QUEM FOI NAGE E QUEM FOI UKE? – Por CrisB

09/09/2016

(Revisão: Suzana Mafra)

.
Sábado, fim de tarde, fui atender a um pedido da minha mestra de reiki: regar as plantas do interior de sua casa apenas neste dia, já que breve retornaria de viagem. As plantas da área externa ficaram a cargo de outro colega, por coincidência, também aikidoca.

Fui com uma certa preguiça, confesso… Estacionei o carro em frente ao portão e me deparei com um gato deitado em uma das duas cadeiras que ela mantém na pequena área que dá acesso à porta de entrada da casa. Já fiquei chateada, pois não gosto muito de gatos. Abri o portão e fui atravessando o pequeno jardim em direção à porta da casa, sob o atento olhar do felino. No entanto, o maai entre ele e eu não era suficiente para que ambos não se sentissem ameaçados. Ele, então, rosnou e eu, num misto de medo e raiva, recuei.

Resolvi então fazer a tarefa do outro aikidoca, regar o jardim externo e, claro, molhar o gato. Afinal, todos dizem que gatos não gostam de água…

Com a mangueira ligada e vigorosos “SAI GATO!” joguei pequenos esguichos em sua direção (pois se o molhasse totalmente, danificaria o forro da cadeira), mas para minha infeliz surpresa o gato só se encolhia, com um olhar nada amistoso.

Foi então que vi uma canaleta para fios elétricos – de mais ou menos um metro e meio – jogada no jardim. O material ideal: leve e flexível. Eu poderia enfim cutucar ou mesmo bater no tal gato sem machucá-lo, e o mais importante, com uma distância segura. Agora vai dar certo! Com outros “SAI GATO!!! SAI GATO!!!” eu cutucava o gato dos infernos que cada vez mais se fechava em pokémon… Tive que apelar e bati em sua cabeça, mas a leveza e flexibilidade da canaleta acabaram por fazer “carinho” no gato e foi justamente isso que ele entendeu, pois começou a esticar o pescoço para receber o “afago”. Percebendo esta oportunidade, comecei de fato a acariciá-lo com a canaleta, é claro, e com ele totalmente rendido em seu trono, consegui com a outra mão abrir o cadeado da grade e, em seguida, a porta, torcendo para que ninguém estivesse vendo a ridícula cena.

Entrei rapidamente com minha espada em mãos e fechei a porta. Cumpri minha tarefa e o que temia aconteceu: o gato havia saído da cadeira e estava literalmente colado à porta, pronto para entrar, rosnando seu pedido de licença. Fechei, então, a porta novamente e peguei minha espada para aplicar o mesmo golpe: carinho. Atraído pela necessidade do golpe, o gato prontamente aninhou-se sob a ponta da canaleta, rendido aos afagos, permitindo que eu saísse e fechasse a porta e a grade. Fugi rapidamente para o portão do muro, abandonei minha espada e deixei o gato carente aos miados.

Entrei no carro ainda chateada, mas com um certo ego inflado, por ter utilizado o Aikido na situação. Na segunda-feira cheguei contando o grande feito para os alunos da turma das seis horas. Relatei a minha sensível percepção ao movimento do gato, que viu como carinho a minha agressão inicial, fazendo-me transmutar minha intenção e controlá-lo: puro Aikido.

Ao terminar o relato bateu uma grande dúvida… quem foi o nage e quem foi o uke dessa história? Eu percebi a sutil mudança e a necessidade do gato por carinho, e ele transformou minha agressão em afago: quem de nós foi nage e quem foi uke? E no tatame? Até que instante de um movimento técnico nós somos nage ou uke? Estamos sendo sinceros em nossos objetivos ou a espada é apenas uma banda de canaleta leve e flexível? Em uma aula magistral sobre ukemi, o Sensei James nos fez perceber que somos os dois: quando o uke ataca, está sendo nage, e ao receber este ataque, o nage se torna uke – a alternância entre esses papéis se faz presente até a conclusão do movimento.

Acredito que – dentro ou fora do tatame – buscar, perceber e viver (DO) esta constante troca nage/uke é o movimento (KI) em equilíbrio (AI).

Esqueci de dizer: eu estava à paisana, mas o gato vestia dogi e hakama, ele era preto e branco… Domo Arigato Gozaimashita Gato Sensei.

*CrisB – faixa-preta 3º Dan da Academia Central de Aikidô de Natal
.

Glossário

REIKI – Técnica criada em 1922 pelo monge budista japonês Mikao Usui, onde os praticantes acreditam ser possível canalizar a energia universal – manipulável através da imposição de mãos – a fim de restabelecer um suposto equilíbrio natural, não só espiritual, mas também emocional e físico.
MAAI – Momento em que os dois aikidocas se encontram na distância ideal, física e psicológica prontos para a prática da forma ou da técnica livre.
POKÉMON – É a contração de duas palavras em inglês: pocket, que significa bolso; e monster, que significa monstro. Assim, um pokémon é um”monstro de bolso”, uma criatura fictícia popular em videogames e desenhos. Criado por Satoshi Tajiri em 1996, essas criaturas se transformam em esferas.
UKEMI – É um termo composto de duas palavras: uke, de ukeru – receber; e mi – o corpo. O ukemi é o comportamento do uke, como absorve e dissipa uma projeção de forma que não se machuque.
UKE – Praticante que faz o ataque e recebe a técnica do nage.
NAGE – Praticante que recebe o ataque e o redireciona através da técnica o ataque ou a contenção do uke.
.
Colaboração:
http://www.impressione.wordpress.com
.

Anúncios

Aikidô, um relato – Por Rayr Fernandes

07/10/2014

.

Acredito que um texto relacionado ao AIKIDO escrito por alguém com o tempo de prática que eu possuo não passa de um simples relato. Nesse caso, trata-se de um breve relato de alguns dos ensinamentos que pude absorver durante os treinos com os Sensei(s) da Academia Central de Aikidô de Natal.

Um dos ensinamentos do fundador que sempre despertou o meu encanto e do qual procuro sempre me recordar nos momentos mais obscuros é aquele segundo o qual devemos forjar continuamente, por meio da prática do Aikido, o nosso corpo e a nossa mente com o fim de aperfeiçoar o nosso caráter.

Pessoalmente, é assim que os treinos funcionam, como um momento em que posso purificar o meu espírito, trabalhar e livrar de tensões o meu corpo e esquecer as preocupações que eventualmente preenchem a minha mente.

É certamente por isso que me incomoda profundamente treinar com indivíduos que fazem exatamente o contrário, trazendo para o dojô um espírito impregnado de malícia e vaidade, um corpo desnecessariamente tenso e uma mente preocupada com qualquer outra coisa, exceto com a prática sincera do Aikido.

O reconhecimento, a conquista de novas graduações e a aquisição de novas habilidades e percepções devem ser consequências do comprometimento com os treinos de Aikido e do respeito aos ensinamentos dos nossos mestres.

Treinar com essa concepção é algo extremamente difícil. Penso, porém, ser de fundamental importância a sua incessante busca, dia após dia, treino após treino, queda após queda.

Se trouxermos para o nosso cotidiano a mesma essência que presenciamos em um treino de Aikido, sentiremos um prazer imensamente maior em viver. A adaptabilidade e fluidez, a busca de uma consciência unificada de tempo e espaço, a harmonização entre os nossos movimentos e os movimentos do nosso companheiro de treino, o respeito e a atenção concedida aos ensinamentos dos nossos mestres (podemos aceitar a própria vida e o próprio universo como grandes mestres), são nuances que ganham um sentido ainda maior fora do tatame.

Podemos compreender, assim, por que o Aikido é algo que vai além da prática marcial, podendo ser adotado como um estilo de vida, um caminho a ser seguido.

.

*Rayr Fernandes – Faixa-verde, Aluno da Academia Central de Aikido de Natal.

.

Colaboração:
http://www.impressione.wordpress.com

.


AIKIDO PARA O DIA-A-DIA – Por Daniel Nicolau de Vasconcelos Pinheiro

17/02/2014

.

Nas primeiras aulas de Aikido, recebemos várias explicações básicas sobre o funcionamento dos treinos, técnicas, etiqueta no tatame, entre outras. É natural que, ao longo da permanência do aluno nos treinos, a curiosidade comece a aumentar e que passemos a ler sobre aquilo que aplicamos nas práticas. Sensei fala – Aikido é para o dia-a-dia, exercício para o corpo e disciplina para a mente. Esta frase parece mais um simples jargão clichê que poderia ser aplicado a todas as formas de se exercitar ou mesmo outras artes marciais, mas nos parece que esta máxima é um pouco mais profunda na bela arte do “caminho para a harmonização das energias”.

Para sustentar esta afirmativa lembramos que, dentre muitos princípios que doutrinam a arte aikidoca, há um que nos dias de hoje nos parece um dos mais importantes, inclusive para o aprendizado e desenvolvimento dos outros princípios. Este é chamado Missogui, que significa: “a prática para remover a poluição (Kegare) do corpo, da mente e do espírito (…). Missogui é o primeiro conceito do Xintoísmo esotérico. É o Missogui aquilo que cria espaço dentro do indivíduo para que ele possa entrar em conexão (Mussubi) com o mundo divino.[1]

Abrir espaço para algo dentro de nós nos dias hoje é tarefa muito difícil, principalmente na sociedade ocidental, cada vez mais capitalista, consumista e desumana. E é neste ponto onde encontramos o maior presente que a prática do Aikido oferece. Um bom sensei irá levar o aluno à pratica do missogui no tatame mesmo sem que ele perceba. No entanto, quando o fazemos de forma consciente ele é muito mais proveitoso e eficiente. “Aikido é o exercício de estarmos sendo ensinados pelos Kamisama (divindade), sobre as vibrações da criação universal (tamashii)”.[2] É preciso estar aberto a estes ensinamentos para recebê-los em sua plenitude.

Para entrarmos no estado onde possamos nos harmonizar com a energia universal e ao aprendizado do Aikido, precisamos nos abrir e sermos propensos a receber. É aí que começa o exercício interno verdadeiro.

A prática do Missogui pode ser realizada de diferentes formas e ao longo de todo o dia. Algumas formas são mais ritualísticas, ligadas à religião e outras mais mundanas. Neste texto, não entraremos em detalhes sobre a ritualística Xintô, pois o nosso objetivo é justamente dar uma pincelada no que a segunda prática pode gerar de benefícios ao praticante de Aikido.

A etiqueta cobrada dentro do tatame e a presença do sensei, já nos convidam a doutrinar a mente para fazer uma pausa no nosso dia e descansar das preocupações. A “ritualística” da aula, o respeito pelas explicações e o treino do que é ensinado buscando imitar os movimentos da forma demonstrada nos leva a um estado de concentração que começa a limpar nossa mente de outros pensamentos, problemas, preocupações, etc.. A concentração “forçada” nas técnicas de queda, principalmente quando estamos como Uke, leva a aflorar nosso instinto de autopreservação que acaba por ajudar a retirar de nossa mente pensamentos ruins. Então o Missogui acontece. Começamos a retirar de nós tensões, asperezas e preocupações e, ao fim de um bom treino, começamos a ver tudo de forma diferente, com a mente mais tranquila e o corpo mais relaxado. Somos até capazes de julgar melhor os motivos de nossas apreensões e tomar decisões mais centradas.

Qual a mágica? Não há mágica, há perseverança, disciplina, disposição para o aprendizado e consideração mútua. Para que ocorra uma aula proveitosa que nos permita praticar o Missogui, é preciso que estejamos dispostos a ceder e a se por no lugar do outro enquanto nage, respeitando as condições físicas e mentais dos nossos colegas de treino. É necessário também que quando Uke, estejamos prontos para sermos flexíveis e perceber a condução do nage, condução esta que pode ser encarada como uma analogia para as formas que a vida nos apresenta as mais variadas situações.

De nada servem as correções e as explicações individuais se não houver espaço mental e humildade para recebê-las. A limpeza interna abre espaço para o aprendizado e para os bons sentimentos de todos aqueles que partilham o dojo conosco. Devemos nos sentir gratos pelas oportunidades e por toda a doação que encontramos no sensei e nos colegas de treino.[3]

Concluindo esta exposição, lembro a frase de Kisshomaru Ueshiba parafraseando o Fundador, “a ressonância do corpo deriva da unidade mente-corpo que se harmoniza com a ressonância do universo”[4]. Para que esta ressonância seja positiva e possamos nos beneficiar dela, precisamos estar no estado adequado para dar e receber. O Missogui é uma prática que nos leva a purificar-nos e abrirmos espaço para aprender a receber, sabendo conscientemente o que e como. E para nós, este é um grande diferencial da prática do Aikido das demais atividades físicas e artes marciais e um grande exercício para toda vida.

.

*Daniel Nicolau é Arquiteto, Servidor Público e faixa-preta 1º Dan (Shodan) da Academia Central de Aikidô de Natal.

.

Referências:

.

[1] BULL, Wagner José. Aikido-caminho da sabedoria. A Teoria.Editora Pensamento, São Paulo. Pg 181 e 182.

[2] Idem

[3] SUNADOMARI, Kanshu. A iluminação através do Aikido. Ed. Pensamento. São Paulo 2006. Pg. 107 a 109.

[4] UESHIBA, Kisshomaru. O espírito do aikido. Ed. Cultrix. São Paulo, 1984.

.

Colaboração:

www.impressione.wordpress.com

.


O iniciante na Arte do Aikidô

17/06/2013

.

O iniciante em qualquer área é um curioso por natureza. No Aikidô não poderia ser diferente. Abaixo seguem alguns questionamentos e diretrizes para facilitar a vida dos iniciantes no Aikidô, mas que se encaixam, em sua maioria, para iniciantes, ou não, em outras áreas de convivência. Quando cada um tem a consciência do espaço que lhe cabe e se porta de forma digna, a convivência é facilitada.

 

Propósitos do Aikidô

O objetivo do Aikidô é contribuir para fazer uma sociedade melhor através do treinamento do corpo e do espírito. “Todo mundo possui um espírito que pode se aperfeiçoar, um corpo que pode ser treinado e um caminho a seguir”.  – Morihei Ueshiba – Fundador do Aikidô.

 

Diferencial do Aikidô

Um caminho marcial japonês com a intenção de obter uma excelente saúde através do treinamento do corpo e do espírito. A partir de 4 anos de idade, todas as pessoas podem treinar.

 

Aula Experimental

As pessoas interessadas estão convidadas a ir a qualquer Dojô (academia) para fazer aulas experimentais, sem compromisso e sem custo, para ter uma ideia mais clara do que é o Aikidô.

 

Inscrição no Dojô

Para aqueles que se identificam com a arte, depois das aulas experimentais, é só dirigir-se à secretaria do Dojô para fazer sua inscrição.

 

Avaliações

Cada Dojô tem sua forma e datas de avaliação, mas os que estão subordinados à Academia Central de Aikidô em São Paulo – Federação Sul Americana de Aikidô – www.aikidokawai.com.br – seguem o estabelecido por esta. Caso esteja na época de fazer a avaliação, o Sensei comunicará ao aluno e este deverá dirigir-se à secretaria do Dojô, preencher a ficha de inscrição e pagar a taxa a ela referente.

 

Etiqueta e Costumes do Dojô (Local de Treinamento)

1. Ao entrar na área de treinamento do Dojô, ou sair, faça uma reverência em pé.

2. Ao pisar no tatame, ou sair dele, faça sempre uma reverência em direção ao shomen e ao retrato do Fundador.

3. Respeite o seu material de treinamento. O dogui (kimono) deve estar sempre limpo e em ordem. As armas devem estar em boa condição e no lugar apropriado quando fora de uso.

4. Nunca use o dogui ou as armas de outra pessoa.

5. Poucos minutos antes do início da prática, esteja aquecido, sentado formalmente segundo a hierarquia, e em meditação silenciosa. Esses minutos são para você esvaziar a mente dos problemas do dia e preparar-se para o estudo.

6. A aula começa e termina com uma cerimônia formal. É importante que você não se atrase e participe dessa cerimônia, mas, se houver motivo de força maior que retarde sua entrada, deverá esperar sentado formalmente ao lado do tatame, até que o Sensei lhe dê permissão para juntar-se à turma. Faça uma reverência prostrada ao chegar ao tatame. Evite com isso perturbar a aula.

7. O modo correto de sentar-se no tatame é em seiza (posição formal sentada). Se tiver alguma lesão no joelho, poderá sentar-se de pernas cruzadas, mas nunca estiradas, nem com as costas apoiadas na parede. Deve ficar alerta o tempo todo.

8. Não abandone o tatame durante a prática, exceto em caso de machucadura ou doença.

9. Durante a aula, quando o Sensei demonstrar uma técnica a ser executada, fique sentado em seiza, silencioso e atento. Após a demonstração, curve-se diante do Sensei e de um parceiro, e inicie a prática.

10. Quando o fim de uma técnica for determinado, pare imediatamente. Faça uma reverência ao parceiro e junte-se depressa aos outros estudantes.

11. Não perambule pelo tatame: você deverá estar praticando ou, se necessário, sentado formalmente à espera da sua vez.

12. Se, por alguma razão, for absolutamente preciso fazer alguma pergunta ao Sensei, vá até ele (nunca o chame), curve-se respeitosamente e espere o seu assentimento (a reverência em pé é apropriada).

13. Quando estiver recebendo instruções pessoais durante a aula, sente-se em seiza e observe atentamente. Faça uma reverência ao Sensei quando terminar. Se o Sensei estiver instruindo outro aluno, você pode suspender a prática a fim de observar. Sente-se formalmente e faça uma reverência quando ele terminar.

14. Respeite os mais experientes. Nunca discuta a respeito da técnica.

15. Você está aqui para praticar. Não impinja as suas ideias aos outros.

16. Se você conhecer o movimento que está sendo estudado e o seu parceiro não, conduza-o. Mas nunca tente corrigi-lo ou instruí-lo se não for sênior do nível yudansha (faixa preta).

17. No tatame, fale o mínimo possível. O Aikidô é experiência.

18. Não ande pelo tatame nem antes nem depois da aula. O espaço é para estudantes que querem treinar. Há outras áreas do Dojô para o convívio social.

19. O tatame deve ser varrido todos os dias, antes e depois da prática. É responsabilidade de todos manterem o Dojô sempre limpo.

20. Nada de comida, bebida, cigarro ou goma de mascar no tatame ou fora dele, durante a prática.

21. Não se usa qualquer jóia, pulseira, relógio, etc., durante a prática.

22. Jamais beba bebidas alcoólicas enquanto estiver com o seu dogui.

23. Se estiver inseguro quanto ao que fazer em determinada situação, consulte um aluno avançado ou simplesmente siga os passos de seu sênior.

.

Colaboração: 

www.impressione.wordpress.com

www.aikidorn.com.br

www.aikidokawai.com.br

.


Fora da Linha de Choque – Por Richard Moon

10/05/2013

.

Ficar “fora da linha de choque” é o primeiro passo da relação de harmonia. Na prática do Aikido no tatame, isso significa ficar fora do caminho de um ataque, do golpe de uma espada, de um empurrão físico ou de uma tentativa de agarramento, O ataque serve como uma metáfora para qualquer mudança ou pressão na vida diária. A pressão do ataque representa a pressão da vida diária: o tempo, o stress psicológico e emocional, etc.

Ficar fora da linha de choque é uma técnica poderosa, especialmente quando o atacante tem a intenção de causar mal — do ponto de vista físico, político ou social. Se você não “estiver lá” para receber o ataque e o seu adversário não conseguir acertar o golpe, ele não poderá machucar você. Fora da linha de choque, a energia que seria gasta para se defender fica disponível para ser usada no processo criativo.

O movimento de sair da linha do choque pode ser descrito num contexto emocional como “não levar para o lado pessoal”. Fique fora da linha de choque. Não deixe que a interação com outra pessoa se torne uma questão pessoal. Opte por aceitá-la e compreender o seu significado como uma expressão do modo como ela se sente. Aceitação não significa necessariamente concordância. Se não tomar a reação do outro como uma afronta, você ficará livre para iniciar um diálogo genuíno. vocês podem buscar soluções criativas juntos, em vez de se perderem em argumentos negativos ou defensivos, que mais drenam que vitalizam e diminuem a qualidade do relacionamento.

.

Richard Moon emAikido em três lições simples

.

Colaboração:

www.impressione.wordpress.com

Aikidô São Leopoldo

.


Aikidô Natal – OFICINA DE ORIGAMI – Com Luane Stamatto

12/03/2013

.

Nação Aikidoca, a Academia Central de Aikidô de Natal está promovendo Oficina de Origami, sob a regência de Luane Stamatto, faixa-azul da Academia, nos dias 15, 16 e 17 de março de 2013.

Serão oferecidas 3 turmas nos horários que seguem, ao valor único de R$ 10,00 por aula. O valor arrecadado será revertido para a aquisição de nova lona para o tatame. Veja AQUI o cartaz do evento.

.

Informações sobre as aulas:

Tempo: por volta de 1h30m de duração

Valor: R$10,00

Vagas limitadas: 15 alunos por turma.

Dia 15/03 (sex): Turma 1 – 10h / Turma 2 – 16h30m

Dia 16/03 (sáb): Turma 3 – 10h / Turma 4 – 15h30m

Dia 17/03 (dom): Turma 5 – 10h / Turma 6 – 16h30m

Local: Rua João Ferreira de Melo, 2978, Capim Macio, Natal/RN, Fone: 2020-4841.

.

Colaboração:

www.impressione.wordpress.com

www.aikidorn.com.br

.


O Valor do Silêncio – Por Charles Richet

21/01/2013

.

“Eu não tenho espada, faço da minha calma e silêncio espiritual minha espada.” Tradição oral samurai.

.

Silêncio… o que é silêncio? Qual é sua natureza, aplicação e repercussão? O silêncio é uma constante japonesa, não uma prática, é algo já arraigado, é o normal, não o almejado nos meios tradicionais. É de muito mau gosto ou ignorância interromper uma ação ou um estado natural de quietude com algum comentário desnecessário e/ou fora de contexto. Mas vamos com calma, parcimônia e sabedoria, afinal, somos brasileiros, fora deste contexto oriental.

Silêncio, do latim silentiu, do dicionário Michaelis: “3 Abstenção voluntária de falar, de pronunciar qualquer palavra ou som, de escrever, de manifestar os seus pensamentos”. Sileo- silentium, que significa: estar em repouso, tranquilidade, descanso, ausência de qualquer estorvo. Etimologicamente, a palavra silêncio remete a silentium, silere, cujo significado encontra-se em sileo, cujo sentido é calar, omitir-se.

O silêncio é um meio de aprendizado comum ao budo. A partir do silêncio interior o aluno coloca-se pronto a receber o conhecimento oferecido pelo mestre. Ao postar-se em silêncio e perceber com consciência o que é demonstrado, o deshi tem uma condição melhor de internalizar o que é ministrado. Assim sua percepção sobre a natureza da prática amplia e amadurece.

No dojo de Aikido, assim como em Nihon no Dojo, silêncio é algo essencial. O aluno não deve manifestar-se se não foi requerido ao mesmo. Aqueles que chegam ao dojo no meio de uma aula já em curso não devem comunicar-se com os que já estão praticando e o mesmo vale aos que estão no tatame, não devem dar boas vindas e outras expressões. Durante a prática o sensei e os alunos mais graduados devem ser respeitados em suas orientações, não precisando contar com uma segunda voz ao guiar uma instrução. Se seu sensei chegou perto de você durante uma orientação que você possa estar passando a um companheiro, silencie-se e deixe que o sensei, que atenho certeza é o mais qualificado, observe e oriente as dúvidas de seu parceiro, e as suas TAMBÉM. Não chame o sensei, não use o imperativo, ex. “repita isso para mim sensei; sensei faça isso”. Sempre que for necessário tirar uma dúvida durante a prática espero o sensei chegar, e se nesse tempo ele demorar vá praticando o seu melhor e não se preocupe com a prática de seu companheiro, não interfira, não oriente, principalmente e muito principalmente se você não é instrutor qualificado. Particularmente, em nosso dojo o aluno que tem permissão de orientar superficialmente seus colegas tem desígnio público meu, sendo vedada essa prática a outros alunos, iniciantes, alunos graduados e alunos visitantes. Enfim, se você acha que pode orientar seu colega é porque ou você tem permissão do sensei ou é porque já tem conhecimento suficiente das regras do dojo e, portanto, deve esperar em silêncio e quietude. Lembre-se: não interrompa o sensei, seus kohai e senpai, não converse, treine, treine e treine mais!!!

.

Uma xícara de Chá

Nan-In, um mestre japonês durante a era Meiji (1868-1912), recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas.Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda.O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse:”Está muito cheio. Não cabe mais chá!“”Como esta xícara,” Nan-in disse, “você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua xícara?

.

*Charles Richet – é fukushidoin e faixa preta 3º grau, com ambas as certificações conferidas pelo Hombu Dojo Aikikai, Tóquio. Responsável pela Sociedade Círculo da Paz em Brasília/DF.

.

Colaboração:

www.impressione.wordpress.com

www.portalaikido.com.br

.


%d blogueiros gostam disto: