O Ki

24/07/2009

Na China é chamado Chi ou Qi. No Japão é chamado Ki. Podemos definir o Ki como Força Vital, ou Essência vital da pessoa, que também está presente em animais, plantas, e todos os seres vivos.

Na filosofia chinesa, originalmente, Chi era aquilo que diferenciava as coisas com vida das coisas sem vida. Com o desenvolvimento dessa filosofia, o conceito de Chi foi ampliando, cada vez mais, sua gama de significados e aplicações. Por isso desenvolveu-se o trio Jing, Chi, Shen: Essência, substância, e energia espiritual. Assim, pode-se dizer que o corpo físico (Jing) contém o Chi (que poderia ser um campo elétrico ligando o físico ao espiritual) e que o Chi contém o espírito, que é sem forma e intangível.

Note que o Chi é a ponte entre matéria e espírito, mais ou menos como o conceito de perispírito no Espiritismo. Outro conceito é que o Chi seria o “material” básico do qual todas as coisas são feitas. As diferenças não seriam que algumas coisas tinham Chi e outras não, mas sim um princípio (Li; em japonês, Ri) que determinava como o Chi estava organizado e funcionava (similar à metafísica grega de forma/matéria).

Pode-se detalhar ainda mais o Ki (Chi) em quatro tipos:

1 – Yuan ChiChi original, verdadeiro. É o mais importante para o corpo, pois é formado pelo Chi essencial, inato, produzido a partir dos alimentos pelo Estômago e pelo Baço/Pâncreas, e também pela inalação do ar límpido (ver Prana). É a força motriz para as atividades vitais do corpo.

2 – Zhong ChiChi principal. Constitui a força motora que promove a respiração do Pulmão e circulação do sangue e do coração. A voz e a respiração, a temperatura e a capacidade de movimento do corpo estão relacionadas com esse Chi, que se obtém principalmente do ar.

3 – Yong ChiChi da nutrição. Produzido a partir da água e dos alimentos, está distribuído nos vasos sanguíneos, realizando o papel de nutrição.

4 – Wei ChiChi defensivo ou protetor. Produzido principalmente pelo estômago e pelo baço/pâncreas, esse Chi é a parte mais forte convertida a partir de alimentos, e possui a característica de ser ágil e rápido nos movimentos. Ele está livre do controle da corrente sanguínea, circulando livremente por todo o corpo, até mesmo exteriormente pela pele. As funções de Wei Chi são defender a superfície corpórea contra fatores patogênicos exógenos, controlar o abrir e fechar dos poros cutâneos, regular a temperatura, umedecer e dar brilho à pele e aos pêlos. A insuficiência de Chi no estômago, baço e pâncreas pode levar o paciente a sentir frio e facilidade em apresentar secreção pulmonar.

A origem etimológica do ideograma (Kanji) Ki (気) é o Chi tradicional chinês (氣), que representa o arroz (米) emanando de si o vapor (气) enquanto cozinha. É interessante, porque a energia vital da pessoa pode ser vista por um sensitivo como a aura (em diferentes cores) que rodeia seu corpo.

Também é interessante notar que no dicionário há 31 significados associados ao ideograma, os mais comumente usados sendo ar, sopro, essência, espírito, coração, éter, atmosfera, temperamento, sabor, etc, enquanto “energia“, tão comumente associado a Ki no ocidente, tem outro ideograma e nome: “Seiryoku“.

O Ki na atividade Imunológica

A atuação do Ki e seu efeito na atividade imunológica recentemente começou a ser estudado em laboratório, quando o Dr. Tsuyoshi Ohnishi, do Philadelphia Biomedical Research Institute, procurou obter evidências científicas objetivas da existência ou não do “Efeito Ki” inibindo o crescimento de células cancerígenas.

Foram usadas células cultivadas de fígado humano com câncer, HepG2, separada em três grupos com a mesma contagem de células. Um especialista japonês em Ki emitiu sua energia através dos dedos sobre as vasilhas de um grupo por 5 minutos e 10 minutos em outro, deixando um grupo sem exposição alguma. Após 24 horas, foram feitas novas contagem de células e estudo de proteínas. Foi percebido que o número de células cancerígenas nos grupos expostos ao Ki era muito menor do que o do grupo não-exposto, na faixa de 30.3% e 40.6% (com 5 a 10 minutos de exposição ao Ki, respectivamente). E a quantidade de proteína por célula era muito maior nos grupos expostos ao Ki, na faixa de 38.8% e 62.9% (5 e 10 min., respectivamente).

Como todos os grupos tinham o mesmo número de células no início do experimento, a diferença entre os dois se deu por conta do “Efeito Ki“. Os resultados foram significantes estatisticamente.

Referências nos links abaixo:

O conceito de Chi;

Qi e Energia: Tradução, Tradição, Traição;

Confusão do chakra esplênico com o sacro;

A Importância do Musubi

 

Colaboração: www.saindodamatrix.com.br


Ki no Nagare – O fluxo do Ki no Aikidô – Por Kisshomaru Ueshiba

30/09/2008

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O Ki é um dos conceitos centrais do pensamento oriental que contribuiu para o alto nível filosófico que nós asiáticos herdamos de nosso passado distante. E mais, nossos antepassados acreditavam que o “Ki” era a própria vida. É uma forma de “conceitualizar” a Força Vital, ou Poder do Espírito. Inclusive hoje em dia, em nossa vida diária, utilizamos muitas palavras que refletem esta herança. Por exemplo, sentimos que não se pode conseguir nada se uma pessoa “tiver perdido seu Ki” (estar desanimado), ou se seu “Ki enfraquecer/secar” (estar deprimido). A doença, em caracteres japoneses, se escreve literalmente “Ki enfermo” e, por tanto, é um conceito associado em nossas mentes à ideia da morte. Uma ativação máxima e livre manifestação do Ki que qualquer ser humano possui, permite um inconcebível poder e possibilita a ele viver a vida da forma mais livre e vigorosa. Aqui reside a importância da existência do Aikidô, já que o treinamento correto na arte ensina a capacidade de manifestar livremente seu Ki.

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Para dominar esta sensação, devem estar de acordo o Ki contido no “Poder Respiratório” humano e o Ki original, onipresente no universo. A característica que distingue os movimentos do Aikidô reside na harmonização com a ordem do universo e no ajuste espontâneo a suas mudanças. Por tanto, se pratica o Aikidô com o fim de realizar a unificação do Ki individual com o do universo, fomentando o Kokyu-Ryuku, Poder Respiratório. Quando este Poder Respiratório se estende de todas as partes do corpo e se projeta através de ambas as Mãos-Espada (Tegatana), as técnicas do Aikidô se vivificam e manifestam todo o seu valor. Isto, por sua vez, faz da pessoa uma encarnação da totalidade da natureza.

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Não é possível personificar em si mesmo a forma da Mãe Natureza se nossos movimentos estão baseados dentro do Ego. Ao contrário, deveríamos conduzir o adversário e nos tornar uno com ele no estado mental que se pode chamar “o Reino do não-ego”, no qual se sente o fluir do Ki vital. Quando alguém é capaz de dominar a técnica Aiki até o ponto de tê-la livremente à suas ordens, moverá seu adversário em qualquer direção que queira mediante o Fluxo do Ki vivo; haverá aprendido a absorver o Fluxo do Ki do adversário e a controlar-lhe por meio desta unificação, e não mediante a oposição.

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Esta utilização correta do Fluxo do ki só pode ser dominada através do treinamento constante no Aikidô e do esforço rigoroso para fomentar o Poder Respiratório. Assim, podemos definir o Fluxo de Ki como o estado em que toda a Força Vital concedida a qualquer ser humano adquire seu máximo desenvolvimento e manifestação.

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Tradução: Rubens Caruso Jr.

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Colaboração:

www.impressione.wordpress.com

www.aikidonovaera.com.br

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