua técnica.

Colaboração: www.bugei.com.br


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